Notícias da Igreja

Sobre o episódio que resultou na morte do guarda municipal Marcelo Aloizio de Arruda, 50, no último sábado, 9 de julho, em Foz do

Sobre o episódio que resultou na morte do guarda municipal Marcelo Aloizio de Arruda, 50, no último sábado, 9 de julho, em Foz do Iguaçu (PR), o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, afirmou que a “insanidade que transforma uma festa de aniversário, momento de alegria e fraternidade, em cenário de violência e morte não deve ser a referência para o exercício da cidadania no Brasil”. O presidente da CNBB chama a atenção que todos precisam se unir em torno a um compromisso pela paz para que o país se torne mais justo, solidário e fraterno.

Preocupados com o cenário de violência, no último dia 22 de junho, os bispos que integram o Conselho Permanente da CNBB divulgaram uma mensagem ao povo brasileiro com o apelo: “Um clamor pela Paz”. O texto foi aprovado por unanimidade pelos prelados durante a reunião do órgão que é constituído pela presidência da CNBB, pelos presidentes das Comissões Episcopais Pastorais (CONSEP) e pelos membros dos Conselhos Episcopais Regionais (CONSER), os 19 regionais da entidade.

Na mensagem, os membros do Conselho Permanente afirmam que nestes tempos, faz-se urgente escutar as vozes de tantos que, vitimados por variadas formas de violência, clamam por justiça e paz. Salientam que as realidades violência não podem ser naturalizadas e que é impossível aceitar o extermínio de irmãos e irmãs.

Para os bispos urge não fechar os olhos diante da “loucura da corrida armamentista no Brasil” (…).

“A violência precisa ser estancada. Diante de tantas situações que nos envergonham, nós, bispos do Conselho Permanente da CNBB, voltamos a erguer nossa voz para denunciar a violência e solidariamente clamar por paz. Unimo-nos a todas as pessoas e entidades que, de coração sincero, se empenham nessa direção. Enxergamos nesse esforço o Espírito do Deus da Vida que não nos permite desanimar, nem nos deixa enredar pelas artimanhas do mal, por mais astuciosas e aparentemente convincentes que possam ser”.

Por isso, na responsabilidade da missão de pastores, os bispos expressam uma palavra de esperança ao povo brasileiro: “aos sofredores, que não desistam, aos que têm poder de cuidar, defender e promover o bem comum, que não se omitam e aos que diretamente ferem e destroem a paz, que se convertam!”.

“Unamo-nos em favor da verdadeira paz! Não nos deixemos abater! Não nos deixemos frustrar! O Bom Deus escuta os clamores de seu povo! Que a Bem-aventurada Virgem Maria, Rainha da Paz, interceda sempre pelo Brasil e pelo mundo”.

Confira a mensagem do Conselho Permanente a todo o povo brasileiro na íntegra:

UM CLAMOR PELA PAZ

Eu ouvi os clamores do meu povo. (Ex 3,7)

A paz de Jesus Cristo, que proporciona vida em abundância e alegria plena, é um dom precioso de Deus e desejo de todo o ser humano de boa vontade. Contudo, infelizmente, nosso mundo escuta hoje os estrondos da guerra, os gemidos da fome, o ensurdecedor barulho dos tiros que ceifam vidas e ecoam no choro das vítimas e de seus familiares. Soma-se a isso a indiferença, que fecha olhos e corações, as desculpas para nada fazer e as fake-news em seu esforço por tudo encobrir em cortinas de fumaça.

As guerras vão-se multiplicando cruelmente em diversas regiões do mundo, somando-se às abomináveis e impactantes cenas que nos chegam da Ucrânia através da mídia. São invisíveis os conflitos como em Moçambique, Iêmen, Etiópia, Haiti, Mianmar, entre tantos outros, que assumem hoje os contornos de uma “terceira guerra mundial por pedaços” (Papa Francisco, Fratelli Tutti, 25).

Nestes tempos, faz-se urgente escutar as vozes de tantos que, vitimados por variadas formas de violência, clamam por justiça e paz. Esta realidade não pode ser naturalizada. É impossível aceitar o extermínio de irmãos e irmãs. Seus corpos sem vida clamam por justiça e responsabilização. Suas memórias e seus sonhos de paz devem permanecer vivos entre nós.

A desigualdade social, gerada pela concentração de renda, os conflitos religiosos, o ataque sistemático aos territórios dos povos tradicionais, o desprezo e o rechaço aos migrantes e o flagelo da fome são algumas das formas da violência estrutural visibilizada nos tempos de hoje.

Urge não fechar os olhos diante da loucura da corrida armamentista no Brasil. O número de caçadores, atiradores e colecionadores de armas de fogo (CACs), aumentou 325% de 2018 a 2021. “O gasto com armas é um escândalo, suja o coração, suja a humanidade” (Papa Francisco, 21 de março de 2022), particularmente quando alimentado por discursos fundamentalistas, inclusive religiosos, que transformam adversários em inimigos e comprometem a fraternidade.

A violência precisa ser estancada. Diante de tantas situações que nos envergonham, nós, bispos do Conselho Permanente da CNBB, voltamos a erguer nossa voz para denunciar a violência e solidariamente clamar por paz. Unimo-nos a todas as pessoas e entidades que, de coração sincero, se empenham nessa direção. Enxergamos nesse esforço o Espírito do Deus da Vida que não nos permite desanimar, nem nos deixa enredar pelas artimanhas do mal, por mais astuciosas e aparentemente convincentes que possam ser.

