Notícias da Igreja

O Papa Francisco publicou carta aos jovens em preparação à JMJ, Jornada Mundial da Juventude que, este, acontece em nível diocesano. A data estabelecida

O Papa Francisco publicou carta aos jovens em preparação à JMJ, Jornada Mundial da Juventude que, este, acontece em nível diocesano. A data estabelecida para que as dioceses celebrem é 21 de novembro e, pretende, mobilizar e manter a juventude animada para JMJ que acontece em Lisboa em 2023.  Leia, a mensagem do Papa. Abaixo a divulgação no site do Vaticano.

Foi publicada a mensagem do Papa Francisco aos jovens por ocasião da XXXVI Jornada Mundial da Juventude, jornada a ser celebrada em nível diocesano no próximo dia 21 de novembro, solenidade de Cristo Rei. O tema da sua mensagem: “Levanta-te! Eu te constituo testemunha do que viste!” (cf. At 26, 16), ilustra o longo texto escrito pelo Papa, que inicia com um convite: “Gostaria de tomar-vos pela mão, mais uma vez, para continuarmos juntos na peregrinação espiritual que nos conduz rumo à Jornada Mundial da Juventude de Lisboa em 2023”.

Depois de falar da provação sofrida pelas limitações causadas pela pandemia Francisco consolou: “Mas, graças a Deus, este não é o único lado da moeda. Se a provação pôs a descoberto as nossas fragilidades, fez emergir também as nossas virtudes, nomeadamente a predisposição à solidariedade”.

“Quando cai um jovem de certo modo cai a humanidade. Mas também é verdade que, quando um jovem se levanta, é como se o mundo inteiro se levantasse. Queridos jovens, que grande potencialidade tendes nas vossas mãos! Que força trazeis nos vossos corações!”

Sem os jovens não há recomeço

“Por isso, hoje, Deus diz a cada um de vós mais uma vez: “Levanta-te!” Espero de todo o coração que esta mensagem ajude a preparar-nos para tempos novos, para uma página nova na história da humanidade. Mas não há possibilidades de recomeçar sem vós, queridos jovens. Para levantar-se, o mundo precisa da vossa força, do vosso entusiasmo, da vossa paixão”. E explica: “É neste sentido que gostaria de meditar, juntamente convosco, sobre o trecho dos Atos dos Apóstolos onde Jesus diz a Paulo: ‘Levanta-te! Constituo-te testemunha do que viste’ (cf. At 26, 16)”.

“Saulo, Saulo!”

Ao ser chamado por Jesus pelo próprio nome, “o Senhor faz saber a Saulo que o conhece pessoalmente. É como se lhe dissesse: ‘Sei quem és, sei o que estás a tramar, mas, não obstante isso, é precisamente a ti que estou a falar’. Com efeito, só muda a vida um encontro pessoal, não anônimo, com Cristo”. “Será precisamente esta graça, este amor imerecido e incondicional, a luz que transformará radicalmente a vida de Saulo”.

“Quem és tu, Senhor?”

Perante esta presença misteriosa que o chama pelo nome, Saulo pergunta: ‘Quem és tu, Senhor?’ (At 26, 15). Trata-se duma questão extremamente importante, e todos nós mais cedo ou mais tarde na vida a devemos colocar. Não basta ter ouvido outros a falarem de Cristo; é necessário falar com Ele pessoalmente. No fundo, rezar é isto”. E Francisco mais uma vez explica: “Não podemos presumir que todos conheçam Jesus, mesmo na era da internet. A pergunta que muitas pessoas dirigem a Jesus e à Igreja é precisamente esta: ‘Quem és?’. Em toda a narrativa da vocação de São Paulo, esta é a única vez que ele fala. E, à sua pergunta, o Senhor responde prontamente: ‘Eu sou Jesus a quem tu persegues’ (26, 15).

‘Eu sou Jesus a quem tu persegues!’

“Através desta resposta, o Senhor Jesus revela um grande mistério a Saulo: que Ele Se identifica com a Igreja, com os cristãos”. “Quantas vezes ouvimos dizer: ‘Jesus sim, a Igreja não’, como se um pudesse ser alternativa à outra”. E o Papa afirma:

“Não se pode conhecer Jesus, se não se conhece a Igreja. Só se pode conhecer Jesus por meio dos irmãos e irmãs da sua comunidade. Ninguém pode dizer-se plenamente cristão, se não viver a dimensão eclesial da fé”

Necessidade de se comprometer

E neste ponto da mensagem o Papa recorda aos jovens: “O Senhor escolhe alguém que até O persegue, completamente hostil a Ele e aos seus. Mas, para Deus, não há pessoa que seja irrecuperável. Através do encontro pessoal com Ele, é sempre possível recomeçar. Nenhum jovem está fora do alcance da graça e da misericórdia de Deus”. “Quantos jovens sentem a paixão de se opor e ir contra corrente, mas trazem escondida no coração a necessidade de se comprometer, de amar com todas as suas forças, de se identificar com uma missão! No jovem Saulo, Jesus vê exatamente isto”.

