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No final do Angelus, o Papa retorna a relançar o apelo para silenciar as armas, dar “espaço ao diálogo” e abordar as questões “com
No final do Angelus, o Papa retorna a relançar o apelo para silenciar as armas, dar “espaço ao diálogo” e abordar as questões “com a lei e as negociações”. O Pontífice volta seus pensamentos para a Ucrânia, o Oriente Médio, Mianmar e o Sudão do Sul e, em seguida, pede orações para o povo de Valência e outras áreas da Espanha atingidas pela desastrosa tempestade Dana: “Continuemos a rezar”.

Com base na Constituição italiana e, em particular, no artigo 11 sobre o repúdio total à guerra, o Papa Francisco lançou um novo e sincero apelo para pôr fim a todos os conflitos no mundo, silenciar as armas, favorecer o diálogo, o direito e as negociações como instrumentos para resolver as disputas. No final do Angelus deste primeiro domingo de novembro, o Pontífice, da janela do Palácio Apostólico, saudou os muitos fiéis reunidos na Praça São Pedro e se dirigiu diretamente ao grupo de “Emergency Roma Sud”, empenhado nestes dias – como há anos – em “recordar” o artigo 11 da Constituição italiana que diz:

“A Itália repudia a guerra como instrumento de ofensa à liberdade de outros povos e como meio de resolver disputas internacionais”. 

Calem-se as armas, espaço para o diálogo

“Recordem-se deste artigo, e ir avante!”, exortou o papa, saindo do texto escrito. “Que este princípio seja implementado em todo o mundo”.

“Que a guerra seja banida e que as questões sejam tratadas com as leis e negociações. Calem-se as armas, seja dado espaço ao diálogo.

Orações pelos territórios atingidos por conflitos

Como toda quarta-feira, como todo domingo, Francisco faz uma lista dos territórios atingidos por conflitos. Uma lista que já se tornou um hábito, como infelizmente se tornou um hábito a barbárie que se verifica diariamente nessas terras, declinada em ataques, mísseis, tiroteios, atentados, bombardeios contra casas e estruturas civis. Ou até mesmo, como aconteceu em Jabalia, ao norte de Gaza, neste fim de semana, de acordo com informações divulgadas pelo Unicef, com o assassinato de cerca de cinquenta crianças e o ataque a um veículo pertencente à organização de trabalhadores envolvidos na distribuição de vacinas contra a pólio.

Um pensamento ao povo de Valência

O Papa não se esqueceu, no final do Angelus, de dirigir um pensamento ao povo de Valência, atingido pela desastrosa inundação de Dana, que causou cerca de 210 mortes (o número de mortos aumentou) e uma quantidade incalculável de danos, enquanto o risco de infecções também está se espalhando devido à falta de acesso à água potável e ao transbordamento dos sistemas de esgoto.

Continuemos a rezar por Valência e por outros povos da Espanha que estão sofrendo tanto nestes dias

Francisco – que já havia rezado por Valência no Angelus de 1º de novembro, chegando a telefonar para o bispo dom Enrique Benavent Vidal – aproveitou a sua catequese inteiramente dedicada ao amor a Deus e ao próximo, como o coração e o núcleo de toda a fé cristã, para convocar os fiéis a uma espécie de mobilização, sobretudo espiritual, diante da tragédia que atingiu a Espanha.

O que eu faço pelo povo de Valência? Rezo? Ofereço algo? Pensem sobre esta pergunta.

Publicação: vaticannews.va
O caminho da santidade, recordou o Papa no Angelus desta sexta-feira, 1º de novembro e Dia de Todos os Santos, começa pelo comprometimento em
O caminho da santidade, recordou o Papa no Angelus desta sexta-feira, 1º de novembro e Dia de Todos os Santos, começa pelo comprometimento em primeira pessoa em “praticar as Bem-aventuranças do Evangelho nos ambientes em que vivo”. Tantos os santos venerados nos altares como aqueles da “porta ao lado” são “pessoas ‘cheias de Deus’, incapazes de permanecer indiferentes às necessidades do próximo; testemunhas de caminhos luminosos, possíveis também para nós”.

Neste 1º de novembro a Igreja celebra o Dia de Todos os Santos, solenidade que, no Brasil, foi transferida para o domingo, 3 de novembro. Na Praça São Pedro, também ponto de partida para a tradicional Corrida dos Santos na sua décima sexta edição com 4 mil atletas, o Papa refletiu no Angelus sobre o Evangelho do dia (cf. Mt 5,1-12) e as Bem-aventuranças proclamadas por Jesus, que são “a carteira de identidade do cristão e o caminho da santidade”, aquele feito por amor, “que Ele mesmo percorreu primeiro ao se tornar homem, e que para nós é tanto um dom de Deus quanto a nossa resposta”.

O caminho da santidade

É dom de Deus, explicou Francisco, porque, é para Ele “que pedimos que nos faça santos, que torne o nosso coração semelhante ao seu”, de modo que em nós, como dizia o Beato Carlo Acutis, “tenha sempre ‘menos de mim para dar lugar a Deus'”. O que nos leva ao segundo ponto, continuou o Pontífce, a nossa resposta:

 O Pai do céu, de fato, nos oferece a sua santidade, mas não a impõe a nós. Ele a semeia em nós, nos faz sentir o gosto e ver a beleza, mas depois espera a nossa resposta. Deixa a nós a liberdade de seguir as suas boas inspirações, de nos deixarmos envolver por seus projetos, de fazer nossos os seus sentimentos (cf. Dilexit nos, 179), colocando-nos, como Ele nos ensinou, a serviço dos outros, com uma caridade como sempre mais universal, aberta e dirigida a todos, aberta e dirigida ao mundo inteiro.

