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“Que o XXX Dia Mundial do Doente nos ajude a crescer na proximidade e no serviço às pessoas enfermas e às suas famílias”. Esse

“Que o XXX Dia Mundial do Doente nos ajude a crescer na proximidade e no serviço às pessoas enfermas e às suas famílias”. Esse é o desejo do Papa Francisco expresso na mensagem divulgada no dia 4 de janeiro para a 30ª edição do Dia Mundial do Enfermo, celebrado em 11 de fevereiro. Para este ano, foi escolhido o tema “Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6, 36).

Em sua reflexão, Francisco aponta Jesus, a “suprema testemunha do amor misericordioso do Pai para com os enfermos”, e fala da atenção particular Dele para com os doentes, a ponto da mesma se tornar também a atividade principal na missão dos apóstolos. Isso deve-se à importância de os doentes terem ao seu lado “testemunhas da caridade de Deus, que a exemplo de Jesus, misericórdia do Pai, derramem sobre as feridas dos enfermos o óleo da consolação e o vinho da esperança”.

Francisco lembra-se dos profissionais de saúde, afirmando que o serviço junto aos doentes, “realizado com amor e competência, ultrapassa os limites da profissão para se tornar uma missão”. E salienta que as mãos que tocam a carne sofredora de Cristo “podem ser sinal das mãos misericordiosas do Pai”.

Papa Francisco em encontro com profissionais de saúde na Tailândia | Foto: Vatican Media

Agradecido pelos progressos da ciência médica, o Papa chama atenção para que tais avanços não façam esquecer a singularidade de cada doente, com a sua dignidade e as suas fragilidades.

“O doente é sempre mais importante do que a sua doença, e por isso qualquer abordagem terapêutica não pode prescindir da escuta do paciente, da sua história, das suas ansiedades, dos seus medos. Mesmo quando não se pode curar, sempre é possível tratar, consolar e fazer sentir à pessoa uma proximidade que demonstre mais interesse por ela do que pela sua patologia”.

Em sua mensagem, o Papa dedica um amplo espaço para falar sobre os lugares de tratamento, “casas de misericórdia”. Ele recorda a dedicação da Igreja, a partir da misericórdia para com os enfermos, na abertura de “’estalagens do bom samaritano’, onde pudessem ser acolhidos e tratados doentes de todo o gênero, sobretudo aqueles que, por indigência, pela exclusão social ou pelas dificuldades no tratamento dalgumas patologias, não encontravam resposta ao seu pedido de saúde”.

Francisco cita os missionários que atuaram na construção de hospitais, dispensários e lugares de tratamento. “São obras preciosas, através das quais se concretizou a caridade cristã e se tornou mais credível o amor de Cristo, testemunhado pelos seus discípulos”. As instituições sanitárias católicas, assim, devem ser preservadas e sustentadas, salienta o pontífice.

O Papa também recorda os 30 anos da Pastoral da Saúde, cujo serviço de cuidados espirituais é indispensável. Mas salienta que “a proximidade aos enfermos e o seu cuidado pastoral não competem apenas a alguns ministros especificamente deputados para o efeito”. A visita aos enfermos, nesse sentido, “é um convite feito por Cristo a todos os seus discípulos”.

Papa Francisco visitando um hospital em Roma
Papa visita hospital em Roma | Foto: Vatican Media

Fonte: CNBB
Foto: Vatican Media

Confira a mensagem na íntegra:

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO

PARA O XXX DIA MUNDIAL DO DOENTE

(11 de fevereiro de 2022)

«Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso» (Lc 6, 36).

Colocar-se ao lado de quem sofre num caminho de caridade»

Queridos irmãos e irmãs!

Há trinta anos, São João Paulo II instituiu o Dia Mundial do Doente para sensibilizar o povo de Deus, as instituições sanitárias católicas e a sociedade civil para a solicitude com os enfermos e quantos cuidam deles [1].

Agradecemos ao Senhor o caminho feito durante estes anos nas Igrejas particulares de todo o mundo. Já se deram muitos passos em frente, mas há ainda um longo caminho a percorrer para garantir a todos os doentes, mesmo nos lugares e situações de maior pobreza e marginalização, os cuidados de saúde, de que necessitam, e também o devido acompanhamento pastoral para conseguirem viver o período da doença unidos a Cristo crucificado e ressuscitado. Que o XXX Dia Mundial do Doente – por causa da pandemia, a sua celebração culminante não poderá ter lugar em Arequipa, no Peru, mas vai realizar-se na Basílica de São Pedro, no Vaticano – nos ajude a crescer na proximidade e no serviço às pessoas enfermas e às suas famílias.

