Notícias da Igreja

Para ajudar os atingidos pelo tornado no Paraná a Diocese e a Cáritas de Guarapuava disponibilizaram a chave pix para doações. PIX: 48791935000160. A

Para ajudar os atingidos pelo tornado no Paraná a Diocese e a Cáritas de Guarapuava disponibilizaram a chave pix para doações. PIX: 48791935000160.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de sua Presidência, publicou neste sábado, 8 de novembro, uma “Nota de Solidariedade à diocese de Guarapuava, no Paraná, e aos demais estados atingidos pelas fortes chuvas”. As chuvas atingiram principalmente as cidades da diocese e o município de Rio Bonito de Iguaçu (PR).

“Nos unimos em oração pelas vidas perdidas e pelas inúmeras famílias que tiveram suas casas destruídas “, diz um trecho da Nota.

A CNBB também conclama a Igreja no Brasil a unir-se em comunhão orante e solidária, colaborando, na medida do possível, com as ações de apoio humanitário e de reconstrução das áreas devastadas.

A diocese e a Cáritas de Guarapuava divulgaram um número de PIX para onde as contribuições em dinheiro poderão ser enviadas. As doações podem ser feitas via PIX: 48791935000160. O destinatário é Cáritas Nossa Senhora de Belém da diocese de Guarapuava.

Confira abaixo a íntegra da nota da CNBB:

Nota de solidariedade à diocese de Guarapuava e aos demais estados atingidos pelas fortes chuvas

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de sua Presidência, manifesta sua solidariedade fraterna a Dom Amilton Manoel da Silva, CP, bispo da Diocese de Guarapuava, e a todo o povo, diante da tragédia que atingiu diversas cidades da região, especialmente o município de Rio Bonito do Iguaçu (PR).

Nos unimos em oração pelas vidas perdidas e pelas inúmeras famílias que tiveram suas casas destruídas.

Estendemos igualmente nossa solidariedade a todos estados atingidos pelas fortes chuvas, Paraná e Santa Catarina (Regionais Sul 2 e Sul 4).

Unimo-nos em oração pelas famílias enlutadas e desabrigadas, pedindo a Deus que as console e fortaleça neste momento de dor e incerteza.

Expressamos também nossa proximidade pastoral e apoio às comunidades e paróquias que estão se mobilizado em gestos concretos de caridade e solidariedade para socorrer os atingidos.

Conclamamos toda a Igreja no Brasil a unir-se em comunhão orante e solidária, colaborando, na medida do possível, com as ações de apoio humanitário e de reconstrução das áreas devastadas.

A CNBB permanecerá atenta e próxima, acompanhando o deslocamento das tempestades e os esforços das dioceses e das pastorais locais neste tempo de provação.

Que Nossa Senhora de Belém, padroeira da Diocese de Guarapuava, interceda por todos, trazendo consolo, esperança e a renovação da vida.

Em comunhão e oração

Dom Jaime Cardeal Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Presidente da CNBB

Dom João Justino de Medeiros da Silva
Arcebispo de Goiânia (GO)
1º Vice- Presidente da CNBB

Dom Paulo Jackson Nóbrega de Sousa
Arcebispo de Olinda e Recife (PE)
2º Vice-Presidente da CNBB

Dom Ricardo Hoepers
Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Brasília (DF)
Secretário-Geral da CNBB 

Em uma mensagem aos participantes do Fórum Builders IA, em andamento na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, Leão XIV reflete sobre o “peso ético
Em uma mensagem aos participantes do Fórum Builders IA, em andamento na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, Leão XIV reflete sobre o “peso ético e espiritual” que acompanha as novas tecnologias, lembrando que cada escolha de projeto expressa “uma visão da humanidade”. Ele renova assim o convite para interrogar-se como as ferramentas construídas estão transformando o ser humano

Não apenas o que a Inteligência Artificial (IA) é capaz de realizar, mas o que, silenciosamente, realiza em nós: como nos molda, como nos transforma, “quem estamos nos tornando”. É nesse olhar interior – mais do que nos “laboratórios” e nas “carteiras de investimento” – que se joga o verdadeiro sentido de sua trajetória. É aqui que o Papa Leão XIV convida a deter-se, na mensagem lida na quinta-feira, 6 de novembro, aos participantes do Fórum Builders IA 2025, que decorre até esta sexta-feira na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma.

“Quem estamos nos tornando”

O objetivo do congresso é a criação de uma nova comunidade interdisciplinar dedicada a apoiar o desenvolvimento de produtos de IA a serviço da missão da Igreja. A partir desse horizonte nasce, segundo o Papa, uma reflexão “crucial” dos tempos atuais:

Não apenas o que a IA é capaz de fazer, mas quem estamos nos tornando através das tecnologias que construímos. 

O peso “ético e espiritual” da IA

O Pontífice reitera o que já havia afirmado na Nota Antiqua et Nova, publicada em 28 de janeiro e fruto de uma reflexão conjunta dos Dicastérios para a Doutrina da Fé e para a Cultura e a Educação: a IA, “como toda invenção humana, nasce da capacidade criativa” que Deus instilou no homem. A inovação, nesse sentido, pode ser considerada uma forma de “participação” no próprio ato da Criação.

Como tal, ela traz consigo um peso ético e espiritual, pois cada escolha projetual expressa uma visão da humanidade.

Cultivar o “discernimento moral”

A mensagem da Igreja é clara: todos os atores envolvidos no desenvolvimento das novas tecnologias são chamados a cultivar o “discernimento moral” como parte integrante de seu trabalho, desenvolvendo sistemas que incorporem os valores da justiça, da solidariedade e do respeito autêntico pela vida.

Vossas reflexões ao longo destes dois dias mostram que esse compromisso não pode se limitar aos laboratórios de pesquisa ou às carteiras de investimento: deve ser uma empreitada profundamente eclesial.

Fé e razão em diálogo

As aplicações da IA, continua o Papa, podem ser múltiplas: algoritmos para a educação católica, instrumentos para uma “saúde compassiva”, plataformas criativas capazes de contar a história cristã com “verdade e beleza”. No entanto, a missão continua sendo comum: “Colocar a tecnologia a serviço da evangelização e do desenvolvimento integral de cada pessoa”. Uma sinergia que, citando novamente a Antiqua et Nova, encarna o “diálogo entre fé e razão”, revisitado em chave digital. A inteligência, artificial ou humana, encontra de fato sua plenitude “no amor, na liberdade e na relação com Deus”.

