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“Quanto mais cuidamos da dignidade no trabalho, mais certos estamos de que a qualidade e a beleza do trabalho realizado irão aumentar”. São palavras
“Quanto mais cuidamos da dignidade no trabalho, mais certos estamos de que a qualidade e a beleza do trabalho realizado irão aumentar”. São palavras do Papa Francisco no encontro com os membros da Associação Nacional de Empresas da Construção Civil nesta quinta-feira (20) no Vaticano

Na manhã desta quinta-feira (20/01) o Papa Francisco recebeu os membros da Associação Nacional de Empresas da Construção Civil. Francisco disse aos presentes que gostaria de compartilhar alguns ensinamentos do Evangelho para ajudá-los em seu trabalho. “É uma leitura cristã dos valores aos quais vocês se inspiram: competição e transparência; responsabilidade e sustentabilidade; ética, legalidade e segurança.

Construir pensando nas adversidades

E recordou que o Evangelho que testemunha Jesus na sua pregação, também usou metáforas das construções para transmitir suas mensagens, e recordando o Evangelho de Lucas disse: “Ele compara os charlatães com os que constroem casas em terreno arenoso sem fundações”, sem pensar nas adversidades. Porém sua parábola mostra também o outro lado da medalha: ‘Quem vem a mim e ouve minhas palavras e as põe em prática, […] é como um homem que, construindo uma casa, escavou muito fundo e lançou uma fundação sobre a rocha’, recordou o Papa afirmando que “a imagem é ainda mais interessante se pensarmos que tal construtor não só fez a coisa certa no momento presente, mas também defendeu a casa de possíveis adversidades”.

Para explicar Francisco disse:

“Na pregação de Jesus, o crente é aquele que não se limita a aparecer externamente cristão, mas age de fato como um cristão”

“E é precisamente esta ‘coerência operacional’ – continuou – que lhe permite edificar-se a si mesmo não apenas nos tempos normais da vida, mas também nos momentos difíceis”. Concluindo: “Isto também significa que a fé não nos protege das intempéries, mas, acompanhada de boas obras, nos fortalece e nos permite resistir a ela”.

Concorrência e transparência

Em seguida discorreu sobre a concorrência e a transparência no trabalho dos empresários: “A competição – disse o Papa – deve ser um incentivo para fazer melhor e bem, e não um desejo de dominação e exclusão”. “Isso permite evitar a concorrência desleal, o que nas esferas econômica e trabalhista muitas vezes significa perda de empregos, apoio ao trabalho informal ou mal remunerado. Isso favorece formas de corrupção que se alimentam do assassinato da ilegalidade e da injustiça. Concorreência e transparência: juntas”.

Responsabilidade e sustentabilidade

Ao falar sobre responsabilidade e sustentabilidade o Papa disse que “a sustentabilidade tem a ver com a beleza dos lugares e a qualidade dos relacionamentos”. E recordou uma passagem da Laudato si’ na qual escreveu:

“Não basta buscar a beleza no projeto, pois é ainda mais valioso servir a outro tipo de beleza: a qualidade de vida das pessoas, sua harmonia com o meio ambiente, seu encontro e ajuda umas às outras”

Desejando que o trabalho dos presentes possa ajudar “as comunidades a fortalecer os laços de solidariedade, cooperação e ajuda recíproca”.

Ética, legalidade e segurança

Referindo-se a Éticalegalidade e segurança, o Papa advertiu que os acidentes de trabalho são muitos, demais e para não esquecerem que os dados “não são números, mas são pessoas”.  “Infelizmente – continuou – se a segurança no local de trabalho é vista como um custo, parte-se da suposição errada. A verdadeira riqueza são as pessoas: sem elas não há comunidade de trabalho, não há empresa, não há economia”.

“Segurança no local de trabalho significa salvaguardar os recursos humanos, que tem um inestimável valor aos olhos de Deus e também aos olhos do verdadeiro empreendedor”

“Por esta razão – concluiu o Papa – a legalidade deve ser vista como a proteção do patrimônio mais elevado, que são as pessoas. Trabalhar com segurança permite que todos possam expressar o melhor de si mesmos enquanto ganham seu pão de cada dia. Quanto mais cuidamos da dignidade no trabalho, mais certos estamos de que a qualidade e a beleza do trabalho realizado irão aumentar”.

Fonte: Vatican News

Jornalista: Jane Nogara

Foto capa: Vatican News

São José, pai na ternura: este foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira, 19 de janeiro. O Pontífice recordou

São Josépai na ternura: este foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira, 19 de janeiro.

O Pontífice recordou que não há nos Evangelhos relatos explícitos de como são José exerceu sua paternidade. Todavia, é possível compreender algo a partir do próprio Jesus, que sempre usou a palavra “pai” para falar de Deus e do seu amor.

Ouça e compartilhe

Entre as muitas parábolas que tem a figura paterna como protagonista, Francisco citou a do Pai misericordioso e o acolhimento ao filho pródigo, narrada por Lucas.

O filho estava à espera de uma punição, contentando-se em ser tratado como um dos criados; e, ao contrário, vê-se abraçado pelo pai. “A ternura é algo maior do que a lógica do mundo”, comentou o Papa. “É um modo inesperado de fazer justiça.”

Deus não se assusta com nossos pecados

Por isso, acrescentou o Pontífice, jamais devemos esquecer que Deus não se assusta com nossos pecados:

“Vamos colocar isso na nossa cabeça: Deus não se assusta com nossos pecados, é maior do que os nossos pecados. É pai, é amor, é terno. Não se assusta com nossos pecados, nossos erros, nossas quedas, mas se assusta com o fechamento do nosso coração – isto sim O faz sofrer – com a nossa falta de fé no seu amor.”

Francisco contou uma encenação de uma peça teatral feita por jovens sobre a parábola do filho pródigo. O jovem pediu um lenço branco na janela como sinal de que o pai o havia perdoado. Mas quando regressou, encontrou a casa repleta de lenços. “Assim é a misericórdia de Deus. (…) Todos nós temos contas para resolver, mas fazer as contas com Deus é algo belíssimo, porque nós começamos a falar e Ele nos abraça. A ternura.”

Há uma grande ternura na experiência do amor de Deus, disse ainda Francisco, convidando os fiéis a lembrarem quando experimentaram esta ternura e se, por nossa vez, nos tornamos suas testemunhas. A ternura não é uma questão emotiva ou sentimental: é a experiência de sentir-se amados.  Por isso é importante encontrar a Misericórdia de Deus, especialmente no Sacramento da Reconciliação. “Deus sempre nos perdoa, somos nós que nos cansamos de pedir perdão.”

Revolução da ternura para não confundir redenção com punição

O Papa concluiu afirmando que nos fará bem espelharmo-nos na paternidade de José e nos questionar se permitimos ao Senhor de nos amar com a ternura.

“Sem esta ‘revolução da ternura’, corremos o risco de permanecer prisioneiros numa justiça que não permite erguer-se facilmente e que confunde a redenção com a punição”, disse ainda Francisco, dirigindo seu último pensando aos encarcerados:

“É justo que quem errou pague pelo próprio erro, mas é ainda mais justo que quem errou possa redimir-se do próprio erro. Não podem existir condenações sem ‘janelas’ de esperança. (…) Rezemos pelos encarcerados, para que nessas ‘janelas’ de esperança encontrem uma saída rumo a uma vilda melhor.”

