Notícias da Igreja

o Papa Francisco, ao final da Audiência Geral, anunciou a canonização dos dois jovens leigos em 2025: Acutis no Jubileu das Crianças e dos
o Papa Francisco, ao final da Audiência Geral, anunciou a canonização dos dois jovens leigos em 2025: Acutis no Jubileu das Crianças e dos Adolescentes, Frassati no Jubileu dos Jovens. O Pontífice também divulgou que, em 3 de fevereiro, será realizado no Vaticano um Encontro Mundial dos Direitos das Crianças: “uma oportunidade para identificar novas maneiras de ajudar, proteger milhões de menores explorados, abusados e que sofrem as consequências dramáticas das guerras”.

millennial e o estudante, ambos serão santos durante o Jubileu. Carlo Acutis e Pier Giorgio Frassati, modelos e pontos de referência para a fé de milhares de jovens em todo o mundo, serão canonizados no próximo ano: Acutis no Jubileu dos Adolescentes, que será realizado de 25 a 27 de abril; Frassati no Jubileu dos Jovens, de 28 de julho a 3 de agosto.

O Papa anunciou a novidade na manhã desta quarta-feira (20/11) ao final da Audiência Geral, provocando aplausos na Praça de São Pedro, repleta de milhares de fiéis abrigados sob guarda-chuvas. Entre eles, também algumas crianças do comitê organizador de um grande evento que será promovido no Vaticano em 3 de fevereiro: o Encontro Mundial sobre os Direitos das Crianças, intitulado “Vamos amá-las e protegê-las”, que contará com a participação de especialistas e personalidades de diferentes países. A iniciativa também foi anunciada por Francisco no final da audiência deste 20 de novembro, Dia Universal dos Direitos da Criança instituído pela ONU. Outra notícia, fora do programa, que também foi recebida com forte aplauso e por um convite do Papa para um grupo de crianças se juntar a ele para cumprimentos e fotos. Francisco acrescentou:

Será uma oportunidade para encontrar novas maneiras para ajudar, proteger milhões de crianças que ainda não têm direitos, que vivem em condições precárias, são exploradas e abusadas e sofrem as consequências dramáticas das guerras.

Um evento no Vaticano pelos direitos das crianças

“Há um grupo de crianças que está preparando esse dia. Obrigado a todos vocês que estão fazendo isso!”, disse o Papa, apontando para o pequeno grupo de meninos e meninas usando bonés amarelos e carregando o cartaz ‘Ruoti per la Pace’, acompanhados pelo Padre Enzo Fortunato e Aldo Cagnoli, ambos organizadores da famosa JMC, a primeira Jornada Mundial das Crianças realizada em maio no Estádio Olímpico de Roma.

Imediatamente após as palavras do Papa, uma menina correu primeiro em direção aos degraus da Basílica: “e vocês podem ver que há uma corajosa…”, sorriu Francisco. “Agora vêm todos!”, exclamou ela ao ver todo o grupo correndo em direção a ele para agradecê-lo, em nome de todas as crianças, pela importante iniciativa que, além da JMC, de alguma forma dá continuidade ao compromisso da Cúpula de 2019 sobre a Proteção de Menores no Vaticano.

As canonizações

O pequeno Francisco (“Você se chama como eu!”, exclamou o Papa) e todos os outros apertaram a mão do Pontífice e tiraram uma foto juntos. Logo depois, Jorge Mario Bergoglio, ainda pensando nos pequenos, fez o anúncio das duas canonizações:

“Quero dizer que no próximo ano, no Jubileu dos Adolescentes, canonizarei o Beato Carlo Acutis e, no Jubileu dos Jovens, no próximo ano, canonizarei o Beato Pier Giorgio Frassati.”

Dois “jovens” santos

Em 23 de maio, o Papa Francisco aprovou o decreto para a canonização de Carlo Acutis, o jovem leigo apaixonado pela Eucaristia e pela tecnologia da informação, descrito por muitos como “um influencer da santidade”. No Consistório ordinário de 1º de julho, ele havia anunciado que seria elevado às honras dos altares “em uma data a ser determinada”. O bispo de Assis, Domenico Sorrentino, havia antecipado nos últimos meses que a Providência, disse o bispo, “queria que a proclamação de sua santidade, a ’canonização’, ocorresse no ano jubilar que começará dentro de alguns meses”.

Frassati, um jovem estudante de Turim, terciário dominicano e membro dos Vicentinos, da Fuci e da Ação Católica, é um dos beatos mais conhecidos entre as novas gerações de católicos, considerado um dos santos “sociais” da Itália. Membro de uma família rica, dedicado à oração e aos frágeis, era também um bom esportista: “um alpinista… sagaz”, chamou-o João Paulo II, que quis beatificar esse “menino das oito Bem-aventuranças” em 1990. Agora, outro Pontífice, de origem piemontesa, o eleva às honras dos altares em um ano dedicado a recuperar a esperança. Aquela que tanto Acutis quanto Frassati pregaram, não com palavras, mas com suas vidas.

O Rio de Janeiro é a capital do G20 entre os dias 18 e 19 de novembro. A cidade brasileira inclusive decretou feriado nesta

O Rio de Janeiro é a capital do G20 entre os dias 18 e 19 de novembro. A cidade brasileira inclusive decretou feriado nesta segunda e terça-feira para a cúpula dos chefes de Estado e de Governo das maiores economias do mundo, evento que também ganhou um esquema de segurança reforçado com soldados das Forças Armadas, sob responsabilidade do Centro de Coordenação de Operações do Comando Militar do Leste, que já estão atuando na proteção das instalações e na escolta das delegações. Como a do próprio secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, que irá representar o Papa Francisco, a convite da Presidência do Brasil. A comitiva que o espera no Rio de Janeiro é formada, inclusive, pelo arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta:

“O cardeal Parolin está chegando nesta manhã no Rio de Janeiro para participar, em nome do Santo Padre, do G20. Traz um pouco as preocupações do Papa em relação à pobreza, em relação à fome e, ao mesmo tempo, traz a Igreja que continua trabalhando nessa direção. Para nós, do Rio de Janeiro, é uma oportunidade de receber o cardeal Parolin, secretário de Estado de Sua Santidade, assim como também o núncio apostólico que se encontra aqui para recebê-lo. Ao mesmo tempo, todo o Rio de Janeiro preparado para receber as autoridades mundiais para discutir assuntos importantes que, pedimos a Deus, para que ilumine todos os estadistas para que possam encontrar caminhos de paz e de fraternidade.”

