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A inauguração da Torre de Jesus Cristo, na Basílica Sagrada Família em Barcelona, Espanha foi inaugurada hoje pelo Papa Leão XIV. Abaixo a cobertura
A inauguração da Torre de Jesus Cristo, na Basílica Sagrada Família em Barcelona, Espanha foi inaugurada hoje pelo Papa Leão XIV. Abaixo a cobertura feita pelo site vaticannews.va.
Na Basílica da Sagrada Família, “uma catequese eloquente feita de pedras, cores e luz”, o Papa enfatizou que “não podemos acreditar em Jesus e matar o inocente. Não podemos acreditar em Jesus e abandonar quem sofre, quem chora, quem foge da miséria”. “Recordemos nesta tarde que a Cruz de Cristo que coroa esta basílica”, afirmou o Pontífice, “é a Cruz dos últimos que se tornam os primeiros, dos pecadores que se tornam santos, dos mortos que ressuscitarão”.

O Papa Leão XIV presidiu a missa na Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, na tarde desta quarta-feira (10/06), onde inaugurou a Torre de Jesus Cristo. A celebração eucarística assinalou também o centenário da morte do arquiteto Antoni Gaudí.

A construção da Basílica da Sagrada Família começou em 1882, a partir do projeto do arquiteto diocesano Francisco de Paula del Villar (1828-1901), mas foi Gaudí quem, a partir de 1883, lhe traçou um novo destino. É um dos símbolos distintivos da identidade de Barcelona, ​​reconhecida mundialmente e visitada por milhões de pessoas.

A vida cristã é sempre um caminho

«Ó Senhor, nosso Deus, como é admirável o teu nome em toda a terra!» Com este versículo do Salmo 8 o Santo Padre iniciou sua homilia na Basílica da Sagrada Família que “acolhe-nos nesta bela cidade”, convidando-nos “a escutar a Palavra de Deus, que nos constitui numa família amada pelo Senhor, alimentada pela sua própria vida na Eucaristia”.

“Esta igreja é um edifício único, constituído por muitas pedras. Uma casa que cresce continuamente ao longo dos anos, seguindo um mesmo projeto. Todos nós somos as pedras vivas desta obra, que tem Cristo como fundamento e ápice, princípio e fim. Muito mais do que um monumento, a Basílica da Sagrada Família continua a ser hoje uma obra em construção, que nos lembra como a vida cristã é sempre um caminho, porque se trata de um projeto que é levado a cabo por Deus.”

“Não habitamos, portanto, uma obra inacabada, mas um templo ainda em construção. A sua imperfeição não é um defeito, pois testemunha um desejo; não significa uma falta, mas expressa uma promessa que queremos honrar com coerência. A nossa gratidão transforma-se, assim, em compromisso, ao mesmo tempo que cooperamos no projeto de Deus, ou seja, na edificação para a qual Ele mesmo nos chama. Uma vez que somos templo do Espírito Santo, esta obra coincide com a nossa vida, que Deus concebe como uma obra-prima que devemos realizar juntos e para a qual nos chama a colaborar com Ele“, disse ainda o Papa.

O Santo Padre disse que a Sagrada Escritura nos ensina que a vontade do Pai “cumpre-se através de Jesus”. Cristo “deseja para nós o bem definitivo, eterno”.

Não podemos acreditar em Jesus e abandonar quem sofre

“Perante a ameaça do mal, o Senhor está sempre conosco, sempre a nosso favor. “Eu sou”: este é o Santíssimo Nome que Deus revelou a Moisés na sarça ardente, revelando a sua fidelidade inabalável”, frisou o Papa Leão, acrescentando:

“Feito homem, Ele torna-se para nós o Emanuel, fonte de graça, perdão, salvação e vida nova. Queridos irmãos, não podemos acreditar em Jesus e promover a guerra. Não podemos acreditar em Jesus e matar o inocente. Não podemos acreditar em Jesus e abandonar quem sofre, quem chora, quem foge da miséria. Por isso, recordemos nesta tarde que a Cruz de Cristo que coroa esta basílica, é a Cruz dos últimos que se tornam os primeiros, dos pecadores que se tornam santos, dos mortos que ressuscitarão.”

“Ao admirar a torre de Jesus Cristo, elevamos o olhar para Ele, para Aquele que nos revela apenas a verdade de Deus e a verdade de nós mesmos. Olhando para Cristo, podemos ver o mundo com olhos renovados: a torre da cruz transforma-se então em estandarte da caridade, porque Deus nos ama assim, transformando um instrumento de morte num sinal de esperança. Na cruz de Jesus, a nossa fé atinge o seu ápice. Esta cruz brilha de dia, refletindo a luz do sol, e brilha de noite, iluminando a cidade como um farol aberto para o Mediterrâneo”, frisou o Papa.

Antoni Gaudí, arquiteto ardente de fé

Segundo Leão XIV, “a fé dá forma às pedras e sentido ao edifício que habitamos juntos. Na nossa oração, portanto, descobrimos o vínculo originário das coisas com Deus, criador do céu e da terra: Ele é o artista que imprimiu o seu esplendor no cosmos. Criado à sua imagem, o homem responde à obra de Deus com a sua própria criatividade: é assim que o artista converte o talento em louvor e a criatividade em testemunho do próprio Criador”.

“Como arquiteto ardente de fé, o venerável Antoni Gaudí concebeu estes espaços com o desejo de narrar os mistérios da vida do Senhor: assim, propôs uma peregrinação espiritual, que conduz ao encontro com Cristo nascido, morto e ressuscitado por nós. Esta tarde, com Gaudí, de quem recordamos o centenário da morte, lembramos e agradecemos todos os promotores e benfeitores, os artistas e trabalhadores que cooperam na construção de uma obra-prima de arquitetura, que é também uma catequese eloquente feita de pedras, cores e luz.”