A vida é o maior dom! Cuidar responsavelmente da vida implica trabalhar artesanalmente pela paz (Papa Francisco, Fratelli Tutti, 225), a justiça social e o bem comum, sempre no respeito pelas diferenças, valorizando a liberdade religiosa e a verdade, dialogando até a exaustão, pois tudo isso é condição para a verdadeira paz.

Por isso, na responsabilidade de nossa missão de pastores, queremos expressar nossa palavra de esperança: aos sofredores, que não desistam, aos que têm poder de cuidar, defender e promover o bem comum, que não se omitam e aos que diretamente ferem e destroem a paz, que se convertam!

Unamo-nos em favor da verdadeira paz! Não nos deixemos abater! Não nos deixemos frustrar! O Bom Deus escuta os clamores de seu povo! Que a Bem-aventurada Virgem Maria, Rainha da Paz, interceda sempre pelo Brasil e pelo mundo.

Brasília-DF, 22 de junho de 2022.

Fonte: CNBB

O Papa  estará presente no evento Economia de Francisco. Leia a matéria publicada no site do Vaticano. “Rezamos pela saúde do Papa Francisco e
O Papa  estará presente no evento Economia de Francisco. Leia a matéria publicada no site do Vaticano.
“Rezamos pela saúde do Papa Francisco e continuamos a seguir em frente com ainda mais entusiasmo e força nas atividades de organização do primeiro encontro global presencial em Assis. Estamos trabalhando para acolher jovens de mais de 100 países de todo o mundo – explicam os organizadores, que trabalharam ativamente nestes últimos meses – e aqueles que têm o desejo de contribuir para uma nova época de pensamento e práticas econômicas”.

O Papa Francisco estará em Assis no dia 24 de setembro para o evento The Economy of Francesco (EoF), programado para se realizar de 22 a 24 de setembro de 2022 na cidade seráfica. O Santo Padre expressou com entusiasmo seu desejo de estar presente e encontrar os jovens economistas, empreendedores e agentes de mudança do mundo, que estão envolvidos há três anos na “Economia de Francisco”, o processo desejado pelo próprio Pontífice, para lançar as bases de uma nova economia, mais justa, equa e fraterna.

Nestes anos, o Santo Padre sempre se manteve atualizado sobre as atividades realizadas pelos jovens a quem deu palavras de inspiração e encorajamento em duas mensagens em vídeo por ocasião dos eventos da “Economia de Francisco” que foram realizados on-line em 2020 e 2021, devido à pandemia. Agora a confirmação do encontro presencial em Assis.

“Uma confirmação que nos enche de alegria: somos imensamente gratos ao Santo Padre”, é o comentário da comissão organizadora formada pelo bispo de Assis, Dom Domenico Sorrentino, pelo professor Luigino Bruni, pela presidente do Seráfico de Assis, Francesca Di Maolo, com o patrocínio do Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral (DSSUI).

“Rezamos pela saúde do Papa Francisco e continuamos a seguir em frente com ainda mais entusiasmo e força nas atividades de organização do primeiro encontro global presencial em Assis. Estamos trabalhando para acolher jovens de mais de 100 países de todo o mundo – explicam os organizadores, que têm trabalhado intensamente últimos meses – e aqueles que têm o desejo de contribuir para uma nova época de pensamento e práticas econômicas”.

O programa da visita do Papa prevê a saída às 9h00 do dia 24 do heliporto do Vaticano, o desembarque na praça próxima do Palaeventi e o traslado do Santo Padre de carro para o vizinho teatro Lyrick de Santa Maria degli Angeli.

Ali, ele será recebido por três jovens da “Economia de Francisco”, pelo prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, cardeal Michael Czerny, por Dom Sorrentino, autoridades civis, membros do Comitê Organizador, representantes das famílias franciscanas e da Pro Civitate Christiana.

O Pontífice, às 10h00, chegará ao palco onde, após um momento artístico-cultural, terão lugar as boas-vindas, a apresentação e oito testemunhos de jovens de todo o mundo. O Papa fará então o seu discurso e assinará o Pacto com os jovens da Economia para iniciar a mudança na economia por ele mesmo desejada.

O programa completo dos três dias, que se realizará entre o teatro Lyrick, o Palaeventi em Santa Maria degli Angeli e o centro histórico com algumas conferências, workshops e vilas temáticas, centrar-se-á na coleta das ideias e experiências geradas em todo o mundo nestes três anos de trabalho.

“Haverá espaço – antecipa a comissão organizadora – para momentos de diálogo entre os jovens com figuras de renome internacional, para discutir as suas propostas e continuar a aprofundar os grandes desafios do nosso tempo, a começar pela construção de uma economia de paz. Estará disponível uma área permanente incubadora para ideias-projetos, sessões de networking e workshops temáticos”.

Entre os palestrantes do evento, Vandana Shiva, Jeffrey Sachs, Kate Raworth, Gael Giraud, Sabina Alkire, Helen Alford, Vilson Groh e Stefano Zamagni.

Quem são os jovens da Economia de Francisco?

