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Na oração do Angelus de ontem, 19 de novembro, o Papa Francisco falou sobre o medo e a confiança em Deus. Leia a publicação

Na oração do Angelus de ontem, 19 de novembro, o Papa Francisco falou sobre o medo e a confiança em Deus. Leia a publicação do site vaticannews.va

“O medo paralisa, a confiança liberta”. Medo ou confiança, duas posturas que podemos ter diante de Deus e que serão determinantes na nossa relação com Ele e por consequência na multiplicação ou não dos talentos que gratuitamente d’Ele recebemos.

Dirigindo-se aos milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro neste XXXIII Domingo do Tempo Comum, o Papa falou das duas maneiras diferentes de nos aproximarmos de Deus. Para tal, inspirou-se na Parábola dos Talentos narrada no Evangelho de Mateus 25, 14-30.

Francisco começa explicando que os talentos confiados por um senhor que sai em viagem aos seus servos “eram seus bens, um capital”, e foram distribuídos “de acordo com as capacidades de cada um”.

Ao retornar, este senhor pede contas aos servos. Dois deles dobraram os talentos que receberam, o que é elogiado pelo senhor, enquanto o terceiro, por medo, enterrou o seu, devolvendo o mesmo que havia recebido, atitude que recebe uma repreensão.

O medo que bloqueia

O Santo Padre então, explica a primeira maneira de nos aproximarmos de Deus, que é aquela movida pelo medo, de alguém que não confia em sua bondade e por isso fica bloqueado:

É aquela daquele que enterra o talento recebido, que não sabe ver as suas riquezas dadas por Deus: ele não confia nem no patrão, nem em si mesmo (…). Ele sente medo dele, não vê a estima, não vê a confiança que o senhor deposita nele, mas vê somente o agir de um patrão que exige mais do que dá, de um juiz. E esta é a sua imagem de Deus: não consegue acreditar na sua bondade, não consegue acreditar na bondade do Senhor em relação a nós. Por isso fica bloqueado e não se deixa envolver na missão recebida. 

A atitude de confiança que liberta

Atitude diferente, por sua vez, têm os outros dois protagonistas, “que retribuem a confiança do seu senhor, confiando por sua vez nele”:

Esses dois investem tudo o que receberam, mesmo que inicialmente não saibam se tudo irá correr bem: estudam, veem as possibilidades e prudencialmente buscam o melhor; aceitam o risco de se envolverem. Confiam, estudam e arriscam. Assim, têm a coragem de agir com liberdade, de forma criativa, gerando nova riqueza.

E diante de Deus, temos esses dois caminhos a seguir, observa o Papa, “medo ou confiança. Ou tens medo diante de Deus ou tens confiança no Senhor”. E a exemplo dos protagonistas da parábola, também nós, recorda Francisco, “recebemos talentos, todos, muito mais preciosos que o dinheiro. Mas muito do modo como os investimos depende da nossa confiança no Senhor, que liberta o coração, nos torna ativos e criativos na prática do bem”:

Superar o medo e confiar em Deus

Não esqueçamos isso: a confiança liberta, sempre, o medo paralisa. Recordemos: o medo paralisa, a confiança liberta. E isto também se aplica à educação dos filhos. E perguntemo-nos: acredito que Deus é Pai e me confia dons porque confia em mim? E eu, confio n’Ele a ponto de me lançar sem desanimar, mesmo quando os resultados não são certos nem óbvios? Sei dizer a cada dia na oração: ‘Senhor, eu confio em Ti, dá-me forças para seguir em frente: confio em Ti, nas coisas que me deste. Deixe-me saber como, como levá-las em frente…’. Por fim, também como Igreja: cultivamos em nossos ambientes um clima de confiança e de estima recíproca, que nos ajuda a seguir em frente  juntos, que desbloqueia as pessoas e estimula a criatividade do amor em todos? Pensemos nisso.

Que a Virgem Maria, disse ao concluir, nos ajude a superar o medo e a confiar em Deus – nunca ter medo de Deus! Temor sim, medo não – e a confiar no Senhor.

Com o tema “Nunca afastes de algum pobre o teu olhar” (Tb4,7), o Papa Francisco pede atenção para com os irmãos necessitados. Olhar para

Com o tema “Nunca afastes de algum pobre o teu olhar” (Tb4,7), o Papa Francisco pede atenção para com os irmãos necessitados. Olhar para o pobre é uma atitude necessária em todos os dias do ano, mas o Papa estabeleceu um especial para que nosso olhar seja mais atento, mais acolhedor, mais cuidadoso. É preciso treinar olhar para as misérias ao nosso redor e empenhar-se em contribuir para melhorar a vida dos pobres.

A Arquidiocese de Vitória tem uma campanha permanente para cuidar dos pobres e o nosso arcebispo, dom Dario Campos tem um convite para você. Assista o vídeo.

Veja também a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial dos Pobres:

MENSAGEM DO SANTO PADRE FRANCISCO
PARA O VII DIA MUNDIAL DOS POBRES

XXXIII Domingo do Tempo Comum
19 de novembro de 2023

«Nunca afastes de algum pobre o teu olhar» (Tb 4, 7)

 

1. O Dia Mundial dos Pobres, sinal fecundo da misericórdia do Pai, vem pela sétima vez alentar o caminho das nossas comunidades. Trata-se duma ocorrência que se está a radicar progressivamente na pastoral da Igreja, fazendo-a descobrir cada vez mais o conteúdo central do Evangelho. Empenhamo-nos todos os dias no acolhimento dos pobres, mas não basta; a pobreza permeia as nossas cidades como um rio que engrossa sempre mais até extravasar; e parece submergir-nos, pois o grito dos irmãos e irmãs que pedem ajuda, apoio e solidariedade ergue-se cada vez mais forte. Por isso, no domingo que antecede a festa de Jesus Cristo, Rei do Universo, reunimo-nos ao redor da sua Mesa para voltar a receber d’Ele o dom e o compromisso de viver a pobreza e servir os pobres.