Aprender com o Senhor a arte de viver o seu Evangelho

“Na sua sabedoria”, disse ainda o Papa, “a Igreja renova assim a Biblia pauperum das antigas catedrais, que são, em si mesmas, mensagens de evangelização de grande riqueza. Nesta era da imagem, é ainda mais evidente como a arte e a beleza são canais eminentes de evangelização“.

De acordo com Leão XIV, a beleza da Basílica da Sagrada Família “anima-nos a aprender cada vez mais com o nosso Mestre e Senhor a arte de viver segundo o seu Evangelho. Enquanto levantamos o olhar para Ele, o Crucificado Ressuscitado, comprometamo-nos a erguer o rosto daqueles que jazem no pó”.

O Papa concluiu, convidando a demonstrar “que a Sagrada Família é a igreja mais alta do mundo, não para se destacar em classificações mundanas, mas para guiar os passos do povo de Deus que peregrina na terra da Catalunha, com a cruz que ilumina o caminho, como uma lâmpada acesa na espera do regresso do Esposo”

Em visita à Espenha o Papa Leão XIV encontro o presidente, Pedro Sánchez, os padres Agostinianos, representantes da cultura, arte e economia em Madri

Em visita à Espenha o Papa Leão XIV encontro o presidente, Pedro Sánchez, os padres Agostinianos, representantes da cultura, arte e economia em Madri e continuará sua viagem passando por Barcelona e Iklhas Canárias nos próximos dias.

Ontem domingo, 07 de junho de 2026, o Papa presidiu a missa na Solenidade de Corpus Christi na Plaza de Cibeles, em Madri, diante de mais de 1,2 milhão de fiéis. Em sua homilia, o Pontífice recordou que a Eucaristia é a presença viva de Cristo no meio do seu povo e convidou os católicos a transformarem a fé em testemunho concreto de caridade e esperança.

Neste domingo, 7 de junho, segundo dia de sua quarta Viagem Apostólica, o Papa Leão XIV presidiu a celebração de Corpus Christi na Plaza de Cibeles, em Madri. Em alguns países, como a Espanha, a solenidade é transferida da tradicional quinta-feira para o domingo seguinte, permitindo uma participação mais ampla dos fiéis nas celebrações e procissões eucarísticas. Também na capital espanhola, os fiéis prepararam os tradicionais tapetes ornamentais que serviram de cenário para a procissão do Santíssimo Sacramento pelas ruas da cidade, uma tradição presente na história e na espiritualidade do país.

A presença viva de Cristo no meio do povo

Em sua homilia, com o olhar voltado para o tema da Eucaristia, Leão XIV recordou que Corpus Christi celebra o dom da presença viva de Cristo, que continua a alimentar o seu povo e a caminhar com ele ao longo da história. O Papa destacou que a solenidade não representa apenas uma expressão cultural ou folclórica, mas a manifestação da fé na presença real do Senhor.

“Não se trata de uma manifestação exterior, de uma sobrevivência folclórica ou de um simples adorno estético: trata-se aqui da fé na presença do Senhor Ressuscitado, que está vivo e continua a passar no meio de nós.” 

Corpus Christi além da tradição

Ao refletir sobre o significado da procissão eucarística, o Pontífice explicou que ela expressa a proximidade de Deus com a humanidade. Segundo ele, Cristo não permanece fechado nos templos, mas vai ao encontro das pessoas em suas realidades concretas:

“Jesus caminha pelas ruas, atravessa as praças, visita os nossos bairros, habita os lugares da nossa vida quotidiana. Ele é o Deus próximo que caminha com o seu povo.”

Leão XIV recordou ainda que a Igreja na Espanha associa há muitos anos a Solenidade de Corpus Christi ao Dia da Caridade, ressaltando que a adoração eucarística deve conduzir ao compromisso com os mais pobres, os doentes, os que sofrem e os que vivem situações de abandono.

A religião não é um museu do passado, mas uma escola de fé

Dirigindo-se especialmente à sociedade espanhola, o Santo Padre fez um apelo para que a rica herança religiosa do país continue sendo uma fonte viva para o presente e para o futuro:

“Não seja a religiosidade que anima este país há séculos um museu do passado para ser visitado, mas uma escola de fé da qual ainda hoje se pode beber.”

Segundo o Papa, essa escola de fé ensina a colocar Deus e o próximo no centro da vida, a viver a gratuidade do amor e a assumir responsabilidades diante dos desafios da sociedade, contribuindo para a construção do bem comum.

A Eucaristia como fonte de esperança

Na conclusão da homilia, Leão XIV convidou os fiéis a retornarem continuamente à fonte da Eucaristia para encontrar força, esperança e renovação espiritual. Inspirando-se em São João da Cruz, recordou que Cristo permanece presente mesmo nas noites mais escuras da existência, oferecendo uma luz que não se apaga:

“A graça eucarística transforma-nos, mas também nos converte em protagonistas da transformação da história e em sinal de esperança para aqueles que encontramos. Que o Senhor Jesus, presente na Eucaristia, faça de vocês pão partido, entregue e oferecido, para que uma vida plena possa brotar para vocês, para as suas famílias e para o seu país.” 

Após a celebração da Santa Missa, o Papa conduziu a tradicional procissão de Corpus Christi pelas ruas de Madri e concedeu a bênção eucarística aos milhares de fiéis reunidos no centro da capital espanhola.

