Notícias da Igreja

Na Mensagem para o 60º Dia das Comunicações Sociais, “Preservar vozes e rostos humanos”, o Papa Leão introduz com a expressão: “O rosto e

Na Mensagem para o 60º Dia das Comunicações Sociais, “Preservar vozes e rostos humanos”, o Papa Leão introduz com a expressão: “O rosto e a voz são traços únicos, distintivos, de cada pessoa; manifestam a própria identidade irrepetível e são o elemento constitutivo de cada encontro”. “O rosto e a voz são sagrados. Foram-nos doados por Deus, que nos criou à sua imagem e semelhança, chamando-nos à vida com a Palavra que Ele próprio nos dirigiu”. O Pontífice continua sua introdução recordando que “preservar rostos e vozes humanas significa preservar o “reflexo indelével do amor de Deus. Não somos uma espécie feita de algoritmos bioquímicos, definidos antecipadamente. Cada um de nós tem uma vocação insubstituível e inimitável que emerge da vida e que se manifesta precisamente na comunicação com os outros”.

Ecossistemas informativos e as relações pessoais

Papa Leão adverte que se “falharmos nessa preservação”, a tecnologia digital “corre o risco de modificar radicalmente alguns dos pilares fundamentais da civilização humana, que por vezes damos como certos”. Ao simular vozes e rostos humanos, sabedoria e conhecimento, consciência e responsabilidade, empatia e amizade, os sistemas conhecidos como inteligência artificial não apenas interferem nos ecossistemas informativos, mas invadem também o nível mais profundo da comunicação: o da relação entre pessoas humanas”.

Desafio antropológico

“O desafio, portanto, não é tecnológico, mas antropológico” continua o Papa. “Preservar rostos e vozes significa, em última instância, preservar nós mesmos. Acolher com coragem, determinação e discernimento as oportunidades oferecidas pela tecnologia digital e pela inteligência artificial, não significa esconder de nós mesmos os pontos críticos, as opacidades e os riscos”.

Não renunciar ao próprio pensamento

Mas hoje acontece que “algoritmos concebidos para maximizar o envolvimento nas redes sociais – lucrativo para as plataformas – recompensam as emoções rápidas”, penalizam as expressões humanas, que necessitam de mais tempo, como o esforço de compreensão e a reflexão”. Ao fechar “grupos de pessoas em bolhas de consenso fácil e de indignação fácil”, “enfraquecem a capacidade de escuta e de pensamento crítico, aumentando a polarização social”. Além disso, em alguns contextos, há “uma confiança ingenuamente acrítica” em relação à IA percebida como “uma espécie de ‘amiga’ onisciente, dispensadora de todas as informações, arquivo de todas as memórias, ‘oráculo’ de todos os conselhos”. Tudo isso pode “enfraquecer” a capacidade do homem “de pensar de forma analítica e criativa, de compreender significados, de distinguir entre sintaxe e semântica”, adverte o Pontífice. “Contentando-nos com uma compilação estatística artificial”, corremos o risco de, “a longo prazo, consumir nossas capacidades cognitivas, emotivas e comunicativas”.

Não ceder às máquinas

Todavia, a questão fundamental não é sobre “o que a máquina consegue ou conseguirá fazer, mas o que podemos e poderemos fazer nós, crescendo em humanidade e conhecimento, com um uso inteligente de ferramentas tão poderosas a nosso serviço”. “Renunciar ao processo criativo e ceder às máquinas as próprias funções mentais e a própria imaginação significa, no entanto, enterrar os talentos que recebemos com o fim de crescer como pessoas em relação a Deus e aos outros. Significa esconder o nosso rosto e silenciar a nossa voz.

Simulação das relações e da realidade

Temos dificuldade cada vez maior de identificar se estamos interagindo com outros seres humanos ou com ‘bots’ ou ‘influencers virtuais’. Os chatbots, adverte o Papa, com sua estrutura dialógica e adaptativa, mimética, “é capaz de imitar os sentimentos humanos e, assim, simular uma relação. Essa antropomorfização, que pode soar até mesmo divertida, é ao mesmo tempo enganosa, especialmente para as pessoas mais vulneráveis”. Com visíveis consequências, pois “tornados excessivamente ‘afetuosos’, além de sempre presentes e disponíveis, podem se tornar arquitetos ocultos dos nossos estados emocionais e, desse modo, invadir e ocupar a esfera da intimidade das pessoas”.