«Nunca afastes de algum pobre o teu olhar» (Tb 4, 7). Esta recomendação ajuda-nos a compreender a essência do nosso testemunho. Deter-se no Livro de Tobite, um texto pouco conhecido do Antigo Testamento, eloquente e cheio de sabedoria, permitir-nos-á penetrar melhor no conteúdo que o autor sagrado deseja transmitir. Abre-se diante de nós uma cena de vida familiar: um pai, Tobite, despede-se do filho, Tobias, que está prestes a iniciar uma longa viagem. O velho Tobite teme não voltar a ver o filho e, por isso, deixa-lhe o seu «testamento espiritual». Foi deportado para Nínive e agora está cego; é, por conseguinte, duplamente pobre, mas sempre viveu com a certeza que o próprio nome exprime: «O Senhor foi o meu bem». Este homem que sempre confiou no Senhor, deseja, como um bom pai, deixar ao filho não tanto bens materiais, mas sobretudo o testemunho do caminho que há de seguir na vida. Por isso diz-lhe: «Lembra-te sempre, filho, do Senhor, nosso Deus, em todos os teus dias, evita o pecado e observa os seus mandamentos. Pratica a justiça em todos os dias da tua vida e não andes pelos caminhos da injustiça» (Tb 4, 5).

2. Como salta à vista, a recordação, que o velho Tobite pede ao filho para guardar, não se reduz simplesmente a um ato da memória nem a uma oração dirigida a Deus. Faz referência a gestos concretos, que consistem em praticar boas obras e viver com justiça. E a exortação torna-se ainda mais específica: «Dá esmolas, conforme as tuas posses. Nunca afastes de algum pobre o teu olhar, e nunca se afastará de ti o olhar de Deus» (Tb 4, 7).

Muito surpreendem as palavras deste velho sábio. Não esqueçamos, de facto, que Tobite perdeu a vista precisamente depois de ter praticado um ato de misericórdia. Como ele próprio conta, desde a juventude que se dedicou a obras de caridade, «dando muitas esmolas aos meus irmãos, os da minha nação que comigo tinham sido levados cativos para a terra dos assírios, em Nínive (…), fornecendo pão aos esfomeados e vestindo os nus e, se encontrava morto alguém da minha linhagem, atirado para junto dos muros de Nínive, dava-lhe sepultura» (Tb 1, 3.17).

Por causa deste seu testemunho de caridade, viu-se privado de todos os seus bens pelo rei, ficando na pobreza completa. Mas, o Senhor precisava ainda dele! Foi-lhe devolvido o seu lugar de administrador e ele não teve medo de continuar o seu estilo de vida. Ouçamos a sua história, que hoje nos fala também a nós: «Pela festa do Pentecostes, que é a nossa festa das Semanas, mandei preparar um bom almoço e reclinei-me para comer. Mas, ao ver a mesa coberta com tantas comidas finas, disse a Tobias: “Filho, vai procurar, entre os nossos irmãos cativos em Nínive, um pobre que seja de coração fiel, e trá-lo para que participe da nossa refeição. Eu espero por ti, meu filho”» (Tb 2, 1-2). Como seria significativo se, no Dia dos Pobres, esta preocupação de Tobite fosse também a nossa! Ou seja, convidar para partilhar o almoço dominical, depois de ter partilhado a Mesa Eucarística. A Eucaristia celebrada tornar-se-ia realmente critério de comunhão. Aliás, se ao redor do altar do Senhor temos consciência de sermos todos irmãos e irmãs, quanto mais visível se tornaria esta fraternidade, compartilhando a refeição festiva com quem carece do necessário!

Tobias fez como o pai lhe dissera, mas voltou com a notícia de que um pobre fora morto e deixado no meio da praça. Sem hesitar, o velho Tobite levantou-se da mesa e foi enterrar aquele homem. Voltando cansado para casa, adormeceu no pátio; caíram-lhe nos olhos excrementos de pássaros, e ficou cego (cf. Tb 2, 1-10). Ironia do destino! Pratica um gesto de caridade e sucede-lhe uma desgraça… Apetece-nos pensar assim, mas a fé ensina-nos a ir mais a fundo. A cegueira de Tobite tornar-se-á a sua força para reconhecer ainda melhor tantas formas de pobreza ao seu redor. E, mais tarde, o Senhor providenciará a devolver ao velho pai a vista e a alegria de rever o filho Tobias. Quando chegou este momento, «Tobite lançou-se-lhe ao pescoço e, chorando, disse: “Vejo-te, filho, tu que és a luz dos meus olhos!” E continuou: “Bendito seja Deus e bendito o seu grande nome! Benditos os seus santos anjos! Que seu nome esteja sobre nós e benditos sejam todos os seus anjos, pelos séculos sem fim! Ele puniu-me, mas eis que volto a ver Tobias, o meu filho”» (Tb 11, 13-14).

3. Podemos questionar-nos: Donde tira Tobite a coragem e a força interior que lhe permitem servir a Deus no meio dum povo pagão e amar o próximo até ao ponto de pôr em risco a própria vida? Estamos diante dum exemplo extraordinário: Tobite é um marido fiel e um pai carinhoso; foi deportado para longe da sua terra e sofre injustamente; é perseguido pelo rei e pelos vizinhos de casa… Apesar de ânimo tão bom, é posto à prova. Como muitas vezes nos ensina a Sagrada Escritura, Deus não poupa as provações a quem pratica o bem. E porquê? Não o faz para nos humilhar, mas para tornar firme a nossa fé n’Ele.

Tobite, no período da provação, descobre a própria pobreza, que o torna capaz de reconhecer os pobres. É fiel à Lei de Deus e observa os mandamentos, mas para ele isto não basta. A solicitude operosa para com os pobres torna-se-lhe possível, porque experimentou a pobreza na própria pele. Por isso, as palavras que dirige ao filho Tobias constituem a sua verdadeira herança: «Nunca afastes de algum pobre o teu olhar» (Tb 4, 7). Enfim, quando nos deparamos com um pobre, não podemos virar o olhar para o lado oposto, porque impediríamos a nós próprios de encontrar o rosto do Senhor Jesus. E notemos bem aquela expressão «de algum pobre», de todo o pobre. Cada um deles é nosso próximo. Não importa a cor da pele, a condição social, a proveniência… Se sou pobre, posso reconhecer de verdade quem é o irmão que precisa de mim. Somos chamados a ir ao encontro de todo o pobre e de todo o tipo de pobreza, sacudindo de nós mesmos a indiferença e a naturalidade com que defendemos um bem-estar ilusório.