Após a oração do Angelus, Leão XIV recordou que durante o mês maio, pela “corrente ininterrupta” do Rosário, a Igreja invocou a paz, confiando
Após a oração do Angelus, Leão XIV recordou que durante o mês maio, pela “corrente ininterrupta” do Rosário, a Igreja invocou a paz, confiando “os povos martirizados pela guerra” à intercessão de Maria. Rezou para que a Sabedoria divina ilumine a consciência das autoridades para a busca do fim dos conflitos.

No final da tarde de sábado, o Papa Leão XIV rezou na Gruta de Lourdes dos Jardins Vaticanos, pedindo a intercessão da Virgem Maria pelo dom da paz, que é um dom de Deus. Junto com ele nos Jardins Vaticanos, cerca de 20 mil fiéis, acompanhados por outros cem mil espalhados por mais de 200 santuários ao redor do mundo. que acompanhavam a oração pela TV.

Um dia depois, na Praça São Pedro, diante de 20 mil fiéis vindos de várias partes do mundo, o Pontífice voltou a insistir no tema da paz, com particular referência a quem detém autoridade:

Neste mês de maio, toda a Igreja elevou uma prece comum pela paz. Especialmente através da oração do Santo Rosário, como uma corrente ininterrupta, confiou à intercessão da Virgem Maria os povos martirizados pela guerra. Que a Sabedoria Divina ilumine a consciência de quem detém autoridade e oriente as decisões para a busca sincera de uma paz justa e duradoura.

“Dia do Alívio”: propaguem a proximidade e o cuidado

O Santo Padre recorda depois, que neste domingo a Itália celebra o 25º “Dia do Alívio”, intitulado este ano “Eu Cuido”.

Sinto-me próximo das pessoas doentes e de todos os que cuidam delas; agradeço e encorajo quem promove a cultura da proximidade e do cuidado.

Promovido pelo Ministério da Saúde, pela Conferência das Regiões e das Províncias Autônomas e pela Fundação Nacional “Gigi Ghirotti”, este Dia contará com iniciativas de informação e sensibilização destinadas a propagar a cultura do alívio do sofrimento físico e mental, com especial atenção aos cuidados paliativos, à gestão da dor, à humanização dos cuidados e à formação de voluntários para apoiar os doentes e as suas famílias.

Maria, Mãe da Justiça Social

Entre as diversas saudações, também aquela dirigida aos participantes da grande peregrinação ao Santuário de Piekary, na Polônia, onde Maria é venerada como Mãe da Justiça Social.

Este local de culto foi dedicado a Maria no século XVII. Segundo a tradição, a peregrinação dos jovens e homens se realiza em maio, com dezenas de milhares de participantes, enquanto a das jovens e mulheres ocorre no mês de agosto.

Fonte: publicação do site vaticannews.va
O Papa Leão XIV pede aos cristãos um dia de oração pela paz. Ao encerrar o mês de maio, o Papa convida para o
O Papa Leão XIV pede aos cristãos um dia de oração pela paz. Ao encerrar o mês de maio, o Papa convida para o Terço pelo Paz, recitação que será presidida pelo Pontífice na Gruta de Nossa Senhora de Lourdes no Vaticano. Para acompanhar leia abaixo a matéria divulgada no site vaticannews.va.
Todos os santuários do mundo estão convidados a se unirem ao Terço pela Paz do próximo sábado, 30 de maio, a partir da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, nos Jardins do Vaticano. O próprio Santuário da Bem-Aventurada Virgem do Rosário, em Fátima, Portugal, já aderiu à iniciativa que também será transmitida pelos telões da Praça São Pedro e pelos canais do Vatican News a partir das 19h do horário local, 14h no Horário de Brasília.

O Papa Leão XIV volta a convocar todos para rezar um Terço pela Paz no próximo sábado, 30 de maio, a partir da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, nos Jardins do Vaticano. O convite é feito após a Vigília de Oração celebrada na Basílica de São Pedro no último dia 11 de abril, quando o Pontífice uniu as forças morais do mundo que repudia a guerra para invocar a paz com a oração do terço, para romper “a cadeia demoníaca do mal” que até usa o Santo Nome de Deus em “discursos de morte”: “quem reza não mata nem ameaça com a morte”, disse naquela oportunidade o Papa, porque “virou as costas ao Deus vivo”, sacrificando valores e esperando que “o mundo inteiro se ajoelhe”. “Basta com a idolatria de si mesmo e do dinheiro!” e com “a loucura da guerra”, exortou Leão XIV, e que se cultive o cuidado da vida com a oração em “casas de paz”.

O Terço pela Paz no sábado, 30 de maio

Ao final do mês mariano, então, neste sábado, 30 de maio, o Pontífice irá presidir a recitação do terço a partir das 19h do horário local, 14h no Horário de Brasília. Para quem estiver em Roma, será possível participar presencialmente através de bilhetes gratuitos que poderão ser retirados, sem necessidade de reserva prévia, na Via della Conciliazione, n. 7, nos dias que antecedem a iniciativa, ou seja, nas datas de 28, 29 e 30 de maio, das 9h30 às 17h30, e até se esgotarem os ingressos. O acesso ao Estado da Cidade do Vaticano no dia da iniciativa será permitido após as verificações realizadas pelas forças de segurança, por isso, recomenda-se chegar com antecedência ao local. O trajeto até a Gruta de Lourdes será indicado por voluntários e, para quem tiver dificuldade de locomoção, haverá um serviço de transporte até o local de oração.

