Notícias da Igreja

Desde ontem, 08 de dezembro de 2025, está disponível a plataforma oficial com  dados sobre a Igreja Católica. Veja a informação divulgada no site
Desde ontem, 08 de dezembro de 2025, está disponível a plataforma oficial com  dados sobre a Igreja Católica. Veja a informação divulgada no site vaticannews.va.
“… Disponível também por meio de aplicativo — que torna imediatamente consultáveis os dados relativos aos Dicastérios da Cúria Romana, Dioceses, Institutos Religiosos e Nunciaturas. Um projeto realizado pela Secretaria de Estado e pelo Dicastério para a Comunicação e apresentado ao Papa, que efetuou o primeiro acesso ao portal: “Será de grande utilidade para quantos trabalham a serviço da Igreja”.

Para bispos ou sacerdotes nas regiões mais remotas do mundo será uma virada, para quem trabalha na Cúria Romana ou nas Dioceses uma grande comodidade e, certamente, será uma ajuda válida também para todos os aficionados pelo valor histórico de cada produção em papel. Enfim, será uma vantagem para todos a nova iniciativa pensada, realizada e apresentada pela Secretaria de Estado e pelo Dicastério para a Comunicação: o Anuário Pontifício digital. Sim, exatamente o “calhamaço” — herdeiro do Liber Pontificalis (a coletânea medieval das biografias dos Papas), que a partir de meados do século XX se configurou como instrumento fundamental para quem precisa encontrar e consultar informações oficiais sobre a estrutura dos Dicastérios da Cúria Romana, das Dioceses, dos Institutos Religiosos, das Nunciaturas e assim por diante — desde segunda-feira, 8 de dezembro, solenidade da Imaculada Conceição, desembarcou na web. E marca assim uma etapa significativa no processo de atualização e inovação dos instrumentos informativos a serviço da Igreja universal.

O encorajamento do Papa

Graças ao acesso a partir de qualquer dispositivo — via navegador ou aplicativo — a plataforma oferece um serviço que supera as limitações logísticas da versão impressa e torna o patrimônio informativo da Santa Sé consultável em qualquer lugar e a qualquer momento, lê-se em uma nota do Vaticano.

O projeto foi apresentado nos últimos dias ao Papa Leão XIV pelo substituto da Secretaria de Estado, dom Edgar Peña Parra, e pelo secretário do Dicastério para a Comunicação, monsenhor Lucio Adrián Ruiz, juntamente com outros representantes dos dois Dicastérios. O Papa efetuou o primeiro acesso e navegou pela plataforma. Em seguida, dirigiu aos presentes palavras de gratidão “por este trabalho, que — disse — será de grande utilidade para tantos que operam a serviço da Igreja”. “Encorajo-os — acrescentou Leão XIV — a prosseguir com este espírito de serviço, para que aquilo que nasce com cuidado e atenção se torne, com o tempo, uma ajuda ainda maior”.

Acesso global a informações oficiais

É precisamente o espírito de serviço que anima a ideia de base e a realização da versão digital do Anuário, ou seja, favorecer o acesso global às informações oficiais relativas à Igreja Católica para diversos destinatários: os Dicastérios da Cúria Romana, que diariamente necessitam de informações atualizadas para o exercício de suas funções; as Nunciaturas Apostólicas, que encontram assim um recurso estratégico; as Conferências Episcopais, que podem aprofundar a realidade eclesial dos diversos territórios; os Institutos religiosos, Universidades pontifícias, Centros de Pesquisa e Instituições Acadêmicas, que têm a possibilidade de consultar dados alinhados às comunicações oficiais da Santa Sé. E também jornalistas e profissionais da comunicação eclesial, que podem ter um acesso confiável a conteúdos certificados.

Atualização constante e pesquisas avançadas

Em detalhe, a nova plataforma torna possível uma atualização constante de informações como nomeações, mudanças de encargos e modificações nas estruturas eclesiais. Se antes era preciso aguardar a publicação da nova edição impressa, agora tais variações poderão ser tornadas visíveis em tempos rápidos. Outro aspecto relevante é a possibilidade de realizar buscas avançadas, selecionando dados por nome, Diocese, cargo, país e âmbitos institucionais. “Em um tempo em que a comunicação é cada vez mais rápida e global, oferecer um acesso imediato e confiável às informações sobre a vida da Igreja — com dados certificados — significa colocar a tecnologia a serviço da missão eclesial”, sublinha o substituto Peña Parra. “É um sinal de atenção, transparência e responsabilidade para com a comunidade católica e para com todos aqueles que buscam compreender a realidade da Igreja no mundo.

