Notícias da Igreja

“Iniciamos um novo ciclo de catequeses dedicado ao Concílio Vaticano II e à releitura dos seus Documentos. Esta é uma preciosa oportunidade para redescobrir

“Iniciamos um novo ciclo de catequeses dedicado ao Concílio Vaticano II e à releitura dos seus Documentos. Esta é uma preciosa oportunidade para redescobrir a beleza e a importância deste evento eclesial.”

Com estas palavras, o Papa Leão XIV iniciou a catequese da Audiência Geral desta quarta-feira, 7 de janeiro, realizada na Sala Paulo VI em razão das baixas temperaturas no hemisfério norte. Após as reflexões do Ano Jubilar dedicado aos mistérios da vida de Jesus, o Santo Padre propôs à Igreja um novo itinerário de reflexão, centrado no Concílio Vaticano II, definido por São João Paulo II como “a grande graça de que beneficiou a Igreja no século XX”.

Um Concílio que permanece atual

O Pontífice recordou que, em 2025, a Igreja celebra, juntamente com o aniversário do Concílio de Niceia, o sexagésimo aniversário do Concílio Vaticano II. Embora não esteja distante no tempo, observou que a geração de bispos, teólogos e fiéis que participou diretamente daquele acontecimento já não está entre nós. Por isso, torna-se ainda mais necessário redescobrir o Concílio de maneira autêntica, não a partir de “boatos” ou leituras parciais, mas por meio da releitura atenta dos seus Documentos.

Segundo Leão XIV, é precisamente nesses textos que se encontra um Magistério vivo, capaz de orientar ainda hoje o caminho da Igreja. Citando Bento XVI, o Papa recordou que os Documentos conciliares não perderam a sua atualidade; ao contrário, “os seus ensinamentos revelam-se particularmente pertinentes” diante das novas situações da Igreja e da sociedade globalizada.

Foto: @Vatican Media

O alvorecer de uma nova etapa eclesial

Ao evocar a abertura do Concílio por São João XXIII, em 11 de outubro de 1962, o Papa lembrou a imagem do “alvorecer de um dia de luz” para toda a Igreja. O trabalho dos Padres conciliares, provenientes de Igrejas de todos os continentes, abriu caminho para uma nova etapa da vida eclesial, amadurecida a partir de uma rica reflexão bíblica, teológica e litúrgica desenvolvida ao longo do século XX.

O Concílio Vaticano II, explicou o Santo Padre, redescobriu o rosto de Deus como Pai que, em Cristo, chama todos a serem seus filhos; contemplou a Igreja à luz de Cristo, como mistério de comunhão e sacramento de unidade; e promoveu uma profunda reforma litúrgica, colocando no centro o mistério da salvação e a participação ativa e consciente de todo o Povo de Deus. Ao mesmo tempo, ajudou a Igreja a abrir-se ao mundo contemporâneo, dialogando com os seus desafios e mudanças.

Uma Igreja chamada ao diálogo

O Papa recordou ainda a afirmação de São Paulo VI segundo a qual, graças ao Concílio, “a Igreja faz-se palavra, faz-se mensagem, faz-se colóquio”. Esse impulso levou a Igreja a comprometer-se com o ecumenismo, o diálogo inter-religioso e o diálogo com todas as pessoas de boa vontade, na busca sincera da verdade. Esse mesmo espírito, sublinhou Leão XIV, deve continuar a caracterizar a vida espiritual e a ação pastoral da Igreja hoje:

“Devemos implementar ainda mais plenamente a reforma eclesial de modo ministerial e, perante os desafios de hoje, somos chamados a permanecer atentos intérpretes dos sinais dos tempos, alegres anunciadores do Evangelho, corajosas testemunhas da justiça e da paz.”

Foto: @Vatican Media

Santidade, esperança e missão

Citando Dom Albino Luciani, futuro Papa João Paulo I, o Santo Padre recordou que os frutos de um Concílio não dependem apenas de estruturas ou métodos, mas de “uma santidade mais profunda e mais extensa”, capaz de amadurecer ao longo do tempo, inclusive em meio a dificuldades e conflitos. Redescobrir o Concílio, acrescentou, significa devolver a primazia a Deus e ao essencial: uma Igreja apaixonada pelo Senhor e pela humanidade por Ele amada. Na parte final da catequese, o Papa retomou as palavras de São Paulo VI dirigidas aos Padres conciliares no encerramento do Vaticano II, recordando que chegou o tempo de partir ao encontro da humanidade para lhe anunciar o Evangelho. Um tempo que reúne passado, presente e futuro, marcado pelo desejo dos povos por justiça, paz e uma vida mais plena.

“Ao aproximarmo-nos dos Documentos do Concílio Vaticano II e redescobrirmos a sua profecia e atualidade, acolhemos a rica tradição da vida da Igreja e, ao mesmo tempo, questionamos o presente e renovamos a alegria de correr ao encontro do mundo para levar o Evangelho do Reino de Deus, um reino de amor, de justiça e de paz”, concluiu Leão XIV.