E como tem feito neste ciclo dedicado a São José, o Pontífice concluiu a catequese com uma oração:

“São José, pai na ternura,
ensinai-nos a aceitar que somos amados precisamente naquilo que é mais débil em nós.
Concedei que não coloquemos qualquer obstáculo
entre a nossa pobreza e a grandeza do amor de Deus.
Suscitai em nós o desejo de nos aproximarmos do Sacramento da Reconciliação,
para que possamos ser perdoados e também que nos tornemos capazes de amar com ternura os nossos irmãos e irmãs na sua pobreza.
Estai próximo daqueles que erraram e que pagam o preço por isso;
ajudai-os a encontrar, juntamente com a justiça, a ternura para recomeçar.
E ensinai-lhes que a primeira maneira de recomeçar
é pedir sinceramente perdão, para sentir a carícia do Pai.”

A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que este ano se realiza de 18 a 25 de janeiro, é uma oportunidade extraordinária para
A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que este ano se realiza de 18 a 25 de janeiro, é uma oportunidade extraordinária para centralizar novamente a vontade de Jesus expressa no Evangelho: “Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, que eles também sejam um em nós”. No centro das reflexões está o versículo: “Vimos sua estrela no Oriente e viemos prestar-lhe homenagem“. As palavras, citadas pelo evangelista Mateus, se referem aos magos ou sábios que, de suas terras distantes, partiram e, seguindo a estrela, encontraram o Menino em Belém. Melchior, Baltazar e Gaspar – nomes com os quais aparecem nos Evangelhos apócrifos – além de suas humildes aparências, reconhecem naquela criança recém-nascida um Rei e, prostrando-se diante dele, o adoram.

Cristãos de diferentes tradições do Oriente Médio propuseram as palavras dos Reis Magos para a celebração da Semana de Oração. De fato, o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos havia confiado ao Conselho das Igrejas Orientais a tarefa de escolher o tema para 2022. Entrevistamos o bispo irlandês Dom Brian Farrell, secretário do dicastério, que explica porque esta decisão foi tomada e que mensagem as Igrejas daquela região querem dirigir às comunidades do mundo inteiro:

Dom Farrell, por que o Conselho das Igrejas Orientais foi solicitado a escolher o tema para a Semana da Unidade dos Cristãos deste ano?

Sabe-se que a Semana de Oração pela Unidade existe, de uma forma ou de outra, há mais de 100 anos, e há 50 anos existe uma colaboração entre o Pontifício Conselho pela Unidade e o Conselho Ecumênico de Igrejas, onde a cada ano, alternadamente, nós ou eles escolhemos um grupo ecumênico ou um grupo de cristãos em um país ou região para preparar o material. Em 2020, o Conselho de Igrejas do Oriente Médio pareceu uma escolha muito boa porque nessas regiões há tanto sofrimento humano, guerras, pobreza, falta de direitos e, ao mesmo tempo, tantas Igrejas de diferentes tradições que sempre viveram juntas. Assim, nesses lugares existe um ecumenismo vivido naturalmente, no cotidiano, na sociedade e muitas vezes também nas famílias.

“Vimos sua estrela no Oriente e viemos prestar-lhe homenagem” é um tema que, à primeira vista, parece ter pouco a ver com a unidade dos cristãos. Qual é a conexão que o senhor vê, em vez disso, entre este episódio dos Reis Magos e a busca da unidade?

Eu diria que, antes de tudo, o episódio dos Reis Magos nos lembra que esta é a região onde Cristo nasceu, e a busca da unidade dos cristãos só dá frutos se Cristo for o centro, o critério, a fonte de nossos esforços. Trata-se de recompor a comunhão entre os seguidores de Jesus pela qual ele rezou na noite anterior à sua paixão. O ecumenismo é a obediência à vontade de Cristo, e recordo o que o Papa Francisco disse recentemente: a viagem dos Magos em direção a Belém, a sua peregrinação fala também a nós que somos chamados a caminhar na direção de Jesus porque ele é a Estrela Polar que ilumina os céus da vida e direciona nossos passos em direção à verdadeira alegria. Em outras palavras, o ecumenismo, a busca da unidade cristã, só avança na medida em que todos somos fiéis ao Senhor, e este é o ponto fundamental, em minha opinião.

Qual é a mensagem principal ou o apelo mais forte que os cristãos do Oriente dirigem a todas as comunidades do mundo através do tema que escolheram para esta Semana de Oração pela Unidade?

Creio que o principal convite que os textos da Semana nos apresentam é para voltarmos às origens, ou seja, a Cristo. Não para reduzir a Igreja a mais uma organização humana, a uma força política ou cultural, mas para fazer o encontro com o mistério revelado no berço de Belém, a história dos Reis Magos, o centro de toda a vida e dos esforços das Igrejas. Oramos pela unidade dos cristãos, mas não se trata de uma unidade de interesses ou de estratégias ou de políticas, mas uma unidade na qual o Evangelho se torna a regra de nossas vidas e o compromisso de fazer do ensinamento de Jesus, sobretudo do amor de Deus e do próximo, o verdadeiro caminho de nossas vidas. Na minha opinião, este é o principal convite que os textos deste ano nos apresentam.

Na sua opinião, qual é a relação entre a unidade entre as Igrejas cristãs e a fraternidade universal e a paz no mundo, tão solicitada pelo Papa Francisco e tão necessária hoje?

Obrigado por esta pergunta, pois a considero muito apropriada. Recordamos que na encíclica Fratelli tutti, diante de um mundo confuso e dividido, um mundo em que há ainda tanto descarte de seres humanos, o Papa Francisco nos pede para sonhar e trabalhar pelo renascimento de um sentimento de fraternidade universal que seja a consequência de um coração aberto a todos. Este, em minha opinião, é o contexto certo para entender o ecumenismo e para compreender as relações ecumênicas: é uma questão entre cristãos de passar da rejeição mútua, da divisão e do conflito à compreensão mútua, ao respeito, à solidariedade e à cooperação. Quanto mais cristãos das diferentes Igrejas se reconciliarem, mais eles serão um sinal e um instrumento da unidade da família humana, da fraternidade universal. Esta é, de acordo com o que o Papa nos ensina, a única maneira para que haja paz e justiça, para que haja um futuro melhor para as próximas gerações. A unidade cristã, portanto, é um fator indispensável na construção desse mundo futuro.

Fonte; Vatican News

Nos últimos anos, diversas entidades da sociedade civil e órgãos oficiais de monitoramento do sistema prisional apresentaram inúmeras denúncias de violações de direitos no

Nos últimos anos, diversas entidades da sociedade civil e órgãos oficiais de monitoramento do sistema prisional apresentaram inúmeras denúncias de violações de direitos no sistema prisional em Goiás. O banco de dados da Pastoral Carcerária Nacional indica que as denúncias de tortura saltaram de onze casos em 2020 para 26 no ano de 2021, representando um aumento de mais de 126%.

Podemos afirmar que as denúncias envolvendo agressões físicas e verbais, uso de instrumentos de tortura, spray de pimenta, bomba de gás lacrimogêneo, bala de borracha, violações do direito à visita das famílias, falta de assistência material, à saúde, falta de alimentação e água, incomunicabilidade, dentre outras violações de direitos, mais que dobraram nos últimos dois anos.