“A tecnologia que explora a nossa necessidade de relacionamento pode não apenas ter consequências dolorosas no destino dos indivíduos, mas pode também ferir o tecido social, cultural e político das sociedades”

Imersos na multidimensionalidade

Leão XIV também faz um alerta sobre “distorções” presentes nos sistemas emergentes, chamadas BIAS, que podem reforçar tendenciosidades existentes e ampliar a discriminação, o preconceito e a estereotipagem. “Estamos imersos em uma multidimensionalidade, onde está se tornando cada vez mais difícil distinguir a realidade da ficção”. “A isso, continua, “se soma o problema da falta de precisão. Sistemas que vendem uma probabilidade estatística como conhecimento estão, na verdade, oferecendo-nos, no máximo, aproximações da verdade que, às vezes, são verdadeiras ‘alucinações’.

Desafios

O desafio” sugere ainda o Papa, “que nos espera não está em frear a inovação digital, mas em orientá-la, em sermos conscientes do seu caráter ambivalente. Cabe a cada um de nós levantar a voz em defesa das pessoas humanas, para que estas ferramentas possam ser verdadeiramente integradas por nós como aliadas”. Esta aliança é possível, mas precisa fundamentar-se em três pilares: responsabilidade, cooperação e educação.

Em primeiro lugar, a responsabilidade. “Esta pode ser articulada, dependendo dos papéis, como honestidade, transparência, coragem, capacidade de visão, dever de compartilhar o conhecimento e direito a ser informado. Para os que estão no comando das plataformas on-line; criadores e desenvolvedores de modelos de IA; aos legisladores nacionais e reguladores supranacionais. Ainda no âmbito da responsabilidade o Papa recorda: “Deve-se tutelar a paternidade e a propriedade soberana do trabalho dos jornalistas e dos outros criadores de conteúdo. A informação é um bem público. Um serviço público construtivo e significativo não se baseia na opacidade, mas na transparência das fontes, na inclusão dos sujeitos envolvidos e em um padrão elevado de qualidade”.

Com relação à cooperação, Leão afirma: “Todos somos chamados a cooperar. Nenhum setor pode enfrentar sozinho o desafio de guiar a inovação digital e a governança da IA”. Continuando afirma a necessidade de “criar mecanismos de salvaguarda. Todas as partes interessadas – da indústria tecnológica aos legisladores, das empresas criativas ao mundo acadêmico, dos artistas aos jornalistas e educadores – devem estar envolvidas na construção e na efetivação de uma cidadania digital consciente e responsável”.

Por fim, com relação à educação, Leão afirma: “aumentar as nossas capacidades pessoais de refletir criticamente, a avaliar a confiabilidade das fontes e os possíveis interesses que estão por trás da seleção das informações que chegam até nós” e “elaborar critérios práticos para uma cultura da comunicação mais saudável e responsável”.

Matéria: Vatican News

 

Para celebrar o bicentenário das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, compreendido entre 23 de janeiro de 1826 e 23 de

Para celebrar o bicentenário das relações diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé, compreendido entre 23 de janeiro de 1826 e 23 de janeiro de 2026, será lançado o livro “De Leão a Leão – 200 anos Brasil–Santa Sé”. A obra propõe uma imersão histórica e visual em dois séculos de diálogo institucional entre o Estado brasileiro e a Igreja Católica.

Livro celebra 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e Santa Sé

Organizado pelo Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, o livro apresenta uma cronologia fotográfica construída a partir de rigorosa pesquisa histórica. A publicação reúne imagens e textos que auxiliam a compreensão sobre a importância, a continuidade e a evolução das relações bilaterais ao longo do tempo, oferecendo uma leitura intuitiva que alia precisão documental à força simbólica das imagens.

Editado pelo Instituto Redemptor, o livro é bilíngue (português e italiano) e conta com prefácio do Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado da Santa Sé. A obra também é enriquecida com textos de autores convidados, como o da jornalista Ilze Scamparini, e traz fotografia de capa assinada por Ricardo Stuckert.