Fonte: publicação do site vaticannews.va
A tensão entre Estados Unidos e Venezuela, a trégua frágil em Gaza, o direito dos trabalhadores e dos migrantes e o processo ao ex-jesuíta
A tensão entre Estados Unidos e Venezuela, a trégua frágil em Gaza, o direito dos trabalhadores e dos migrantes e o processo ao ex-jesuíta Rupnik foram as perguntas que os jornalistas fizeram ao Papa Leão XIV ao deixar Castel Gandolfo de volta ao Vaticano.

Ao deixar a residência pontifícia de Castel Gandolfo para retornar ao Vaticano, o Papa Leão parou para responder a quatro perguntas feitas pelos jornalistas que o aguardavam do lado de fora da Villa Barberini.

Falando especificamente sobre a tensão na costa da Venezuela entre a luta ao narcotráfico e a aproximação de militares dos Estados Unidos, com a ameaça  latente de uma “guerra fria”, o Pontífice reafirmou que com a violência não se vence: “Um país tem o direito de ter militares para defender a paz, para construir a paz. Neste caso, parece ser um pouco diferente, aumentando a tensão. Penso que com a violência não vencemos. A questão é buscar o diálogo, buscar um modo correto para encontrar soluções aos problemas que podem existir em determinado país”.

Paz no Oriente Médio

Quanto ao Oriente Médio, a trégua “é muito frágil”, disse Leão XIV, expressando um parecer positivo com o fato de que pelo menos a primeira fase do acordo ainda esteja em vigor. Agora, prosseguiu, é preciso encontrar formas de se passar à segunda fase, “como garantir os direitos de todos os povos”. “O tema da Cisjordânia, dos colonos, é realmente complexo.”

Respeitar as necessidades espirituais dos migrantes nos EUA

Também foi feita ao Papa uma pergunta sobre Chicago, a sua cidade natal, onde as autoridades proibiram os sacerdotes de dar a comunhão aos migrantes detidos. Em primeiro lugar, o Pontífice recordou que o “o papel da Igreja é pregar o Evangelho”, citando o capítulo 25 do Evangelho de Mateus, “em que Jesus diz claramente que no final dos tempos nos será pedido: como acolheram o estrangeiro? Vocês o acolheram ou não?”. “Penso que haja uma profunda reflexão a ser feita sobre o que está acontecendo”, destaca o Santo Padre. “Muitas pessoas que viveram por anos e anos sem nunca causar problemas foram profundamente atingidas por aquilo que está acontecendo neste  momento”. O convite, portanto, é levar em consideração também os direitos espirituais das pessoas que foram detidas: “Convidaria certamente as autoridades a permitir que os agentes pastorais se ocupem das necessidades dessas pessoas. Muitas vezes, foram separadas de suas famílias por um longo período de tempo, ninguém sabe o que está acontecendo… mas suas necessidades espirituais deveriam ser respeitadas”.

O trabalho, direito humano

Outro tema tratado foi o trabalho, em vista do Jubileu dos Trabalhadores programado para os próximos dias. O assunto voltou a ser pauta na Itália com a morte de um operário de 66 anos no desabamento de uma torre em Roma. “A voz da Igreja é pelos direitos. Acreditamos que realmente precisamos trabalhar todos juntos. É um direito do ser humano ter um trabalho digno, onde também possa ganhar para o bem da família”, respondeu o Papa, reiterando a preocupação com a segurança e afirmando que a celebração do Jubileu também quer “dar um pouco de esperança e tentar unir forças para encontrar soluções e não apenas comentar os problemas”.

O caso Rupnik

Por fim, antes de se despedir e regressar ao Vaticano, foi feita uma última pergunta sobre o ex-jesuíta Marko Ivan Rupnik, acusado de abusos por parte e algumas religiosas, cujo caso está no centro de um processo no Dicastério para a Doutrina da Fé. Em particular, questionou-se as obras de arte ainda presentes em vários locais sagrados, algumas das quais foram cobertas após pedidos e protestos das vítimas. “Certamente, em muitos lugares, justamente pela necessidade de ser sensível em relação àqueles que denunciaram ter sido vítimas, as obras de arte foram cobertas, foram removidas dos sites. Portanto, esta questão é certamente algo de que estamos cientes”, afirmou Leão XIV. Ele explicou ainda que recentemente foi iniciado um novo processo contra o ex-jesuíta: “Os juízes foram nomeados e os processos judiciais levam muito tempo. Sei que é muito difícil para as vítimas pedir que sejam pacientes. Mas a Igreja deve respeitar os direitos de todas as pessoas. O princípio da presunção de inocência até prova contrária também se aplica à Igreja. E esperamos que este processo recém-iniciado possa trazer clareza e justiça a todas as pessoas envolvidas”.

Fonte: publicado no site vaticannews.va
A noite de terça-feira, 04 de novembro de 2025 reuniu no Colégio Agostiniano um grupo de pessoas comprometidas com a ecologia integral e com

A noite de terça-feira, 04 de novembro de 2025 reuniu no Colégio Agostiniano um grupo de pessoas comprometidas com a ecologia integral e com expectativas quanto à realização da COP30. Para conversar sobre o assunto, o bispo auxiliar de Manaus, dom Hudson de Souza Ribeiro, diretor da Faculdade Católica do Amazonas e membro pesquisador da Pontifícia Comissão para a Tutela de Menores, no Vaticano, que está em Vitória.

Dom Hudson iniciou lembrando que o Papa Francisco nos chamou a atenção de que estamos diante de uma crise socioambiental  e não diante de duas crises, porque tudo está interligado: natureza, sociedade, cultura e espiritualidade. “Estamos diante de uma crise ética, cultural e espiritual e isso exige de nós uma conversão ambiental/ecológica.

Após expor as diretrizes e orientações do Papa sobre Ecologia Integral, e lembrar que os mais pobres são sempre os mais atingidos pelos problemas, dom Hudson apresentou três  pontos que serão encamunhados à COP30:
Propostas 

Processo de transformação da casa comum;
Mudança de mentalidade e estilo de vida. As pessoas buscam qualidade de vida, mas não querem mudar o estilo de vida;
A conversão ecológica é pessoal, comunitária, social, cultural e institucional;
Espiritualidade ecológica é reconhecer o valor de cada criatura.