Trabalho conjunto

O desenvolvimento do Anuário Pontifício digital se tornou possível graças a um trabalho conjunto entre diversas realidades da Santa Sé. A Secretaria de Estado desempenhou um papel de coordenação geral, definindo requisitos institucionais, aspectos identitários e princípios de experiência do usuário. O Dicastério para a Comunicação, em particular a Direção tecnológica, cuidou do desenvolvimento técnico das infraestruturas digitais, da realização do banco de dados e dos processos de normalização dos dados elaborados pelo Escritório Central de Estatística da Igreja. Contou-se também com a contribuição de jovens profissionais formados no âmbito do Service Design e da experiência do usuário. Pensado como um projeto em evolução, o Anuário Pontifício digital será progressivamente enriquecido em seus conteúdos com a recuperação de informações históricas provenientes de arquivos e edições anteriores, bem como com novas versões que ampliarão suas potencialidades. Nessa perspectiva, a Secretaria de Estado convida aqueles que utilizarem a plataforma a enviar observações e sugestões úteis para o aprimoramento do serviço ao endereço [email protected].

A plataforma

A plataforma está disponível no endereço https://www.annuariopontificio.catholic/ e por meio de um aplicativo para iOS e Android. Para utilizá-la, será necessário registrar-se na versão web ou baixar o aplicativo pela Apple Store e Google Store. Está previsto um sistema de assinatura em dois planos que garante um acesso constante e a atualização diária dos dados.

O site vaticannews.va, divulgou um vídeo com uma resenha da primeira viagem apostólica do Papa Leão XIV. Em imagens, a primeira Viagem Apostólica de

O site vaticannews.va, divulgou um vídeo com uma resenha da primeira viagem apostólica do Papa Leão XIV.

Em imagens, a primeira Viagem Apostólica de Leão XIV

O vídeo mostra a chegada ao país que é uma ponte entre Oriente e o Ocidente, com um apelo para fomentar a fraternidade na região, a unidade entre as Igrejas e a plena dignidade das minorias. Em seguida, a chegada no País dos Cedros, com o abraço dos líderes religiosos em nome da paz, o entusiasmo dos jovens que resistem às dificuldades e a oração silenciosa no porto de Beirute. E a promessa: “Não vos abandonaremos”.
O IV Encontro Lati no-Americano e Caribenho de Responsáveis de Prevenção de Abusos vai acontecer no Brasil. Abaixo a matéria publicada no site cnbb.org.br

O IV Encontro Lati no-Americano e Caribenho de Responsáveis de Prevenção de Abusos vai acontecer no Brasil. Abaixo a matéria publicada no site cnbb.org.br

Em Brasília, no 28 de novembro de 2025, teve início o processo de organização do IV Encontro Latino-Americano e Caribenho de Responsáveis de Prevenção de Abusos. A reunião preparatória contou com a presença de representantes do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (CELAM), da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e da Confederação Latino-Americana de Religiosos (CLAR).

Durante o encontro, foi confirmado que o Brasil será a sede da quarta edição do evento. As datas foram fixadas para os dias 1º, 2 e 3 de setembro, embora a cidade anfitriã e o local específico ainda estejam em fase de definição.

O encontro é organizado pela Rede de Prevenção de Abusos na Igreja da América Latina e do Caribe, uma iniciativa vinculada ao CELAM, nesta edição em parceria com a CNBB e CRB. O objetivo central é fortalecer as políticas e ações para a proteção de crianças, adolescentes e adultos vulneráveis no contexto eclesial.

Caminhada pela cultura do cuidado

A iniciativa dá continuidade a um trabalho iniciado em novembro de 2023, com a criação da Rede Latino-Americana e Caribenha para a Cultura do Cuidado. Desde então, a Rede tem se consolidado como um espaço vital para o intercâmbio de experiências e o fortalecimento do trabalho conjunto entre as igrejas locais.

As edições anteriores do encontro, realizadas no Chile na Colômbia e Porto Rico, foram marcos importantes para o aprofundamento de temas essenciais e para o crescimento do serviço de proteção em cada país do continente. A edição brasileira promete avançar ainda mais na consolidação de ambientes seguros e na promoção da cultura do cuidado na Igreja.