Como forma de evidenciar os avanços e a consolidação das relações entre o Brasil e a Santa Sé, a publicação inclui, em anexo, o texto integral do Acordo entre a República Federativa do Brasil e a Santa Sé, firmado em 2008, documento que estabelece bases jurídicas para a cooperação entre ambas as partes no contexto contemporâneo.

Mais do que um registro histórico, “De Leão a Leão – 200 anos Brasil–Santa Sé” constitui um testemunho da relevância do diálogo permanente entre a Igreja Católica e o Estado brasileiro, bem como de sua contribuição para a formação cultural, social e institucional do Brasil ao longo de dois séculos.

O lançamento oficial da obra ocorrerá nessa sexta-feira, 23 de janeiro, às 19h30 (horário de Roma) e 15h30 (horário de Brasília), em um coquetel na Residência Oficial do Embaixador do Brasil junto à Santa Sé, Éverton Vieira Vargas, em Roma, que será realizado logo após a Missa Solene em Ação de Graças pelo Bicentenário das Relações Diplomáticas Brasil e Santa Sé, esta às 16h (horário de Roma) e meio-dia (horário de Brasília), na Basílica Papal de Santa Maria Maggiore. A cerimônia reunirá autoridades, representantes do corpo diplomático e membros da Igreja.

Também nessa sexta-feira, encerrando o dia de comemorações, à meia-noite (horário de Roma) e 20h (horário de Brasília), será realizada uma iluminação especial do monumento ao Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, para celebrar a data.

Matéria: Vatican News

 

O Papa Leão XIV autorizou, nesta quinta-feira, 22 de janeiro, a promulgação de novos decretos do Dicastério para as Causas dos Santos, durante audiência
O Papa Leão XIV autorizou, nesta quinta-feira, 22 de janeiro, a promulgação de novos decretos do Dicastério para as Causas dos Santos, durante audiência concedida ao cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério. Os atos aprovados pelo Pontífice dizem respeito ao reconhecimento de um milagre, de um martírio e das virtudes heroicas de diversos Servos e Servas de Deus, etapas decisivas no caminho rumo à beatificação ou à declaração de venerabilidade. Entre os decretos promulgados está o reconhecimento das virtudes heroicas da Serva de Deus brasileira irmã Maria Imaculada da Santíssima Trindade, conhecida como “Mãezinha”, que passa a receber o título de Venerável.

Irmã Maria Imaculada da Santíssima Trindade, conhecida como “Mãezinha” – Foto: Vatican Media

Uma vida consagrada a Deus no coração do Brasil

Nascida em 12 de janeiro de 1909, em Maria da Fé (MG), Maria Giselda Villela viveu desde cedo uma profunda experiência de fé, marcada pelo desejo de total consagração a Deus. Ao professar os votos como religiosa, assumiu o nome de irmã Maria Imaculada da Santíssima Trindade e destacou-se por uma espiritualidade centrada no mistério trinitário e por uma vida de oração intensa, vivida com fidelidade silenciosa e perseverante. Sua vocação encontrou expressão plena na fundação do Carmelo da Sagrada Família, em Pouso Alegre, onde contribuiu decisivamente para o enraizamento da vida carmelitana na Igreja particular e para a difusão de um testemunho contemplativo profundamente unido à realidade e às necessidades do povo.

A Venerável Maria Imaculada da Santíssima Trindade faleceu em 20 de janeiro de 1988, em Pouso Alegre, deixando como herança espiritual uma comunidade marcada pela fidelidade ao carisma carmelitano, pela centralidade da oração e pela confiança filial na ação de Deus. O decreto promulgado reconhece que a Serva de Deus viveu de modo heroico as virtudes cristãs — fé, esperança e caridade — bem como as virtudes humanas, de forma constante e exemplar. Para a beatificação, será necessário o reconhecimento de um milagre atribuído à sua intercessão, ocorrido após sua morte.