Sonhos com relação à COP30:
Social – aborda a injustiça e o crime na região amazônica – sonho cultural – diversidade cultural e sobretudo os povos ameaçados
Ecológico – criar novo paradigma contra o consumismo desenfreado
Eclesial – Igreja envolvida que fala sobre inculturação da fé.
A Igreja na cop30  que acontece pela 1ª vez na Amazônia propõe: ações e compromissos globais para frear o aquecimento, e a Amazônia tem papel essencial para controle desse aquecimento;
A COP30 deve acelerar a transição para energias renováveis – Neste ponto dom Hudson lembrou a autorização para pesquisa sobre petróleo como um contra senso;
A defesa de que as populações originárias precisam ser ouvidas;
Que surja manutenção financeira de projetos para defender a Amazônia.

Compromissos:
Proteção dos territórios e soberania dos povos originários.
Promoção da igualdade (países e corporações que impactam fortemente devem ter maior parcela de responsabilidade e recursos).
Rejeição à financeirização da natureza. A monetização não tem chegado às comunidades, o que prova que este não é o caminho.
Não basta falar de transição energética, outros países se perguntam para onde irão as placas de energia e como manter energia eólica com mudanças nos ciclos do vento. [É preciso discutir is impactos dessas tentativas que já foram experimentadas.
Erradicação total do desmatamento – dom Hudson lembrou que a abertura de estradas provocam muitos estragos ambientais.

Para terminar a exposição os presentes foram convidados a lerem o poema Estatutos do Homem de Tiago de Mello:

Os Estatutos do Homem

Artigo I.
Fica decretado que agora vale a verdade.
que agora vale a vida,
e que de mãos dadas,
trabalharemos todos pela vida verdadeira.Artigo II.
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III.
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV.
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo Único:
O homem confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V.
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI.
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII.
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII.
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX.
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha sempre
o quente sabor da ternura.

Artigo X.
Fica permitido a qualquer pessoa,
a qualquer hora da vida,
o uso do traje branco.

Artigo XI.
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo.
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII.
Decreta-se que nada será obrigado nem proibido.
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII.
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade.
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

No próximo sábado, 01 de novembro de 2025, a Igreja Católica celebra Todos os Santos. Nesta data, especificamente, veneramos aqueles que viveram como verdadeiros

No próximo sábado, 01 de novembro de 2025, a Igreja Católica celebra Todos os Santos. Nesta data, especificamente, veneramos aqueles que viveram como verdadeiros filhos de Deus e deixaram um exemplo a ser seguido. Celebramos todos os santos, os canonizados e os não canonizados e pedimos a intercessão para que nossas vidas também sejam dignas do amor de Deus.

A data foi estabelecida no Século IV, mas a veneração começou no Século II. Sobre o significado desta data, o site do Vaticano explica: “Os Santos e as Santas – autênticos amigos de Deus – aos quais a Igreja nos convida, hoje, a dirigir nossos olhares, são homens e mulheres, que se deixaram atrair pela proposta divina, aceitando percorrer o caminho das Bem-aventuranças; não porque sejam melhores ou mais intrépidos que nós, mas, simplesmente, porque “sabiam” que todos nós somos filhos de Deus e assim viveram; sentiram-se “pecadores perdoados”… Eis os verdadeiros de Santos! Eles aprenderam a conhecer-se, a canalizar suas forças para Deus, para si e para os outros, sabendo confiar sempre, nas suas fragilidades, na Misericórdia divina.
Hoje, os Santos nos animam a apontar para o alto, a olhar para longe, para a meta e o prêmio que nos aguardam; exortam-nos a não nos resignar diante das dificuldades da vida diária, pois a vida não só tem fim, mas, sobretudo, tem uma finalidade: a comunhão eterna com Deus.
Com esta Solenidade, a Igreja nos propõe os Santos, amigos de Deus e exemplos de uma vida feliz, que nos acompanham e intercedem por nós; eles nos estimulam a viver com maior intensidade esta última etapa do Ano litúrgico, sinal e símbolo do caminho da nossa vida”.

São Carlo Acutis e São Pier Giorgia Frassati

Nos últimos dois meses, setembro e outubro de 2025, o Papa Leão XIV canonizou 9 novos santos. Às vésperas da celebração de Todos os Santos, vamos conhecer um pouco mais sobre cada um deles.

Carlo Acutis, um adolescente italiano conhecido por criar um site sobre milagres eucarísticos, amar a Eucaristia, participar diariamente da missa e praticar a caridade. Pier Giorgio Frassati, um jovem também italiano, que dedicou sua vida a ajudar os pobres. Ambos se tornaram modelos para a juventude e foram canonizados em 07 de setembro deste ano de 2025, na mesma cerimônia.

Agora no mês de outubro o Papa canonizou outros 07 santos: Inácio Maloyan, Pedro To Rot, José Gregório Hernández, Bartolo Longo, Vicenza Maria Poloni, Maria Carmen Rendilles Martínez e a irmã Salesiana Maria Troncatti.

Durante a cerimônia de canonização, o Papa disse: “Hoje temos precisamente diante de nós sete testemunhas que mantiveram acesa com a graça de Deus a lâmpada da fé, ou melhor, tornaram-se eles mesmo lâmpadas capazes de difundir a luz de Cristo. Todos vós, todos nós, somos chamados a ser santos”’.

São Inácio Maloyan, São Pedro To Rot, São José Gregório Hernández, São Bartolo Longo, Santa Vicenza Maria Poloni, Santa Maria Carmen Rendilles Martínez, Santa irmã Salesiana Maria Troncatti. Leia o que disseram os postuladores e saiba um pouco mais sobre cada novo santo.

Bartolo Longo, o compromisso com os pobres com o Terço nas mãos

Uma luz para todos aqueles que não acreditam poderá ser acesa pelo beato Bartolo Longo (1841-1926), que “foi educado na fé”, explica o postulador padre Antonio Marrazzo C.SS.R., “depois foi para Nápoles para completar os estudos de Direito e dedicou-se a outras coisas, entre outras, às seitas satânicas. Mas um de seus professores lhe disse um dia: ‘Você não é isso. Essa não é a verdade sobre você. O que você procura, seu tormento interior, não deve ser buscado no que você está vivendo agora’”. Ao finalmente empreender seu caminho de fé, o beato Longo compreende que “o melhor caminho para chegar a Deus é o Terço a Nossa Senhora”.