Tudo isso vemos na vida dos santos, apronfundou o Papa, ao citar o caminho da santidade feito por “São Maximiliano Kolbe, que em Auschwitz pediu para tomar o lugar de um pai de família condenado à morte; ou em Santa Teresa de Calcutá, que passou sua existência a serviço dos mais pobres entre os pobres; ou no bispo São Óscar Romero, assassinado no altar por ter defendido os direitos dos últimos contra os abusos dos prepotentes”. Santos “moldados pelas Bem-aventuranças” que são venerados nos altares, sem esquecer aqueles que sempre ficam “na porta ao lado”, “aqueles de todos os dias, escondidos que levam adiante a sua vida cristã quotidiana”, “pessoas ‘cheias de Deus’, incapazes de permanecer indiferentes às necessidades do próximo; testemunhas de caminhos luminosos, possíveis também para nós”.

“Perguntemo-nos agora: eu peço a Deus, em oração, o dom de uma vida santa? Deixo-me guiar pelos bons impulsos que o seu Espírito desperta em mim? E me comprometo em primeira pessoa a praticar as Bem-aventuranças do Evangelho nos ambientes em que vivo?”

Publicação: vaticannews.va
Neste ano, dos 238 projetos aprovados pelo Conselho Gestor do Fundo Nacional de Solidariedade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), 16 deles

Neste ano, dos 238 projetos aprovados pelo Conselho Gestor do Fundo Nacional de Solidariedade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), 16 deles vão apoiar e promover a integração social de migrantes, refugiados e povos tradicionais. Os recursos tem origem na Coleta Nacional de Solidariedade, realizada no Domingo de Ramos.

O edital do Fundo Nacional de Solidariedade deste ano definiu, como de costume, três eixos para a distribuição de recursos, alinhados com o tema da Campanha da Fraternidade, neste ano “Fraternidade e Amizade Social”. O Eixo 2 atendeu a 16 projetos de apoio e integração social de migrantes, refugiados e povos tradicionais.

Acolhimento humanizado

Uma dessas iniciativas do eixo 2 é o “Projeto de Integração local e social de Migrantes e pessoas em situação de refúgio”, desenvolvido pelo Centro de Integração do Migrante, de São Paulo (SP), ligado às Irmãs Servas do Espírito Santo.

Irmã Malgarete Scapinelli Conte
Irmã Malgarete Scapinelli Conte, coordenadora do CIM | Foto: reprodução

O projeto tem por propósito ofertar, no período de um ano, atendimento humano e escuta acolhedora a 350 migrantes e pessoas em situação de refúgio que chegam à capital paulista, de modo a favorecer a regularização migratória e o acesso a direitos.

A coordenadora do Centro de Integração do Migrante, irmã Malgarete Scapinelli Conte, explicou que a primeira necessidade quando uma pessoa em situação de migração ou refúgio chega no Brasil é ter sua situação migratória regular, com os devidos documentos para conhecer e ter acesso aos direitos sociais previstos em lei.

“O CIM, por meio desse projeto, de integração local e social de imigrantes e refugiados, com o apoio do Fundo Nacional de Solidariedade da CNBB, contribui com um profissional capacitado que dedica um dia da semana para orientação e encaminhamentos para regularização migratória e acesso a direitos. Somente nos últimos dois meses, por exemplo, foram mais de 80 pessoas atendidas de cinco nacionalidades, com predominância de bolivianos e venezuelanos. A nossa gratidão à CNBB por esse apoio que muito contribui para que os migrantes também possam chegar, se integrar na sociedade e também poder trabalhar para sustentar a família”, agradece a irmã.

Urgência do atendimento

Segundo o Centro de Integração do Migrante, a cidade de São Paulo conta com apenas um serviço público de atendimento especializado para migrantes e pessoas em situação de refúgio. “Não há diversidade de ações em prol da integração local e social – as poucas que existem são direcionadas a atividades recreativas e esportivas”, situa. Neste contexto, as religiosas entendem que “o resgate e a preservação da cultura do país de origem como a dança, ritmos, literatura, folclore favorecem o intercâmbio para quem migra e incidem nos contextos de interação transformando e mobilizando o encontro com o outro”.

O projeto, nesse sentido, busca atender à urgência no estabelecimento de um atendimento semanal para orientação documental e acesso a direitos, possibilitando inclusive aproximação com a comunidade brasileira, evitando a xenofobia. Esse serviço deve beneficiar, segundo a entidade, 210 mulheres, 80 homens, 40 crianças e adolescentes e 20 jovens, além de 1400 pessoas de forma indireta.

Os recursos serão utilizados para aquisição de equipamentos para o local de atendimento, como notebooks, papeis, mesas, cadeiras e impressora. Também serão destinados valores para o pagamento de assessorias com profissionais capacitados, como advogado, assistente social, tradutores e voluntários.

Além dos recursos destinados pelo FNS, no total de 23.258, o próprio projeto invesitirá em contrapartida R$47.407 para a execução do projeto como um todo. O Centro de Integração ainda oferecerá a pastorais e organizações sociais públicas e privadas capacitação para o atendimento aos migrantes e pessoas em situação de refúgio.

 

Migrantes no agir da CF

O texto-base da Campanha da Fraternidade deste ano situa o contexto atual como tempo em que a diferença é vista como inimizade e ameaça. No capítulo do agir, o convite à conversão motiva superar o individualismo e alargar o espaço da tenda (cf. Isaías 54). Isso significa que perante as várias formas atuais de eliminar ou ignorar os outros, devemos ser capazes de “reagir com um novo sonho de fraternidade e amizade social que não se limite a palavras”, conforme o Papa Francisco ensinou na encíclica Fratelli Tutti.

Entre as ações propostas no agir da CF 2024, há a indicação de reagir “sempre como bom samaritano”; favorecer os centros de escuta e formar pessoas para ouvir o diferente; buscar os grupos extra eclesiais que cuidam dos mais vulneráveis; e fomentar e promover as pastorais e movimentos que cuidam dos migrantes e de todos aqueles que estão nas periferias existenciais do mundo.