Futura beata Maria Ignazia Isacchi – Foto: Vatican Media

Novos beatos

Na mesma ocasião, o Santo Padre autorizou a promulgação do decreto que reconhece o milagre atribuído à intercessão da Venerável Serva de Deus Maria Ignazia Isacchi, nascida Angela Caterina, fundadora da Congregação das Ursulinas do Sagrado Coração de Jesus de Asola. Com o reconhecimento do milagre, a religiosa italiana, nascida em 1857 e falecida em 1934, poderá ser proclamada beata.

Também foi promulgado o decreto que reconhece o martírio do Servo de Deus Augusto Rafael Ramírez Monasterio, sacerdote da Ordem dos Frades Menores, nascido em 5 de novembro de 1937, na Cidade da Guatemala, e assassinado em 7 de novembro de 1983, por ódio à fé. O reconhecimento do martírio dispensa a necessidade de milagre para a beatificação.

Futuro beato Augusto Rafael Ramírez Monasterio – Foto: Vatican Media

Veneráveis italianos

Leão XIV também autorizou o reconhecimento das virtudes heroicas de Maria Tecla Antonia Relucenti, cofundadora da Congregação das Pias Operárias da Imaculada Conceição, nascida em Ascoli Piceno (Itália) em 1704 e falecida em 1769; de Crocifissa Militerni, nome religioso da italiana Teresa, religiosa da Congregação de São João Batista, nascida em 1874 e falecida em 1925; e de Nerino Cobianchi, fiel leigo, também italiano, esposo e pai de família, nascido em 1945 e falecido em 1998. Com esse reconhecimento, todos passam a receber o título de Veneráveis.

Matéria: Thulio Fonseca – Vatican News
Foto capa: Vatican Media

“Continuamos a nossa catequese sobre a Constituição Dogmática Dei Verbum do Concílio Vaticano II, sobre a Divina Revelação”, afirmou o Papa Leão XIV no

“Continuamos a nossa catequese sobre a Constituição Dogmática Dei Verbum do Concílio Vaticano II, sobre a Divina Revelação”, afirmou o Papa Leão XIV no início da catequese desta quarta-feira, 21 de janeiro, na Sala Paulo VI, repleta de fiéis. O Pontífice recordou que Deus não se revela por meio de ideias abstratas, mas em um verdadeiro “diálogo de aliança”, no qual se dirige à humanidade como a amigos. Trata-se, explicou, de um conhecimento que não se limita à comunicação de conteúdos, mas que “partilha uma história e nos chama à comunhão mútua”.

Ouça com a voz do Papa e compartilhe

A revelação como encontro pessoal

Segundo Leão XIV, a plenitude da Revelação acontece em um encontro histórico e pessoal, no qual o próprio Deus se entrega e se faz presente, permitindo ao ser humano descobrir-se conhecido em sua verdade mais profunda. Essa experiência encontra sua realização plena em Jesus Cristo.  O Papa destacou que o Filho revela o Pai envolvendo-nos na reciprocidade da sua própria relação com Ele. Em Cristo, os homens têm acesso ao Pai no Espírito Santo e tornam-se participantes da vida divina: “Chegamos, pois, ao pleno conhecimento de Deus ao entrarmos na relação do Filho com o seu Pai, em virtude da ação do Espírito”.

Fiéis e peregrinos reunidos na Sala Paulo VI (@Vatican Media)

Conhecer o Pai na relação com o Filho

Para ilustrar essa verdade, Leão XIV recordou a oração de júbilo de Jesus narrada por São Lucas, na qual o Senhor louva o Pai por revelar seus mistérios aos pequeninos: “Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Lc 10,21-22). É nessa dinâmica de relação que o cristão aprende a conhecer Deus como Pai.

Graças a Jesus, acrescentou o Pontífice, conhecemos Deus da mesma forma como somos conhecidos por Ele. Em Cristo, Deus comunica a si mesmo e revela ao homem a sua verdadeira identidade: filhos criados à imagem do Verbo. Assim, ao descobrirmo-nos conhecidos por Deus, reconhecemos também a nossa vocação mais profunda de filhos chamados à vida plena.