Na Praça São Pedro, como informam os organizadores da Seção para as Questões Fundamentais da Evangelização no Mundo do Dicastério para a Evangelização, os telões instalados irão transmitir o momento de oração para que mais fiéis possam se unir e invocar a paz no mundo. Os próprios canais do Vatican News irão disponibilizar o mesmo serviço, com transmissão ao vivo, direto da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, nos Jardins do Vaticano, com comentários em português.

Para a ocasião, todos os santuários do mundo estão convidados a se unir, através dos seus peregrinos e fiéis, em oração com o Pontífice. Já aderiram à iniciativa o próprio Santuário da Bem-Aventurada Virgem do Rosário, em Fátima, Portugal, assim como: o Santuário da Mãe de Deus de Zarvanytsia,  naUcrânia; o Santuário Internacional de Nossa Senhora da Paz e da Boa Viagem de Antipolo, nas Filipinas; o Santuário de Nossa Senhora Rainha da Paz de Medjugorje, na Bósnia e Herzegovina; o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes em Lourdes, na França; o Santuário de São Charbel Annaya de Byblos, no Líbano; e o Santuário Pontifício da Santa Casa na cidade de Loreto, na Itália. O Dicastério solicita que todos os santuários que participarão do Terço pela Paz, ao término da oração, respondam ao questionário disponível aqui: https://forms.gle/HdwajcHYeMNV99ui7.

Foi divulgada na manhã de hoje, 25 de maio de 2026, a primeira encíclica do Papa Leão XIV. Clique aqui para ler a encíclica
Foi divulgada na manhã de hoje, 25 de maio de 2026, a primeira encíclica do Papa Leão XIV. Clique aqui para ler a encíclica na íntegra. Abaixo a matéria divulgada no site vaticannews.va
No 135º aniversário da “Rerum novarum”, o Pontífice reflete, em sua primeira encíclica, “Magnifica humanitas”, sobre a Doutrina Social da Igreja na era da inteligência artificial. O apelo para preservar “uma magnífica humanidade habitada por Deus”, promovendo a verdade, a dignidade do trabalho, a justiça social e a paz. Na era digital, é preciso desarmar a IA e superar a teoria da “guerra justa”, relançando o diálogo e o multilateralismo.

“A magnífica humanidade criada por Deus encontra-se hoje diante de uma escolha decisiva: erguer uma nova torre de Babel ou construir a cidade onde Deus e a humanidade habitam juntos”. O incipit da primeira encíclica de Leão XIV – Magnifica humanitas, “sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial” – resume suas razões fundamentais e seu objetivo. Publicada hoje, segunda-feira, 25 de maio, foi assinada pelo Pontífice no último dia 15 de maio, no 135º aniversário da promulgação da Rerum novarum de Leão XIII. E de seu predecessor, o Papa Prevost recolheu a herança, escrevendo uma encíclica social que aborda um dos principais desafios da época contemporânea: a inteligência artificial. Dividida em cinco capítulos, Magnifica humanitas parte de um pressuposto: a tecnologia não é uma “força antagônica em relação à pessoa” (4), nem “um mal em si mesma” (9). No entanto, ela “não é neutra, pois assume o rosto daqueles que a concebem, a financiam, a regulam e a utilizam”. Daí, o apelo do Pontífice para “construir o bem” e “permanecer humanos”, seguindo a lógica da corresponsabilidade corajosa e da comunhão.

A Doutrina Social da Igreja

O primeiro capítulo – Um pensamento dinâmico fiel ao Evangelho – repercorre a Doutrina Social da Igreja (DSI) no magistério recente e no Concílio Vaticano II, destacando “o seu caráter dinâmico” (17). Longe de ser “um manual de princípios e normas a serem aplicados”, a DSI é antes uma “teologia da comunhão na história” (27) que orienta a leitura dos acontecimentos à luz do Evangelho. No segundo capítulo, Leão XIV enumera os Fundamentos e princípios da Doutrina Social da Igreja: entre os primeiros, inclui a dignidade da pessoa, criada à imagem e semelhança de Deus; a inviolabilidade dos direitos humanos, entre os quais o direito à vida “desde a concepção até ao seu fim natural”; o reconhecimento dos direitos das minorias, com especial atenção às mulheres, para que sejam verdadeiramente ouvidas e valorizadas (57).

Quanto aos princípios da DSC, Leão XIV aponta cinco: o primeiro é o bem comum, “forma social da dignidade reconhecida a cada um” (59). Em um ponto, o Papa é particularmente firme: “A promoção do bem comum nunca pode ser separada do respeito ao direito dos povos de existir, de preservar sua identidade e de contribuir com sua originalidade para a família das nações”. Consequentemente, “qualquer tentativa ou projeto de eliminar ou subjugar uma nação é gravemente imoral e, portanto, inaceitável” (64).

A tecnologia não deve estar nas mãos de poucos

O segundo princípio diz respeito à destinação universal dos bens: aí e em outros pontos da encíclica, Leão XIV insiste na necessidade de que as tecnologias não se concentrem nas mãos de poucos, alimentando a disparidade entre os incluídos e os excluídos da revolução digital (67). Daí decorrem o terceiro e o quarto princípios, a saber, a subsidiariedade (68) – que exige a superação do paternalismo e do assistencialismo em favor da corresponsabilidade – e a solidariedade (73), “princípio e virtude” que se opõe à indiferença.