1. Misericordiosos como o Pai

O tema escolhido para este trigésimo Dia Mundial – «Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso» (Lc 6, 36) – faz-nos, antes de mais nada, voltar o olhar para Deus, «rico em misericórdia» (Ef 2, 4), que olha sempre para os seus filhos com amor de pai, mesmo quando se afastam d’Ele. Com efeito a misericórdia é, por excelência, o nome de Deus, que expressa a sua natureza não como um sentimento ocasional, mas como força presente em tudo o que Ele faz. É conjuntamente força e ternura. Por isso podemos dizer, cheios de maravilha e gratidão, que a misericórdia de Deus tem nela mesma tanto a dimensão da paternidade como a da maternidade (cf. Is 49, 15), porque Ele cuida de nós com a força dum pai e com a ternura duma mãe, sempre desejoso de nos dar vida nova no Espírito Santo.

2. Jesus, misericórdia do Pai

Suprema testemunha do amor misericordioso do Pai para com os enfermos é o seu Filho unigênito. Quantas vezes os Evangelhos nos narram os encontros de Jesus com pessoas que sofriam de várias doenças! Ele «começou a percorrer toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, proclamando o Evangelho do Reino e curando entre o povo todas as doenças e enfermidades» (Mt 4, 23). Podemos perguntar-nos: Por que esta atenção particular de Jesus para com os doentes, a ponto da mesma se tornar também a atividade principal na missão dos apóstolos, enviados pelo Mestre a anunciar o Evangelho e curar os enfermos (cf. Lc 9, 2)?

Um pensador do século XX sugere-nos uma razão: «A dor isola duma forma absoluta e é deste isolamento absoluto que nasce o apelo ao outro, a invocação ao outro» [2]. Quando uma pessoa experimenta na própria carne fragilidade e sofrimento por causa da doença, também o seu coração se sente acabrunhado, cresce o medo, multiplicam-se as dúvidas, torna-se mais impelente a questão sobre o sentido de tudo o que está a acontecer. A propósito, como não recordar os numerosos enfermos que, durante este tempo de pandemia, viveram a última parte da sua existência na solidão duma Unidade de Terapia Intensiva, certamente cuidados por generosos profissionais de saúde, mas longe dos afetos mais queridos e das pessoas mais importantes da sua vida terrena? Daqui vemos a importância de se ter ao lado testemunhas da caridade de Deus, que a exemplo de Jesus, misericórdia do Pai, derramem sobre as feridas dos enfermos o óleo da consolação e o vinho da esperança [3].

3. Tocar a carne sofredora de Cristo

O convite de Jesus a ser misericordiosos como o Pai adquire um significado particular para os profissionais de saúde. Penso nos médicos, enfermeiros, técnicos de laboratório, auxiliares e cuidadores dos enfermos, bem como nos numerosos voluntários que doam tempo precioso a quem sofre. Queridos profissionais da saúde, o vosso serviço junto dos doentes, realizado com amor e competência, ultrapassa os limites da profissão para se tornar uma missão. As vossas mãos que tocam a carne sofredora de Cristo podem ser sinal das mãos misericordiosas do Pai. Permanecei cientes da grande dignidade da vossa profissão e também da responsabilidade que ela acarreta.

Bendizemos o Senhor pelos progressos que a ciência médica realizou sobretudo nestes últimos tempos; as novas tecnologias permitiram dispor de vias terapêuticas de grande utilidade para os doentes; a pesquisa continua a dar a sua valiosa contribuição para derrotar velhas e novas patologias; a medicina de reabilitação desenvolveu notavelmente os seus conhecimentos e competências. Tudo isso, porém, não deve jamais fazer esquecer a singularidade de cada doente, com a sua dignidade e as suas fragilidades [4]. O doente é sempre mais importante do que a sua doença, e por isso qualquer abordagem terapêutica não pode prescindir da escuta do paciente, da sua história, das suas ansiedades, dos seus medos. Mesmo quando não se pode curar, sempre é possível tratar, consolar e fazer sentir à pessoa uma proximidade que demonstre mais interesse por ela do que pela sua patologia. Espero, pois, que os percursos de formação dos operadores da saúde sejam capazes de os habilitar para a escuta e a dimensão relacional.