Publicação: cnbb.org.br
No final da audiência geral hoje, 30 de outubro de 2024,  o Papa Francisco lançou um novo apelo para rezar pela paz, elencando territórios
No final da audiência geral hoje, 30 de outubro de 2024,  o Papa Francisco lançou um novo apelo para rezar pela paz, elencando territórios assolados por conflitos e violência: Ucrânia, Oriente Médio, Mianmar, Norte do Kiwu. E com olhar voltado para os últimos ataques na Faixa de Gaza, expressou tristeza pela morte de crianças e famílias inteiras: “A guerra está crescendo. Ninguém ganha, todos perdem”.

O enésimo e veemente apelo do Santo Padre pela paz a partir de relatos de guerra recentes. “Ontem vi que 150 pessoas inocentes foram metralhadas. O que as crianças, as famílias, têm a ver com a guerra? Elas são as primeiras vítimas”, disse Francisco no final da audiência geral desta quarta-feira, 30 de outubro, na Praça de São Pedro.

Ataques e mortes em Gaza

Somente em Gaza, ontem foi um dos dias mais sangrentos desde o início da guerra. A Defesa Civil Palestina fala de “770 pessoas mortas somente nos últimos 19 dias” na Faixa. Mais vítimas foram acrescentadas ontem, depois que as forças israelenses atingiram uma dezena de casas na área de Manara, ao sul de Khan Yunis, matando também 14 crianças, seis delas da mesma família. As crianças teriam sido mortas no desabamento de sua casa, sufocadas pela fumaça dos mísseis israelenses, segundo fontes locais. As mesmas fontes relatam o ataque do exército israelense ao hospital Kamal Adwan em Beit Lahia (norte de Gaza, um dos poucos ainda em funcionamento), onde 150 pessoas, incluindo pacientes e equipe médica, ficaram presas no pátio central. De acordo com a Al Jazeera, os tanques israelenses dispararam contra o hospital e destruíram uma estação de oxigênio. Além disso, um prédio de cinco andares em Beit Lahia, no norte de Gaza, foi bombardeado. Cerca de 100 vítimas foram confirmadas, mas pelo menos 40 pessoas continuam desaparecidas sob os escombros.

Os países que sofrem

“Rezemos pela paz, a guerra está crescendo”, disse o Pontífice no final da audiência, elencando mais uma vez as áreas do mundo atormentadas por conflitos para as quais, no domingo passado, no Angelus, ele havia pedido o respeito à “vida” e à “dignidade das pessoas e dos povos”, bem como “a integridade das estruturas civis e dos locais de culto, em observância ao direito internacional humanitário”.

Temos no pensamento os países que sofrem tanto: a atormentada Ucrânia, a Palestina, Israel, Mianmar, Norte do Kiwu e tantos países que estão em guerra.

Na guerra, todos perdem

“Oremos pela paz”, insistiu o Papa. Francisco o repetiu três vezes para os fiéis e peregrinos oriundos de todas as partes do mundo reunidos na Praça. Quase uma ladainha para que os fiéis do mundo inteiro não vejam o horror como algo natural num contexto de conflito. “Oremos pela paz. A paz é um dom do Espírito e a guerra é sempre, sempre, sempre uma derrota”.

“Na guerra ninguém ganha, todos perdem. Oremos pela paz, irmãos e irmãs…. Oremos pela paz.”

Este ano, Francisco escolheu presidir a missa do Dia de Finados no Cemitério Laurentino, na periferia de Roma, onde também esteve em 2018 e
Este ano, Francisco escolheu presidir a missa do Dia de Finados no Cemitério Laurentino, na periferia de Roma, onde também esteve em 2018 e rezou no “Jardim dos Anjos”, um espaço dedicado a crianças falecidas.

Após seis anos, o Papa retorna ao Cemitério Laurentino. No próximo sábado, 2 de novembro, Dia de Finados, Francisco celebrará a Missa no cemitério romano na área de Castel di Decima, que, com seus 21 hectares, é o terceiro maior da capital. O Pontífice esteve lá em 2018 e, naquele dia, antes da celebração eucarística, permaneceu em oração no “Jardim dos Anjos”, uma parte do cemitério onde estão sepultadas crianças, incluindo aquelas que não nasceram.

No ano passado, Francisco escolheu como local para a liturgia de 2 de novembro o “Rome War Cemetery”, o chamado cemitério da Commonwealth, no bairro de Testaccio, que abriga os túmulos dos mortos em guerras. Cerca de 300 pessoas estavam presentes na celebração, reunidas sob a chuva, enquanto o Papa fez um vigoroso apelo: “Peçamos ao Senhor a paz, para que as pessoas não se matem mais nas guerras.”

Publicação: vaticannews.va
Francisco frisou que “ninguém fique de fora” após a XVI Assembleia Geral do Sínodo dos bispos. Pediu que seja lançado um caminho de harmonia
Francisco frisou que “ninguém fique de fora” após a XVI Assembleia Geral do Sínodo dos bispos. Pediu que seja lançado um caminho de harmonia para todos, no qual as palavras sejam acompanhadas por atos concretos. Exortou os participantes no Sínodo ao “testemunho da experiência vivida”.

O Documento Final do Sínodo publicado no dia 26 de outubro foi aprovado nos seus 155 pontos e apresenta o fruto de 3 anos de escuta do povo de Deus. Um tempo que colocou em caminho milhões de pessoas em todo o mundo refletindo sobre o tema “Por uma Igreja sinodal: participação, comunhão e missão”.

