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O Rio de Janeiro é a capital do G20 entre os dias 18 e 19 de novembro. A cidade brasileira inclusive decretou feriado nesta

O Rio de Janeiro é a capital do G20 entre os dias 18 e 19 de novembro. A cidade brasileira inclusive decretou feriado nesta segunda e terça-feira para a cúpula dos chefes de Estado e de Governo das maiores economias do mundo, evento que também ganhou um esquema de segurança reforçado com soldados das Forças Armadas, sob responsabilidade do Centro de Coordenação de Operações do Comando Militar do Leste, que já estão atuando na proteção das instalações e na escolta das delegações. Como a do próprio secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, que irá representar o Papa Francisco, a convite da Presidência do Brasil. A comitiva que o espera no Rio de Janeiro é formada, inclusive, pelo arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta:

“O cardeal Parolin está chegando nesta manhã no Rio de Janeiro para participar, em nome do Santo Padre, do G20. Traz um pouco as preocupações do Papa em relação à pobreza, em relação à fome e, ao mesmo tempo, traz a Igreja que continua trabalhando nessa direção. Para nós, do Rio de Janeiro, é uma oportunidade de receber o cardeal Parolin, secretário de Estado de Sua Santidade, assim como também o núncio apostólico que se encontra aqui para recebê-lo. Ao mesmo tempo, todo o Rio de Janeiro preparado para receber as autoridades mundiais para discutir assuntos importantes que, pedimos a Deus, para que ilumine todos os estadistas para que possam encontrar caminhos de paz e de fraternidade.”

Antes de chegar ao Rio de Janeiro, o cardeal Parolin também representou o Papa Francisco na COP29 de Baku, no Azerbaijão. O secretário de Estado levou um apelo do Pontífice à Cúpula sobre o Clima para a implementação de “uma nova arquitetura financeira internacional”, em que “as nações ricas reconheçam a gravidade de tantas decisões passadas e perdoem as dívidas dos países pobres”, porque, “mais do que generosidade, é uma questão de justiça”.

Mensagem do Papa Francisco à Cúpula do G20

A Sua Excelência Luiz Inácio Lula da Silva,
Presidente da República Federativa do Brasil

Gostaria de lhe parabenizar por seu papel na presidência do Grupo dos 20 (G20), que representa as maiores economias do mundo. Também estendo calorosas saudações a todos os presentes nesta Cúpula do G20 no Rio de Janeiro. Espero sinceramente que as discussões e os resultados deste evento contribuam para o avanço de um mundo melhor e um futuro próspero para as gerações vindouras.

Como escrevi em minha Carta Encíclica Fratelli Tutti, “a política mundial não pode deixar de colocar entre seus objetivos principais e irrenunciáveis o de eliminar efetivamente a fome. Com efeito, «quando a especulação financeira condiciona o preço dos alimentos, tratando-os como uma mercadoria qualquer, milhões de pessoas sofrem e morrem de fome. Por outro lado, descartam-se toneladas de alimentos. Isto constitui um verdadeiro escândalo. A fome é criminosa, a alimentação é um direito inalienável». Muitas vezes hoje, enquanto nos enredamos em discussões semânticas ou ideológicas, deixamos que irmãos e irmãs morram ainda de fome ou de sede” (189).

No entanto, no contexto de um mundo globalizado que enfrenta uma infinidade de desafios interconectados, é essencial reconhecer as pressões significativas atualmente exercidas sobre o sistema internacional. Essas pressões estão se manifestando de várias formas, incluindo a intensificação de guerras e conflitos, atividades terroristas, políticas externas de confronto e atos de agressão, bem como a persistência de injustiças. Portanto, é de suma importância que o Grupo dos 20 identifique novos caminhos para alcançar uma paz estável e duradoura em todas as áreas relacionadas a conflitos, com o objetivo de restaurar a dignidade dos afetados.

Os conflitos armados atualmente testemunhados não são apenas responsáveis por um número significativo de mortes, deslocamentos em massa e degradação ambiental; eles também estão contribuindo para um aumento da fome e da pobreza, tanto diretamente nas áreas afetadas quanto indiretamente em países que estão a centenas ou milhares de quilômetros de distância das zonas de conflito, principalmente por meio da interrupção das cadeias de suprimentos. As guerras continuam a exercer uma pressão considerável sobre as economias nacionais, especialmente devido à quantidade exorbitante de dinheiro gasto em armas e armamentos.

Indo além, há um verdadeiro paradoxo em termos de acesso aos alimentos: por um lado, mais de três bilhões de pessoas não têm acesso a uma dieta nutritiva, enquanto, por outro, quase dois bilhões de pessoas têm excesso de peso ou são obesas devido a uma má alimentação e a um estilo de vida sedentário. Isso exige um esforço conjunto para uma participação ativa na mudança em todos os níveis e para reorganizar os sistemas alimentares como um todo (cf. Mensagem para o Dia Mundial da Alimentação 2021).

Além disso, é motivo de grande preocupação o fato de a sociedade ainda não ter encontrado uma maneira de lidar com a trágica situação das pessoas que passam fome. A aceitação silenciosa da fome pela sociedade humana é uma injustiça escandalosa e uma grave ofensa. Aqueles que, por meio da usura e da ganância, causam a fome e a morte de seus irmãos e irmãs na família humana estão indiretamente cometendo um homicídio, que lhes é imputável (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2269). Nenhum esforço deve ser poupado para tirar as pessoas da pobreza e da fome.

