Notícias da Igreja

Para aprofundar a experiência de uma Igreja mais sinodal, além de relembrar e compartilhar com as comunidades de fé cada momento da peregrinação à

Para aprofundar a experiência de uma Igreja mais sinodal, além de relembrar e compartilhar com as comunidades de fé cada momento da peregrinação à Roma, os Regionais Leste 2 (Minas Gerais) e Leste 3 (Espírito Santo) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançam, nesta quarta-feira (18), a revista digital da Visita Ad Limina Apostolorum.

A publicação especial relembra cada passo dos bispos no Vaticano, durante a Visita Ad Limina Apostolorum, que foi realizada entre os dias 17 e 26 de outubro de 2022 e reuniu uma comitiva formada por 28 bispos de Minas Gerais e 04 do Espírito Santo.

Na publicação digital, que pode ser acessada aqui, estão reunidos todos os relatórios pastorais apresentados nos Dicastérios, Secretarias e Comissões Pontifícias do Vaticano, além de depoimentos dos bispos que prepararam os documentos e que abrangem as questões administrativas, o ministério do bispo, o funcionamento da Cúria Diocesana, a vida dos sacerdotes, a situação dos seminários e das vocações, as congregações religiosas, as celebrações litúrgicas, os ministérios leigos, a catequese, as escolas católicas, as pastorais e movimentos, a presença da Igreja nos meios de comunicação e o relacionamento com o poder público, entre outras questões.

A agenda pastoral mais esperada da Visita Ad Limina Apostolorum, a audiência com o Papa Francisco, ganhou um capítulo especial e traz o registro dos principais momentos do encontro, com depoimentos dos bispos e a mensagem entregue ao Santo Padre na íntegra.

A publicação também relembra as celebrações eucarísticas nas Basílicas Papais de Santa Maria Maior, São Pedro, São João de Latrão e São Paulo Fora dos Muros, com a profissão de fé dos bispos nos túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo. E traz outras atividades dos bispos como a peregrinação à Assis, a visita à embaixada do Brasil na Santa Sé, o encontro na Comunidade Religiosa Opera della Chiesa, a Missa no Dia de São João Paulo II e a acolhida no Colégio Pio Brasileiro, em Roma. A equipe dos Regionais, que atuou na preparação da visita e a articulação da rede de comunicadores e comunicadoras que trabalhou na divulgação e cobertura das atividades nas dioceses também são destaques na revista.

Peregrinação a Roma

A Visita Ad Limina Apostolorum é uma peregrinação que acontece a cada cinco anos e sua finalidade é expressar a unidade, a fidelidade e a comunhão de cada arcebispo e bispo com o sucessor de Pedro. Além do encontro com o Papa Francisco, uma série de atividades no Vaticano como reuniões nos departamentos que integram a Cúria Romana e celebrações eucarísticas nos túmulos dos apóstolos Pedro e Paulo, marcaram a agenda pastoral.

Todas as atividades da visita podem ser relembradas pelo hotsite www.visitaadlimina.com.br e pelas redes sociais dos Regionais Leste 2 e Leste 3 da CNBB (Facebook, Instagram e canal no Youtube).

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou na manhã desta quarta-feira, 18 de janeiro, uma nota na qual manifesta reprovação a toda

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou na manhã desta quarta-feira, 18 de janeiro, uma nota na qual manifesta reprovação a toda e qualquer iniciativa que sinalize para a flexibilização do aborto a exemplo das últimas medidas do Ministério da Saúde, constantes da Portaria GM/MS de nº 13, publicada no último dia 13.

A portaria permitiu a desvinculação do Brasil com a Convenção de Genebra e a revogação de outra portaria que determina a comunicação do aborto por estupro às autoridades policiais. A Nota da CNBB pede esclarecimento do Governo Federal considerando que a defesa do nascituro foi compromisso assumido em campanha.

No documento, a CNBB reitera que a “a hora pede sensatez e equilíbrio para a efetiva busca da paz e reforça que é preciso lembrar que qualquer atentado contra a vida é também uma agressão ao Estado Democrático de Direito e configura ataques à dignidade e ao bem-estar social”. Confira, abaixo, a íntegra do documento e aqui a nota em PDF. 