4. Os lugares de tratamento, casas de misericórdia

O Dia Mundial do Doente é ocasião propícia também para determos a nossa atenção nos lugares de tratamento. A misericórdia para com os enfermos levou a comunidade cristã a abrir, no decorrer dos séculos, inúmeras «estalagens do bom samaritano» (cf. Lc 10, 34), onde pudessem ser acolhidos e tratados doentes de todo o gênero, sobretudo aqueles que, por indigência, pela exclusão social ou pelas dificuldades no tratamento dalgumas patologias, não encontravam resposta ao seu pedido de saúde. Em tais situações, são sobretudo as crianças, os idosos e as pessoas mais fragilizadas que pagam o preço mais alto. Misericordiosos como o Pai, muitos missionários acompanharam o anúncio do Evangelho com a construção de hospitais, dispensários e lugares de tratamento. São obras preciosas, através das quais se concretizou a caridade cristã e se tornou mais credível o amor de Cristo, testemunhado pelos seus discípulos. Penso sobretudo nas populações das zonas mais pobres da Terra, onde por vezes é necessário percorrer longas distâncias para encontrar centros de tratamento que, embora com recursos limitados, oferecem tudo o que têm disponível. Ainda há um longo caminho a percorrer e, em alguns países, receber adequados tratamentos continua a ser um luxo. Testemunha-o, por exemplo, a escassa disponibilidade, nos países mais pobres, de vacinas contra a Covid-19 e ainda mais a falta de tratamentos para patologias que requerem medicamentos muito mais simples.

Neste contexto, desejo reafirmar a importância das instituições sanitárias católicas: são um tesouro precioso que deve ser preservado e sustentado; a sua presença caracterizou a história da Igreja pela sua proximidade aos doentes mais pobres e às situações mais esquecidas [5]. Quantos fundadores de famílias religiosas souberam ouvir o clamor de irmãos e irmãs privados de acesso aos tratamentos ou mal atendidos, prodigalizando-se ao seu serviço! Ainda hoje, mesmo nos países mais desenvolvidos, a sua presença é uma bênção, porque, além de cuidar do corpo com toda a competência necessária, sempre podem oferecer também aquela caridade cujo centro da atenção são os doentes e os seus familiares. Numa época em que se difundiu a cultura do descarte e nem sempre se reconhece a vida como digna de ser acolhida e vivida, estas estruturas, como casas da misericórdia, podem ser exemplares na salvaguarda e no cuidado de cada existência, mesmo a mais frágil, desde o próprio início até ao seu termo natural.

5. A misericórdia pastoral: presença e proximidade

No caminho feito ao longo destes trinta anos, a própria pastoral da saúde viu o seu serviço ser cada vez mais reconhecido como indispensável. Na verdade, se a pior discriminação sofrida pelos pobres – e os doentes são pobres de saúde – é a falta dos cuidados espirituais, não podemos exonerar-nos de lhes oferecer a proximidade de Deus, a sua bênção, a sua Palavra, a celebração dos Sacramentos e a proposta dum caminho de crescimento e amadurecimento na fé [6]. A propósito, gostaria de lembrar que a proximidade aos enfermos e o seu cuidado pastoral não competem apenas a alguns ministros especificamente deputados para o efeito; visitar os enfermos é um convite feito por Cristo a todos os seus discípulos. Quantos doentes e quantas pessoas idosas há que vivem em casa e esperam por uma visita! O ministério da consolação é tarefa de todo o batizado, recordando-se das palavras de Jesus: «Estive doente e visitastes-Me» ( Mt 25, 36).

Queridos irmãos e irmãs, à intercessão de Maria, Saúde dos Enfermos, confio todos os doentes e as suas famílias. Unidos a Cristo, que carrega sobre Si o sofrimento do mundo, possam encontrar sentido, consolação e confiança. Rezo por todos os profissionais de saúde para que, ricos em misericórdia, ofereçam aos pacientes, juntamente com os tratamentos devidos, a sua proximidade fraterna.

De coração, a todos concedo a Bênção Apostólica.

Roma, São João de Latrão, na Memória de Nossa Senhora de Loreto, 10 de dezembro de 2021.

 

Francisco

 


[1] Cf. São João Paulo II, Carta ao Cardeal Fiorenzo Angelini, Presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral no Campo da Saúde, para a instituição do Dia Mundial do Doente (13/V/1992).

[2] E. Levinas, «Une éthique de la souffrance», in: J.-M. von Kaenel (ed.), Souffrances. Corps et âme, épreuves partagées (Autrement, Paris 1994), 133-135.

[3] Cf. Missal Romano, Prefácio Comum VIII «Cristo, o bom samaritano».

[4] Cf. Francisco, Discurso à Federação Nacional das Ordens dos Médicos Cirurgiões e dos Dentistas (20/IX/2019).

[5] Cf. Francisco, Angelus, na Policlínica «Gemelli» em Roma (11/VII/2021).

[6] Cf. Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium (24/XI/2013), 200.