É importante ter em mente que a questão da fome não é apenas uma questão de insuficiência de alimentos; ao contrário, é uma consequência de injustiças sociais e econômicas mais amplas. A pobreza, em particular, é um fator que contribui significativamente para a fome, perpetuando um ciclo de desigualdades econômicas e sociais que são generalizadas em nossa sociedade global. A relação entre fome e pobreza é indissociável.

Portanto, é evidente que uma ação imediata e decisiva deve ser tomada para erradicar o flagelo da fome e da pobreza.  Essa ação deve ser realizada de forma conjunta e colaborativa, com o envolvimento de toda a comunidade internacional. A implementação de medidas efetivas exige um compromisso concreto dos governos, das organizações internacionais e da sociedade como um todo. A centralidade da dignidade humana dada por Deus a cada pessoa, o acesso a bens básicos e a distribuição justa de recursos devem ser priorizados em todas as agendas políticas e sociais.

Ademais, a erradicação da desnutrição não pode ser alcançada apenas com o aumento da produção global de alimentos. De fato, já existe alimento suficiente para alimentar todas as pessoas do nosso planeta; ele é apenas distribuído de forma desigual. Assim, é essencial reconhecer a quantidade significativa de alimentos que é desperdiçada diariamente. Combater o desperdício de alimentos é um desafio que exige ação coletiva. Dessa forma, os recursos podem ser redirecionados para investimentos que ajudem os pobres e os famintos a atender às suas necessidades básicas. Indo além, é igualmente necessário implementar sistemas alimentares que sejam ambientalmente sustentáveis e benéficos para as comunidades locais.

Está claro que uma abordagem integrada, abrangente e multilateral é fundamental para enfrentar esses desafios. Dada a magnitude e a abrangência geográfica do problema, as soluções de curto prazo são insuficientes. São necessárias uma visão e uma estratégia de longo prazo para combater efetivamente a desnutrição. Um compromisso contínuo e consistente é essencial para atingir esse objetivo, e não deve depender de conjunturas imediatas.

Nesse sentido, espero que a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza possa ter um impacto significativo nos esforços globais de combate à fome e à pobreza. A Aliança poderia começar implementando a proposta de longa data da Santa Sé, que pede o redirecionamento dos fundos atualmente alocados em armas e outros gastos militares para um fundo global destinado a combater a fome e promover o desenvolvimento nos países mais pobres. Essa abordagem ajudaria a evitar que os cidadãos desses países tivessem que recorrer a soluções violentas ou enganadoras, ou que abandonassem seus países em busca de uma vida mais digna (cf. Carta Encíclica Fratelli Tutti, 262).

É indispensável reconhecer que o fracasso em cumprir as responsabilidades coletivas da sociedade para com os pobres não deve acarretar a transformação ou a revisão das metas iniciais em programas que, em vez de atender às necessidades genuínas das pessoas, as ignorem. Nesses esforços, as comunidades locais e a riqueza cultural e tradicional dos povos não podem ser desconsideradas ou destruídas em nome de um conceito estreito e míope de progresso. Fazer isso, na realidade, correria o risco de se tornar sinônimo de “colonização ideológica”. Nesse sentido, as intervenções e os projetos devem ser planejados e implementados em resposta às necessidades das pessoas e de suas comunidades, e não impostos de cima para baixo ou por entidades que buscam apenas seus próprios interesses ou lucros.

Da sua parte, a Santa Sé continuará a promover a dignidade humana e a dar sua contribuição específica para o bem comum, oferecendo a experiência e o engajamento das instituições católicas em todo o mundo, para que em nosso mundo nenhum ser humano, como pessoa amada por Deus, seja privado do pão de cada dia.

Que Deus Todo Poderoso abençoe abundantemente seus trabalhos e esforços em prol do progresso genuíno de toda a família humana.
Vaticano, 18 de novembro de 2024

FRANCISCO

A mensagem original em inglês foi publicada (aqui)

Rio de Janeiro entre G20, U20 e G20 Social

Para a Cúpula de Líderes no Rio de Janeiro são aguardadas 55 delegações de 40 países e de 15 organismos internacionais no Museu de Arte Moderna (MAM), no Aterro do Flamengo. Os 19 países do grupo, a União Europeia e a União Africana representam, juntos, 85% do PIB mundial, 75% do comércio global e 56% da população.

Segundo o arcebispo do Rio de Janeiro, a presença do cardeal Parolin no G20 do Rio é uma “oportunidade muito bonita” para a cidade que, até o domingo (17/11), também foi sede do Urban 20 (U20) – com prefeitos e representantes de mais de 60 cidade do mundo – e do G20 Social, como explicou dom Orani Tempesta ao Vatican News:

“Tivemos até ontem o U20, que são os prefeitos do mundo inteiro falando sobre a questão da pobreza, a questão também da ecologia, as questões da fome. Tivemos também as entidades sociais que trabalharam o tempo todo nas questões sociais e, agora, na segunda e terça-feira, teremos a cúpula dos governantes das 20 nações que fazem parte do G20 para discutir todos esses assuntos.”