 

A VIDA EM PRIMEIRO LUGAR

Nota da CNBB

“Diante de vós, a vida e a morte. Escolhe a vida!” (cf. Dt 30,19)

 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não concorda e manifesta sua reprovação a toda e qualquer iniciativa que sinalize para a flexibilização do aborto. Assim, as últimas medidas, a exemplo da desvinculação do Brasil com a Convenção de Genebra e a revogação da portaria que determina a comunicação do aborto por estupro às autoridades policiais, precisam ser esclarecidas pelo Governo Federal considerando que a defesa do nascituro foi compromisso assumido em campanha.

A hora pede sensatez e equilíbrio para a efetiva busca da paz. É preciso lembrar que qualquer atentado contra a vida é também uma agressão ao Estado Democrático de Direito e configura ataques à dignidade e ao bem-estar social.

A Igreja, sem vínculo com partido ou ideologia, fiel ao seu Mestre, clama para que todos se unam na defesa e na proteção da vida em todas as suas etapas – missão que exige compromisso com os pobres, com as gestantes e suas famílias, especialmente com a vida indefesa em gestação.

Não, contundente, ao aborto!

Possamos estar unidos na promoção da dignidade de todo ser humano.

 

Brasília-DF, 18 de janeiro de 2023

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre (RS)
Primeiro Vice-Presidente da CNBB

Dom Mário Antônio da Silva
Arcebispo de Cuiabá (MT)
Segundo Vice-Presidente da CNBB

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
Secretário-geral da CNBB

O Conselho de Igrejas Cristãs de Minnesota, EUA, escolheu o tema para orações ecumênicas de 18 a 25 de janeiro, uma invocação do Livro
O Conselho de Igrejas Cristãs de Minnesota, EUA, escolheu o tema para orações ecumênicas de 18 a 25 de janeiro, uma invocação do Livro de Isaías: “Aprendei a fazer o bem, procurai a justiça”. O Papa Francisco celebrará, como por tradição, as segundas Vésperas no encerramento da semana na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, na solenidade da conversão de São Paulo Apóstolo.
A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2023 tem início na quarta-feira, dia 18 de janeiro e se realiza em períodos diferentes nos dois hemisférios. No Brasil entre Ascensão e Pentecostes. O tema deste ano foi escolhido por um grupo local dos Estados Unidos da América, que também preparou o subsídio, convocado pelo Conselho de Igrejas de Minnesota. O tema é uma invocação retirada do Livro do Profeta Isaías (1,17): “aprendei a fazer o bem, procurai a justiça”. Em dezembro de 2020, o grupo se reuniu pela primeira vez de forma remota, embora muitos já se conhecessem e todos estivessem familiarizados com o trabalho do Conselho de Igrejas de Minnesota, cujos líderes são ativistas e pastores em várias congregações e comunidades.
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Preparação da Semana em um encontro em Bossey

A Comissão Internacional nomeada conjuntamente pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, agora Dicastério, e pela Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas, e encarregada de rever o subsídio para a Semana, encontrou-se com os delegados do Conselho de Igrejas de Minnesota em Bossey, Suíça, de 19 a 23 de setembro de 2021. O Grupo Local que elaborou o subsidio era constituído de homens, mulheres, mães, pais, pessoas capazes de narrar histórias, representantes de diferentes experiências de culto e expressões espirituais, seja dos povos indígenas dos Estados Unidos, seja das comunidades imigrantes – à força ou voluntariamente – que agora chamam esta região de “casa”, e que demostram, em nível individual, diferentes capacidades para contar e elaborar suas próprias histórias.

No grupo de Minnesota também migrantes e vítimas de racismo

Os membros do grupo também representavam regiões urbanas e suburbanas e muitas comunidades cristãs. Esta diversidade permitiu uma reflexão profunda e uma experiência de solidariedade enriquecida por muitas perspectivas diferentes. Os membros do grupo local Minnesota esperam que sua experiência pessoal de vítimas de racismo e denigração como seres humanos possa servir como testemunho da desumanidade da qual os filhos de Deus podem se mostrar capazes para com o seu próximo. Mas há também um profundo desejo interior de que, como cristãos que encarnam o dom da unidade de Deus, abordemos e erradiquemos divisões que nos impedem de entender e experimentar a verdade de que todos nós pertencemos a Cristo.