Tem tudo para ser mais um ano histórico – se a pandemia permitir. Mas se depender do Papa Francisco, tudo acontecerá como programado. Depois
Tem tudo para ser mais um ano histórico – se a pandemia permitir. Mas se depender do Papa Francisco, tudo acontecerá como programado. Depois de visitar o Iraque em 2021, mesmo tendo sido aconselhado a não fazê-lo, por causa do clima de insegurança que pairava sobre o lugar, já entendemos que quando Francisco define que é hora de ir, dificilmente alguém consegue convencê-lo do contrário.

Os eventos já confirmados, pelo menos por enquanto, seguem mantidos na agenda oficial do pontífice. Entre eles estão a viagem ao Canadá, o encontro com os prefeitos do Mediterrâneo, em Firenze, na Itália, onde ele focará na crise migratória, e o Congresso Mundial das famílias, que se realizará em Roma, em junho. Além disso, será o ano de avaliar se o acordo com a China será renovado mais uma vez.

Na lista, à espera de uma confirmação, são cogitadas visitas à Espanha, Montenegro e uma passagem histórica pelo Sudão do Sul, em companhia de Justin Welby, o líder máximo da comunhão anglicana. No caso do sul do Brasil, que ele prometeu visitar caso vá à Argentina, é possível que ele dê um pulo por lá – se tudo correr bem – em 2023.

O ano de 2021 serviu de preparação para Francisco em todos os sentidos. A pandemia o impulsionou a parar até para tratar a saúde. Aproveitou o período mais tranquilo para realizar a cirurgia no intestino e para focar na melhora da inflamação do nervo ciático, um problema que acompanha o santo padre há anos.

Como refletimos outras vezes, o líder da Igreja Católica, no auge dos seus 85 anos, tem consciência que é a última etapa do seu pontificado. Ele chegou naquela fase na qual começa a pensar em qual cenário ele deixará para o seu sucessor; e é hora de reavaliar, inclusive, qual a sua lista de prioridades, já que a pandemia a redimensionou completamente.

O papa deve pensar no seu sucessor, inclusive. Afinal, muito do que ele decide, hoje, será repercutido a longo prazo.

E é por isso que, de certa forma, ele amarra algumas questões que trarão consequências positivas para o futuro, como no caso das suas reformas canônicas e da própria reforma da Cúria. Tudo converge na luta contra o clericalismo que, na sua visão, é a raiz de todos os males dentro da Igreja Católica. Segundo o pontífice, esse tipo de postura culmina num ciclo vicioso de abuso de poder que, por conseguinte, gera outras formas de abuso.

Nem precisamos ir muito longe para constatarmos que aqueles que instrumentalizam a batina estão imersos numa rede de privilégios e gozam de uma “estabilidade

eclesial” da qual não querem se desfazer. E é por isso que perseguem tanto Francisco. E para ganhar adeptos, usam como artifício de propaganda um “zelo” que, na verdade, não passa de uma artimanha política para manter e alimentar essa mesma rede.

Ao dar um basta às “elucubrações tridentinas”, dos últimos tempos, Francisco atingiu o coração dessas confrarias de perfeitos que conseguiram, de maneira escancarada, transformar uma tradição litúrgica numa igreja paralela, onde só entra quem segue uma determinada agenda – que muitas vezes nem é católica.

E o papa pretende continuar desarticulando esses complôs. Tanto que deu uma atenção especial na própria saúde justamente para ter energia suficiente para levar a cabo seu próprio programa de governo, o qual consiste, justamente, “numa limpeza” das estruturas e dos costumes.

O sínodo da sinodalidade também começará a ganhar corpo, a partir de abril de 2022. Após a consulta das dioceses, será a hora de cada igreja nacional jogar com a própria identidade, e definir se ela se adequa ou não à eclesiologia do povo, do Papa Francisco. Será o momento de o papa averiguar como e onde chegaram os ventos da sua reforma.

Com o instrumentum laboris em mãos, em setembro do ano que vem, elaborado a partir dos resumos apresentados pelas conferências episcopais, Francisco poderá ter um subsídio eficaz para saber onde ainda precisa focar sua atenção.

Portanto, 2022 será um ano que o preparará para decisões cruciais, que poderão mudar os rumos da Igreja Católica e sua forma de atuação no mundo. Com um sínodo com “cheiro de concilio”, como eu gosto de dizer, não poderia ser diferente. Aguardemos.

Jornalista: Mirticeli Medeiros*
Fonte: Dom Total

*Mirticeli Medeiros é jornalista e mestre em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Desde 2009, cobre o Vaticano para meios de comunicação no Brasil e na Itália e é colunista do Dom Total, onde publica às sextas-feiras.