Reconhecer a própria cegueira

Neste ponto Papa Francisco alerta que às vezes somos muito “convencidos da justeza da nossa posição” e não vemos, somos cegos de algum modo. Mas, quando descobrimos nossas fragilidades, o que sempre acontece, as certezas vacilam e de repente somos frágeis e pequenos. “Esta humildade – consciência da própria limitação – é fundamental. Quem pensa que sabe tudo sobre si mesmo, os outros e até sobre as verdades religiosas, terá dificuldade em encontrar Cristo”.

“Tendo ficado cego, Saulo perdeu os seus pontos de referência. Ficando sozinho na escuridão, para ele as únicas coisas claras são a luz que viu e a voz que ouviu. Que paradoxo! Precisamente quando uma pessoa reconhece estar cega, começa a ver…”

Mudar de perspetiva

“A conversão de Paulo não é um voltar para trás – continua o Papa – mas abrir-se para uma perspetiva totalmente nova”. “É possível converter-se e renovar-se na vida ordinária, realizando as coisas que costumamos fazer, mas com o coração transformado e com motivações diferentes”. E o Papa recorda que no caso de Paulo “Jesus pede expressamente que vá até Damasco, para onde se dirigia. Paulo obedece, mas agora a finalidade e a perspetiva da sua viagem mudaram radicalmente. A partir de agora, verá a realidade com olhos novos: antes, eram os olhos do perseguidor justiceiro; a partir de agora, serão os do discípulo testemunha. Em Damasco, Ananias batiza-o e introdu-lo na comunidade cristã. No silêncio e na oração, Paulo aprofundará a sua experiência e a nova identidade que o Senhor Jesus lhe deu”.

Francisco faz um convite aos jovens: “Levanta-te e testemunha!”

“Hoje, o convite de Cristo a Paulo é dirigido a cada um e cada uma de vós, jovens: Levanta-te! Não podes ficar por terra a ‘lamentar-te com pena de ti mesmo’; há uma missão que te espera! Também tu podes ser testemunha das obras que Jesus começou a realizar em ti. Por isso, em nome de Cristo, eu te digo: Levanta-te e testemunha a tua experiência de cego que encontrou a luz, viu o bem e a beleza de Deus em si mesmo, nos outros e na comunhão da Igreja que vence toda a solidão”.

“O Senhor, a Igreja, o Papa confiam em vós e constituem-vos testemunhas junto de muitos outros jovens que encontrais pelos ‘caminhos de Damasco’ do nosso tempo”

Levantai-vos e celebrai a JMJ nas Igrejas Particulares!

Por fim o Papa Francisco reitera o convite à participação: “Renovo a todos vós, jovens do mundo inteiro, o convite a tomar parte nesta peregrinação espiritual que nos levará à celebração da Jornada Mundial da Juventude em Lisboa no ano de 2023”. “Espero que todos nós possamos viver estas etapas como verdadeiros peregrinos e não como ‘turistas da fé’!” “A Bem-Aventurada Virgem Maria interceda por nós” .

Leia abaixo partes do discurso do Secretário de Estado do Vaticano ao Conselho das Conferências Episcopais Europeias, publicado no site Vatican News. Que caminho

Leia abaixo partes do discurso do Secretário de Estado do Vaticano ao Conselho das Conferências Episcopais Europeias, publicado no site Vatican News.

Que caminho podemos tomar hoje para dar um novo impulso à ação pastoral, na perspectiva de ser uma Igreja missionária, como sugeriu o Santo Padre? Esta é uma das questões colocadas pelo Secretário de Estado Cardeal Pietro Parolin durante seu discurso na Assembleia Plenária do Conselho das Conferências Episcopais Europeias, centrado no tema: “CCEE: 50 anos a serviço da Europa, memória e perspectivas no horizonte da Fratelli tutti“. O cardeal indicou uma possível perspectiva em “repensar com seriedade e compromisso na educação e especialmente na formação de formadores”. Ele lembrou que nestes tempos existe “um forte risco de auto-educação e tudo que circula na internet e nas redes sociais é aceito como verdadeiro, sem nenhum critério objetivo de discernimento e, pior ainda, sem o contato necessário com a comunidade eclesial, o lugar da verdadeira formação”.

Caridade fraterna

A pandemia, acrescentou o Secretário de Estado, “acelerou um pouco esta dinâmica, e ainda hoje os fiéis se sentem tentados a permanecer confortavelmente em suas casas para se conectarem e se unirem ao Senhor através das abundantes tecnologias de comunicação, deixando de fora o encontro físico e pessoal com a comunidade eclesial que celebra a Eucaristia”. O convite constante do Santo Padre para ser uma “Igreja em saída” deveria nos estimular “não só à missão e à evangelização do nosso continente, que cada vez mais esquece sua história e suas raízes, mas também a uma caridade fraterna mais viva”.