Matéria: Thulio Fonseca – Vatican News

Foto de capa: @Vatican Media

O “mundo inteiro” chegou a Roma no Ano Santo de 2025. Foram 33.475.369 peregrinos, provenientes de 185 países, que chegaram por ocasião do Jubileu
O “mundo inteiro” chegou a Roma no Ano Santo de 2025. Foram 33.475.369 peregrinos, provenientes de 185 países, que chegaram por ocasião do Jubileu da Esperança, que o Papa Leão XIV concluirá oficialmente dentro de poucas horas, fechando a Porta Santa da Basílica de São Pedro. Superaram-se, portanto, de forma ampla, as projeções — elaboradas pela Universidade Roma Tre — que previam “apenas” 31 milhões de fiéis na Cidade Eterna neste ano especial de graça para a Igreja. É dom Rino Fisichella, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização e responsável pela organização, quem traça o balanço do Ano Santo, durante uma coletiva realizada na manhã de hoje, 5 de janeiro, véspera do encerramento do Jubileu, na Sala de Imprensa da Santa Sé. Estiveram presentes as autoridades civis que colaboraram — com aquilo que unanimemente já chamam de “método Jubileu” — para a realização do evento e de todas as infraestruturas necessárias. O mundo inteiro veio a Roma, mas sobretudo a Europa: 62% dos peregrinos vieram do velho continente, com a Itália em primeiro lugar em número de presenças e o Brasil em quarto lugar.

Foto: Daniela Gomide

Um Jubileu de espiritualidade e de futuro

Nem os números dos peregrinos, nem os dos chamados “grandes eventos” (nada menos que 35) dão conta plenamente de um acontecimento que pretendia, sobretudo, entrar na vida das pessoas e renová-la em profundidade. “A dimensão espiritual que está na base do Jubileu permitiu constatar um povo em caminho, com grande desejo de oração e de conversão”, afirmou dom Fisichella. A vida espiritual dos peregrinos floresceu novamente enquanto enchiam os principais destinos de peregrinação e os santuários de Roma. “As Basílicas Papais e outros centros de oração — acrescentou — como, por exemplo, a Escada Santa, registraram presenças jamais vistas anteriormente. As confissões aumentaram e a celebração jubilar do perdão pleno, a indulgência, chegou a todos”. Neste ano, agora concluído, foi oferecida esperança às pessoas e ao mundo: “O Jubileu se encerra — disse ainda o pró-prefeito — mas permanecem os muitos sinais de esperança que foram oferecidos, e amplia-se o horizonte para sustentar um futuro carregado de paz e serenidade, como todos desejam. Em uma palavra, este Ano Santo alcançou o objetivo expresso na bula de convocação do Jubileu Spes non confundit: ser, para todos, ocasião de reavivar a esperança”.

A generosidade de 7 mil voluntários

Há, porém, números que contam, porque — “em um período de fácil individualismo”, como disse por fim o prelado ao agradecer — medem a generosidade de tantos voluntários: 5 mil estiveram em serviço durante todo o Ano e 2 mil, da Ordem de Malta, prestaram serviço de primeiros socorros nas quatro basílicas papais.

Diálogo e colaboração: o “método Jubileu”

Alfredo Mantovano, subsecretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros italiano, explicou em que consistiu o “método Jubileu”: “Uma administração estatal que deve coordenar, e não dirigir, outras administrações. Reuniões de coordenação que resolvem problemas e não os criam. Cada um dos sujeitos envolvidos evita se apropriar de resultados que são fruto do trabalho de todos. Tudo isso permitiu uma mudança de ritmo”. Uma máquina administrativa que se colocou a serviço da espiritualidade. “As instituições não devem responder às questões cruciais — como aquelas que todos nos colocamos diante da tragédia de Crans-Montana, na Suíça — mas colocar as pessoas em condições de poder vivê-las, como fizeram os peregrinos”. A próxima ocasião será oferecida, já neste ano, pelo oitavo centenário da morte de São Francisco de Assis. “A vida de São Francisco é justamente a resposta mais completa às perguntas profundas

Foto: Daniela Gomide

e dilacerantes dos acontecimentos deste início de ano. Também por isso vale a pena continuar trabalhando”.

A acolhida da Cidade Eterna

O prefeito de Roma e comissário extraordinário do Governo para o Jubileu, Roberto Gualtieri, viu sua cidade acolher com paciência os muitos fiéis que chegaram à capital para obter a indulgência, em uma relação de benefício recíproco. “Os peregrinos não retiraram nada da capacidade de Roma de acolher turistas e de oferecer serviços aos seus cidadãos. Pelo contrário, o Jubileu foi um motor impulsionador”, afirmou o prefeito. “A alegria, a fé e a esperança dos peregrinos tocaram o coração dos romanos, que, por sua vez, tiveram uma atitude acolhedora para com eles, mesmo quando seus números eram extraordinários. Tor Vergata, por exemplo, é um evento que permanecerá na história da nossa Cidade e da Igreja”, concluiu Gualtieri.

A contribuição dos profissionais de saúde e das forças de segurança

“O Método Jubileu — explicou, por sua vez, Francesco Rocca, presidente da Região do Lácio — levou o grupo de coordenação a trabalhar com serenidade, e não com competição, uma serenidade que se transmitiu a todos os operadores. O serviço de emergência 118 realizou 580 mil atendimentos, 40 mil a mais do que no ano anterior. Os atendimentos nos prontos-socorros foram 1.600.000, 100 mil a mais em relação a 2024”.

Por fim, Lamberto Giannini, prefeito de Roma, descreveu o princípio que orientou a atuação das forças de segurança na capital: “Precisávamos de segurança e serenidade, por isso buscamos transmitir segurança não militarizando, mas fazendo prevenção. O Jubileu dos Jovens me marcou profundamente, com os confessionários montados no Circo Máximo. Foi algo único, que permanecerá na memória de todos”.

