Notícias da Igreja

Terminou ontem, 18 de setembro de 2022, o Seminário que reuniu bispos nomeados entre 2019 e 2022, em Roma. O Seminário é uma convocação

Terminou ontem, 18 de setembro de 2022, o Seminário que reuniu bispos nomeados entre 2019 e 2022, em Roma. O Seminário é uma convocação do Papa que esteve presente no encerramento por um período de 3h, conforme nos comunicou dom Andherson Franklin Lustoza de Souza, bispo auxiliar da Arquidiocese de Vitória.

Dom Franklin disse referindo-se à presença do Papa: “Ele permaneceu conosco durante 3h, nos ouviu e conversou conosco com liberdade e fraternidade. Apresentou desafios do episcopado e do serviço ministerial, convidando-nos permanecer unidos ao Senhor, ao colégio episcopal, aos presbíteros e ao povo de Deus”.

 

Membros da Pascom, Pastoral da Comunicação, no Brasil podem participar da pesquisa nacional. Leia a matéria publicada no site da CNBB, Conferência Nacional dos

Membros da Pascom, Pastoral da Comunicação, no Brasil podem participar da pesquisa nacional. Leia a matéria publicada no site da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Motivada pelo desejo sinodal e na tentativa de oferecer respostas mais concretas a partir da necessidade dos agentes, a Pascom Brasil iniciará na próxima segunda, 19 de setembro, a campanha “A Pascom Brasil quer escutar você”. Será um processo amplo diante dos questionamentos relacionados a cada eixo: espiritualidade, formação, articulação e produção.

O formulário estará disponível pelo portal da Pascom até o dia 30 de setembro. Podem participar do processo, todos os agentes que atuam na Pascom em todas as instâncias da Igreja: comunidades, paróquias, arquidioceses, dioceses e regionais.

Segundo a vice-coordenadora nacional da Pascom, Janaína Gonçalves, as respostas ajudarão muito na realização do planejamento da Pascom em nível nacional, na articulação com os Grupos de Trabalho (GTs) e facilitará para a compreensão das principais demandas dos agentes da Pascom neste momento.

“Há algum tempo estamos acompanhando a Igreja falar sobre sinodalidade, que quer dizer ‘caminhar juntos’. O Papa Francisco deixou claro que a palavra Sinodalidade pode ser simples na hora de explicar, mas não é nada fácil quando somos chamados a praticar. Para que o caminho desejado por Francisco seja percorrido com os irmãos e irmãs, com convicção e força na relação com o próprio Jesus, o início desta caminhada, ou a permanência dela, só será possível através do primeiro passo: a escuta”, afirmou.

Perguntas para escuta

Para melhor identificar as necessidades dos agentes, a escuta terá quatro perguntas que foram preparadas pela Coordenação Nacional da Pascom. Elas estarão disponíveis para preenchimento no formulário a partir de 19 de setembro, mas já informamos quais perguntas serão para ajudar no processo de reflexão.

espiritualidade é a base de todos os eixos da Pascom, sendo fundamental o cultivo da espiritualidade do comunicador. Quais as sugestões, ou necessidades, para o seu desenvolvimento?

formação tem o objetivo de qualificar as lideranças e agentes de pastorais. Pensando nisso, quais as suas sugestões para o Eixo da Formação da Pascom Brasil?

articulação é a estratégia para o fortalecimento da comunhão, da participação coletiva e da escuta atenta da realidade pastoral. Quais as necessidades você apresenta neste eixo?

No que diz respeito à produção, é necessário destacar que ele está voltado para a elaboração de materiais, nas mais diversas plataformas, sem perder a transversalidade da Pascom. Quais as suas maiores necessidades para este eixo?

Além das perguntas, o formulário terá campo para preenchimento optativo de nome, idade, tempo de atuação na Pascom e diocese. Fique atento ao calendário e não deixe de responder. Você terá até o dia 30 de setembro. Divulgue esta informação para todos os agentes da Pastoral da Comunicação de sua comunidade, paróquia, arquidiocese e diocese! É pela voz viva do Povo de Deus que a Igreja encontra a participação, a comunhão e a missão!

“Quero estar próximos a vocês neste 15º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base. Sigam trabalhando, vão adiante, não se esqueçam: Igreja em saída”.

“Quero estar próximos a vocês neste 15º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base. Sigam trabalhando, vão adiante, não se esqueçam: Igreja em saída”.

Assim o Papa Francisco dirigiu-se às Comunidades Eclesiais de Base do Brasil por ocasião do 15º Encontro Intereclesial marcado para julho do próximo ano, na diocese de Rondonópolis-Guiratinga (MT). Durante a visita Ad Limina Apostolorum dos bispos dos regionais Oeste 1 e Oeste 2, no dia 9 de setembro, o pontífice recebeu das mãos do bispo eleito para a diocese mato-grossense a carta e o símbolo do encontro, e gravou uma mensagem em vídeo.

O Papa falou da proximidade com as CEBs durante o evento, abençoou todo o trabalho em preparação para o 15º Intereclesial e pediu orações por ele. Em sua mensagem, ressaltou o que é apontado pelo tema “CEBs, Igreja em saída para que todas e todos tenham vida”.