Antes de chegar ao Rio de Janeiro, o cardeal Parolin também representou o Papa Francisco na COP29 de Baku, no Azerbaijão. O secretário de Estado levou um apelo do Pontífice à Cúpula sobre o Clima para a implementação de “uma nova arquitetura financeira internacional”, em que “as nações ricas reconheçam a gravidade de tantas decisões passadas e perdoem as dívidas dos países pobres”, porque, “mais do que generosidade, é uma questão de justiça”.

Mensagem do Papa Francisco à Cúpula do G20

A Sua Excelência Luiz Inácio Lula da Silva,
Presidente da República Federativa do Brasil

Gostaria de lhe parabenizar por seu papel na presidência do Grupo dos 20 (G20), que representa as maiores economias do mundo. Também estendo calorosas saudações a todos os presentes nesta Cúpula do G20 no Rio de Janeiro. Espero sinceramente que as discussões e os resultados deste evento contribuam para o avanço de um mundo melhor e um futuro próspero para as gerações vindouras.

Como escrevi em minha Carta Encíclica Fratelli Tutti, “a política mundial não pode deixar de colocar entre seus objetivos principais e irrenunciáveis o de eliminar efetivamente a fome. Com efeito, «quando a especulação financeira condiciona o preço dos alimentos, tratando-os como uma mercadoria qualquer, milhões de pessoas sofrem e morrem de fome. Por outro lado, descartam-se toneladas de alimentos. Isto constitui um verdadeiro escândalo. A fome é criminosa, a alimentação é um direito inalienável». Muitas vezes hoje, enquanto nos enredamos em discussões semânticas ou ideológicas, deixamos que irmãos e irmãs morram ainda de fome ou de sede” (189).

No entanto, no contexto de um mundo globalizado que enfrenta uma infinidade de desafios interconectados, é essencial reconhecer as pressões significativas atualmente exercidas sobre o sistema internacional. Essas pressões estão se manifestando de várias formas, incluindo a intensificação de guerras e conflitos, atividades terroristas, políticas externas de confronto e atos de agressão, bem como a persistência de injustiças. Portanto, é de suma importância que o Grupo dos 20 identifique novos caminhos para alcançar uma paz estável e duradoura em todas as áreas relacionadas a conflitos, com o objetivo de restaurar a dignidade dos afetados.

Os conflitos armados atualmente testemunhados não são apenas responsáveis por um número significativo de mortes, deslocamentos em massa e degradação ambiental; eles também estão contribuindo para um aumento da fome e da pobreza, tanto diretamente nas áreas afetadas quanto indiretamente em países que estão a centenas ou milhares de quilômetros de distância das zonas de conflito, principalmente por meio da interrupção das cadeias de suprimentos. As guerras continuam a exercer uma pressão considerável sobre as economias nacionais, especialmente devido à quantidade exorbitante de dinheiro gasto em armas e armamentos.

Indo além, há um verdadeiro paradoxo em termos de acesso aos alimentos: por um lado, mais de três bilhões de pessoas não têm acesso a uma dieta nutritiva, enquanto, por outro, quase dois bilhões de pessoas têm excesso de peso ou são obesas devido a uma má alimentação e a um estilo de vida sedentário. Isso exige um esforço conjunto para uma participação ativa na mudança em todos os níveis e para reorganizar os sistemas alimentares como um todo (cf. Mensagem para o Dia Mundial da Alimentação 2021).

Além disso, é motivo de grande preocupação o fato de a sociedade ainda não ter encontrado uma maneira de lidar com a trágica situação das pessoas que passam fome. A aceitação silenciosa da fome pela sociedade humana é uma injustiça escandalosa e uma grave ofensa. Aqueles que, por meio da usura e da ganância, causam a fome e a morte de seus irmãos e irmãs na família humana estão indiretamente cometendo um homicídio, que lhes é imputável (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2269). Nenhum esforço deve ser poupado para tirar as pessoas da pobreza e da fome.

É importante ter em mente que a questão da fome não é apenas uma questão de insuficiência de alimentos; ao contrário, é uma consequência de injustiças sociais e econômicas mais amplas. A pobreza, em particular, é um fator que contribui significativamente para a fome, perpetuando um ciclo de desigualdades econômicas e sociais que são generalizadas em nossa sociedade global. A relação entre fome e pobreza é indissociável.

Portanto, é evidente que uma ação imediata e decisiva deve ser tomada para erradicar o flagelo da fome e da pobreza.  Essa ação deve ser realizada de forma conjunta e colaborativa, com o envolvimento de toda a comunidade internacional. A implementação de medidas efetivas exige um compromisso concreto dos governos, das organizações internacionais e da sociedade como um todo. A centralidade da dignidade humana dada por Deus a cada pessoa, o acesso a bens básicos e a distribuição justa de recursos devem ser priorizados em todas as agendas políticas e sociais.

Ademais, a erradicação da desnutrição não pode ser alcançada apenas com o aumento da produção global de alimentos. De fato, já existe alimento suficiente para alimentar todas as pessoas do nosso planeta; ele é apenas distribuído de forma desigual. Assim, é essencial reconhecer a quantidade significativa de alimentos que é desperdiçada diariamente. Combater o desperdício de alimentos é um desafio que exige ação coletiva. Dessa forma, os recursos podem ser redirecionados para investimentos que ajudem os pobres e os famintos a atender às suas necessidades básicas. Indo além, é igualmente necessário implementar sistemas alimentares que sejam ambientalmente sustentáveis e benéficos para as comunidades locais.