Nesta segunda e última sessão da XVI Assembleia Geral do Sínodo dos bispos em Roma participaram 368 membros com direito a voto, dos quais 272 eram bispos; à imagem do que aconteceu na primeira sessão em 2023, mais de 50 votantes foram mulheres, entre religiosas e leigas de vários países.

Um caminho de harmonia para todos

O Papa Francisco no seu discurso no encerramento deixou bem claro o caráter inclusivo do texto agora publicado. Sublinhou a procura da “harmonia” num caminho “rumo à plena manifestação do Reino de Deus, que a visão do Profeta Isaías nos convida a imaginar como um banquete preparado por Deus para todos os povos”, disse o Papa.

“Todos, na esperança de que não falte ninguém. Todos! Todos! Todos” Ninguém fique de fora! Todos! E a palavra-chave é esta: a harmonia, que é obra do Espírito; a Sua primeira manifestação forte, na manhã de Pentecostes, é harmonizar todas aquelas diferenças, todas aquelas línguas, todas aquelas coisas… Harmonia!”, assinalou.

Francisco apelou a uma Igreja sem muros. “Quanto mal causam os homens e mulheres da Igreja quando erguem muros! Não nos devemos comportar como ‘dispensadores da Graça’ que se apropriam do tesouro, amarrando as mãos do Deus misericordioso”, referiu o Santo Padre.

O Papa deixou mesmo uma indicação literária com a sugestão de um poema da escritora francesa Madeleine Delbrêl, “a mística das periferias”, sublinhando uma ideia: “acima de tudo, não sejas rígido”.

O Papa assinalou que a rigidez é um pecado que tantas vezes também afeta “os clérigos, os consagrados e as consagradas”. Uma chamada de atenção do Santo Padre para que o Documento Final desta assembleia sinodal seja acolhido com abertura.

Não há exortação apostólica. Documento Final é guia

Francisco anunciou a sua intenção de não publicar uma exortação apostólica, algo que acontece pela primeira vez, mas que está previsto na  constituição apostólica ‘Episcopalis communio‘ sobre o Sínodo dos Bispos, publicada em 2018 pelo Papa Francisco.

“Por isso, não tenho intenção de publicar uma ‘exortação apostólica’. É suficiente aquilo que aprovámos. No Documento há já indicações muito concretas que podem servir de guia para a missão das igrejas, nos diversos continentes, nos diversos contextos: por isso, coloco-o imediatamente à disposição de todos. Por isto, disse que seja publicado. Quero, deste modo, reconhecer o valor do caminho sinodal realizado, que através deste Documento entrego ao santo povo fiel de Deus”, declarou Francisco.

O Papa confirmou até junho de 2025 o trabalho dos 10 grupos de estudo sobre alguns temas que necessitam de um especial aprofundamento, tais como as questões ligadas à pobreza, a participação das mulheres na Igreja, a formação dos sacerdotes ou o ministério dos bispos.

Palavras e atos na receção do Documento nas dioceses

Entretanto, Francisco alertou os participantes no Sínodo para a necessidade de tornar acessível os conteúdos do Documento Final, em especial com o “testemunho da experiência vivida”. “A igreja sinodal para a missão precisa, agora, que as palavras partilhadas sejam acompanhadas de atos”, assinalou o Papa.

Abre-se, assim, um tempo novo no qual, tal como disse o Papa, as palavras partilhadas devem ser acompanhadas por ações. Ou seja, a receção das conclusões nas dioceses, que é a terceira fase do Sínodo, não deverá ficar apenas pela leitura e reflexão do Documento Final, mas será necessária uma reforçada criatividade na difusão da informação produzida nesta sessão sinodal.

Destaque especial para o método sinodal da “Conversação no Espírito” que no número 45 do Documento Final ficamos a saber que “a sua prática tem suscitado alegria, espanto e gratidão e tem sido experimentada como um caminho de renovação que transforma as pessoas, os grupos e a Igreja”, pode-se ler no Documento.

Fase decisiva pede gestos e atitudes sinodais

E segundo o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa a fase decisiva do Sínodo começou agora. D. José Ornelas disse à Agência Ecclesia que esta nova fase é como “um sopro novo”.

“O Sínodo não terminou hoje, a fase decisiva do Sínodo começa hoje e é importante que cada Igreja, que cada família, que cada instituição da Igreja possa deixar-se permear por este sopro novo que sai do Sínodo”, disse D. José Ornelas.

O bispo de Leiria-Fátima, assinalou que este “é um documento, sobretudo, de propostas de trabalho, de conversão”. Sublinhou que com o texto agora publicado é preciso transformar as palavras “em gestos e em atitudes, e isto é uma conversão que é preciso que a Igreja faça”, declarou D. José Ornelas.

Uma conversão que deverá passar pelas paróquias, dioceses e movimentos tal como referia, recentemente, no Vatican News, o jornalista e investigador em Ciência das Religiões, Joaquim Franco, afirmando que a dinâmica sinodal “deve ser exemplar em todas as estruturas da Igreja”.

“A dinâmica que este Sínodo imprime deve ser exemplar em todas as estruturas da Igreja; dioceses, paróquias e movimentos. Criando espaços que soltam a pausa do Espírito, espaços para a calma das palavras construtivas, mas também, repito e ouso dizê-lo, em todas as estruturas não religiosas, sociais, comunitárias ou até políticas, chamando todos e todas ao princípio da corresponsabilidade na diferença, à escuta que leva ao encontro”, assinalou Joaquim Franco.

Mais do que palavras, após a XVI Assembleia Ordinária do Sínodo dos bispos, são necessários gestos, atitudes e decisões sinodais.