“Não se esqueçam: Igreja em saída. ‘Igreja em saída’: este é o tema. Sim, a Igreja é como a água: se a água não corre no rio, fica estagnada, adoece. Por outro lado, a Igreja quando sai, quando caminha, se sente mais forte. Sigam adiante e que a Igreja de vocês seja sempre em saída, nunca escondida”, reiterou Francisco.

Dom Maurício Jardim contou que ao conversar com o Papa Francisco a respeito do encontro, pôde ouvir palavras de incentivo. Segundo ele, o pontífice apontou as CEBs como “graça de Deus que devemos apoiar e incentivar”.

“Nós queremos agradecer ao Santo Padre que, no final da audiência, gravou um pequeno vídeo dando a sua bênção para todos esse processo de preparação e dando a sua palavra também”.

Fonte: matéria publicada no site da CNBB

Anexos

No Cazaquistão o Ppapa Francisco diz que a “paz dever conquistada a cada dia”. Leia a matéria publicada no site do Vaticano. O Papa

No Cazaquistão o Ppapa Francisco diz que a “paz dever conquistada a cada dia”. Leia a matéria publicada no site do Vaticano.

O Papa Francisco presidiu a celebração eucarística, nesta quarta-feira (14/09), Festa da Exaltação da Santa Cruz, na Praça da Expo, em Nur-Sultan, no Cazaquistão.

O Pontífice iniciou sua homilia, recordando que no madeiro da Cruz, “Jesus tomou sobre si o nosso pecado e o mal do mundo, e derrotou-os com o seu amor”. “É por isso que fazemos festa hoje”, sublinhou. O Papa se deteve nas duas imagens das serpentes: as serpentes venenosas que mordem e a serpente que salva, narradas no Livro dos Números.

A paz nunca é conquistada de uma vez por todas

“As serpentes que mordem atacam o povo, que se deixou cair mais uma vez no pecado da murmuração. Murmurar contra Deus não significa apenas falar mal e lamentar-se d’Ele. Significa também que no coração dos israelitas, esmoreceu a confiança n’Ele, na sua promessa”, sublinhou Francisco, e tendo-se esgotado a confiança em Deus, o povo acaba sendo mordido por serpentes que matam. “Quantas vezes, desanimados e impacientes, perecemos nos nossos desertos, perdendo de vista a meta do caminho”, frisou o Papa, sublinhando que em certos momentos de cansaço e provação, não temos forças para olhar para cima, olhar para Deus; em certas situações de vida pessoal, eclesial e social somos mordidos pela serpente da desconfiança, “injetando em nós os venenos da desilusão e do desconsolo, do pessimismo e da resignação, fechando-nos no nosso eu, apagando o entusiasmo”.

Mas, na história desta terra, não faltaram outras mordidas dolorosas: penso nas serpentes venenosas da violência, da perseguição ateísta, penso num caminho por vezes conturbado durante o qual foi ameaçada a liberdade do povo e ferida a sua dignidade. Faz-nos bem guardar a recordação daquilo que sofremos: é preciso não cancelar da memória certas obscuridades; caso contrário, pode-se pensar que sejam água passada e que o caminho do bem esteja delineado para sempre. E não! A paz nunca é conquistada de uma vez por todas; há de ser conquistada cada dia, como também a convivência entre etnias e tradições religiosas diferentes, o desenvolvimento integral, a justiça social.

Segundo Francisco, para que “o Cazaquistão cresça ainda mais «na fraternidade, no diálogo e na compreensão (…) para “lançar pontes” de cooperação solidária com os outros povos, nações e culturas», há necessidade do compromisso de todos, há necessidade de um renovado ato de fé ao Senhor: olhar para cima, olhar para Ele, aprender com o seu amor universal e crucificado”.

Da Cruz de Cristo, aprendemos o amor, não o ódio

A segunda imagem, a serpente que salva. Enquanto o povo morria por causa das serpentes venenosas, Deus escuta a oração de Moisés e lhe diz para fazer uma serpente de bronze e colocá-la numa haste. “Aquele que for mordido e olhar para ela, viverá”. Deus poderia simplesmente destruir as serpentes venenosas, sem dar instruções a Moisés, mas este seu modo de proceder nos revela “o seu agir perante o mal, o pecado e a desconfiança da humanidade. Deus não aniquila as baixezas que o homem segue livremente: as serpentes venenosas não desaparecem, continuam existindo, estão à espreita, sempre podem morder”. “O que mudou então? Que faz Deus?”, perguntou Francisco.

A resposta vem de Jesus no Evangelho: «Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, a fim de que todo o que n’Ele crê tenha a vida eterna». “Esta é a virada”, disse o Papa. “Chegou entre nós a serpente que salva: Jesus, elevado na haste da cruz, não permite às serpentes venenosas, que nos assaltam, levar-nos à morte. Perante as nossas baixezas, Deus nos dá uma nova altura: se mantivermos o olhar voltado para Jesus, as mordidas do mal já não nos podem dominar, porque Ele, na cruz, tomou sobre si o veneno do pecado e da morte, e aniquilou a sua força destruidora. Aqui temos o que fez o Pai perante a propagação do mal no mundo; deu-nos Jesus, que se aproximou de nós como nunca poderíamos imaginar.”