Este 6 de janeiro, Epifania do Senhor, quando se celebra também o Dia da Infância Missionária, foi publicada a mensagem do Papa Francisco para
Este 6 de janeiro, Epifania do Senhor, quando se celebra também o Dia da Infância Missionária, foi publicada a mensagem do Papa Francisco para o próximo Dia Mundial das Missões, que terá lugar em 23 de outubro, penúltimo domingo do mês
Nesta quinta-feira (06/01) foi apresentada a Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões 2022 com o tema “Sereis minhas testemunhas” (At 1, 8). São palavras que se encontram no último colóquio de Jesus ressuscitado com os seus discípulos, antes de subir ao Céu, como se descreve nos Atos dos Apóstolos e constituem também o tema do Dia Mundial das Missões de 2022, que, como sempre, nos ajuda a viver o fato de a Igreja ser, por sua natureza, missionária.
Para ilustrar o tema o Papa se detem em três expressões-chave que resumem os três alicerces da vida e da missão dos discípulos: “Sereis minhas testemunhas”, “até aos confins do mundo” e “recebereis a força do Espírito Santo”.

Iniciando sua reflexão sobre estes três pontos, “Sereis minhas testemunhas” – A chamada de todos os cristãos a testemunhar Cristo, o Pontífice afirma:

É o ponto central, o coração do ensinamento de Jesus aos discípulos em ordem à sua missão no mundo. Todos os discípulos serão testemunhas de Jesus, graças ao Espírito Santo que vão receber: será a graça a constituí-los como tais, por todo o lado aonde forem, onde quer que estejam”. “Em segundo lugar – continua Francisco – é pedido aos discípulos para construírem a sua vida pessoal em chave de missão: são enviados por Jesus ao mundo não só para fazer a missão, mas também e sobretudo para viver a missão que lhes foi confiada; não só para dar testemunho, mas também e sobretudo para ser testemunhas de Cristo”.

No segundo ponto “Até aos confins do mundo” – A atualidade perene duma missão de evangelização universal, Francisco explica, “ao exortar os discípulos a serem as suas testemunhas, o Senhor ressuscitado anuncia aonde são enviados. Aqui emerge muito claramente o caráter universal da missão dos discípulos. Coloca-se em destaque o movimento geográfico ‘centrífugo’, quase em círculos concêntricos, desde Jerusalém – considerada pela tradição judaica como centro do mundo – à Judeia e Samaria, e até aos extremos ‘confins do mundo’. Não são enviados para fazer proselitismo, mas para anunciar; o cristão não faz proselitismo”.

Por fim o Papa reflete sobre o ponto três, “Recebereis a força do Espírito Santo” – Deixar-se sempre fortalecer e guiar pelo Espírito.

Ao anunciar aos discípulos a missão de serem suas testemunhas, Cristo ressuscitado prometeu também a graça para uma tão grande responsabilidade: «Recebereis a força do Espírito Santo e sereis minhas testemunhas» (At 1, 8). Com efeito, segundo a narração dos Atos, foi precisamente a seguir à descida do Espírito Santo sobre os discípulos de Jesus que teve lugar a primeira ação de testemunhar Cristo, morto e ressuscitado, com um anúncio querigmático: o chamado discurso missionário de São Pedro aos habitantes de Jerusalém. Assim começa a era da evangelização do mundo por parte dos discípulos de Jesus, que antes apareciam fracos, medrosos, fechados. O Espírito Santo fortaleceu-os, deu-lhes coragem e sabedoria para testemunhar Cristo diante de todos“.

Concluindo o Francisco escreve: “Queridos irmãos e irmãs, continuo a sonhar com uma Igreja toda missionária e uma nova estação da ação missionária das comunidades cristãs. E repito o desejo de Moisés para o povo de Deus em caminho: ‘Quem dera que todo o povo do Senhor profetizasse’ (Nm 11, 29)”.

Fonte: Vatican News

“Na comunidade de Banco da Vitória, em Ilhéus (BA), muitos moradores perderam tudo”, relataram membros da Cáritas Brasileira. “As moradias se reduziram a ruínas

“Na comunidade de Banco da Vitória, em Ilhéus (BA), muitos moradores perderam tudo”, relataram membros da Cáritas Brasileira. “As moradias se reduziram a ruínas e lembranças. O campo de futebol aparenta ter se tornado um manguezal. Quem não tem mais um teto para morar conseguiu abrigo na casa de parentes e na escola municipal Herval Soledade”, apontam os relatos da Cáritas Brasileira.