Matéria: Daniele Piccini – Cidade do Vaticano
O Papa Leão XIV enviou uma mensagem em vídeo falando em inglês aos muitos participantes do SEEK26, uma iniciativa que teve início nesta quinta-feira,
O Papa Leão XIV enviou uma mensagem em vídeo falando em inglês aos muitos participantes do SEEK26, uma iniciativa que teve início nesta quinta-feira, 1º de janeiro, e que se concluirá na segunda-feira, 5. O evento que se realiza simultaneamente em Columbus, Ohio, Fort Worth, Texas, e Denver, Colorado, reúne milhares de católicos e é marcado pela oração, adoração, conferências e celebrações.

E o Papa inicia sua mensagem com uma pergunta: “caros jovens, o que vocês estão buscando? Por que estão aqui nesta conferência?”.

As perguntas do Papa tocam o coração de quem o ouve. São as palavras de Jesus dirigidas aos discípulos que ainda hoje surpreendem e colocam em dificuldade. Perguntas que inquietam, que fazem refletir, que colocam em movimento.

A resposta se encontra em uma pessoa. Somente o Senhor Jesus nos traz a verdadeira paz e alegria e realiza cada um dos nossos desejos mais profundos.

O convite do Papa

Leão XIV convida os participantes a estarem “abertos ao que o Senhor tem reservado” para cada pessoa presente. As conferências, sublinha, podem ser, de fato, uma ocasião para encontrar Cristo pela primeira vez ou para aprofundar a relação com Ele. É claro, porém, que depois de conhecê-Lo tudo muda e, como os discípulos, podemos dizer: “Encontramos aquele que procurávamos!”, daí nasce a missão.

O zelo missionário nasce de um encontro com Cristo. Desejamos compartilhar com os outros o que recebemos, para que também eles possam conhecer a plenitude do amor e da verdade que só se encontra nele.

Não tenham medo

O Papa Leão assegura, portanto, sua oração para que se compartilhe a alegria do encontro autêntico com o Senhor e exorta os jovens, durante estes dias de amizade e adoração eucarística, a não terem medo de perguntar o que Jesus espera deles, seja o sacerdócio, a vida religiosa, o casamento, a vida familiar.

Se sentirem que o Senhor os chama, não tenham medo. Mais uma vez, deixem-me sublinhar que só Ele conhece os desejos mais profundos, talvez ocultos, do vosso coração e o caminho que vos conduzirá à verdadeira plenitude. Deixem-se conduzir e guiar por Ele!

Por fim, o Pontífice confia à Virgem as conferências, iniciadas na solenidade de Maria, Mãe de Deus, para que, através dela, cheguem a Jesus, ao seu amor, para encontrar a paz naquele que procuraram por muito tempo.

Silvonei José – Vatican News

Foto de capa: @Vatican Media

O Papa Leão XIV, por ocasião da Celebração do Natal do Senhor, dirigiu sua mensagem Urbi et Orbi (à cidade e ao mundo) ´bênção
O Papa Leão XIV, por ocasião da Celebração do Natal do Senhor, dirigiu sua mensagem Urbi et Orbi (à cidade e ao mundo) ´bênção que concedida pelo Papa em ocasiões especiais. Neste Natal de 2025 o Papa falou sobre o perdão na construção da paz. O texto abaixo foi publicado no site vaticannews.va

MENSAGEM URBI ET ORBI DO PAPA LEÃO XIV
NATAL 2025
Balcão central da Basílica Vaticana
Quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

“Queridos irmãos e irmãs,

«Exultemos de alegria no Senhor, porque nasceu na terra o nosso Salvador. Hoje desceu do Céu sobre nós a verdadeira paz» (Antífona de entrada da Missa da Meia Noite). Assim canta a liturgia na noite de Natal e assim ressoa na Igreja o anúncio de Belém: o Menino que nasceu da Virgem Maria é Cristo Senhor, enviado pelo Pai para nos salvar do pecado e da morte. Ele é a nossa paz: Aquele que venceu o ódio e a inimizade com o amor misericordioso de Deus. Por isso, «o Natal do Senhor é o Natal da paz» (São Leão Magno, Sermão 26).

Porque não havia lugar para Ele na hospedaria, Jesus nasceu num estábulo. Assim que nasceu, a sua mãe Maria «envolveu-o em panos e recostou-o numa manjedoura» (cf. Lc 2, 7). O Filho de Deus, por meio do qual tudo foi criado, não é recebido e o seu berço é uma pobre manjedoura para animais.

O Verbo eterno do Pai, que os céus não podem conter, escolheu vir ao mundo desta forma. Por amor, desejou nascer de uma mulher, para partilhar a nossa humanidade; por amor, aceitou a pobreza e a rejeição e identificou-se com quem é descartado e excluído.

No Natal de Jesus, já se perfila a escolha de fundo que orientará toda a vida do Filho de Deus, até à morte na cruz: a escolha de não nos fazer carregar o peso do pecado, mas de o carregar Ele por nós, de assumir sobre Si esse peso. Só Ele o podia fazer. Ao mesmo tempo, porém, mostrou o que só nós podemos fazer, ou seja, assumir cada um a sua parte de responsabilidade. Sim, porque Deus, que nos criou sem nós, não pode salvar-nos sem nós (cf. Santo Agostinho, Discurso 169, 11. 13), isto é, sem a nossa livre vontade de amar. Quem não ama não se salva, está perdido. E quem não ama o irmão que vê, não pode amar Deus que não vê (cf. 1 Jo 4, 20).