Os participantes são jovens de todo o mundo que nestes três anos criaram uma verdadeira comunidade que produziu projetos, iniciativas, estudos e materiais de aprofundamento.

A idade média dos participantes da Economia de Francisco é de 28 anos, 30% vêm do mundo dos negócios e outros 30% da pesquisa, enquanto 40% são agentes de mudança (estudantes, movimentos sociais, ONGs).

A maior parte deles é proveniente da Europa (35%) e América Central – do Sul (30%), África (20%), mas Ásia e América do Norte também estarão representadas, de onde virão 8 e 6% dos participantes, respectivamente.

Os jovens de Assis se reunirão nas 12 “aldeias” ou “vilas” temáticas que darão seguimento às virtuais nas quais se trabalhou nestes dois anos de pandemia: Trabalho e cuidado; Gestão e doação; Finanças e humanidade; Agricultura e justiça; Energia e pobreza; Vocação e lucro; Políticas para a felicidade; CO2 da desigualdade; Negócios e Paz; Economia é mulher; Empresas em transição; Vida e estilos de vida.

Os números da Economia de Francisco

Tudo começou com o convite que o Papa Francisco enviou em 1º de maio de 2019 a economistas, agentes de mudança, empreendedores e empreendedoras com menos de 35 anos em todo o mundo. Nos dois anos anteriores, apesar da pandemia, foram envolvidos milhares de jovens de 120 países dos cinco continentes, principalmente da Itália, Brasil, EUA, Argentina, Espanha, Portugal, França, México, Alemanha e Reino Unido.

Foram dois eventos globais on-line realizados com transmissão ao vivo com mais de 500.000 visualizações, mais de 50 webinars, cerca de 25 projetos empreendedores, 2 The Economy of Francesco School on-line e uma Escola de Verão presencial, uma EoF Academy com 18 pesquisadores e 25 membros seniores.

Mais de 50 especialistas de renome internacional também estiveram envolvidos (incluindo 3 ganhadores do Prêmio Nobel) e o Papa dirigiu duas mensagens em vídeo aos jovens.

Todas as informações e notícias estão disponíveis no site www.francescoeconomy.org e nas redes sociais oficiais do evento: Facebook @francescoeconomy; Instagram @francesco_economy; Twitter @FrancescoEcon; YouTube e Flickr.

Os participantes da Conferência Europeia da Juventude receberam mensagem do Papa Francisco. Abaixo a matéria publicada no site do Vaticano: O Papa Francisco enviou

Os participantes da Conferência Europeia da Juventude receberam mensagem do Papa Francisco. Abaixo a matéria publicada no site do Vaticano:

O Papa Francisco enviou uma mensagem aos participantes da Conferência Europeia da Juventude, que se realiza de 11 a 13 de julho em Praga, na República Tcheca, convidando-os a transformar o “Velho Continente” num “continente novo”, e isto só é possível convosco, frisou.

“Vós, jovens europeus, tendes uma missão importante. Se outrora os vossos antepassados se aventuraram para outros continentes, nem sempre por interesses nobres, agora compete-vos a vós apresentar ao mundo um novo rosto da Europa”, é a exortação do Pontífice já no início de sua mensagem. Francisco dedica grande parte da mesma à iniciativa, lançada em setembro de 2019, designada Pacto Educativo Global.

Educar as gerações para a fraternidade

“Trata-se duma aliança entre os educadores de todo o mundo com a finalidade de educar as gerações jovens para a fraternidade. Mas, vendo como está a andar este mundo guiado por adultos e idosos, parece que deveríeis antes ser vós a educar os adultos para a fraternidade e a convivência pacífica!” – observa.

Entre os primeiros compromissos do Pacto Educativo, aparece o de ouvir as crianças, os adolescentes e os jovens. Por isso, acrescenta o Santo Padre, “queridos jovens, fazei ouvir a vossa voz! Se não vos ouvirem, gritai ainda mais forte, fazei rumor, tendes todo o direito de dar a vossa opinião sobre o que diz respeito ao vosso futuro. Encorajo-vos a ser empreendedores, criativos e críticos”.

Paulo Freire: todos chamados a educar-nos em comunhão

Neste Pacto, não há “remetentes” e “destinatários”, mas todos somos chamados a educar-nos em comunhão, como sugeria o pedagogo brasileiro Paulo Freire, aponta o Pontífice.

De entre as várias propostas do Pacto Educativo Global, o Papa destaca a de “abrir-se ao acolhimento”, ou seja, o valor da inclusão, referida também na Conferência dos jovens. Francisco exorta os jovens a não se deixarem “arrastar por ideologias míopes que pretendem mostrar-vos o outro, o diverso como um inimigo”.

O Santo Padre destaca ainda que o objetivo principal do Pacto Educativo é educar a todos para uma vida mais fraterna, baseada, não na competitividade, mas na solidariedade.

Conflito na Ucrânia, uma guerra absurda

O Papa volta seu olhar para o conflito na Ucrânia: “Queridos jovens, ao mesmo tempo que estais a realizar a vossa Conferência, na Ucrânia (que não é União Europeia, mas é Europa), combate-se uma guerra absurda. Esta, juntando-se aos numerosos conflitos em curso em diversas regiões do mundo, torna ainda mais urgente um Pacto Educativo que a todos instrua para a fraternidade”.