A justiça social

O quinto princípio da DSC é a justiça social: na era digital, ela deve garantir a todos um acesso equitativo às oportunidades, proteger os mais vulneráveis, combater o ódio e a desinformação e submeter o uso das tecnologias ao controle público. Leão XIV aponta os migrantes como um “teste decisivo” nesse campo: a maneira como a sociedade os trata demonstra “se a ideia de justiça é guiada pelo medo ou pela fraternidade”. Daí, o apelo tanto para salvaguardar “o direito à esperança” daqueles que são forçados a partir, garantindo-lhes vias seguras e legais, acolhimento digno e integração; quanto para promover “o direito de permanecer” de cada um em sua terra, em paz e segurança, enfrentando “as causas profundas” das migrações (81). O Pontífice entende que os cinco princípios acima mencionados se dirigem também à Igreja, chamada a “um exame de consciência”, a ouvir as “vítimas de abusos espirituais, econômicos, institucionais, sexuais, de poder e de consciência”, pois isso “é parte integrante de um caminho de justiça, que compreende o reconhecimento do dano, a reparação justa e a prevenção” (89).

Um código ético para a IA

O terceiro capítulo – Técnica e domínio. A grandeza da pessoa humana diante das promessas da IA – ressalta que é preciso abordar a IA com cautela, mantendo clareza sobre as responsabilidades em todas as suas etapas (accountability) e apostando em políticas e marcos jurídicos adequados, vigilância independente e educação dos usuários. Acima de tudo, é necessário um código ético submetido a critérios de justiça social compartilhada, pois “não serve uma IA mais moral se essa moral for decidida por poucos” (107). Sem deixar de lado o impacto ambiental das novas tecnologias, que exigem grandes quantidades de energia e água, afetando a Criação (101).

Desarmar a IA

É preciso “desarmar a IA” – prossegue Leão XIV – para subtraí-la à lógica da competição militar, econômica e cognitiva; para romper a equivalência entre poder técnico e direito de governar; para subtraí-la aos monopólios e impedir que domine o humano. Amplo espaço é dedicado à crítica do transumanismo e do pós-humanismo, que interpretam o progresso como a superação dos limites do humano. Em vez disso, o limite não é um defeito a ser eliminado, mas uma dimensão constitutiva da pessoa, pois é na fragilidade e na finitude que amadurecem a relação e a abertura a Deus e ao outro. Fazer a tecnologia crescer eliminando os limites do humano significa, portanto, fazer o coração regredir. Magnífica e, ainda assim, ferida, a humanidade “não deve ser substituída nem superada”. A tecnologia pode aliviar seus sofrimentos e abrir-lhe novas possibilidades, mas não deve negá-la naquilo que lhe é próprio: “a capacidade de relação e de amor” (126). Diante da IA, a verdadeira alternativa não está entre o entusiasmo e o medo, mas entre duas formas de construir o progresso: a serviço da pessoa e dos povos ou das lógicas do poder (129).

Uma ecologia da comunicação

No quarto capítulo – Preservar o humano na transformação. Verdade, trabalho, liberdade –, a encíclica defende uma “ecologia da comunicação” baseada na verdade. O Papa pede transparência nos critérios de seleção de conteúdos, proteção dos dados pessoais, um jornalismo sério fundamentado na argumentação e na verificação, uma nova consciência no uso “correto e crítico” da IA e a integração dos conhecimentos. Uma comunicação transparente e leal é exigida também da Igreja, sobretudo nos casos de injustiças e abusos. É fundamental também o apelo a uma aliança educativa renovada, para que nos jovens não se apague “o desejo de fazer perguntas” por causa de máquinas perfeitas que fazem parecer inútil o pensamento humano (140). Leão XIV pede ainda que se aposte na escola como lugar onde se aprende a “buscar e amar a verdade” (147).

A dignidade do trabalho

Na “quarta revolução industrial” representada pela transição digital, o Pontífice ressalta então a importância de proteger a dignidade do trabalho, projetando sistemas centrados na pessoa e não apenas no desempenho. A tecnologia pode certamente aliviar o homem de tarefas pesadas ou repetitivas, mas não deve levar ao desemprego em nome da redução de custos e do aumento do lucro. Nesse sentido, espera-se também uma renovação das organizações sindicais.

Paz e desenvolvimento

O Pontífice destaca, em seguida, a necessidade de superar o PIB como parâmetro do grau de desenvolvimento de um país, apostando, em vez disso, na dignidade do trabalho, na prosperidade compartilhada, na redução das desigualdades e na preservação do meio ambiente. A finança pela finança é, de fato, diferente da finança para o desenvolvimento (159-160). E, seguindo os passos de São Paulo VI, destaca-se a interdependência entre paz e desenvolvimento, almejando uma cooperação internacional capaz de definir estratégias comuns, sobretudo em favor dos países e dos grupos mais vulneráveis, pois a prosperidade contribui para a paz “somente se for difundida, inclusiva e sustentável” (163). É forte, ainda, a referência à família, fundada na união estável entre um homem e uma mulher: ela é “bem social primário”, “célula fundamental e insubstituível de toda organização comunitária” (165), que deve ser apoiada também por meio de políticas do trabalho em favor da estabilidade e de ritmos humanos, para assim proteger a capacidade social de “construir o futuro”.

A “arquitetura da visibilidade”

Por fim, a questão da liberdade humana: numa época em que as plataformas digitais são projetadas para capturar o tempo dos usuários e explorar suas fragilidades, é preciso fortalecer a liberdade interior de cada um, enfrentando também o risco do controle social decorrente da coleta massiva de dados e do uso de sistemas algorítmicos. Perfilar, prever e orientar comportamentos, de fato, é “um novo poder” (171) que corre o risco de discriminar os mais fracos. O Papa deplora, em particular, a “arquitetura da visibilidade” que amplifica apenas o que é visível, moldando as opiniões.

