Sobre a Exposição

À sombra da Cruz reverente e servidora, sinal do mistério Pascal de Cristo para a Salvação do mundo, a Igreja de Vitória do Espírito

À sombra da Cruz reverente e servidora, sinal do mistério Pascal de Cristo para a Salvação do mundo, a Igreja de Vitória do Espírito Santo, nasce como peregrina de Esperança em terras capixabas.

Foto: Arquidiocese de Vitória

À Luz do Vaticano II, sob o influxo das quatros principais constituições: Lumen Gentium, Gaudium et Spes, Dei Verbum e Sacrosanctum Concílium, a Igreja de Vitória, recebe um inigualável impulso, reascendendo a chama de Pentecostes, que em seu seio gesta na Grande Avaliação, a fecundidade da caridade pastoral e a ousadia missionária que a envia continuamente à novos horizontes evangelizadores.

Constituída fundamentalmente por Comunidades Eclesiais de Base, em dinâmica sinodal, sempre atenta aos desafios da contemporaneidade, enraiza a sua experiência eclesial no Caminhar juntos, na acolhida fraterna e na esperança, por uma Igreja toda ministerial de comunhão e participação.

Foto: Arquidiocese de Vitória

A exposição Igreja de Vitória peregrina de Esperança à Luz do Vaticano II, revisita a história desta Igreja Conciliar, sob a ótica do evento renovador da Igreja, para celebrar o Jubileu da Esperança, fazendo memória dos seus passos com o olhar e o coração abertos ao futuro, de uma Arquidiocese vibrante, entusiasmada e vocacionada à serviço da vida para testemunhar o Reino de Deus.

Venha se encantar com a história da Igreja de Vitória em seu peregrinar de fé e caridade e celebrar com a Arquidiocese o Jubileu da Esperança.

A exposição “Igreja de Vitória: peregrina de esperança à luz do Vaticano II” convida o visitante a uma viagem pelo tempo, com olhar e

A exposição “Igreja de Vitória: peregrina de esperança à luz do Vaticano II” convida o visitante a uma viagem pelo tempo, com olhar e andar de peregrino de esperança, pois Spes non confundit – “a esperança não decepciona”.

Sessenta anos depois, a exposição relembra os aspectos sociais, espirituais e litúrgicos que motivaram o Papa João XXIII a anunciar, já no início do seu pontificado, a convocação de um Concílio, o Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965).

Havia se passado 90 anos desde a realização do Concílio Ecumênico Vaticano I (1870). Após uma intensa fase de preparação, o Concílio Ecumênico Vaticano II foi solenemente aberto em 1962, no dia 11 de outubro. Buscava o sonhado aggiornamento, ou a aproximação da Igreja com o mundo atual.

A partir daí começou um grande movimento da Igreja e foram iniciados os trabalhos, divididos em quatro sessões. Participaram cerca de 2.000 Padres Conciliares do mundo inteiro.
Encerrado depois de três anos, em 8 de dezembro de 1965, deixou como legado não apenas uma série de importantes documentos que seguem sendo de grande atualidade, mas um novo modo de ser Igreja marcado pelos conceitos de colegialidade e sinodalidade.

As decisões de um dos mais importantes eventos da Igreja Católica no século XX a aproximou dos desafios do mundo moderno sem abrir mão de seus dogmas e tradições.

Pode dizer-se que o céu e a terra se unem na celebração do Concílio. Os santos do céu, para proteger o nosso trabalho; os fiéis da terra, continuando a orar a Deus; e vós, fiéis às inspirações do Espírito Santo, para prosseguir no trabalho comum segundo os desejos e as necessidades dos nossos tempos.
— Papa João XXIII.

Essa exposição apresenta fotografias, objetos sacros e documentos raros do acervo da Cúria Metropolitana, muitos deles inéditos ao público. Os diferentes espaços expositivos contam como a História da Igreja no Espírito Santo influenciou e foi influenciada pelo Concílio Vaticano II (CV II).

As salas narram a chegada dos primeiros missionários, no século XVI, a atuação dos primeiros bispos, a elevação da Arquidiocese de Vitória, em 1958. Também revisitam o trabalho e a esperança que guiaram líderes como Dom João Batista da Mota e Albuquerque, à época arcebispo de Vitória e padre conciliar, e Dom Luís Gonzaga Fernandes, nomeado seu bispo auxiliar ao fim do Vaticano II. Exposições temporárias e atividades variadas integram o programa.

O Concílio impulsionou as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e é importante ressaltar que a característica participativa e comunitária dessas comunidades no Espírito Santo, fez da Igreja de Vitória uma referência nacional.