Apoio à família e à vida humana

O Cardeal Parolin também disse que a Conferência Europeia poderia promover “novos gestos concretos de solidariedade” para ajudar as populações da Europa que estão passando por situações difíceis agravadas pela pandemia. Entre as áreas nas quais a cooperação dentro da CCEE é particularmente valiosa, a primeira “é sem dúvida o apoio à família e às políticas familiares”. Estreitamente ligado à família, explicou ele, está “a defesa da vida humana”: “É mais fundamental do que nunca que as Igrejas na Europa se apoiem mutuamente na afirmação do Evangelho da vida contra os muitos, demasiados anúncios de morte que ecoam em todo o continente”. O cardeal disse que a Europa está experimentando uma opulência nunca experimentada no passado e “sofre a tentação de descartar o que parece supérfluo”. “Infelizmente, estes bens supérfluos não raro incluem seres humanos. “Portanto, é de fundamental importância”, explicou o cardeal, “que as Igrejas se apoiem mutuamente também na ação pastoral em defesa da vida e na formação de pessoas, especialmente as com responsabilidades políticas, para que uma certa ‘cultura de morte’ não acabe dominando completamente o panorama legislativo da Europa”.

Educação dos jovens

Em seu discurso, o Secretário de Estado recordou então que “a Igreja não pode de forma alguma abdicar da educação das gerações mais jovens”. “Para crescer, a pessoa humana precisa de mestres, que sejam acima de tudo testemunhas, especialmente em nosso tempo, tão resistentes a qualquer forma de autoridade”. “Como bispos, somos chamados a ser em primeira pessoa testemunhas e mestres, para solicitar a resposta pessoal dos jovens”.

Atenção aos pobres e migrantes

Outra área diz respeito à atenção às realidades sociais mais frágeis, “a outros descartados, a saber, os pobres e os migrantes”. “A caridade, vivida como amor e serviço aos outros, é uma oportunidade preciosa de evangelização e testemunho de fé”. “A pandemia, especialmente nos primeiros meses em que atingiu a Europa, tornou ainda mais evidente a tendência dos governos, já em vigor há vários anos, de agir sozinhos”. Como cristãos, e especialmente como bispos”, salientou o Cardeal Parolin, “somos chamados, em vez disso, a mostrar que ‘a unidade é maior que o conflito’, como o Papa Francisco recorda na Evangelii Gaudium“. Outra área importante lembrada pelo cardeal, “que, além disso, pertence aos propósitos do CCEE, é o apoio à cooperação ecumênica na Europa para a unidade dos cristãos”.

Cuidado com o meio ambiente

Em seu discurso, o Secretário de Estado também destacou que “cuidar dos outros também significa cuidar do meio ambiente ao nosso redor”. “Salvaguardar a criação é um desafio que, juntamente com a pandemia da Covid-19, está entre os desafios mais urgentes que a humanidade enfrenta”. “Pelo contrário, ela pode nos ajudar a ampliar nosso pensamento e, sobretudo, nos encorajar a realizar atividades concretas. Cada um de nós deve pensar no mandamento específico de Deus dado a Adão e Eva e, portanto, a cada pessoa: cuidar e fazer frutificar a criação, não dominá-la e devastá-la”.

Compromisso com a paz

Outra necessidade da Europa, que requer um compromisso comum e um diálogo sincero com os líderes de outras religiões, é a da paz. Por ocasião de sua recente viagem à Eslováquia, o Cardeal Parolin disse: “O Santo Padre convidou o país a ser uma mensagem de paz no coração da Europa. Cada nação, cada comunidade grande ou pequena deste Continente pode fazer seu este convite para ser um pacificador”. Como nos lembra a encíclica Fratelli Tutti, “a paz não é apenas a ausência de guerra, mas o incansável compromisso – especialmente os que ocupam um cargo de maior responsabilidade – de reconhecer, garantir e reconstruir concretamente a dignidade, muitas vezes esquecida ou ignorada, de nossos irmãos”.

O Papa Francisco presidiu missa no 50ºaniversário de fundação da Conferência Episcopal da Europa. Leia a matéria divulgada no site Vatican News. A plenária

O Papa Francisco presidiu missa no 50ºaniversário de fundação da Conferência Episcopal da Europa. Leia a matéria divulgada no site Vatican News.

A plenária teve início, em Roma, nesta quinta-feira e prossegue até domingo, 26 de setembro, sobre o tema “Ccee, 50 anos a serviço da Europa, memória e perspectivas no horizonte da Fratelli tutti”.

Francisco iniciou sua homilia, usando três verbos, oferecidos pela Palavra de Deus, que interpelam os cristãos e os pastores na Europa: refletir, reconstruir e ver.

Refletir nos interpela

Refletir é a primeira coisa que o Senhor convida a fazer por meio do profeta Ageu”, disse o Papa. «Reflitam bem no comportamento de vocês», repete o Senhor duas vezes ao seu povo. «Então vocês acham que é tempo de morar tranquilos em casas bem cobertas, enquanto o Templo está em ruínas?», diz ainda o Senhor.

Este convite a refletir nos interpela: de fato, também hoje na Europa nós, cristãos, somos tentados a acomodar-nos nas nossas estruturas, nas nossas casas e nas nossas igrejas, na segurança das tradições, na satisfação por um certo consenso, enquanto ao redor os templos se esvaziam e Jesus fica cada vez mais esquecido.