Publicação: vaticannews.va
Foi publicada hoje, 24 de outubro de 2024, a quarta Encíclica do Papa Francisco. A Enciclica é dedicada ao amor humano e divino do
Foi publicada hoje, 24 de outubro de 2024, a quarta Encíclica do Papa Francisco. A Enciclica é dedicada ao amor humano e divino do Coração de Jesus. Uma forma de nos lembrar a devoção ao Sagrado Coração de Jesus e trazê-la para os dias atuais. Leia a matéria publicada no site do Vaticano e LEIA AQUI O TEXTO INTEGRAL DA ENCÍCLICA
“Dilexit nos”, a quarta Encíclica de Francisco, repercorre a tradição e a atualidade do pensamento “sobre o amor humano e divino do coração de Jesus Cristo”, convidando a renovar sua autêntica devoção para não esquecer a ternura da fé, a alegria de colocar-se a serviço e o fervor da missão: porque o Coração de Jesus nos impele a amar e nos envia aos irmãos:
“’Amou-nos’, diz São Paulo referindo-se a Cristo (Rm 8,37), para nos ajudar descobrir que nada ‘será capaz de separar-nos’ desse amor (Rm 8,39)”. Assim começa a quarta Encíclica do Papa Francisco, intitulada a partir do incipit “Dilexit nos” e dedicada ao amor humano e divino do Coração de Jesus: “O seu coração aberto precede-nos e espera-nos incondicionalmente, sem exigir qualquer pré-requisito para nos amar e oferecer a sua amizade: Ele amou-nos primeiro (cf. 1 Jo 4, 10). Graças a Jesus, ‘conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele’ (1 Jo 4, 16)” (1).

O amor de Cristo representado em seu santo Coração

Em uma sociedade – escreve o Papa – que vê a multiplicação de “várias formas de religiosidade sem referência a uma relação pessoal com um Deus de amor” (87), enquanto o cristianismo muitas vezes esquece “a ternura da fé, a alegria do serviço, o fervor da missão pessoa-a-pessoa” (88), o Papa Francisco propõe um novo aprofundamento sobre o amor de Cristo representado em seu santo Coração e nos convida a renovar nossa autêntica devoção, lembrando que no Coração de Cristo “encontramos todo o Evangelho” (89): É em seu Coração que “finalmente nos reconhecemos e aprendemos a amar” (30).

O mundo parece ter perdido seu coração

Francisco explica que, ao encontrar o amor de Cristo, “tornamo-nos capazes de tecer laços fraternos, de reconhecer a dignidade de cada ser humano e de cuidar juntos da nossa casa comum”, como ele nos convida a fazer em suas encíclicas sociais Laudato si’ e Fratelli tutti (217). E diante do Coração de Cristo, pede mais uma vez ao Senhor “que tenha compaixão desta terra ferida” e derrame sobre ela “os tesouros da sua luz e do seu amor”, para que o mundo, “que sobrevive entre guerras, desequilíbrios socioeconômicos, consumismo e o uso anti-humano da tecnologia, recupere o que é mais importante e necessário: o coração” (31). Ao anunciar a preparação do documento, no final da audiência geral de 5 de junho, o Pontífice deixou claro que este ajudaria a meditar sobre os aspectos “do amor do Senhor que podem iluminar o caminho da renovação eclesial; mas também que podem dizer algo significativo a um mundo que parece ter perdido seu coração”. E isso enquanto as celebrações estão em andamento pelos 350 anos da primeira manifestação do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque, em 1673, que se encerrarão em 27 de junho de 2025.

A importância de voltar ao coração

Aberta por uma breve introdução e dividida em cinco capítulos, a Encíclica sobre o culto ao Sagrado Coração de Jesus reúne, como anunciado em junho, “as preciosas reflexões de textos magisteriais precedentes e de uma longa história que remonta às Sagradas Escrituras, para repropor hoje, a toda a Igreja, esse culto carregado de beleza espiritual”.

O primeiro capítulo, “A importância do coração”, explica por que é necessário “voltar ao coração” em um mundo no qual somos tentados a “nos tornarmos consumistas insaciáveis e escravos na engrenagem de um mercado” (2). E faz isso analisando o que queremos dizer com “coração”: a Bíblia fala dele como um núcleo “que se esconde por detrás de todas as aparências” (4), um lugar onde “não conta o que mostramos exteriormente ou o que ocultamos, ali conta o que somos” (6). Ao coração conduzem as perguntas decisivas: que sentido quero dar à vida, às minhas escolhas e ações, quem sou diante de Deus (8). O Papa ressalta que a atual desvalorização do coração nasce do “racionalismo grego e pré-cristão, do idealismo pós-cristão e do materialismo”, de modo que, no grande pensamento filosófico, foram preferidos conceitos como “razão, vontade ou liberdade”. E não encontrando lugar para o coração, também “não se desenvolveu suficientemente a ideia de um centro pessoal” que pode unificar tudo, ou seja, o amor, (10). Ao invés, para o Pontífice, é preciso reconhecer que “eu sou o meu coração, porque é ele que me distingue, que me molda na minha identidade espiritual e que me põe em comunhão com as outras pessoas” (14).

O mundo pode mudar a partir do coração

É o coração “que une os fragmentos” e torna possível “qualquer vínculo autêntico, porque uma relação que não é construída com o coração não pode ultrapassar a fragmentação do individualismo” (17). A espiritualidade de santos como Inácio de Loyola (aceitar a amizade do Senhor é uma questão de coração) e São John Henry Newman (o Senhor nos salva falando ao nosso coração a partir do seu sagrado Coração) nos ensina, escreve o Papa Francisco, que “perante o Coração de Jesus vivo e atual, o nosso intelecto, iluminado pelo Espírito, compreende as palavras de Jesus” (27). E isso tem consequências sociais, porque o mundo pode mudar “a partir do coração” (28).