As memórias são recordadas a partir do protagonismo de bispos, padres, religiosos, religiosas, leigos e leigas que ajudaram a escrever a História.
Ao revisitar esse passado, a exposição reforça que o Concílio Vaticano II continua atual e segue apontando caminhos para a Igreja, hoje. Ao percorrer os espaços, o visitante pode se reconhecer como parte dessa história viva.

Uma nova comissão, coordenada por dom Andherson Franklin Lustoza de Souza, bispo auxiliar de Vitória, foi criada para pensar, programar e realizar uma Exposição

Uma nova comissão, coordenada por dom Andherson Franklin Lustoza de Souza, bispo auxiliar de Vitória, foi criada para pensar, programar e realizar uma Exposição sobre o Concílio Vaticano II.

A Exposição vai acontecer no primeiro semestre de 2025, no Cecates, Centro Católico de Estudos na Praia do Suá.

Segundo Giovanna Valfré, coordenadora do Centro de Documentação e membro da nova comissão, os objetivos são: fazer memória da história de maneira integrada em suas etapas, enriquecer o sentido de pertença à Igreja, entender o Concílio Vaticano II com seu percurso, personagens e desdobramentos e, recuperar a força do Vaticano II a partir daquilo que a Igreja aponta hoje com o Papa Francisco. Ainda, segundo Giovanna, a Exposição será composta com fotos, documentos, materiais gráficos, áudios e vídeos.

A comissão é composta por dom Andherson Franklin, bispo auxiliar; Raquel Tonini, arquiteta e membro da Comissão de Arte Sacra; Vitor Schneider, juiz e membro da Comunidade Epifania; Maria Amélia Reuter Mota Carrera, coordenadora da Comunidade Epifania; Doris Pereira de Almeida, pedagoga e membro da Comunidade Epifania; Noemita Alexandre, bibliotecária do Cecates.

Francisco é o primeiro papa ordenado sacerdote depois do Concílio, 1969. Estudou teologia bebendo das fontes de renovação da Igreja

Edebrande Cavalieri

Não é comum um Papa proferir um discurso extenso e duro, como o que foi dirigido no dia 24 de janeiro passado ao Escritório Catequético da Conferência Episcopal Italiana quando fez essa afirmação tão contundente e também tão óbvia de que o Concílio é magistério da Igreja, é ensinamento, e quem não segue não está na barca de Pedro. Por que motivo o Papa está falando assim e o que ele quer apontar como caminho para os cristãos católicos?

Francisco é o primeiro papa ordenado sacerdote depois do Concílio, 1969. Estudou teologia bebendo das fontes de renovação da Igreja. E agora enfrenta o desafio de conduzir a Barca de Pedro de acordo com esse grande ensinamento. Paulo VI dizia que o Concílio “será o grande catecismo dos novos tempos” e a tarefa da catequese está exatamente na busca de compreensão dos problemas que surgem do coração do homem para levar de volta ao dom do amor que cria e salva. Essa é missão da Igreja.

Esse discurso tão forte do Papa me lembra a história descrita em Atos 15 conhecida como Concílio de Jerusalém. A Igreja nascente estava dividida, cada um tentando levar para o seu modo de ver e agir, achando que esse seria o caminho da salvação. Parecia até uma briga política entre “esquerda e direita”, o grupo de Paulo e Barnabé e o grupo de Tiago. O foco da questão estava no quesito da circuncisão, considerada por um grupo como essencial à salvação, como se fosse uma doutrina, uma Lei canônica, um desígnio do Senhor, afinal estava escrito na Bíblia em Gênesis 17, 11: “Todos os do sexo masculino entre vocês serão circuncidados na carne”.

Os primeiros cristãos eram judeus e circuncidados conforme estabelecia a Sagrada Escritura, mas no momento em que o cristianismo se expande com o trabalho missionário de Paulo e Barnabé em territórios de população helênica, portanto não judaica, como proceder? Um grupo acha que o que estava estabelecido no Antigo Testamento deveria permanecer intocável como Lei para todos os povos. Mas por que considerar a circuncisão um dogma imutável indispensável para a salvação? Paulo é taxativo. Com Cristo nos libertamos de maneira total, e é preciso vigiar para não se submeter “novamente a um jugo de escravidão”. E completa de maneira incisiva: “Caso se deixem circuncidar, Cristo de nada lhes servirá” (Gl 5, 2). Como essa palavra de Paulo faz tanta falta nos dias atuais com tantos querendo impor jugos da escravidão superados com a vinda de Cristo!