“Reflitamos! Quantas pessoas deixaram de ter fome e sede de Deus! Não porque sejam más, mas porque falta quem lhes abra o apetite da fé e reacenda a sede que há no coração do homem: aquela que a ditadura do consumismo – leve, mas sufocante – tenta extinguir. Muitos são levados a sentir apenas necessidades materiais, não a falta de Deus”, disse ainda Francisco.

O povo ao qual o Senhor fala por meio do profeta Ageu, tinha tudo o que queria, mas não era feliz. “A falta de caridade causa infelicidade, porque só o amor sacia o coração. Fechados no interesse pelas próprias coisas, os habitantes de Jerusalém perderam o sabor da gratuidade. Também este pode ser o nosso problema: concentrar-se nas várias posições da Igreja, nos debates, nas agendas e estratégias, e perder de vista o verdadeiro programa que é o do Evangelho: o zelo da caridade, o ardor da gratuidade. O caminho de saída dos problemas e fechamentos é sempre o do dom gratuito; não há outro. Reflitamos nisto.”

Fazer-se artesãos de comunhão

O segundo passo é reconstruir. «Reconstrua o Templo», pede Deus através do profeta. “E o povo reconstrói o templo. Cessa de contentar-se com um presente tranquilo, e trabalha para o futuro”.

Disto precisa a construção da casa comum europeia: deixar as conveniências do imediato para voltar à visão clarividente dos pais fundadores, visão profética e de conjunto, porque não procuravam os consensos do momento, mas sonhavam o futuro de todos. Assim foram construídas as paredes da casa europeia e só assim se poderão robustecer. O mesmo vale também para a Igreja, casa de Deus. Para torná-la bela e acolhedora, é necessário olhar juntos para o futuro, não restaurar o passado. Sem dúvida, devemos partir dos alicerces, porque dali se reconstrói: a partir da tradição viva da Igreja, que nos alicerça sobre o essencial, ou seja, o anúncio feliz, a proximidade e o testemunho. Daqui se reconstrói: a partir dos alicerces da Igreja dos primórdios e de sempre, da adoração a Deus e do amor ao próximo, não a partir dos gostos de cada um.

A seguir, o Papa agradeceu ao Conselho das Conferências Episcopais da Europa “por estes primeiros 50 anos a serviço da Igreja e da Europa. Somos chamados pelo Senhor a trabalhar para que a sua casa seja cada vez mais acolhedora, para que cada um possa entrar e viver nela, para que a Igreja tenha as portas abertas a todos e ninguém se sinta tentado a concentrar-se apenas em olhar e trocar as fechaduras”.

Segundo o Papa, “toda a reconstrução se realiza em conjunto, sob o signo da unidade, ou seja, com os outros. Pode haver diferentes visões, mas deve-se sempre guardar a unidade. Este é o nosso chamado: ser Igreja, formar um só Corpo entre nós. É a nossa vocação, como Pastores: reunir o rebanho, não o dispersar nem mesmo preservá-lo em belos recintos fechados. Reconstruir significa fazer-se artesãos de comunhão, tecedores de unidade em todos os níveis: não por estratégia, mas pelo Evangelho”.

Muitos na Europa pensam que a fé seja algo já visto

Se edificarmos desta forma, daremos aos nossos irmãos e irmãs a chance de ver: é o terceiro verbo que “aparece na conclusão do Evangelho de hoje, onde se diz que Herodes procurava «ver Jesus». Hoje, como então, fala-se muito de Jesus. Então dizia-se que «João ressuscitou dos mortos, (…) Elias tinha aparecido, (…) um dos antigos profetas tinha ressuscitado». Todos eles mostravam apreço por Jesus, mas não compreendiam a sua novidade e o fecharam em esquemas já vistos: João, Elias, os profetas… Jesus, porém, não pode ser classificado nos esquemas do «ouvi dizer» ou do «já visto»”.

Muitos na Europa pensam que a fé seja algo já visto, que pertence ao passado. Por quê? Porque não viram Jesus em ação em suas vidas. E muitas vezes não O viram, porque nós não O mostramos suficientemente com as nossas vidas. Pois Deus se vê nos rostos e nos gestos de homens e mulheres transformados pela sua presença. E se os cristãos, em vez de irradiarem a alegria contagiante do Evangelho, repropuseram esquemas religiosos gastos, intelectualistas e moralistas, as pessoas não veem o Bom Pastor.

Segundo Francisco, “este amor divino, misericordioso e impressionante é a novidade perene do Evangelho” que nos pede “para mostrar Deus, como fizeram os Santos: não por palavras, mas com a vida. Pede oração e pobreza, criatividade e gratuidade”. “Ajudemos a Europa de hoje, doente de cansaço, a reencontrar o rosto sempre jovem de Jesus e de sua esposa. Não podemos fazer outra coisa a não ser doar-nos completamente para que se veja esta beleza sem ocaso”, concluiu o Papa.

Na audiência de hoje, 22 de setembro de 2021, o Papa Francisco falou sobre sua viagem à Eslováquia. Leia abaixo a matéria publicada no

Na audiência de hoje, 22 de setembro de 2021, o Papa Francisco falou sobre sua viagem à Eslováquia. Leia abaixo a matéria publicada no site Vatican News.

