Notícias da Igreja

“Uma ocasião de encontro marcada pela fidelidade de Deus, que se manifesta na alegre perseverança de tantos homens e mulheres, consagradas e consagrados em
“Uma ocasião de encontro marcada pela fidelidade de Deus, que se manifesta na alegre perseverança de tantos homens e mulheres, consagradas e consagrados em institutos religiosos, monásticos, contemplativos, nos institutos seculares e “novos institutos”, membros do ordo virginum, eremitas, membros de sociedades de vida apostólica de todos os tempos”.

É o que escrevem o prefeito e o secretário da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica – cardeal João Braz de Aviz e o arcebispo José Rodríguez Carballho O.F.M., respectivamente – na carta por ocasião do XXVI Dia Mundial da Vida Consagrada, a ser celebrado em 2 de fevereiro

Se em 2020 o convite era para “praticar a espiritualidade de comunhão”, neste ano a ênfase recai sobre a segunda palavra do Sínodo, “para convidar cada um de nós a fazer sua parte, a participar”. Assim, que ninguém se sinta excluído ou excluída deste caminho, que ninguém pense “não me diz respeito”, mas a todos é pedido para entrar no “dinamismo da escuta recíproca, conduzido em todos os níveis de Igreja, envolvendo todo o povo de Deus”, recordando as palavras do Papa Francisco à Diocese de Roma.

Na mensagem dirigida à Vida Consagrada, é explicado que se trata, sobretudo, “de um caminho que interpela cada comunidade vocacional no seu ser expressão visível de uma comunhão de amor, reflexo da relação trinitária, de sua bondade e de sua beleza, capaz de suscitar novas energias para nos confrontarmos concretamente com o momento atual”.

“Se voltarmos ao nosso chamado vocacional – escrevem -, reencontraremos a alegria de sentir e fazer parte de um projeto de Amor para o qual outros irmãos e irmãs, antes de nós e conosco, colocaram a própria vida à disposição”:

“Quanto entusiasmo no início das nossas histórias vocacionais, quanto encanto ao descobrir que o Senhor também me chama a realizar este sonho de bem para a humanidade! Reavivemos e cuidemos de nossa pertença porque, o sabemos muito bem, com o tempo corre o risco de perder força, sobretudo quando substituímos a atratividade do nós pela força do eu.”

E enquanto é percorrido esse caminho eclesial, o convite é para interrogar-se:

“Quem são as irmãs, os irmãos que escutamos e, sobretudo, por que os escutamos? Uma pergunta que, repetimos, todos somos chamados a fazer-nos, porque não podemos chamar-nos comunidade vocacional e muito menos comunidade de vida, se falta a participação de alguém.”

Assim, a exortação para entrar neste caminho de toda a Igreja, “com a riqueza dos nossos carismas e da nossa vida, sem esconder fadigas e feridas, firmes na convicção de que só podemos receber e dar o Bem, porque “a vida consagrada nasce na Igreja, cresce e só pode dar frutos evangélicos na Igreja, na comunhão viva do Povo fiel de Deus” (Papa Francisco, 11 de dezembro de 2021).

Nesse sentido, “a participação torna-se então uma responsabilidade”:

“Não podemos faltar, não podemos deixar de estar entre os outros e com os outros, nunca e ainda mais neste chamado a ser Igreja sinodal! E mesmo antes disso, sabemos bem que a sinodalidade começa dentro de nós: de uma mudança de mentalidade, de uma conversão pessoal, na comunidade ou fraternidade, em casa, no trabalho, em nossas estruturas para expandir-se nos ministérios e na missão.”

Trata-se de uma dinâmica gravada em nossa vida, e como um eco daquela primeira resposta ao Amor do Pai que nos alcançou:

“É aí, nessa dinâmica de apelo e de adesão que reside a raiz desta atitude de estar dentro dos processos que dizem respeito à vida da comunidade e de cada pessoa, a sentir na nossa carne as feridas e as expectativas, a fazer o que pudermos, a começar por colocar tudo nas mãos de Deus com a oração, a não substrair-se do esforço de testemunhar a esperança, dispostos a perder contanto que se alimente aquele caminho juntos que começa com a escuta, que significa abrir espaço para o outro em nossa vida, levando a sério o que é importante para ele.”

A participação assume assim o estilo de co-responsabilidade de referir-se antes ainda que à organização e ao funcionamento da Igreja, à sua própria natureza, a comunhão e ao seu sentido último: o sonho missionário de chegar a todos, de cuidar de todos, de sentir que todos são irmãos e irmãs, juntos na vida e na história, que é a história da salvação.