Está claro que uma abordagem integrada, abrangente e multilateral é fundamental para enfrentar esses desafios. Dada a magnitude e a abrangência geográfica do problema, as soluções de curto prazo são insuficientes. São necessárias uma visão e uma estratégia de longo prazo para combater efetivamente a desnutrição. Um compromisso contínuo e consistente é essencial para atingir esse objetivo, e não deve depender de conjunturas imediatas.

Nesse sentido, espero que a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza possa ter um impacto significativo nos esforços globais de combate à fome e à pobreza. A Aliança poderia começar implementando a proposta de longa data da Santa Sé, que pede o redirecionamento dos fundos atualmente alocados em armas e outros gastos militares para um fundo global destinado a combater a fome e promover o desenvolvimento nos países mais pobres. Essa abordagem ajudaria a evitar que os cidadãos desses países tivessem que recorrer a soluções violentas ou enganadoras, ou que abandonassem seus países em busca de uma vida mais digna (cf. Carta Encíclica Fratelli Tutti, 262).

É indispensável reconhecer que o fracasso em cumprir as responsabilidades coletivas da sociedade para com os pobres não deve acarretar a transformação ou a revisão das metas iniciais em programas que, em vez de atender às necessidades genuínas das pessoas, as ignorem. Nesses esforços, as comunidades locais e a riqueza cultural e tradicional dos povos não podem ser desconsideradas ou destruídas em nome de um conceito estreito e míope de progresso. Fazer isso, na realidade, correria o risco de se tornar sinônimo de “colonização ideológica”. Nesse sentido, as intervenções e os projetos devem ser planejados e implementados em resposta às necessidades das pessoas e de suas comunidades, e não impostos de cima para baixo ou por entidades que buscam apenas seus próprios interesses ou lucros.

Da sua parte, a Santa Sé continuará a promover a dignidade humana e a dar sua contribuição específica para o bem comum, oferecendo a experiência e o engajamento das instituições católicas em todo o mundo, para que em nosso mundo nenhum ser humano, como pessoa amada por Deus, seja privado do pão de cada dia.

Que Deus Todo Poderoso abençoe abundantemente seus trabalhos e esforços em prol do progresso genuíno de toda a família humana.
Vaticano, 18 de novembro de 2024

FRANCISCO

A mensagem original em inglês foi publicada (aqui)

Rio de Janeiro entre G20, U20 e G20 Social

Para a Cúpula de Líderes no Rio de Janeiro são aguardadas 55 delegações de 40 países e de 15 organismos internacionais no Museu de Arte Moderna (MAM), no Aterro do Flamengo. Os 19 países do grupo, a União Europeia e a União Africana representam, juntos, 85% do PIB mundial, 75% do comércio global e 56% da população.

Segundo o arcebispo do Rio de Janeiro, a presença do cardeal Parolin no G20 do Rio é uma “oportunidade muito bonita” para a cidade que, até o domingo (17/11), também foi sede do Urban 20 (U20) – com prefeitos e representantes de mais de 60 cidade do mundo – e do G20 Social, como explicou dom Orani Tempesta ao Vatican News:

“Tivemos até ontem o U20, que são os prefeitos do mundo inteiro falando sobre a questão da pobreza, a questão também da ecologia, as questões da fome. Tivemos também as entidades sociais que trabalharam o tempo todo nas questões sociais e, agora, na segunda e terça-feira, teremos a cúpula dos governantes das 20 nações que fazem parte do G20 para discutir todos esses assuntos.”

Na missa do VIII Dia Mundial dos Pobres, Francisco faz um apelo aos governos e às organizações internacionais, mas convida a Igreja a sentir
Na missa do VIII Dia Mundial dos Pobres, Francisco faz um apelo aos governos e às organizações internacionais, mas convida a Igreja a sentir “a mesma compaixão do Senhor” diante dos últimos, e pede aos cristãos que se tornem “sinal da presença do Senhor”, pertos do sofrimento dos necessitados para aliviar suas feridas e mudar sua sorte: só assim a Igreja “se torna ela mesma, casa aberta a todos”.

“Por favor, não nos esqueçamos dos pobres”! A invocação com a qual o Papa Francisco encerra sua homilia na missa do VIII Dia Mundial dos Pobres neste domingo (17/11), na Basílica de São Pedro, é dirigida à Igreja, aos governos dos Estados e às organizações internacionais, mas também “a todos e a cada um”. E aos fiéis em Cristo, o Papa nos lembra que “é a nossa vida impregnada de compaixão e de caridade que se torna sinal da presença do Senhor, sempre próximo do sofrimento dos pobres, para aliviar as suas feridas e mudar a sua sorte”. Porque a esperança cristã precisa de “cristãos que não se viram para o outro lado” e que sintam “a mesma compaixão do Senhor diante dos pobres”. Francisco sublinhou isso lembrando uma advertência do cardeal Martini: somente servindo os pobres “a Igreja ‘torna-se’ ela mesma, isto é, uma casa aberta a todos, um lugar da compaixão de Deus pela vida de cada homem”.

Jesus se tornou pobre por nós

Em uma Basílica lotada, com a presença dos pobres que mais tarde almoçam com ele na Sala Paulo VI, o Pontífice abre a celebração com a exortação do ato penitencial: “Com o olhar fixo em Jesus Cristo, que se fez pobre por nós e rico de amor para com todos, reconheçamos que precisamos da misericórdia do Pai”. O celebrante no altar é o arcebispo Rino Fisichella, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização.