Esses números mostram o avanço e a ampliação da política de violência adotada pelo Estado no cárcere goiano. Segundo informações da Pastoral Carcerária Nacional, Goiás ocupa a 3ª posição no ranking dos estados que são os mais denunciados em todo o país.

Diante de uma infindável avalanche de denúncias feitas por diversas entidades, especialmente de maus tratos, abusos de autoridade, negligência e violência apresentadas por presos do sistema prisional de Goiás e seus familiares, manifestamos nossa perplexidade e repúdio à nomeação do policial penal Josimar Pires Nicolau do Nascimento para o cargo de diretor-geral de Administração Penitenciária de Goiás, apesar da ampla publicidade dada ao vazamento do áudio de uma reunião com servidores da Penitenciária Odenir Guimarães, em Aparecida de Goiânia, no qual ele confessa a prática de tortura contra presos, relata uma série de violências cometidas, como agressões físicas e psicológicas, uso de instrumentos torturantes e armamentos, além de ameaçar de morte colegas que o denunciem.

Essa confissão chocante foi publicada pelo El País, na reportagem “Pisei, dei murro na cara”, a confissão de maus-tratos de um gestor de 14 presídios de Goiás”, publicada no dia 22 de março de 2021.

Em um ambiente de sistemático desrespeito à lei e denúncias rotineiras de graves abusos e violações de direitos contra detentos em Goiás, que não são apuradas com rigor, a exoneração do tenente-coronel da PM Franz Rasmussen Rodrigues, suspeito de corrupção e acusado por 130 presos de “ditar as regras” de um esquema de tortura dentro do sistema prisional, seria motivo de comemoração e esperança de que finalmente o governo do estado fosse obedecer a Lei 9.455/1997, que define os crimes de tortura.
Entretanto, a indicação de um “torturador confesso”, conforme o áudio vazado pelo El País, para ocupar o cargo de diretor-geral de Administração Penitenciária, é absolutamente inadmissível quando existe um mínimo de respeito à legalidade e ao ordenamento jurídico que proíbe a prática de tortura no Brasil e em Goiás.

Assim, causa estranheza e desconfiança que, diante desses fatos graves e públicos, o governador Ronaldo Caiado tenha nomeado justamente uma pessoa suspeita de ter cometido crimes graves no exercício de sua função no sistema prisional.

Diante disso, nos sentimos obrigados a perguntar se, talvez, não seja esse o conjunto de “qualidades” que o governo do estado espera encontrar em alguém designado para ocupar o cargo em questão, uma vez que ignora as denúncias feitas. Em Goiás, a tortura está sendo implementada como um ilusório método de controle, ao arrepio da lei, ao invés da implementação de verdadeiras políticas públicas?

Nesse ambiente trágico e de absoluta falta de inteligência no enfrentamento da criminalidade, nos cabe exigir também o cumprimento do inciso III do artigo 5˚ da Constituição Federal, segundo o qual “ninguém será submetido a tortura, nem a penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes”; do Código Penal Brasileiro (Decreto Lei n˚ 2.848/1940); e do Código de Processo Penal Brasileiro (Decreto Lei n˚ 3.689/1941), segundo os quais a tortura é crime inafiançável.

E finalmente, os artigos 5º da Declaração Universal dos Direitos do Homem e 7º do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, que determinam que ninguém será sujeito à tortura ou à pena ou tratamento cruel, desumano ou degradante; a Declaração sobre a Proteção de Todas as Pessoas contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, aprovada pela Assembléia Geral da ONU em 9 de dezembro de 1975; entre outras legislações, incluindo os próprios regramentos internos das unidades prisionais.

Exigimos o imediato cumprimento do ordenamento jurídico vigente, a substituição do mencionado policial penal por uma pessoa de trajetória insuspeita e comprometida com a implementação de políticas públicas voltadas para a garantia de direitos, em sintonia com as leis vigentes, a dignidade e uma verdadeira reintegração social de todas as pessoas presas; além de uma investigação transparente e imparcial das denúncias e acusações de torturas, abusos e negligência no sistema prisional goiano.

Goiânia-GO, 07 de janeiro de 2022.