Fonte: Vatican News

“Pensemos neste grande Santo, pai e mestre da juventude. Não se fechou na sacristia, não se fechou nas suas coisas. Saiu pela rua em
“Pensemos neste grande Santo, pai e mestre da juventude. Não se fechou na sacristia, não se fechou nas suas coisas. Saiu pela rua em busca dos jovens, com aquela criatividade que o caracterizou”. ( Papa Francisco )

Nesta segunda-feira, 31 de janeiro, a Igreja festeja São João Bosco, nascido em 16 de agosto de 1815 em uma família de camponeses, em Becchi, uma fração de Castel Nuovo de Asti, e falecido em 31 de janeiro de 1888.  Na véspera de sua festa litúrgica, o Papa Francisco dirigiu uma saudação aos salesianos e salesianas, “que tanto bem fazem na Igreja”:

Na véspera da festa de São João Bosco, gostaria de saudar os salesianos e as salesianas, que tanto bem fazem na Igreja. Acompanhei a Missa celebrada no Santuário de Maria Auxiliadora [em Turim] pelo Reitor-Mor Ángel Fernández Artime, rezei com ele por todos. Pensemos neste grande Santo, pai e mestre da juventude. Não se fechou na sacristia, não se fechou nas suas coisas, saiu às ruas para buscar os jovens, com aquela criatividade que o caracterizou. Felicidades a todos os salesianos e salesianos!

“Nem pessimista nem otimista, o salesiano do século XXI é um homem cheio de esperança, porque sabe que o seu centro está no Senhor, capaz de renovar tudo. Só isto nos salvará de viver numa atitude de resignação e sobrevivência defensiva. Só isto tornará fecunda a nossa vida porque tornará possível que o dom recebido continue a ser experimentado e expresso como boa nova para e com os jovens de hoje”, havia escrito o Papa na longa mensagem aos participantes do Capítulo Geral dos Salesianos, realizado em Valdocco, de 16 de fevereiro a 4 de abril de 2020.

Francisco recordou na ocasião, que “um dos “gêneros literários” de Dom Bosco eram os sonhos. Através deles o Senhor abriu caminho na sua existência e na vida de toda a sua Congregação, ampliando a imaginação do possível. Os sonhos, longe de o manter adormecido, ajudaram-no, como aconteceu com São José, a assumir outra consistência e outra medida de vida, que brotam das entranhas da compaixão de Deus. Era possível viver concretamente o Evangelho… Ele teve um sonho e deu-lhe forma no Oratório.”

Dom Bosco foi beatificado por Pio XI em 1929 e canonizado em 1934.

Fonte: Vatican News
Jornalista: Jackson Erpen – Cidade do Vaticano
Fundamentos da Pastoral da Comunicação é o primeiro curso da Escola Nacional de Comunicação, uma iniciativa da Pascom Brasil e da Comissão Episcopal Pastoral

Fundamentos da Pastoral da Comunicação é o primeiro curso da Escola Nacional de Comunicação, uma iniciativa da Pascom Brasil e da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas. A previsão de início da escola é no dia 12 de março, com a aula inaugural, e as inscrições já estão abertas pelo portal da PUC Minas. Serão ofertadas 150 vagas.

Para o coordenador do GT Formação da Pascom Brasil e assessor eclesiástico do regional Sul 1, padre Tiago Barbosa, a Escola Nacional de Comunicação é uma oportunidade de formação conjunta que a Pascom Brasil proporciona aos agentes de pastoral dos quatro cantos de nosso país.

“Com aulas 100% on-line, conseguiremos juntos aprimorar nosso conhecimento a fim de que comuniquemos cada vez mais com convicção e com o coração!”

Como surgiu a Escola Nacional de Comunicação?

O coordenador-geral da Pascom Brasil, Marcus Tullius, recorda que a Escola de Comunicação é um dos primeiros anseios da coordenação nacional.

“Em novembro de 2018, quando realizamos uma primeira reunião com coordenadores regionais, após a nossa eleição, já sabíamos da necessidade de um espaço de formação comum para os nossos agentes. Inspirados por experiências exitosas em dioceses e regionais do nosso Brasil, começamos a partilhar e a sonhar. Era o que podíamos naquele momento e nem pensávamos que atravessaríamos uma pandemia.”

A partir do momento em que a Pascom Brasil começou a se organizar por grupos de trabalho, novamente o tema da Escola apareceu e coube ao eixo da Formação a realização desta ação. Segundo padre Tiago, a organização da Escola se deu por meio do esforço e contribuição de lideranças da Pascom de todos os estados brasileiros. Os coordenadores regionais puderam opinar e sugerir os conteúdos que seriam trabalhados, a partir das necessidades sentidas em suas realidades. “Assim, com nossas aulas, poderemos crescer em nossa técnica, aperfeiçoar nossa formação, estimular nossa articulação e fortalecer a nossa fé. Tudo isso para que Jesus Cristo seja mais amado e conhecido por meio do trabalho da Pascom!”, afirmou.

A Escola quer constituir-se como um espaço de formação de agentes da Pastoral da Comunicação e também de outras pastorais, movimentos, organismos e serviços para que sejam, em suas realidades eclesiais, protagonistas da evangelização e respondam, com vigor, ao mandato missionário de Cristo (cf. Mt 28,19).