Na missa do VIII Dia Mundial dos Pobres, Francisco faz um apelo aos governos e às organizações internacionais, mas convida a Igreja a sentir
Na missa do VIII Dia Mundial dos Pobres, Francisco faz um apelo aos governos e às organizações internacionais, mas convida a Igreja a sentir “a mesma compaixão do Senhor” diante dos últimos, e pede aos cristãos que se tornem “sinal da presença do Senhor”, pertos do sofrimento dos necessitados para aliviar suas feridas e mudar sua sorte: só assim a Igreja “se torna ela mesma, casa aberta a todos”.

“Por favor, não nos esqueçamos dos pobres”! A invocação com a qual o Papa Francisco encerra sua homilia na missa do VIII Dia Mundial dos Pobres neste domingo (17/11), na Basílica de São Pedro, é dirigida à Igreja, aos governos dos Estados e às organizações internacionais, mas também “a todos e a cada um”. E aos fiéis em Cristo, o Papa nos lembra que “é a nossa vida impregnada de compaixão e de caridade que se torna sinal da presença do Senhor, sempre próximo do sofrimento dos pobres, para aliviar as suas feridas e mudar a sua sorte”. Porque a esperança cristã precisa de “cristãos que não se viram para o outro lado” e que sintam “a mesma compaixão do Senhor diante dos pobres”. Francisco sublinhou isso lembrando uma advertência do cardeal Martini: somente servindo os pobres “a Igreja ‘torna-se’ ela mesma, isto é, uma casa aberta a todos, um lugar da compaixão de Deus pela vida de cada homem”.

Jesus se tornou pobre por nós

Em uma Basílica lotada, com a presença dos pobres que mais tarde almoçam com ele na Sala Paulo VI, o Pontífice abre a celebração com a exortação do ato penitencial: “Com o olhar fixo em Jesus Cristo, que se fez pobre por nós e rico de amor para com todos, reconheçamos que precisamos da misericórdia do Pai”. O celebrante no altar é o arcebispo Rino Fisichella, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização.

Na escuridão deste tempo, brilha uma esperança inabalável

Na homilia, o Papa Francisco relê a passagem do Evangelho de Marcos, na liturgia deste XXXIII Domingo do Tempo Comum, com as palavras de Jesus aos discípulos antes de sua paixão, descrevendo “o estado de espírito daqueles que viram a destruição de Jerusalém”, mas também a chegada extraordinária do Filho do Homem. “Quando tudo parece desmoronar-se, que Deus vem, que Deus se aproxima, que Deus nos reúne para nos salvar”.

Jesus convida-nos a ter um olhar mais aguçado, a ter olhos capazes de “ler por dentro” os acontecimentos da história, para descobrir que, mesmo na angústia dos nossos corações e dos nossos tempos, há uma esperança inabalável que resplandece.

Angústia e impotência diante da injustiça do mundo

Neste Dia Mundial dos Pobres, portanto, o Papa nos convida a nos determos nas duas realidades, “angústia e esperança, que sempre duelam entre si na arena do nosso coração”. Ele começa com a angústia, tão difundida em nosso tempo, “onde a comunicação social amplifica os problemas e as feridas, tornando o mundo mais inseguro e o futuro mais incerto”. Se o nosso olhar, enfatiza, “se detém apenas na crônica dos acontecimentos, dentro de nós a angústia ganha terreno”, porque ainda hoje, como na passagem do Evangelho, “vemos o sol escurecer e a lua se apagar, vemos a fome e a carestia que oprimem tantos irmãos e irmãs, vemos os horrores da guerra e a morte de inocentes”. E corremos o risco de “afundarmos no desânimo e de não nos apercebermos da presença de Deus no drama da história. Assim, condenamo-nos à impotência”.

Vemos crescer à nossa volta a injustiça que causa a dor dos pobres, mas juntamo-nos à corrente resignada daqueles que, por comodismo ou por preguiça, pensam que “o mundo é assim mesmo” e que “não há nada que eu possa fazer”. Desse modo, até a própria fé cristã é reduzida a uma devoção inócua, que não incomoda os poderes deste mundo e não gera um compromisso concreto de caridade.

A ressurreição de Jesus acende a esperança

Francisco cita a sua Exortação Apostólica Evangelii gaudium para nos lembrar que, “enquanto crescem as desigualdades e a economia penaliza os mais fracos, enquanto a sociedade se consagra à idolatria do dinheiro e do consumo”, acontece que “os pobres e os excluídos não podem fazer outra coisa senão continuar a esperar”. Mas no quadro apocalíptico que acaba de ser descrito no Evangelho, Jesus “acende a esperança”, descrevendo a chegada do Filho do Homem “com grande poder e glória”, para reunir “os seus eleitos dos quatro ventos”. Assim, ele “alarga o nosso olhar para que aprendamos a perceber, mesmo na precariedade e na dor do mundo, a presença do amor de Deus que se faz próximo, que não nos abandona, que atua para a nossa salvação”. Jesus, lembra o Pontífice, está apontando “inicialmente para a sua morte que terá lugar pouco depois”, mas também para “o poder da sua ressurreição” que destruirá as cadeias da morte, “e um mundo novo nascerá das ruínas de uma história ferida pelo mal”. Jesus nos dá essa esperança por meio da bela imagem da figueira: “quando seus ramos ficam verdes e as folhas começam a brotar, sabeis que o verão está perto”.