Francisco acrescenta que a ideia duma Europa Unida brotou dum forte anseio de paz, depois de tantas guerras travadas no Continente, e levou a um período de paz que durou setenta anos. “Agora todos nos devemos empenhar para pôr fim a esta loucura da guerra, onde, como de costume, uns poucos poderosos decidem e mandam a combater e morrer milhares de jovens. Em casos como este, é legítimo rebelar-se!”

Europa seja, para todos,  terra de paz, liberdade e dignidade

Disse alguém que, se o mundo fosse governado pelas mulheres, não haveria tantas guerras, porque elas que têm a missão de dar a vida não podem abraçar opções de morte, disse ainda o Santo Padre. “De modo semelhante apraz-me pensar que, se o mundo fosse governado pelos jovens, não haveria tantas guerras: aqueles que têm toda a vida diante de si, não a querem esfrangalhar e malbaratar, mas vivê-la em plenitude”, ressalta.

Antes de concluir, o Pontífice os convida a todos para a Jornada Mundial da Juventude do próximo ano em Lisboa, “onde podeis partilhar os vossos sonhos mais belos com jovens de todo o mundo”.

Por fim, o Papa Francisco faz uma premente exortação aos participantes da Conferência: “que sejais jovens generativos, capazes de gerar novas ideias, novas visões do mundo, da economia, da política, da convivência social; e não só novas ideias, mas sobretudo novos caminhos para serem percorridos juntos. E que sejais generosos também em gerar novas vidas, sempre e só por amor! Amor ao vosso marido e à vossa esposa, amor à família, amor aos vossos filhos, e também amor à Europa a fim de ser, para todos, terra de paz, liberdade e dignidade”.

Matéria publicada no site do Vaticano: O Santo Padre encontrou-se com o sacerdote argentino Guillermo Marcó, que esteve à frente da Assessoria de Imprensa
Matéria publicada no site do Vaticano:
O Santo Padre encontrou-se com o sacerdote argentino Guillermo Marcó, que esteve à frente da Assessoria de Imprensa do Arcebispado de Buenos Aires por 10 anos, enquanto Bergoglio era o titular da sede. Parte da conversa foi transmitida no podcast do presbítero.

“Meu coração é um depósito, está cheio de coisas que guardo. Eu tenho que ampliar as prateleiras todas as vezes. Nisso sou um pouco ‘colecionador’ no bom sentido da palavra, não quero perder nada do bem que as pessoas me dão. As pessoas nos gratificam muito, com exemplos, com palavras, com um ou dois fatos. O sacerdote está lá para ensinar as pessoas, mas acho que aprendemos muito com as pessoas se olharmos para elas.”

Assim começa a entrevista que o Papa Francisco concedeu ao sacerdote argentino Guillermo Marcó, que estava à frente da Assessoria de Imprensa do Arcebispado de Buenos Aires enquanto Bergoglio era arcebispo. Os 22 minutos da conversa, que durou uma hora e meia no total e realizou-se em 9 de junho, foram publicados no domingo, 3 de julho, no “Marcó tu semana, de la tele a las servicios”, podcast produzido por Marcó.

A conversa concentrou-se em questões mais pessoais do Pontífice: sua vida espiritual, sua etapa fora da Argentina; assuntos conjunturais não são abordados. Ao ver que todos esses temas eram tratados em outros meios de comunicação, o sacerdote preferiu abordar temas “da vida mais simples”, fazendo-lhe “perguntas que muitas vezes eu me faço, porque quando você conhece alguém, sabe como viveu, sabe como rezou”, destacou o porta-voz na apresentação de seu podcast.

“Muitas vezes ele dizia, diante de um problema: ‘Bom, deixa eu rezar e depois eu lhe respondo'”, comentou Marcó.

Como é a oração de um Papa?

A primeira questão que discutiram foi sobre a vida de oração. Francisco afirmou que “a oração do bispo é cuidar do rebanho, dizendo em termos evangélicos, e o Papa é um bispo, então continua com o mesmo estilo. É semelhante: pedir, interceder e agradecer por todo o bem que se faz.”

“O senhor ainda acorda de madrugada para rezar?”, lhe perguntou Marcó, e o Bispo de Roma respondeu: “Sim, sim, porque se você não rezar de manhã, não reza mais, pois o moedor de carne pega você.”

Passear, a maior saudade da vida em Buenos Aires

O que o Sucessor de Pedro mais sente falta da capital argentina é a possibilidade de passear, como ele mesmo explicou:

“Em Buenos Aires, eu caminhava ou pegava ônibus, etc. Aqui nas duas vezes que eu tive que sair me pegaram em flagrante. Duas vezes, no inverno. Às sete da noite que não passa ninguém e está tudo escuro, eu fui à ótica, uma senhora da varanda (gritou) ‘O Papa!’, e aí acabou. Depois, eu fui à loja de discos e não havia ninguém lá. Eu fui abençoá-la porque era uma loja de discos de amigos que a tinham reestruturado. Eles me perguntaram: ‘Por que não vem você que nos ajudou tanto?’ Então eu fui. Estava escuro… Ali perto tem um ponto de táxi e o meu azar foi que ali tinha um jornalista esperando um amigo para pegar um táxi”.