O fato de ser um leigo e não um padre o tornará próximo a muitos fiéis. “Acompanhado pela presença de Nossa Senhora e pela devoção ao Rosário, que é uma oração cristológica – continua o padre redentorista –, ele não apenas deu vida ao Santuário de Pompéia, mas construiu a própria cidade de Pompéia, pois, para construir a igreja, transformou os camponeses da região em pedreiros, aos quais deu alojamento. Assim nasceram os hospitais, as farmácias e as escolas. Ele cuidou dos filhos dos presos e dos abandonados”. O Santuário de Pompéia foi, portanto, a semente da qual floresceram muitas realidades sociais destinadas aos mais pobres. “O que podemos entender do beato Bartolo é que não se pode ter um relacionamento com Deus sem estar em harmonia com as outras pessoas”, conclui o padre Marrazzo.

O amor pelo Santíssimo Sacramento do beato Maloyan

“Se os jovens se afeiçoaram a São Carlo Acutis, que repetia frequentemente que o Santíssimo Sacramento era a autoestrada para o Céu, então também amarão o beato Maloyan, que antes de ser martirizado abençoou um pedaço de pão e o partilhou com os seus 600 companheiros de martírio: a Eucaristia era sem dúvida o alimento da sua fé”, reflete o padre Carlo Calloni O.F.M., postulador da causa de canonização do arcebispo de Mardin dos Armênios, beatificado como “mártir da fé” pelo Papa João Paulo II em 7 de outubro de 2001.

Maloyan (1869-1915), bispo da Igreja armênia, “cuidou do rebanho que lhe foi confiado por 46 anos e a Igreja o proclama santo pelo gesto de ter dado a vida por seu rebanho”, continua o frade capuchinho. Durante o “Medz Yeghern – Grande mal” de 1915, dom Maloyan recusou-se a abjurar a fé cristã e a converter-se ao islamismo. Este é, portanto, o carisma deste futuro novo santo: “Ele teve a capacidade de devolver a Deus a vida que havia recebido d’Ele. Além disso, sempre aderiu a tudo o que a Graça de Deus lhe ofereceu, inclusive o martírio”, conclui o postulador de sua causa de canonização.

Beato Hernández Cisneros, medicina, fé e caridade

A combinação de fidelidade ao Evangelho na vida cotidiana e caridade para com os pobres também se encontra no beato José Gregorio Hernández Cisneros (1864-1919), beatificado em 30 de abril de 2021 em Caracas pelo Papa Francisco. “Ele era um médico do mais alto nível científico, professor universitário, mas quando atendia em seu consultório particular recebia e curava a todos: quem podia pagar e quem não podia”, explica a postuladora Silvia Monica Correale. “Aos mais ricos, ele pedia que deixassem uma esmola para os pacientes mais pobres”. O Papa Francisco frequentemente o citava como exemplo de “santo da porta ao lado”. Por seu compromisso com os mais necessitados, ganhou o apelido de “médico dos pobres”. Ele morreu em Caracas em 29 de junho de 1919, atropelado por um carro quando ia levar remédios a um doente. “O Papa Francisco compreendeu que o beato Gregório poderia representar um ponto de referência para a devoção popular do povo venezuelano”, conclui a postuladora.

A beata Maria Carmen traz dupla alegria a Caracas

“O domingo será uma grande alegria para a Arquidiocese Metropolitana de Caracas, pois é a primeira vez que dois beatos da mesma arquidiocese são canonizados”, afirma Silvia Monica Correale, postuladora do beato Hernández Cisneros e da beata Maria Carmen (1903-1977), fundadora do Instituto dos Servos de Jesus, dedicado à educação, à catequese e ao serviço em paróquias e hospitais. Ela foi beatificada em 16 de junho de 2018 pelo Papa Francisco. “Esta beata, originária de Caracas, tocou meu coração porque é uma figura muito contemporânea: faleceu em 1977, e eu poderia tê-la conhecido”, continua Correale. “Ela era uma mulher normal”, acrescenta, “como o Papa Francisco disse às religiosas. Ela foi capaz de viver sua vida consagrada com grande simplicidade, mas também com grande profundidade. Era muito humilde e maternal em seus relacionamentos com os outros. A santidade dela é uma santidade da vida cotidiana, uma santidade acessível que pode ser proposta como modelo para todas as mulheres, não apenas para as consagradas”, conclui Correale.

A defesa do matrimônio pelo beato Pedro To Rot

“O beato Pedro To Rot, leigo, foi morto por sua defesa do matrimônio em 1945”, explica o postulador, padre Fernando Clemente Santos M.S.C.. Durante a Segunda Guerra Mundial, a ocupação japonesa de Papua-Nova Guiné proibiu as atividades religiosas católicas, impondo a poligamia para ganhar a confiança dos moradores locais. O beato To Rot (1912-1945), beatificado pelo Papa João Paulo II em 17 de janeiro de 1995, continuou secretamente a organizar orações e a defender os valores cristãos. “Ele defendeu o valor da indissolubilidade do matrimônio e cuidou da população na ausência de padres. Temos muitos santos que defenderam o matrimônio, como João Batista. O beato To Rot, no entanto, era leigo e, além disso, contemporâneo. Numa época em que, como se diz, prevalece o ‘amor líquido’, uma época em que o matrimônio vive momentos difíceis, vale a pena considerar sua figura”, afirma o postulador. Ele será o primeiro santo de Papua Nova Guiné.

Ainda sobre Pedro To Rot, cuja figura luminosa nos ajuda a redescobrir o papel do leigo na vida da Igreja e o dom da santidade, eis o que nos disse o postulador:

A beata Troncatti será uma santa mãe e missionária

“A beata Maria Troncatti será uma santa da missionariedade, e é significativo que ela seja canonizada no Dia Mundial das Missões. Ela viveu sua obra missionária como mãe, cuidando das crianças abandonadas por mulheres vítimas de violência”, explica o postulador, padre Pierluigi Cameroni, SDB. A beata Troncatti (1883-1969), beatificada em 24 de novembro de 2012, em Macas, Equador, pelo Papa Bento XVI, foi médica, enfermeira, catequista e mãe espiritual. As pessoas a chamavam de “mãe de todos”. Após a Primeira Guerra Mundial, ela partiu para o Equador como missionária, onde trabalhou por mais de quarenta anos entre os povos indígenas Shuar, na Amazônia.