Novas formas de escravidão e novo colonialismo

A IA também gera novas formas de escravidão, como a dos “corpos marcados, mutilados, consumidos” (173) daqueles que trabalham na extração das “terras raras” necessárias à tecnologia. Portanto, a luta contra as novas formas de escravidão é outro “teste decisivo para o discernimento ético” da transformação digital. Leão XIV ressalta que “a Igreja renova sua firme condenação contra toda forma de escravidão, tráfico e mercantilização de pessoas”. Ao mesmo tempo, o Papa pede “sinceramente perdão” pelo atraso com que a Igreja, no passado, condenou “o flagelo da escravidão” (174-176). A encíclica também faz referência às “novas terras raras do poder”, ou seja, as informações vitais – por exemplo, sobre saúde e demografia – utilizadas para orientar estratégias econômicas: trata-se de uma face inédita do colonialismo que transforma vidas pessoais em informações exploráveis, tornando o ambiente digital um “espaço de predação” (178-179).

Superar a teoria da “guerra justa”

No quinto capítulo — A cultura do poder e a civilização do amor —, Leão XIV volta seu olhar para a guerra: “A revolução digital está modificando a gramática dos conflitos” e, sem uma abordagem ética, as decisões sobre a vida e a morte das pessoas serão cada vez mais impessoais, com o recurso à força considerado uma “opção imediata e viável” (182-183). Na base de tudo está uma “cultura do poder” que normaliza a guerra e a reabilita como “instrumento de política internacional”, favorecendo o rearmamento. Sobre a opinião pública pesam hoje também as narrativas midiáticas polarizadoras, bem como “uma preocupante perda de memória histórica” que priva de uma visão de longo prazo (191). Consequentemente, hoje a paz não é mais entendida como uma tarefa a ser assumida, mas como um intervalo entre os conflitos. Por isso, Leão XIV reitera que – sem prejuízo do direito à legítima defesa no sentido mais estrito – é preciso superar a teoria da “guerra justa”, promovendo, em vez disso, o diálogo, a diplomacia e o perdão (192).

Nenhum algoritmo torna a guerra moralmente aceitável

O Papa Prevost não deixa de deplorar o crescimento da indústria bélica, a corrida aos armamentos nucleares e o surgimento de novos atores armados – entre os quais os jihadistas – que visam perpetuar os conflitos como fonte de poder e de renda. É clara, ainda, a advertência contra o uso de armas ligadas à IA, pois “não existe algoritmo que possa tornar a guerra moralmente aceitável”. São necessárias restrições éticas rigorosas, compartilhadas internacionalmente, baseadas na responsabilidade pessoal e na proteção dos civis, pois “toda tecnologia que facilita atacar sem ver o rosto do outro abaixa o limiar moral do conflito” (199).

A crise do multilateralismo

A cultura do poder decorre também da crise do multilateralismo e do surgimento de um “multipolarismo desordenado e conflituoso” (201). A força do direito é substituída pelo direito do mais forte; as lógicas do poder prevalecem sobre a construção da paz e as instituições criadas para zelar pelo destino comum dos povos estão agora enfraquecidas. A esse respeito, o Papa deseja para a ONU “reformas profundas” que superem a atual crise de valores em favor do bem comum (226).

A civilização do amor

O cristão é chamado a responder à cultura do poder construindo “a civilização do amor” e escolhendo entre alimentar a lógica da força ou zelar pela paz. O Papa aponta cinco “caminhos de responsabilidade”: desarmar as palavras dizendo a verdade; construir a paz na justiça; assumir o olhar das vítimas tomando posição, pois há conflitos em que “não é justo permanecer neutro”; cultivar “um saudável realismo” que busque caminhos de paz viáveis com os fatos, não apenas com palavras. Por fim, relançar o diálogo, passando de uma cultura do poder para uma cultura da negociação. É decisivo também “o diálogo entre as religiões”, portador de uma mensagem de paz: “Quem usa o nome de Deus para legitimar o terrorismo, a violência ou a guerra trai o seu rosto” é a advertência de Leão XIV (223).

A magnífica humanidade

Ao concluir a carta, o Pontífice convida os fiéis a viver as novas tecnologias à luz do Evangelho, seguindo “um itinerário de vida cristã sóbrio e exigente”. Para que, mesmo na era da IA, todos possam testemunhar “a beleza de uma magnífica humanidade habitada por Deus”.

A primeira carta encíclica do Papa Leão XIV já tem data para ser publicada. Com o título “Magnifica humanitas“, o documento trata da proteção

A primeira carta encíclica do Papa Leão XIV já tem data para ser publicada. Com o título “Magnifica humanitas“, o documento trata da proteção da pessoa humana na era da inteligência artificial”. O texto que já foi assinado pelo Papa, o texto será publicado e apresentado na próxima segunda-feira, 25 de maio, em evento no Salão Novo do Sínodo.

O Papa Leão XIV escolheu para a assinatura da nova encíclica a data do aniversário de 135 anos da promulgação da encíclica Rerum Novarum, do Papa Leão XIII, em 15 de maio. O documento do final do Século XIX tratou da condição dos operários no contexto dos conflitos e inovações da Revolução Industrial.

A apresentação da encíclica será num evento, programado para o próximo dia 25, às 11h30, no São Sinodal, com a presença do Papa Leão XIV. Durante a programação, serão oradores os cardeais Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, e Michael Czerny, prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.

O evento contará com falas de acadêmicos: a professora Anna Rowlands, teóloga e professora da Durham University, no Reino Unido; Christopher Olah, cofundador da Anthropic (EUA) e responsável pela pesquisa sobre a interpretabilidade da inteligência artificial; a professora Leocadie Lushombo i.t., docente de teologia política e pensamento social católico na Jesuit School of Theology de Santa Clara, Califórnia.