Como se sente diante da imensa responsabilidade?

Em relação ao seu estado de ânimo diante de sua missão à frente da Igreja, o Papa disse que o “Espírito Santo lhe dá muitos frutos, mas nunca se diz que ele nos anestesia e às vezes me sinto anestesiado diante de situações que nos fariam sofrer muito e, mesmo permanecendo naquela situação, posso me mover.

“Onde há uma crise, se cresce”

Outro tema discutido na entrevista foi a gestão de crises: “Uma das coisas que aprendi aqui é que não sabemos lidar com as crises, e as crises nos fazem crescer”, disse o Papa.

Depois, Francisco citou os fundadores da União Europeia como exemplos de homens que souberam lidar com as crises e cresceram com elas, “não as transformaram em conflito, ou branco ou preto”.

“Quando você transforma uma crise em conflito, você perde. A unidade é maior que o conflito, ou seja, o conflito reduz a pessoa”, disse ele.

O testemunho da velhice na primeira pessoa

Por fim, referindo-se ao ciclo de catequeses sobre os idosos, que o Bispo de Roma iniciou em 23 de fevereiro deste ano durante as Audiências Gerais, Marcó quis saber como o Papa enfrenta essa etapa de sua vida: “Eu, nessa idade, rio de mim mesmo e sigo em frente”, concluiu Francisco.

Aprovada Lei proposta pela CNBB. Leia a matéria publicada no site da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil: A proposta da Presidência da Conferência

Aprovada Lei proposta pela CNBB. Leia a matéria publicada no site da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil:

A proposta da Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para instituir a campanha Junho Verde virou lei. Com o número 14.393/2022, a norma altera a Política Nacional de Educação Ambiental e institui a celebração do mês temático como parte das atividades educativas na relação com o meio ambiente. O texto foi sancionado na segunda-feira, 4 de julho.

O objetivo da Campanha Junho Verde, segundo o texto sancionado, é “desenvolver o entendimento da população acerca da importância da conservação dos ecossistemas naturais e de todos os seres vivos e do controle da poluição e da degradação dos recursos naturais, para as presentes e futuras gerações”.

Para o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, a campanha Junho Verde “é passo importante na consolidação do entendimento de que todos devem buscar o desenvolvimento integral, que considera a essencialidade do equilíbrio na Casa Comum”. Ele espera que a Lei “possa inspirar o nascimento de um novo tempo, com avanços na defesa da centralidade da vida”.

Destaque no texto é a indicação que as iniciativas da campanha devem observar o conceito de Ecologia Integral, que inclui dimensões humanas e sociais dos desafios ambientais. É este o conceito que permeia as reflexões e os apontamentos do Papa Francisco na encíclica Laudato Si’ – sobre o cuidado da casa comum.

 

Ações em vários níveis

A lei estabelece que a Campanha Junho Verde será promovida pelo poder público federal, estadual, distrital e municipal em parceria com escolas, universidades, empresas públicas e privadas, igrejas, comércio, entidades da sociedade civil, comunidades tradicionais e populações indígenas.

A campanha deverá incluir ações voltadas para divulgação de informações, sensibilização para boa relação com os recursos naturais e promoção de debates sobre temas relacionados a ecologia, por exemplo. São 16 iniciativas listadas na lei.

Confira o texto na íntegra. 

CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil disponibiliza materiais para a Campanha Missionária 2022. Veja a matéria publicada no site da CNBB. “A Igreja

CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil disponibiliza materiais para a Campanha Missionária 2022. Veja a matéria publicada no site da CNBB.

“A Igreja é missão” será o tema que vai animar a Campanha Missionária de 2022, durante o mês de outubro nas dioceses de todo o Brasil. O tema está acompanhado da inspiração bíblica escolhida pelo Papa Francisco para o mês missionário: “Sereis minhas testemunhas” (At 1,8). Em 2022, a Campanha Missionária completa seus 50 anos de história, celebrada em todo o Brasil com a vivência do Ano Jubilar Missionário.

Durante o mês missionário, as Arquidioceses, Dioceses e Prelazias são convidadas a motivar todo o Povo de Deus na organização da Campanha Missionária. Para isso, são disponibilizados materiais de animação (novena missionária, vídeos com testemunhos, cartazes, santinhos, mensagem do Papa, envelopes de coleta) que colaboram com a reflexão da mensagem, em unidade com toda a Igreja. O tema e o lema apresentados concluem o caminho de três anos em que se destacou a natureza missionária da Igreja, que não se reduz a uma dimensão ou em atividades: “A vida é missão”, em 2020, “Jesus Cristo é missão”, em 2021, e “A Igreja é missão”, em 2022.

Sobre o cartaz

A construção da arte da Campanha Missionária 2022 seguiu a intuição da janela que se abre para o mundo. Na janela e dentro do mapa do Brasil, aparecem rostos de missionários e missionárias Ad Gentes. As cores da arte seguem a identidade visual do Ano Jubilar Missionário que nos convida a uma grande explosão missionária aberta à universalidade, como propõe o Programa Missionário Nacional: para cada Regional da CNBB, um projeto Ad Gentes; e cada Igreja Particular assumir um projeto de Igrejas irmãs.