Durante a pandemia do novo Coronavírus (Covid-19), a ampliação do uso de novas mídias e as urgências da ação evangelizadora provocaram o reconhecimento e o fortalecimento dos trabalhos da Pastoral da Comunicação nas mais diversas instâncias eclesiais, oportunizando a chegada de novos agentes, muitos sem a adequada formação técnica ou pastoral. É neste contexto que nasce a Escola Nacional de Comunicação, como resposta aos anseios do tempo presente. Ela é mais um espaço para qualificar leigos e leigas para o pleno exercício do sacerdócio batismal, radicados em comunidades eclesiais missionárias, comprometidos com o Evangelho. Para o Papa Francisco, “toda a formação cristã é, primariamente, o aprofundamento do querigma que se vai, cada vez mais e melhor, fazendo carne” (cf. Exortação Apostólica Evangelli Gaudium, 165)

Quem pode fazer o Curso?

​O curso Fundamentos da Pastoral da Comunicação, da Escola Nacional de Comunicação, é destinado aos agentes da Pastoral da Comunicação, profissionais que atuam na comunicação eclesial, bem como dos agentes de outras pastorais que desejam aprimorar o conhecimento de comunicação para a evangelização. A expectativa é que o curso possa ser ofertado regularmente, possibilitando a formação do maior número de agentes. Mesmo sendo on-line, a limitação de vagas visa o melhor aproveitamento dos cursistas, garantindo interação com os professores e demais colegas.

“Com a realização deste primeiro curso, esperamos que em breve possamos ter outras opções para aprofundamento dos agentes, especialmente no campo da pastoral. Já temos muitas iniciativas duradouras no campo da formação, mas considerando as diversas necessidades pastorais e a extensão continental do nosso país, sempre há espaço para surgimento de outras opções”, afirmou o coordenador-geral da Pascom.

Qual a duração e como será organizado?

O curso terá carga horária total de 112 h/a e está dividido em 3 módulos, com aulas síncronas (on-line) e aulas assíncronas (gravadas). O primeiro e o segundo módulos terão a duração de 40h, sendo 24h de aulas síncronas e 16h de aulas gravadas, em formato de oficina, para serem assistidas pelo aluno no período do curso. O terceiro módulo terá a duração de 32h, sendo 24h de aulas síncronas e 8h de aulas gravadas, em formato de oficina, para serem assistidas pelo aluno no período do curso.

O primeiro módulo contém as seguintes disciplinas: Comunicação no mundo e na Igreja; Comunicação e Eclesiologia. Também serão ofertadas as oficinas História da Comunicação na Igreja; Produção audiovisual 1 – podcast; Comunicação e Espiritualidade; Produção audiovisual 2 – vídeo.

No segundo módulo, os cursistas terão as disciplinas de Comunicação e Evangelização e Comunicação a serviço da Pastoral. Já as oficinas para esta etapa são: Lidando com as redes sociais; Criação e design gráfico; Técnicas de Comunicação Pastoral; Transmissões ao vivo.

O último módulo apresenta três disciplinas: Cultura Digital; Planejamento em Comunicação e Projetos em Comunicação. As últimas oficinas são Comunicação e Relacionamento; Trabalho de Conclusão de Curso.

Quando acontecerão as aulas?

As aulas on-line serão ministradas quinzenalmente, aos sábados, conforme o cronograma abaixo:

12/03/2022 – (8h às 12h) – Aula inaugural
26/03/2022 – (8h às 12h; 13h às 17h) – Aula disciplina 1
09/04/2022 – (8h às 12h; 13h às 17h) – Aula disciplina 1 | Aula disciplina 2
23/04/2022 – (8h às 12h; 13h às 17h) – Aula disciplina 2
07/05/2022 – (8h às 12h; 13h às 17h) – Aula disciplina 3
21/05/2022 – (8h às 12h; 13h às 17h) – Aula disciplina 3 | Aula disciplina 4
04/06/2022 – (8h às 12h; 13h às 17h) – Aula disciplina 4
18/06/2022 – (8h às 12h; 13h às 17h) – Aula disciplina 5
02/07/2022 – (8h às 12h; 13h às 17h) – Aula disciplina 6
16/07/2022 – (8h às 12h; 13h às 17h) – Aula disciplina 7
24/07/2022 – (11h) – Celebração de Encerramento da 1ª turma durante o 7º Encontro Nacional da Pascom

Quem são os professores?

O corpo docente da Escola Nacional de Comunicação é composto por pessoas que possuem conhecimento técnico e vivência de fé, tornando-se um diferencial para a formação dos agentes da Pastoral da Comunicação. Estão confirmados os professores Moisés Sbardelotto, Aline Amaro, Alzirinha Rocha, Patrícia Luz, Pe. Tiago José Sibula Silva, Adielson Agrelos, Andréia Gripp, Pe. Tiago Barbosa, Rafael Alberto, Ricardo Alvarenga e Marcus Tullius.

Quanto custa?

Para cobrir os custos da Escola, será cobrada uma taxa única. O valor do investimento é R$ 215,00 para pagamento à vista, como possibilidade de parcelamento em até 4 vezes.

​Ao finalizar todo o conteúdo do curso, o aluno estará habilitado para gerar o seu certificado digital de participação, emitido pela PUC Minas.

Inscreva-se já!