Na escuridão deste tempo, brilha uma esperança inabalável

Na homilia, o Papa Francisco relê a passagem do Evangelho de Marcos, na liturgia deste XXXIII Domingo do Tempo Comum, com as palavras de Jesus aos discípulos antes de sua paixão, descrevendo “o estado de espírito daqueles que viram a destruição de Jerusalém”, mas também a chegada extraordinária do Filho do Homem. “Quando tudo parece desmoronar-se, que Deus vem, que Deus se aproxima, que Deus nos reúne para nos salvar”.

Jesus convida-nos a ter um olhar mais aguçado, a ter olhos capazes de “ler por dentro” os acontecimentos da história, para descobrir que, mesmo na angústia dos nossos corações e dos nossos tempos, há uma esperança inabalável que resplandece.

Angústia e impotência diante da injustiça do mundo

Neste Dia Mundial dos Pobres, portanto, o Papa nos convida a nos determos nas duas realidades, “angústia e esperança, que sempre duelam entre si na arena do nosso coração”. Ele começa com a angústia, tão difundida em nosso tempo, “onde a comunicação social amplifica os problemas e as feridas, tornando o mundo mais inseguro e o futuro mais incerto”. Se o nosso olhar, enfatiza, “se detém apenas na crônica dos acontecimentos, dentro de nós a angústia ganha terreno”, porque ainda hoje, como na passagem do Evangelho, “vemos o sol escurecer e a lua se apagar, vemos a fome e a carestia que oprimem tantos irmãos e irmãs, vemos os horrores da guerra e a morte de inocentes”. E corremos o risco de “afundarmos no desânimo e de não nos apercebermos da presença de Deus no drama da história. Assim, condenamo-nos à impotência”.

Vemos crescer à nossa volta a injustiça que causa a dor dos pobres, mas juntamo-nos à corrente resignada daqueles que, por comodismo ou por preguiça, pensam que “o mundo é assim mesmo” e que “não há nada que eu possa fazer”. Desse modo, até a própria fé cristã é reduzida a uma devoção inócua, que não incomoda os poderes deste mundo e não gera um compromisso concreto de caridade.

A ressurreição de Jesus acende a esperança

Francisco cita a sua Exortação Apostólica Evangelii gaudium para nos lembrar que, “enquanto crescem as desigualdades e a economia penaliza os mais fracos, enquanto a sociedade se consagra à idolatria do dinheiro e do consumo”, acontece que “os pobres e os excluídos não podem fazer outra coisa senão continuar a esperar”. Mas no quadro apocalíptico que acaba de ser descrito no Evangelho, Jesus “acende a esperança”, descrevendo a chegada do Filho do Homem “com grande poder e glória”, para reunir “os seus eleitos dos quatro ventos”. Assim, ele “alarga o nosso olhar para que aprendamos a perceber, mesmo na precariedade e na dor do mundo, a presença do amor de Deus que se faz próximo, que não nos abandona, que atua para a nossa salvação”. Jesus, lembra o Pontífice, está apontando “inicialmente para a sua morte que terá lugar pouco depois”, mas também para “o poder da sua ressurreição” que destruirá as cadeias da morte, “e um mundo novo nascerá das ruínas de uma história ferida pelo mal”. Jesus nos dá essa esperança por meio da bela imagem da figueira: “quando seus ramos ficam verdes e as folhas começam a brotar, sabeis que o verão está perto”.

Do mesmo modo, também nós somos chamados a ler as situações da nossa história terrena: onde parece haver apenas injustiça, dor e pobreza, precisamente naquele momento dramático, o Senhor aproxima-se para nos libertar da escravidão e fazer brilhar a vida.

Você olha nos olhos a pessoa que ajuda?

E isso é feito, ele explica, “com nossa proximidade cristã, com a nossa fraternidade cristã”.

Não se trata de jogar uma moeda nas mãos de quem precisa. Àquele que dá a esmola, eu pergunto duas coisas: “Você toca as mãos das pessoas ou joga a moeda sem tocá-las? Você olha nos olhos a pessoa que ajuda ou desvia o olhar?”. 

Perto do sofrimento dos pobres

Cabe a nós, seus discípulos, continua o Papa Francisco, que graças ao Espírito Santo podemos semear essa esperança no mundo. “Somos nós” – e aqui ele cita sua Encíclica Fratelli tutti – “que podemos e devemos acender luzes de justiça e de solidariedade, enquanto se adensam as sombras de um mundo fechado”.

Somos nós que a sua Graça faz brilhar, é a nossa vida impregnada de compaixão e de caridade que se torna sinal da presença do Senhor, sempre próximo do sofrimento dos pobres, para aliviar as suas feridas e mudar a sua sorte.

Desvio o olhar diante da dor dos outros?

Não esqueçamos, é a invocação do Papa, que a esperança cristã, “que se realizou em Jesus e se concretiza no seu Reino, precisa de nós e do nosso empenho, de uma fé operosa na caridade, de cristãos que não passam para o outro lado do caminho”. E aqui ele lembra a imagem de um fotógrafo romano de um casal de adultos saindo de um restaurante, que olhava para o outro lado para não cruzar dom o olhar de “uma pobre senhora, deitada no chão, pedindo esmolas”.

Isso acontece todos os dias. Perguntemos a nós mesmos: eu olho para o outro lado quando vejo a pobreza, as necessidades, a dor dos outros?

Francisco cita então um teólogo do século XX, Metz, quando dizia que a fé cristã deve gerar em nós uma “mística de olhos abertos”: “não uma espiritualidade que foge do mundo, mas, pelo contrário, uma fé que abre os olhos aos sofrimentos do mundo e às aflições dos pobres, para exercer a mesma compaixão de Cristo”.

“Eu sinto a mesma compaixão do Senhor diante dos pobres, diante daqueles que não têm trabalho, que não têm o que comer, que são marginalizados pela sociedade?”

Mesmo com o nosso pouco, podemos melhorar a realidade

E, continua o Papa Francisco, “não devemos olhar apenas para os grandes problemas da pobreza mundial, mas para o pouco que todos nós podemos fazer todos os dias”.