“Ela foi uma artesã da paz e da reconciliação. Entre os povos indígenas e os colonos brancos, a vingança e a conquista de territórios alheios eram comuns. Seu trabalho missionário, no entanto, foi inteiramente voltado para a reconciliação”, continua o postulador. “Hoje, ela poderia legitimamente receber o Prêmio Nobel da Paz. Como missionária, sua mensagem é investir nas novas gerações, na pastoral juvenil e na formação de jovens casais e famílias”, conclui o Padre Cameroni.

Contemplação e caridade na beata Poloni

A Verona dos pobres da primeira metade do século XIX foi o cenário onde viveu e trabalhou a beata Vincenza Maria Poloni (1802-1855), fundadora do Instituto das Irmãs da Misericórdia. Verona é também a cidade onde o Papa Bento XVI a beatificou em 21 de setembro de 2008. “Por um lado, a misericórdia para com os pobres; por outro, a contemplação diante da Eucaristia.” Este é o carisma específico da beata Poloni, segundo o postulador Paolo Vilotta. “Ao ajudar os outros”, continua ele, “ela agia concretamente, passando os seus dias com os pobres e os doentes, mas a sua obra não era mera filantropia. Ela via Cristo nos pobres. A relevância da sua figura”, conclui o postulador, “reside na necessidade de retornar ao silêncio e à oração após a sua obra de caridade.” Um carisma que permaneceu nas Irmãs da Misericórdia, hoje ativas na Itália, Alemanha, África e América do Sul.

Após o Angelus de domingo, 26 de outubro o Papa Leão XIV falou sobre a atitude do publicano e do fariseu. “Não tenhamos medo
Após o Angelus de domingo, 26 de outubro o Papa Leão XIV falou sobre a atitude do publicano e do fariseu. “Não tenhamos medo de reconhecer os nossos erros, de os expor, assumindo a responsabilidade por eles e confiando-os à misericórdia de Deus”, foi a exortação do Papa no Angelus dominical, ao comentar o Evangelho do dia. Escute partes da mensagem publicadas no site vaticannews.va

Após a celebração da missa na Basílica Vaticana, o Papa rezou o Angelus da janela de seu escritório com milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro.  Antes de oração mariana, comentou o Evangelho deste 30º Domingo do Tempo Comum (cf. Lc 18, 9-14), que apresenta dois personagens que rezam no Templo, um fariseu e um publicano.

O primeiro ostenta uma longa lista de méritos. As boas obras que realiza são muitas e, por isso, considera-se melhor do que os outros, a quem julga com desdém. A sua atitude é claramente presunçosa: observa rigorosamente a Lei, mas é pobre em amor e misericórdia.

O publicano também reza, mas de forma diferente. Há muito nele a ser perdoado, pois é um cobrador de impostos ao serviço do Império Romano. No entanto, no final da parábola, Jesus diz que, entre os dois, é ele quem volta para casa “justificado”, ou seja, perdoado e renovado pelo encontro com Deus.

Não tenhamos medo de reconhecer nossos erros!

O Papa Leão explicou que isso acontece, em primeiro lugar, porque o publicano tem a coragem e a humildade de se apresentar diante de Deus não obstante os olhares severos e os julgamentos mordazes. Coloca-se diante do Senhor, pronunciando poucas palavras: “Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador”.

“Assim, Jesus transmite-nos uma mensagem poderosa: não é ostentando os nossos méritos que nos salvamos, nem escondendo os nossos erros, mas apresentando-nos tal como somos, honestamente, diante de Deus, de nós mesmos e dos outros, pedindo perdão e confiando na graça do Senhor.”

A exortação do Pontífice é para que façamos o mesmo: “Não tenhamos medo de reconhecer os nossos erros, de os expor, assumindo a responsabilidade por eles e confiando-os à misericórdia de Deus. Deste modo, poderá crescer, em nós e à nossa volta, o seu Reino, que não pertence aos soberbos, mas aos humildes. (…) Peçamos a Maria, modelo de santidade, que nos ajude a crescer nessas virtudes”.

Anexos

Leão XIV recebeu os Movimentos Populares reunidos em Roma para o V Encontro Internacional e a Peregrinação Jubilar. Recordando seu antecessor Francisco, reiterou que
Leão XIV recebeu os Movimentos Populares reunidos em Roma para o V Encontro Internacional e a Peregrinação Jubilar. Recordando seu antecessor Francisco, reiterou que “terra, teto e trabalho” são “direitos sagrados”. Em seguida, apontou o dedo para o aumento das injustiças sociais, os “danos colaterais” causados pelas novas tecnologias, o tratamento desumano de migrantes e a disseminação de novas drogas sintéticas, como o fentanil, que está devastando os Estados Unidos.

O Papa Leão XIV recebeu em audiência, na tarde desta quinta-feira (23/10), na Sala Paulo VI, no Vaticano, os participantes do Encontro Mundial dos Movimentos Populares.

Foi a primeira vez que Leão XIV os encontrou, prosseguindo o caminho iniciado pelo Papa Francisco, que, nos últimos anos, dialogou com essa realidade, “destacando sua importância profética no contexto de um mundo marcado por diversos desafios”.

“Um dos motivos pelos quais escolhi o nome “Leão XIV” é a Encíclica Rerum Novarum, escrita por Leão XIII durante a Revolução Industrial. O título Rerum Novarum significa “coisas novas”. Certamente há “coisas novas” no mundo, mas quando dizemos isso, geralmente adotamos uma “visão a partir do centro” e nos referimos a coisas como inteligência artificial ou robótica. No entanto, hoje, gostaria de olhar para as “coisas novas” com vocês, começando pela periferia.”

Das periferias as coisas parecem diferentes

Leão XIV recordou que há mais de dez anos, precisamente em 28 de outubro de 2014, por ocasião do primeiro Encontro Mundial dos Movimentos Populares, o Papa Francisco os recebeu e disse que eles tinham ido, ao Vaticano, “plantar uma bandeira”. Francisco indicou os três Ts “Terra, teto e trabalho” como ponto fulcral da ação desses grupos que agem em nome da dignidade humana, da justiça social, do desenvolvimento dos mais pobres e dos descartados.

“Era uma ‘coisa nova’ para a Igreja, e era uma coisa boa! ​​Repetindo os pedidos de Francisco, hoje eu digo: terra, teto e trabalho são direitos sagrados, pelos quais vale a pena lutar por eles, e quero que vocês me ouçam dizer: ‘Estou dentro! Estou com vocês!'”, sublinhou o Papa Leão.