Compromissos com o Papa durante a Semana de Oração

Durante a Semana de Oração, no dia 18 de janeiro o Papa Francisco realizará a audiência geral de quarta-feira, e no dia 22 de janeiro, domingo da Palavra de Deus, celebrará a Missa às 9h30 (5h30, hora de Brasília) na Basílica de São Pedro. Os dois eventos serão transmitidos, ao vivo pela Rádio Vaticano – Vatican News, com comentários em português. Três dias depois, no dia 25 de janeiro, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, às 17h30 (13h30 hora de Brasília), o Papa celebrará as Segundas Vésperas no encerramento da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, na solenidade da conversão de São Paulo Apóstolo. Também este evento será transmitido, ao vivo, com comentários em português.

A Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF) lançou o novo guia para o Setor Pós-Matrimonial. Inspirado nas indicações da exortação Amoris Laetitia, o material é

A Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF) lançou o novo guia para o Setor Pós-Matrimonial. Inspirado nas indicações da exortação Amoris Laetitia, o material é voltado para a atuação pastoral junto aos casais que já têm alguns anos de vida matrimonial e suas famílias, tendo como mote “acompanhar, discernir e inserir as famílias”.

“Este guia quer ser a força para construir a casa sobre a rocha, para firmar as bases morais e espirituais dos casais e das famílias que querem aprofundar o sentido da vida e da presença de Deus na Igreja Doméstica“, resume o bispo de Rio Grande (RS) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, dom Ricardo Hoepers.

O bispo também ressalta que a proposta de acolher, acompanhar, discernir e integrar, baseada na Amoris Laetitia, “é uma atualização do nosso modo de fazer e compreender a Pastoral Familiar, não como algo dado e engessado, mas como um itinerário permanente de crescimento da fé no seio familiar, na comunidade eclesial e no testemunho do amor de Cristo a toda sociedade”.

O assessor da Comissão para a Vida e a Família da CNBB e secretário executivo da CNPF, padre Crispim Guimarães, destaca que o material é destinado “a todos aqueles que reconhecem o valor do Sacramento do Matrimônio como imagem do Amor de Cristo pela sua Igreja, e desejam se capacitar para testemunhá-lo de forma contundente ao mundo contemporâneo”.

Novo Guia Pós-Matrimonial

A publicação, continua o padre, “foi organizada de modo a fornecer conteúdo fiel ao Magistério da Igreja, bem como orientações pastorais de fácil consulta para sacerdotes, religiosos e leigos que exercem algum tipo de apostolado ou acompanhamento de casais e famílias”.

Ainda segundo o assessor, o guia segue uma metodologia de apresentação de propostas a partir de quatro eixos-chave, tendo como base a Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia e trazendo, em cada seção, subtemas relevantes dentro das quatro atitudes práticas de acolher, acompanhar, discernir e integrar.

Esta publicação soma-se a outros guias da Pastoral Familiar que foram atualizados no presente quadriênio, principalmente com as contribuições do magistério do Papa Francisco. Além do Guia do Setor Pós-Matrimonial, já foram lançados o Guia de Implatação na Paróquia e o Guia do Setor Pré-Matrimonial. Em breve, será disponibilizado o guia para o Setor Casos Especiais, que está em preparação.

O livro está disponível na loja virtual da Pastoral Familiar. Para adquirir, acesse: 

“Pode acontecer que o ardor apostólico, o desejo de alcançar os outros com o bom anúncio do Evangelho, diminua. Quando a vida cristã perde
“Pode acontecer que o ardor apostólico, o desejo de alcançar os outros com o bom anúncio do Evangelho, diminua. Quando a vida cristã perde de vista o horizonte do anúncio, adoece: fecha-se em si mesma, torna-se autorreferencial, atrofia-se. Sem zelo apostólico, a fé esmorece”. (Papa Francisco)

O Papa Francisco iniciou um novo ciclo de catequeses na Audiência Geral, esta semana, dedicado a um tema urgente e decisivo para a vida cristã: a paixão pela evangelização, ou seja, o zelo apostólico

Segundo o Pontífice, “trata-se de uma dimensão vital para a Igreja: com efeito, a comunidade dos discípulos de Jesus nasce apostólica, missionária, não proselitista e isso desde o início tivemos que distinguir”. “Ser missionário, ser apostólico, evangelizar não é o mesmo que fazer proselitismo, não tem nada a ver uma coisa com a outra. É uma dimensão vital para a Igreja”, sublinhou Francisco.