Irmãos e irmãs, esta é a estrada, a estrada da nossa salvação, do nosso renascimento e ressurreição: olhar para Jesus crucificado. Daquela altura, podemos ver de uma maneira nova a nossa vida e a história dos nossos povos. Porque, a partir da Cruz de Cristo, aprendemos o amor, não o ódio; aprendemos a compaixão, não a indiferença; aprendemos o perdão, não a vingança. Os braços abertos de Jesus são o abraço de ternura com que Deus nos quer acolher. E mostram-nos a fraternidade que somos chamados a viver entre nós e com todos. Indicam-nos o caminho, o caminho cristão: não o da imposição e constrição, da força e da exuberância.

O Papa concluiu, dizendo que “no madeiro da cruz, Cristo tirou o veneno da serpente do mal, e ser cristão significa viver sem venenos: não nos mordermos entre nós, não murmurar, não acusar, não criticar os outros, não disseminar as obras do mal, não poluir o mundo com o pecado e a desconfiança que vem do Maligno. Que não haja em nós nenhum veneno de morte. Ao contrário, rezemos para que, pela graça de Deus, possamos tornar-nos cada vez mais cristãos: testemunhas alegres de vida nova, de amor, de paz”.

CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, divulga a mensagem do Para para a Jornada Mundial da Juventude. Leia abaixo: “Maria levantou-se e partiu

CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, divulga a mensagem do Para para a Jornada Mundial da Juventude. Leia abaixo:

“Maria levantou-se e partiu apressadamente” (Lc 1, 39): esse é o tema da Mensagem do Papa Francisco aos jovens por ocasião da XXXVII Jornada Mundial da Juventude, que será celebrada nas Igrejas particulares no dia 20 de novembro deste ano e, a nível internacional, em Lisboa, de 1 a 6 de agosto de 2023. O texto conclui o ciclo de três mensagens que acompanham os jovens no percurso entre a JMJ Panamá 2019 e a JMJ Lisboa 2023, todas centradas no verbo levantar-se.

Na mensagem deste ano, o pontífice convida os jovens a meditarem juntos sobre a cena bíblica em que, depois da Anunciação, a jovem Virgem Maria se levanta e sai ao encontro de sua prima Isabel, levando consigo Cristo. “A Mãe do Senhor é modelo dos jovens em movimento, jovens que não ficam imóveis diante do espelho em contemplação da própria imagem, nem «alheados» nas redes. Ela está completamente projetada para o exterior”, escreve o Papa, enfatizando que esta disponibilidade para ir ao encontro dos outros é gerada pela experiência do Senhor na sua própria vida.

Partindo da reflexão sobre a pressa que caracteriza a Virgem de Nazaré, o Santo Padre encoraja os jovens a perguntarem-se que atitudes e motivações experimentam face aos desafios da vida quotidiana. Convida-os a discernir entre uma “boa pressa [que] impele-nos sempre para alto e para o outro” e uma que “não é boa (…) que nos leva a viver superficialmente, tomar tudo levianamente sem empenho nem atenção, sem nos envolvermos verdadeiramente no que fazemos”.

As palavras do Papa Francisco encorajam os jovens a recomeçar a fazer novos encontros, para partilhar a alegria da proximidade de Cristo, para superar as distâncias entre pessoas e gerações, e para responder com criatividade aos desafios do mundo de hoje, atingido pela pandemia e pelas guerras.

“Os jovens são sempre a esperança duma nova unidade para a humanidade fragmentada e dividida. Mas somente se tiverem memória, apenas se escutarem os dramas e os sonhos dos idosos”, enfatiza o Papa Francisco, pedindo aos jovens que se inspirem tanto no exemplo de Maria como na experiência dos idosos ao seu redor.

A Mensagem é também um convite a todos os jovens a participarem da XXXVII Jornada Mundial da Juventude, que – como escreve Francisco – será um momento para redescobrir juntos “a alegria do abraço fraterno entre os povos e entre as gerações, o abraço da reconciliação e da paz, o abraço duma nova fraternidade missionária!”.

Depois de ter sido adiada por um ano, devido à pandemia, esta JMJ será celebrada em dois momentos distintos: o primeiro será na Solenidade de Cristo Rei, a 20 de novembro deste ano, com celebrações nas Igrejas particulares de todo o mundo; o segundo, em âmbito internacional, ocorrerá em Lisboa de 1 a 6 de agosto de 2023. As duas celebrações mantêm o mesmo tema: “Maria levantou-se e partiu apressadamente” (Lc 1, 39).

 

Confira a mensagem na íntegra. 

 

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA A XXXVII JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE 2022-2023

(Domingo de Cristo Rei, 20 de novembro de 2022)

«Maria levantou-se e partiu apressadamente» (Lc 1, 39)Queridos jovens!O tema da JMJ do Panamá era este: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). Depois daquele evento, retomamos o caminho para uma nova meta – Lisboa 2023 –, deixando ecoar nos nossos corações o premente convite de Deus a levantar-nos. Em 2020, meditamos nesta palavra de Jesus: «Jovem, Eu te digo, levanta-te!» (cf. Lc 7, 14). No ano passado, serviu-nos de inspiração a figura do apóstolo São Paulo, a quem o Senhor ressuscitado dissera: «Levanta-te! Eu te constituo testemunha do que viste» (cf. At 26, 16). No troço de estrada que ainda nos falta para chegar a Lisboa, caminharemos juntos com a Virgem de Nazaré, que, imediatamente depois da Anunciação, «levantou-se e partiu apressadamente” (Lc 1, 39) para ir ajudar a prima Isabel. Comum aos três temas é o verbo levantar-se, palavra (é bom lembrá-lo!) que significa também «ressuscitar», «despertar para a vida».