Com o nosso estilo de vida, com o cuidado e a atenção pelo ambiente em que vivemos, com a busca tenaz da justiça, com a partilha dos nossos bens com os mais pobres, com o engajamento social e político para melhorar a realidade que nos rodeia..

Por favor, não nos esqueçamos dos pobres

Assim, “o nosso pouco será como as primeiras folhas que brotam na figueira: uma antecipação do verão que está próximo”. Concluindo, o Papa recorda uma advertência do cardeal Carlo Maria Martini, quando disse “que devemos ter cuidado ao pensar que existe primeiro a Igreja, já sólida em si mesma, e depois os pobres dos quais escolhemos cuidar. Na realidade, tornamo-nos a Igreja de Jesus na medida em que servimos os pobres, pois somente assim «a Igreja “torna-se” ela mesma, isto é, uma casa aberta a todos, um lugar da compaixão de Deus pela vida de cada homem»”.

Digo-o à Igreja, digo-o aos governos dos Estados e às organizações internacionais, digo-o a todos e a cada um: por favor, não nos esqueçamos dos pobres.

Projeto de caridade pela Síria e almoço com os pobres

Antes da missa, o Papa Francisco abençoou simbolicamente 13 chaves, representando os 13 países nos quais a Famvin Homeless Alliance (FHA), da Família Vicentina, construirá novas casas para pessoas necessitadas com o Projeto “13 Casas” para o Jubileu. Entre esses países está também a Síria, cujas 13 casas serão financiadas diretamente pela Santa Sé como um gesto de caridade para o Ano Santo. Um ato de solidariedade que se tornou possível graças a uma generosa doação da UnipolSai, que desejou entusiasticamente contribuir, no período que antecedeu o Ano Santo, com esse sinal de esperança para uma terra ainda devastada pela guerra.

No final da missa e após a recitação do Angelus, o Papa almoça na Sala Paulo VI junto com 1.300 pessoas pobres. O almoço, organizado pelo Dicastério para o Serviço da Caridade, é oferecido este ano pela Cruz Vermelha Italiana e animado por sua Fanfarra Nacional. No final do almoço, cada pessoa recebe uma mochila oferecida pelos Padres Vicentinos (Congregação da Missão), contendo alimentos e produtos de higiene pessoal.

Publicação: vaticannews.va
Às vésperas do VIII Dia Mundial dos Pobres, o Papa recebe , em audiência, a “Foyer Notre-Dame des Sans Abris”, Fundação que ajuda famílias
Às vésperas do VIII Dia Mundial dos Pobres, o Papa recebe , em audiência, a “Foyer Notre-Dame des Sans Abris”, Fundação que ajuda famílias em dificuldade. Leia a matéria publicada no site vaticannews.va
O professor francês, fundador da “Foyer Notre-Dame des Sans Abris” que ajuda famílias em dificuldade a recuperar dignidade, está sendo recordado em 2024 pelos 50 anos da sua morte. Francisco recebeu a associação em audiência, enaltecendo a missão de Gabriel Rosset, que reconhecia “a presença de Cristo nos pobres”: “vocês dão um rosto concreto ao Evangelho do amor, oferecendo abrigo, refeição, sorriso, estendendo as mãos sem medo de sujá-las”.

“Meus queridos irmãos e irmãs, vou falar em italiano, mas vocês têm a tradução aqui. Muito obrigado pela presença de vocês, das crianças… é lindo, é lindo!”, disse o Papa Francisco em francês ao iniciar o discurso dirigido a uma delegação de 70 pessoas formada pelas associações “Foyer Notre-Dame des Sans Abris” e “Les Amis de Gabriel Rosset”. O encontro com o grupo, proveniente da cidade histórica de Lyon, foi realizado nesta quarta-feira (13/11) na sala adjacente da Sala Paulo VI, antes da Audiência Geral na Praça São Pedro.

A delegação, como recordou o Pontífice, está comemorando em 2024 o aniversário de 50 anos da morte de Gabriel Rosset (1904-1974). O professor fundou a “Foyer Notre-Dame des Sans Abris”, hoje com mais de mil voluntários, que acolhe e ajuda famílias e pessoas que sofrem por diferentes realidades, como falta de moradia e emprego, por ser vítimas de violência ou migrantes, por exemplo. Já a associação “Les Amis de Gabriel Rosset” foi criada para promover a causa de beatificação e canonização do professor francês aberta em 2006, que está sendo estudada pelo Dicastério para as Causas dos Santos.

O Papa Francisco expressou gratidão da Igreja pela missão inspirada no fundador, que sentia grande compaixão e “não virava a cabeça e nem fechava os olhos” para os irmãos necessitados. Gabriel Rosset sabia como “reconhecer a presença de Cristo nos pobres”, disse ainda o Pontífice, orientando para a importância das “três coisas de Deus: proximidade, compaixão e ternura”:

“Tocar um pobre, cuidar de um pobre, é um ‘sacramental’ na Igreja. Hoje vocês continuam a obra de Gabriel Rosset. Vocês também são artesãos da misericórdia e da compaixão de Deus: acompanhando as pessoas sem-teto, vocês dão um rosto concreto ao Evangelho do amor. Oferecendo-lhes um abrigo, uma refeição, um sorriso, estendendo suas mãos sem medo de sujá-las, vocês restauram a dignidade deles e o compromisso de vocês toca o coração do nosso mundo frequentemente indiferente.”

A escola de Maria, que toca o sofrimento do mundo

A missão de Gabriel Rosset, continuou o Papa, assim como tem sido a de todos os colaboradores das associações francesas, está sendo “iluminada” pela “imagem viva da compaixão maternal” de Maria, “a Mãe que nunca deixa de cuidar de todos aqueles que sofrem no corpo e no coração”, que “não tem medo de tocar o sofrimento do mundo”, abrindo os braços “para acolher todos, porque todos têm um lugar perto de Maria, perto de Cristo”.