Do mesmo modo, também nós somos chamados a ler as situações da nossa história terrena: onde parece haver apenas injustiça, dor e pobreza, precisamente naquele momento dramático, o Senhor aproxima-se para nos libertar da escravidão e fazer brilhar a vida.

Você olha nos olhos a pessoa que ajuda?

E isso é feito, ele explica, “com nossa proximidade cristã, com a nossa fraternidade cristã”.

Não se trata de jogar uma moeda nas mãos de quem precisa. Àquele que dá a esmola, eu pergunto duas coisas: “Você toca as mãos das pessoas ou joga a moeda sem tocá-las? Você olha nos olhos a pessoa que ajuda ou desvia o olhar?”. 

Perto do sofrimento dos pobres

Cabe a nós, seus discípulos, continua o Papa Francisco, que graças ao Espírito Santo podemos semear essa esperança no mundo. “Somos nós” – e aqui ele cita sua Encíclica Fratelli tutti – “que podemos e devemos acender luzes de justiça e de solidariedade, enquanto se adensam as sombras de um mundo fechado”.

Somos nós que a sua Graça faz brilhar, é a nossa vida impregnada de compaixão e de caridade que se torna sinal da presença do Senhor, sempre próximo do sofrimento dos pobres, para aliviar as suas feridas e mudar a sua sorte.

Desvio o olhar diante da dor dos outros?

Não esqueçamos, é a invocação do Papa, que a esperança cristã, “que se realizou em Jesus e se concretiza no seu Reino, precisa de nós e do nosso empenho, de uma fé operosa na caridade, de cristãos que não passam para o outro lado do caminho”. E aqui ele lembra a imagem de um fotógrafo romano de um casal de adultos saindo de um restaurante, que olhava para o outro lado para não cruzar dom o olhar de “uma pobre senhora, deitada no chão, pedindo esmolas”.

Isso acontece todos os dias. Perguntemos a nós mesmos: eu olho para o outro lado quando vejo a pobreza, as necessidades, a dor dos outros?

Francisco cita então um teólogo do século XX, Metz, quando dizia que a fé cristã deve gerar em nós uma “mística de olhos abertos”: “não uma espiritualidade que foge do mundo, mas, pelo contrário, uma fé que abre os olhos aos sofrimentos do mundo e às aflições dos pobres, para exercer a mesma compaixão de Cristo”.

“Eu sinto a mesma compaixão do Senhor diante dos pobres, diante daqueles que não têm trabalho, que não têm o que comer, que são marginalizados pela sociedade?”

Mesmo com o nosso pouco, podemos melhorar a realidade

E, continua o Papa Francisco, “não devemos olhar apenas para os grandes problemas da pobreza mundial, mas para o pouco que todos nós podemos fazer todos os dias”.

Com o nosso estilo de vida, com o cuidado e a atenção pelo ambiente em que vivemos, com a busca tenaz da justiça, com a partilha dos nossos bens com os mais pobres, com o engajamento social e político para melhorar a realidade que nos rodeia..

Por favor, não nos esqueçamos dos pobres

Assim, “o nosso pouco será como as primeiras folhas que brotam na figueira: uma antecipação do verão que está próximo”. Concluindo, o Papa recorda uma advertência do cardeal Carlo Maria Martini, quando disse “que devemos ter cuidado ao pensar que existe primeiro a Igreja, já sólida em si mesma, e depois os pobres dos quais escolhemos cuidar. Na realidade, tornamo-nos a Igreja de Jesus na medida em que servimos os pobres, pois somente assim «a Igreja “torna-se” ela mesma, isto é, uma casa aberta a todos, um lugar da compaixão de Deus pela vida de cada homem»”.

Digo-o à Igreja, digo-o aos governos dos Estados e às organizações internacionais, digo-o a todos e a cada um: por favor, não nos esqueçamos dos pobres.

Projeto de caridade pela Síria e almoço com os pobres

Antes da missa, o Papa Francisco abençoou simbolicamente 13 chaves, representando os 13 países nos quais a Famvin Homeless Alliance (FHA), da Família Vicentina, construirá novas casas para pessoas necessitadas com o Projeto “13 Casas” para o Jubileu. Entre esses países está também a Síria, cujas 13 casas serão financiadas diretamente pela Santa Sé como um gesto de caridade para o Ano Santo. Um ato de solidariedade que se tornou possível graças a uma generosa doação da UnipolSai, que desejou entusiasticamente contribuir, no período que antecedeu o Ano Santo, com esse sinal de esperança para uma terra ainda devastada pela guerra.

No final da missa e após a recitação do Angelus, o Papa almoça na Sala Paulo VI junto com 1.300 pessoas pobres. O almoço, organizado pelo Dicastério para o Serviço da Caridade, é oferecido este ano pela Cruz Vermelha Italiana e animado por sua Fanfarra Nacional. No final do almoço, cada pessoa recebe uma mochila oferecida pelos Padres Vicentinos (Congregação da Missão), contendo alimentos e produtos de higiene pessoal.