O Papa continua sua primeira viagem apostólica. Acompanhe a matéria publicada no site vaticannews.va. Em seu discurso às autoridades libanesas, o Papa ressaltou que

O Papa continua sua primeira viagem apostólica. Acompanhe a matéria publicada no site vaticannews.va.

Em seu discurso às autoridades libanesas, o Papa ressaltou que “o compromisso e o amor pela paz não conhecem o medo diante das aparentes derrotas, nem se deixam abater pelas desilusões, mas sabem olhar para o futuro, acolhendo e abraçando todas as realidades com esperança”. “A paz é saber viver juntos, em comunhão, como pessoas reconciliadas”, disse Leão XIV, sublinhando “o papel indispensável das mulheres no árduo e paciente esforço de preservar e construir a paz”.

O Papa Leão XIV iniciou, neste domingo (30/11), a segunda etapa de sua primeira viagem apostólica internacional que o leva ao Líbano.

O Pontífice chegou a Beirute onde encontrou-se com as autoridades, os representantes da sociedade civil e o Corpo diplomático, no Palácio Presidencial. O Papa iniciou o seu discurso com as seguintes palavras:

“É uma grande alegria encontrar-vos e visitar esta terra onde “paz” é muito mais do que uma palavra: aqui a paz é um desejo e uma vocação, é um dom e um canteiro sempre aberto.”

A obra da paz é um contínuo recomeçar

Recordando as palavras de Jesus, «Felizes os que promovem a paz», o Santo Padre refletiu sobre o que significa ser promotor de paz “em circunstâncias muito complexas, conflituosas e incertas”. Ressaltou uma qualidade que distingue os libaneses: “Sois um povo que não sucumbe e que, diante das provações, sabe sempre renascer com coragem“.

“A vossa resiliência é uma característica imprescindível dos autênticos promotores da paz: realmente, a obra da paz é um contínuo recomeçar. O compromisso e o amor pela paz não conhecem o medo diante das aparentes derrotas, nem se deixam abater pelas desilusões, mas sabem olhar para o futuro, acolhendo e abraçando todas as realidades com esperança. É preciso tenacidade para construir a paz; é preciso perseverança para cuidar e fazer a vida crescer.”

Uma sociedade civil vivaz, bem formada, rica em jovens

Portanto, falar a “língua da esperança”, aquela que sempre permitiu os libaneses de recomeçar, num mundo em que “uma espécie de sentimento de impotência e pessimismo parece ter levado a melhor: as pessoas parecem já nem sequer conseguir perguntar-se o que podem fazer para mudar o rumo da história”.

“Sofrestes muito as consequências de uma economia que mata, da instabilidade global – que também no Levante tem repercussões devastadoras –, bem como da radicalização das identidades e dos conflitos; mas sempre quisestes e soubestes recomeçar.”

O Líbano pode orgulhar-se de uma sociedade civil vivaz, bem formada, rica em jovens capazes de expressar os sonhos e as esperanças de todo um País“, frisou o Papa. “Que vos ajude também o profundo laço de afeto que une tantos libaneses espalhados pelo mundo ao seu país”, sublinhou.

Recomeçar através do árduo caminho da reconciliação

A seguir, o Pontífice falou sobre a segunda característica dos que promovem a paz: eles sabem recomeçar sobretudo através do árduo caminho da reconciliação. “Existem feridas pessoais e coletivas que para poderem cicatrizar exigem longos anos, às vezes gerações inteiras. Se não forem tratadas, se não se trabalhar, por exemplo, na cura da memória, na aproximação entre aqueles que sofreram ofensas e injustiças, dificilmente se alcançará a paz”, disse ainda o Papa Leão.

De acordo com o Santo Padre, “não há reconciliação duradoura sem uma meta comum, sem uma abertura para um futuro em que o bem prevaleça sobre o mal sofrido ou infligido, no passado ou no presente”.

A paz é saber viver juntos, em comunhão

Segundo o Papa Leão, “uma cultura da reconciliação não nasce apenas de baixo, da disponibilidade e da coragem de alguns, mas precisa de autoridades e instituições que reconheçam o bem comum como superior ao bem parcial”.