Sem zelo apostólico, a fé esmorece

O Espírito Santo plasma a Igreja em saída “a fim de que não permaneça fechada em si mesma, mas seja extrovertida, testemunha contagiosa de Jesus, destinada a irradiar a sua luz até aos extremos confins da terra”.

Contudo, pode acontecer que o ardor apostólico, o desejo de alcançar os outros com o bom anúncio do Evangelho, diminua. Quando a vida cristã perde de vista o horizonte do anúncio, adoece: fecha-se em si mesma, torna-se autorreferencial, atrofia-se. Sem zelo apostólico, a fé esmorece. Ao contrário, a missão é o oxigênio da vida cristã: a tonifica e a purifica.

A seguir, Francisco iniciou o caminho de redescoberta da paixão evangelizadora, começando das Escrituras e do ensinamento da Igreja, para haurir das fontes o zelo apostólico.

No episódio evangélico do chamado do apóstolo Mateus, tudo começa com Jesus, que “vê” – diz o texto – «um homem». Poucos viam Mateus como era: conheciam-no como aquele que estava «sentado no banco dos impostos». Era cobrador de impostos: ou seja, alguém que cobrava os tributos em nome do império romano, que ocupava a Palestina. Em síntese, era um colaboracionista, um traidor do povo. Podemos imaginar o desprezo que o povo sentia por ele: era um “publicano”.

Jesus vai à pessoa, ao coração

“Mas, aos olhos de Jesus”, frisou o Papa, “Mateus é um homem, com as suas misérias e a sua grandeza. Jesus não se limita aos adjetivos, Jesus sempre procura o substantivo. ‘Este é um pecador, este é um tal…’ são adjetivos”:

Jesus vai à pessoa, ao coração, esta é uma pessoa, este é um homem, esta é uma mulher, Jesus vai à substância, ao substantivo, nunca ao adjetivo, deixa passar os adjetivos”. E enquanto entre Mateus e o seu povo há distância, Jesus aproxima-se dele, porque cada homem é amado por Deus. Este olhar de Jesus que é belíssimo, que vê o outro, quem quer que seja, como destinatário de amor, é o início da paixão evangelizadora. Tudo começa a partir deste olhar, que aprendemos com Jesus

Movimento e meta

Portanto, tudo começa pelo olhar de Jesus. A isto segue-se a – segunda passagem – um movimento. Mateus estava sentado no banco dos impostos; Jesus disse-lhe: «Segue-me!». E ele «se levantou e o seguiu». O texto diz: “levantou-se”. “Por que este detalhe é tão importante? Porque naquela época quem estava sentado tinha autoridade sobre os outros“, respondeu o Papa. “Em síntese, quem estava sentado tinha poder. A primeira coisa que Jesus faz é separar Mateus do poder: do estar sentado para receber os outros, o coloca em movimento rumo aos outros; o faz deixar uma posição de supremacia para o colocar no mesmo nível dos irmãos e para lhe abrir os horizontes do serviço. É isto que Cristo faz, e isto é fundamental para os cristãos”, sublinhou Francisco.

Um olhar, um movimento e, no final, uma meta. Jesus vai até a casa de Mateus e ali,  Mateus prepara-lhe «um grande banquete», no qual «participa uma grande multidão de publicanos». “Mateus regressa ao seu ambiente, mas volta mudado e com Jesus”.

A Igreja cresce por atração

Segundo o Papa, “o seu zelo apostólico não começa num lugar novo, puro e ideal, mas lá onde vive, com as pessoas que conhece. Eis a mensagem para nós: não devemos esperar ser perfeitos e ter percorrido um longo caminho atrás de Jesus para dar testemunho d’Ele; o nosso anúncio começa hoje, lá onde vivemos. E não começa procurando convencer os outros, mas testemunhando todos os dias a beleza do Amor que olhou para nós e nos fez levantar”.

Francisco recordou uma expressão de Bento XVI que dizia a propósito: “A Igreja não faz proselitismo. Ao contrário, ela desenvolve-se por atração”. E contou que num hospital da Argentina chegou um grupo de religiosas coreanas que não sabia uma palavra de espanhol, mas logo os doentes se sentiram amados porque com seus gestos e olhares tinham comunicado Jesus. “Esta é a atração, contrária ao proselitismo”, concluiu o Papa, afirmando que “este testemunho atraente e jubiloso é a meta para a qual Jesus nos conduz com o seu olhar de amor e com o movimento em saída que o seu Espírito suscita no nosso coração”.