A conclusão da apresentação estará a cargo do cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin. Em seguida, haverá um discurso e uma bênção do Papa Leão XIV.

A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos que iniciou dia 17 e termina dia 24 de maio de 2026, está acontecendo na Grande

A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos que iniciou dia 17 e termina dia 24 de maio de 2026, está acontecendo na Grande Vitória. Cariacica, Vila Velha e Vitória sediam os eventos de oração, oportunizando a participação de todos.

Nos próximos dias mais duas celebrações acontecem, dia 21 na paróquia São José em Maruípe às 19h30 e no dia 23 na Igreja Presbiteriana em Vila Velha às 18h.

A Semana de Oração acontece todos os anos entre as Solenidades da Ascensão e Pentecostes: “Entre as Solenidades da Ascensão do Senhor e de Pentecostes, será celebrada a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC), um dos momentos mais significativos do ano para a dimensão Ecumênica da Igreja. As celebrações terão como inspiração bíblica o versículo 4 do quarto capítulo da carta de São Paulo aos Efésios: “Vocês formam um só corpo e um só espírito, do mesmo modo que a esperança para a qual foram chamados é uma só” (Ef 4, 4), diz o texto publicado pela CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Ontem, 19 de maio a Celebração aconteceu no Albergue Martim Lutero em Tabuazeiro, Vitória. Pe. Kelder Brandão, vigário episcopal para a ação social, política e ecumênica, proferiu a homilia. Confira:

Semana de Oração pela Unidade Cristã 2026

“Em toda humildade e mansidão, com paciência, suportai-vos uns aos outros no amor” (Ef 4,2).

Nessa noite, conduzidos e orientados pela Ação Diaconal Ecumênica da Grande Maruípe, reunimo-nos neste lugar de acolhimento e cuidado com a vida, que é o Albergue Martim Lutero, para elevar ao nosso bondoso Deus, fonte da vida e da salvação que recebemos em Cristo, uma prece pela unidade cristã, pela nossa unidade.

A divisão interna e externa das igrejas cristãs é um escândalo, um pecado que fere o coração de Deus e contraria a doutrina que recebemos dos apóstolos e que temos a obrigação de proteger, praticar e transmitir às próximas gerações.

A fé cristã é testemunhal; tem uma dimensão pessoal e outra comunitária. Essas dimensões da fé que professamos devem orientar nosso testemunho, inseridos na realidade, relacionando-nos com a pluralidade e a multiplicidade da vida que povoa o mundo.

Tanto a unidade quanto a diversidade são dons de Deus para a humanidade, para as Igrejas e, especialmente, para cada um de nós. Deus é Uno e Trino: um ser de comunhão e relação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, de onde emana a vida, unido e movido pelo amor. E nós fomos feitos à sua imagem e semelhança. Somos um, mas somos diversos, e necessitamos uns dos outros para existirmos.

A fé cristã é única e diversa. Estamos espalhados pelo mundo inteiro. Relacionamo-nos com Deus de maneiras diferentes, mas formamos um só corpo, o Corpo de Cristo. A cada ano, durante a Semana de Oração pela Unidade Cristã, temos a oportunidade de celebrar a nossa unidade na diversidade, como estamos fazendo hoje, ao nos reunirmos neste espaço de acolhimento e cuidado que, ao longo dos anos, tem sido uma extensão de nossas igrejas, desenvolvendo inúmeras atividades ecumênicas, pastorais e celebrativas.

Todos os que estamos aqui devemos nos sentir parte e responsáveis pelo Albergue Martim Lutero. Esse espaço tem sido um sinal visível do testemunho cristão que todos nós devemos dar.

Ao longo de décadas, esta casa, que é uma casa samaritana, acolhe milhares de pessoas que se deslocam do interior para se tratar contra o câncer em Vitória, independentemente da religião ou da fé que professam. Ela é fruto da consciência dos membros de uma Igreja cristã que não ficaram indiferentes diante das dificuldades e sofrimentos que muitas pessoas enfrentam nas comunidades do interior.

Um dos grandes pecados, ou males, que a humanidade enfrenta é a indiferença diante do sofrimento e da necessidade do outro. A indiferença nos desumaniza, naturaliza o sofrimento alheio e permite que o mal floresça ao nosso redor e dentro de nós, como o câncer que vai se enraizando nos órgãos até acabar com qualquer possibilidade de vida no corpo.

Conforme acabamos de ouvir no Evangelho, na parábola do samaritano que sente compaixão pelo homem caído à beira do caminho, Jesus ensina que ninguém deve ser indiferente ao sofrimento alheio.

Ele contou essa parábola para responder a um doutor da lei que, para testá-lo, perguntou o que devia fazer para ganhar a vida eterna. O legista sabia a resposta para a pergunta que fez, mas queria uma justificativa para continuar vivendo uma fé intimista, individualista, legalista, moralista, preconceituosa, excludente e desumana, que impunha às pessoas simples e empobrecidas fardos impossíveis de serem carregados, afastando-as de Deus. Uma fé que não tem nenhum comprometimento com a vida e a dignidade das pessoas, que trai os fundamentos do Evangelho e os princípios fundantes da tradição cristã, transmitidos pelos pais e mães da nossa fé.

Nós somos testemunhas de que muitos grupos religiosos, dentro e fora de nossas igrejas, têm se insurgido para retomar esse tipo de vivência, causando discórdias e divisões, vinculados a projetos políticos e ideológicos de dominação e poder, que negam os direitos dos mais vulnerabilizados, excluídos e minoritários socialmente.