4. Vivemos um momento histórico que não favorece a atenção aos mais pobres. O volume sonoro do apelo ao bem-estar é cada vez mais alto, enquanto se põe o silenciador relativamente às vozes de quem vive na pobreza. Tende-se a ignorar tudo o que não se enquadre nos modelos de vida pensados sobretudo para as gerações mais jovens, que são as mais frágeis perante a mudança cultural em curso. Coloca-se entre parênteses aquilo que é desagradável e causa sofrimento, enquanto se exaltam as qualidades físicas como se fossem a meta principal a alcançar. A realidade virtual sobrepõe-se à vida real, e acontece cada vez mais facilmente confundirem-se os dois mundos. Os pobres tornam-se imagens que até podem comover por alguns momentos, mas quando os encontramos em carne e osso pela estrada, sobrevêm o fastídio e a marginalização. A pressa, companheira diária da vida, impede de parar, socorrer e cuidar do outro. A parábola do bom samaritano (cf. Lc 10, 25-37) não é história do passado; desafia o presente de cada um de nós. Delegar a outros é fácil; oferecer dinheiro para que outros pratiquem a caridade é um gesto generoso; envolver-se pessoalmente é a vocação de todo o cristão.

5. Damos graças ao Senhor porque há tantos homens e mulheres que vivem a dedicação aos pobres e excluídos e a partilha com eles; pessoas de todas as idades e condições sociais que praticam a hospitalidade e se empenham junto daqueles que se encontram em situações de marginalização e sofrimento. Não são super-homens, mas «vizinhos de casa» que encontramos cada dia e que, no silêncio, se fazem pobres com os pobres. Não se limitam a dar qualquer coisa: escutam, dialogam, procuram compreender a situação e as suas causas, para dar conselhos adequados e indicações justas. Estão atentos tanto à necessidade material como à espiritual, ou seja, à promoção integral da pessoa. O Reino de Deus torna-se presente e visível neste serviço generoso e gratuito; é realmente como a semente que caiu na boa terra da vida destas pessoas, e dá fruto (cf. Lc 8, 4-15). A gratidão a tantos voluntários deve fazer-se oração para que o seu testemunho possa ser fecundo.

6. No 60º aniversário da Encíclica Pacem in terris, é urgente retomar as palavras do Santo Papa João XXIII quando escrevia: «O ser humano tem direito à existência, à integridade física, aos recursos correspondentes a um digno padrão de vida: tais são especialmente a nutrição, o vestuário, a moradia, o repouso, a assistência sanitária, os serviços sociais indispensáveis. Segue-se daí, que a pessoa tem também o direito de ser amparada em caso de doença, de invalidez, de viuvez, de velhice, de desemprego forçado, e em qualquer outro caso de privação dos meios de sustento por circunstâncias independentes da sua vontade» (n. 11).

Quanto trabalho temos ainda pela frente para tornar realidade estas palavras, inclusive através dum sério e eficaz empenho político e legislativo! Não obstante os limites e por vezes as lacunas da política para ver e servir o bem comum, possa desenvolver-se a solidariedade e a subsidiariedade de muitos cidadãos que acreditam no valor do empenho voluntário de dedicação aos pobres. Isto, naturalmente sem deixar de estimular e fazer pressão para que as instituições públicas cumpram do melhor modo possível o seu dever. Mas não adianta ficar passivamente à espera de receber tudo «do alto». E, quem vive em condição de pobreza, seja também envolvido e apoiado num processo de mudança e responsabilização.

7. Mais uma vez, infelizmente, temos de constatar novas formas de pobreza que se vêm juntar às outras descritas já anteriormente. Penso de modo particular nas populações que vivem em cenários de guerra, especialmente nas crianças privadas dum presente sereno e dum futuro digno. Ninguém poderá jamais habituar-se a esta situação; mantenhamos viva toda a tentativa para que a paz se afirme como dom do Senhor Ressuscitado e fruto do empenho pela justiça e o diálogo.

Não posso esquecer as especulações, em vários setores, que levam a um aumento dramático dos preços, deixando muitas famílias numa indigência ainda maior. Os salários esgotam-se rapidamente, forçando a privações que atentam contra a dignidade de cada pessoa. Se, numa família, se tem de escolher entre o alimento para se nutrir e os remédios para se curar, então deve fazer-se ouvir a voz de quem clama pelo direito a ambos os bens, em nome da dignidade da pessoa humana.

Além disso, como não assinalar a desordem ética que marca o mundo do trabalho? O tratamento desumano reservado a muitos trabalhadores e trabalhadoras; a remuneração não equivalente ao trabalho realizado; o flagelo da precariedade; as demasiadas vítimas de incidentes, devidos muitas vezes à mentalidade que privilegia o lucro imediato em detrimento da segurança… Voltam à mente as palavras de São João Paulo II: «O primeiro fundamento do valor do trabalho é o próprio homem. (…) O homem está destinado e é chamado ao trabalho, contudo antes de mais nada o trabalho é “para o homem”, e não o homem “para o trabalho”» (Enc. Laborem exercens, 6).

8. Este elenco, já em si mesmo dramático, dá conta apenas de modo parcial das situações de pobreza que fazem parte da nossa vida diária. Não posso deixar de fora, em particular, uma forma de mal-estar que aparece cada dia mais evidente e que atinge o mundo juvenil. Quantas vidas frustradas e até suicídios de jovens, iludidos por uma cultura que os leva a sentirem-se «inacabados» e «falidos». Ajudemo-los a reagir a estas instigações nocivas, para que cada um possa encontrar a estrada que deve seguir para adquirir uma identidade forte e generosa.