“Ela não tem medo de abrir o seu manto, de transformá-lo em um abrigo contra a chuva e o fogo escaldante do sol. Doa o seu bem mais precioso, que é Jesus, permitindo que os pobres se aproximem o máximo possível dela para receber ternura e alívio das suas mãos estendidas. Coloquem-se na escola dela. Maria é, antes de tudo, uma mulher de vida interior: medita e guarda no seu coração a Palavra de Deus que alimenta todas as suas ações. Ela também é uma mulher aberta, uma mulher disponível às surpresas de Deus. Por isso vigia e caminha. Maria responde às necessidades dos irmãos e das irmãs vulneráveis, mas, acima de tudo, antecipa as necessidades deles.”

Neste dia que encerra o Mês das Missões, o Centro Cultural Missionário (CCM) divulgou o calendário com a programação dos cursos de formação missionária

Neste dia que encerra o Mês das Missões, o Centro Cultural Missionário (CCM) divulgou o calendário com a programação dos cursos de formação missionária para 2025. As ofertas de formação contam com o apoio das Pontifícias Obras Missionárias (POM), da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB) e das Comissões Episcopais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

São oferecidos pelo Centro Cultural Missionário cursos presenciais, virtuais e itinerantes que dão a oportunidade para os participantes de conhecer, amadurecer e se aperfeiçoar na caminhada missionária.

Em 2025, serão oferecidos 27 cursos: 12 na modalidade presencial, realizados na sede do CCM, em Brasília (DF); 11 na modalidade virtual/on-line, por meio da plataforma digital, nas modalidades síncrona e gravada; e quatro cursos na modalidade itinerante, realizados nos Regionais ou nas arqui/diocese/prelazias, conforme proposta elaborada com o CCM.

Acesse aqui calendário completo de cursos

O diretor-geral do CCM, padre Tiago Ávila Camargo, considera importante marcar a conclusão do mês missionário com a divulgação dos cursos e deseja que a divulgação dos cursos, nas suas diferentes modalidades, chegue às dioceses, comunidades e paróquias, aos organismos missionários e aos Conselhos Missionários.

“A urgência missionária também pede de todos nós organização e planejamento, por isso o Centro Cultural Missionário (CCM) divulga o calendário de 2025 com certa antecedência desejando que muitos possam reservar suas agendas para participar de nossas atividades formativas missionárias. Fazemos votos que os senhores bispos, os secretários executivos, os coordenadores de pastoral e os coordenadores dos conselhos missionários sejam incentivadores da participação em nossa programação”, motiva o padre.

Destaques da formação missionária

Entre os cursos do Centro Cultural Missionário de 2025, estão programadas duas edições da formação para missionários estrangeiros que chegam ao Brasil, o Cenfi: de março a junho e de setembro a novembro.

Já o curso para missionárias e missionários brasileiros enviados para missão Ad Gentes ou Além-fronteiras será de 15 a 28 de setembro.

Outros cursos presenciais vão abordar o Jubileu 2025, a missão na Amazônia, atualização missionária, a Infância e Adolescência Missionária e retiro espiritual para coordenadores de organismos, pastorais e movimentos.

Acessar calendário completo de cursos

Publicação: cnbb.org.br
A Jornada Mundial dos Pobres acontece no Brasil de 10 a 17 de novembro. A data que foi estabelecida pelo Papa Francisco e já

A Jornada Mundial dos Pobres acontece no Brasil de 10 a 17 de novembro. A data que foi estabelecida pelo Papa Francisco e já está na VIII edição é uma oportunidade para exercermos a solidariedade e nos aproximarmos das realidades de vida mais vulneráveis.

Na Arquidiocese de Vitória, as coletas dos dias 16 e 17 serão todas revertidas para a Campanha Paz e Pão, que mensalmente, distribui cestas de alimentos a famílias necessitadas. Outras iniciativas serão realizadas nas paróquias, por isso fica o apelo para que todos virem suas atenções para quem precisa de ajuda. Participe das iniciativas, seja generoso na sua doação e, se puder, torne-se um doador da Campanha Paz e Pão. Acesse o site https://pazepao.com.br/ e seja um doador.

 

 

 

 

 

Assista o convite de dom  José Valdeci dos Santos Mendes, presidente da Comissão Sociotransformadora da CMNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

O Vaticano publicou um livro com meditações do Papa Francisco, em vista do jubileu. Abaixo o prefácio do Papa divulgado no site vaticannews.va: Papa

O Vaticano publicou um livro com meditações do Papa Francisco, em vista do jubileu. Abaixo o prefácio do Papa divulgado no site vaticannews.va:

Papa Francisco

Quando eu era padre em Buenos Aires, e mantive esse hábito mesmo como bispo em minha cidade de origem, amava ir a pé aos vários bairros para visitar os confrades sacerdotes, visitar uma comunidade religiosa ou conversar com amigos. Caminhar faz bem: nos coloca em relação com o que está acontecendo ao nosso redor, nos faz descobrir sons, cheiros, ruídos da realidade que nos circunda, enfim, nos aproxima da vida dos outros.

Caminhar é não ficar parado: crer significa ter dentro de si uma inquietação que nos leva a um “mais”, a mais um passo a frente, a uma altura a alcançar hoje, sabendo que amanhã o caminho nos levará mais longe – ou mais em profundidade, na nossa relação com Deus, que é exatamente como a relação com a pessoa amada da nossa vida, ou entre amigos: nunca terminado, nunca dado como certo, nunca satisfeito, sempre em busca, ainda não satisfatório. É impossível dizer com Deus: “Está feito, está tudo bem, basta”.

Por esta razão, o Jubileu de 2025, junto com a dimensão essencial da esperança, deve levar-nos a uma consciência cada vez maior de que a fé é uma peregrinação e que nós, nesta terra, somos peregrinos. Não turistas ou andarilhos: não nos movemos ao acaso, existencialmente falando. Somos peregrinos. O peregrino vive o seu caminho sob a bandeira de três palavras-chave: risco, esforço e meta.