Fonte: Vatican News

Foi divulgada, nesta terça-feira (10/01), a intenção de oração do Papa Francisco para o mês de janeiro. Para inaugurar 2023, o Santo Padre escolheu

Foi divulgada, nesta terça-feira (10/01), a intenção de oração do Papa Francisco para o mês de janeiro. Para inaugurar 2023, o Santo Padre escolheu lançar uma mensagem aos educadores, fazendo-lhes a proposta de “acrescentar um novo conteúdo ao seu ensino: a fraternidade”.

Na mensagem de vídeo, Francisco deseja ampliar o âmbito da atividade educacional, para que a educação não se concentre apenas no conteúdo.

O vídeo do Papa deste mês, que começa com a palavra fraternidade, escrita numa lousa como se fosse um tema didático, acompanha a reflexão de Francisco com a narração de uma história ambientada em uma escola. Um menino, deixado de lado por seus colegas durante as partidas de futebol, permanece sozinho num canto até que um professor, percebendo seu desconforto, decide cuidar dele. Ele o faz não com palavras, mas com o testemunho de sua vida: ele fica com ele, dia após dia, e com carinho e perseverança ele o ensina a brincar. Até que, numa manhã, ele o encontra com aqueles mesmos colegas que antes o haviam marginalizado: ele está brincando com eles e, quando marca seu primeiro gol, ele o dedica ao professor, a testemunha confiável que o ajudou.

A educação é um ato de amor que ilumina o caminho para que recuperemos o entendimento da fraternidade, para que não ignoremos os mais vulneráveis.

Para o Papa, “o educador é uma testemunha que não oferece os seus conhecimentos mentais, mas as suas convicções, o seu compromisso com a vida”.

É alguém que sabe manusear bem três linguagens: a da cabeça, a do coração e a das mãos, em harmonia. E daí a alegria de comunicar. E eles serão ouvidos com muito mais atenção e serão criadores de comunidade. Por quê? Porque estão semeando este testemunho.

Segundo o diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, pe. Frédéric Fornos, “novamente, diante dos desafios do mundo, o Papa Francisco insiste mais uma vez na fraternidade. É a bússola de sua Encíclica Fratelli tutti. É o único caminho para a humanidade, e é por isso que a educação é essencial”.

Rezemos para que os educadores sejam testemunhas críveis, ensinando a fraternidade em vez da competição e ajudando especialmente os jovens mais vulneráveis.

Fonte: Vaticano News

“Trata bem dele!” A compaixão como exercício sinodal de cura. Assim o Papa intitulou a sua Mensagem para o XXXI Dia Mundial do Doente
“Trata bem dele!” A compaixão como exercício sinodal de cura. Assim o Papa intitulou a sua Mensagem para o XXXI Dia Mundial do Doente que será celebrado em 11 de fevereiro de 2023 recordando a parábola do Bom Samaritano. A doença faz parte da nossa experiência humana, escreveu Francisco logo no início da sua Mensagem, mas “pode tornar-se desumana, se for vivida no isolamento e no abandono, se não for acompanhada pelo desvelo e a compaixão”.

Caminhar juntos

E observa a importância da nossa caminhada ao afirmar que nestes momentos pode-se ver como estamos caminhando: “se é verdadeiramente um caminhar juntos, ou se se vai na mesma estrada mas cada um por conta própria, cuidando dos próprios interesses e deixando que os outros ‘se arranjem’. Por isso”, continua, “neste XXXI Dia Mundial do Doente e em pleno percurso sinodal, convido-vos a refletir sobre o fato de podermos aprender, precisamente através da experiência da fragilidade e da doença, a caminhar juntos segundo o estilo de Deus, que é proximidade, compaixão e ternura”.

A fragilidade faz parte do nosso caminho

“Naturalmente as experiências do extravio, da doença e da fragilidade fazem parte do nosso caminho: não nos excluem do povo de Deus”, acrescentou na Mensagem, “pelo contrário, colocam-nos no centro da solicitude do Senhor, que é Pai e não quer perder pela estrada nem sequer um dos seus filhos”. Enfatizando que se “trata de aprender com Ele a ser verdadeiramente uma comunidade que caminha em conjunto, capaz de não se deixar contagiar pela cultura do descarte”.