“A paz é, na verdade, muito mais do que um sempre precário equilíbrio entre aqueles que vivem separados sob o mesmo teto. A paz é saber viver juntos, em comunhão, como pessoas reconciliadas. Uma reconciliação que, além de nos fazer conviver, nos ensinará a trabalhar juntos, lado a lado, por um futuro partilhado. Estamos inseridos juntos num desígnio que Deus preparou para que nos tornemos uma família.”

Sangria de jovens e famílias

A terceira característica dos que promovem a paz é que “eles ousam permanecer, mesmo quando isso implica sacrifício“.

“Sabemos que a incerteza, a violência, a pobreza e muitas outras ameaças produzem aqui, como em outros lugares do mundo, uma sangria de jovens e famílias que procuram um futuro melhor noutro lugar, mesmo com grande dor por deixarem a sua pátria. Temos de reconhecer que muito de positivo chega-vos dos Libaneses espalhados pelo mundo. No entanto, não devemos esquecer que permanecer na pátria e colaborar dia após dia para o desenvolvimento da civilização do amor e da paz continua sendo algo muito apreciável.”

O Papa sublinhou que “a Igreja não se preocupa apenas com a dignidade daqueles que se deslocam para países diferentes do seu, mas deseja que ninguém seja obrigado a partir e que todos aqueles que o desejem possam regressar em segurança”.

De acordo com o Pontífice, “a mobilidade humana representa uma imensa oportunidade de encontro e de enriquecimento mútuo, mas não apaga o vínculo especial que une cada um a determinados lugares, aos quais deve a sua identidade de uma forma totalmente peculiar. E a paz cresce sempre num contexto vital concreto, feito de laços geográficos, históricos e espirituais. É preciso encorajar aqueles que os favorecem e promovem, sem ceder a localismos e nacionalismos. Na Encíclica Fratelli tutti, o Papa Francisco indicava este caminho”.

O papel das mulheres na construção da paz

Leão XIV convidou a se perguntar sobre o que fazer para que os jovens não se sintam obrigados a abandonar a sua terra. De acordo com o Pontífice, “cristãos e muçulmanos, com todos os componentes religiosos e civis da sociedade libanesa, são chamados a fazer a sua parte nesse sentido e a comprometer-se em sensibilizar a Comunidade internacional sobre o assunto”.

“Neste contexto, gostaria de sublinhar o papel indispensável das mulheres no árduo e paciente esforço de preservar e construir a paz. Não esqueçamos que as mulheres têm uma capacidade específica de promover a paz, porque sabem conservar e desenvolver laços profundos com a vida, com as pessoas e com os lugares. A participação delas na vida social e política, bem como na vida das suas comunidades religiosas, à semelhança da energia que emana dos jovens, representa em todo o mundo um fator de verdadeira renovação. Portanto, felizes as pacificadoras e os jovens que permanecem ou que regressam, para que o Líbano continue sendo uma terra cheia de vida.”

Paz, um caminho movido pelo Espírito

O Papa concluiu, ressaltando que o povo libanês é um “povo que ama a música, que, nos dias de festa, se transforma em dança, linguagem de alegria e comunhão”. Um traço da cultura libanesa que nos ajuda “a compreender que a paz não é apenas o resultado de um esforço humano”, mas “um dom que vem de Deus e que, antes de mais nada, habita no nosso coração”. “É como um movimento interior que se derrama para o exterior, permitindo-nos ser guiados por uma melodia maior do que nós mesmos: a do amor divino”, disse ainda Leão XIV.

“Assim é a paz: um caminho movido pelo Espírito, que coloca o coração em escuta e o torna mais atento e respeitoso para com o outro. Que cresça entre vós este desejo de paz que nasce de Deus e pode transformar, já hoje, a maneira de olhar para os outros e de habitar juntos esta Terra que Ele ama profundamente e continua a abençoar.”

O site vaticannews.va, acompanha e publica a primeira viagem do Papa Leão XIV à Turquia e ao Líbano. A viagem teve início no domingo,
O site vaticannews.va, acompanha e publica a primeira viagem do Papa Leão XIV à Turquia e ao Líbano. A viagem teve início no domingo, 27 de novembro a 02 de dezembro. Acompanhe como foi a conversa com os jornalistas. A matéria está publicada no site, para acompanhar a viagem acesse o site do Vaticano.
Leão XIV decolou dois minutos antes das 8 horas para a sua primeira viagem apostólica que o leva à Turquia e ao Líbano. A bordo do avião da “Ita Airways”, a imagem da Mãe do Bom Conselho, querida pelos agostinianos. A saudação aos 81 jornalistas da mídia internacional que o acompanham em sua “peregrinação” ao Oriente Médio: “esperamos anunciar, transmitir, proclamar o quanto a paz é importante em todo o mundo. Além de todas as diferenças, somos todos irmãos e irmãs”.