Pastoral Carcerária Nacional
Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil
Comitê Goiano de Direitos Humanos Dom Tomás Balduino
Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT)
Justiça Global
Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Criminalidade e Violência – Necrivi/UFG
Comitê Brasileiro de Defensores e Defensoras de Direitos Humanos -CBDDH
INESC – Instituto de Estudos Socioeconômicos
Comissão Pastoral da Terra (CPT) – Regional Goiás
Movimento Nacional de Direitos Humanos Goiás
Pastoral Carcerária Estadual de Goiás
Associação Brasileira de Juristas pela Democracia – ABJD GO
Laboratório de Direitos Humanos da UFRJ
Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua – MNMMR
Movimento de Meninos e Meninas de Rua de Goiás – MMMR-GO
ASSIBGE – Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatísticas – Goiás
Movimento Nacional da População em Situação de Rua – Goiás
Movimento dos Policiais Antifascismo Goiás
Central de Movimentos Populares de Goiás
Movimento de Trabalhadores e Trabalhadoras por Direitos Goiás
Instituto Brasil Central – IBRACE
Rede de Proteção às Pessoas em Vulnerabilidade
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
MNU – Movimento Negro Unificado Nacional
Pastoral Carcerária Regional Oeste 1 MS
Pastoral Carcerária Nacional para Questão da Mulher Encarcerada
CRB Regional Goiânia
AMPARAR
ITTC – Instituto Terra Trabalho e Cidadania
Serviço Pastoral dos Migrantes Nacional
Liberta Elas
Pastoral da Mulher Marginalizada Nacional
Pastoral do Povo da Rua Nacional
Pastoral Operária Nacional
Rede Nacional de Mães e Familiares de Vítimas do Terrorismo do Estado
Grito dos/as Excluidos/as Brasil
Associação dos Familiares e Amigos de Pessoas Privadas de Liberdade do Estado de Goiás
Instituto Anjos da Liberdade Goiás
Associação Devir Social Goiás
Rede de Mães e Familiares da Baixada Fluminense
ASTRAL GOIÁS
Instituto DH
NUDISS/UFF- Núcleo de Pesquisa e Extensão em Direitos Humanos, Infância, Juventude e Serviço Social da Universidade Federal Fluminense
Frente Paraense pelo Desencarceramento
Elas Existem Mulheres Encarceradas – RJ
CEMADIPE – Goiás
AMUGUE – Associação de Mulheres Guerreiras – RJ
Centro de Direitos Humanos Dom Jaime Collins – GO
ABRASME CENTRO OESTE
Centro de Formação Integral – GO
AFAPARO – Associação dos Familiares dos Presos de Rondônia
Associação de Familiares e Amigos de Presos e Egressos (AFAPE) – SP
Instituto das Irmãs Missionárias de Cristo – Goiânia
Congregação de São Pedro Ad Vincula – Goiânia
Instituto de Cidadania e Direitos Humanos – MG
Irmãs de São José de Rochester – GO
Fórum Permanente de Saúde do Sistema Penitenciário do Rio de Janeiro
Associação Canários Senzala
Comitê Estadual de Educação em Direitos Humanos
Movimento Nacional de Direitos Humanos – Articulação Piauí
Frente Estadual pelo Desencarceramento do ES
Iniciativa Direito a Memória e Justiça Racial – RJ
Coletivo Escuta Liberta – SP
Leitura Liberta – SP
Coletivo Escuta Liberta – SP
Frente Estadual pelo Desencarceramento do Amazonas
Coletivo de Terapeutas Solidários
Cooperativa Libertas – SP
Mujeres de Frente – Ecuador
Tod@s Unidas – RJ
Grupo Recomeço – PR
Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis
CDDH Dom Tomás Balduíno de MARAPÉ (ES)
Associação de Advogados/as de Trabalhadores/as Rurais na Bahia.
6ª Semana Social Brasileira
Coletivo de Familiares e Amigos de Presos e Presas do Amazonas
Assessoria Popular Maria Felipa – MG
ColetivoRJ Memória Verdade Justiça e Reparação
Juventude Manifesta Amazonas
Pastoral Carcerária Bento Gonçalves – RS
FAOR – Fórum da Amazônia Oriental
Coletivo Mães pela Paz – GO
Coletivo Rosas no Deserto de Familiares, Amigxs e Sobreviventes do Sistema Prisional – DF
Coletivo Vozes de Mães e Familiares do Sistema Socioeducativo e Prisional do Ceará
CBJP – Comissão Brasileira Justiça e Paz
Rede Brasileira de Conselhos – RBdC
Instituto Prios de Políticas Públicas e Direitos Humanos
Instituto Irmas da Reparação – GO
Rede Um Grito pela Vida-CRB – GO
Irmãs de Caridade de Montreal – GO
Centro Educacional Cidadania e PAZ
Boa Vista das Missões
Kitembo – Laboratório de Estudos da Subjetividade e Cultura Afro-brasileira
Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Politico
Educafro Regional Rio
Instituto DH
Brigadas Populares
Frente pelo Desencarceramento do Ceará
Pastoral Carcerária de Pernambuco
Pastoral Carcerária de Goianésia
Movimento Estadual de Direitos Humanos do Tocantins
Assessoria Jurídica Universitária Popular (AJUP-UFMG)
Rede Feminista de Juristas – deFEMde
Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Belo Horizonte
TRANSCRIM (Núcleo Transdisciplinar Subjetividades, Violências e Processos de Criminalização)
Pastoral Carcerária de Mogi das Cruzes
Frente Estadual pelo Desencarceramento – PI
Pastoral Carcerária de Curitiba
Pastoral Carcerária da Diocese de Serrinha
Pastoral Carcerária Diocese de Três Lagoas – MS
Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas
Pastoral Carcerária Arquidiocesana de Brasília
Rede de Comunidades e Movimento contra Violência – RJ
Frente Estadual pelo Desencarceramento do Rio de Janeiro
Coletivo de Mães e Familiares de Pessoas Privadas de Liberdade de Rondônia
Frente pelo Desencarceramento de Rondônia
Frente Estadual pelo Desencarceramento no PR
Frente Estadual pelo Desencarceramento da Paraíba
Movimento Mães de Acari
Frente Sergipana pelo Desencarceramento
Coletivo de Mães de Manaus
Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – Seção Goiás
Frente Estadual pelo Desencarceramento do Rio Grande do Norte
Pastoral Carcerária Diocese de Crato
Núcleo de Mães Vítimas de Violência – RJ
Grupo de Mulheres Bordadeiras da Coroa Elza Santiago – RJ
Central de Movimentos Populares (CMP) – SP
Mães da Dor – SP
Plenária Anistia Rio
Mecanismo Estadual de Prevenção e Combate à Tortura do Rio de Janeiro
Pastoral Carcerária de Aimorés – MG
Núcleo de Assessoria Jurídica Universitária Popular Luiza Mahin – NAJUP Luiza Mahin/UFRJ
Pastoral Carcerária de Mamanguape – PB
Comissão Pastoral da Terra Xinguara
CEDECA Sapopemba
Coletivo Por Nós – SP
Fórum Grita Baixada
Movimento Camponês Popular (MCP)
Pastoral Carcerária de Sergipe
Conselho da Comunidade na Execução Penal de Sergipe
Centro Popular da Mulher

 

Fonte: CNBB

O Ano especial sobre São José se concluiu em 8 de dezembro passado, mas a atenção e o amor do Papa Francisco por este
O Ano especial sobre São José se concluiu em 8 de dezembro passado, mas a atenção e o amor do Papa Francisco por este Santo não se esgotaram; pelo contrário, se desenvolveram ulteriormente com as catequeses que, desde 17 de novembro passado, está dedicando à figura do Padroeiro universal da Igreja. Da nossa parte, L’Osservatore Romano publicou uma coluna mensal no decorrer de todo o ano de 2021, que foi proposta também no site do Vatican News, sobre a Patris Corde, dedicando cada artigo a um capítulo da Carta Apostólica sobre São José. Esta coluna que falou de pais, mas também de filhos e de mães em diálogo ideal com o Esposo de Maria, suscitou em nós o desejo de poder nos confrontar com o Papa precisamente sobre o tema da paternidade em suas mais diversas facetas, desafios e complexidades. Assim nasceu esta entrevista, em que Francisco responde às nossas perguntas mostrando todo o seu amor pela família, a sua proximidade por quem experimenta o sofrimento e o abraço da Igreja aos pais e mães que hoje devem enfrentar inúmeras dificuldades para dar um futuro aos próprios filhos.

Santo Padre, o senhor convocou um Ano especial dedicado a São José, escreveu uma carta, a Patris Corde, e está realizando um ciclo de catequeses dedicado à sua figura. Que representa São José para o senhor?

Nunca escondi a sintonia que sinto em relação à figura de São José. Creio que isto provenha da minha infância, da minha formação. Desde sempre cultivei uma devoção especial a São José porque creio que a sua figura represente, de maneira bela e especial, o que deveria ser a fé cristã para cada um de nós. Com efeito, José é um homem normal e a sua santidade consiste precisamente em ter-se feito santo através das circunstâncias boas e ruins que teve que viver e enfrentar. Porém, não podemos nem mesmo esconder o fato de que encontramos São José no Evangelho, sobretudo nas narrações de Mateus e Lucas, como um protagonista importante do início da história da salvação. De fato, os eventos que viram o nascimento de Jesus foram eventos difíceis, repletos de obstáculos, de problemas, de perseguições, de escuridão, e Deus, para ir ao encontro do Seu Filho que nascia no mundo, colocou ao seu lado Maria e José. Se Maria é aquela que deu ao mundo o Verbo feito carne, José é quem o defendeu, quem o protegeu, quem o nutriu, quem o fez crescer. Nele, poderíamos dizer que existe o homem dos tempos difíceis, o homem concreto, o homem que sabe assumir sua responsabilidade. Neste sentido, em São José se unem duas características. De um lado, a sua acentuada espiritualidade, que é traduzida no Evangelho através das histórias dos sonhos; essas narrações testemunham a capacidade de José de saber escutar Deus que fala ao seu coração. Somente uma pessoa que reza, que tem uma intensa vida espiritual, pode ter também a capacidade de saber distinguir a voz de Deus em meio às muitas vozes que nos habitam. Ao lado desta característica, há depois outra: José é o homem concreto, isto é, o homem que enfrenta os problemas com extrema praticidade, e diante das dificuldades e dos obstáculos, ele jamais assume uma postura de vitimismo. Coloca-se, ao invés, sempre na perspectiva de reagir, de corresponder, de entregar-se a Deus e de encontrar uma solução de maneira criativa.