“Pedir terra, teto e trabalho para os excluídos é uma coisa nova?” Perguntou o Santo Padre, acrescentando:

“Visto dos centros do poder mundial, certamente não; quem tem segurança financeira e uma casa confortável pode considerar esses pedidos de alguma forma ultrapassados. As coisas realmente ‘novas’ parecem ser os veículos autônomos, objetos ou roupas da última moda, celulares de última geração, criptomoedas e outras coisas desse tipo. Das periferias, porém, as coisas parecem diferentes; a bandeira que vocês agitam é tão atual que merece um capítulo inteiro no pensamento social cristão sobre os excluídos no mundo de hoje.”

As periferias clamam por justiça

As periferias muitas vezes clamam por justiça, e vocês gritam não ‘por desespero’, mas ‘por desejo’: vocês gritam por soluções numa sociedade dominada por sistemas injustos. Vocês não o fazem com microprocessadores ou biotecnologia, mas, no nível mais básico, com a beleza do artesanato. Isso é poesia: vocês são ‘poetas sociais'”, disse ainda Leão XIV.

O Papa recordou que os participantes do Encontro Mundial dos Movimentos Populares levaram novamente hoje, ao Vaticano, “o estandarte da terra, do teto e do trabalho”, e isso “testemunha a vitalidade dos movimentos populares como construtores de solidariedade na diversidade”.

“A Igreja deve estar com vocês: uma Igreja pobre para os pobres, uma Igreja que se aproxima, uma Igreja que corre riscos, uma Igreja corajosa, profética e alegre!”

O que eu acho mais importante é que seu serviço seja inspirado pelo amor“, disse ainda Leão XIV, afirmando que conhece “situações e experiências semelhantes em outros países, verdadeiros espaços comunitários repletos de fé, esperança e, acima de tudo, amor, que continua sendo a maior virtude de todas“. “De fato, quando cooperativas e grupos de trabalho são formados para alimentar os famintos, abrigar os sem-teto, ajudar os náufragos, cuidar de crianças, criar empregos, ter acesso à terra e construir casas, devemos lembrar que não estamos promovendo ideologia, mas sim vivendo verdadeiramente o Evangelho. É belo ver que os movimentos populares, antes mesmo da exigência da justiça, são movidos pelo desejo de amor, contra todo individualismo e preconceito“, recordou.

Pouca consciência do centro

Leão XIV lembrou sua vivência como bispo no Peru, afirmando que experimentou “uma Igreja que acompanha as pessoas em suas dores, alegrias, lutas e esperanças“.

“Isso é um antídoto contra uma indiferença estrutural que se está espalhando e que não leva a sério o drama dos povos despojados, roubados, saqueados e condenados à pobreza. Muitas vezes nos sentimos impotentes diante de tudo isso, mas a essa que chamei de “globalização da impotência” devemos começar a opor uma “cultura da reconciliação e do compromisso”. Os movimentos populares preenchem esse vazio gerado pela falta de amor com o grande milagre da solidariedade, baseada no cuidado do próximo e na reconciliação.”

De acordo com o Papa, “a discussão habitual sobre as ‘coisas novas’ — com seus potenciais e perigos — ignora o que acontece na periferia”. Segundo ele, “há pouca consciência do centro sobre os problemas que afetam os excluídos e, quando eles são abordados em discussões políticas e econômicas, parece «uma questão acrescentada quase por dever ou de modo tangencial, quando não simplesmente tratada como um dano colateral». De fato, no final das contas, eles frequentemente permanecem no fim da lista de prioridades. Pelo contrário, os pobres estão no centro do Evangelho. Portanto, as comunidades marginalizadas devem se envolver num esforço coletivo e solidário que vise reverter a tendência desumanizadora das injustiças sociais e promover o desenvolvimento humano integral“.

Ética da responsabilidade

A seguir, Leão XIV ressaltou que o compromisso dos Movimentos Populares “é ainda mais necessário num mundo que, como sabemos, está cada vez mais globalizado. Como afirmou Bento XVI, «os processos de globalização, se forem devidamente compreendidos e direcionados, abrem possibilidades sem precedentes para a redistribuição em larga escala da riqueza em todo o mundo; mas, se mal direcionados, podem levar ao aumento da pobreza e da desigualdade e podem até mesmo desencadear uma crise global»”.

Isso significa que os dinamismos do progresso devem ser sempre gerenciados por meio de uma ética da responsabilidade, superando o risco da idolatria do lucro e colocando sempre o homem e seu desenvolvimento integral no centroO ‘humano’ está no centro da visão de Santo Agostinho de uma ética da responsabilidade. Ele nos ensina como a responsabilidade, especialmente para com os pobres e aqueles que têm necessidades materiais, nasce do ser humano com seus semelhantes e, portanto, do reconhecimento de nossa ‘humanidade comum'”, destacou.

A exclusão hoje é a nova face da injustiça social

“Como todos compartilhamos a mesma humanidade, precisamos garantir que as ‘novidades’ sejam tratadas adequadamente. A questão não deve permanecer nas mãos das elites políticas, científicas ou acadêmicas, mas deve dizer respeito a todos nós“, sublinhou.

“A criatividade com que Deus dotou os seres humanos e que gerou grandes progressos em muitos campos ainda não conseguiu enfrentar da melhor forma os desafios da pobreza e, por isso, não conseguiu inverter a tendência da dramática exclusão de milhões de pessoas que permanecem à margem. Este é um ponto central no debate sobre as ‘coisas novas’.”

Leão XIV ressaltou que “hoje a exclusão é a nova face da injustiça social. A distância entre uma “pequena minoria” — 1% da população — e a vasta maioria aumentou drasticamente”. Esta exclusão é uma ‘novidade’ que o Papa Francisco denunciou como uma ‘cultura do descarte'”.

“Quando falamos de exclusão, também nos deparamos com um paradoxo. A falta de terra, comida, moradia e trabalho digno coexiste com o acesso às novas tecnologias que se espalham por toda parte através dos mercados globalizados. Os celulares, as redes sociais e até mesmo a inteligência artificial estão ao alcance de milhões de pessoas, incluindo os pobres. No entanto, embora cada vez mais pessoas tenham acesso à Internet, as necessidades básicas continuam sem ser atendidas.”