“Aos americanos aqui presentes, feliz Thanskiving (Dia de Ação de Graças)! É um dia maravilhoso para celebrá-lo e quero começar agradecendo a cada um de vocês pelo serviço que prestam ao Vaticano, à Santa Sé e a mim pessoalmente, mas também a todo o mundo”. O Papa Leão sorri enquanto fala ao microfone, em inglês, com os 81 jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos de cerca de 20 veículos internacionais que o acompanham em sua primeira viagem apostólica. Ele está em pé diante da cortina cinza do Airbus 320neo da Ita Airways – que decolou às 7h58 – de onde se vê, no primeiro lugar, aquele reservado, a Mãe do Bom Conselho, efígie querida pelos filhos de Santo Agostinho, cujo ícone é guardado no município de Genazzano, na região italiana do Lazio, onde o recém-eleito Robert Francis Prevost se dirigiu dois dias após o conclave.

O tom é seguro, mas o rosto revela um toque de emoção. Para ele, que como superior geral dos agostinianos fez mais de 50 viagens ao redor do mundo, é a primeira vez. A primeira vez na Turquia (Türkiye) e no Líbano; a primeira vez que “como Papa” voa para fora do Vaticano. O destino é Ancara, depois Istambul à noite e nesta sexta-feira (27/11) uma parada em Iznik para celebrar com os patriarcas e representantes das igrejas cristãs os 1700 anos do Concílio de Niceia. A partir de 30 de novembro, ele irá ao Líbano para confortar uma população ferida por guerras e crises e implorar por uma paz mais urgente do que nunca no Oriente Médio.

Paz, uma mensagem para o mundo

“Paz”. O Papa repete várias vezes essa palavra ao saudar os jornalistas, 20 minutos após a decolagem. “Esta viagem à Turquia e ao Líbano tem, antes de tudo, um significado de unidade, celebrando os 1700 anos do Concílio de Niceia. Eu desejei muito essa viagem pelo que ela significa para todos os cristãos, mas também é uma grande mensagem para o mundo inteiro. E, acima de tudo, a minha presença, a da Igreja, dos fiéis tanto na Turquia como no Líbano, esperamos que possa anunciar, transmitir, proclamar a importância da paz em todo o mundo”. Uma viagem que é, portanto, uma mensagem, além de um convite “para caminharmos juntos em busca de cada vez mais unidade, cada vez mais harmonia e para olharmos para a maneira como todos os homens e todas as mulheres podem realmente ser irmãos e irmãs” . Porque, ressalta o Pontífice, “além das diferenças, além das diferentes religiões, dos diferentes credos, somos todos irmãos e irmãs e esperamos promover paz e unidade em todo o mundo”.

Selfie do Papa com os comissários de bordo

O coração latino-americano do Papa

“Obrigado por estarem aqui”, repete mais um vez Leão, “obrigado pelo serviço que prestarão nestes dias e por fazerem parte deste momento histórico”. “Obrigada” e “bem-vindo” foram as palavras que Valentina Alarzraki, jornalista mexicana e decana de todos os vaticanistas, com 163 viagens papais em seu currículo, desde a primeira em 1979 no México com João Paulo II, disse ao Papa pouco antes. “Ao seu predecessor Francisco, que em Buenos Aires parecia não gostar de jornalistas, eu disse na primeira viagem: bem-vindo à jaula dos leões! Agora o leão é é o senhor! Então, bem-vindo!”. A jornalista presenteou o Pontífice com um ícone em estilo bizantino da Virgem de Guadalupe: “para um Papa da América do Norte, mas com coração latino-americano”.

O ícone da Virgem de Guadalupe presenteado ao Papa Leão XIV

León de Perú e Leo from Chicago

A partir daí, segue-se o giro de cumprimentos, assento por assento. Tradição inaugurada pelo predecessor Francisco e que se tornou um momento de piadas, declarações e comentários fugazes, selfies, fotos, pedidos de bênçãos para si ou para amigos e familiares. E, acima de tudo, um momento de troca de presentes. O mesmo acontece com o Papa Leão. Muitos presentes foram entregues pelos repórteres.