Esta renovada atenção a São José neste momento de tão grande provação assume um significado particular?

O tempo que estamos vivendo é um tempo difícil, marcado pela pandemia do coronavírus. Muitas pessoas sofrem, muitas famílias estão em dificuldade, tantas pessoas são assediadas pela angústia da morte, de um futuro incerto. Pensei que em um momento tão difícil tínhamos necessidade de alguém que pudesse nos encorajar, nos ajudar, nos inspirar, para entender qual é o modo correto para saber enfrentar esses momentos de escuridão. José é uma testemunha luminosa em tempos sombrios. Eis porque era correto dar-lhe espaço neste momento, para poder encontrar o caminho.

Seu ministério petrino começou precisamente em 19 de março, dia da festa de São José…

Sempre considerei uma delicadeza do céu poder iniciar meu ministério petrino em 19 de março. Creio que de alguma forma São José quis me dizer que continuaria a me ajudar, a estar ao meu lado, e eu poderia continuar a considerá-lo um amigo a quem posso recorrer, em quem posso confiar, a quem pedir para interceder e rezar por mim. Mas certamente essa relação que se dá na comunhão dos Santos não é reservada somente a mim, penso que poderá ser de ajuda para muitos. Eis porque espero que o ano dedicado a São José tenha despertado no coração de muitos cristãos o valor profundo da comunhão dos Santos, que não é uma comunhão abstrata, mas uma comunhão concreta que se expressa em uma relação concreta e tem consequências concretas.

Na coluna sobre a Patris Corde, apresentada pelo nosso jornal durante o ano especial dedicado a São José, entrelaçamos a vida do Santo com a dos pais, mas também com a dos filhos de hoje. O que os filhos de hoje, ou seja, os pais de amanhã, podem receber do diálogo com São José?

Não nascemos pais, mas certamente todos nascemos filhos. Esta é a primeira coisa que devemos considerar, isto é, cada um de nós, para além do que a vida lhe reservou, é antes de tudo um filho, foi confiado a alguém, vem de uma relação importante que o fez crescer e que o condicionou no bem e no mal. Ter essa relação, e reconhecer a sua importância na própria vida, significa entender que um dia, quando tivermos a responsabilidade pela vida de alguém, ou seja, quando tivermos que exercer uma paternidade, levaremos conosco antes de tudo a experiência que tivemos em nível pessoal. E, portanto, é importante poder refletir sobre essa experiência pessoal para não repetir os mesmos erros e valorizar as coisas belas que vivemos. Estou convencido de que a relação de paternidade que José tinha com Jesus influenciou de tal modo sua vida, a ponto de a futura pregação de Jesus estar repleta de imagens e referências retiradas precisamente do imaginário paterno. Jesus, por exemplo, diz que Deus é Pai, e esta afirmação não nos pode deixar indiferentes, sobretudo pensando no que foi a sua experiência humana pessoal de paternidade. Isso significa que José foi um pai tão bom, que Jesus encontrou no amor e na paternidade deste homem a mais bela referência a dar a Deus. Poderíamos dizer que os filhos de hoje que se tornarão os pais de amanhã, deveriam perguntar-se que pais tiveram e que pais querem ser. Não devem deixar que o papel paterno seja fruto do acaso ou simplesmente da consequência de uma experiência feita no passado, mas que conscientemente possam decidir como querer bem alguém, como assumir a responsabilidade por alguém.

O último capítulo da Patris Corde fala de José como um pai na sombra. Um pai que sabe como estar presente, mas deixa seu filho livre para crescer. Isso é possível em uma sociedade que parece recompensar apenas aqueles que ocupam espaço e visibilidade?

Uma das mais belas características do amor, e não apenas da paternidade, é precisamente a liberdade. O amor sempre gera liberdade, o amor nunca deve se tornar uma prisão, uma posse. José nos mostra a capacidade de cuidar de Jesus sem nunca tomar posse dele, sem nunca querer manipulá-lo, sem nunca querer distrai-lo da sua missão. Creio que isto seja muito importante como um teste à nossa capacidade de amar e também à nossa capacidade de saber dar um passo atrás. Um bom pai é assim quando sabe se retirar no momento certo para que seu filho possa emergir com a sua beleza, com a sua singularidade, com as suas escolhas, com a sua vocação. Neste sentido, em todo bom relacionamento, é necessário renunciar ao desejo de impor do alto uma imagem, uma expectativa, uma visibilidade, para preencher a cena completamente e sempre com um protagonismo excessivo. A característica de José de saber se colocar de lado, sua humildade, que é também a capacidade de ocupar um lugar secundário, talvez seja o aspecto mais decisivo do amor que José demonstra por Jesus. Neste sentido, ele é um personagem importante, ousaria dizer essencial na biografia de Jesus, justamente porque em determinado momento ele sabe como se retirar de cena para que Jesus possa brilhar em toda sua vocação, em toda sua missão. Na imagem de José, devemos nos perguntar se somos capazes de saber dar um passo atrás, de permitir que outros, e sobretudo aqueles que nos são confiados, encontrem em nós um ponto de referência, e nunca um obstáculo.

O senhor já denunciou várias vezes que a paternidade hoje está em crise. O que pode ser feito, o que a Igreja pode fazer para restaurar a força da relação pai-filho, que é fundamental para a sociedade?

Quando pensamos na Igreja, sempre pensamos nela como Mãe, e isto certamente não está errado. Ao longo dos anos, eu também tenho tentado insistir muito nesta perspectiva porque a maneira de exercer a maternidade da Igreja é através da misericórdia, ou seja, é aquele amor que gera e regenera a vida. Não é o perdão, a reconciliação, um modo através do qual somos recolocados em pé? Não é uma maneira através da qual recebemos novamente a vida porque recebemos outra chance? Não pode existir uma Igreja de Jesus Cristo a não ser através da misericórdia! Mas creio que devemos ter a coragem de dizer que a Igreja não deve ser apenas materna, mas também paterna. Ou seja, ela é chamada a exercer um ministério paterno, não paternalista. E quando digo que a Igreja deve recuperar este aspecto paterno, estou me referindo precisamente à capacidade inteiramente paterna de colocar os filhos em condições de assumir suas próprias responsabilidades, de exercer a própria liberdade, de fazer suas escolhas. Se por um lado a misericórdia nos cura, nos consola e nos encoraja, por outro o amor de Deus não se limita simplesmente a perdoar e curar, mas o amor de Deus nos leva a tomar decisões, a tomarmos o nosso caminho.

Às vezes, o medo, ainda mais neste momento de pandemia, parece paralisar este impulso…

Sim, este período da história é marcado por uma incapacidade de tomar grandes decisões na própria vida. Nossos jovens muitas vezes têm medo de decidir, de escolher, de se envolver. Uma Igreja é Igreja não só quando diz sim ou não, mas sobretudo quando encoraja e possibilita grandes escolhas. E toda escolha tem sempre consequências e riscos, mas às vezes por medo das consequências e riscos, ficamos paralisados e somos incapazes de fazer algo ou escolher algo. Um verdadeiro pai não diz a você que tudo vai sempre correr bem, mas que mesmo se você se encontrar em uma situação em que as coisas não vão bem, você será capaz de enfrentar e viver com dignidade esses momentos, também os fracassos. Uma pessoa madura se reconhece não por suas vitórias, mas pela forma como sabe viver um fracasso. É precisamente na experiência da queda e da fraqueza que se reconhece o caráter de uma pessoa.