A segunda edição da Jornada de Oração e Missão pela Paz de 2022, no próximo dia 1º de fevereiro, será dedicada ao Cazaquistão –

A segunda edição da Jornada de Oração e Missão pela Paz de 2022, no próximo dia 1º de fevereiro, será dedicada ao Cazaquistão – país da Ásia Central e antiga república soviética. O país ganhou os noticiários recentemente com as manifestações populares repreendidas com violência pelo governo nacional.

A principal cidade do país, Almaty – no sul do país, foi tomada por manifestações contra o aumento dos preços da energia e do combustível que geraram graves tumultos e forte repressão armada. De acordo com o portal da BBC, pelo menos 18 membros das forças de segurança morreram em confrontos na cidade. Segundo o governo cazaque, 2.298 manifestantes foram detidos no país.

Em mensagem enviada à ACN, no último dia 17 de janeiro, o arcebispo da Arquidiocese de Maria Santíssima em Astana, a sede episcopal da Igreja Católica que cobre o norte do Cazaquistão, lamentou os trágicos incidentes do nas últimas semanas. Segundo o arcebispo, cerca de 200 pessoas perderam a vida em conflitos aparentemente provocados por protestos contra o aumento dos preços dos combustíveis.

Diante dessa realidade a Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que sofre (ACN) pedem a sua oração em solidariedade ao Cazaquistão, na próxima terça-feira, 1º de fevereiro, pelo fim dos protestos e dos conflitos sociais através do sincero diálogo entre as partes.

Segundo a comissão, recentemente o Papa Francisco lamentou as vítimas e apelou ao diálogo, para o restabelecimento da justiça, da harmonia social e da paz.

A Jornada de Oração e Missão faz parte de uma série que coloca o valor da oração como “agir missionário” e propõe que cada cristão católico dedique um tempo do dia para rezar por determinado país. De acordo com a Comissão para Ação Missionária da CNBB as jornadas são um convite para contribuir, especialmente, com a oração que é uma das formas mais significativas de colaborar com o trabalho missionário.

Conheça um pouco do país

Distante geográfica e culturalmente, o Cazaquistão é composto por uma população de vinte milhões de habitantes e de diferentes etnias e religiões, segundo a comissão.

“A maioria é formada por cazaques, uzbeques, tártaros e uigures, de origem mongol e que professam a religião muçulmana sunita; há também uma porcentagem predominante de russos, ucranianos, bálticos e germano-russos, principalmente cristãos ortodoxos ou cristãos protestantes, e uma pequena presença católica, de cerca de 150.000 fiéis, quase todos pertencentes a famílias de origem europeia”.

A inspiração bíblica da missão da Pastoral da Criança é também uma frase que a doutora Zilda Arns sempre repetia: “eu vim para que
A inspiração bíblica da missão da Pastoral da Criança é também uma frase que a doutora Zilda Arns sempre repetia: “eu vim para que todas as crianças tenham vida e vida em abundância”, Jo 10, 10. Quem teve a feliz oportunidade de conviver com ela ouviu muitas vezes também sobre a importância da linda missão pela promoção e o desenvolvimento das crianças, gestantes e suas famílias.

O bispo de Pinheiro (MA) e presidente da Pastoral da Criança, dom Elio Rama, ao final da 27ª Assembleia Geral da Pastoral da Criança, realizada nos dias 18 e 19 de janeiro de 2021, reforçou que o foco da missão em 2022 deve ser o “retorno e o reforço ao carisma fundacional da doutora Zilda e a inovação”.

Para nortear o seus eixos de atuação em 2022, a Pastoral da Criança também realizou pesquisa qualitativa em três dioceses de distintas regiões brasileiras com foco de reflexão sobre o momento atual e a atuação da Pastoral da Criança com as famílias acompanhadas e líderes.

Intitulada “Mães, Líderes e a Pastoral da Criança em Tempos de Pandemia: Um Estudo Qualitativo em Três Municípios Brasileiros”, a pesquisa, coordenada pelo professor e doutor Juraci Cesar, pós-doutor em Saúde Pública e pesquisador da Universidade de Rio Grande do Sul, apontou diversas questões importantes:

  • Muitos líderes definiram a Pastoral da Criança com o mesmo significado, por exemplo: “Família”, “Amor ao próximo”, demonstrando a interação entre os líderes da Pastoral da Criança e as mães;
  • Foram ouvidas frases tais como: “A líder é como se fosse uma outra mãe pra gente”, “É a família que eu não tenho… que eu nunca tive!”;
  • Foi percebido que, durante a pandemia, o principal motivo de procura pela líder foi por doença [quase sempre da criança] e, depois, ajuda com alimentação.

Essas necessidades relatadas pelas mães mostraram que o/a líder da Pastoral da Criança é a pessoa de maior resolutividade que a mãe tem acesso e a que vive o mais próximo dela, por isso fica difícil não ajudar – sendo ou não sua função dentro da missão. A mãe pede o que precisa e a líder, de um jeito ou de outro, ajuda como pode. E isso claramente reforça a relação entre elas (líderes e mães). A pesquisa aponta ainda que o significado da Pastoral da Criança varia entre as mães e líderes, mas ele é sempre muito preciso: a Pastoral é “suporte”, “solidariedade”, “mão amiga”.