Publicação: vaticannews.va
As celebrações  pelo Dia Mundial dos Pobres, precisam afetar a vida dos necessitados, como expressão do nosso ser cristão. Diversas ações aconteceram na Arquidiocese

As celebrações  pelo Dia Mundial dos Pobres, precisam afetar a vida dos necessitados, como expressão do nosso ser cristão. Diversas ações aconteceram na Arquidiocese de Vitória, hoje, 17 de novembro de 2024. Entre elas, o Vicariato para a Comunicação acompanhou duas na área pastoral de Vitória: A Catedral de Vitória que ofereceu um café da manhã após a missa das 8h, presidida pelo arcebispo, dom Dario Campos e a ação promovida pelos Vicentinos na paróquia S. Pedro, na Vila Rubim.

Catedral

A celebração do Dia do Pobre na Arquidiocese de Vitória iniciou com missa presidida por Dom Dario Campos, arcebispo metropolitano, que em sua homilia destacou a importância de olharmos com compaixão para os mais necessitados.

“Precisamos fazer da nossa oração, uma oração pelos pobres, rezar com eles e para eles. É um desafio que temos de aceitar”, afirmou Dom Dario, enfatizando que a ação pastoral deve seguir a linha orientada pelo Papa Francisco. Segundo o Arcebispo, a maior forma de discriminação contra os pobres é a falta de cuidado espiritual. Ele ressaltou que não podemos deixar de oferecer nossa amizade, bênçãos, palavras de conforto, os sacramentos e a proposta de um caminho de amadurecimento na fé.

Durante a celebração, Dom Dario também lembrou que sacerdotes, leigos, leigas consagradas, religiosos e religiosas são respostas de Deus para as orações daqueles que a Ele recorrem. “Devemos estar sempre disponíveis para acolher e caminhar ao lado dos mais vulneráveis, promovendo um cuidado integral que abrange tanto as necessidades materiais quanto espirituais. A nossa fé precisa tocar a vida cotidiana, marcando-a com os valores do Evangelho”, completou o Arcebispo.

Ao final da missa, foi servido um café da manhã, proporcionando um momento de partilha e acolhimento.

Vila Rubim

Os Vicentinos têm uma ação mensal com as famílias assistidas, por ocasião da entrega das cestas de alimentos. Para a data de hoje, essas famílias, cerca de 60, sendo um total de 180 pessoas, foram convidadas para um almoço no salão paroquial. Os voluntários Vicentinos prepararam a comida e o ambiente, acolheram as pessoas e serviram o almoço.

No cardápio: farofa, arroz, feijoada, macarrão, frango, saladas e refrigerante, que ordenadamente foram servidos para adultos e crianças. A ação é uma consequência do trabalho feito mensalmente com estas famílias, que recebem, além da cesta de alimentos, ajuda para outras dificuldades que possam enfrentar no exercício da cidadania, como ajuda jurídica, aconselhamento e instruções para acessar os serviços públicos. Para isso, o grupo dos Vicentinos encontra-se semanalmente para refletir sobre as situações e uma vez por mês com os assistidos.

Neste final de semana, a Arquidiocese de Vitória, sede do Regional Leste 3 da CNBB, acolheu o XXII Encontro Nacional da Pastoral da Educação

Neste final de semana, a Arquidiocese de Vitória, sede do Regional Leste 3 da CNBB, acolheu o XXII Encontro Nacional da Pastoral da Educação da CNBB, reunindo educadores, religiosos e agentes de pastoral de todo o país. O evento contou com a participação de diversas lideranças eclesiais que trouxeram reflexões profundas sobre o papel da educação na evangelização, especialmente em um contexto cultural cada vez mais desafiador.

Padre Ivan Artur Lima, representante dos Salesianos e membro da Pastoral da Educação, destacou a importância de olhar além, seguindo o legado de São João Bosco. “O poder da educação é levar as pessoas a enxergarem além. Quando falamos de cultura e educação, é sempre na perspectiva de ir além, desafiando os jovens”, afirmou. Ele reforçou a necessidade de entender a realidade dos adolescentes e jovens para que o trabalho educativo seja realmente eficaz. “Enquanto católicos, nosso maior desafio é ajudar as pessoas a terem um olhar além. Precisamos falar a linguagem dos adolescentes, jovens e crianças para que nosso trabalho seja realizado com êxito”, completou.

Padre Júlio, referencial da Educação na CNBB, comparou o papel dos educadores ao de equilibristas que se dedicam à missão dentro das escolas e universidades. “Na nossa corrida de vida como educadores, somos como equilibristas, pois educamos com o coração de missionários que se encontram nas instituições de ensino. Estamos inseridos nas realidades das paróquias e arquidioceses, chegando até as periferias existenciais. Somos apóstolos da Esperança do Evangelho que toca o vasto e complexo mundo da educação”, afirmou ele, ressaltando os desafios e as esperanças do trabalho pastoral no contexto educacional.