O Papa fez um resumo de sua viagem: “Foi uma peregrinação de oração, uma peregrinação às raízes, uma peregrinação de esperança.”

“Não há oração sem memória”

A primeira etapa foi em Budapeste, para a Santa Missa de encerramento do Congresso Eucarístico Internacional, adiada exatamente de um ano por causa da pandemia. Houve uma grande participação nessa celebração. O povo santo de Deus, no dia do Senhor, reuniu-se perante o mistério da Eucaristia, pelo qual é continuamente gerado e regenerado. Foi abraçado pela Cruz que se erguia sobre o altar, mostrando a mesma direção indicada pela Eucaristia, ou seja, o caminho do amor humilde e abnegado, do amor generoso e respeitador de todos, do caminho da fé que purifica da mundanidade e conduz à essencialidade. Essa fé nos purifica sempre e nos distancia da mundanidade que nos arruína, é um verme que nos arruína por dentro.

A seguir, Francisco recordou que “a peregrinação de oração concluiu se na Eslováquia, na Festa de Nossa Senhora das Dores. Também ali, em Šaštín, no Santuário da Virgem das Sete Dores, um grande povo de filhos veio para a festa da Mãe, que é também a festividade religiosa nacional. Então, a minha foi uma peregrinação de oração no coração da Europa, começando pela adoração e terminando com a piedade popular. Pois o Povo de Deus é chamado sobretudo a isto: adorar, rezar, caminhar, peregrinar, fazer penitência e nisto sentir a paz, a alegria que o Senhor nos dá”.

O Papa recordou que este povo santo de Deus sofreu a perseguição ateia. Lembrou os irmãos judeus e disse que “não há oração sem memória”. “Quando rezamos devemos lembrar a própria vida, do povo, de tantas pessoas que nos acompanham. Lembrar qual foi a história. A oração é a memoria da própria vida, da vida do povo, da história. Recordar faz bem e ajuda a rezar”, disse ainda o Pontífice.

As raízes são garantia de futuro

Uma peregrinação às raízes foi o segundo aspecto da viagem do Papa Francisco. O Papa recordou o encontro com os bispos, tanto em Budapeste quanto em Bratislava, onde ele pode “tocar com as próprias mãos a grata memória destas raízes da fé e da vida cristã, vividas no brilhante exemplo de testemunhas da fé, como os Cardeais Mindszenty e Korec, e o Beato Bispo Pavel Peter Gojdič. Raízes que remontam ao século IX, à obra evangelizadora dos santos irmãos Cirilo e Metódio, que acompanharam esta viagem como uma presença constante. Senti a força destas raízes na celebração da Divina Liturgia em rito bizantino, em Prešov, na festa da Santa Cruz. Nos cânticos senti vibrar o coração do santo povo fiel, forjado por tantos sofrimentos padecidos em nome da fé”.

Para nós, Cirilo e Metódio não são personagens a ser comemorados, mas modelos a imitar, mestres dos quais sempre aprender o espírito e o método da evangelização, assim como o compromisso civil. Durante esta viagem ao coração da Europa pensei muitas vezes nos pais da União europeia. Assim entendidas e vividas, as raízes são garantia de futuro: delas brotam frondosos ramos de esperança. Nós também temos raízes, cada um de nós, dos pais, dos avós. Estamos ligados aos avós que são um tesouro. Eles nos dão a linfa.

Esperança nos olhos dos jovens

O terceiro aspecto da viagem é que foi uma peregrinação de esperança. Francisco disse que viu “muita esperança nos olhos dos jovens, no inesquecível encontro no Estádio de Košice“.

Me deu esperança ver tantos casais jovens, tantas crianças. Pensei no inverno demográfico que estamos vivendo e esses países florescem de casais jovens e crianças. Um sinal de esperança. Especialmente em tempos de pandemia, este momento de festa foi um sinal forte e encorajador, também graças à presença de muitos casais jovens com os seus filhos. Igualmente forte e profético foi o testemunho da Beata Ana Kolesárová, jovem eslovaca que defendeu a própria dignidade contra a violência à custa da vida: um testemunho que infelizmente é mais relevante do que nunca, pois a violência contra as mulheres é uma chaga aberta. Em todos os lugares.

O Papa disse também que “viu esperança em muitas pessoas que, silenciosamente, se ocupam e se preocupam com o próximo. Penso nas Irmãs Missionárias da Caridade do Centro Belém, em Bratislava, boas irmãs que recebem os descartados da sociedade, rezam e servem, rezam e ajudam, rezam muito e ajudam muito sem pretensões. São heroínas dessa civilização”. O Papa pediu um aplauso para Santa Teresa de Calcutá e para as irmãs Missionarias da Caridade que acolhem os sem-teto. Recordou a “Comunidade Cigana e todos aqueles que trabalham com eles num caminho de fraternidade e inclusão”. “Foi emocionante partilhar a festa da Comunidade Cigana, uma festa simples com o sabor do Evangelho. Os ciganos são nossos irmãos. Devemos acolhê-los, estar próximos a eles como fazem os sacerdotes salesianos em Bratislava”, disse o Pontífice.