É fácil cair na retórica, quando se fala dos pobres. Tentação insidiosa é também parar nas estatísticas e nos números. Os pobres são pessoas, têm rosto, uma história, coração e alma. São irmãos e irmãs com os seus valores e defeitos, como todos, e é importante estabelecer uma relação pessoal com cada um deles.

O Livro de Tobias ensina-nos a ser concretos no nosso agir com e pelos pobres. É uma questão de justiça que nos obriga a todos a procurar-nos e encontrar-nos reciprocamente, favorecendo a harmonia necessária para que uma comunidade se possa identificar como tal. Portanto, interessar-se pelos pobres não se esgota em esmolas apressadas; pede para restabelecer as justas relações interpessoais que foram afetadas pela pobreza. Assim «não afastar o olhar do pobre» leva a obter os benefícios da misericórdia, da caridade que dá sentido e valor a toda a vida cristã.

9. Que a nossa solicitude pelos pobres seja sempre marcada pelo realismo evangélico. A partilha deve corresponder às necessidades concretas do outro, e não ao meu supérfluo de que me quero libertar. Também aqui é preciso discernimento, sob a guia do Espírito Santo, para distinguir as verdadeiras exigências dos irmãos do que constitui as nossas aspirações. Aquilo de que seguramente têm urgente necessidade é da nossa humanidade, do nosso coração aberto ao amor. Não esqueçamos: «Somos chamados a descobrir Cristo neles: não só a emprestar-lhes a nossa voz nas suas causas, mas também a ser seus amigos, a escutá-los, a compreendê-los e a acolher a misteriosa sabedoria que Deus nos quer comunicar através deles» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 198). A fé ensina-nos que todo o pobre é filho de Deus e que, nele ou nela, está presente Cristo: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40).

10. Este ano completam-se 150 anos do nascimento de Santa Teresa do Menino Jesus. Numa página da sua História de uma alma, deixou escrito: «Compreendo agora que a caridade perfeita consiste em suportar os defeitos dos outros, em não se escandalizar com as suas fraquezas, em edificar-se com os mais pequenos atos de virtude que se lhes vir praticar; mas compreendi, sobretudo, que a caridade não deve ficar encerrada no fundo do coração: “Ninguém, disse Jesus, acende uma candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas coloca-a sobre o candelabro para alumiar todos os que estão em casa”. Creio que essa luz representa a caridade, que deve iluminar e alegrar, não só os que são mais queridos, mas todos aqueles que estão na casa, sem excetuar ninguém» (Manuscrito C, 12rº: História de uma alma, Avessadas 2005, 255-256).

Nesta casa que é o mundo, todos têm direito de ser iluminados pela caridade, ninguém pode ser privado dela. Possa a tenacidade do amor de Santa Teresinha inspirar os nossos corações neste Dia Mundial, ajudar-nos a «nunca afastar de algum pobre o olhar» e a mantê-lo sempre fixo no rosto humano e divino do Senhor Jesus Cristo.

Roma – São João de Latrão, na Memória de Santo António, Patrono dos pobres, 13 de junho de 2023.

FRANCISCO

 

Em todos os momentos de comunicação com o mundo, o Papa Francisco faz apelos pela paz. Após a Audiência Geral de ontem, 15 de

Em todos os momentos de comunicação com o mundo, o Papa Francisco faz apelos pela paz. Após a Audiência Geral de ontem, 15 de novembro de 2023, o pedido foi: “Todos os dias, alguém dedique algum tempo para rezar pela paz”. Leia a publicação do site vaticannews.va

O apelo insistente pela paz num mundo sufocado pelas guerras veio novamente na Audiência Geral desta quarta-feira (15). Ao final da catequese e da saudação aos peregrinos de várias partes do mundo presentes na Praça São Pedro, o Papa Francisco recordou dos conflitos vigentes que têm feito sofrer tantas pessoas:

“Rezemos, irmãos e irmãs, pela paz, de modo especial pela martirizada na Ucrânia, que sofre tanto, e também na Terra Santa, na Palestina e em Israel. E não nos esqueçamos do Sudão, que sofre tanto, e pensemos onde quer que haja guerra, há muitas guerras! Oremos pela paz: todos os dias, alguém dedique algum tempo para rezar pela paz. Nós queremos a paz. A minha bênção a todos!”

Escoteiros da Itália se unem à voz do Papa

Na Praça São Pedro, quem dedicou tempo para ouvir a mensagem de Francisco na Audiência Geral desta quarta (15) foi um grupo numeroso de escoteiros provenientes da cidade italiana de Foligno, região de Úmbria, a pouco mais de 150 Km de Roma. Eles fazem parte da AGESCI, a Associação de Guias e Escoteiros Católicos Italianos, que conta com 180 mil sócios e procura direcionar crianças e jovens à formação de bons cidadãos e cristãos, segundo os princípios e o método do escotismo, durante o tempo livre e as atividades extra-curricalares.

Além disso, em mensagem divulgada na segunda-feira (13) pelo comitê nacional da associação – “que se sente um instrumento a serviço da paz para acompanhar os jovens em direção às futuras estações do mundo”, vem o incentivo pela busca da paz em meio “aos gritos de dor da Ucrânia, ao conflito no Oriente Médio e tantas outras partes do mundo” que se “perguntam como esse sofrimento pode ser interrompido”.

Mas, afinal, o que é, que forma e cor tem a paz?, questiona o manifesto, ao formular respostas que se assemelham a um campo a ser arado pelas sementes de paz: a diferença está no “trabalho do agricultor, que cuida do campo com justiça e equidade durante a lenta sucessão das estações, que permite que as mudas cresçam e produzam frutos de paz por um longo tempo”, que, no seu tempo, poderão ser compartilhados por todos, sob “todas as cores que marcam o céu nas horas do dia e dos meses do ano”.

Sejam construtores de pontes, jamais de muros!