Dom Andherson também participou do encontro, trazendo uma reflexão baseada em uma passagem do Evangelho (Lc 24,13 – 35) sobre a missão de caminhar junto com Cristo. “O peregrinar que estamos fazendo é feito com o Senhor, que aquece nosso coração e nos envia para a missão. No vasto universo da cultura, é possível produzir cultura e tocar corações”, disse ele. Dom Andherson enfatizou a importância de promover espaços de diálogo e acolhimento que gerem uma sociedade mais fraterna. “Devemos oferecer uma atração que faça as pessoas se juntarem a nós, produzindo cultura que promova vida e construa pontes de diálogo”, completou.

Outro destaque do evento foi a palestra de Dom Francisco Agamenilton Damascena, que abordou o tema “Peregrinar no mundo educativo, como Testemunhas da Esperança”. Ele destacou que a jornada educativa é um verdadeiro ato de fé. “Somos um povo peregrino. O tema peregrinar move-nos como educadores. Encontramos desafios na sala de aula, mas nenhum deles retira a nossa esperança. A fé nos coloca em movimento da Esperança”, refletiu Dom Francisco, encorajando os educadores a manterem viva a chama da esperança em suas missões.

O encontro foi um espaço de troca de experiências, formação e fortalecimento da missão educativa da Igreja no Brasil. As falas inspiradoras dos palestrantes reforçaram o papel da Pastoral da Educação como um braço missionário da Igreja, que se faz presente nas escolas e universidades, promovendo uma educação que vai além da transmissão de conhecimento, mas que toca os corações e transforma vidas.

O evento reafirmou o compromisso da Igreja com a educação, enfatizando a necessidade de formar não apenas cidadãos críticos, mas também pessoas de fé, esperança e caridade. O XXII Encontro Nacional da Pastoral da Educação da CNBB encerrou-se com um clima de renovação e compromisso, reforçando a missão de ser luz e esperança no mundo educacional.

Mensagem de dom Dario Campos nas exéquias no velório do ex-governador do Espírito Santo Max Mauro 15 de novembro de 2024 Queridos irmãos e

Mensagem de dom Dario Campos nas exéquias no velório do ex-governador do Espírito Santo Max Mauro

15 de novembro de 2024

Queridos irmãos e irmãs,

Paz e bem!

Saúdo o senhor vice-governador, Ricardo Ferraço, e em sua pessoa saúdo a todos os representantes do governo estadual. Saúdo, também, aos que nesta casa exercem seu mandato, como representantes de nosso amado povo. Saúdo ainda, as demais autoridades dos Poderes Constituídos, que se fazem presentes, bem como a todos que aqui se encontram neste momento de despedida de nosso irmão Max Mauro. De forma muito afetuosa, saúdo os familiares e amigos próximos de nosso irmão, esses que são testemunhas de quem ele foi em sua intimidade e com todos os valores que conhecemos.

Com minhas brevíssimas palavras, desejo partilhar com vocês, meus irmãos e irmãs, dois aspectos do trecho do Evangelho de São João que acabamos de ouvir. O primeiro encontra-se na afirmação de Jesus: “não se perturbe o vosso coração”. O segundo, a indicação que Jesus Mestre faz sobre as moradas da casa do Pai, nosso destino final.

Este relato do Evangelho retrata a vivência da primeira comunidade cristã, marcada pelas dúvidas e dificuldades do caminho iniciado com a Ressurreção do Senhor. De fato, Jesus ao se despedir de seus discípulos: “não se perturbe o vosso coração”, deseja que os mesmos mantenham viva a confiança no cuidado amoroso do Pai, que nunca abandona seus eleitos.

Meus caros irmãos e irmãs, é nesta relação de intimidade e comunhão com o Senhor, que vivemos o dia a dia, na certeza de que nunca caminhamos sozinhos. Firmes diante das adversidades e das perdas que sofremos aos longo de nossas vidas, pois, sabemos em quem depositamos a nossa esperança, como afirma São Paulo. Deste modo, hoje depositamos, com grande confiança, o nosso irmão Max Mauro, nas mãos amorosas do Senhor, ele que procurou viver sua fé com dedicação e seriedade, sendo reconhecido pelos valores que tinha, enriquecidos pela luz do Evangelho.

No texto do Evangelho, Jesus indica o seu retorno para junto do Pai, a fim de preparar uma morada eterna para os seus. A Palavra morada, evoca a união profunda com o Mestre que o discípulo deve cultivar e viver, como o ramo unido à videira, sem a qual jamais teria vida.

Meus irmãos e irmãs, hoje nos despedimos de alguém que marcou, de forma profunda, o nosso Estado do Espírito Santo, seja pela maneira como viveu, bem como, pelo que fez em toda a sua vida pública. Reconhecemos que os valores que o distinguiram foram frutos de uma profunda experiência humana e de fé. Alguém que nutris um grande amor pela Virgem Maria, a Senhora da Penha, de quem aguardava a passagem na Romaria dos Homens. Um homem íntegro que dignificou a política de nosso Estado, por meio de um olhar atento para os mais necessitados e sofredores, nunca virando as costas para os problemas reais daqueles que lhe foram confiados.