Permanecer juntos

O Papa concluiu, dizendo que a esperança do Evangelho que ele viu nesta viagem, “só pode ser realizada e concretizada se for declinada com outra palavra: juntos. A esperança nunca decepciona, mas a esperança nunca caminha sozinha”. Na Hungria e na Eslováquia “encontramo-nos, juntos, com os diferentes ritos da Igreja católica, juntos com os nossos irmãos de outras Confissões cristãs, juntos com os irmãos Judeus, juntos com os fiéis de outras religiões, juntos com os mais fracos. Este é o caminho, porque o futuro será de esperança se permanecermos juntos, não sozinhos. Isso é importante”.

A exigência de comprovante de vacinação passa a valer a partir de outubro para entrar no Vaticano. Leia a matéria publicada no site Vatican

A exigência de comprovante de vacinação passa a valer a partir de outubro para entrar no Vaticano. Leia a matéria publicada no site Vatican News.

A partir de 1º de outubro, só poderá entrar no Vaticano os que possuírem o Green Pass do Vaticano, ou Green Pass europeu (passaporte da vacina), ou o certificado verde estrangeiro Covid-19 que atesta a vacinação ou recuperação da SARS-Cov-2, ou a realização de um teste molecular ou antigênico rápido com resultado negativo para o vírus SARS-Cov-2. São as novas normas estabelecidas pelo Presidente da Pontifícia Comissão do Estado da Cidade do Vaticano em matéria de emergência de saúde pública. Uma portaria que retoma a recomendação do Papa Francisco, na audiência de 7 de setembro, de “garantir a saúde e o bem-estar da comunidade de trabalho, respeitando a dignidade, os direitos e as liberdades fundamentais de cada um de seus membros” e de “adotar todas as medidas adequadas para prevenir, controlar e combater a emergência sanitária”.

O controle do acesso ao Estado do Vaticano, afirma-se, é confiado ao Corpo de Gendarmaria. O decreto declara: “Estas disposições se aplicam aos cidadãos, residentes no Estado, aos funcionários em serviço, qualquer que seja o cargo, no Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano e nos vários órgãos da Cúria Romana e instituições relacionadas, e a todos os visitantes e usuários de serviços”. A única exceção diz respeito às celebrações litúrgicas “pelo tempo estritamente necessário para a realização do rito”, nas quais as regulamentações sanitárias sobre distanciamento, uso de equipamentos de proteção individual, limitação de movimento e aglomeração de pessoas e adoção de regras específicas de higiene devem ser devidamente respeitadas”.

O encontro semana do Papa Francisco com os peregrinos e os turistas na Praça de São Pedro, teve o tema do serviço, como base

O encontro semana do Papa Francisco com os peregrinos e os turistas na Praça de São Pedro, teve o tema do serviço, como base para as recomendações do Papa.

Leia a matéria publicada no site Vatican News.

Quer se destacar? Sirva! Nossa fidelidade ao Senhor depende de nossa disponibilidade em servir. O serviço não nos diminui, mas nos faz crescer. E ao servirmos os esquecidos, que não podem nos retribuir, “também nós recebemos o terno abraço de Deus”.

O “serviço”, um tema caro ao Papa esteve no centro de sua alocução que precedeu a oração mariana do Angelus neste 25º Domingo do Tempo Comum: “Se quisermos seguir Jesus, devemos percorrer o caminho que ele mesmo traçou, o caminho do serviço.”

Dirigindo-se aos peregrinos e turistas reunidos na Praça São Pedro para o tradicional encontro dominical, Francisco começou explicando a discussão entre os discípulos narrada por Marcos sobre quem entre eles era o maior. E citou a frase que Jesus disse a eles, uma frase “que vale também para nós hoje” – “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos” -, acrescentando que quem ser o primeiro, deve ir para a fila, pegar o último lugar “e servir a todos”.

Quer se destacar? Sirva!

E justamente esta frase pronunciada pelo Mestre marca uma inversão nos critérios daquilo que realmente importa:

O valor de uma pessoa não depende mais do papel que ela desempenha, do sucesso que tem, do trabalho que faz, do dinheiro no banco; não, não, não, não depende disso; a grandeza e o sucesso, aos olhos de Deus, têm um padrão, uma medida diferente: são medidos no serviço. Não no que se tem, mas no que se dá. Quer se sobressair? Sirva. Este é o caminho.

Quanto mais servimos, mais sentimos a presença de Deus

Hoje em dia a palavra “serviço” – disse o Papa – “parece um pouco desbotada, desgastada pelo uso. Mas no Evangelho tem um significado preciso e concreto. Servir não é uma expressão de cortesia: é fazer como Jesus que, resumindo em poucas palavras a sua vida, disse que veio «não para ser servido, mas para servir». Portanto, se quisermos seguir Jesus, devemos percorrer o caminho que ele mesmo traçou, o caminho do serviço:

Nossa fidelidade ao Senhor depende de nossa disponibilidade em servir. E isso, bem o sabemos, custa, geralmente isso custa, “tem gosto de cruz”. Mas, à medida que aumenta o cuidado e a disponibilidade para com os outros, tornamo-nos mais livres interiormente, mais semelhantes a Jesus. Quanto mais servimos, mais sentimos a presença de Deus, sobretudo quando servimos aqueles que não têm nada para nos restituir, os pobres, abraçando suas dificuldades e necessidades, com a terna compaixão: e ali descobrimos ser, por sua vez, amados e abraçados por Deus.