Dentre todos os relatos feitos pelas mães sobre a Pastoral da Criança, dois deles merecem destaque pela importância da fala, pela força com que disseram e pela gratidão manifestada: “Não fosse ela [a Pastoral], teria dado os meus filhos” ou “A Pastoral me ensinou a gostar de criança… a gostar dos meus próprios filhos”. Para mães e líderes, a Pastoral é muito mais do que a oferta de cuidados, é um rumo na vida delas e na de suas famílias.

Segundo a pesquisa, que ainda não tem dados consolidados e por isso não foi divulgada em sua plenitude, “as líderes não se deram conta que, ao assumir os mais pobres por abandono deste governo, atuam em uma outra seara e atendem as famílias nas necessidades apresentadas. Daquilo que não resolvem, encaminham. E parecem não se dar conta de que estão mudando a Pastoral da Criança”, ressalta o professor Juraci.

Para o doutor em sáude, em 2022, entidades que lidam com desigualdade, ciência, políticas públicas, educação, saúde etc., assim como é a Pastoral da Criança, precisam se reinventar. A Pastoral da Criança, no entanto, deve ter a certeza que as soluções estão aonde a entidade atua. Afinal, quem acabou com a desnutrição e reduziu a mortalidade infantil? O momento é de buscar soluções para passar por este momento e redefinir sua atuação. Afinal, só faz bem feito quem tem o nome e a atuação que a Pastoral da Criança tem há quase 40 anos.

Prioridades 2022

Frente a estes desafios, a Pastoral da Criança assumiu como prioridades para 2022:

  • Aumentar a cobertura da Pastoral da Criança. São muito poucas as crianças e gestantes acompanhadas (400.000) perto dos milhões de crianças e gestantes que poderiam ser beneficiadas por esta ação da Igreja.
  • Aumentar a articulação com as diversas redes, serviços públicos ou não, que podem ajudar as famílias mais necessitadas e que, por vezes, não direcionam suas ações a quem realmente mais precisa, no momento mais adequado.
  • Capacitar ainda mais nossos líderes nas ações preventivas.
  • Disponibilizar nossos materiais para as mães, pais, avós, padrinhos e outros responsáveis pelas crianças criando autonomia das famílias e empoderando-as para que se tornem agentes de sua própria transformação.
  • Inovar e aumentar o uso das tecnologias já disponíveis, em especial o Aplicativo da Pastoral da Criança
    praticar o controle social das políticas públicas especialmente nos serviços mais básicos, que são os que mais tem capacidade de diminuir a desigualdade social.

Para melhorar ainda mais este trabalho, a Pastoral da Criança também desenvolveu o aplicativo Visita Domiciliar e Nutrição, que, além de auxiliar nosso voluntariado no acompanhamento às famílias, também possui um módulo de comunicação entre os voluntários, as famílias acompanhadas, coordenadores e capacitadores. Com isso, são mais pessoas recebendo a melhor e mais relevante informação possível e com celeridade.

A dedicação dos voluntários da Pastoral da Criança ajuda a produzir no Brasil uma mudança de mentalidade sobre os cuidados com a criança. As comunidades descobriram a sua força transformadora. Milhares de pessoas se sentem valorizadas onde vivem, sabem dialogar, assumem compromissos para melhorar a realidade em que vivem, fazem história e contribuem para a continuidade da história e a construção de uma sociedade de paz e solidariedade.

A Pastoral da Criança

A Pastoral da Criança atua em todo o Brasil, acompanhando mais 360 mil crianças, mais de 18 mil gestantes e suas famílias, zelando pelo cuidado desde o nascimento e durante toda a primeira infância. Para que isso aconteça, mais de 42 mil voluntários estão mobilizados, sendo 33 mil líderes. Juntos, eles levam a missão Pastoral da Criança para mais de 2.600 municípios ,em mais de 16 mil comunidades.*meninas juntas em comunidade no brasil

Além disso, está presente em outros 11 países da América Latina, África e Ásia: Guiné-Bissau, Haiti, Peru, Filipinas, Moçambique, Bolívia, República Dominicana, Guatemala, Benin, Colômbia e Venezuela.

Nossa missão, desde 1983, é continuar sendo a presença do amor solidário de Deus neste mundo. Cada um de nós deve continuar o caminho de solidariedade, da partilha fraterna, da missão que nasce da fé em favor da vida, e que tem se multiplicado de comunidade em comunidade.

A presença dos líderes na casa e na vida das famílias mais pobres é a manifestação viva do amor de Deus para com os mais fragilizados, para com aqueles que mais necessitam da bondade e do carinho de Deus. Por isso, eles são a grande força que move a Pastoral da Criança.