Somos hoje convidados pela Palavra do Evangelho a depositá-lo na palma da mão amorosa de Deus, na esperança de que, em Cristo, seja acolhido na morada eterna e repouse em paz. Hoje, rezamos, pedindo ao Pai Eterno que o acolha, garantindo-lhe o repouso após a vida longa e fecunda que ele viveu. Ao mesmo tempo, pedimos também, que o Senhor nos fortaleça e nos acompanhe sempre, a fim de que jamais deixemos de trilhar o caminho que nos conduz à verdade e à vida que é o próprio Jesus Cristo.

Com confiança de filhos e filhas, depositamos o nosso irmão, entregamos o nosso irmão, sob o olhar da Virgem da Penha, a fim de que ela interceda por ele junto ao Seu Filho Jesus Cristo.

E para terminar quero ler para vocês um poema de Guimarães Rosa e tenho certeza de que todos vão guardar em seu coração:

“Depois de morto, quando eu chegar ao outro mundo,

Primeiro quererei beijar meus pais, meus irmãos, meus avós, meus tios, meus primos.

Depois irei abraçar longamente uns amigos – Vasconcelos, Ovalle, Mário…

Gostaria ainda de me avistar com o santo Francisco de Assis.

Mas, quem sou eu? Não mereço.

Isto feito, me abismarei na contemplação de Deus e de sua glória,

Esquecido para sempre de todas as delícias, dores, perplexidades

Desta outra vida de aquém-túmulo”.

 

Dom Dario Campos, ofm

Arcebispo de Vitória

Nota Oficial Diante do falecimento do ex-governador Max Mauro, homem que se destacou não só no quadro político, exercendo mandatos como deputado federal, prefeito

Nota Oficial

Diante do falecimento do ex-governador Max Mauro, homem que se destacou não só no quadro político, exercendo mandatos como deputado federal, prefeito de Vila Velha e governador do Estado, mas também como cidadão de bem, a Arquidiocese de Vitória, representada pelo arcebispo, dom Dario Campos e pelo bispo auxiliar, dom Andherson Franklin, se solidariza com os familiares e agradece a Deus pela vida e dedicação do ex-governador.

Aos familiares e amigos que recebam o consolo da fé para viverem este momento de dor.

Acreditamos na vida eterna. A ressurreição de Jesus alimenta nossa fé e nossa esperança na vida eterna.

“Jesus disse: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em mim, mesmo que morra, viverá. E todo aquele que vive e acredita em mim, não morrerá para sempre. Você acredita nisso”?

Jo 11, 25-26

 

Dom Dario Campos

Arcebispo Metropolitano

Dom Andherson Franklin Lustoza de Souza

Bispo Auxiliar

O VIII Dia Mundial dos Pobres será celebrado no próximo domingo, 17 de novembro de 2024. A data foi instituída pelo Papa Francisco, que

O VIII Dia Mundial dos Pobres será celebrado no próximo domingo, 17 de novembro de 2024. A data foi instituída pelo Papa Francisco, que não cansa de fazer apelos permanentes para que nos preocupemos uns com os outros, principalmente com os mais pobres.

Na Arquidiocese de Vitória uma decisão foi tomado para atender o apelo do Papa e todas as coletas que será feitas nas paróquias e comunidades serão destinadas à Campanha Paz e Pão. Esta Campanha cadastra, acompanha e entrega cestas de alimentos todos os meses a pessoas necessitadas. Ao participar das Celebrações, missas ou Celebrações da Palavra seja generoso, pois a sua contribuição chegará a quem passa fome, pela equipe de voluntários da Campanha Paz e Pão.

Outras iniciativas serão realizadas nas paróquias e todos estão convidados a participar. Algumas paróquias farão atividades no dia 23 ou 24. Confira e participe.

Área Pastoral Serra/Fundão

Dia 23 de novembro de 2024: Entre as 8h e as 12h serão oferecidos serviços sociais, no Bairro Central Carapina: cadastro no Cadúnico – Assistência Jurídica – Assistência Psicológica e Procon. Haverá, também um varal de roupas solidárias, sorteios e lanches. O evento é organizada com participação da Campanha Paz e Pão e diversas entidades.

Área Pastoral Benevente

17 de novembro de 2024: A partir das 8h30, no Centro de Pastorais Santa Dulce, será servido um café da manhã e em seguido diversos serviços: Banho – Atendimento com enfermeira para realização de testes HIV, sífilis, TB  – Consulta jurídica – Corte de cabelo – Manicure e pedicure – Almoço – Bingo – Música ao vivo com violão e caraokê – Brindes e Chocolates.

Em Anchieta, as atividades acontecerão no dia 24 de novembro.

Área Pastoral Cariacica/Viana

A Área realiza Seminário com o tema: Pobreza, causas e enfrentamento no dia 12 de novembro e a paróquia Nossa Senhora da Penha optou por uma atividade com crianças. A atividade conta com a presença de Ione Duarte, escritora de livros infantis. Para colaborar é possível apadrinhar uma criança doando o valor de um livro.

Para colaborar basta fazer um pix para 27996110654 (Paróquia Nossa Senhora da Penha).

A paróquia Sagrado Coração de Jesus em Itaquari também fará coleta de alimentos que irão compor as cestas de alimentos que a paróquia distribui.

Área Pastoral Vitória

Três iniciativas estão agendadas para acontecer no dia 17.