Em Itajuípe, nas comunidades de Beira Rio e Novo Itajuípe, atendidas pela diocese de Ilhéus, os próprios moradores se engajaram na limpeza de suas casas e ruas. De acordo com membros da Cáritas Brasileira será necessário uma reforma em muitas residências para que tenham novamente condições de receber de volta seus moradores.

O cenário descrito acima foi o que os olhos da comitiva composta por representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da Cáritas Brasileira , do especialista para Emergências Rápidas da ECHO/União Europeia para as Américas, Roman Maicher, da gestora do Programa Brasil da Cáritas Suíça, Valquíria Lima, viram no primeiro dia visitas em Ilhéus e Itajuípe, cidade onde teve início uma agenda que se estende até o dia 8 à cidades afetadas pelas chuvas no Sul da Bahia.

Na segunda-feira, 3, o grupo foi acompanhado pelo bispo de Ilhéus, dom Giovanni Crippa, por diáconos da diocese e pelos párocos da paróquia  Sagrado  Coração de Jesus, em Itajuípe (BA). Além de dialogar diretamente com as pessoas atingidas, os membros  da comitiva conversaram com o prefeito de Itajuípe, Marcone Amaral, e com a secretária de saúde do município, Lucimara Santos da Anunciação Hage.

Em vídeo, divulgado pela Cáritas Brasileira, o bispo de Ilhéus, dom Giovanni Crippa, descreve a calamidade vivida pelas famílias e fala do papel que as dioceses locais estão desenvolvendo em solidariedade ao povo e em parceria com o poder público e com organizações da sociedade civil nacional e internacionais.

#SOS Bahia e Minas Gerais

Fase de reconstrução de vidas das famílias

Moradora aponta o nível que a enchente atingiu.

Na manhã da segunda-feira, 3, a comitiva se encontrou, em reunião realizada na paróquia São João Batista, em Ilhéus, com o vice-prefeito da cidade, Bebeto Galvão, e o secretário de Desenvolvimento Social Social do município, Rubenilton Santos da Silva. A partir deste dia 4 de dezembro segue com sua agenda de visita, programadas para se encerrarem no 8 de dezembro, nas cidades de Itabuna, Ibicarí, Floresta Azul, Teixeira de Freitas, Medeiros Neto e Itamaraju.

O objetivo da visitas desta comitiva, composta por representantes de organismos internacionais,  junto às dioceses e paróquias, entidades parceiras e ao Poder Público, é identificar as principais necessidades da população atingida pelas chuvas para que, de forma articulada com o poder público, garanta a correta aplicação dos recursos arrecadados com a mobilização da campanha emergencial #SOS Bahia e Minas Gerais: Solidariedade de transbora, lançada pela CNBB e pela Cáritas Brasileira, em dezembro de 2021.

Primeiras reuniões de diálogos e escuta promovidas pela comitiva. Fotos: Paula Lanza/Ascom Cáritas Brasileira.

Cronograma de visitas

As chuvas deram uma trégua nas cidades mais afetadas pelas chuvas no sul da Bahia. O nível das águas das enchentes baixou. Agora, de acordo com os representantes da Cáritas Brasileira, as comunidades se deparam com os estragos causados  e iniciam a reconstrução de suas vidas. A partir deste dia 4 de dezembro, a comitiva segue com sua agenda de visita às cidades de Itabuna, Ibicarí, Floresta Azul, Teixeira de Freitas, Medeiros Neto e Itamaraju. Conheça 0 Roteiro da visita de representantes da UE à Bahia.

Ajude a solidariedade a transbordar:

A Campanha #SOS Bahia e Minas Gerais: Solidariedade Que Transborda foi lançada dia 11 de dezembro de 2021 pela Cáritas Brasileira e pela CNBB. Os recursos arrecadados serão destinados ao apoio às pessoas afetadas pelas fortes chuvas na Bahia e em Minas Gerais. Colabore com a campanha emergencial #SOS Bahia e Minas Gerais e seja mais um a fazer a solidariedade  transbordar. No card abaixo as informações das contas e pix para depósito.

 

 

 

Anexos

A Rede Mundial de Oração do Papa publicou as intenções de oração do Sumo Pontífice para cada um dos meses de 2022. “O papa Francisco confia

Rede Mundial de Oração do Papa publicou as intenções de oração do Sumo Pontífice para cada um dos meses de 2022.

“O papa Francisco confia à sua Rede Mundial de Oração a cada mês intenções de oração que expressam suas grandes preocupações pela humanidade e pela missão da Igreja”, afirma o site da iniciativa.

“A sua intenção de oração mensal é uma convocação global para transformar a nossa oração em ‘gestos concretos’, é uma bússola para uma missão de compaixão pelo mundo”, acrescenta.