Em primeiro lugar, servir a quem não pode nos retribuir

Para ilustrar a importância da doação gratuita, Jesus coloca uma criança entre os discípulos, pois “os gestos de Jesus são mais fortes que as palavras que usa”, observou o Papa. “A criança, no Evangelho – explicou –  não simboliza tanto a inocência mas a pequenez. Porque os pequenos, como as crianças, dependem dos outros, dos grandes, têm necessidade de receber. Jesus abraça aquela criança e diz que quem acolhe um pequenino, uma criança, o acolhe”:

Eis antes de tudo a quem servir: aqueles que têm necessidade de receber e não tem como retribuir. Acolhendo quem está à margem, abandonado, acolhemos Jesus, porque Ele está ali. E em um pequeno, em um pobre a quem servimos, também nós recebemos o terno abraço de Deus.

O serviço não nos diminui, nos faz crescer

Interpelados pelo Evangelho, o Papa sugere que nos interroguemos:

Eu, que sigo Jesus, me interesso por quem é mais abandonado? Ou, como os discípulos naquele dia, estou em busca de gratificações pessoais? Eu entendo a vida como uma competição para abrir espaço para mim mesmo às custas dos outros ou acho que se sobressair significa servir? E, concretamente: dedico tempo a algum “pequeno”, a uma pessoa que não tem meios para retribuir? Eu cuido de alguém que não pode me retribuir ou apenas de meus parentes e amigos? São perguntas que podemos nos fazer.

Que a Virgem Maria, humilde serva do Senhor, nos ajude a compreender que o serviço não nos diminui, mas nos faz crescer. E que há mais alegria em dar do que em receber.

Se você quiser homenagear profissional de Comunicação ou da Pascom falecido vítima de Covid-19, ainda dá tempo de enviar o nome para a CNBB,

Se você quiser homenagear profissional de Comunicação ou da Pascom falecido vítima de Covid-19, ainda dá tempo de enviar o nome para a CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Basta preencher o formulário disponibilizado em: https://forms.gle/Eik4tGGzAVucU4GbA

Veja abaixo como será feita a homenagem, conforme informa o site da CNBB.

Na cerimônia de entrega dos Prêmios de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) deste ano, profissionais de comunicação e agentes da Pastoral da Comunicação (Pascom) mortos em decorrência da Covid-19 serão homenageados. A Pascom-Brasil disponibiliza um formulário até o dia 25 de setembro para que familiares e amigos indiquem os nomes dos falecidos.

O coordenador da 53ª edição dos Prêmios de Comunicação da CNBB, Rafael Alberto, recorda que a premiação consiste numa forma de os bispos reconhecerem os trabalhos de comunicadores que ajudam a espalhar o profetismo da mensagem cristã. “Neste ano, a pandemia, aliada a ineficácia dos governos, matou muitos agentes de Pascom que dedicaram suas vidas para a desenvolver a comunicação em paróquias e comunidades de todo o Brasil”.

A homenagem, reforça Rafael, “quer relembrar a memória desses agentes e, por meio deles, render graças pela vida de todos os quase 600 mil brasileiros que perderam a vida para a Covid-19”. Segundo o coordenador, “será também uma forma de expressar um carinho para os amigos e familiares dessas vítimas, com votos de que possam encontrar a paz e a consolação necessárias para seguirem após a pandemia”.

Para aqueles que desejarem inserir os nomes de seus familiares e amigos que atuaram no campo da Comunicação na Igreja na lista de homenageados, acesse e preencha o formulário no link a seguir: https://forms.gle/Eik4tGGzAVucU4GbA

A entrega dos Prêmios de Comunicação vai ar nas emissoras de TV de Inspiração Católica no dia 20 de outubro.

O Papa despediu-se da Eslováquia com a Celebração da Missa da festa da padroeira, Nossa Senhora das Dores. Leia abaixo a matéria publicada no
O Papa despediu-se da Eslováquia com a Celebração da Missa da festa da padroeira, Nossa Senhora das Dores. Leia abaixo a matéria publicada no site Vatican News.
O Papa Francisco presidiu a celebração eucarística na Esplanada do Santuário Nacional de Nossa Senhora das Dores, em Šaštin, na Eslováquia, na manhã desta quarta-feira (15/09).
A homilia do Pontífice centralizou-se na figura de Maria, “a Mãe que nos dá o Filho Jesus. Maria é o caminho que nos introduz no Coração de Cristo, que deu a vida por nosso amor”. “Podemos olhar para Maria como modelo da fé”, disse ainda o Papa, “e na sua fé reconhecemos três caraterísticas: o caminho, a profecia e a compaixão”.