Assim, a associação compartilha e endossa a exortação do Papa Francisco “para promover o diálogo que constrói a paz”. Também “se compromete a continuar construindo experiências de convivência pacífica”. Na Praça São Pedro, vestidos com a tradicional camisa azul e entusiasmados pelo aniversário de 50 anos da associação, os escoteiros erguiam cartazes em meio aos peregrinos com mensagens de paz para o mundo. “Fazem barulho eles”, chegou a dizer o Papa Francisco, ao mencionar que o grupo ainda estava acompanhado de familiares e da Pastoral Vocacional de Foligno:

“Queridas crianças, exorto vocês a serem corajosos protagonistas nos ambientes em que vivem; acima de tudo, sejam alegres testemunhas do Evangelho, construtores de pontes e jamais de muros, jamais!”

O presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, gravou um vídeo, motivando para a Jornada, e salientando que o rosto do outro nos interpela. “O

O presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, gravou um vídeo, motivando para a Jornada, e salientando que o rosto do outro nos interpela. “O rosto de todo ser humano traz traços do rosto de Deus e, de uma forma toda especial, nos interpela o rosto do pobre. O rosto do pobre nos instiga a alargar o coração e ir ao encontro com aquilo que nós temos: Cuidar dos pobres, não desviar o olhar dos pobres”.

“Por isso nesse dia em que nós celebramos o Dia do Pobre, aliás, todos os dias são dias do pobre, mas a Igreja decidiu um dia especial para sensibilizar a nossa comunidade toda para essa situação que diz de uma desigualdade entre nós e clama por justiça”.

Informações: cnbb.org.br

As guerras têm sido uma constante preocupação nos pronunciamentos do Papa Francisco, principalmente a Ucrânia e o conflito entre Israel e Palestina. Hoje, 08
As guerras têm sido uma constante preocupação nos pronunciamentos do Papa Francisco, principalmente a Ucrânia e o conflito entre Israel e Palestina. Hoje, 08 de novembro na Audiência Geral, Francisco afirmou: “A guerra é sempre uma derrota: não nos esqueçamos”.  leia a matéria publicada no site vaticannews.va

A guerra é sempre uma derrota

Em suas saudações aos peregrinos de língua italiana presentes na Praça São Pedro para a Audiência Geral, o Pontífice invocou insistentemente a paz:

As crianças sofrem, os doentes sofrem, os idosos sofrem e muitos jovens morrem. Não nos esqueçamos de que a guerra é sempre uma derrota.

Olhando ao conflito no Oriente Médio, o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários afirma que cerca de 15 mil pessoas fugiram da Cidade de Gaza na última terça-feira (07/11), em relação às 5 mil da última segunda-feira e 2 mil no domingo. Um número que é considerado um “aumento acentuado”. Enquanto isso, o Exército israelense matou, durante a noite, Mohsen Abu Zina, chefe da produção de armas do Hamas, especialista no desenvolvimento de armas estratégicas e foguetes usados por terroristas, em um ataque aéreo direcionado. Na frente de guerra na Ucrânia, os ministros das Relações Exteriores do G7 se declararam “unidos” em sua determinação de continuar fornecendo “forte apoio” ao país invadido pela Rússia.

Livrar a terra do mal

Em sua bênção aos fiéis de língua árabe, o Papa também invocou proteção “contra todo o mal” e pediu ao Senhor Jesus, em particular, um dom:

A coragem de agir com todos aqueles que trabalham na terra para libertá-la do mal e restaurá-la à sua bondade original.

Secularização, não reclamar, mas testemunhar com fraternidade

Após a catequese, dedicada à figura de Madeleine Delbrêl, Francisco saudou outros grupos de peregrinos dentre os quais os peregrinos de língua francesa, em particular os membros da União Nacional das Associações Familiares Católicas. Em seguida, fez um convite:

Diante de nosso mundo secularizado, não nos queixemos, mas vejamos nele um chamado para provar nossa fé e um convite a comunicar a alegria do Evangelho a todos aqueles que têm sede de Deus. Peçamos ao Senhor a graça de testemunhar nossa fé diariamente por meio da fraternidade e da amizade vivida com cada um.

Convidando os fiéis a se tornarem “pedras vivas a serviço do Senhor”, o Papa recordou a celebração, na quinta-feira, 9 de novembro, da festa litúrgica da Dedicação da Basílica de São João de Latrão: um aniversário, especificou o Bispo de Roma, que deveria provocar este ardor.

Polônia, aniversário da independência: agradecer a Deus

Por fim, o Sucessor de Pedro não mencionou, na sua saudação aos peregrinos poloneses, o iminente aniversário da reconquista da independência da Polônia, que se celebra em 11 de novembro. “Este aniversário os encoraja a ser gratos a Deus”, afirmou o Papa, que exortou: “Transmitam sua história às novas gerações”.

Nas intenções para o mês de novembro, o Papa Francisco pediu orações por sua missão. Um Papa “não perde a sua humanidade” As imagens

Nas intenções para o mês de novembro, o Papa Francisco pediu orações por sua missão.

Um Papa “não perde a sua humanidade”

As imagens que acompanham as palavras do Santo Padre estão também marcadas pelo tom intimista: uma espécie de narrativa do seu pontificado através das emoções. Além dos momentos mais conhecidos, como os primeiros instantes após a sua eleição, há outros quase inéditos, feitos de abraços e orações em diversas partes do mundo. Une-os a grande humanidade contagiosa do Papa Francisco, confirmada, mais uma vez, pela escolha da intenção de oração para este mês e a mensagem que a acompanha.

“Por alguém ser Papa, não perde a sua humanidade. Pelo contrário, a minha humanidade cada dia cresce mais com o povo santo e fiel de Deus. Porque ser Papa também é um processo. Vai-se tomando consciência do que significa ser pastor. E neste processo aprende a ser mais caridoso, mais misericordioso e, sobretudo, mais paciente, como o nosso Deus Pai, que é tão paciente.

Posso imaginar que todos os Papas, no início do seu pontificado, tiveram esse sentimento de medo, de vertigem, de quem sabe que vai ser julgado com dureza. Porque o Senhor aos Bispos vai pedir contas seriamente”, diz ainda Francisco no vídeo.