O Bom Samaritano

Ao falar sobre a parábola do Bom Samaritano exemplificou o estilo de Deus: “Com efeito, há uma profunda conexão entre esta parábola de Jesus e as múltiplas formas em que é negada hoje a fraternidade. Não é fácil distinguir os atentados à vida e à sua dignidade que provêm de causas naturais e, ao invés, aqueles que são provocados por injustiças e violências. Na realidade, o nível das desigualdades e a prevalência dos interesses de poucos já incidem de tal modo sobre cada ambiente humano que é difícil considerar ‘natural’ qualquer experiência. Cada doença realiza-se numa ‘cultura’ por entre as suas contradições”.

Reconhecer a solidão e abandono

Voltando ao ponto focal da mensagem acrescenta “O que importa aqui é reconhecer a condição de solidão, de abandono. Trata-se duma atrocidade que pode ser superada antes de qualquer outra injustiça, porque para a eliminar – como conta a parábola – basta um momento de atenção, o movimento interior da compaixão”.

Nossa vulnerabilidade

“Nunca estamos preparados para a doença”, recorda o Papa, “e muitas vezes nem sequer para admitir a idade avançada. Tememos a vulnerabilidade, e a invasiva cultura do mercado impele-nos a negá-la. Não há espaço para a fragilidade. E assim o mal, quando irrompe e nos ataca, deixa-nos por terra atordoados”. E assinala as consequências “então pode acontecer que os outros nos abandonem, ou nos pareça que devemos abandoná-los a fim de não nos sentirem um peso para eles. Começa assim a solidão, e envenena-nos a sensação amarga duma injustiça, devido à qual até o Céu parece se fechar para nós”.

Igreja: prestação de cuidados

“Por isso mesmo é tão importante, relativamente também à doença, que toda a Igreja se confronte com o exemplo evangélico do bom samaritano, para se tornar um válido ‘hospital de campanha’: com efeito a sua missão, especialmente nas circunstâncias históricas que atravessamos, exprime-se na prestação de cuidados”.

Objetivos do Dia Mundial do Doente

Por fim o Papa escreve: “o Dia Mundial do Doente não convida apenas à oração e à proximidade com os que sofrem, mas visa ao mesmo tempo sensibilizar o povo de Deus, as instituições de saúde e a sociedade civil para uma nova forma de avançar juntos”. E afirma ainda: “A Palavra de Deus – não só na denúncia, mas também na proposta – é sempre iluminadora e de hoje. Na realidade, a conclusão da parábola do Bom Samaritano sugere-nos como a prática da fraternidade, que começou por um encontro de indivíduo com indivíduo, se pode alargar para um tratamento organizado”.

“Trata bem dele!”

Concluindo Francisco reitera a recomendação do samaritano ao estalajadeiro: “Trata bem dele!”. Porém, continua, Jesus repete-a igualmente a cada um de nós na exortação conclusiva: ‘Vai e faz tu também o mesmo’. Como evidenciei na encíclica Fratelli tutti, ‘a parábola mostra-nos as iniciativas com que se pode refazer uma comunidade a partir de homens e mulheres que assumem como própria a fragilidade dos outros, não deixam constituir-se uma sociedade de exclusão, mas fazem-se próximos, levantam e reabilitam o caído, para que o bem seja comum’. Efetivamente ‘fomos criados para a plenitude que só se alcança no amor. Viver indiferentes à dor não é uma opção possível’”.

Fonte: Jane Nogara – Vatican News

Guerra, vida, liberdade e democracia: estes foram os temas tratados pelo Papa Francisco ao receber em audiência os embaixadores acreditados juntos à Santa Sé,
Guerra, vida, liberdade e democracia: estes foram os temas tratados pelo Papa Francisco ao receber em audiência os embaixadores acreditados juntos à Santa Sé, para o tradicional encontro de felicitação de Ano Novo.

Nesta ocasião, o Pontífice faz um articulado discurso analisando os temas mais candentes para a comunidade global. Antes de iniciar, Francisco agradeceu pelas mensagens de condolências que recebeu por ocasião da morte de Bento XVI e pela solidariedade manifestada durante as exéquias.