Somos salvos por uma Pessoa

O Papa fez questão de enfatizar que a salvação não acontece apenas por vias intelectuais. “O que nos salva e nos chama não é apenas a morte e a ressurreição de Jesus, mas a sua própria pessoa”, afirmou. É a vida inteira do Senhor — que se encarna, nasce, cura, ensina, sofre, morre, ressuscita e permanece entre nós — que comunica a verdade de Deus. Por isso, acrescentou, não basta considerar Jesus como um simples transmissor de verdades abstratas. A Revelação passa por seu corpo real, por sua maneira concreta de ver e viver a realidade. O próprio Cristo convida os discípulos a partilhar o seu olhar confiante sobre o mundo e sobre o cuidado do Pai.

Papa Leão XIV durante a Audiência Geral   (@VATICAN MEDIA)

Uma fé que gera confiança filial

Ao concluir a catequese, Leão XIV recordou que, seguindo Jesus até o fim, o cristão chega à certeza de que nada pode separá-lo do amor de Deus. Citando São Paulo, afirmou:

“Se Deus é por nós, quem estará contra nós? Ele, que não salvaguardou o seu próprio Filho, […] como não haverá de nos conceder, juntamente com Ele, todas as coisas? (Rm 8,31-32). Graças a Jesus, o cristão conhece Deus Pai e entrega-se a Ele com confiança.”

Thulio Fonseca – Vatican News

O número de cristãos expostos à perseguição e em risco de violência em todo o mundo aumentou em 8 milhões em comparação com o

O número de cristãos expostos à perseguição e em risco de violência em todo o mundo aumentou em 8 milhões em comparação com o ano passado, chegando a 388 milhões. “Infelizmente, este é mais um ano recorde”, comenta Cristian Nani, diretor da Portas Abertas, organização que publicou nesta quarta-feira o relatório mais recente sobre cristãos perseguidos em todo o mundo: a World Watch List 2026. “Desses 388 milhões, 201 milhões são mulheres ou meninas; enquanto 110 milhões têm menos de 15 anos”, enfatiza Nani.

Violência e discriminação

De acordo com a World Watch List 2026, aumentou de 13 para 15 o número de países com níveis definidos como “extremos” de perseguição anticristã.

A Coreia do Norte continua sendo o país onde é mais perigoso ser cristão. Mas a lista de países com um nível preocupante de perseguição também inclui Somália, Eritreia, Líbia, Afeganistão, Iêmen, Sudão, Mali, Nigéria, Paquistão, Irã, Índia, Arábia Saudita, Mianmar e Síria.

Segundo a World Watch List 2026, este último país passou de “grave” para “extremo”. De acordo com o diretor Nani, os cristãos na Síria estão em perigo porque o novo poder político ainda está parcialmente “fragmentado”, como evidenciado pelos confrontos em Aleppo nos últimos dias. “Segundo nossos dados, restam apenas 300 mil cristãos na Síria, centenas de milhares a menos do que há dez anos.”

África Subsaariana

Após uma queda em 2025, os assassinatos de cristãos estão aumentando novamente, passando de 4.476 para 4.849, ou 13 por dia. A Nigéria continua sendo o epicentro da violência, com 3.490 vítimas, representando aproximadamente 70% do total global.

O número de cristãos presos por sua fé permanece praticamente inalterado (4.712 em comparação com 4.744 em 2024), enquanto o número de sequestros de cristãos está diminuindo (3.302 em comparação com 3.775 em 2024).

Diminuíram também os ataques contra igrejas (de 7.679 para 3.632) e contra moradias ou lojas (de 28.368 para 25.794), enquanto as vítimas de abuso, estupro e casamentos forçados estão aumentando (de 3.944 para 5.202).

O diretor da Portas Abertas identificou a África Subsaariana como um “foco especial” para a World Watch List 2026, particularmente devido à presença de “governos frágeis” que deixam os cristãos expostos à violência. “O centro de gravidade do cristianismo deslocou-se para a África, mas é lá que ele está sob ataque principalmente”, diz Nani, referindo-se ao continente onde vive aproximadamente um oitavo da população cristã mundial.

Países particularmente críticos incluem o Sudão, devido à sua guerra civil, mas também a Nigéria, Mali, Níger, Burkina Faso, a República Democrática do Congo e Moçambique. Os ataques contra cristãos nesses contextos frágeis são motivados por uma variedade de fatores, incluindo fatores econômicos, além dos religiosos.