“Gestos e palavras de amor”

O segundo capítulo é dedicado aos gestos e palavras de amor de Cristo. Os gestos com os quais nos trata como amigos e mostra que Deus “é proximidade, compaixão e ternura” são vistos em seus encontros com a Samaritana, com Nicodemos, com a prostituta, com a mulher adúltera e com o cego no caminho (35). Seu olhar, que “perscruta as profundezas do seu ser” (39), mostra que Jesus “está atento às pessoas, às suas preocupações, ao seu sofrimento” (40). De tal forma “que admira as coisas boas que encontra em nós”, como no centurião, mesmo que os outros as ignorem (41). Sua palavra de amor mais eloquente é ser “pregado numa cruz” (46), depois de chorar por seu amigo Lázaro e sofrer no Jardim das Oliveiras, ciente de sua própria morte violenta “nas mãos daqueles que tanto amava” (45).

O mistério de um coração que amou tanto

No terceiro capítulo, “Este é o coração que tanto amou”, o Pontífice recorda como a Igreja reflete e refletiu no passado “sobre o santo mistério do Coração do Senhor”. Ele faz isso fazendo referência à Encíclica Haurietis aquas, de Pio XII, sobre a devoção ao Sagrado Coração de Jesus (1956). Ele deixa claro que “a devoção ao Coração de Cristo não é o culto a um órgão separado da Pessoa de Jesus”, porque adoramos a “Jesus Cristo por inteiro, o Filho de Deus feito homem, representado numa imagem sua em que se destaca o seu coração” (48). A imagem do coração de carne, ressalta o Papa, nos ajuda a contemplar, na devoção, que “o amor do coração de Jesus não compreende somente a caridade divina, mas se estende aos sentimentos do afeto humano” (61). Seu Coração, prossegue Francisco citando Bento XVI, contém um “tríplice amor”: o amor sensível do seu coração físico “e o seu duplo amor espiritual, o humano e o divino” (66), no qual encontramos “o infinito no finito” (64).

O Sagrado Coração de Jesus é um compêndio do Evangelho

As visões de alguns santos, particularmente devotos do Coração de Cristo, ressalta Francisco, “são belos estímulos que podem motivar e fazer muito bem”, mas “não são algo em que os crentes sejam obrigados a acreditar como se fossem a Palavra de Deus”. Em seguida, o Papa lembra com Pio XII que não se pode dizer que este culto “deve a sua origem a revelações privadas”. Aliás, “a devoção ao Coração de Cristo é essencial para a nossa vida cristã, na medida em que significa a nossa abertura, cheia de fé e de adoração, ao mistério do amor divino e humano do Senhor, até ao ponto de podermos voltar a afirmar que o Sagrado Coração é um compêndio do Evangelho” (83). O Pontífice nos convida, então, a renovar a devoção ao Coração de Cristo também para combater as “novas manifestações de uma ‘espiritualidade sem carne’” que estão se multiplicando na sociedade (87). É necessário retornar à “síntese encarnada do Evangelho” (90) diante de “comunidades e pastores concentrados apenas em atividades exteriores, em reformas estruturais desprovidas de Evangelho, em organizações obsessivas, em projetos mundanos, em reflexões secularizadas, em várias propostas apresentadas como requisitos que, por vezes, se pretendem impor a todos” (88).

A experiência de um amor “que dá de beber”

Nos dois últimos capítulos, o Papa Francisco destaca os dois aspectos que “a devoção ao Sagrado Coração deve reunir hoje para continuar a alimentar-nos e a aproximar-nos do Evangelho: a experiência espiritual pessoal e o compromisso comunitário e missionário” (91). No quarto, “O amor que dá de beber”, relê as Sagradas Escrituras e, com os primeiros cristãos, reconhece Cristo e seu lado aberto em “aquele a quem trespassaram”, a quem Deus se refere na profecia do livro de Zacarias. Uma fonte aberta para o povo, para saciar a sede do amor de Deus, “para a purificação do pecado e da impureza” (95). Vários Padres da Igreja mencionaram “a chaga no lado de Jesus como a origem da água do Espírito”, sobretudo Santo Agostinho, que “abriu o caminho para a devoção ao Sagrado Coração como lugar de encontro pessoal com o Senhor” (103).  Esse lado trespassado, recorda o Papa, “assumiu gradualmente a forma do coração” (109), e enumera várias santas mulheres que “relataram experiências de encontro com Cristo, caracterizado pelo repouso no Coração do Senhor” (110). Entre os devotos dos tempos modernos, a Encíclica fala, em primeiro lugar, de São Francisco de Sales, que representa a sua proposta de vida espiritual com um “coração trespassado por duas flechas, encerrado numa coroa de espinhos” (118)

As aparições a Santa Margarida Maria Alacoque

Sob a influência dessa espiritualidade, Santa Margarida Maria Alacoque relata as aparições de Jesus em Paray-le-Monial, entre o fim de dezembro de 1673 e junho de 1675. O núcleo da mensagem que nos é transmitida pode ser resumido nas palavras que Santa Margarida ouviu: “Eis aqui este Coração que tanto tem amado os homens, que a nada se tem poupado até se esgotar e consumir para lhes testemunhar o seu amor” (121).