O risco. Hoje em dia, achamos difícil entender o que significava para os cristãos do passado fazer uma peregrinação, acostumados como estamos com a rapidez e a comodidade de nossas viagens de avião ou trem. No entanto, sair para a estrada mil anos atrás significava correr o risco de nunca mais voltar para casa por causa dos muitos perigos que se poderia encontrar nas várias rotas. A fé de quem decidia partir era mais forte do que qualquer medo: os peregrinos de antigamente nos ensinam essa confiança no Deus que os chamou para colocar-se a caminho em direção ao túmulo dos Apóstolos, à Terra Santa ou a um santuário. Nós também pedimos ao Senhor para ter uma pequena porção dessa fé, para aceitar o risco de nos abandonarmos à sua vontade, sabendo que ela é a de um bom Pai que deseja dar a seus filhos somente o que lhes convém.

Esforço. Caminhar, na verdade, significa esforço. Isso é bem conhecido pelos muitos peregrinos que hoje voltaram a frequentar as antigas rotas de peregrinação: penso na rota de Santiago de Compostela, na Via Francigena e nos vários Caminhos que surgiram na Itália, que lembram alguns dos santos ou testemunhas mais conhecidas (São Francisco, Santo Tomás, mas também pe. Tonino Bello) graças a uma sinergia positiva entre instituições públicas e organismos religiosos. Caminhar envolve o esforço de acordar cedo, preparar uma mochila com o essencial, comer algo frugal. E depois os pés que doem, a sede que se torna pungente, especialmente nos dias ensolarados de verão. Mas esse esforço é recompensado pelos muitos dons que o caminhante encontra ao longo do caminho: a beleza da criação, a doçura da arte, a hospitalidade das pessoas. Quem faz uma peregrinação a pé – e muitos podem testemunhar isso – recebe muito mais do que o esforço realizado: estabelece belos vínculos com as pessoas que encontra ao longo do caminho, vive momentos de autêntico silêncio e de fecunda interioridade que a vida frenética de nosso tempo muitas vezes torna impossível, compreende o valor do essencial em vez do brilho de ter tudo o que é supérfluo, mas faltar o necessário.

A meta. Caminhar como peregrinos significa que temos um ponto de chegada, que o nosso movimento tem uma direção, um objetivo. Caminhar é ter uma meta, não estar à mercê do acaso: quem caminha tem uma direção, não gira em círculos, sabe para onde ir, não perde tempo vagueando de um lado para o outro. Por isso recordei várias vezes quão semelhantes são o ato de caminhar e o de ser fiel: quem tem Deus no coração recebeu o dom de uma estrela polar para a qual seguir – o amor que recebemos de Deus é a razão do amor que temos para oferecer às outras pessoas.

Deus é a nossa meta: mas não podemos alcançá-lo como chegamos a um santuário ou a uma basílica. E de fato, como bem sabe quem já fez peregrinações a pé, chegar finalmente à meta almejada – penso na Catedral de Chartres, que há muito é alvo de um renascimento em termos de peregrinações graças à iniciativa, que remonta a um século atrás, do poeta Charles Péguy – não significa sentir-se satisfeito: ou melhor, se externamente se sabe bem que chegou, internamente existe a consciência de que o caminho não acabou. Porque Deus é exatamente assim: uma meta que nos empurra mais longe, uma meta que nos chama continuamente a prosseguir, porque é sempre maior do que a ideia que temos dele. O próprio Deus nos explicou isso através do profeta Isaías: «Tanto quanto o céu está acima da terra, assim os meus caminhos estão acima dos caminhos de vocês, e os meus projetos estão acima dos seus projetos» (Is 55,9). Com Deus nunca podemos dizer que alcançamos, a Deus nunca chegamos: estamos sempre em movimento, permanecemos sempre em busca dele. Este caminhar rumo a Deus oferece-nos a certeza inebriante de que Ele nos espera para nos doar a sua consolação e a sua graça.

Cidade do Vaticano, 2 de outubro de 2024

Aprovado e publicado o documento final do Sínodo, agora cabe às arquidiocese dioceses, em todo o mundo, o trabalho de colocar em prática. O

Aprovado e publicado o documento final do Sínodo, agora cabe às arquidiocese dioceses, em todo o mundo, o trabalho de colocar em prática. O desejo do Papa Francisco foi expresso da seguinte forma: “Todos, na esperança de que não falte ninguém. Ninguém fique de fora! Todos! E a palavra-chave é esta: a harmonia, que é obra do Espírito; a Sua primeira manifestação forte, na manhã de Pentecostes, é harmonizar todas aquelas diferenças, todas aquelas línguas, todas aquelas coisas… Harmonia”!

Leia abaixo a matéria publicada no site vaticannews.va

O Documento Final do Sínodo propõe a conversão de relações, processos e obrigações. Francisco pediu aos participantes no Sínodo para darem testemunho da experiência vivida, com palavras partilhadas e atos concretos. Provavelmente, as comissões sinodais já criadas nas dioceses podem ajudar neste processo.

Depois de três anos de caminho em conjunto (2021-2024), num movimento que envolveu milhões de pessoas em todo o mundo refletindo sobre o tema “Por uma Igreja sinodal: participação, comunhão e missão”, as conclusões do Sínodo foram condensadas num Documento Final publicado no passado dia 26 de outubro. Leia o documento final, clicando aqui.

Ninguém fique de fora

Sobre o texto sinodal o Papa disse no discurso de encerramento que a pluralidade das diferenças encontradas durante o caminho sinodal deve ser vivida em harmonia. E Francisco pediu que ninguém fique de fora, pois Deus é para todos.

“Todos, na esperança de que não falte ninguém. Ninguém fique de fora! Todos! E a palavra-chave é esta: a harmonia, que é obra do Espírito; a Sua primeira manifestação forte, na manhã de Pentecostes, é harmonizar todas aquelas diferenças, todas aquelas línguas, todas aquelas coisas… Harmonia!”, assinalou o Santo Padre.