Irmãs e irmãos, eis o caminho da paz: a responsabilidade. Se cada um de nós, a todos os níveis, em vez de acusar os outros, reconhecesse em primeiro lugar as próprias falhas, pedisse perdão a Deus e, ao mesmo tempo, se colocasse no lugar dos que sofrem, mostrando-se solidário com os mais fracos e oprimidos, então o mundo mudaria.

Jesus Cristo é a nossa paz porque, em primeiro lugar, nos liberta do pecado e, em segundo lugar, nos indica o caminho a seguir para superar os conflitos, quaisquer que sejam eles, desde os interpessoais aos internacionais. Sem um coração livre do pecado, um coração perdoado, não se pode ser homens e mulheres pacíficos e construtores de paz. Foi por esta razão que Jesus nasceu em Belém e morreu na cruz: para nos libertar do pecado. Ele é o Salvador. Com a sua graça, cada um pode e deve fazer a sua parte para rejeitar o ódio, a violência, a contraposição e para praticar o diálogo, a paz, a reconciliação.

Neste dia de festa, desejo enviar uma calorosa saudação paterna a todos os cristãos, em especial àqueles que vivem no Médio Oriente e que recentemente, na minha primeira viagem apostólica, desejei encontrar. Ouvi os seus receios e conheço bem o seu sentimento de impotência perante dinâmicas de poder que os ultrapassam. O Menino que hoje nasce em Belém é o mesmo Jesus que diz: «Anunciei-vos estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!» (Jo 16, 33).

D’Ele invocamos justiça, paz e estabilidade para o Líbano, a Palestina, Israel e a Síria, ao confiarmos nestas palavras divinas: «A paz será obra da justiça, e o fruto da justiça será a tranquilidade e a segurança para sempre» (Is 32, 17).

Ao Príncipe da Paz, entregamos o inteiro Continente Europeu, pedindo-Lhe que continue a inspirar um espírito comunitário e colaborativo, fiel às suas raízes cristãs e à sua história, solidária e acolhedora com quem passa necessidade. Rezemos de modo especial pelo povo ucraniano tão massacrado: que o barulho das armas acabe e que as partes envolvidas, apoiadas pelo empenho da comunidade internacional, encontrem a coragem de dialogar de modo sincero, direto e respeitoso.

Do Menino de Belém, imploramos paz e consolação para as vítimas de todas as guerras em curso no mundo, especialmente as esquecidas; e para quantos sofrem por causa da injustiça, da instabilidade política, da perseguição religiosa e do terrorismo. Recordo de modo particular os irmãos e irmãs do Sudão, do Sudão do Sul, do Mali, do Burquina Faso e da República Democrática do Congo.

Nestes últimos dias do Jubileu da Esperança, rezemos ao Deus feito homem pela querida população do Haiti, para que, cessando toda a forma de violência no país, possa progredir no caminho da paz e da reconciliação.

O Menino Jesus inspire todos os que têm responsabilidades políticas na América Latina, para que, ao enfrentarem os inúmeros desafios, deem espaço ao diálogo pelo bem comum e não a preconceitos ideológicos e de parte.

Ao Príncipe da Paz, pedimos que ilumine Mianmar com a luz de um futuro de reconciliação: devolva a esperança às jovens gerações, guie todo o povo birmanês por vias de paz e acompanhe aqueles que vivem sem casa, segurança ou confiança no futuro.

A Ele pedimos que restaure a antiga amizade entre a Tailândia e o Camboja e que as partes em causa continuem a empenhar-se pela paz e reconciliação.

A Ele confiamos também as populações do Sul asiático e da Oceania, duramente provadas pelas recentes e devastadoras calamidades naturais, que com gravidade atingiram inteiras populações. Perante tais provações, convido todos a renovar com convicção o nosso empenho comum em socorrer quem sofre na escuridão da noite, «o Verbo era a Luz verdadeira, que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina» (Jo 1, 9), porém «os seus não o receberam» (Jo 1, 11). Não nos deixemos vencer pela indiferença em relação a quem sofre, porque Deus não é indiferente às nossas misérias.

Fazendo-se homem, Jesus assume a nossa fragilidade, identifica-se com cada um de nós: com aqueles que não têm mais nada e perderam tudo, como os habitantes de Gaza; com quem está a braços com a fome e a pobreza, como o povo do Iémen; com aqueles que fogem da própria terra em busca de um futuro noutro lugar, como os muitos refugiados e migrantes que atravessam o Mediterrâneo ou atravessam o Continente americano; com aqueles que perderam o trabalho e com os que o procuram, como tantos jovens que têm dificuldade em encontrar emprego; com aqueles que são explorados, como muitos trabalhadores mal remunerados; com aqueles que estão na prisão e, muitas vezes, vivem em condições desumanas.

Ao coração de Deus chega a invocação de paz que se eleva de todas as partes da terra, como escreve um poeta:

«Não a paz de um cessar-fogo,
nem a visão do lobo e do cordeiro,
mas antes
como quando no coração a excitação termina
e apenas se pode falar de um grande cansaço.
[…]
Venha de repente,
como as flores selvagens,
porque o campo
precisa dela: paz selvagem».[1]

Neste santo dia, abramos o nosso coração aos irmãos e irmãs que passam necessidades e sofrem. Ao fazê-lo, abrimos o nosso coração ao Menino Jesus, que, com os braços abertos, nos acolhe e revela a sua divindade: «a quantos o receberam, aos que nele creem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1, 12).