As “novidades” que impactam os excluídos

Em seu discurso, o Papa Leão abordou a questão das “‘novidades’ produzidas pelos centros de desenvolvimento tecnológico“. Porém, ressaltou o Pontífice, “sabemos que elas têm um impacto em todas as principais áreas da vida social: saúde, educação, trabalho, transportes, urbanização, comunicação, segurança, defesa, etc. Muitos desses impactos são ambivalentes: são positivos para alguns países e setores sociais, mas outros, por outro lado, sofrem ‘danos colaterais’. Mais uma vez, isso é resultado da má gestão do progresso tecnológico“.

crise climática é outro aspecto das “novidades” que impactam sobre os excluídos. “É talvez o exemplo mais evidente”, disse o Papa, ressaltando que “vemos isso em todos os eventos climáticos extremos, sejam inundações, secas, tsunamis ou terremotos” e quem sofre mais “são sempre os mais pobres. Eles perdem o pouco que têm quando a água leva suas casas e muitas vezes são forçados a abandoná-las sem alternativas adequadas para retomar suas vidas. O mesmo acontece quando, por exemplo, agricultores, camponeses e povos indígenas perdem suas terras, sua identidade cultural e a produção local sustentável por causa da desertificação de seus territórios”.

Outro aspecto das “novidades” que afeta particularmente os marginalizados são “as angústias e esperanças dos mais pobres em relação aos modelos de vida que são constantemente promovidos hoje“. “Como um jovem pobre pode viver com esperança e sem ansiedade quando as redes sociais exaltam constantemente o consumo desenfreado e o sucesso econômico totalmente inatingível?”, perguntou o Papa, ressaltando outro problema: “A disseminação do vício em jogos de azar digitais. As plataformas são projetadas para criar dependência compulsiva e gerar hábitos viciantes”.

Drogas, causa de morte entre os pobres

Outro aspecto da “novidade” é a indústria farmacêutica, “que certamente representa um grande progresso em alguns aspectos, mas não está isenta de ambiguidades. Na cultura atual, auxiliada por certas campanhas publicitárias, promove-se uma espécie de culto ao bem-estar físico, quase uma idolatria do corpo. Nessa visão, o mistério da dor é interpretado de forma reducionista. Isso também pode levar ao vício em analgésicos, cuja venda obviamente aumenta os lucros dos próprios fabricantes. Isso também levou ao vício em opioides, que está devastando os Estados Unidos em particular; considere, por exemplo, o fentanil, a droga da morte, a segunda principal causa de morte entre os pobres naquele país. A disseminação de novas drogas sintéticas, cada vez mais letais, não é apenas um crime cometido por traficantes de drogas, mas uma realidade inerente à produção de medicamentos e ao lucro, desprovida de uma ética global“.

Leão XIV enfatizou que “o desenvolvimento das novas tecnologias de informação e telecomunicações depende de minerais frequentemente encontrados no subsolo de países pobres“.

“Sem o coltan da República Democrática do Congo, por exemplo, muitos dos instrumentos tecnológicos que usamos hoje não existiriam. No entanto, sua extração depende da violência paramilitar, do trabalho infantil e do deslocamento das populações.”

O lítio é outro exemplo“, disse ainda o Pontífice, ressaltando que “a competição entre as grandes potências e grandes empresas por sua extração representa uma séria ameaça à soberania e à estabilidade dos países pobres, a ponto de alguns empresários e políticos se gabarem de promover golpes de Estado e outras formas de desestabilização política para se apropriar do ‘ouro branco’ do lítio“.

O Papa abordou “a questão da segurança“. “Os Estados têm o direito e o dever de proteger suas fronteiras, mas isso deve ser equilibrado pela obrigação moral de oferecer refúgio”, disse ele. “Com o abuso dos migrantes vulneráveis, não vemos o exercício legítimo da soberania nacional, mas sim crimes graves cometidos ou tolerados pelo Estado. Medidas cada vez mais desumanas – até mesmo politicamente celebradas – estão sendo adotadas para tratar esses “indesejáveis” como se fossem lixo e não humanos. O cristianismo, por outro lado, remete ao Deus amor, que nos torna todos irmãos e nos pede para vivermos como irmãos e irmãs”, sublinhou.

O Papa sente-se encorajado “ao ver como os movimentos populares, organizações da sociedade civil e a Igreja estão abordando essas novas formas de desumanização, testemunhando constantemente que quem é necessitado é nosso próximo, nosso irmão e irmã. Isso faz de vocês campeões da humanidade, testemunhas da justiça, poetas da solidariedade“.

Servir todas as classes sociais

Leão XIV recordou que “na Rerum Novarum, Leão XIII observou que «as antigas corporações de trabalhadores foram abolidas no século passado, e nenhuma outra organização protetora as substituiu». Os pobres tornaram-se mais vulneráveis ​​e menos protegidos. Algo semelhante está acontecendo hoje, porque os sindicatos típicos do século XX representam agora uma porcentagem cada vez menor de trabalhadores, e os sistemas de seguridade social estão em crise em muitos países. Portanto, nem sindicatos, nem associações patronais, nem Estados, nem organizações internacionais parecem capazes de enfrentar esses problemas. Mas «um Estado sem justiça não é Estado», lembra-nos Agostinho. A justiça exige que as instituições de cada Estado sirvam a todas as classes sociais e a todos os cidadãos, harmonizando suas diversas necessidades e interesses“.

Segundo o Pontífice, “os movimentos populares, junto com pessoas de boa vontade — cristãos, fiéis e governos — são urgentemente chamados a preencher esse vazio, iniciando processos de justiça e solidariedade que se espalhem por toda a sociedade“.

Os movimentos populares na Dilexi te

Citando sua Exortação Apostólica Dilexi te, ele lembrou que «vários movimentos populares, compostos por leigos e guiados por líderes populares, […] foram frequentemente vistos com desconfiança e até perseguidos».

“No entanto, as suas lutas em prol da terra, da moradia e do trabalho por um mundo melhor merecem encorajamento. Assim como a Igreja apoiou a formação de sindicatos no passado, hoje devemos acompanhar os movimentos populares. Isso significa apoiar a humanidade, caminhar juntos no respeito partilhado pela dignidade humana e no desejo comum de justiça, amor e paz.”

A Igreja apoia suas justas lutas por terra, teto e trabalho. Como meu predecessor Francisco, acredito que os caminhos certos partem de baixo e da periferia em direção ao centro. Suas várias iniciativas criativas podem ser transformadas em novas políticas públicas e direitos sociais. Sua busca é legítima e necessária”, concluiu.

