Na manhã desta quarta-feira (8), o Quartel da Polícia Militar do Espirito Santo, se transformou em um espaço de fé, silêncio e profunda espiritualidade com a chegada da imagem peregrina de Nossa Senhora da Penha. Pontualmente às 11h30, a imagem foi acolhida entre continências, olhares atentos e corações tocados por um misto de devoção e respeito.

Pouco depois, por volta das 12 horas, teve início a Santa Missa, presidida por Dom Andherson Franklin, que conduziu a celebração com palavras firmes e, ao mesmo tempo, carregadas de sensibilidade diante da realidade vivida pelos homens e mulheres da segurança.
Em sua homilia, Dom Andherson destacou a força do exemplo de Maria, que “guardava e meditava no coração tudo aquilo que ouvia de Deus”, convidando os presentes a fazerem o mesmo diante dos desafios cotidianos. Em um ambiente marcado pela disciplina e pela responsabilidade, suas palavras ecoaram como um chamado à interioridade e ao equilíbrio entre missão e fé.
“Devemos aprender com a Virgem Maria de que modo trazer a luz da Palavra de Deus para a vida do dia a dia, para os desafios cotidianos, para as lutas diárias”, afirmou o bispo, dirigindo-se especialmente aos militares.
A presença da imagem peregrina, nesse contexto, tornou-se sinal concreto de consolo e força espiritual, um abraço silencioso que alcança aqueles que, diariamente, enfrentam as dores e os desafios da sociedade.
Esse sentimento foi traduzido nas palavras emocionadas da coronel Leomara, que destacou o significado histórico e pessoal daquele momento. Segundo ela, a instituição, que celebra 191 anos, recebeu pela primeira vez a visita da imagem no Quartel do Comando-Geral. “Para nós que somos católicos dentro dessa instituição, isso representa demais, é como se ela tivesse jogado o manto dela sobre nós”, afirmou.

Em um testemunho marcado pela gratidão, a Coronel também partilhou que aquele era seu último dia na corporação, após 31 anos. A coincidência da visita tornou tudo ainda mais significativo: “Quando a gente viu que ela viria antes de a gente ir até ela no dia da romaria, nada mais é do que o carinho de mãe; é carinho de mãe”, disse, emocionada.
Leomara ainda ressaltou a sintonia entre a mensagem da homilia e a missão dos militares: “As palavras que foram ditas aqui são tudo que a gente sempre pregou dentro da instituição: ter um olhar humano, saber que vamos lidar com as mazelas da sociedade, mas sem perder a sensibilidade, tanto com o público interno quanto externo”.
Ainda muito emocionada a Coronel não deixo defrisar que esse momento foi como um encerramento marcante de sua trajetória: “A gente está fechando com chave de ouro. Sentimos o carinho da Mãe por nós, como se estivéssemos sendo abraçados. Sou muito grata a Deus por tudo que fiz e por tudo que sou, e muito grata à Nossa Senhora, porque sem ela a gente não chegaria a Ele”.
Ao longo da manhã, ficou evidente que, mais do que uma celebração, foi um momento de encontro entre fé e missão, entre o céu e a rotina exigente da segurança pública.
Ao final, permaneceu no ar uma certeza serena: naquele dia, não foi apenas a imagem que entrou no quartel. Entrou também a esperança. E, como quem aquece o coração sem fazer ruído, a Virgem da Penha deixou entre os presentes um convite silencioso e profundo: seguir firmes, iluminados pela fé, sendo instrumentos de paz onde quer que estejam.
Anexos
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