O Papa pede para ser julgado “com benevolência”

A seguir, o Papa se dirige a todas as pessoas que vão ver e escutar a sua mensagem:

“Por favor, peço-lhes que julguem com benevolência. E que rezem para que o Papa, seja ele quem for, hoje é a minha vez, receba a ajuda do Espírito Santo, seja dócil a essa ajuda”.

Segundo a tradição do Apostolado da Oração, antigo nome da Rede Mundial de Oração do Papa, desde 1879 os Papas confiam mensalmente uma intenção de oração à Igreja, por meio da Rede Mundial de Oração do Papa. Neste mês, a intenção é a seguinte: “Rezemos pelo Papa, para que no exercício da sua missão continue a acompanhar na fé o rebanho a ele confiado por Jesus e sempre com a ajuda do Espírito Santo”.

O Papa conclui o vídeo com um toque de humor: “E rezem por mim. A meu favor”.

Fonte: vaticannews.va

A vida dos santos deve ser conhecida e nos emocionar, foi o que o Papa Francisco pediu hoje, Dia de Todos os Santos, na
A vida dos santos deve ser conhecida e nos emocionar, foi o que o Papa Francisco pediu hoje, Dia de Todos os Santos, na oração do Angelus, e acrescentou: “os santos não são heróis inalcançáveis ou distantes, mas são pessoas como nós”. Leia a publicação do site vaticannews.va

A Praça São Pedro, que na manhã deste 1° de novembro foi ponto de partida para a tradicional Corrida dos Santos já na sua décima quinta edição, também recebeu fiéis do mundo inteiro para rezar junto com o Papa Francisco a oração mariana do Angelus. Nesta quarta-feira (1) de Solenidade de Todos os Santos, o Pontífice propôs uma reflexão sobre a santidade, em particular, sobre duas características: a santidade como um dom, que “é um presente, não se pode comprar”; e ao mesmo tempo como um caminho.

O dom da santidade

“A santidade é um dom de Deus que recebemos no Batismo”, disse o Papa, enaltecendo que, “se o deixarmos crescer, pode mudar completamente nossa vida” (cf. Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, 15) a ponto alcançar a plenitude da vida cristã. Portanto, “os santos não são heróis inalcançáveis ou distantes, mas são pessoas como nós”, continuou Francisco, a partir do dom que cada um recebeu:

“De fato, se pensarmos bem, certamente já conhecemos alguns deles, alguns santos quotidianos: algumas pessoas justas, algumas pessoas que vivem a vida cristã com seriedade, com simplicidade… essas que eu gosto de chamar de ‘os santos da porta ao lado’, que vivem normalmente. A santidade é um dom oferecido a todos para uma vida feliz.”

O caminho da santidade

Todo dom recebido, afirma o Papa, é motivo de comemoração e precisa ser acolhido, porque “traz consigo a responsabilidade de uma resposta, um ‘obrigado’. Mas como se diz esse obrigado? É um convite para se esforçar para que não seja desperdiçado”. É por isso que a santidade também se torna um caminho para “ser feito juntos, ajudando uns aos outros, unidos àqueles ótimos companheiros que são os Santos”, aquele irmão ou irmã mais velho, “com os quais sempre podemos contar”.

Francisco, então recomenda conhecer e se emocionar com a vida deles que são nosso apoio, corrigem quando é necessário, “desejam nosso bem”: “em suas vidas encontramos um exemplo, em suas orações recebemos ajuda e, na comunhão com eles estamos ligados por um vínculo de amor fraterno”, acrescenta o Papa, ao questionar:

“Eu me lembro de ter recebido o dom do Espírito Santo, que me chama à santidade e me ajuda a chegar lá? Agradeço a Ele por isso? Sinto os santos perto de mim e me dirijo a eles? Conheço a história de alguns deles? Faz-nos bem conhecermos a vida dos santos e nos emocionarmos com seus exemplos. Faz-nos muito bem recorrermos a eles na oração.”

A primeira sessão do Sínodo sobre sinodalidade terminou no sábado, 28 de outubro em Roma, após 1 mês de trabalhos. O site vaticannews.va publicou

Ouvir todos, começando pelas vítimas de abusos

Como na Carta ao Povo de Deus, a assembleia sinodal reafirmou “a abertura para ouvir e acompanhar todos, inclusive aqueles que sofreram abusos e ferimentos na Igreja” (1 e). Ao longo do caminho a ser percorrido “rumo à reconciliação e à justiça”, “é preciso abordar as condições estruturais que permitiram tais abusos e fazer gestos concretos de penitência”.

O rosto de uma Igreja sinodal

A sinodalidade é um primeiro passo. Um termo que os próprios participantes do Sínodo admitem ser “desconhecido para muitos membros do Povo de Deus” e “desperta confusão e preocupação em alguns” (1 f), entre aqueles que temem um afastamento da tradição, um rebaixamento da natureza hierárquica da Igreja (1 g), uma perda de poder ou, ao contrário, imobilidade e falta de coragem para mudar. Em vez disso, “sinodal” e “sinodalidade” são termos que “indicam um modo de ser Igreja que articula comunhão, missão e participação”. Portanto, uma maneira de viver a Igreja, valorizando as diferenças e desenvolvendo o envolvimento ativo de todos. Começando pelos presbíteros e bispos: “uma Igreja sinodal não pode prescindir de suas vozes” (1 n), se lê no documento. “Precisamos entender as razões da resistência à sinodalidade por parte de alguns deles”.

Missão

A sinodalidade anda de mãos dadas com a missão, portanto, é necessário que “as comunidades cristãs compartilhem a fraternidade com homens e mulheres de outras religiões, convicções e culturas, evitando, por um lado, o risco da autorreferencialidade e da autopreservação e, por outro, o da perda de identidade” (2 e). Nesse novo “estilo pastoral”, parece importante para muitos tornar “a linguagem litúrgica mais acessível aos fiéis e mais incorporada à diversidade de culturas” (3 l).