Nestes últimos tempos tão difíceis, em que a humanidade já provada pelo trauma da pandemia, é dilacerada pelo drama da guerra, Maria reabre para todos e em particular para vós, jovens como Ela, o caminho da proximidade e do encontro. Espero e creio fortemente que a experiência que muitos de vós ireis viver em Lisboa, no mês de agosto do próximo ano, representará um novo começo para vós jovens e, convosco, para toda a humanidade.

Maria levantou-se

Depois da Anunciação, Maria teria podido concentrar-se em si mesma, nas preocupações e temores derivados da sua nova condição; mas não! Entrega-se totalmente a Deus! Pensa, antes, em Isabel. Levanta-se e sai para a luz do sol, onde há vida e movimento. Apesar do inquietante anúncio do Anjo ter provocado um «terremoto» nos seus planos, a jovem não se deixa paralisar, porque dentro d’Ela está Jesus, poder de ressurreição. Dentro d’Ela, traz já o Cordeiro Imolado mas sempre vivo. Levanta-se e põe-se em movimento, porque tem a certeza de que os planos de Deus são o melhor projeto possível para a sua vida. Maria torna-se templo de Deus, imagem da Igreja em caminho, a Igreja que sai e se coloca ao serviço, a Igreja portadora da Boa Nova.
Experimentar na própria vida a presença de Cristo ressuscitado, encontrá-Lo «vivo», é a maior alegria espiritual, uma explosão de luz que não pode deixar ninguém «parado». Imediatamente põe em movimento impelindo a levar aos outros esta notícia, a testemunhar a alegria deste encontro. É aquilo que anima a pressa dos primeiros discípulos nos dias que se seguiram à ressurreição: «Afastando-se apressadamente do sepulcro, cheias de temor e grande alegria, as mulheres correram a dar a notícia aos discípulos» (Mt 28, 8).
As narrações da ressurreição usam muitas vezes dois verbos: acordar e levantar-se. Através deles, o Senhor impele-nos a sair para a luz, a deixar-se conduzir por Ele para superar o limiar de todas as nossas portas fechadas. «É uma imagem significativa para a Igreja. Também nós, como discípulos do Senhor e como Comunidade Cristã, somos chamados a erguer-nos apressadamente para entrar no dinamismo da ressurreição e deixar-nos conduzir pelo Senhor ao longo dos caminhos que Ele nos queira indicar» (Francisco, Homilia na Solenidade de São Pedro e São Paulo, 29/VI/2022).
A Mãe do Senhor é modelo dos jovens em movimento, jovens que não ficam imóveis diante do espelho em contemplação da própria imagem, nem «alheados» nas redes. Ela está completamente projetada para o exterior. É a mulher pascal, num estado permanente de êxodo, de saída de si mesma para o Outro, com letra grande, que é Deus e para os outros, os irmãos e as irmãs, sobretudo os necessitados, como estava então a prima Isabel.
…e partiu apressadamente
Santo Ambrósio de Milão escreve, no seu comentário ao Evangelho de Lucas, que Maria partiu apressadamente para a montanha, «porque estava feliz com a promessa e desejosa de prestar devotadamente um serviço, com o entusiasmo que lhe vinha da alegria interior. Agora, cheia de Deus, para onde poderia apressar-se se não em direção ao alto? A graça do Espírito Santo não admite morosidades». Por isso a pressa de Maria é ditada pela solicitude do serviço, do anúncio jubiloso, duma pronta resposta à graça do Espírito Santo.
Maria deixou-se interpelar pela necessidade da sua prima idosa. Não se escusou, não ficou indiferente. Pensou mais nos outros do que em si mesma. E isto conferiu dinamismo e entusiasmo à sua vida. Cada um de vós pode perguntar-se: Como reajo perante as necessidades que vejo ao meu redor? Busco imediatamente uma justificação para não me comprometer, ou interesso-me e torno-me disponível? É certo que não podeis resolver todos os problemas do mundo; mas talvez possais começar por aqueles de quem está mais próximo de vós, pelas questões do vosso território. Uma vez disseram a Madre Teresa que «quanto ela fazia não passava duma gota no oceano». E ela respondeu: «Mas, se não o fizesse, o oceano teria uma gota a menos».
Perante uma necessidade concreta e urgente, é preciso agir apressadamente. No mundo, quantas pessoas esperam uma visita de alguém que cuide delas! Quantos idosos, doentes, presos, refugiados precisam do nosso olhar compassivo, da nossa visita, de um irmão ou uma irmã que ultrapasse as barreiras da indiferença!
Quais são as «pressas» que vos movem, queridos jovens? O que é que vos faz sentir de tal maneira a premência de vos moverdes que não conseguis ficar parados? Há muitos que, impressionados por realidades como a pandemia, a guerra, a migração forçada, a pobreza, a violência, as calamidades climáticas, se interrogam: Porque é que me acontece isto? Porquê precisamente a mim? Porquê agora? Mas a pergunta central da nossa existência é esta: Para quem sou eu? (cf. Francisco, Exort. ap. pós-sinodal Christus vivit, 286).