Em poucos dias, o Ano Jubilar terminará. As Portas Santas fechar-se-ão, mas Cristo, nossa esperança, permanecerá sempre conosco. Ele é a Porta sempre aberta, que nos introduz na vida divina. É a alegre notícia deste dia: o Menino que nasceu é Deus feito homem; Ele não vem para condenar, mas para salvar; a sua não é uma aparição fugaz; Ele vem para ficar e dar-se a si mesmo. N’Ele, todas as feridas são curadas e todos os corações encontram repouso e paz. «O Natal do Senhor é o Natal da paz».

A organização da II Romaria Nacional de Catequistas anunciou a prorrogação do prazo do primeiro lote de inscrições, com o objetivo de possibilitar que

A organização da II Romaria Nacional de Catequistas anunciou a prorrogação do prazo do primeiro lote de inscrições, com o objetivo de possibilitar que mais catequistas de todo o Brasil tenham acesso ao valor promocional e possam se organizar para participar do encontro.

Inicialmente previsto para encerrar em 31 de dezembro, o primeiro lote agora segue disponível até o dia 10 de janeiro de 2026, sem alteração no valor, mantendo o custo de R$ 300,00. A decisão reforça o compromisso da Romaria em ampliar o acesso e acolher catequistas de diferentes realidades, favorecendo a participação de caravanas, comunidades e coordenações diocesanas, além dos ministros ordenados.

A II Romaria Nacional de Catequistas acontecerá em Aparecida (SP), no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, nas proximidades do Santuário Nacional. A programação tem início no dia 27 de agosto de 2026, com o credenciamento no período da tarde. As atividades formativas, celebrações e momentos de espiritualidade seguem das 8h do dia 28 de agosto até às 13h do dia 30 de agosto de 2026. A programação detalhada será divulgada posteriormente.

Formação e missão a serviço da Igreja

Nesta edição, os participantes poderão escolher entre 13 oficinas de capacitação, no momento da inscrição. As oficinas possuem vagas limitadas e algumas já estão preenchidas. Vale lembrar que a opção pela oficina não poderá ser alterada após a conclusão da inscrição. Entre os temas estão:

  • Leitura orante da Palavra
    O ministério de catequista
    Catequese inclusiva
    Catequese com adultos
    Catequese e cultura digital
    Doutrina Social da Igreja
    Catequese e família
    Catequese batismal
    Catequese eucarística e crismal
    A coordenação da catequese
    Itinerários para formar catequistas
    Catequese a serviço da Iniciação à Vida Cristã (IVC)

Outra novidade desta edição é que o coordenador da caravana poderá realizar a inscrição de todo o grupo diretamente pela plataforma, sem a necessidade de solicitar link adicional.

De acordo com Mariana Venâncio, assessora da Comissão Episcopal para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB, a II Romaria dá continuidade ao caminho iniciado na edição anterior.

“A I Romaria teve a força de impulsionar a implementação da Catequese a serviço da Iniciação à Vida Cristã com inspiração catecumenal em muitas comunidades pelo Brasil. Esperamos que, a partir da II Romaria, esse processo se fortaleça ainda mais”, destaca.

Valores e prazos de inscrição

Primeiro lote – até 10 de janeiro de 2026: R$ 300,00
Segundo lote – até 30 de abril de 2026: R$ 450,00
Terceiro lote – até 20 de junho de 2026: R$ 550,00

Os prazos dos lotes são válidos até o preenchimento do número limite de vagas. Caso as vagas sejam esgotadas, as inscrições poderão ser encerradas antes das datas previstas.

Como se inscrever

As inscrições devem ser feitas pela plataforma CiaTicket, pelo link: https://app.ciaticket.com.br/e/ROMARIADECATEQUISTAS

Mais informações sobre o evento serão divulgadas no site da CNBB e nas redes sociais da Comissão, pelo perfil @romariadecatequistas.

Fonte: publicado no site cnbb.org.br
Às vésperas do Dia Mundial da Paz 2026, celebrado em 1º de janeiro, o Papa Leão XIV convida a humanidade a redescobrir a paz

Às vésperas do Dia Mundial da Paz 2026, celebrado em 1º de janeiro, o Papa Leão XIV convida a humanidade a redescobrir a paz como dom de Deus e caminho de conversão pessoal e coletiva. Em sua mensagem, o Pontífice propõe uma reflexão profunda sobre a paz que brota do Cristo ressuscitado: uma paz desarmada, desarmante e capaz de transformar corações, relações e estruturas sociais.

Confira a matéria da Jornalista Mariangela Jaguraba – Vatican News

Foi divulgada, nesta quinta-feira (18/12), a mensagem do Papa Leão XIV para o 59° Dia Mundial da Paz que será celebrado em 1° de janeiro sobre o tema “A paz esteja com todos vós. Rumo a uma paz desarmada e desarmante”.

O Papa inicia sua mensagem com uma “antiga saudação, presente ainda hoje em muitas culturas”, mas que “ganhou novo vigor nos lábios de Jesus ressuscitado na noite de Páscoa”: «A paz esteja convosco!» Esta “sua Palavra que não só deseja, mas realiza uma mudança definitiva naqueles que a acolhem e, consequentemente, em toda a realidade”. “Por isso, os sucessores dos Apóstolos exprimem todos os dias e em todo o mundo a revolução mais silenciosa: “A paz esteja convosco!” Desde a noite da minha eleição como Bispo de Roma, quis inserir a minha saudação neste anúncio coral. E desejo reiterá-lo: esta é a paz do Cristo ressuscitado, uma paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante. Ela provém de Deus, o Deus que nos ama a todos incondicionalmente”, escreve o Papa.