O caminho

“A fé de Maria é uma fé que se põe a caminho. A jovem de Nazaré, logo que recebeu o anúncio do Anjo, «pôs-se a caminho (…) para a montanha», para ir visitar e ajudar Isabel, sua prima.”

Maria “viveu aquele dom recebido como missão a cumprir; sentiu necessidade de abrir a porta e sair de casa; deu vida e corpo à impaciência com que Deus quer alcançar todos os homens para os salvar com o seu amor”.

Por isso, Maria se põe a caminho: prefere as incógnitas do caminho do que a comodidade dos seus hábitos, a fadiga do caminho ao invés da estabilidade da casa, o risco de uma fé que se põe em jogo, tornando-se dom de amor para o outro do que a segurança de uma religiosidade tranquila. Toda a sua vida será um caminho atrás do seu Filho, como primeira discípula, até ao Calvário, ao pé da Cruz. Maria sempre caminha.

“A Virgem é modelo da fé deste povo eslovaco: uma fé que se põe a caminho, sempre animada por uma devoção simples e sincera, sempre em peregrinação à procura do Senhor”, disse ainda o Papa.

A profecia

“A fé de Maria é também uma fé profética. Com a sua própria vida, a jovem de Nazaré é profecia da obra de Deus na história, da sua ação misericordiosa que subverte as lógicas do mundo, exaltando os humildes e derrubando os soberbos. Maria é a Filha de Sião anunciada pelos profetas de Israel, a Virgem que conceberá o Deus conosco, o Emanuel. Como Virgem Imaculada, Maria é ícone da nossa vocação: como Ela, somos chamados a ser santos e imaculados no amor, tornando-nos imagem de Cristo.” Maria “traz no seu ventre a Palavra de Deus que se fez carne, Jesus”, disse ainda Francisco, convidando-nos a não nos esquecer que a fé não pode ser reduzida “a um açúcar que adoça a vida. Jesus é sinal de contradição. Veio para trazer a luz onde há trevas, pondo as trevas a descoberto e forçando-as a renderem-se. Por isso, as trevas lutam sempre contra Ele. Quem acolhe Cristo e se abre para Ele, ressuscita; quem o rejeita, encerra-se na escuridão e arruína-se a si mesmo. Diante de Jesus, não se pode ficar morno, com «o pé em dois sapatos». Acolhê-lo significa aceitar que Ele desvende as minhas contradições, os meus ídolos, as sugestões do mal, e se torne para mim ressurreição, aquele que sempre me levanta, que me toma pela mão e me faz recomeçar. Sempre me levanta”.

Também hoje a Eslováquia precisa destes profetas. De vocês bispos que sigam este caminho. Não se trata de ser hostis ao mundo, mas ser «sinais de contradição» no mundo. Cristãos que sabem mostrar, com a vida, a beleza do Evangelho: que são tecedores de diálogo onde as posições se tornam rígidas; que fazem resplandecer a vida fraterna na sociedade, onde muitas vezes nos dividimos e contrapomos; que difundem o bom perfume do acolhimento e da solidariedade, onde muitas vezes prevalecem os egoísmos pessoais e coletivos; que protegem e guardam a vida onde reinam lógicas de morte.

A compaixão

“Maria é a Mãe da compaixão. A sua fé é compassiva”, disse ainda Francisco. “Aquela que se definiu como «a serva do Senhor» e se preocupou, com solicitude materna, de que não faltasse o vinho nas bodas de Caná, partilhou com o Filho a missão da salvação, até ao pé da Cruz. Junto da cruz, Nossa Senhora das Dores simplesmente permanece. Não foge, não tenta salvar-se a si mesma, não usa artifícios humanos nem anestésicos espirituais para escapar da dor. Esta é a prova da compaixão: ficar junto da cruz. Ficar com o rosto marcado pelas lágrimas, mas com a fé de quem sabe que, no seu Filho, Deus transforma o sofrimento e vence a morte.”

E também nós, olhando para a Virgem Mãe Dolorosa, nos abrimos a uma fé que se torna compaixão, que se torna partilha de vida com quem está ferido, quem sofre e quem é constrangido a carregar nos ombros cruzes pesadas. Uma fé que não se fica no abstrato, mas faz-nos entrar na carne e nos torna solidários com os necessitados. Esta fé, no estilo de Deus, humilde e silenciosamente levanta o sofrimento do mundo e irriga os sulcos da história com a salvação.

Despedida do povo eslovaco

No final da missa, o Papa Francisco despediu-se da Eslováquia com uma saudação.

Queridos irmãos e irmãs!

Chegou a hora de me despedir de seu país. Nesta Eucaristia, dei graças a Deus por ter-me concedido a graça de vir estar com vocês e concluir a minha peregrinação no devoto abraço de seu povo, celebrando juntos a grande festa religiosa e nacional da Padroeira, Nossa Senhora das Dores.

Por fim, o Papa agradeceu ao povo eslovaco pelo acolhimento e a todos aqueles que colaboraram de diversos modos, especialmente com a oração, na preparação de sua visita ao país.