Como fato eclesial marcante, Francisco citou a decisão da Santa Sé e da República Popular Chinesa de prorrogar por mais dois anos o Acordo Provisório sobre a nomeação dos bispos. “Espero que esta relação de colaboração se possa desenvolver em prol da vida da Igreja Católica e do bem do povo chinês.”

O Decano do Corpo Diplomático é o grego Georges Poulides

A imoralidade das armas atômicas

Mas o fio condutor do pronunciamento do Papa foi a Encíclica Pacem in terris de São João XXIII, que está completando em 2023 sessenta anos de sua publicação. Neste texto, consta a preocupação com a ameaça nuclear durante a crise dos mísseis de Cuba – ameaça que se repete ainda hoje. “Não posso deixar de reiterar, aqui, que a posse de armas atômicas é imoral.” “Sob a ameaça de armas nucleares, todos somos sempre perdedores!”, completou.

Aprofundando a III guerra mundial em andamento, Francisco citou primeiramente a Ucrânia, reiterando seu apelo “para que se faça cessar imediatamente este conflito insensato”. Mas nomeou ainda a Síria, Israel e Palestina, Líbano, o Cáucaso, o Iêmen, Mianmar e a península coreana. Falando da África, mencionou as nações da costa ocidental, e recordou a República Democrática do Congo e o Sudão do Sul, dois países que visitará daqui poucos dias.

As viagens de 2022 também foram recordadas. No Bahrein e no Cazaquistão, o tema foi o diálogo inter-religoso. No Canadá, a colonização ideológica. Em Malta, o naufrágio da civilização ao lidar com o tema da migração.

Santa Sé mantém relações diplomáticas com 183 países

Mulheres não são cidadãos de segunda classe

Fica então a pergunta: num tempo assim conflituoso, como reatar os fios de paz? Para São João XXIII, a paz é possível à luz de quatro bens fundamentais: a verdade, a justiça, a solidariedade e a liberdade.

Estes bens vêm à tona respeitando os direitos humanos e as liberdades fundamentais de cada pessoa. Mas não é o que acontece às mulheres, por exemplo, em muitos países consideradas cidadãos de segunda classe. Não é o que acontece aos nascituros, que encontram a morte no ventre materno. “Ninguém pode reivindicar direitos sobre a vida doutro ser humano, especialmente se inerme e desprovido de qualquer possibilidade de defesa”, recordou o Papa.

O direito à vida é ameaçado também onde se continua a praticar a pena de morte, como está acontecendo nestes dias no Irã, na sequência das recentes manifestações que pedem maior respeito pela dignidade das mulheres. Até o último momento, disse o Papa, a pessoa pode mudar e se converter, fazendo seu enésimo apelo para que a pena de morte seja abolida nas legislações de todos os países da terra.

Cristianismo incita à paz

A paz exige também educação, antídoto contra a ignorância e o preconceito, e liberdade religiosa. “Em cada sete cristãos, um é perseguido”, recordou Francisco. “O cristianismo incita à paz, porque estimula à conversão e ao exercício da virtude.”

Retomando o tema de sua mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2023, o Papa reafirmou que “juntos, pode-se fazer muito bem! Basta pensar nas louváveis iniciativas destinadas a reduzir a pobreza, ajudar os migrantes, contrastar as alterações climáticas, favorecer o desarmamento nuclear e prestar ajuda humanitária”.

A propósito do cuidado da “casa comum”, o Pontífice citou a adesão da Santa Sé à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, com a intenção de dar o seu apoio moral aos esforços de todos os Estados para cooperar numa resposta eficaz e adequada aos desafios colocados pela alteração climática.

Audiência ao Corpo Diplomático é uma das mais tradicionais do ano

Enfraquecimento da democracia

Antes de concluir, Francisco manifestou sua preocupação com o “enfraquecimento” da democracia, cujo sinal são crescentes polarizações políticas e sociais, que não ajudam a resolver os problemas urgentes dos cidadãos.

“Penso nas várias crises políticas em diversos países do continente americano, com a sua carga de tensões e formas de violência que exacerbam os conflitos sociais.” E o Papa citou três países: Peru, Haiti e, nas últimas horas, o Brasil. “Sempre é preciso superar as lógicas parciais e trabalhar pela construção do bem comum.”

Fonte: Bianca Fraccalvieri – Vatican News