Os ataques na Nigéria

A Lista de Vigilância de 2026 foi apresentada hoje na Sala Caduti di Nasiriyah do Senado, em Roma, com o relato de uma testemunha da Nigéria, um dos países mais afetados pela crescente insegurança. Nos últimos dias, a organização Portas Abertas reuniu, em um comunicado, algumas declarações de cristãos preocupados com possíveis represálias de grupos terroristas após a operação militar americana no Natal, além de relatar os últimos episódios de violência no norte da Nigéria: das 14 vítimas dos ataques do Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP) no estado de Adamawa, em 29 de dezembro, às dezenas de mortos por homens armados não identificados que atacaram o mercado de Demo, no estado de Níger, em 4 de janeiro.

Com informações VaticanNews
Diante de tragédias como a dos jovens de Crans-Montana, que dizer? Onde encontrar consolo? O Papa Leão XIV tentou responder a esses questionamentos recebendo

Diante de tragédias como a dos jovens de Crans-Montana, que dizer? Onde encontrar consolo? O Papa Leão XIV tentou responder a esses questionamentos recebendo em audiência esta quinta-feira (15/01), no Vaticano, os familiares das vítimas italianas.

O Santo Padre declarou-se “comovido” ao encontrar as famílias: “Quando soube que alguém havia solicitado esta audiência, logo disse que encontraríamos tempo. Queria pelo menos ter a oportunidade de compartilhar um momento que para vocês, em meio a tanta dor e sofrimento, é realmente uma provação da nossa fé, é uma provação daquilo que acreditamos. E muitas vezes nos perguntamos: por que, Senhor?”.

Foto: VaticanMedia

“Esses são momentos de grande dor e sofrimento. Uma das pessoas mais queridas e amadas por vocês perdeu a vida em uma catástrofe de extrema violência, ou está internada no hospital por um longo período, com o corpo desfigurado pelas consequências de um terrível incêndio que marcou a imaginação de todo o mundo. E isso aconteceu no momento mais inesperado, em um dia em que todos se divertiam e comemoravam para trocar votos de alegria e felicidade”.

À pergunta que sentido dar a tal evento, onde encontrar um consolo à altura do que sentem, que não seja constituído por frases vãs e superficiais, o Papa Leão afirmou que talvez haja apenas uma palavra adequada, que é do Filho de Deus na cruz que, do fundo de seu abandono e de sua dor, clamou ao Pai: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mt 27, 46).

“A resposta do Pai ao pedido do Filho demora três dias, em silêncio. Mas que resposta!”, disse o Santo Padre. “Jesus ressuscita glorioso, vivendo para sempre na alegria e na luz eterna da Páscoa.”

Não há explicação do por quê coube a essas famílias enfrentar tal provação, prosseguiu o Papa. “O carinho e as palavras humanas de compaixão que lhes dirijo hoje parecem muito limitadas e impotentes. Por outro lado, o Sucessor de Pedro, que vieram encontrar hoje, afirma com força e convicção: a esperança não é vã, porque Cristo ressuscitou verdadeiramente!”

O Pontífice consolou as famílias recordando que nada poderá separá-las do amor de Cristo, assim como seus entes queridos que sofrem ou que faleceram. A fé que habita em nós, continuou, ilumina os momentos mais sombrios e dolorosos da nossa vida com uma luz insubstituível, que nos ajuda a continuar corajosamente o caminho rumo à meta. Jesus nos precede neste caminho de morte e ressurreição que exige paciência e perseverança, lembrou o Santo Padre.

“Tenham certeza de proximidade e ternura de Cristo: Ele não está longe do que vocês estão vivendo, pelo contrário, Ele compartilha e carrega isso com vocês. Da mesma forma, toda a Igreja carrega isso com vocês. Tenham certeza de sua oração – e da minha oração pessoal – pelo descanso de seus falecidos, pelo alívio daqueles que vocês amam e que sofrem, e por vocês mesmos que os acompanham com sua ternura e seu amor.”