Para o senhor, a paternidade espiritual é muito importante. Como os sacerdotes podem ser pais?

Dizia antes que a paternidade não é algo óbvio, não se nasce pai, no máximo torna-se pai. Do mesmo modo, um sacerdote não nasce já padre, mas deve aprender um pouco de cada vez, começando, antes de tudo, por se reconhecer como filho de Deus, mas depois também como filho da Igreja. E a Igreja não é um conceito abstrato, é sempre o rosto de alguém, uma situação concreta, algo a quem podemos dar um nome preciso. Recebemos sempre a nossa fé através de uma relação com alguém. A fé cristã não é algo que se possa aprender nos livros ou através de simples raciocínios, mas é sempre uma passagem existencial que passa através de relações. Assim, a nossa experiência de fé nasce sempre do testemunho de alguém. Devemos, portanto, perguntar-nos como vivemos a nossa gratidão para com estas pessoas e, sobretudo, se conservamos a capacidade crítica para sermos capazes de discernir o que não é bom daquilo que elas nos transmitiram. A vida espiritual não é diferente da vida humana. Se um bom pai, humanamente falando, é pai porque ajuda o seu filho a tornar-se si mesmo, tornando possível a sua liberdade e encorajando-o a tomar grandes decisões, igualmente um bom pai espiritual é pai não quando se substitui à consciência das pessoas que confiam nele, não quando responde às perguntas que essas pessoas carregam em seus corações, não quando domina a vida daqueles que lhe são confiados, mas quando de forma discreta e ao mesmo tempo firme é capaz de mostrar o caminho, fornecer diferentes chaves de interpretação e ajudar no discernimento.

O que é hoje mais urgente para dar força a esta dimensão espiritual da paternidade?

A paternidade espiritual é muitas vezes um dom que nasce sobretudo da experiência. Um pai espiritual pode partilhar não tanto os seus conhecimentos teóricos, mas sobretudo a sua experiência pessoal. Só desta forma pode ser útil a um filho. Há uma grande urgência neste momento histórico de relações significativas que poderíamos definir como paternidade espiritual, mas – permitam-me dizer – também maternidade espiritual, porque este papel de acompanhamento não é uma prerrogativa masculina ou apenas dos sacerdotes. Há muitas boas religiosas, muitas consagradas, mas também muitos leigos e leigas que têm uma bagagem de experiência que podem partilhar com outras pessoas. Neste sentido, a relação espiritual é uma daquelas relações que precisamos redescobrir com mais força neste momento histórico, sem nunca a confundir com outros caminhos de natureza psicológica ou terapêutica.

Entre as dramáticas consequências da Covid está também a perda do emprego de muitos pais. O que gostaria de dizer a estes pais em dificuldade?

Sinto-me muito próximo ao drama daquelas famílias, daqueles pais e mães que estão vivendo uma dificuldade particular, agravada sobretudo pela pandemia. Acredito que não seja um sofrimento fácil de ser enfrentado, o de não conseguir dar pão aos filhos e de se sentir responsável pela vida dos outros. Neste sentido, a minha oração, a minha proximidade, mas também todo o apoio da Igreja é para estas pessoas, para estes últimos. Mas também penso em tantos pais, tantas mães, tantas famílias que fogem das guerras, que são rejeitadas nas fronteiras da Europa e não somente, e que vivem em situações de dor, de injustiça e que ninguém leva a sério ou ignora deliberadamente. Gostaria de dizer a estes pais, a estas mães, que para mim eles são heróis, porque encontro neles a coragem daqueles que arriscam as suas vidas por amor aos seus filhos, por amor às suas famílias. Também Maria e José experimentaram este exílio, esta provação, tendo de fugir para um país estrangeiro por causa da violência e do poder de Herodes. Esse sofrimento deles os torna próximos destes irmãos e irmãs que hoje sofrem as mesmas provações. Estes pais se dirigem com confiança a São José, sabendo que, como pai, ele viveu a mesma experiência, a mesma injustiça. E a todos eles e às suas famílias, gostaria de dizer que não se sintam sós! O Papa sempre se lembra deles e, na medida do possível, continuará a dar-lhes voz e a não se esquecer deles.

Andrea Monda – Alessandro Gisotti

Fonte: Vatican News

Em fenômeno parecido com as chuvas no Sul da Bahia em dezembro, agora é Minas Gerais que sofre os impactos da ZCAS (Zona de

Em fenômeno parecido com as chuvas no Sul da Bahia em dezembro, agora é Minas Gerais que sofre os impactos da ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul). Trata-se, segundo os meteorologistas, de um evento que tem por característica provocar chuvas fortes por ao menos quatro dias consecutivos com acentuado volume. Ao menos 145 cidades mineiras estão em situação de emergência por causa das chuvas.

O volume de chuvas em BH é um dos mais altos. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) é de 90% e 96% na quarta, 12, e na quinta, 13.  O alerta vermelho do INMET aponta risco de grandes alagamentos e transbordamentos de rios, grandes deslizamentos de encostas, em cidades com tais áreas de risco.

As comunidades de fé da arquidiocese de Belo Horizonte, com a articulação do Vicariato Episcopal para Ação Social, Política e Ambiental (Veaspam), estão unidas para ajudar as vítimas e os desabrigados pelas chuvas na região metropolitana de Belo Horizonte, por meio da solidariedade em rede, que reúne paróquias da arquidiocese de BH. Em Brumadinho (foto de capa), na região metropolitana de BH, parte das casa estão inundadas pela cheia do rio Paraopeba.

Voluntários organizam as doações recebidas no Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora do Rosário em Belo Horizonte – . Fotos: divulgação da arquidiocese de BH.

Solidariedade em Rede

A Solidariedade em Rede está mobilizada para ajudar os atingidos pelas chuvas a superar este momento tão difícil, onde muitos deixam suas casas e seus pertences. Segundo a própria arquidiocese, a situação se agravou muito nas últimas 24 horas. São centenas de famílias atingidas.

Diversos pontos de acolhimento dos desalojados e desabrigados estão funcionando na arquidiocese de Belo Horizonte, assim como locais para recebimento de donativos. Até o momento, somente na região de Brumadinho, cerca de 200 pessoas desabrigadas ou desalojadas foram acolhidas nas estruturas das igrejas da arquidiocese de BH. As doações em valores podem ser feitas por meio de duas contas bancárias ou PIX. (Veja abaixo)

“Um grande mutirão pela vida se formou no horizonte bonito da nossa iniciativa: Solidariedade em Rede. Muitas famílias estão desabrigadas, especialmente em Brumadinho, no Vale do Rio Paraopeba, em Santa Luzia, Raposos, Sabará. Agora mesmo, evangelizadores levam o amparo aos desabrigados dessas regiões”, explica o arcebispo de Belo Horizonte e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, nos lembrando o quanto a generosidade é necessária: “Pessoas que perderam as suas casas, o pouco que possuem, e agora precisam da nossa ajuda, dos nossos gestos concretos que conferem autenticidade à nossa fé”.