“Cristo, nossa paz. A sua presença, o seu dom e a sua vitória reverberam na perseverança de muitas testemunhas, por meio das quais a obra de Deus continua no mundo, tornando-se ainda mais perceptível e luminosa na escuridão dos tempos”, ressalta Leão XIV.

“A paz existe, deseja habitar-nos, tem o poder suave de iluminar e alargar a inteligência, resiste à violência e a vence. A paz tem o sopro da eternidade: enquanto ao mal se ordena “basta!”, à paz se suplica “para sempre”. O Ressuscitado introduziu-nos neste horizonte. É neste sentir que vivem os promotores da paz que, no drama daquilo que o Papa Francisco definiu como “terceira guerra mundial em pedaços”, ainda resistem à contaminação das trevas, como sentinelas na noite”, escreve ainda o Papa Leão na mensagem.

Segundo o Pontífice, “Santo Agostinho exortava os cristãos a estabelecerem uma amizade indissolúvel com a paz, para que, guardando-a no íntimo do próprio espírito, pudessem irradiar o calor luminoso ao seu redor. Dirigindo-se à sua comunidade, ele escreveu: «Se quereis atrair os outros para a paz, tende-a vós primeiro; sede vós, antes de tudo, firmes na paz. Para inflamar os outros, deveis ter dentro de vós a luz acesa»”.

“Antes de ser um objetivo, a paz é uma presença e um caminho. Mesmo que seja contestada dentro e fora de nós, como uma pequena chama ameaçada pela tempestade, guardemo-la sem esquecer os nomes e as histórias daqueles que a testemunharam. É um princípio que orienta e determina as nossas escolhas”, ressalta o Papa.

“O caminho de Jesus continua sendo motivo de perturbação e medo. E Ele repete com firmeza àqueles que gostariam de defendê-lo: «Mete a espada na bainha». A paz de Jesus ressuscitado é desarmada, porque desarmada foi a sua luta, dentro de precisas circunstâncias históricas, políticas e sociais. Os cristãos devem tornar-se, juntos, testemunhas proféticas desta novidade, conscientes das tragédias das quais muitas vezes foram cúmplices. A grande parábola do juízo universal convida todos os cristãos a, conscientemente, agir com misericórdia. E, ao fazê-lo, encontrarão ao seu lado irmãos e irmãs que, por caminhos diferentes, souberam ouvir a dor dos outros e se libertaram interiormente do engano da violência”, escreve Leão XIV em sua mensagem.

De acordo com o Pontífice, “se a paz não for uma realidade experimentada, guardada e cultivada, a agressividade espalha-se, tanto na vida doméstica, quanto na vida pública”. “A força dissuasiva do poder e, em particular, a dissuasão nuclear, encarnam a irracionalidade de uma relação entre os povos baseada não no direito, na justiça e na confiança, mas no medo e no domínio da força”, escreve o Papa, ressaltando que “em 2024, as despesas militares a nível mundial aumentaram 9,4% em relação ao ano anterior, confirmando a tendência ininterrupta dos últimos dez anos e atingindo o valor de 2,72 bilhões de dólares, ou seja, 2,5% do PIB mundial”.

Segundo Leão XIV, “os novos desafios devem ser enfrentados atualmente não só com um enorme esforço econômico para o rearmamento, mas também com um realinhamento das políticas educativas”.

O Papa recorda no texto que “sessenta anos atrás, o Concílio Vaticano II chegava à sua conclusão com a consciência da urgência de um diálogo entre a Igreja e o mundo contemporâneo. Ao reiterar o apelo dos Padres conciliares e considerando o diálogo como a via mais eficaz em todos os níveis, constatamos que os recentes avanços tecnológicos e a aplicação das inteligências artificiais no âmbito militar radicalizaram a tragédia dos conflitos armados. Está sendo delineado até mesmo um processo de desresponsabilização dos líderes políticos e militares devido ao crescente “delegar” às máquinas as decisões relativas à vida e à morte das pessoas. É uma espiral de destruição sem precedentes, que compromete o humanismo jurídico e filosófico do qual qualquer civilização depende e pelo qual é protegida. É preciso denunciar as enormes concentrações de interesses económicos e financeiros privados que estão a empurrar os Estados nessa direção; mas isso não é suficiente, se ao mesmo tempo não for promovido o despertar das consciências e do pensamento crítico. A Encíclica Fratelli tutti apresenta São Francisco de Assis como exemplo desse despertar”.

“A bondade é desarmante. Talvez por isso Deus se tenha feito criança. O mistério da Encarnação, que tem o seu ponto mais extremo de esvaziamento na descida aos infernos, começa no ventre de uma jovem mãe e manifesta-se na manjedoura de Belém. «Paz na terra», cantam os anjos, anunciando a presença de um Deus indefeso, pelo qual a humanidade só pode descobrir-se amada cuidando d’Ele. Nada tem a capacidade de mudar-nos mais do que um filho. E talvez seja justamente o pensamento nos nossos filhos, nas crianças e também naqueles que são frágeis como elas, que nos traspassa o coração”, escreve o Papa.

O Papa Leão ressalta que “São João XXIII foi o primeiro a introduzir a perspectiva de um desarmamento integral, alcançado somente através da renovação do coração e da inteligência”, descrito na Carta encíclica Pacem in terris.