Teresa de Lisieux, Inácio de Loyola e Faustina Kowalska

De Santa Teresa de Lisieux, o documento recorda o fato de chamar Jesus de “Aquele cujo coração batia em uníssono com o meu” (134) e suas cartas à Irmã Maria, que ajudam a não concentrar a devoção ao Sagrado Coração “no âmbito da dor”, como o daqueles que entendiam a reparação como uma espécie de “primado dos sacrifícios”, mas na confiança “como a melhor oferta, agradável ao Coração de Cristo” (138). O Pontífice jesuíta também dedica algumas passagens da Encíclica ao lugar do Sagrado Coração na história da Companhia de Jesus, enfatizando que, em seus Exercícios Espirituais, Santo Inácio de Loyola propõe ao exercitante “entrar no Coração de Cristo” em um diálogo de coração para coração. Em dezembro de 1871, o Padre Beckx consagrou a Companhia ao Sagrado Coração de Jesus e o Padre Arrupe voltou a fazê-lo em 1972 (146). As experiências de Santa Faustina Kowalska, recorda-se, repropõem a devoção “colocando uma forte ênfase na vida gloriosa do Ressuscitado e na misericórdia divina” e, motivado por elas, São João Paulo II também “relacionou intimamente a sua reflexão sobre a misericórdia com a devoção ao Coração de Cristo” (149). Falando da “devoção da consolação”, a Encíclica explica que, diante dos sinais da Paixão conservados pelo coração do Ressuscitado, é inevitável “que o fiel queira responder” também “à dor que Cristo aceitou suportar por causa de tanto amor” (151). E pede “que ninguém ridicularize as expressões de fervor devoto do santo povo fiel de Deus, que na sua piedade popular procura consolar Cristo” (160). Pois que, então, “desejando consolá-lo, saímos consolados” e assim “também nós possamos consolar aqueles que estão em qualquer tribulação” (162).

A devoção ao Coração de Cristo nos envia aos irmãos

O quinto e último capítulo, “Amor por amor”, aprofunda a dimensão comunitária, social e missionária de toda autêntica devoção ao Coração de Cristo, que, ao mesmo tempo que “nos conduz ao Pai, envia-nos aos irmãos” (163). De fato, o amor aos irmãos é o “maior gesto que possamos oferecer-lhe para retribuir amor por amor” (167). Olhando para a história da espiritualidade, o Pontífice recorda que o empenho missionário de São Charles de Foucauld fez dele um “irmão universal”: “deixando-se plasmar pelo Coração de Cristo, quis abraçar no seu coração fraterno toda a humanidade sofredora” (179). Francisco fala então de “reparação”, como explicava São João Paulo II: “entregando-nos em conjunto ao Coração de Cristo, ‘sobre as ruínas acumuladas pelo ódio e pela violência, poderá ser construída a civilização do amor tão desejada, o Reino do Coração de Cristo’” (182).

A missão de fazer o mundo se apaixonar

A Encíclica recorda novamente com São João Paulo II que “a consagração ao Coração de Cristo ‘deve ser aproximada à ação missionária da própria Igreja, porque responde ao desejo do Coração de Jesus de propagar no mundo, através dos membros do seu Corpo, a sua total dedicação ao Reino’. Por conseguinte, através dos cristãos, ‘o amor difundir-se-á no coração dos homens, para que se construa o Corpo de Cristo que é a Igreja e se edifique uma sociedade de justiça, de paz e de fraternidade’” (206). Para evitar o grande risco, sublinhado por São Paulo VI, de que na missão “se digam e façam muitas coisas, mas não se consiga promover o encontro feliz com o amor de Cristo” (208), precisamos de “missionários apaixonados, que se deixem cativar por Cristo” (209).

A oração de Francisco

O texto se conclui com a seguinte oração de Francisco: “Peço ao Senhor Jesus Cristo que, para todos nós, do seu Coração santo brotem rios de água viva para curar as feridas que nos infligimos, para reforçar a nossa capacidade de amar e servir, para nos impulsionar a fim de aprendermos a caminhar juntos em direção a um mundo justo, solidário e fraterno. Isto até que, com alegria, celebremos unidos o banquete do Reino celeste. Aí estará Cristo ressuscitado, harmonizando todas as nossas diferenças com a luz que brota incessantemente do seu Coração aberto. Bendito seja!” (220).

Em vista do próximo Jubileu 2025, com o intuito de ajudar a compreender a tendência das alterações dos dados numéricos sobre a presença e
Em vista do próximo Jubileu 2025, com o intuito de ajudar a compreender a tendência das alterações dos dados numéricos sobre a presença e missão da Igreja Católica no mundo, a Agência Fides, além do habitual dossiê anual, publica esta vez também um apêndice, que resume os dados das alterações, durante os últimos vinte e cinco anos (1998-2022). Tais dados referem-se à população católica, número de sacerdotes, religiosos e religiosas, e o número de batizados administrados em nível planetário.

Por ocasião do 98º Dia Mundial das Missões, que se celebra neste domingo, 20 de outubro, a Agência Fides apresenta, como de costume, algumas estatísticas para oferecer um panorama da Igreja Católica no mundo.

Os dados e tabelas são extraídos do último «Anuário Estatístico da Igreja» – publicado (atualizado em 31 de dezembro de 2022) – e se referem aos membros da Igreja, estruturas pastorais, atividades nos setores da saúde, assistência social e educacional. Enfim, apresenta uma visão geral das circunscrições eclesiásticas, confiadas ao Dicastério para a Evangelização – Seção para a primeira evangelização e as novas Igrejas particulares.

Igreja Católica no mundo: síntese dos dados

Em 31 de dezembro de 2022, a população mundial contava 7.838.944.000 pessoas, um aumento de 53.175.000, em comparação ao ano anterior. Confirma-se uma tendência positiva em todos os continentes, exceto na Europa.

Em 31 de dezembro de 2022, o número de católicos era 1.389.573.000 pessoas, um aumento global de 13.721.000 católicos, em comparação ao ano anterior. Neste caso também o aumento dos católicos diz respeito a quatro dos cinco continentes. Na Europa, registra-se uma diminuição do número de católicos de 474.000. Como nos anos anteriores, o aumento dos católicos é mais acentuado na África (+7.271.000) e na América (+5.912.000), seguido pela Ásia (+889 mil) e Oceania (+123 mil). A percentagem de católicos, na população mundial, teve um leve aumento (+0,03); em relação ao ano anterior, permaneceu igual a 17,7%. Em relação a cada continente, as variações desses dados são mínimas.