A pressa da jovem mulher de Nazaré é a pressa típica daqueles que receberam dons extraordinários do Senhor e não podem deixar de partilhar, de fazer transbordar a graça imensa que experimentaram. É a pressa de quem sabe colocar as necessidades do outro acima das próprias. Maria é exemplo de jovem que não perde tempo a mendigar a atenção ou a aprovação dos outros – como acontece quando dependemos daquele «gosto» nas redes sociais –, mas move-se para procurar a conexão mais genuína, aquela que provem do encontro, da partilha, do amor e do serviço.
A partir da Anunciação, desde aquela primeira vez quando partiu para ir visitar a sua prima, Maria não cessa de atravessar espaços e tempos para visitar os filhos carecidos da sua ajuda carinhosa. Os nossos passos, se habitados por Deus, levam-nos diretamente ao coração de cada um dos nossos irmãos e irmãs. Quantos testemunhos nos chegam de pessoas «visitadas» por Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe. Em quantos lugares remotos da terra, ao longo dos séculos, Maria visitou o seu povo com aparições ou graças especiais. Praticamente não há lugar, na Terra, que não tenha sido visitado por Ela. Movida por uma solícita ternura, a Mãe de Deus caminha no meio do seu povo e cuida das suas angústias e vicissitudes. E onde quer que haja um santuário, uma igreja, uma capela a Ela dedicada, lá acorrem numerosos os seus filhos. Quantas expressões de piedade popular! As peregrinações, as festas, as súplicas, o acolhimento das imagens nas casas e muitas outras iniciativas são exemplos concretos da relação viva entre a Mãe do Senhor e o seu povo, que se visitam reciprocamente.
Uma pressa boa impele-nos sempre para o alto e para o outro
Uma pressa boa impele-nos sempre para alto e para o outro. Mas há também uma pressa não boa, como, por exemplo, a pressa que nos leva a viver superficialmente, tomar tudo levianamente sem empenho nem atenção, sem nos envolvermos verdadeiramente no que fazemos; a pressa de quando vivemos, estudamos, trabalhamos, convivemos com os outros sem colocarmos nisso a cabeça e menos ainda o coração. Pode acontecer nas relações interpessoais: na família, quando nunca ouvimos verdadeiramente os outros nem lhes dedicamos tempo; nas amizades, quando esperamos que um amigo nos faça divertir e dê resposta às nossas exigências, mas, se virmos que ele está em crise e precisa de nós, imediatamente o evitamos e procuramos outro; e mesmo nas relações afetivas, entre noivos, poucos têm a paciência de se conhecerem e compreenderem a fundo. E, a mesma atitude, podemos tê-la na escola, no trabalho e noutras áreas da vida quotidiana. Ora, todas estas coisas vividas com pressa dificilmente darão fruto; há o risco de permanecerem estéreis. Assim se lê no livro dos Provérbios: «Os projetos do homem diligente têm êxito, mas quem se precipita [a pressa má] cai certamente na ruína» (21, 5).
Quando Maria, finalmente, chega à casa de Zacarias e Isabel, sucede um encontro maravilhoso. Isabel experimentou em si mesma uma intervenção prodigiosa de Deus, que lhe deu um filho na velhice. Teria todas as razões para falar, primeiro, de si mesma; mas não o fez, toda propensa a acolher a jovem prima e o fruto do seu ventre. Logo que ouve a sua saudação, Isabel fica cheia do Espírito Santo. Acontecem estas surpresas e irrupções do Espírito quando vivemos uma verdadeira hospitalidade, quando colocamos no centro o hóspede, e não a nós próprios. Vemos isto mesmo também na história de Zaqueu, que lemos em Lucas: «Quando chegou àquele local [onde estava Zaqueu], Jesus levantou os olhos e disse-lhe: “Zaqueu, desce depressa, pois hoje tenho de ficar em tua casa”. Ele desceu imediatamente e acolheu Jesus cheio de alegria» (19, 5-6).
Já aconteceu a muitos de nós sentir que, inesperadamente, Jesus vem ao nosso encontro: n’Ele, pela primeira vez, experimentamos uma proximidade, um respeito, uma ausência de preconceitos e condenações, um olhar de misericórdia que nunca tínhamos encontrado nos outros. Mais, sentimos também que, a Jesus, não Lhe bastava olhar-nos de longe, mas queria estar connosco, queria partilhar a sua vida connosco. A alegria desta experiência suscitou em nós a pressa de O acolher, a urgência de estar com Ele e conhecê-Lo melhor. Isabel e Zacarias hospedaram Maria e Jesus. Aprendamos daqueles dois anciãos o significado da hospitalidade. Perguntai aos vossos pais e aos vossos avós, bem como aos membros mais idosos das vossas comunidades, que significa para eles serem hospitaleiros para com Deus e com os outros. Fazer-vos-á bem escutar a experiência de quem vos precedeu.
Queridos jovens, é tempo de voltar a partir apressadamente para encontros concretos, para um real acolhimento de quem é diferente de nós, como acontece entre a jovem Maria e a idosa Isabel. Só assim superaremos as distâncias entre gerações, entre classes sociais, entre etnias, entre grupos e categorias de todo o género, e superaremos também as guerras. Os jovens são sempre a esperança duma nova unidade para a humanidade fragmentada e dividida. Mas somente se tiverem memória, apenas se escutarem os dramas e os sonhos dos idosos. «Não é por acaso que a guerra tenha voltado à Europa no momento em que está a desaparecer a geração que a viveu no século passado» (Francisco, Mensagem para o II Dia Mundial dos Avós e do Idosos). Há necessidade da aliança entre jovens e idosos, para não esquecer as lições da história, para superar as polarizações e os extremismos deste tempo.