Hoje, concluiu o Papa, o coração dessas famílias está traspassado como o de Maria aos pés da Cruz, e as confiou aos cuidados de Nossa Senhora das Dores: “Dirijam a Ela sem reservas as suas lágrimas e busquem nela o conforto materno que talvez só Maria saberá dar e certamente poderá dar-lhes. Como ela, vocês saberão esperar com paciência, na noite do sofrimento, mas com a certeza da fé, que um novo dia amanheça; e reencontrarão a alegria”.

Ao final da audiência, Leão XIV convidou os presentes a rezarem uma Ave-Maria e concedeu a sua Bênção Apostólica. No incêndio durante a festa de Ano-Novo no bar “Le Constellation”, 40 pessoas morreram e 116 ficaram feridas.

Matéria do Vatican News

O Papa Leão XIV encontrou-se na manhã desta quarta-feira, 14 de janeiro, com os fiéis e peregrinos durante a Audiência Geral na Sala Paulo

O Papa Leão XIV encontrou-se na manhã desta quarta-feira, 14 de janeiro, com os fiéis e peregrinos durante a Audiência Geral na Sala Paulo VI. O Santo Padre, como disse na semana passada, iniciou a série de catequeses sobre o Concílio Vaticano II. Nesta quarta-feira começou a aprofundar a Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a divina Revelação.

Foto: @Vatican Media

Trata-se – disse o Pontífice -, de um dos documentos mais belos e importantes do Concílio, e para introduzi-lo, pode ser útil recordar as palavras de Jesus: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi do meu Pai” (Jo 15,15).

“Este é um ponto fundamental da fé cristã, que a Dei Verbum nos recorda: Jesus Cristo transforma radicalmente a relação do homem com Deus; a partir de agora, será uma relação de amizade. Por isso, a única condição da nova aliança é o amor”.

A Constituição dogmática Dei Verbum recorda-nos que Jesus Cristo mudou radicalmente a relação do ser humano com Deus, transformando-a em aliança de amor.

O Santo Padre, recordando Santo Agostinho que comenta a passagem do Quarto Evangelho, de João, “insiste na perspetiva da graça, que só nos pode tornar amigos de Deus no seu Filho. De fato, um antigo lema dizia: “Amicitia aut pares invenit, aut facit”, “a amizade surge entre iguais ou torna-nos iguais”. Não somos iguais a Deus, mas o próprio Deus nos torna semelhantes a Ele no seu Filho”.

Por esta razão, podemos constatar ao longo das Escrituras, há um momento inicial de afastamento na Aliança, pois o pacto entre Deus e o homem permanece sempre assimétrico:

“Deus é Deus e nós somos criaturas; mas, com a vinda do Filho em carne humana, a Aliança abre-se ao seu objetivo final: em Jesus, Deus faz-nos filhos e chama-nos a tornarmo-nos semelhantes a Ele na nossa frágil humanidade”.

Em seguida o Papa Leão destacou que as palavras do Senhor Jesus que recordamos — “Eu vos chamei amigos” — repetem-se precisamente na Constituição Dei Verbum, que afirma: “Em virtude desta revelação, Deus invisível, na riqueza do seu amor fala aos homens como amigos e convive com eles, para os convidar e admitir à comunhão com Ele”.

A Constituição Dei Verbum também nos recorda isto: Deus fala conosco. É importante compreender a diferença entre a palavra e a conversa de circunstância, disse Leão XIV. Esta última permanece superficial e não cria comunhão entre as pessoas, enquanto que, nas relações autênticas, a palavra serve não só para trocar informações e notícias, mas para revelar quem somos. “A palavra possui uma dimensão reveladora que cria uma relação com o outro. Assim, ao falar connosco, Deus revela-se como um Aliado que nos convida à amizade com Ele”.

“Nesta perspetiva, a primeira atitude a cultivar é a escuta, para que a Palavra divina possa penetrar nas nossas mentes e corações; ao mesmo tempo, somos chamados a falar com Deus, não para Lhe comunicar o que Ele já sabe, mas para nos revelarmos a nós mesmos”.

Daí – continuou o Papa -, a necessidade da oração, em que somos chamados a viver e a cultivar a amizade com o Senhor. Isto concretiza-se principalmente na oração litúrgica e comunitária, onde não decidimos o que ouvir da Palavra de Deus, mas sim Ele próprio nos fala através da Igreja. Além disso, realiza-se na oração pessoal, que acontece no coração e na mente.