O primeiro é uma colagem dupla das fotos mais significativas dos documentários León de Perú e Leo from Chicago, realizados nos últimos meses pela Rádio Vaticano – Vatican News. Em uma das duas, também está a foto, que se tornou viral nas redes sociais, do jovem Prevost vestido nos anos 80 como Blues Brothers, por ocasião do lançamento do filme de John Landis, filmado justamente em Chicago. O Papa aponta para ela e solta uma gargalhada: “ah, que bonito!”. Em suas mãos, ele também segura uma medalha de Santo Agostinho – desta vez proveniente de Dolton, local da sua infância – para que o proteja durante a viagem.

A colagem de fotos presenteada ao Papa

Tortas e mais tortas foram oferecidas ao Papa, principalmente pumpkin pie, aquele doce de abóbora, típico do Dia de Ação de Graças. Para homenagear o primeiro Papa americano da história, também foram oferecidos dois brindes da equipe de beisebol White Sox, a favorita do “garoto” do South Side que se tornou Pontífice: um taco, relíquia de família, pertencente ao famoso jogador dos anos 50, Delly Fox (“como passou pela segurança?”, brinca Leão), e um par de chinelos e meias pretas com o logotipo branco do time esportivo. “O senhor pode usá-los em Castel Gandolfo!”, diz a fotógrafa Lola Goméz. Leão XIV mostra divertido o presente, guardado em uma caixa azul.

A torta "pumpkin pie" presenteada ao Papa

O pensamento em Ignacio

Sua expressão muda, porém, quando a correspondente da Rádio Cope, Eva Fernández, lhe entrega a carta de Ignacio Gonzálvez, o adolescente espanhol internado desde o verão — em pleno Jubileu dos Jovens — no Hospital Pediátrico Bambino Gesù por um grave linfoma que estava prestes a levá-lo à morte. Uma história que deu a volta ao mundo depois que o próprio Papa pediu orações pelo rapaz no palco de Tor Vergata, em Roma, indo ele mesmo à unidade de terapia intensiva do hospital do Vaticano para abraçar os pais, Pedro Pablo e Carmen Gloria, o irmão Pedro Pablo Jr. e a irmã Adela. Leão XIV dá a entender que está a par das condições de Ignacio, ainda internado, de onde irá “comemorar” seu aniversário na terça-feira.

O brasão heráldico dos antepassados do Pontífice

Mais uma vez Eva Fernández – conhecida pelos presentes sempre curiosos que dá aos Papas – oferece a Leão XIV o brasão heráldico dos seus antepassados espanhóis. Uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudios Montañeses confirmou, de fato, que os antepassados maternos do Pontífice são originários da localidade cantábrica de Isla, no município de Arnuero. Mais especificamente, trata-se de quatro de seus trisavós da décima primeira geração, hidalgos em Isla, no século XVI. O Papa recebe o brasão com um campo prateado, um pimentão verde e uma lagosta vermelha (características de Isla), o selo e o símbolo da coroa real espanhola. É um presente, sim, mas acima de tudo um “pretexto” para perguntar: “Santo Padre, quando visitará a Espanha?”. “Vamos ver!”.

O presente assinado pelo time White Sox, os chinelos e as meias

O desejo de ir à Argélia

A uma jornalista de origem argelina, ele confidenciou: “espero ir à Argélia”. Muito apreciada também foi a pergaminha realizada pela Igreja greco-católica de Kharkiv em agradecimento pela ajuda enviada ao povo na frente de batalha. Por fim, os representantes da imprensa italiana entregaram ao Papa uma carta explicando as razões pelas quais nesta sexta-feira, 28 de novembro, irão aderir a uma greve. Ou seja, a não renovação do contrato jornalístico, que expirou em 2016, diante dos diversos cortes e dos perigos da Inteligência Artificial para esta profissão.

Outros presentes entregues ao Papa Leão XIV
Na Audiência Geral desta quarta-feira, 26/11, Leão XIV convidou os fiéis a redescobrirem a esperança que nasce da Ressurreição e a renovarem a coragem
Na Audiência Geral desta quarta-feira, 26/11, Leão XIV convidou os fiéis a redescobrirem a esperança que nasce da Ressurreição e a renovarem a coragem de viver e de gerar vida em um mundo marcado pela desconfiança e pelo medo.