Confira:

Janeiro

Educar para a fraternidade: rezem para que todas as pessoas que sofrem discriminações e perseguições religiosas encontrem nas sociedades onde vivem o reconhecimento dos próprios direitos e da dignidade que nasce de ser irmãos.

Fevereiro

Pelas religiosas e consagradas: rezem pelas religiosas e consagradas, agradecendo-lhes a sua missão e a sua coragem, para que continuem a encontrar novas respostas diante dos desafios do nosso tempo.

Março

Pela resposta cristã aos desafios da bioética: rezem para que nós, cristãos, diante dos novos desafios da bioética, promovamos sempre a defesa da vida com a oração e a ação social.

Abril

Pelo pessoal de saúde: rezem para que o compromisso do pessoal de saúde na assistência às pessoas doentes e aos idosos, sobretudo nos países pobres, seja apoiado pelos governos e pelas comunidades locais.

Maio

Pela fé dos jovens: rezem para que os jovens, chamados a uma vida em plenitude, descubram em Maria o estilo da escuta, a profundidade do discernimento, a coragem da fé e a dedicação ao serviço.

Junho

Pelas famílias: rezem pelas famílias cristãs de todo o mundo, para que com gestos concretos vivam a gratuidade do amor e a santidade na vida quotidiana.

Julho

Pelos idosos: rezem pelos idosos, que representam as raízes e a memória de um povo, para que a sua experiência e a sua sabedoria ajudem os mais jovens a olhar o futuro com esperança e responsabilidade.

Agosto

Pelos pequenos e médios empreendedores: rezem para que os pequenos e médios empreendedores, atingidos fortemente pela crise econômica e social, encontrem os meios necessários para prosseguir com a própria atividade, ao serviço das comunidades onde vivem.

Setembro

Pela abolição da pena de morte: rezem para que a pena de morte, que atenta contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa, seja abolida nas leis de todos os países do mundo.

Outubro

Por uma Igreja aberta a todos: rezem para que a Igreja, fiel ao Evangelho e corajosa no anúncio, seja um lugar de solidariedade, de fraternidade e de acolhimento, vivendo cada vez mais a sinodalidade.

Novembro

Pelas crianças que sofrem: rezem para que as crianças que sofrem – as que vivem na rua, as vítimas das guerras, os órfãos – possam ter acesso à educação e possam redescobrir o afeto de uma família.

Dezembro

Pelas organizações de voluntariado: rezem para que as organizações de voluntariado e promoção humana encontrem pessoas desejosas de empenhar-se pelo bem comum e procurem caminhos sempre novos de colaboração a nível internacional.

 

Por Vatican News.
“Todos os dias são violados os direitos dos menores, em territórios devastados pelas guerras e violências”: é a denúncia do Unicef em uma nota
“Todos os dias são violados os direitos dos menores, em territórios devastados pelas guerras e violências”: é a denúncia do Unicef em uma nota divulgada nesta sexta-feira (31/12). Entre os países e regiões, que apresentam maior número de vítimas, estão o Afeganistão, Oriente Médio e África do Norte, com frequentes ataques a escolas e hospitais. Em relação às crianças inocentes há também inúmeros sequestros, abusos, recrutamento forçado e o grave perigo de resíduos bélicos

Adriana Masotti – Cidade do Vaticano

Segundo o relatório do Unicef, em 2021, houve uma onda de violações graves contra crianças, tanto em conflitos antigos como novos: “Do Afeganistão ao Iêmen, da Síria ao norte da Etiópia milhares de crianças pagaram um alto preço pelos contínuos conflitos armados, violência intercomunitária e insegurança”.

Relatório do Unicef

Em 2020, verificaram-se 26.425 violações graves contra menores. No início de 2021, segundo os poucos dados disponíveis, houve uma leve diminuição no número total de violações graves, mas os casos de sequestro e agressão sexual aumentaram de modo alarmante: mais de 50%. O maior número de sequestros de crianças coube à Somália, seguida pela República Democrática do Congo (RDC) e os países da bacia do Chade, Nigéria, Camarões e Níger. Os casos de violência sexual foram mais elevados na RDC, Somália e República Centro-Africana.

Desrespeito dos direitos da infância

Segundo a Diretora Geral do Unicef, Henrietta Fore, “ano após ano, as partes beligerantes continuam a demonstrar uma terrível falta de respeito pelos direitos e o bem-estar das crianças; crianças sofrem e morrem por causa desta insensibilidade. Por isso, devemos fazer todo esforço protege-las dos perigos”.