Neste momento a situação é crítica em diversas cidades da região metropolitana de Belo Horizonte. Betim, Brumadinho, Ibirité, Nova Lima (Honório Bicalho), Raposos, Rio Acima, Sabará, Santa Luzia. Todas recebem acolhimento da Solidariedade em Rede. Mais de 400 pessoas estão desabrigadas em Brumadinho e região. No Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora do Rosário, 75 pessoas foram acolhidas. O abastecimento de água está comprometido.

Dom Walmor envia pedido especial

Dom Walmor reforça a mensagem com um importante pedido: “Peço a cada pessoa, venha conosco ajudar as vítimas das chuvas, que perderam suas casas, roupas, alimentos, sendo acolhidas provisoriamente em diferentes lugares. Solidariedade exercida em rede, um convite permanente, na tarefa de efetivarmos, sempre mais a amizade social, conforme nos pede o Papa Francisco. Cuidemos uns dos outros, todos irmãos, corresponsáveis pela defesa da vida, agora, urgentemente, dedicando especial atenção às vítimas das chuvas.”

A Solidariedade em Rede também acolhe voluntários para ajudar nas seguintes ações: evacuação, acolhimento, atendimento psicológico, cozinha e alimentação e comunicação. (Veja abaixo)

Como doar?

Providens Ação Arquidiocesana Social
Banco Santander – Ag. 3476
Conta corrente- 13077880-2
CNPJ: 17.272.998/0001-86
Pix: 31989789390

Vicariato para Ação Social
Banco do Brasil – Ag. 3494-0
Conta corrente – 26227-7
CNPJ: 17.505.249/0280-80
Pix: 31988187076

Doações de itens emergenciais:
O que doar: Água, alimentos, máscaras, álcool em gel

Brumadinho
Santuário Arquidiocesano Nossa Senhora do Rosário
Endereço: Rua Coronel Alberto Cambraia, 140, bairro Santa Cruz, Brumadinho (MG).
Telefone: 3571-1300

Igreja Santíssima Trindade (Sede de Brumadinho):
Endereço: Rua Maria de Lourdes Pereira 820
Igreja São José (Aranha, Brumadinho)

Belo Horizonte

  • Vicariato Episcopal para Ação Social Política e Ambiental – Rua Além Paraíba, 208, bairro Lagoinha
  • Centro de Espiritualidade da PUC Minas- Avenida Dom José Gaspar, 500 – Bairro Coração Eucarístico
  • Santuário Arquidiocesano São José – Rua Tupis, 164 – Centro
  • Santuário Arquidiocesano da Santíssima Eucaristia – Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem – Rua Sergipe, 175- Funcionários
  • Santuário Arquidiocesano São Francisco de Assis – Avenida Otacílio Negrão de Lima, 3000 – Pampulha
  • Santuário Arquidiocesano São Judas Tadeu – Rua Macaé, 629 – bairro da Graça
  • Paróquia Nossa Senhora de Fátima – Praça Carlos Chagas, 33 – Bairro Santo Agostinho
  • Paróquia Santo Inácio de Loyola – Rua Bernardo Mascarenhas, 187 – Bairro Cidade Jardim
  • Paróquia de Santo Antônio – Avenida do Contorno, 6738 – Bairro Santo Antônio

Betim

Aedas – Avenida Juscelino Kubitschek, 700 – Centro, Betim (principalmente água, alimentos e colchão)

Rio Acima

Escola Municipal Professora Esmeralda Aleixo de Araújo – Rua Arthur Duarte, 285, bairro Vila Duarte (antes da ponte) . Principalmente água potável, colchões e material de limpeza para o pós-enchente.

Sabará

Paróquia São Sebastião:

  • Salão São Sebastião: Rua Holanda S/N – Ao lado da Matriz de São Sebastião – General Carneiro
  • Salão Comunidade Cristo Luz – Rua Alemanha, esquina com Espanha – Nações Unidas
  • Salão Comunidade São José – Rua Santos Dumont, 588 – Vila São José

Seja um voluntário:

Informações: Paróquias da Arquidiocese de BH
Vicariato para Ação Social: (31) 3422-6122 / (31) 3422-7010

Com informações e fotos da www:arquidiocesebh.org.br

FONTE: CNBB

O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre São José na Audiência Geral desta quarta-feira (12/01). Ouça e compartilhe Os evangelistas Mateus

O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre São José na Audiência Geral desta quarta-feira (12/01).

Ouça e compartilhe

Os evangelistas Mateus e Marcos definem José como “carpinteiro” ou “marceneiro”. Os Padres latinos da Igreja traduziram-no como “carpinteiro”. “Carpinteiro” ou “marceneiro” era uma qualificação genérica, que indicava “tanto os artesãos da madeira como os trabalhadores que se ocupavam de atividades relacionadas com a construção. Um trabalho bastante duro, tendo que trabalhar com materiais pesados como a madeira, a pedra e o ferro. Sob o ponto de vista econômico, não garantia grandes ganhos, como se pode deduzir do fato de Maria e José, quando apresentaram Jesus no Templo, oferecerem apenas um casal de rolas ou de pombas, como a Lei prescrevia para os pobres”.

De José e Jesus aos trabalhadores do mundo

Jesus adolescente “aprendeu esta profissão com o pai”. Quando se tornou adulto, começou a pregar, e as pessoas se perguntavam «De onde vinham esta sabedoria e estes prodígios?» e se escandalizavam com ele, “porque era filho de um carpinteiro, mas falava como um doutor da lei”. A seguir, o Papa acrescentou:

Este dado biográfico sobre José e Jesus faz-me pensar em todos os trabalhadores do mundo, especialmente naqueles que trabalham arduamente em minas e em certas fábricas; pensemos neles, naqueles que são explorados através do trabalho não declarado; que recebem salário de contrabando, escondido, sem aposentadoria, sem nada, sem segurança, trabalho clandestino que é muito hoje, pensemos nas vítimas do trabalho; que ultimamente foram muitas na Itália, nas crianças que são obrigadas a trabalhar; é terrível que uma criança na idade de brincar seja obrigada a trabalhar como um adulto, pensemos naqueles que vasculham os lixos em busca de algo útil para baratear. Todas essas pessoas são nossos irmãos e irmãs que ganham a vida assim. Não lhes dão dignidade! Pensemos nisso. Isso acontece hoje no mundo.

Ganhar o pão dá dignidade

O Papa recordou também aqueles que “estão desempregados”; que “vão bater às portas das fabricas, das empresas. Mas, falta trabalho”. Pessoas que se sentem feridas “na sua dignidade porque não conseguem encontrar um emprego” e ao voltarem para casa, sem encontrar trabalho, passam na Caritas para pegarem um pouco de pão.

“O que lhe dá dignidade não é levar o pão para casa. Você pode pegar o pão na Caritas, isso não lhe da dignidade, mas o que dá dignidade é ganhar o pão.”

Se não damos ao nosso povo, aos nossos homens e mulheres a capacidade de ganhar o pão, isso é uma injustiça social naquele local, naquela nação, naquele continente. Os governantes devem dar a todos a possibilidade de ganhar o pão, pois ganhar o pão dá dignidade. O trabalho é uma unção de dignidade. Isso é importante.

Cometer suicídio por causa da falta de trabalho

A seguir, Francisco ressaltou que “muitos jovens, muitos pais e mães vivem o drama de não ter um emprego que lhes permita viver serenamente. Vivem o dia”.

