Na tarde deste domingo (28), foi realizado o encerramento do Ano Jubilar, conforme estabelece a Bula de Proclamação do Jubileu, “Spes non confundit”, do Papa Francisco.

De acordo com o documento, no dia do encerramento é necessário especial cuidado para que Deus acolha, com plena participação dos fiéis, tanto o anúncio da esperança da graça divina quanto os sinais que atestam a sua eficácia.
A programação teve início com a saída da Igreja São Gonçalo, com uma pequena peregrinação, em direção à Catedral Metropolitana de Vitória.
Em seguida, às 17h, foi celebrada a Santa Missa na Catedral, reunindo fiéis de todas as comunidades da Arquidiocese.
A celebração foi presidida pelo Arcebispo de Vitória, Dom Ângelo Mezzari, e concelebrada pelo Bispo Auxiliar, Dom Andherson Franklin, e demais padres de todas as paróquias da Arquidiocese.
Durante a homilia, Dom Ângelo destacou que tudo o que foi vivido, experimentado e realizado ao longo deste Ano Santo conduziu os fiéis ao propósito proposto pelo Papa Francisco na Bula de convocação do Jubileu de 2025 (confira a homilia na íntegra).
“Amados irmãos e irmãs,
Com alegria celebramos hoje, dia 28 de Dezembro, Ano Santo de 2025, a conclusão do Jubileu da Esperança, na Festa da Sagrada Família de Nazaré, dentro da Oitava de Natal. Quero mais uma vez expressar minha alegria por estarmos reunidos aqui na Igreja Catedral, Mãe de todas as Igrejas de nossa Arquidiocese. E tanta gratidão, por vossa presença aqui, sobretudo por este Ano Santo vivido com tanta fé e amor, iniciado aqui, justamente, nesta Igreja Catedral, no dia 28 de Dezembro passado, por nosso querido Arcebispo Emérito, Dom Dario Campos, a quem recordamos com gratidão e agradecemos de coração.
As normas para o Jubileu 2025 nos disseram sobre este rito de encerramento: “A celebração eucarística se configura como uma Missa estacional. Por isso, todos os presbíteros concelebram com o Bispo; os diáconos, os acólitos, os leitores e os outros ministros desempenham o seu ministério. Tenha-se o cuidado de que a convocação chegue a todos os fiéis”. Em uma Igreja toda ela sinodal, que caminha unida, na comunhão e participação, na missão, queremos cada vez mais nos comprometer na construção do Reino de Deus, levando a Boa Nova da salvação, que é Jesus Cristo, a todos. Nesta Eucaristia solene, expressamos nossa unidade como Igreja na riqueza, diversidade e complementariedade de todas os dons, carismas e ministérios.
Movido pela esperança que não decepciona (Rm 5,5), convocados, aqui estamos todos, o povo de Deus desta Arquidiocese, para a celebração de encerramento do Jubileu da Esperança: cristãos leigos e leigas, consagrados e consagradas, ministros ordenados. Logo, os membros das pastorais, dos grupos e associações laicais, dos movimentos laicais, de organismos e instituições. Enfim, estamos aqui bem representados, vindos das paróquias e comunidades, sendo sinais e testemunhas de esperança. E quantos sinais existem.
Tenho certeza, que tudo o que vivemos, experienciamos e realizamos durante este Ano Santo, nos levou a alcançar o que o Papa Francisco pediu na Bula de convocação do Jubileu 2025”: “Possa ser, para todos, um momento de encontro vivo e pessoal com o Senhor Jesus, «porta» de salvação (cf. Jo 10, 7.9); com Ele, que a Igreja tem por missão anunciar sempre, em toda a parte e a todos, como sendo a «nossa esperança» (1 Tm 1, 1)”. Sim, todos somos testemunhas de que Jesus Cristo, nossa Esperança, foi, e será sempre, o centro deste nosso peregrinar. Ele é nossa única Esperança, que não desilude, nem engana. Ele é a “Porta” da Salvação. Nossa missão, agora, mais do nunca, é continuar anunciando, em todo lugar, ao mundo, que ainda tem sede daquela esperança e paz tão desejada.
A Liturgia de hoje é a da Festa da Sagrada Família de Nazaré: Jesus, Maria e José. O Tempo é de Natal e Deus se fez solidário com a humanidade, especialmente com os mais humildes, pobres e sofredores. Nasceu em uma família marcada pelo vínculo do amor, sem desconhecer seus dramas, dores e sofrimentos, pois era uma família autenticamente humana, sustentada pela fé e confiante nas promessas de Deus. Assim é nossa família.
O texto do Evangelho (Mt 2,13-15.19-23) nos faz ver José, atento à voz de Deus. Herodes, o rei, vai procurar o Menino Jesus para matá-lo. A Sagrada Família, imersa na realidade e nos dilemas humanos, que também nós passamos, é perseguida e exilada no Egito. Depois. Jesus com seus pais volta para a sua terra e assenta-se em Nazaré. O Filho de Deus refaz o caminho que o povo de Israel realizou no Antigo Testamento.
No Livro do Eclesiástico (3,3-7.14-17 a), recorda o mandamento de honrar pai e mãe: “Quem honra o seu pai, alcança o perdão dos pecados”. E ainda: “quem respeita a sua mãe é como alguém que ajunta tesouros”. De fato, aos filhos é dada a tarefa de exercer as obras de misericórdia em favor dos pais: respeito, cuidado, dedicação, amparo, paciência e caridade. Preocupar-se com os pais, dando-lhes a assistência necessária, assegura as promessas de Deus, se alcança o perdão e se é atendido na oração.
Da segunda Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses (Col3,12-21), queremos verdadeiramente, por sermos tão amados por Deus, ser revestidos de “sincera misericórdia, bondade, humildade, mansidão e paciência”, suportando-nos uns aos outros e perdoando-nos mutuamente. Como nos diz o texto, e eis o ensinamento a ser observado e vivido, o apelo de todos os dias: “amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição”. De fato, a solicitude e o cuidado da esposa, o amor e entrega do marido, a obediência dos filhos e o respeito dos pais para com eles, são formas concretas de encarnar o amor de Cristo. A família cristã é um sinal vivo e visível de esperança.
A celebração litúrgica da Sagrada Família é um convite a aprofundar o mistério do Deus feito homem, a encarnação de Jesus Cristo. Somos neste dia chamados a meditar a realidade da família à luz do mistério do Verbo Encarnado, quando Ele assume a condição humana. Também Jesus experimentou as alegrias e os desafios da vida em família. Importante, amados irmãos e irmãs, compreender que a vida em família e como família, manifestada no amor mútuo, na bondade, na paciência e mansidão, é uma extensão e expressão do próprio amor que Deus tem por nós. Neste sentido, a família é o lugar e espaço onde e em primeiro lugar se faz a experiência de amar a Deus e amar o próximo, uma verdadeira escola do Evangelho, a Igreja doméstica, base da comunidade eclesial.
A Festa de hoje, da Sagrada Família, na conclusão do Ano Santo 2025, o Jubileu da Esperança, é um convite a recordar que a vida em família tem suas raízes no mistério de Cristo, nossa única esperança. Que Jesus, Maria e José sejam para todos nós verdadeiras luzes a iluminar nossos desafios humanos, sociais e eclesiais de hoje e que possamos imitar seus exemplos de vida e de fé, de amor e de esperança.”
Angelo Ademir Mezzari, RCJ
Fotos: Arquidiocese de Vitória
































































































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