Ao longo dos anos, vimos o ressurgimento das execuções sumárias em nosso meio. Centenas de jovens foram executados por agentes de segurança sob o pretexto de combate ao tráfico de drogas e de armas. Essa matança é sempre justificada e acompanhada pelos índices estatísticos de redução de homicídios no Estado. Mas eles nunca falam do aumento do número de pessoas mortas em conflito com a polícia e tampouco falam do número de pessoas desaparecidas.

Por que omitem essas informações? Somente no ano passado foi comunicado o desaparecimento de quase duas mil e quinhentas pessoas. E aquelas pessoas que não tinham ninguém para fazer esse comunicado? Para onde foram? Qual é o seu paradeiro?

Agora, estamos acompanhando a matança em série de pessoas em situação de rua. Homens com treinamento tático, armados, que prendem, torturam e matam pessoas em situação de rua, de noite ou de dia, ou membros do sistema prisional em regime semiaberto ou em liberdade provisória. Segundo a imprensa, de 2021 a março de 2026, foram assassinadas mais de 300 pessoas ligadas ao sistema prisional.

Isso significa que o crime organizado se manteve presente nas instituições políticas capixabas e, agora, sente-se muito confortável para agir em plena luz do dia, porque sabe que tem proteção institucional e o apoio de parte significativa da sociedade para atuar, inclusive de muitos que se dizem cristãos.

Qual será a resposta de nossas Igrejas a essa situação? Ficaremos indiferentes, fingindo que não estamos vendo, como fizeram o levita e o sacerdote da parábola que Jesus contou, ou denunciaremos, como foi feito no final da década de 1990, quando os membros do CONIC atuaram com firmeza, denunciando e enfrentando a obscenidade das relações promíscuas do crime organizado com as instituições políticas e os poderes capixabas?

A compaixão e o amor são o remédio contra o mal da indiferença. Como ouvimos do profeta Zacarias, devemos praticar o amor e a misericórdia com o nosso irmão, independentemente de quem ele seja. Não podemos ser coniventes com a opressão das minorias sociais, que, na época do profeta, eram a viúva, o órfão, o estrangeiro e o pobre. Não podemos tramar o mal contra ninguém em nosso coração, nem mesmo contra aqueles que nos odeiam e nos perseguem.

Pelo contrário, nós, cristãos, devemos, com toda humildade, mansidão e paciência, suportar-nos uns aos outros no amor e, assim, suportar toda a humanidade, como Deus nos suporta, para que o nosso testemunho seja autêntico e fiel a Jesus Cristo.

Que a Semana de Oração pela Unidade Cristã deste ano nos torne mais humanos e conscientes de nossa missão no mundo.

A Semana de Oração pela Unidade que acontece de 17 a 24 de maio de 2026, já tem agenda na Arquidiocese de Vitória. Veja

A Semana de Oração pela Unidade que acontece de 17 a 24 de maio de 2026, já tem agenda na Arquidiocese de Vitória. Veja abaixo os locais e participe.

A CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, divulgou informações sobre a data. Confira:

Entre as Solenidades da Ascensão do Senhor e de Pentecostes, será celebrada a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC), um dos momentos mais significativos do ano para a dimensão Ecumênica da Igreja. As celebrações terão como inspiração bíblica o versículo 4 do quarto capítulo da carta de São Paulo aos Efésios: “Vocês formam um só corpo e um só espírito, do mesmo modo que a esperança para a qual foram chamados é uma só” (Ef 4, 4). 

As orações e reflexões para a semana foram preparadas por um grupo ecumênico coordenado pelo Departamento de Relações Inter-religiosas da Igreja Apostólica Armênia. Como de costume, uma equipe internacional nomeada conjuntamente pelo Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos e pela Comissão de Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas colaborou com os editores para finalizar os materiais em uma reunião realizada de 13 a 18 de outubro de 2024, na Santa Sé em Etchmiadzin, Armênia. 

O material inclui uma introdução ao tema, um esboço para a celebração ecumênica e uma seleção de breves leituras e orações para cada dia da semana. Este conteúdo pode ser utilizado de diversas maneiras e destina-se a ser usado não apenas durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, mas também ao longo de todo o ano de 2026. 

“Através das suas práticas e ensinamentos, a Igreja Apostólica Arménia oferece-nos uma reflexão profunda sobre a essência da unidade dentro do Corpo universal de Cristo, não apenas como um conceito, mas como uma realidade viva e pulsante”, afirmam os editores do material oferecido a toda a Igreja e disponível em português aqui.  

Inspiração bíblica 

Na introdução ao tema contida no material preparado para a celebração da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, é aprofundado o versículo da Carta aos Efésios sobre a unidade da Igreja.  

“Efésios 4:4 resume os ensinamentos de Paulo sobre a unidade, enfatizando, também aqui, que os seguidores de Cristo representam ‘um só corpo e um só Espírito’, unidos numa única esperança”.  

O conceito de ‘um só corpo’ na iluminação bíblica, também reflete a natureza da Igreja, uma vez que “o cristianismo transcende as fronteiras culturais e nacionais, unindo os crentes em todo o mundo na fé e na esperança”. 

A ideia de “um só Espírito” refere-se ao Espírito Santo “que sustenta esta comunhão e capacita a Igreja a cumprir a sua missão”. 

A única esperança diz respeito à salvação e à vida eterna: “Esse é o objetivo final e a motivação para a vida cristã, proporcionando uma visão comum e propósito para todos os crentes e unindo-os na sua jornada de fé e na sua vida quotidiana. Esta visão partilhada ultrapassa as divisões confessionais e culturais, encorajando os cristãos a trabalharem juntos de todas as formas possíveis”.