Esse é um dos pecados que a Igreja incorreu em alguns momentos de sua história: considerar o que é transitório, o que faz parte da cultura, da história daquele momento, como algo dogmático, definitivo e derradeiro. Nos dias atuais tem diversos grupos se alinhando a essa forma de pensar o caminho da salvação. E recorrem às Leis e orientações de um passado bem remoto, anterior ao Concílio Vaticano II, aplicando aos dias atuais. Como é comum ouvir tantas pessoas dizendo: “Tá na Bíblia”! Eu sempre respondo que tem tantas coisas na Bíblia, especialmente no Antigo Testamento, que se tomarmos literalmente o texto sagrado ficaremos presos e perdidos com certas normas de conduta especialmente de cunho moral. Mas até líderes religiosos estão com preguiça de se debruçar sobre os textos e estudá-los seriamente. Tomam o caminho do fundamentalismo fácil, que serve apenas para exercício de dominação.

Na Igreja atual tem aumentado o número de pessoas e grupos querendo impor o próprio modo de ver, o próprio modo de pensar e viver o Evangelho para toda a comunidade, para todo mundo. E quando encontram pessoas que pensam e agem de maneira diferente logo chamam de “comunistas”, de “hereges”, etc. Nem o próprio Papa escapa dessas condenações. Alguns chegam ao ponto de negar o próprio Concílio dizendo estar ultrapassado. E ressuscitam Encíclicas de Papas do passado para impor um caminho restaurador. Fazem dessas coisas aplicáveis em tempos antigos código de normas e dogmas absolutos. Atacam o próprio Papa Francisco, timoneiro da barca de Pedro.

Volto novamente ao testemunho de Atos 15 que assim registra aquele encontro em Jerusalém: “Depois de muita discussão, Pedro levantou-se e dirigiu-se a eles: ‘Irmãos, vocês sabem que há muito tempo Deus me escolheu dentre vocês para que os gentios ouvissem de meus lábios a mensagem do Evangelho e cressem’”. Vejam que Lucas não esconde a tensão na assembleia. O clima esquentou mesmo. E observem o lugar de Pedro escolhido pelo próprio Jesus, que é o mesmo lugar do Papa em todos os tempos da história da Igreja.

A Igreja nascente aprendeu desde o início que o caminho da evangelização não é conduzido isoladamente por um apóstolo, por uma pessoa. O caminho é sinodal, é coletivo. E a decisão, tomada em conjunto e assumida pelo sucessor de Pedro, deve ser respeitada sempre, deve ser seguida. Todos os apóstolos se submeteram à decisão tomada em Jerusalém. Esse é o primeiro exemplo de sinodalidade da Igreja enfatizada intensamente no Concílio Vaticano II.

E ainda Lucas acrescenta que Deus não faz nenhuma distinção entre os judeus circuncidados e os pagãos não circuncidados. Pedro em seu discurso de encerramento é mais duro ainda com um dos grupos: “Então, por que agora vocês estão querendo tentar a Deus, pondo sobre os discípulos um jugo que nem nós nem nossos antepassados conseguimos suportar?” E logo toda a assembleia se calou, cada um colocando o rabinho entre as pernas. E o próprio Tiago que liderava o grupo que queria obrigar os pagãos à circuncisão conclui dizendo que “não devemos por dificuldades aos gentios que estão se convertendo a Deus”.

É assim que se caminha na Igreja. E não como aqueles que ao terminar o Concílio Vaticano II romperam com a Igreja pregando contra as decisões tomadas pelos padres conciliares. Até hoje há alguns herdeiros daquelas posturas radicais pós-conciliares e andam fazendo miséria no seio da Igreja. Não apenas pessoas, mas também grupos religiosos que se não negam abertamente o Concílio, o renegam em termos de caminho eclesial, prático, pois buscam desvios restauradores. Ou seja, ouvem o Papa, mas seguem caminho próprio e contrário ao Pontífice.

O Papa Francisco ainda precisa lembrar a todos nós que “o Concílio é magistério da Igreja. Ou você está com a Igreja e, portanto, segue o Concílio, e se não segue o Concílio ou o interpreta a sua maneira, a sua própria vontade, você não está na Igreja”. Não se negocia o ensinamento, o Concílio. E Francisco esclarece ainda mais: “Isso me faz pensar tanto num grupo de bispos que depois do Vaticano I foram embora, com um grupo de leigos, para continuar a ‘verdadeira doutrina’ que não era a do Vaticano I”. Nada diferente com o que aconteceu com um pequeno grupo no Concílio Vaticano II.

Por fim, Francisco fala mais diretamente ao Escritório Catequético: “A atitude mais severa para custodiar a fé sem o magistério da Igreja nos leva à ruina. Por favor, nenhuma concessão para aqueles que tentam apresentar uma catequese que não esteja de acordo com o Magistério da Igreja”.