Ao escrever aos Efésios, São Paulo anunciou: «Em Cristo Jesus, vós, que outrora estáveis longe, agora estais perto, pelo Sangue de Cristo. Com efeito, Ele é a nossa paz, Ele que, dos dois povos, fez um só e destruiu o muro de separação, a inimizade, na sua carne» (2, 13-14). Jesus é a resposta de Deus face aos desafios da humanidade em todos os tempos. E esta resposta, Maria leva-a dentro de si quando vai ao encontro de Isabel. A maior prenda que Maria oferece à sua parente idosa é levar-lhe Jesus: certamente também a ajuda concreta foi muito preciosa; mas nada teria podido encher a casa de Zacarias com uma alegria tão grande e um significado assim pleno como o fez a presença de Jesus no ventre da Virgem, que se tornara o tabernáculo do Deus vivo. Naquela região montanhosa, Jesus, com a mera presença, sem dizer uma palavra, pronuncia o seu primeiro «discurso da montanha»: proclama em silêncio a bem-aventurança dos pequeninos e dos humildes que se entregam à misericórdia de Deus.
A minha mensagem para vós jovens, a grande mensagem de que é portadora a Igreja é Jesus! Sim, Ele mesmo, o seu amor infinito por cada um de nós, a sua salvação e a vida nova que nos deu. E Maria é o modelo de como acolher este imenso dom na nossa vida e comunicá-lo aos outros, fazendo-nos por nossa vez portadores de Cristo, portadores do seu amor compassivo, do seu serviço generoso, à humanidade sofredora.
Todos juntos em Lisboa!
Maria era uma jovem como muitos de vós. Era uma de nós. Assim escrevia acerca dela o bispo D. Tonino Bello: «Santa Maria, (…) bem sabemos que foste destinada a navegar no alto mar. Mas, se te constrangemos a navegar junto da costa, não é porque queremos reduzir-te aos níveis da nossa pequena navegação costeira. É porque, vendo-te tão perto das praias do nosso desânimo, possa apoderar-se de nós a consciência de sermos chamados, também nós, a aventurar-nos, como Tu, nos oceanos da liberdade» (Maria, mulher dos nossos dias, Cinisello/Balsamo 2012, 12-13).
Como recordei na primeira Mensagem desta trilogia, nos séculos XV e XVI, muitos jovens (incluindo tantos missionários) partiram de Portugal rumo a mundos desconhecidos, inclusive para partilhar a sua experiência de Jesus com outros povos e nações (cf. Francisco, Mensagem JMJ 2020). E a esta terra, no início do século XX, Maria quis fazer uma visita especial, quando de Fátima lançou a todas as gerações a mensagem forte e maravilhosa do amor de Deus que chama à conversão, à verdadeira liberdade. A cada um e cada uma de vós renovo o meu caloroso convite a participar na grande peregrinação intercontinental dos jovens que culminará na JMJ de Lisboa em agosto do próximo ano; e recordo-vos que, no próximo 20 de novembro, Solenidade de Cristo Rei, celebraremos a Jornada Mundial da Juventude nas Igrejas particulares espalhadas pelo mundo inteiro. A propósito, o recente documento do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida – Orientações pastorais para a celebração da JMJ nas Igrejas particulares– pode ser de grande ajuda para todas as pessoas que trabalham na pastoral juvenil.
Sonho, queridos jovens, que na JMJ possais experimentar novamente a alegria do encontro com Deus e com os irmãos e as irmãs. Depois dum prolongado período de distanciamento e separação, em Lisboa – com a ajuda de Deus – reencontraremos juntos a alegria do abraço fraterno entre os povos e entre as gerações, o abraço da reconciliação e da paz, o abraço duma nova fraternidade missionária! Que o Espírito Santo acenda nos vossos corações o desejo de vos levantardes e a alegria de caminhardes todos juntos, em estilo sinodal, abandonando falsas fronteiras. O tempo de nos levantarmos é agora. Levantemo-nos apressadamente! E, como Maria, levemos Jesus dentro de nós, para O comunicar a todos. Neste belíssimo momento da vossa vida, avançai, não adieis o que o Espírito pode realizar em vós! De coração abençoo os vossos sonhos e os vossos passos.
Roma, São João de Latrão, na Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria,15 de agosto de 2022.
Francisco
Vaticano divulga programação da visita do Papa ao Cazaquistão que começa, amanhã, 13 de setembro de 2022: “Será uma oportunidade para encontrar muitos representantes
Vaticano divulga programação da visita do Papa ao Cazaquistão que começa, amanhã, 13 de setembro de 2022: “Será uma oportunidade para encontrar muitos representantes religiosos e dialogar como irmãos, animados pelo desejo comum de paz, paz da qual nosso mundo está sedento.”
O mundo tem sede de paz: na terça-feira, 13 de setembro, o Papa inicia a 38ª Viagem Apostólica de seu Pontificado, que o levará ao Cazaquistão por ocasião do VII Congresso dos Líderes das religiões mundiais e tradicionais, com o lema “Mensageiro de paz e unidade”. No Angelus deste domingo, o pedido aos fiéis para que acompanhem com a oração sua peregrinação de diálogo e paz:

Depois de amanhã partirei para uma viagem de três dias ao Cazaquistão, onde participarei do Congresso dos Líderes das religiões mundiais e tradicionais. Será uma oportunidade para encontrar muitos representantes religiosos e dialogar como irmãos, animados pelo desejo comum de paz, paz da qual nosso mundo está sedento. Desde já desejo dirigir uma cordial saudação aos participantes, bem como às autoridades, às comunidades cristãs e a toda a população daquele vasto país. Agradeço os preparativos e o trabalho realizado em vista da minha visita. Peço a todos que acompanhem com a oração esta peregrinação de diálogo e paz. 

O programa da viagem

No dia 13 de setembro, o Pontífice parte para Nur-Sultan, capital do país. Após a cerimônia de boas-vindas no Palácio Presidencial, está agendada uma visita de cortesia ao presidente da República e um encontro com as autoridades, sociedade civil e corpo diplomático.

O “VII Congresso de Líderes das Religiões Mundiais e Tradicionais” está programado para ter início em 14 de setembro, e será precedido pela oração silenciosa dos líderes religiosos. O Congresso, que reunirá mais de cem delegações de 50 países, tem como tema “O papel dos líderes das religiões mundiais e tradicionais no desenvolvimento espiritual e social da humanidade no período pós-pandemia”. Também no dia 14 de setembro, após encontros privados com alguns líderes religiosos, o Papa celebra a Santa Missa na praça da Expo em Nur-Sultan.

O dia 15 de setembro tem início com um encontro privado com os membros da Companhia de Jesus, que antecede a leitura da Declaração Final e a conclusão do Congresso. Após a cerimônia de despedida, programado o voo do Aeroporto Internacional Nur-Sultan em direção a Roma.

Nas pegadas de São João Paulo II

O Papa Francisco é o segundo Pontífice a visitar este país. São João Paulo II foi ao Cazaquistão em 2001, dez anos após a proclamação da independência do país.

O Cazaquistão, do ponto de vista étnico, é um dos Estados mais diversificados do mundo. Os habitantes são mais de 19 milhões. 70% são de fé muçulmana, 26% são cristãos, principalmente ortodoxos. Há cerca de 120.000 católicos.

A República do Cazaquistão proclamou sua independência em 16 de dezembro de 1991, a última das ex-repúblicas soviéticas a fazê-lo no contexto do processo de dissolução da URSS. “A data de 16 de dezembro de 1991 – disse o Papa Wojtyła durante a cerimônia de boas-vindas em 2001 – está gravada em caracteres indeléveis nos anais de sua história. A liberdade reconquistada reacendeu em vós uma confiança mais sólida no futuro e estou convicto de que a experiência vivida é rica de ensinamentos para avançar com coragem para novas perspectivas de paz e progresso. O Cazaquistão quer crescer na fraternidade, no diálogo e na compreensão, premissas indispensáveis ​​para “construir pontes” de solidariedade com outros povos, nações e culturas”.

No dia 8 de setembro, próxima 5ª feira, acontece mais uma live Mulheres na Missão.  Leia a matéria publicada no site da CNBB, Conferência

No dia 8 de setembro, próxima 5ª feira, acontece mais uma live Mulheres na Missão.  Leia a matéria publicada no site da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e marque na sua agenda para participar.

A edição da live “Mulheres na Missão” deste mês de setembro, na próxima quinta-feira (8), será sobre a Missão da Igreja na perspectiva da Encíclica Fratelli Tutti do Papa Francisco, sobre a fraternidade e a amizade social.

Organizada mensalmente pela Comissão Episcopal Pastoral para Animação Missionária e Cooperação Intereclesial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB, a live tem como tema: “A Missão na Igreja na perspectiva da Fratelli Tutti”.

Para este bate papo a assessora da comissão, irmã Sandra Regina Amado e a assessora de comunicação do Regional Sul 3 da CNBB e integrante da coordenação do COMIRE, Victória Holzbach recebem a assessora do setor Missão, Justiça e Paz da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), Ir. Maria Luiza da Silva.

A live será transmitida pelas redes sociais da CNBB (Youtube e Facebook), a partir das 15h.

Mulheres na Missão

A série “mulheres na missão” tem a motivação de provocar a reflexão sobre a animação, e a coordenação de projetos e atividades missionárias no brasil a partir do olhar feminino e concretiza a proposta de vivência da missão prevista no programa missionário nacional (PMN) em consonância com as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2019-2023).

As lives desta série foram realizadas sempre nos dias 8 de cada mês, desde o março de 2021 – data em que se comemora o Dia Internacional da Mulher e se encerra na festa de Nossa Senhora da Imaculada Conceição.

Ontem, 4 de setembro de 2022, o Papa João Paulo I foi declarado beato.  Leia a matéria publicada no site do Vaticano. m o

Ontem, 4 de setembro de 2022, o Papa João Paulo I foi declarado beato.  Leia a matéria publicada no site do Vaticano.

m o sorriso, o Papa Luciani conseguiu transmitir a bondade do Senhor. É bela uma Igreja com um rosto alegre, sereno e sorridente, que nunca fecha as portas, que não se lamenta nem guarda ressentimentos, não se apresenta com modos rudes, nem padece de saudades do passado”. Palavras do Papa Francisco na homilia da Santa Missa de Beatificação do Papa João Paulo I, neste domingo, 4 de setembro

Na manhã deste domingo, 4 de setembro, foi realizada a Santa Missa com o Rito de Beatificação do Papa João Paulo I na Praça São Pedro no Vaticano. Na sua homilia, o Papa Francisco comentou o Evangelho do dia recordando das exigências de Jesus para segui-l’O perguntando-se o significado das suas advertências.