Os pobres ao centro

Um amplo espaço no Relatório é dedicado aos pobres, que pedem à Igreja “amor” entendido como “respeito, acolhimento e reconhecimento” (4 a). “Para a Igreja, a opção pelos pobres e descartados é uma categoria teológica antes de ser cultural, sociológica, política ou filosófica” (4 b), reitera o documento, identificando como pobres também os migrantes, os indígenas, as vítimas de violência, de abusos (especialmente mulheres), de racismo e tráfico, pessoas com vícios, minorias, idosos abandonados, trabalhadores explorados (4 c). “Os mais vulneráveis dos vulneráveis, para os quais é necessária uma defesa constante, são as crianças no ventre materno e suas mães”, diz o texto da assembleia, que afirma estar “ciente do grito dos ‘novos pobres’ produzido pelas guerras e pelo terrorismo, também causado por ‘sistemas políticos e econômicos corruptos'”.

Compromisso dos crentes com a política e o bem comum

Nesse sentido, exorta-se um comprometimento da Igreja tanto com a “denúncia pública das injustiças” perpetradas por indivíduos, governos e empresas quanto com o engajamento ativo na política, nas associações, nos sindicatos e nos movimentos populares (4g). Sem descuidar da ação consolidada da Igreja nos campos da educação, da saúde e da assistência social, “sem qualquer discriminação ou exclusão de quem quer que seja” (4 k).

Migrantes

O foco se concentra nos migrantes e refugiados, “muitos dos quais carregam as feridas do desenraizamento, da guerra e da violência”. Eles “se tornam uma fonte de renovação e enriquecimento para as comunidades que os acolhem e uma oportunidade de estabelecer um vínculo direto com Igrejas geograficamente distantes” (5d). Diante de atitudes cada vez mais hostis em relação a eles, o Sínodo convida “a praticar uma acolhida aberta, a acompanhá-los na construção de um novo projeto de vida e a construir uma verdadeira comunhão intercultural entre os povos”. Fundamental nesse sentido é o “respeito às tradições litúrgicas e às práticas religiosas”, bem como à linguagem.

Por exemplo, uma palavra como “missão”, nos contextos em que “a proclamação do Evangelho tem sido associada à colonização e até mesmo ao genocídio”, está carregada de “um doloroso legado histórico” e dificulta a comunhão (5 e). “Evangelizar nesses contextos requer o reconhecimento dos erros cometidos, aprendendo uma nova sensibilidade para essas questões”, afirma o documento.

Combater o racismo e a xenofobia

Pede-se igual empenho e cuidado da Igreja “em educar para uma cultura do diálogo e do encontro, combatendo o racismo e a xenofobia, especialmente nos programas de formação pastoral” (5 p). Também é urgente “identificar os sistemas que criam ou mantêm a injustiça racial dentro da Igreja e combatê-los” (5 q).

Igrejas Orientais

Ainda sobre o tema da migração, o olhar vai para a Europa Oriental e os recentes conflitos que causaram o fluxo de numerosos fiéis do Oriente católico para territórios de maioria latina. “É necessário”, diz o pedido dos padres, “que as Igrejas locais de rito latino, em nome da sinodalidade, ajudem os fiéis orientais que emigraram a preservar a sua identidade”, sem passar por “processos de assimilação” (6c).

No caminho da unidade dos cristãos

No que diz respeito ao ecumenismo, fala-se de uma “renovação espiritual” que requer “processos de arrependimento” e “cura da memória” (7c); em seguida, cita a expressão do Papa de um “ecumenismo do sangue”, ou seja, “cristãos de diferentes pertenças que juntos dão a vida pela fé em Cristo” (7d) e se relança a proposta de um martirológio ecumênico (7o). O Relatório também reitera que a “colaboração entre todos os cristãos” é um recurso “para curar a cultura do ódio, da divisão e da guerra que coloca grupos, povos e nações uns contra os outros”. Ele não esquece a questão dos chamados casamentos mistos, que são realidades nas quais “podemos evangelizar uns aos outros” (7 f).

Leigos e famílias (PARTE II)

“Os leigos e as leigas, os consagrados e as consagradas, e os ministros ordenados têm igual dignidade” (8 b): esse pressuposto é reiterado com força no Relatório de Síntese, que lembra como os fiéis leigos “estão cada vez mais presentes e ativos também no serviço dentro das comunidades cristãs” (8 e). Educadores na fé, teólogos, formadores, animadores espirituais e catequistas, ativos na salvaguarda e na administração: sua contribuição é “indispensável para a missão da Igreja” (8 e). Os diferentes carismas devem, portanto, ser “evidenciados, reconhecidos e plenamente valorizados” (8 f), e não menosprezados, apenas suprindo a falta de sacerdotes, ou pior, ignorados, subutilizados e “clericalizados” (8 f).

Mulheres

Forte é o compromisso pedido à Igreja, então, para o acompanhamento e a compreensão das mulheres em todos os aspectos de suas vidas, incluindo os pastorais e sacramentais. As mulheres, diz o documento, “exigem justiça em uma sociedade marcada pela violência sexual e desigualdades econômicas, e pela tendência de tratá-las como objetos” (9 c). “O acompanhamento e a forte promoção das mulheres andam de mãos dadas”.

Clericalismo e machismo

Muitas mulheres presentes no Sínodo “expressaram profunda gratidão pelo trabalho dos padres e bispos, mas também falaram de uma Igreja que fere” (9f). “O clericalismo, o machismo e o uso inadequado da autoridade continuam a marcar a face da Igreja e a prejudicar a comunhão”. É necessária uma “profunda conversão espiritual e mudanças estruturais”, bem como “um diálogo entre homens e mulheres sem subordinação, exclusão ou competição” (9 h).

Diaconato feminino

As opiniões variam sobre o acesso das mulheres ao diaconato (9 j): para alguns, é um passo “inaceitável”, “em descontinuidade com a Tradição”; para outros, restauraria uma prática da Igreja primitiva; outros ainda o veem como “uma resposta apropriada e necessária aos sinais dos tempos” para “renovar a vitalidade e a energia da Igreja”. Há ainda aqueles que expressam “o temor de que esse pedido seja a expressão de uma perigosa confusão antropológica, aceitando que a Igreja se alinhe com o espírito dos tempos”.