Muitas vezes a procura de um trabalho torna-se tão dramática que são levados ao ponto de perderem toda a esperança e desejo de vida. Nestes tempos de pandemia, muitas pessoas perderam os empregos e algumas, esmagadas por um fardo insuportável, chegaram ao ponto de cometer suicídio. Gostaria hoje de lembrar cada uma delas e suas famílias.

O trabalho é um lugar onde nos expressamos

A seguir, o Papa pediu aos fiéis para fazerem um minuto de silêncio a fim de recordar as pessoas desesperadas porque não encontram trabalho.

Segundo o Pontífice, “não se leva suficientemente em conta o fato de o trabalho ser uma componente essencial da vida humana, e também do caminho da santificação. O trabalho não é apenas um meio de ganhar a vida: é também um lugar onde nos expressamos, nos sentimos úteis e aprendemos a grande lição da realidade, o que ajuda a vida espiritual a não se tornar espiritualismo. Infelizmente, porém, o trabalho com frequência é refém da injustiça social e, em vez de ser um meio de humanização, torna-se uma periferia existencial”.

“Muitas vezes me pergunto: com que espírito fazemos o nosso trabalho diário? Como lidamos com a fadiga? Vemos a nossa atividade ligada apenas ao nosso destino ou também ao destino dos outros? Com efeito, o trabalho é um modo de expressar a nossa personalidade, que é relacional por natureza. E o trabalho também é uma forma de expressar nossa criatividade: cada um trabalha à sua maneira, com seu próprio estilo; o mesmo trabalho, mas com um estilo diferente”, concluiu o Papa.

Fonte: Vatican News

As vacinas não são “instrumentos mágicos de cura”, mas “a solução mais razoável para a prevenção do coronavírus”, disse o Papa Francisco, nesta segunda-feira,
As vacinas não são “instrumentos mágicos de cura”, mas “a solução mais razoável para a prevenção do coronavírus”, disse o Papa Francisco, nesta segunda-feira, 10 de janeiro. O pontífice recebeu em audiência o corpo diplomático credenciado junto à Santa Sé para os tradicionais votos de Ano Novo. Além de defender a vacinação, Francisco sustentou que a paz é contagiosa, e que se constrói com diálogo e fraternidade. Foram abordadas as temáticas da migração e das mudanças climáticas como os “principais desafios que a humanidade deve enfrentar hoje”.

Tradicionalmente, o discurso aos diplomatas no início do ano é ocasião para uma análise de conjuntura internacional. Nesta segunda-feira, estiveram presentes no Vaticano diplomatas representando mais de 180 países. Francisco recordou que o objetivo da diplomacia é “ajudar a deixar de lado os dissabores da convivência humana, favorecer a concórdia e experimentar como, superando as areias movediças da conflitualidade, podemos redescobrir o sentido da unidade profunda da realidade”.

Vacinas: solução mais razoável

O Papa pediu que prossiga o esforço para imunizar o máximo possível a população mundial, não obstante a desigualdade no acesso às vacinas. Estas, afirmou, não são “instrumentos mágicos de cura”, mas “a solução mais razoável para a prevenção do coronavírus” e é preciso deixar de lado as “fake news” e o embate ideológico:

“Todos temos a responsabilidade de cuidar de nós próprios e da nossa saúde, o que se traduz também no respeito pela saúde de quem vive ao nosso lado. O cuidado da saúde constitui uma obrigação moral.”

 

Papa Francisco e diplomatas credenciados junto à Santa Sé
Papa Francisco e diplomatas | Foto: Vatican Media

 

Vencer a indiferença

Apesar das restrições, em 2021 foram retomadas as audiências a chefes de Estado no Vaticano, bem como as viagens apostólicas internacionais. O Pontífice mencionou o encontro de reflexão e oração pelo Líbano, e as visitas a Iraque, Budapeste, Eslováquia, Chipre e Grécia.

Ao recordar a etapa na ilha de Lesbos, falou do drama da migração e da necessidade de vencer a indiferença.

“Diante destes rostos, não podemos permanecer indiferentes, nem se pode entrincheirar atrás de muros e arame farpado a pretexto de defender a segurança ou um estilo de vida.”

Não se trata apenas de um problema da Europa, mas diz respeito também à África e Ásia, como demonstra o êxodo de refugiados sírios, afegãos e os inúmeros latino-americanos, sobretudo haitianos.

Direito à vida e à liberdade religiosa

Contudo, diante de desafios globais, as soluções tendem a ser cada vez mais fragmentadas, constatou Francisco, apontando para uma crise de confiança das instituições. “Pelo contrário, é preciso recuperar o sentido da nossa identidade comum de uma única família humana.”

Mais uma vez, alertou para os perigos da colonização ideológica e do pensamento único e reafirmou a existência de valores permanentes, como o direito à vida “desde a concepção até ao fim natural”, e o direito à liberdade religiosa.

O cuidado da nossa Casa Comum constitui o terceiro desafio planetário. Diante de uma contínua e indiscriminada exploração dos recursos, é preciso encontrar soluções comuns e colocá-las em prática. “Ninguém pode eximir-se deste esforço, pois interessa e envolve igualmente a todos.”

Para Francisco, a timidez demonstrada na COP26 deve ser superada na COP27, prevista para novembro próximo no Egito.

Conflitos intermináveis

Mas além das crises globais, há aquelas regionais, que se tornaram “conflitos intermináveis, que por vezes assumem a fisionomia de verdadeiras e próprias guerras por procuração (proxy wars)”. São elas: Síria, Iêmen, Terra Santa, Líbia, Sudão, Sudão do Sul, Etiópia, Cáucaso e Myanmar.

O Papa também falou sobre o contexto das Américas:

“As desigualdades profundas, as injustiças e a corrupção endêmica, assim como as várias formas de pobreza que ofendem a dignidade das pessoas, continuam a alimentar conflitos sociais também no continente americano, onde as polarizações cada vez mais fortes não ajudam a resolver os problemas reais e urgentes dos cidadãos, sobretudo dos mais pobres e vulneráveis.”

Todos os conflitos são favorecidos pela abundância de armas à disposição. Citando Paulo VI, recordou que quem possui armas acaba mais cedo ou mais tarde por usá-las, porque, “não se pode amar com armas ofensivas nas mãos”.

Dentre as armas que a humanidade produziu, causam particular preocupação as armas nucleares, disse o Papa, reiterando a posição contrária da Santa Sé: “A sua posse é imoral”.

Jamais abdicar da responsabilidade de educar

Convencido de que “diálogo e fraternidade são os dois focos essenciais para superar as crises do momento presente”, o Santo Padre concluiu repropondo dois elementos da mensagem para o Dia Mundial da Paz 2022: educação e trabalho. E manifestou sua dor diante dos abusos cometidos em centros educativos, como paróquias e escolas e a necessidade de justiça.

“Não obstante a gravidade de tais atos, nenhuma sociedade pode jamais abdicar da responsabilidade de educar.”

Ao se despedir dos embaixadores, Francisco citou o profeta Jeremias, que lembra que Deus tem para nós “desígnios de prosperidade e não de calamidade”.

“Por isso, não devemos ter medo de abrir espaço para a paz na nossa vida, cultivando o diálogo e a fraternidade entre nós. A paz é um bem ‘contagioso’, que se propaga a partir do coração de quantos a desejam e aspiram a vivê-la abraçando o mundo inteiro.”

Fonte: CNBB e Vatican News