Num mundo onde a comunicação acontece por meios digitais que conectam telas, mas que tantas vezes isolam os corações, o feed da Pastoral da Comunicação é chamado a entregar mais do que métricas: ele deve transmitir a própria presença viva de Deus. Nesse horizonte onde as redes sociais ditam comportamentos, a Inteligência Artificial redesenha constantemente as fronteiras da linguagem.
Foi com essa perspectiva que o Encontro Arquidiocesano da Pascom reuniu comunicadores, agentes pastorais e lideranças eclesiais para refletir sobre os desafios da evangelização na era digital. O evento contou com formações conduzidas pelo pesquisador Moisés Sbardelotto e pelo especialista Fabricio Stchel, que discutiram o uso consciente e estratégico das novas tecnologias na missão da Igreja.
Em sua apresentação, Moisés Sbardelotto alertou contra os riscos de uma “confiança ingênua e acrítica” nas ferramentas de IA. O pesquisador explicou que a utilização sem discernimento anula a capacidade crítica e abre espaço para manipulações invisíveis. “Se eu não conheço determinado assunto, qualquer resposta da Inteligência Artificial pode parecer verdadeira”, explicou. Ele lembrou que os algoritmos não são neutros, pois carregam os interesses das empresas que os desenvolvem, o que alimenta bolhas digitais e intensifica a polarização social. Para Sbardelotto, o embate atual supera as barreiras técnicas: “O desafio não é apenas tecnológico, mas antropológico. Precisamos refletir sobre que tipo de humanidade estamos construindo com essas ferramentas”.
Por outro lado, Fabricio Stchel apresentou a dimensão prática da IA aplicada à comunicação pastoral. O palestrante demonstrou ferramentas úteis para o cotidiano da Pascom, corrigiu erros frequentes de usabilidade e sugeriu plataformas para otimizar a produção de conteúdo e a organização do trabalho. “A Pascom não é equipe de marketing. É presença do Corpo de Cristo no ambiente digital”, destacou o formador, reforçando que a missão eclesial vai muito além de números, alcance e engajamento nas redes sociais.
O dia foi finalizado com a Santa Missa, presidida pelo padre Osmar de Oliveira Braido, pároco da Paróquia da Vila Rubim e diretor espiritual da Pascom de Vitória. Em sua homilia, inspirada na Solenidade da Ascensão do Senhor e no encerramento do evento, padre Osmar incentivou os comunicadores a buscarem maior profundidade e intimidade com a Palavra de Deus, indo além das postagens técnicas: “Como é que eu vou ser um anunciador da Palavra de Deus, pautado, firmemente, com o meu pé no chão, se eu não tenho leitura bíblica? Como que eu serei esse missionário, evangelizador?”. Ao recordar os 60 anos do Dia Mundial das Comunicações Sociais, o diretor espiritual convocou a Pascom a assumir o compromisso do batismo com uma espiritualidade viva. “Hoje, vocês estão convidados a mostrar uma fotografia que tenha espiritualidade. Não só uma foto, uma foto que vá além. Sempre se perguntem o que a foto de vocês está comunicando e se ela está anunciando o Evangelho”, provocou o sacerdote, motivando os agentes a transformarem as redes sociais e a própria vida em autênticos canais de comunhão.
Os agentes da Pascom retornam às suas paróquias com os corações inquieto e o olhar renovado. Muito além de programar posts ou alimentar algoritmos, a missão que levam na bagagem é a de humanizar as redes e aproximar as telas. Afinal, evangelizar nos meios digitais é fazer com que cada curtida se transforme em oração, cada compartilhamento vire testemunho e todo feed seja um espelho da presença viva de Deus.