A Praça São Pedro acolheu milhares de peregrinos na manhã desta quarta-feira, 26 de novembro, para a Audiência Geral com o Papa Leão XIV. Dando continuidade ao ciclo de catequeses sobre o tema do Jubileu 2025 – “Jesus Cristo, nossa esperança”, o Pontífice refletiu hoje sobre a força iluminadora da Ressurreição diante dos desafios atuais, propondo como tema: “Esperar na vida para gerar vida”.

Logo no início, o Papa recordou que a Páscoa de Cristo “ilumina o mistério da vida” e permite contemplá-la com esperança, mesmo quando esta parece árdua ou marcada por sofrimento. A existência humana – afirmou – é recebida como dom: não a escolhemos, mas somos chamados a acolhê-la, nutrindo-a continuamente com cuidado, proteção e vitalidade.

Esse dom suscita, desde sempre, as grandes perguntas do coração humano: quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Qual o sentido desta viagem? Perguntas que revelam que viver “evoca um significado, uma direção, uma esperança”.

Um mundo adoecido pela falta de confiança

O Pontífice diagnosticou uma das grandes feridas do nosso tempo: a falta de confiança na vida. Muitos, observou, já não a percebem como possibilidade e dom, mas como ameaça, algo a ser temido para não se frustrar. Diante dessa postura, o convite de Leão XIV foi claro: recuperar a coragem de viver e de gerar vida, testemunhando que Deus é “Aquele que ama a vida”, como proclama o Livro da Sabedoria:

“Sem esperança, a vida corre o risco de parecer um parêntese entre duas noites eternas, uma breve pausa entre o antes e o depois da nossa passagem pela Terra. Esperar pela vida, pelo contrário, significa antecipar o destino, acreditar com certeza naquilo que ainda não podemos ver ou tocar, confiar e entregarmo-nos ao amor de um Pai que nos criou porque nos amou e quer que sejamos felizes.”

Gerar vida, explicou o Papa, é participar da lei estrutural da criação, que culmina no dom recíproco entre homem e mulher. Mas também significa promover o ser humano em todas as dimensões: apoiar a maternidade e a paternidade, fortalecer economias solidárias, cuidar da criação, praticar a escuta e oferecer presença e auxílio concreto.

Entre Caim e Abel: a liberdade ferida

A catequese recordou ainda que a liberdade humana torna a vida um drama, como narra a história de Caim e Abel. A rivalidade, a inveja e a violência continuam a marcar a nossa história.

“Mas a lógica de Deus é outra”, sublinhou o Santo Padre. Deus permanece fiel ao seu desígnio de amor e continua a sustentar a humanidade, “mesmo quando, seguindo os passos de Caim, ela obedece ao instinto cego da violência nas guerras, nas discriminações, nos racismos, nas múltiplas formas de escravidão, quando ela se desvia pelo caminho da violência”.

A esperança que sustenta mesmo em meio às trevas

Leão XIV concluiu lembrando que a Ressurreição de Cristo é a força que sustenta o discípulo, especialmente quando as trevas do mal obscurecem o coração e a mente:

“Quando a vida parece ter-se extinguido, bloqueada, eis que o Senhor Ressuscitado passa novamente e caminha conosco e por nós. Ele é a nossa esperança.”

Fonte: publicado no site vaticannews.va
Videomensagem do Papa Leão XIV aos participantes do Congresso “Sem identidade não há educação” que se realiza neste sábado, 22 de novembro, no Colégio
Videomensagem do Papa Leão XIV aos participantes do Congresso “Sem identidade não há educação” que se realiza neste sábado, 22 de novembro, no Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho em Madri.

“A identidade cristã não é um selo decorativo ou um ornamento, mas o próprio núcleo que dá sentido, método e propósito ao processo educativo”, são palavras do Papa Leão XIV aos educadores reunidos em Madri em um Congresso neste sábado (22/11) ao comentar o tema do encontro: “Sem identidade não há educação”. Após afirmar que “para a educação cristã, a bússola é Cristo”, o Santo Padre esclarece: “sem a Sua luz, a própria missão educativa se esvazia de significado e se torna um automatismo sem aquela capacidade transformadora que o Evangelho nos oferece”.

A identidade é fundamento da missão educativa

A identidade cristã, continuou, “é o fundamento que articula a missão educativa, define o seu horizonte de significado e orienta as suas práticas cotidianas, tanto na maneira de ensinar quanto na de avaliar e agir”. Sem a identidade adequada, esta “corre o risco de se tornar um ornamento superficial que não consegue sustentar o trabalho educativo diante das tantas tensões culturais, éticas e sociais que caracterizam o nosso tempo de polarização e de violência”, disse ainda o Papa.