O número total de Bispos no mundo aumentou (+13), em comparação com a pesquisa do ano anterior, chegando a 5.353. O número de Bispos diocesanos aumentou (+19), mas o número de Bispos religiosos diminuiu (-6). Os Bispos diocesanos são 2.682, enquanto os Bispos religiosos são 2.671.

O número total de sacerdotes no mundo diminuiu: 407.730 (-142 no ano passado). A Europa, mais uma vez, registrou uma diminuição significativa (-2745), seguida pela América (-164). Como no ano passado, houve aumentos significativos na África (+1.676) e na Ásia (+1.160). A Oceania, depois do aumento do ano passado, voltou a ter resultado negativo (-69). O número de sacerdotes diocesanos no mundo diminuiu (-439), de modo geral, atingindo o número de 279.171. Os sacerdotes religiosos aumentaram (+297), chegando a um total de 128.559.

Em relação à última pesquisa anual, o número de diáconos permanentes no mundo continua a aumentar (+974), chegando a 50.159. O aumento deu-se na África (+1), Ásia (+15) e Europa (+267), mas diminuiu na América (-308) e na Oceania (-1).

Os religiosos não-sacerdotes diminuíram (-360), em comparação ao ano anterior, atingindo um número total de 49.414. As diminuições registraram-se na África (-229), Europa (-382) e Oceania (-27), enquanto aumentos ocorreram na América (+27) e na Ásia (+251). Segundo as pesquisas mais atualizadas, confirma-se a tendência global da diminuição de religiosas, que se verifica já há algum tempo: são 599.228 (-9.730). Os aumentos ocorrem, mais uma vez, na África (+1.358) e na Ásia (+74), enquanto o número continua a diminuir na Europa (-7.012), América (-1.358) e Oceania (-225).

O número de seminaristas maiores, diocesanos e religiosos, também diminui, segundo as últimas pesquisas anuais: em todo o planeta contam 108.481 (no ano anterior eram 109.895). Os aumentos registraram-se apenas na África (+726) e na Oceania (+12), enquanto o número diminuiu na América (-921), Ásia (-375) e Europa (-859). O número total de seminaristas menores, diocesanos e religiosos, também diminuiu no mundo, atingindo 95.161 (-553). Em particular, o aumento ocorreu apenas na África (+1.065), enquanto as diminuições foram registradas nos demais continentes: Ásia (-978), América (-475), Europa (-153) Oceania (-12).

No âmbito do ensino e educação, a Igreja presta assistência, no mundo inteiro, a 74.322 escolas maternas, que contam 7.622.480 alunos; 102.189 escolas primárias, com 35.729.911 alunos; 50.851 escolas de ensino fundamental e médio, que contam 20.566.902 alunos. Além disso, 2.460.993 alunos estudam em institutos superiores, enquanto 3.925.393 são estudantes universitários.

Os Institutos de saúde, beneficência e assistência, dirigidas pela Igreja no mundo, são um total de 102.409 e compreendem: 5.420 hospitais, 14.205 dispensários, 525 leprosários, 15.476 casas para idosos, enfermos crônicos e com deficiência, 10.589 creches, 10.500 consultórios matrimoniais, 3.141 centros de educação ou reeducação sociais, 33.677 outros tipos de instituições.

As Circunscrições Eclesiásticas, – sedes Metropolitanas, Arquidioceses, Dioceses, Abadias Territoriais, Vicariatos Apostólicos, Prefeituras Apostólicas, Missões ‘sui iuris’, Prelazias Territoriais, Administrações Apostólicas e Ordinariados Militares – que dependem do Dicastério para a Evangelização, são 1.123 no total e (+2), segundo a última alteração. A maior parte das Circunscrições Eclesiásticas, confiadas ao Dicastério, com sede em Roma, encontra-se na África (525) e Ásia (481), seguida pela América (71) e Oceania (46).

Apêndice: alterações durante 25 anos (1998-2022)

Em vista do próximo Jubileu 2025, com o intuito de ajudar a compreender a tendência das alterações dos dados numéricos sobre a presença e missão da Igreja Católica no mundo, a Agência Fides, além do habitual dossiê anual, publica esta vez também um apêndice, que resume os dados das alterações, durante os últimos vinte e cinco anos (1998-2022). Tais dados referem-se à população católica, número de sacerdotes, religiosos e religiosas, e o número de batizados administrados em nível planetário.

Este apêndice reúne e elabora também dados e tabelas, extraídos dos vários “Anuários Estatísticos da Igreja”, desde 1998 a 2022. Contrariamente ao dossiê clássico, os dados levados em consideração no Apêndice não entram em detalhes sobre os vários Continentes, mas apenas delineiam o quadro geral dos números, em nível planetário.

Em consequência, o que se pode deduzir dos dados coletados no período 1998-2022 é o seguinte: o número de católicos presentes no planeta, ao longo de vinte e cinco anos, sempre teve um constante aumento. Os dados numéricos dos católicos, em percentagem, são significativos: em 1998, 17,4% da população mundial era católica. Na última variação disponível chega a 17,7%, uma percentagem que permaneceu inalterada, desde 2015, após um pequeno pique em 2014 (17,8%).

Outro dado significativo diz respeito ao número de sacerdotes. Em nível mundial, nesses vinte e cinco anos, o número total de sacerdotes passou de 404.628 para 407.730, enquanto o número de religiosos não-sacerdotes e o de religiosas registrou uma diminuição. Com base nos dados, os religiosos não-sacerdotes, em vinte e cinco anos, nunca ultrapassaram os 60 mil. A mesma curva descendente refere-se também às religiosas, cujo número, em vinte e cinco anos, passou de 814.779 para 559.228.

Enquanto a população católica aumenta no mundo, a administração do sacramento do Batismo diminui, passando de 17.932.891 batizados, em 1998, para 13.327.037, em 2022.

*Agência Fides

Publicação: vaticannews.va