Segundo Leão XIV, as religiões devem vigiar “sobre a crescente tentativa de transformar em armas até mesmo pensamentos e palavras. As grandes tradições espirituais, assim como o reto uso da razão, fazem-nos ir além dos laços de sangue e étnicos, ou daquelas fraternidades que reconhecem apenas quem é semelhante e rejeitam quem é diferente. Hoje, vemos como isso não é óbvio. Infelizmente, faz parte do panorama contemporâneo, cada vez mais, arrastar as palavras da fé para o embate político, abençoar o nacionalismo e justificar religiosamente a violência e a luta armada. Os fiéis devem refutar ativamente, antes de tudo com a sua vida, estas formas de blasfêmia que obscurecem o Santo Nome de Deus. Por isso, juntamente com a ação, é mais do que nunca necessário cultivar a oração, a espiritualidade, o diálogo ecumênico e inter-religioso como caminhos de paz e linguagens de encontro entre tradições e culturas. Em todo o mundo, é desejável que «cada comunidade se torne uma “casa de paz”, onde se aprende a neutralizar a hostilidade através do diálogo, onde se pratica a justiça e se conserva o perdão». Hoje, mais do que nunca, é preciso mostrar que a paz não é uma utopia, através de uma criatividade pastoral atenta e generativa”.

“Por outro lado, isso não deve desviar a atenção de todos da importância da dimensão política”, recorda o Papa Leão, lembrando um trecho da Pacem in terris que afirma que os que são chamados a assumir responsabilidades públicas, nos mais altos e qualificados cargos, devem investigar «a fundo qual a melhor maneira de se chegar à maior harmonia das comunidades políticas no plano mundial; harmonia, repetimos, que se baseia na confiança mútua, na sinceridade dos tratados e na fidelidade aos compromissos assumidos. Examinem de tal maneira todos os aspectos do problema para encontrarem no nó da questão, a partir do qual possam abrir caminho a um entendimento leal, duradouro e fecundo». “É o caminho desarmante da diplomacia, da mediação, do direito internacional, infelizmente contrariado por violações cada vez mais frequentes de acordos alcançados com grande esforço, num contexto que exigiria não a deslegitimação, mas sim o fortalecimento das instituições supranacionais”, sublinha.

“Hoje, a justiça e a dignidade humana estão, mais do que nunca, expostas aos desequilíbrios de poder entre os mais fortes”, escreve ainda Leão XIV, destacando a necessidade de “motivar e apoiar todas as iniciativas espirituais, culturais e políticas que mantenham viva a esperança, combatendo a difusão de «atitudes fatalistas a respeito da globalização, como se as dinâmicas em ato fossem produzidas por forças impessoais anônimas e por estruturas independentes da vontade humana». Se, efetivamente, «a melhor maneira de dominar e avançar sem entraves é semear o desânimo e despertar uma desconfiança constante, mesmo disfarçada por detrás da defesa de alguns valores», deve se contrapor a tal estratégia o desenvolvimento de sociedades civis conscientes, de formas de associativismo responsável, de experiências de participação não violenta, de práticas de justiça restaurativa em pequena e grande escala. Leão XIII já o salientava claramente na Encíclica Rerum novarum: «A experiência que o homem adquire todos os dias da exiguidade das suas forças, obriga-o e impele-o a agregar-se a uma cooperação estranha. É nas Sagradas Letras que se lê esta máxima: “Mais valem dois juntos que um só, pois tiram vantagem da sua associação. Se um cai, o outro sustenta-o. Desgraçado do homem só, pois; quando cair, não terá ninguém que o levante”. E esta outra: “O irmão que é ajudado por seu irmão, é como uma cidade forte”» “.

“Que isso seja um fruto do Jubileu da Esperança, que levou milhões de seres humanos a redescobrirem-se peregrinos e a iniciarem em si mesmos aquele desarmamento do coração, da mente e da vida, ao qual Deus não tardará em responder, cumprindo as suas promessas”, conclui o Papa Leão.

Foto de capa: @Vatican Media

Na Audiência Geral desta quarta-feira (17/12), Leão XIV recordou que “o verdadeiro tesouro” não se encontra “nos cofres da terra” nem nas falsas seguranças
Na Audiência Geral desta quarta-feira (17/12), Leão XIV recordou que “o verdadeiro tesouro” não se encontra “nos cofres da terra” nem nas falsas seguranças do mundo, mas no coração que, iluminado pela Páscoa de Cristo, encontra no amor de Deus o repouso, o sentido e a esperança para a vida.

“No coração se guarda o verdadeiro tesouro, não nos cofres da terra, não nos grandes investimentos financeiros, nunca tão enlouquecidos e injustamente concentrados como hoje, idolatrados ao preço sangrento de milhões de vidas humanas e da devastação da criação de Deus.”

Foi essa a forte exortação do Papa Leão XIV na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira, 17 de dezembro. Dando continuidade ao ciclo de reflexões dedicado ao Jubileu da Esperança, o Santo Padre aprofundou o tema “A Páscoa como refúgio do coração inquieto” e propôs uma leitura pascal da experiência humana marcada pelo ativismo, pela dispersão interior e pela busca, muitas vezes frustrada, de sentido.