Juntos, os líderes e voluntários realizam muito mais do que as importantes ações básicas e complementares. São, na prática, o exercício diário da solidariedade, da amizade e do amor ao próximo. Na convivência com a comunidade, além da partilha de conhecimento sobre saúde, nutrição, educação e cidadania, há doação de tempo, de escuta e a compreensão dos saberes dos outros, das diferenças e particularidades de cada local. Por vezes, os líderes e voluntários da Pastoral da Criança são os únicos que entram em casas de difícil acesso e constroem com as famílias uma relação de confiança que é levada para a vida toda. Em outros casos, chamam atenção das autoridades e fazem valer, junto com seus vizinhos, os direitos das crianças e gestantes daquela comunidade, ou para resolver uma situação de dificuldade.

Fonte: CNBB

Fotos: Pastoral da Criança (www.pastoraldacrianca.org.br )

As entidades signatárias do Pacto pela Vida e pelo Brasil publicaram na sexta-feira, 21, uma Nota na qual defendem a imunização da população infanto-juvenil, 

As entidades signatárias do Pacto pela Vida e pelo Brasil publicaram na sexta-feira, 21, uma Nota na qual defendem a imunização da população infanto-juvenil,  a exemplo do que vem ocorrendo em vários países em sinal de lucidez, responsabilidade e profundo sentido ético em relação aos milhões de crianças e adolescentes brasileiros.

“Sabia-se que a vacinação teria que chegar às crianças, protegendo-as de um vírus contagioso e mutante, com impactos diversos sobre o organismo. No entanto, chegada a hora, mais uma vez armou-se o circo da insensatez no Brasil, buscando semear o tumulto e afastar o país do seu destino”, diz o documento.

As entidades enaltecem o sucesso das campanhas de vacinação, no Brasil, que controlaram doenças que assombraram a população infantil e tantas famílias – entre elas, o sarampo e a poliomielite – e pelas quais o país conquistou reconhecimento internacional pelo seu programa de imunização.

Por outro lado, reforça que “hoje não se pode aceitar a campanha de sabotagem em torno da vacinação pediátrica, no curso de uma pandemia ainda longe de ser controlada, desprezando o direito à vida e à saúde de uma faixa etária com cerca de 69 milhões de brasileiros — porque é disso que se trata, em flagrante desrespeito à Constituição e ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)”.

As entidades conclamam mães, pais, familiares e professores a exigir do Estado brasileiro o que é preciso neste momento, para garantir não só a saúde, mas o futuro dos mais jovens. Leia, abaixo, a íntegra e aqui o arquivo em PDF. 

PACTO PELA VIDA DAS CRIANÇAS BRASILEIRAS

Nós, entidades signatárias do Pacto pela Vida e Pelo Brasil, lançado em 7 de abril de 2020 face ao agravamento da pandemia, voltamos a unir nossas vozes no clamor por aqueles que assistem, silentes e sem poder de ação, a situações que colocam em risco a sua própria vida. Falamos de milhões de crianças e adolescentes brasileiros, sobre os quais é urgente pensar com lucidez, responsabilidade e profundo sentido ético.

O enfrentamento da Covid-19, no curso de uma crise sanitária que abalou o mundo, prenunciou a necessidade de imunização da população infanto-juvenil, como já vem ocorrendo em vários países. Sabia-se que a vacinação teria que chegar às crianças, protegendo-as de um vírus contagioso e mutante, com impactos diversos sobre o organismo. No entanto, chegada a hora, mais uma vez armou-se o circo da insensatez no Brasil, buscando semear o tumulto e afastar o país do seu destino.

Manobras para desacreditar as vacinas, com o bombardeio incessante de declarações infundadas, têm tão somente por finalidade minar a confiança dos pais diante do que é correto e inadiável fazer: vacinar as crianças, garantindo-lhes proteção diante de um agente infeccioso grave.

O Brasil, e não é de hoje, conquistou reconhecimento internacional pelo seu programa de imunização. Gerações cresceram atendendo às convocações para vacinações diversas e assim foi possível controlar doenças que assombraram a população infantil e tantas famílias — entre elas, o sarampo e a poliomielite. Imunizou-se muito e bem, num país de dimensão continental e grande desigualdade.

Hoje não se pode aceitar a campanha de sabotagem em torno da vacinação pediátrica, no curso de uma pandemia ainda longe de ser controlada, desprezando o direito à vida e à saúde de uma faixa etária com cerca de 69 milhões de brasileiros — porque é disso que se trata, em flagrante desrespeito à Constituição e ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Estarrece constatar que tal situação esteja acontecendo no país que, tristemente, tornou-se um dos recordistas de mortes por Covid no planeta – cerca de 622 mil óbitos até o momento, boa parte deles evitável.

Declarações enganosas de autoridades do governo, na contramão do que tem sido feito pela autoridade sanitária, a Anvisa, poderiam sugerir que o Brasil pouco ou nada aprendeu nesses mais de dois anos de luta contra o vírus. Que falhamos como Nação. Que abrimos mão de compromissos éticos. Que retrocedemos no tempo. Mas, não nos enganemos: a sociedade brasileira não vive dentro da bolha do negacionismo. Ela conhece muito bem a dura realidade, sente na pele os desafios, escuta o que diz a ciência e assim defenderá o direito à vacina infantil, contra o SARS-CoV-2.