Seguir Jesus

Refletindo as palavras de Jesus o Papa disse: “Em primeiro lugar, vemos muitas pessoas, uma multidão numerosa que segue Jesus”. “Nos momentos de crise pessoal e social em que estamos mais expostos a sentimentos de ira ou temos medo de qualquer coisa que ameaça o nosso futuro, ficamos mais vulneráveis e assim, na onda da emoção, confiamo-nos a quem com sagácia e astúcia sabe cavalgar esta situação, aproveitando-se dos temores da sociedade e prometendo ser o ‘salvador’ que resolverá os problemas, quando, na realidade, o que deseja é aumentar a sua popularidade e o próprio poder”. Porém Francisco adverte: “O Evangelho diz-nos que Jesus não procede assim. O estilo de Deus é diferente, porque não instrumentaliza as nossas necessidades, nunca Se aproveita das nossas fraquezas para se engrandecer a Si mesmo. A Ele, que não nos quer seduzir com o engano nem quer distribuir alegrias fáceis, não interessam as multidões oceânicas”, frisa ainda.

O discernimento

“Assim, em vez de Se deixar atrair pelo fascínio da popularidade, pede a cada um para discernir cuidadosamente os motivos por que O segue e as consequências que isso acarreta”

“Com efeito – continua Francisco – pode-se seguir o Senhor por várias razões, e algumas destas –admitamo-lo – são mundanas: por trás duma fachada religiosa perfeita pode-se esconder a mera satisfação das próprias necessidades, a busca do prestígio pessoal, o desejo de aceder a um cargo, de ter as coisas sob controle, o desejo de ocupar espaço e obter privilégios, a aspiração de receber reconhecimentos, e muito mais. Isso acontece hoje entre os cristãos. Mas não é o estilo de Jesus; nem pode ser o estilo do discípulo e da Igreja”. Segui-Lo, continua, “significa ‘tomar a própria cruz’ (Lc 14, 27): como Ele, carregar os pesos próprios e os alheios, fazer da vida um dom, não uma posse, gastá-la imitando o amor magnânimo e misericordioso que Ele tem por nós”.

Ponderando em seguida: “Para o conseguir, porém, é preciso olhar mais para Ele do que para nós próprios, aprender o amor que brota do Crucificado”. Citando João Paulo I disse, nós mesmos “somos objeto, da parte de Deus, dum amor que não se apaga”. “Não se apaga: nunca se eclipsa da nossa vida, resplandece sobre nós e ilumina até as noites mais escuras”. “Amar, ainda que custe a cruz do sacrifício, do silêncio, da incompreensão, da solidão, da contrariedade e da perseguição”.

Citando ainda o novo Beato esclareceu:

“Se queres beijar Jesus crucificado, não o podes fazer sem te debruçares sobre a cruz e deixar que te fira algum espinho da coroa, que está na cabeça do Senhor. O amor até ao extremo, com todos os seus espinhos: e não as coisas a meio, as acomodações ou a vida tranquila.”

Ainda falando do amor ou do medo de nos perdermos, renunciarmos a dar-nos, ou deixar inacabadas as coisas, Francisco recorda que se fizermos assim: “Acabamos por viver a meias: sem nunca dar o passo decisivo, sem levantar voo, sem arriscar pelo bem, sem nos empenharmos verdadeiramente pelos outros.

Viver plenamente o Evangelho

“Jesus pede-nos isto: vive o Evangelho e viverás a vida, não a meias, mas até ao fundo. Sem cedências”

“Irmãos, irmãs, o novo Beato viveu assim: na alegria do Evangelho, sem cedências, amando até ao extremo. Encarnou a pobreza do discípulo, que não é apenas desapegar-se dos bens materiais, mas sobretudo vencer a tentação de me colocar a mi mesmo no centro e procurar a glória própria. Ao contrário, seguindo o exemplo de Jesus, foi pastor manso e humilde. Considerava-se a si mesmo como o pó sobre o qual Deus Se dignara escrever. Nesta linha, exclamava: ‘O Senhor tanto recomendou: sede humildes! Mesmo que tenhais feito grandes coisas, dizei: ‘somos servos inúteis’”.

Por fim Francisco concluiu a homilia recordando:

Com o sorriso, o Papa Luciani conseguiu transmitir a bondade do Senhor. É bela uma Igreja com um rosto alegre, sereno e sorridente, que nunca fecha as portas, que não exacerba os corações, que não se lamenta nem guarda ressentimentos, que não é bravia nem impaciente, não se apresenta com modos rudes, nem padece de saudades do passado, caindo no ‘retrocedismo’. Rezemos a este nosso pai e irmão e peçamos-lhe que nos obtenha ‘o sorriso da alma’; aquele transparente, aquele que não engana: o sorriso da alma, servindo-nos das suas palavras, peçamos o que ele próprio costumava pedir: ‘Senhor, aceitai-me como sou, com os meus defeitos, com as minhas faltas, mas fazei que me torne como Vós desejais’”.