Não somos máquinas, temos um coração

Antes de se dirigir à Praça São Pedro, o Papa Leão encontrou-se com os doentes reunidos na Sala Paulo VI, onde quis saudá-los pessoalmente e oferecer-lhes sua bênção, permitindo-lhes acompanhar a Audiência em um ambiente mais protegido do frio. Próximo do Natal, o Santo Padre desejou que a alegria deste tempo acompanhasse cada um, suas famílias e entes queridos, exortando-os a permanecer sempre confiantes nas mãos do Senhor.

Logo no início da catequese, o Pontífice partiu de uma constatação: “A vida humana caracteriza-se por um movimento constante que nos impele a fazer, a agir”, e observou que muitas das atividades que preenchem os dias das pessoas estão ligadas a compromissos práticos, responsabilidades e problemas a resolver. Até o próprio Jesus, recordou, envolveu-se profundamente com a vida e com as pessoas, entregando-se sem reservas. Contudo, advertiu que o excesso de atividades pode transformar-se em um turbilhão que rouba a serenidade e impede de viver o essencial, fazendo-nos sentir cansados e insatisfeitos:

“O tempo parece ser desperdiçado em mil coisas práticas que, no entanto, não resolvem o sentido último da nossa existência. Por vezes, no final de dias repletos de atividades, sentimo-nos vazios. Por quê? Porque não somos máquinas, temos um ‘coração’; ou melhor, poderíamos dizer, somos um coração.”

Atenção às falsas seguranças

Interpretar a vida à luz da Páscoa, explicou Leão XIV, significa reencontrar o acesso à essência da pessoa humana: “O nosso coração vive inquieto enquanto não repousa em Deus”, citou, evocando Santo Agostinho. Segundo o Pontífice, a inquietação revela que o coração humano está em caminho, orientado para um “regresso a casa”, e completou:

“A verdadeira plenitude do coração não consiste em possuir os bens deste mundo, mas em alcançar aquilo que o pode preencher completamente: o amor de Deus, ou melhor, Deus Amor. Este tesouro, porém, só se encontra amando o próximo que encontramos pelo caminho: irmãos e irmãs de carne e osso, cuja presença desafia e questiona o nosso coração, convidando-o a abrir-se e a dar-se. O nosso próximo pede-nos para abrandar o ritmo, para olhá-lo nos olhos, por vezes para mudar de planos, talvez até para mudar de direção.” 

A esperança que não desilude

Na conclusão da catequese, o Papa recordou que ninguém pode viver sem um sentido que transcenda o contingente. O coração humano, disse, foi feito para a plenitude e não para a carência. Essa esperança tem um fundamento sólido: Jesus Cristo, que, com a sua Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição, lançou as bases de uma esperança que não decepciona.

“O coração inquieto não se desiludirá se se entregar ao dinamismo do amor para o qual foi criado”, afirmou o Santo Padre. A vitória da vida já é certa e em Cristo continuará a manifestar-se em cada “morte” da vida cotidiana. Esta é, concluiu o Santo Padre, a esperança cristã, dom pelo qual a Igreja é chamada a bendizer e agradecer sempre ao Senhor.

Fonte: publicado no site vaticannews.va
Entre a série de audiências da manhã deste sábado (13/12), Leão XIV recebeu o arcebispo de Aparecida/SP, dom Orlando Brandes. Na oportunidade, ele entregou
Entre a série de audiências da manhã deste sábado (13/12), Leão XIV recebeu o arcebispo de Aparecida/SP, dom Orlando Brandes. Na oportunidade, ele entregou um convite oficial para que o Papa conheça o Santuário Nacional de Aparecida/SP. Em seguida, a delegação brasileira ainda formada por missionários redentoristas e representantes da TV Aparecida, que comemora 20 anos de fundação, visitou as dependências da Rádio Vaticano – Vatican News.

O Papa Leão XIV cumpriu uma manhã intensa de audiências neste sábado (13/12). Entre elas, o Pontífice recebeu o arcebispo de Aparecida/SP, dom Orlando Brandes, acompanhado dos missionários redentoristas Pe. Marlos Aurélio da Silva, superior provincial da Província Nossa Senhora Aparecida; Pe. Eduardo Catalfo, reitor do Santuário Nacional de Aparecida, e Ir. Alan Patrick Zuccherato, diretor de arte e pastoral da TV Aparecida, além da jornalista e apresentadora da TV Aparecida, Camila Morais, e de Silvonei José da Rádio Vaticano/Vatican News. A audiência privada foi em razão das comemorações dos 20 anos da TV de Nossa Senhora.

O arcebispo já tinha se encontrado com Leão XIV na quarta-feira (10/12), quando saudou o Pontífice ao final da Audiência Geral na Praça São Pedro. Neste sábado (13/12), a audiência privada foi a oportunidade para entregar ao Pontífice: uma imagem de Nossa Senhora Aparecida das mãos de Pe. Marlos; um pergaminho com um convite de dom Orlando para conhecer o Santuário Nacional; uma miniatura de televisão, símbolo de comemoração dos 20 anos da TV Aparecida, bem como um fotolivro da série “Desafios da Igreja”, a produção mais premiada do canal católico, que aborda a Doutrina Social da Igreja em seu eixo central; pelas mãos do Pe. Eduardo Catalfo foram entregues exemplares da Revista de Aparecida, parte essencial da missão de evangelizar pelos meios de comunicação da Família dos Devotos.

Ouça a entrevista com dom Orlando Brandes
A foto oficial do Papa com a delegação brasileira na manhã deste sábado (13/12)
A foto oficial do Papa com a delegação brasileira na manhã deste sábado (13/12)   (@VATICAN MEDIA)