Na paróquia Sta. Teresa de Calcutá, voluntários farão visitas às famílias e as convidarão para um lanche. Isso vai acontecer na paróquia e em cada comunidade.

A paróquia S. José em Maruípe fará sua atividade no dia 23. O evento será na comunidade S. Vicente a partir das 14h com diversas atividades: Palestra sobre segurança alimentar  – Recreação para as crianças – Apresentação de biodança – Distribuição de picolé, algodão doce, pipoca. lanche e entrega de brinquedos para as crianças.

Na paróquia Nossa Senhora das Graças em Jucutuquara haverá: Palestra sobre doenças sexualmente transmissíveis – recadastramento das famílias assistidas e almoço. Tudo entre 9h30 e 11h.

Na paróquia Nossa Senhora da Vitória, lanche na Praça da Catedral após a missa das 8h.

Na paróquia São Pedro na Vila Rubim, almoço para 60 famílias necessitadas.

Às vésperas do VIII Dia Mundial dos Pobres, o Papa recebe , em audiência, a “Foyer Notre-Dame des Sans Abris”, Fundação que ajuda famílias
Às vésperas do VIII Dia Mundial dos Pobres, o Papa recebe , em audiência, a “Foyer Notre-Dame des Sans Abris”, Fundação que ajuda famílias em dificuldade. Leia a matéria publicada no site vaticannews.va
O professor francês, fundador da “Foyer Notre-Dame des Sans Abris” que ajuda famílias em dificuldade a recuperar dignidade, está sendo recordado em 2024 pelos 50 anos da sua morte. Francisco recebeu a associação em audiência, enaltecendo a missão de Gabriel Rosset, que reconhecia “a presença de Cristo nos pobres”: “vocês dão um rosto concreto ao Evangelho do amor, oferecendo abrigo, refeição, sorriso, estendendo as mãos sem medo de sujá-las”.

“Meus queridos irmãos e irmãs, vou falar em italiano, mas vocês têm a tradução aqui. Muito obrigado pela presença de vocês, das crianças… é lindo, é lindo!”, disse o Papa Francisco em francês ao iniciar o discurso dirigido a uma delegação de 70 pessoas formada pelas associações “Foyer Notre-Dame des Sans Abris” e “Les Amis de Gabriel Rosset”. O encontro com o grupo, proveniente da cidade histórica de Lyon, foi realizado nesta quarta-feira (13/11) na sala adjacente da Sala Paulo VI, antes da Audiência Geral na Praça São Pedro.

A delegação, como recordou o Pontífice, está comemorando em 2024 o aniversário de 50 anos da morte de Gabriel Rosset (1904-1974). O professor fundou a “Foyer Notre-Dame des Sans Abris”, hoje com mais de mil voluntários, que acolhe e ajuda famílias e pessoas que sofrem por diferentes realidades, como falta de moradia e emprego, por ser vítimas de violência ou migrantes, por exemplo. Já a associação “Les Amis de Gabriel Rosset” foi criada para promover a causa de beatificação e canonização do professor francês aberta em 2006, que está sendo estudada pelo Dicastério para as Causas dos Santos.

O Papa Francisco expressou gratidão da Igreja pela missão inspirada no fundador, que sentia grande compaixão e “não virava a cabeça e nem fechava os olhos” para os irmãos necessitados. Gabriel Rosset sabia como “reconhecer a presença de Cristo nos pobres”, disse ainda o Pontífice, orientando para a importância das “três coisas de Deus: proximidade, compaixão e ternura”:

“Tocar um pobre, cuidar de um pobre, é um ‘sacramental’ na Igreja. Hoje vocês continuam a obra de Gabriel Rosset. Vocês também são artesãos da misericórdia e da compaixão de Deus: acompanhando as pessoas sem-teto, vocês dão um rosto concreto ao Evangelho do amor. Oferecendo-lhes um abrigo, uma refeição, um sorriso, estendendo suas mãos sem medo de sujá-las, vocês restauram a dignidade deles e o compromisso de vocês toca o coração do nosso mundo frequentemente indiferente.”

A escola de Maria, que toca o sofrimento do mundo

A missão de Gabriel Rosset, continuou o Papa, assim como tem sido a de todos os colaboradores das associações francesas, está sendo “iluminada” pela “imagem viva da compaixão maternal” de Maria, “a Mãe que nunca deixa de cuidar de todos aqueles que sofrem no corpo e no coração”, que “não tem medo de tocar o sofrimento do mundo”, abrindo os braços “para acolher todos, porque todos têm um lugar perto de Maria, perto de Cristo”.

“Ela não tem medo de abrir o seu manto, de transformá-lo em um abrigo contra a chuva e o fogo escaldante do sol. Doa o seu bem mais precioso, que é Jesus, permitindo que os pobres se aproximem o máximo possível dela para receber ternura e alívio das suas mãos estendidas. Coloquem-se na escola dela. Maria é, antes de tudo, uma mulher de vida interior: medita e guarda no seu coração a Palavra de Deus que alimenta todas as suas ações. Ela também é uma mulher aberta, uma mulher disponível às surpresas de Deus. Por isso vigia e caminha. Maria responde às necessidades dos irmãos e das irmãs vulneráveis, mas, acima de tudo, antecipa as necessidades deles.”