A beata Pauline Marie Jaricot está no centro deste cartaz, a grande motivadora do surgimento das Pontifícias Obras Missionárias (POM) como rede mundial de oração e solidariedade a serviço do Papa e das Igrejas locais. Nascida em Lyon em 22 de julho de 1799, ela fundou a obra da Propagação da Fé em 3 de maio de 1822. Pauline e algumas pessoas de Lyon viram a importância da universalidade da missão, e se organizaram para apoiar diversos missionários e missionárias. Desde os primeiros anos da obra, o desejo era claro: apoiar todos os missionários necessitados de ajuda espiritual e material.

Além do testemunho de Pauline, são apresentados na novena missionária testemunhos de cristãos leigos e leigas, da vida consagrada, de ministros ordenados, de povos originários, do Povo de Deus das Igrejas locais e dos invisibilizados que nos confins do mundo testemunham o Evangelho de Jesus Cristo, tendo o Espírito Santo como protagonista da missão.

Acesse todos os materiais da Campanha Missionária 2022 no site: www.pom.org.br/cm2022

Quem organiza a Campanha Missionária?

As Pontifícias Obras Missionárias (POM) têm a responsabilidade de organizar a Campanha Missionária, realizada sempre no mês de outubro, na Igreja de todo o Brasil. Colaboram nesta ação a CNBB por meio da Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial e outros organismos que compõem o Conselho Missionário Nacional (COMINA). Porém, para a real efetivação do mês missionário nas comunidades, é indispensável que os Conselhos Missionários Diocesanos (COMIDI) e Conselhos Missionários Paroquiais (COMIPA) articulem a distribuição do material nas paróquias e comunidades, bem como a organização de um calendário de atividades que animem a missão durante o mês.

Dia Mundial das Missões

Nos dias 22 e 23 de outubro, as Arquidioceses, Dioceses e Prelazias animam a Coleta Missionária em todo o Brasil. Nestes dias, as ofertas são integralmente enviadas às Pontifícias Obras Missionárias (POM) que as repassam ao Fundo Universal de Solidariedade para apoiar projetos em todo o mundo.

Em 2021, este fundo colaborou com 1.050 dioceses pobres, nos territórios de missão nos cinco continentes, distribuindo mais de R$ 418 milhões, fruto das doações da coleta missionária. O Brasil contribuiu com a doação de mais de R$ 6 milhões. Foram ajudados projetos nas áreas de catequese, obras sociais, comunicação, cuidado pastoral para crianças, animação e formação missionária, educação escolar, proteção à vida e formação de seminaristas.

Saiba mais sobre essas doações no site www.pom.org.br/cm2022

Ano Jubilar Missionário

De maneira especial, neste ano, no âmbito internacional celebramos 400 anos de criação da Congregação para Evangelização dos Povos, 100 anos que o Papa Pio XI concedeu as Obras Missionárias um caráter Pontifício e a beatificação de Paulina Jaricot que há 200 anos fundou a Pontifícia Obra da Propagação da Fé. No âmbito nacional celebramos 50 anos de criação do Conselho Missionário Nacional (COMINA); 50 anos das Campanhas Missionárias; 50 anos dos Projetos Igrejas Irmãs; 50 anos do Conselho Missionário Indigenista (CIMI), 50 anos do Documento de Santarém, 60 anos do CCM e 70 anos da criação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Morreu nesta segunda (04) o Eminentíssimo Cardeal Cláudio Hummes, Arcebispo emérito de São Paulo e Prefeito emérito da Congregação para o Clero, com a

Morreu nesta segunda (04) o Eminentíssimo Cardeal Cláudio Hummes, Arcebispo emérito de São Paulo e Prefeito emérito da Congregação para o Clero, com a idade de 87 anos, após prolongada enfermidade.

A Arquidiocese de Vitória agradece a Deus pela vida do Cardeal Cláudio Hummes e por todo legado deixado para a  Igreja. Unida à arquidiocese de São Paulo e ao bispo arquidiocesano, dom Odilo Scherer, a Arquidiocese reza pelo Cardeal Hummes para que Deus o acolha em seu Reino.

O velório será na Catedral da Sé, em São Paulo. Em nota, Dom Odilo Scherer pediu preces em seu favor, “para que Deus o acolha e lhe dê a vida eterna, como creu e esperou.”

Leia a nota de pesar do Arcebispo de São Paulo

História do Cardial Cláudio Hummes

Nascido em Montenegro, Rio Grande do Sul, de família de origem alemã, Auri Afonso – este é o seu nome de Batismo – assumiu o nome religioso Cláudio ao ingressar na Ordem dos Frades Menores em 1956. Em Roma estudou filosofia e especializou-se em ecumenismo no Bossey Institute em Genebra; foi professor, reitor, teólogo, bispo. Passou vinte e um anos, a partir de 1975, em Santo André, onde se destacou pela defesa dos trabalhadores, por apoiar os sindicatos e participar de greves como bispo encarregado da Pastoral Operária em todo o Brasil. Em 1996 foi nomeado arcebispo de Fortaleza, no Ceará. Durante seus dois anos de ministério foi responsável pela família e cultura na Conferência Episcopal Brasileira em Brasília. Foi, portanto, um dos arquitetos do II Encontro Mundial das Famílias com o Papa, realizado no Rio de Janeiro em 1997.