Certos disso, conclamamos governadores e prefeitos a não poupar esforços para que a imunização pediátrica avance rapidamente pelo país, em grandes mutirões, alcançando todas as crianças, e sem esquecer jamais das que vivem em condição de vulnerabilidade.

Conclamamos mães, pais, familiares e professores a exigir do Estado brasileiro o que é preciso neste momento, para garantir não só a saúde, mas o futuro dos mais jovens. E, por fim, mas não por último, conclamamos cidadãos e cidadãs a formar conosco um cinturão de lucidez no enfrentamento da pandemia, que esperamos ver superada. Como uma sociedade livre e democrática, construída sobre os pilares da ética, do bom senso e do bem comum, sairemos disso mais fortes.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo,
presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB

Felipe Santa Cruz,
presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB

José Carlos Dias,
presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns – Comissão Arns

Luiz Davidovich,
presidente da Academia Brasileira de Ciências – ABC

Paulo Jeronimo de Sousa,
presidente da Associação Brasileira de Imprensa – ABI

Renato Janine Ribeiro,
presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC

“Escutar com o ouvido do coração” é o título da mensagem do Papa Francisco para o 56º Dia Mundial das Comunicações Sociais. No texto,
“Escutar com o ouvido do coração” é o título da mensagem do Papa Francisco para o 56º Dia Mundial das Comunicações Sociais. No texto, o Pontífice analisa a dimensão na escuta em tempos de redes sociais e a sua importância no processo sinodal da Igreja.

Foi divulgada esta segunda-feira, festa de São Francisco de Sales (padroeiro dos comunicadores), a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que este ano será celebrado em 29 de maio.

Depois de dedicar a mensagem precedente aos verbos “ir e ver”, o Papa escolheu outro verbo decisivo na gramática da comunicação: “escutar”. De que modo? Com o ouvido do coração.

A fé vem da escuta

O avanço da tecnologia comunicativa colocou à disposição podcasts e áudios em aplicativos, que demonstram que a escuta continua sendo essencial para a comunicação humana, condição para um autêntico diálogo. Entre os cinco sentidos, Deus parece privilegiar a audição. São Paulo dizia que “a fé vem da escuta”.

“A escuta corresponde ao estilo humilde de Deus”, escreve o Papa. É essa ação que permite que Deus se revele como Aquele que, ao falar, cria o homem à sua imagem, e ao ouvi-lo, o reconhece como seu interlocutor. “No fundo, ouvir é uma dimensão do amor”, mesmo se às vezes o homem tende a “tapar os ouvidos”.

“Existe de fato uma surdez interior, pior do que a física. Ouvir, com efeito, não diz respeito apenas ao sentido da audição, mas à pessoa toda.”

O verdadeiro órgão da audição, portanto, é o coração, ali sentimos o desejo de estar em relação com os outros e com o Outro. “Não somos feitos para viver como átomos, mas juntos.”

A escuta como condição da boa comunicação

Todavia, Francisco alerta para o oposto da ação de escutar, que é “espreitar”, “bisbilhotar”, sobretudo em tempos de redes sociais. Ao invés de nos escutarmos uns aos outros, “falamos uns sobre os outros”. Ao invés de procurarmos a verdade e o bem, procuramos o consenso, buscamos audiência. Estamos simplesmente à espera que a outra pessoa acabe de falar, a fim de impor o nosso ponto de vista.

“A boa comunicação, ao contrário, não procura impressionar o público com uma piada de impacto, com a finalidade de ridicularizar o interlocutor, mas presta atenção às razões do outro e procura compreender a complexidade da realidade. É triste quando, até na Igreja, se formam alinhamentos ideológicos, a escuta desaparece e dá lugar a uma oposição estéril.”

Na verdadeira comunicação, acrescenta o Papa, o “eu” e o “tu” estão ambos “em saída”, inclinados um para o outro. Portanto, a escuta é o primeiro ingrediente indispensável do diálogo e da boa comunicação. “Não há bom jornalismo sem a capacidade de ouvir.” Aliás, este é um dos aprendizados basilares do jornalista: ouvir várias fontes.

Os perigos da “infodemia”

Na Igreja, esse preceito se transforma em “ouvir várias vozes”, que permite exercer a arte do discernimento e se orientar numa sinfonia de vozes.

Francisco cita o cardeal Agostino Casaroli, que falava de “martírio da paciência” em seu trabalho como diplomata, necessário para ouvir e ser ouvido.

Para o Papa, a capacidade de ouvir é mais valiosa do que nunca. De fato, este tempo “ferido pela longa pandemia” levou à “infodemia”, isto é, ao grande fluxo de informações sobre um tema específico – neste caso sobre a Covid – nem sempre fundadas e críveis, gerando desconfiança na sociedade.

Outro exemplo citado pelo Pontífice sobre a “arte de ouvir” vem do desafio representado pela migração forçada. Ouvir as experiências dos migrantes significa dar um nome e uma história a cada um deles. “Ouçamos estas histórias!”, exclama Francisco, encorajando os jornalistas a contá-las.