Leão XIV concluiu recordando que o dia e a semana de um cristão não podem ser desprovidos de tempo dedicado à oração, à meditação e à reflexão. “Só quando falamos com Deus podemos também falar de Deus”.

Por Silvonei José - Vatican News

Foto capa: @Vatican Media

Com o tema “Evangelização em movimento: a dimensão pastoral da comunicação”, o encontro será um espaço de formação, partilha e discernimento sobre como a

Com o tema “Evangelização em movimento: a dimensão pastoral da comunicação”, o encontro será um espaço de formação, partilha e discernimento sobre como a comunicação, dentro da missão evangelizadora da Igreja, deve estar sempre em constante movimento.

A Pastoral da Comunicação no Brasil, organismo da Comissão Episcopal para a Comunicação Social da CNBB, já se prepara para viver um dos momentos mais esperados de sua caminhada: o 9º Encontro Nacional da Pascom, que acontecerá entre os dias 24 e 26 de julho de 2026, no Centro de Eventos do Santuário Nacional de Aparecida/SP.

Com o tema “Evangelização em movimento: a dimensão pastoral da comunicação”, o encontro será um espaço de formação, partilha e discernimento sobre como a comunicação, dentro da missão evangelizadora da Igreja, deve estar sempre em constante movimento. Mais do que técnicas ou modismos, a Pascom é chamada a cultivar uma comunicação enraizada no Evangelho, capaz de responder aos desafios do tempo presente com discernimento pastoral, criatividade, estratégias coerentes e formação contínua. Tudo isso pensando na rotatividade dos agentes da Pascom, já que é uma Pastoral com novos “rostos” a todo momento e nos comunicadores veteranos, que carregam a experiência da comunicação que nasce nas bases e ajudam a formar comunicadores conscientes e bem preparados.

“Este 9º Encontro diz muito sobre a Pastoral da Comunicação no Brasil, sobre a sua atuação, diante da importância e da necessidade de capacitar e formar os comunicadores, sejam eles jovens e adultos, sobre o que é a comunicação dentro do viés Pastoral. Aqui eu falo daquela comunicação que nasce nas bases, que vai se formando em nossas comunidades paroquiais até nossas (Arqui)Dioceses e Regionais da Igreja no Brasil. É repensar uma Pascom sem deixar que a comunicação caia no vazio dos ‘likes’ ou nos “memes” exagerados, e sem nos esquecermos que a comunicação é movimento, é transformação, é ser missionário em todos os ambientes, sobretudo no digital, sendo pontes comunicacionais com estratégia e inteligência dentro da comunicação eclesial.” Afirma Janaína Gonçalves, coordenadora nacional da Pascom.

A Pastoral da Comunicação no Brasil realiza esse encontro em nível nacional sempre no mês de julho, a cada dois anos, intercalando com o Muticom – Mutirão Brasileiro de Comunicação, para favorecer a participação dos agentes, considerando a época de férias. O evento também se consolida sendo realizado na casa da Mãe Aparecida, padroeira da Pascom, que acolhe todas as pessoas com a alegria e em sintonia com a comunicação evangelizadora.

Então, fique atento para os períodos e já envie essa notícia para sua equipe de comunicação. Monte a sua caravana. Vamos movimentar nossas redes e fazer o melhor e maior encontro da comunicação pastoral da Igreja no Brasil.

Inscrições

As inscrições já estão abertas. Acesse:

FAÇA A SUA INSCRIÇÃO

Os valores variam de acordo com o período de inscrição:

  • 1º lote (R$ 150,00) – de 28/09/2025 a 30/11/2025
  • 2º lote (R$ 170,00) – de 01/12/2025 a 29/03/2026
  • 3º lote (R$ 190,00) – de 30/03/2026 a 12/07/2026

O Encontro Nacional é uma oportunidade única para reunir comunicadores de todo o Brasil, refletindo sobre a missão evangelizadora da Pascom e fortalecendo a caminhada da Igreja em rede.

Garanta já sua inscrição e venha viver este momento especial em Aparecida! Vamos juntos?