Fonte: publicação do site vaticannews.va
Família Real Britânica se encontra com o Papa e reafirma a espiritualidade ecumênica e o compromisso com a criança. Abaixo o vídeo e a
Família Real Britânica se encontra com o Papa e reafirma a espiritualidade ecumênica e o compromisso com a criança. Abaixo o vídeo e a matéria publicada no site vaticannews.va
Um momento histórico foi vivido na manhã desta quinta-feira, 23 de outubro, no Vaticano. Os monarcas ingleses, em visita de Estado, participaram da celebração no Vaticano para louvar a Deus criador. Antes da oração, os membros da Família Real conversaram com o Pontífice e, em seguida, na Sala Regia, trocaram dois exemplares de orquídeas para expressar um compromisso comum com o cuidado da criação.

Os afrescos de Michelangelo, as cores intensas e a maravilha do Juízo Final com os dois dedos – o de Deus e o do homem – que quase se tocam. Uma imagem que representa bem o que acontece na Capela Sistina com a Igreja Católica e a Igreja da Inglaterra, membro da comunhão anglicana, que juntas rezam e louvam ao Senhor. Duas realidades expressas pela presença do Papa Leão XIV e do Rei Charles, próximos no diálogo e no caminho rumo à unidade. Um momento histórico para as duas Igrejas que não acontecia há 500 anos.

Os monarcas chegaram ao Vaticano às 10h50, do horário local italiano, e foram recebidos no Pátio São Damaso, conforme o protocolo para as visitas de Estado. Após a execução do hino inglês God Save the King pela banda musical do Corpo da Gendarmeria, com as guardas suíças em formação, o rei Charles III e a rainha Camilla, vestida de preto com véu, entraram no Palácio Apostólico. Primeiro a audiência privada do Papa com os monarcas e, posteriormente, alguns encontros paralelos: a rainha Camilla visitou a Capela Paulina, enquanto o rei Charles encontrou o cardeal Pietro Paroloin na Secretaria de Estado.

O compromisso comum pela criação

A oração ecumênica desta quinta-feira, 23 de outubro, em latim e inglês, começou às 12h20 do horário local italiano. É o selo das boas relações entre as partes, mas também a realização do desejo do monarca inglês, governador supremo da Igreja da Inglaterra, que pretendia dar à visita de Estado uma forte dimensão espiritual, especialmente durante o Jubileu da Esperança.

A visita, inicialmente programada para abril, mas cancelada devido à morte do Papa Francisco, pretendia também destacar o compromisso comum com a criação, partilhado pelo rei Charles e pelo Papa argentino, dez anos após a publicação da Laudato si’. Um tema que o Papa Leão XIV quis continuar e relançar.

Santo Ambrósio e São Newman

A natureza ecumênica da celebração se reflete imediatamente no hino que introduz a oração. O texto é de Santo Ambrósio de Milão, doutor da Igreja, cantado em uma tradução inglesa de São John Henry Newman, anglicano durante metade de sua vida e católico durante a outra metade. O teólogo inglês, que viveu no século XIX, será proclamado doutor da Igreja no próximo dia 1º de novembro pelo Papa. A canonização, em 13 de outubro de 2019, na Praça São Pedro, contou com a participação do próprio rei Charles.

O Papa Leão está ao lado do bispo mais antigo da Igreja da Inglaterra, o arcebispo de York Stephen Cottrell. Acompanhando os monarcas estava a moderadora da Assembleia Geral deste ano, a reverenda Rosemary Frew; o arcebispo de Westminster e presidente da Conferência Episcopal Católica da Inglaterra e País de Gales, o cardeal Vincent Nichols; e o arcebispo de St. Andrews e Edimburgo, Leo Cushley, representando o episcopado escocês.

Os coros e a liturgia

Outro sinal de comunhão é a presença das crianças do coro da Capela Real do Palácio de St. James, em Londres, e do coro da Capela de St. George do Castelo de Windsor, formado por adultos, convidados por Charles e Camilla, e do coro da Capela Musical Pontifícia Sistina. A celebração continua com o Salmo 8 e depois o Salmo 64, terminando com a leitura em inglês da Carta aos Romanos, que tem como tema fundamental a esperança. O fio condutor dos cânticos e da liturgia escolhida é o louvor à grandeza de Deus Criador.

Antes do encerramento da oração, foi executado o hino If ye love me, de Thomas Tallis, publicado em 1565, retirado de João 14, versículo 15, que diz: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos. E eu pedirei ao Pai, e Ele vos dará um outro Paráclito, para que permaneça sempre convosco”. Tallis foi cavalheiro da Capela Real, músico e compositor real por mais de 40 anos e compôs música tanto para a liturgia romana quanto para o Livro da Oração Comum inglês. O Papa e o arcebispo Cottrell rezam juntos uma oração a Deus Criador: “a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo, estejam conosco para sempre”.

No final, Leão XIV e o rei Charles saem juntos da Capela Sistina, caminhando como se continuassem a caminhar pela estrada do diálogo inter-religioso, apesar das diferenças.

Sustentabilidade ambiental

Passando para a Sala Regia, o Papa e o Rei Charles participam de um encontro sobre sustentabilidade ambiental, apresentado pela Irmã Alessandra Smerilli, secretária do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. Simbólico é o intercâmbio de dois exemplares idênticos de Cymbidium, da família das orquídeas, entre o Pontífice e o monarca. Essa troca expressa um compromisso comum com a proteção do meio ambiente e o cuidado da criação de Deus. Essa planta, em particular, é conhecida por sua força e resistência, e por sua capacidade de se adaptar e prosperar mesmo em condições difíceis. Um símbolo de esperança e determinação que expressa a responsabilidade comum de construir um futuro mais sustentável em harmonia com a casa comum.

À tarde, a Família Real Britânica estará na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, que, juntamente com a Abadia Beneditina anexa, tem uma forte ligação com a Coroa da Inglaterra. Devido aos laços históricos e aos progressos alcançados no caminho da reconciliação entre a Igreja de Roma e a Igreja da Inglaterra, o arcipreste da Basílica, cardeal James Michael Harvey, e o abade da comunidade monástica, dom Donato Ogliari, com a aprovação do Papa Leão XIV, conferirão o título de Royal Confrater de São Paulo a Sua Majestade, o Rei Charles III. Para a ocasião, foi criada uma cadeira com o brasão do Rei Charles e a frase latina Ut unum sint – “Que sejam um”, citação do capítulo 17 do Evangelho de São João.