O “apostolado do ouvido”

O Papa conclui a mensagem analisando a dimensão da escuta dentro da Igreja. “Quem não sabe escutar o irmão, em breve já não será capaz de ouvir nem sequer Deus.”

Na ação pastoral, a obra mais importante é o “apostolado do ouvido”, aponta Francisco. “Dar gratuitamente um pouco do seu tempo para ouvir as pessoas é o primeiro gesto de caridade.”

A dimensão da escuta é ainda mais essencial no processo sinodal há pouco iniciado. “Rezemos para que seja uma grande oportunidade de escuta recíproca.”

“Na consciência de que participamos numa comunhão que nos precede e nos inclui, possamos redescobrir uma Igreja sinfónica, na qual cada pessoa é capaz de cantar com a própria voz, acolhendo como um dom as dos outros, para manifestar a harmonia do conjunto que o Espírito Santo compõe.”

Fonte:  Vatican News

jornalista: Bianca Fraccalvieri

Mais de 360 ​​milhões de cristãos em todo o mundo sofrem perseguição e discriminação por causa de sua fé; em cerca de cem países
Mosteiro siríaco-católico de Mar Elian, na Síria, destruído por jihadistas do Estado Islâmico (AFP or licensors)

Mais de 360 ​​milhões de cristãos em todo o mundo sofrem perseguição e discriminação por causa de sua fé; em cerca de cem países a perseguição aumentou em termos absolutos. Os cristãos mortos por motivos relacionados com a fé, entre 1° de outubro de 2020 e 30 de setembro de 2021, são mais de 5.800, cerca de 23% a mais do que o ano anterior. Assim a World Watch List 2022 – o relatório anual da organização Portas Abertas/Open Doors – conta a história da perseguição anticristã em 50 países ao redor do mundo.

O aumento da violência, discriminação e assédio

“Desde que realizamos este relatório, há cerca de 30 anos – explica Christian Nani, diretor de Portas Abertas Itália – este é o nível mais elevado em termos absolutos de perseguição. Um cristão em cada 7 no mundo é perseguido, na África um cristão em cada 5, na Ásia dois em cada 5. Estamos assistindo ao crescimento de um fenômeno que diz respeito à vida de comunidades e de indivíduos cristãos, sob vários pontos de vista”.

O aspecto essencial ressaltado por Nani é que, além de aumentar a violência, cresce a pressão, entendida como discriminação e assédio, principalmente por motivos específicos: “A falta de proteção endêmica por parte de governos que não querem ou não podem proteger os cristãos comunidades por vários motivos políticos ou religiosos, o que gera uma espécie de impunidade dos perseguidores que leva a novas perseguições. E depois, talvez, a evidente indiferença de boa parte dos atores políticos internacionais que não dão a devida atenção, na condução das relações diplomáticas, à violação de direitos fundamentais, como a liberdade religiosa dos cristãos no mundo”.

Afeganistão, país mais perigoso

O relatório deste ano vê uma mudança no topo da lista. Depois de liderar o elenco por cerca de 20 anos, a Coreia do Norte cai para o segundo lugar, superada pelo Afeganistão, país que se tornou o mais perigoso do mundo para a comunidade cristã após a ascensão do Talibã ao poder, evento que, continua Nani, “está se transformando em uma espécie de combustível para o jihadismo global”, o que gera muitas preocupações em contextos como o da África.

Neste continente, de fato, existe o maior número de mortos, com a Nigéria como “epicentro dos massacres”, com 4.650 vítimas. No ranking Portas Abertas, entre os 10 primeiros estão sete países africanos, onde os movimentos jihadistas estão se desenvolvendo cada vez mais.

“A vitória do Talibã – explica Nani – de alguma forma impulsionou e motivou os movimentos jihadistas que existem na África, como o al-Shabab na Somália, o Estado Islâmico na África Ocidental em todo o cinturão do Sahel ou o Boko Haram na Nigéria. É uma questão muito delicada, a África é instável deste ponto de vista e as comunidades cristãs estão sob um violento ataque”.

Particularmente notável continua a ser a Índia, à qual Portas Abertas já havia dedicado um relatório em julho passado, no qual foi destacada a ascensão da ideologia nacionalista hindu, que coloca em risco os direitos das minorias, especialmente os cristãos.

A Igreja em fuga

Outro fenômeno muito grave é o de uma Igreja que no relatório é definida como “refugiada”, ou seja, a de cristãos em fuga: centenas de milhares de pessoas que saem de seus países – sublinha ainda Portas Abertas – devido à agressão direta, como acontece na Nigéria ou no cinturão do Sahel; ou devido à instabilidade ou opressão por parte dos governos, como no Irã; ou como no caso de Mianmar, onde o exército atacou igrejas e prendeu líderes cristãos, também ali gerando refugiados que, muitas vezes – é a amarga consideração de Christian Nani – ou fogem para países que também estão na lista de perseguidores, ou “acabam em campos onde podem reviver as discriminações e as perseguições das quais, de fato, estão tentando escapar”.

Fonte: Vatican news

Jornalista: Francesca Sabatinelli – Cidade do Vaticano