Em 15 de abril de 1998, João Paulo II o quis como arcebispo metropolitano de São Paulo, onde deu impulso à pastoral vocacional, à formação dos sacerdotes e à evangelização da cidade. O papel desempenhado no campo da comunicação de massa também foi importante, porque a Igreja – afirmou – tinha que falar com a cidade, aproximando os católicos e levando o Evangelho às famílias.

Wojtyla também o criou cardeal em 21 de fevereiro de 2001. Em seguida, participou do Conclave em abril de 2005 que elegeu Joseph Ratzinger. E o próprio Bento XVI o nomeou prefeito da Congregação para o Clero em 2006, em sucessão ao cardeal Darío Castrillón Hoyos. Em maio de 2007 participou da V Conferência Episcopal Latino-Americana, mais conhecida como Conferência de Aparecida, cujo relator do documento final foi o cardeal Bergoglio.

Em 2010, Hummes renunciou ao cargo de prefeito e presidente do Conselho Internacional de Catequese, órgão vinculado à Congregação, ao atingir o limite de idade. Em 29 de junho de 2020 foi eleito presidente da Conferência Eclesial da Amazônia, instituída como uma “ferramenta eficaz” para implementar muitas das propostas que surgiram do Sínodo e se tornar “uma ponte que anima outras redes e iniciativas. ambientais a nível continental e internacional”. O que Dom Cláudio tentou fazer até os últimos dias de sua vida terrena.

Participou das últimas votações do Conclave de 2013 que elegeu o arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio. Ao amigo argentino, sentado ao seu lado, quando alcançou o número de votos necessários para ser eleito, sussurrou-lhe ao ouvido: “Não se esqueça dos pobres”. Da intuição surgiu outra intuição do Papa recém-eleito para a escolha do nome. Foi o próprio Francisco a revelar aos jornalistas que encontrou na Sala Paulo VI em 16 de março de 2013: Tinha ao meu lado o Cardeal Cláudio Hummes, o arcebispo emérito de São Paulo e também prefeito emérito da Congregação para o Clero: um grande amigo, um grande amigo! Quando o caso começava a tornar-se um pouco «perigoso», ele animava-me. E quando os votos atingiram dois terços, surgiu o habitual aplauso, porque foi eleito o Papa. Ele abraçou-me, beijou-me e disse-me: «Não te esqueças dos pobres!» E aquela palavra gravou-se-me na cabeça: os pobres, os pobres. Logo depois, associando com os pobres, pensei em Francisco de Assis. 

Hummes alegrou-se com aquela eleição e ao Papa, pelos microfones da Rádio Vaticano, desejou “um pontificado prolongado”, porque, afirmou, “a Igreja precisa deste pontificado, a Igreja precisa deste projeto que ele manifesta e que colocou em andamento”.

Hummes sempre rezou pela Igreja, para que ela fosse sempre firme e unida, não cedendo às ameaças externas e internas. “A Igreja defende a sua unidade como unidade da pluralidade. As divisões são um mal”, disse o cardeal, diante de quem questionava a autoridade do Papa.

Nesta Igreja que desejava pobre e sempre “em saída”, o arcebispo emérito de São Paulo fazia votos que pudesse ressoar com força a voz das populações amazônicas, feridas pelo desmatamento, por projetos predatórios e doenças da terra e das pessoas, bem como os problemas pastorais. Outro motivo de grande alegria para o cardeal foi, de fato, a convocação do Sínodo para a Região Pan-Amazônica em outubro de 2019, uma oportunidade para concentrar a atenção coletiva em uma parte do mundo muitas vezes esquecida.

Ao contrário daqueles que olharam apenas para os resultados imediatos do Sínodo, julgados insatisfatórios em relação aos pedidos de muitos dos participantes, Hummes sempre olhou além da assembleia no Vaticano. Não ao Sínodo, mas ao processo que o Sínodo abriria na Amazônia e no mundo.

Nos últimos tempos, especialmente desde 2020, ano de sua nomeação como presidente da recém-criada Conferência Eclesial da Amazônia, insistia de fato na “aplicação” das indicações do Sínodo. “O Sínodo é o ponto alto que ilumina os caminhos. Porém continua agora, todo o processo continuará também na aplicação pós-sinodal, no território e em todos os lugares onde exista uma conexão”, disse sempre aos meios de comunicação vaticanos, através dos quais denunciou também a “grave crise climática e ecológica” que realmente coloca em risco “o futuro do planeta e, portanto, o futuro da humanidade”.

Esta mesma urgência foi reiterada pelo cardeal em uma carta de julho de 2021, na qual pedia ao mundo que passasse do “ter que fazer”, portanto de belas promessas, ao “fazer”, ou seja, à ação concreta, para que as resoluções do Sínodo na Amazônia não caiam no vazio, mas encontrem aplicação prática nas diversas comunidades. “Está certo em continuar discernindo o que devemos fazer, mas mesmo que isso seja bom, não é o suficiente”, escreveu o cardeal.