Conversão que nasce da escuta

O Documento Final da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos bispos, nos seus 155 pontos, que são fruto do trabalho de 368 participantes, dos quais 272 eram bispos e mais de 50 eram mulheres, apresenta uma larga panorâmica sinodal com uma palavra-chave: a conversão. A conversão de relações, processos e obrigações. Uma conversão contínua a partir da escuta do Evangelho colocando em prática o Concílio Vaticano II, como se pode ler no número 5 do documento.

“De facto, o caminho sinodal está a pôr em prática o que o Concílio ensinou sobre a Igreja como Mistério e Povo de Deus, chamada à santidade através de uma conversão contínua que nasce da escuta do Evangelho”, refere o texto.

E a conversão só é possível se formos capazes de “partilhar com todos o perdão e a reconciliação que vêm de Deus”, refere o ponto 6, algo que é “pura graça da qual não somos donos, mas apenas testemunhas”.

De testemunho falou o Papa Francisco no seu discurso aos participantes no Sínodo, dizendo que os conteúdos do Documento Final devem ser enriquecidos com o “testemunho da experiência vivida”, com palavras partilhadas e atos concretos.

“A igreja sinodal para a missão precisa, agora, que as palavras partilhadas sejam acompanhadas de atos”, declarou o Papa.

Em discernimento aplicar as conclusões nas dioceses

Abre-se, assim, um tempo novo no qual, tal como disse o Papa, as palavras partilhadas devem ser acompanhadas por ações. Ou seja, é o momento da aplicação das conclusões nas dioceses, que é a terceira fase do Sínodo, tal como prevê a Constituição Apostólica “Episcopalis communio”.

Recordemos que nesse documento sobre o Sínodo dos Bispos, publicado em 2018 pelo Papa Francisco, pode-se ler que “à celebração da Assembleia do Sínodo, deve seguir-se a fase da sua aplicação, com a finalidade de iniciar em todas as Igrejas particulares a receção das conclusões sinodais”.

Provavelmente, as comissões sinodais já criadas nas dioceses podem ajudar neste processo de aplicação do Sínodo, tal como já tinha referido em maio deste ano o padre Sérgio Leal, especialista em sinodalidade, sublinhando a importância do discernimento comunitário.

“Partirem da escuta que fizeram e dos desafios que foram lançados pela assembleia e voltar a essas comissões e assembleias sinodais, agora já não para fazer um novo processo de escuta, mas para aplicarmos em discernimento comunitário, até porque as comunidades foram exercitadas neste dinamismo sinodal e agora em caminho sinodal dizerem como é que podemos ser Igreja sinodal em missão aqui na comunidade em que estamos”, disse o padre Sérgio Leal.

A relevância do caminho já percorrido desde 2021 nas comunidades e a prática do discernimento comunitário estão explicitamente referidas no ponto 7 do Documento Final do Sínodo.

“Do caminho sinodal iniciado em 2021, já vimos os primeiros frutos. Os mais simples, mas preciosos, estão a fermentar na vida das famílias, das paróquias, das Associações e Movimentos, das pequenas comunidades cristãs, das escolas e das comunidades religiosas, onde cresce a prática do diálogo no Espírito, do discernimento comunitário, da partilha dos dons vocacionais e da corresponsabilidade na missão. O encontro dos párocos para o Sínodo (Sacrofano [Roma], 28 de abril – 2 de maio de 2024) permitiu apreciar estas ricas experiências e relançar o seu caminho. Estamos gratos e felizes pela voz de tantas comunidades e fiéis que vivem a Igreja como lugar de acolhimento, de esperança e de alegria”, diz o Documento Final do Sínodo.

Encontro e diálogo com a “Conversação no Espírito”

Precisamente, neste citado encontro “Párocos pelo Sínodo” esteve o próprio padre Sérgio Leal, também ele pároco na diocese do Porto, nas paróquias de Anta e Guetim.

Sobre esta Assembleia Mundial que reuniu cerca de 200 párocos de todo o mundo, o sacerdote refere a importância da “Conversação no Espírito”, o método utilizado neste processo sinodal.

Segundo o padre Sérgio Leal, “este processo de Conversação no Espírito é um processo fundamental, até para a resolução de conflitos numa comunidade”. Assinala o seu grande potencial para a projeção pastoral das comunidades e sublinha que este método “permite escutar o outro, ser escutado e sobretudo escutar o Espírito Santo”.

“Este processo de Conversação no Espírito é um processo fundamental, até para a resolução de conflitos numa comunidade, para a projeção pastoral de um plano pastoral diocesano ou paroquial. Porque nos permite escutar o outro, ser escutado e sobretudo escutar o Espírito Santo no meio de tudo isto. Na metodologia sinodal encontramos também em cada grupo o chamado facilitador ou facilitadora, como era no nosso caso uma religiosa. O seu papel era ajudar-nos a ser fiéis à metodologia que nos tinha sido pedida, conduzir os trabalhos, mas com toda a liberdade de irmos onde o Espírito nos levasse”, sublinha o sacerdote.

O Documento Final do Sínodo, no seu número 45 destaca a importância da implementação do método utilizado neste processo sinodal que é o da “Conversação no Espírito”. Uma prática de renovação que tem dado alegria às comunidades.

“A sua prática tem suscitado alegria, espanto e gratidão e tem sido experimentada como um caminho de renovação que transforma as pessoas, os grupos e a Igreja”, pode-se ler no Documento.

A propósito da aplicação das conclusões nas dioceses, a Rede Sinodal em Portugal manifesta a sua disponibilidade para, em ambiente de trabalho coletivo, ser parte de uma plataforma alargada nacional que permita dar respiração ao dinamismo sinodal. Com propostas simples como estas:

– partilhar experiências e iniciativas sinodais nas dioceses, paróquias e movimentos;

– criar sinergias e colaborações estimulando as comunidades com momentos de formação e encontro