Uma educação autêntica promove a integração entre a fé e a razão

Citando a poeta María Zambrano, que afirma “a nossa alma é atravessada por sedimentos de séculos, as raízes são maiores do que os ramos que veem a luz”, Leão convida a refletir sobre estas palavras, orientados com esperança para o futuro, sem esquecer a nossa história, com a qual devemos aprender com sabedoria”. Prosseguindo seu pensamento afirma: “Uma educação autêntica, portanto, promove a integração entre a fé e a razão. Não são polos opostos, mas caminhos complementares para compreender a realidade, formar o caráter e cultivar a inteligência”.

Função materna da Igreja

Se olharmos a Igreja mais de perto, diz ainda o Papa Leão, recordando o Vaticano II, “na sua missão educativa, redescobre a sua própria função materna. Ela é a mãe geradora dos crentes, porque é a esposa de Cristo”. “Quase todos os documentos conciliares”, recorda o Papa, “recorrem à maternidade da Igreja para revelar o seu mistério e a sua ação pastoral”. Aos educadores disse ainda: “Isso acontece todos os dias nas vossas escolas, abertas ao diálogo e ao encontro entre as diferenças. Nelas, a educação torna-se um instrumento de paz e de cuidado com a criação”.

Gravissimum educationis

Em seguida sugere a leitura da Gravissimum educationis pela sua atualidade e visão de futuro apesar dos muitos anos passados. Pois no documento, “exortou-se a Igreja a ‘ocupar-se da vida inteira do homem, incluindo a terrena, enquanto esta está conectada com a vocação sobrenatural; ela tem, portanto, um dever específico em relação ao progresso e ao desenvolvimento da educação’”.

Ação educativa da Igreja

O Papa concluiu sua mensagem afirmando ainda “desta forma, o ícone da Igreja Mãe apresenta-se a nós não só como expressão de ternura e de caridade, mas também como aquela que salvaguarda esta capacidade de ser guia e mestra”. Pois ela tem mais de uma tarefa: “gerar filhos, educá-los e governá-los, guiando com materna providência a vida dos indivíduos e dos povos, cuja grande dignidade sempre teve no máximo respeito e tutelou com solicitude”. Por fim afirmou “a ação educativa da Igreja é parte essencial da sua identidade e da sua missão”.

Fonte: publicado no site vaticannews.va

“Abençoa-nos, Senhor, a nós e esses dons que recebemos da tua providência. Abençoa a nossa vida, a nossa fraternidade. Ajuda-nos, a todos nós, a
“Abençoa-nos, Senhor, a nós e esses dons que recebemos da tua providência. Abençoa a nossa vida, a nossa fraternidade. Ajuda-nos, a todos nós, a caminhar sempre unidos no teu amor”: foi a oração de Leão XIV, pedindo de modo especial a bênção do Senhor a “tantas pessoas que sofrem por causa da violência, da guerra e da fome”.

O almoço previsto com cerca de 1300 pessoas na Sala Paulo VI, por ocasião do Jubileu dos Pobres, começou com um aplauso ao Papa Francisco. Foi o próprio Pontífice que o recordou ao saudar os presentes “neste Dia que tanto desejou o nosso amado, o meu predecessor Francisco”, pedindo uma salva de palmas aos convidados.

Leão XIV agradeceu a generosidade da comunidade vicentina por oferecer o almoço, que marca também os 400 anos de nascimento do fundador, São Vicente de Paulo. O agradecimento do Santo Padre se estendeu a todos os sacerdotes, religiosas e leigos voluntários que trabalham em todo o mundo ajudando as pessoas mais vulneráveis. “Estamos realmente, realmente repletos deste espírito de agradecimento, de gratidão neste dia”.

O Pontífice fez na sequência uma oração, pedindo de modo especial a bênção do Senhor a “tantas pessoas que sofrem por causa da violência, da guerra e da fome”: “Abençoa-nos, Senhor, a nós e esses dons que recebemos da tua providência. Abençoa a nossa vida, a nossa fraternidade. Ajuda-nos, a todos nós, a caminhar sempre unidos no teu amor.”

A seguir, o Papa desejou “bom apetite”!