Fonte: Vaticano News

 

Os rumores sobre renúncia do Papa e doença grave foram desmentidos pelo Pontífice. Leia a matéria publicada no site do Vaticano: O Papa Francisco

Os rumores sobre renúncia do Papa e doença grave foram desmentidos pelo Pontífice. Leia a matéria publicada no site do Vaticano:

O Papa Francisco nega ter qualquer intenção de renunciar (“Nunca me passou pela cabeça. Não por enquanto”), nega os rumores de que ele estaria doente de câncer. E reitera, ao invés, seu desejo de ir à Rússia e Ucrânia assim que for possível, talvez em setembro. Também diz respeitar a decisão da Suprema Corte dos EUA sobre a interrupção da gravidez e reitera sua forte condenação ao aborto. O Bispo de Roma concedeu uma longa entrevista ao correspondente da Reuters, Phil Pullella, no sábado. O encontro durou cerca de 90 minutos e este é um relato inicial com alguns dos conteúdos publicados pela agência.

Como é sabido, de acordo com vários artigos e comentários na mídia, alguns eventos recentes ou programados (desde o consistório no final de agosto até a visita a L’Aquila onde Celestino V, que renunciou em 1294, está enterrado) sugeririam a intenção do Papa de renunciar ao pontificado. Mas Francisco desmentiu esta interpretação: “Todas estas coincidências fizeram alguns pensarem que a mesma ‘liturgia’ ocorreria. Mas isso nunca me passou pela cabeça. Não por enquanto, não por enquanto. Realmente!” Ao mesmo tempo, o Papa, como havia feito várias vezes no passado, explicou que a possibilidade de renunciar é levada em consideração, sobretudo após a escolha feita por Bento XVI em 2013, caso a saúde o impossibilite de continuar em seu ministério. Mas quando perguntado quando isso poderia acontecer, respondeu: “Não sabemos. Deus dirá”, com palavras semelhantes às usadas na sexta-feira 1º de julho em uma entrevista com a agência de notícias Télam.

Sobre a questão dos problemas no joelho, Francisco falou sobre o adiamento da viagem à África e da necessidade de terapia e descanso. Ele disse que a decisão de adiar lhe causou “muito sofrimento”, sobretudo porque ele queria promover a paz tanto na República Democrática do Congo quanto no Sudão do Sul. O Papa, observa o entrevistador, usou uma bengala para entrar na sala de recepção no andar térreo da Casa Santa Marta, no Vaticano. E em seguida deu detalhes sobre o estado de seu joelho, dizendo que sofreu “uma pequena fratura” quando deu um passo falso enquanto um ligamento estava inflamado. “Estou bem, estou melhorando lentamente”, acrescentou, explicando que a fratura está curando, auxiliada pela terapia com laser e magnetes.

Em seguida, Francisco desmentiu os rumores de que havia sido diagnosticado com câncer há um ano, quando foi submetido a uma operação de seis horas para remover uma parte de seu cólon devido a diverticulite, uma condição comum em idosos. “A operação foi um grande sucesso”, disse o Papa, acrescentando com um sorriso em seu rosto que “eles não me disseram nada” sobre o suposto câncer, o que descartou como “fofocas de corte”. Sucessivamente, declarou à Reuters que não queria uma operação no joelho porque a anestesia geral da cirurgia do ano passado tinha tido efeitos colaterais negativos.

A entrevista abordou em seguida questões internacionais. Falando da situação na Ucrânia, Francisco observou que houve contatos entre o Secretário de Estado Pietro Parolin e o Ministro das Relações Exteriores russo Sergei Lavrov, sobre uma possível viagem a Moscou. Os sinais iniciais não eram bons. Falou-se desta possível viagem pela primeira vez há vários meses, disse o Papa, explicando que Moscou respondeu que este não era o momento certo. Deixou entender, no entanto, que algo poderia ter mudado agora. “Eu gostaria de ir à Ucrânia e queria ir primeiro a Moscou. Trocamos mensagens sobre isso, porque pensei que se o presidente russo me concedesse uma pequena janela para servir a causa da paz…. E agora é possível, depois que eu voltar do Canadá, que eu consiga ir à Ucrânia. A primeira coisa a fazer é ir à Rússia para tentar ajudar de alguma forma, mas eu gostaria de ir às duas capitais.”

Por fim, o Papa na entrevista com Phil Pullella tocou no assunto da decisão da Suprema Corte dos EUA que derrubou a histórica decisão Roe contra Wade que estabelecia o direito de uma mulher a abortar, Francisco disse que respeitava a decisão, mas não tinha informações suficientes para falar sobre ela de um ponto de vista jurídico. Mas também condenou fortemente o aborto, comparando-o – como havia feito muitas vezes antes – à “contratação de um sicário”. “Eu pergunto: é legítimo, é justo, eliminar uma vida humana para resolver um problema?”

O Papa também foi solicitado a comentar sobre o debate em curso nos Estados Unidos sobre se um político católico, que se opõe pessoalmente ao aborto, mas apoia o direito de outros de escolher, pode receber a comunhão. A presidente da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi, por exemplo, foi proibida de receber a Eucaristia pelo arcebispo de sua arquidiocese, São Francisco, mas recebe regularmente a comunhão em uma paróquia em Washington, e na semana passada recebeu a comunhão de um padre durante a Missa em São Pedro presidida pelo Pontífice.

“Quando a Igreja perde sua natureza pastoral, quando um bispo perde sua natureza pastoral, isto causa um problema político”, comentou o Papa. “Isto é tudo o que posso dizer.”