Os padres e as mães do Sínodo pedem para continuar “a pesquisa teológica e pastoral sobre o acesso das mulheres ao diaconato”, usando os resultados das comissões especialmente criadas pelo Papa e a pesquisa teológica, histórica e exegética já realizada: “se possível, os resultados devem ser apresentados na próxima sessão da Assembleia” (9 n).

Discriminação e abusos

Enquanto isso, a urgência de “garantir que as mulheres participem dos processos de tomada de decisão e assumam papéis de responsabilidade no cuidado pastoral e no ministério” é reiterada, e o Direito Canônico deve ser adaptado de acordo (9m). Os casos de discriminação no emprego e remuneração injusta também devem ser abordados, inclusive na Igreja, onde “as mulheres consagradas são frequentemente consideradas mão de obra barata” (9 o). Em vez disso, o acesso das mulheres à educação teológica e aos programas de formação deve ser ampliado (9 p), incluindo a promoção do uso de linguagem inclusiva em textos litúrgicos e documentos da Igreja (9 q).

Vida Consagrada

Observando a riqueza e a variedade das diferentes formas de Vida Consagrada, se adverte contra a “persistência de um estilo autoritário, que não abre espaço para o diálogo fraterno”. É aqui que se geram casos de abusos de vários tipos contra pessoas consagradas e membros de agregações leigas, especialmente mulheres. O problema “requer intervenções decisivas e apropriadas” (10 d).

Diáconos e formação

A gratidão é então expressa aos diáconos “chamados a viver seu serviço ao Povo de Deus em uma atitude de proximidade com as pessoas, de acolhimento e de escuta de todos” (11 b). O perigo é sempre o clericalismo, uma “deformação do sacerdócio” a ser combatida “desde as primeiras etapas da formação”, graças a “um contato vivo” com o povo e com os necessitados (11 c). Nessa linha, pede-se também que os seminários ou outros cursos de formação dos candidatos ao ministério estejam ligados à vida cotidiana das comunidades (11 e), a fim de evitar “os riscos do formalismo e da ideologia que levam a atitudes autoritárias e impedem o verdadeiro crescimento vocacional”.

Celibato

Foi mencionado o tema do celibato, que recebeu diferentes avaliações durante a assembleia. “Todos”, pode-se ser no Relatório, “apreciam seu valor profético e o testemunho de conformação a Cristo; alguns se perguntam se sua adequação teológica com o ministério sacerdotal deve necessariamente se traduzir na Igreja latina em uma obrigação disciplinar, especialmente onde os contextos eclesiais e culturais o tornam mais difícil. Esse não é um tema novo, que precisa ser aprofundado”.

Bispos

Há uma ampla reflexão sobre a figura e o papel do bispo, que é chamado a ser “um exemplo de sinodalidade” (12 c) ao exercer a “corresponsabilidade”, entendida como o envolvimento de outros atores dentro da diocese e do clero, de modo a aliviar a “sobrecarga de compromissos administrativos e jurídicos” que muitas vezes atrapalham sua missão (12 e). Juntamente com isso, o bispo “nem sempre encontra apoio humano e espiritual” e “a experiência dolorosa de certa solidão não é incomum” (12 e).

Casos de abusos

Sobre a questão dos abusos, que “coloca muitos bispos na dificuldade de conciliar o papel de pai e o de juiz” (12 i), sugere-se “considerar a possibilidade de confiar a tarefa judicial a outro órgão, a ser especificado canonicamente” (12 i).

Formação (PARTE III)

Em seguida, pede-se uma “abordagem sinodal” para a formação, recomendando, antes de tudo, “aprofundar o tema da educação afetiva e sexual, acompanhar os jovens em seu caminho de crescimento e apoiar o amadurecimento afetivo daqueles que são chamados ao celibato e à castidade consagrada” (14 g). Pede-se que aprofunde o diálogo com as ciências humanas (14 h) de modo a desenvolver “questões que são controversas até mesmo dentro da Igreja” (15 b).

Ou seja, questões “relacionadas à identidade de gênero e à orientação sexual, ao fim da vida, a situações matrimoniais difíceis e a problemas éticos relacionados à inteligência artificial”. Para a Igreja, essas “colocam questões novas” (15 g). “É importante dedicar o tempo necessário para essa reflexão e investir nela as melhores energias, sem ceder a julgamentos simplificadores que ferem as pessoas e o Corpo da Igreja”, lembrando que “muitas indicações já são oferecidas pelo Magistério e estão esperando para serem traduzidas em iniciativas pastorais apropriadas”.

A escuta

Com a mesma preocupação, o convite é renovado para uma escuta “autêntica” das “pessoas que se sentem marginalizadas ou excluídas da Igreja, por causa de sua situação conjugal, identidade e sexualidade” e que “pedem para serem ouvidas e acompanhadas, e que sua dignidade seja defendida”. Seu desejo é “voltar para ‘casa'”, na Igreja, e “ser ouvido e respeitado, sem medo de se sentir julgado”, afirma a Assembleia, reafirmando que “os cristãos não podem deixar de respeitar a dignidade de qualquer pessoa” (16 h).

Poligamia

À luz das experiências relatadas na assembleia por alguns membros do Sínodo da África, o SECAM (Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagascar) é incentivado a promover “um discernimento teológico e pastoral” sobre a questão da poligamia e “o acompanhamento de pessoas em uniões poligâmicas que estão chegando à fé” (16 q)

Cultura digital

Por fim, o Relatório de Síntese fala sobre o ambiente digital. O incentivo é para “alcançar a cultura atual em todos os espaços onde as pessoas buscam significado e amor, incluindo seus celulares e tablets” (17 c), tendo em mente que a Internet “também pode causar danos e lesões, por exemplo, por meio de bullying, desinformação, exploração sexual e dependência”. É urgente, portanto, “refletir sobre como a comunidade cristã pode apoiar as famílias para garantir que o espaço on-line não seja apenas seguro, mas também espiritualmente vivificante” (17 f).