Ampliando nosso olhar para um longo período, o Afeganistão é o país com o maior número de crianças vítimas, desde 2005, mais de 27% de todas as crianças vítimas no mundo. Por sua vez, o Oriente Médio e o Norte da África apresentam um maior número de ataques a escolas e hospitais, dos quais 22 no primeiro semestre de 2021.

Armas explosivas e resíduos bélicos

Em outubro de 2021, recorda o Unicef, 10.000 crianças foram assassinadas ou mutiladas no Iêmen, devido ao aumento dos combates desde 2015, ou seja, quatro crianças por dia.

O Fundo da ONU denunciou violações em países como Burkina Faso, Camarões, Colômbia, Líbia, Moçambique e Filipinas, sobre os quais a mídia não informa. O último exemplo do devastador conflito, que envolve as crianças e ameaça os agentes humanitários”, ocorreu, recentemente, ao serem encontradas 4 crianças entre as 35 pessoas mortas, inclusive dois funcionários de “Save the Children”, no estado de Kayah, ao leste de Mianmar.

O uso de armas explosivas, sobretudo em áreas povoadas, segundo o Unicef, é uma ameaça crescente para as crianças e suas famílias. Em 2020, armas explosivas e resíduos bélicos foram responsáveis ​​por quase 50% de todas as mortes de crianças: cerca de 4 mil crianças foram assassinadas e mutiladas.

Apelo às partes em conflito

As crianças também são vítimas de numerosas e graves violações dos seus direitos. Em 2020, 37% dos sequestros, verificados pela ONU, causaram o recrutamento e uso de crianças-soldados na guerra, 50% das quais na Somália, RDC e República Centro-Africana.

Diante deste quadro dramático, o Unicef faz um apelo a todas as partes no conflito para “se comprometer com programas de ação formais e tomar medidas concretas para a proteção das crianças: prevenção das graves violações, libertação de crianças de forças e grupos armados, proteção das crianças contra as violências sexuais e fim de ataques a hospitais e escolas”. Apenas 37 destes programas de ação foram assinados pelas partes em conflito, desde 2005.

Por fim, a Diretora do Unicef faz seu premente apelo para que, “ao término de 2021, todas as partes em conflito coloquem ponto final nos ataques contra as crianças, defendam seus direitos e trabalhem por soluções políticas pacíficas das guerras”.

Veja a retrospectiva das atividades de algumas Comissões Episcopais Pastorais da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil em 2021 publicado no site da

Veja a retrospectiva das atividades de algumas Comissões Episcopais Pastorais da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil em 2021 publicado no site da CNBB.

Comissão Vida e Família: https://www.cnbb.org.br/retrospectiva-2021-as-10-principais-atividades-da-comissao-vida-e-familia/

Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada: https://www.cnbb.org.br/comissao-ministerios-ordenados-e-a-vida-consagrada/

Comissão para a Ação Missionária: https://www.cnbb.org.br/rretrospectiva-2021-a-contribuicao-da-mulher-na-missao-foi-um-dos-principais-eixos-de-atuacao-da-comissao-para-acao-missionaria-da-cnbb/

Comissão para a Juventude: https://www.cnbb.org.br/retrospectiva-2021-comissao-juventude/

Comissão Sociotransformadora: https://www.cnbb.org.br/retrospectiva-2021-articulacoes-acoes-e-formacoes-da-comissao-sociotransformadora-da-cnbb/

Comissão para a Comunicação: https://www.cnbb.org.br/retrospectiva-2021-comissao-para-a-comunicacao/

 

Na audiência de hoje o Papa Francisco disse que a migração é um escândalo social da humanidade. Leia a matéria publicada no site Vatican
Na audiência de hoje o Papa Francisco disse que a migração é um escândalo social da humanidade. Leia a matéria publicada no site Vatican News.
Na Audiência Geral desta quarta-feira, o Papa convidou a rezar “por todos os migrantes, todos os perseguidos e todos aqueles que são vítimas de circunstâncias adversas, sejam circunstâncias políticas, históricas, ou pessoais”.

“São José, migrante perseguido e corajoso” foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (29/12).

A família de Nazaré teve que fugir para o Egito, “experimentando em primeira pessoa a precariedade, o medo e a dor de ter que deixar a sua terra”. Francisco sublinhou que “ainda hoje muitos dos nossos irmãos e irmãs são obrigados a viver a mesma injustiça e sofrimento. A causa é quase sempre a prepotência e a violência dos poderosos. Isto aconteceu também com Jesus”.

Através dos Reis Magos, o rei Herodes toma conhecimento do nascimento do “rei dos Judeus”, e a notícia o perturba. “Ele se sente inseguro, ameaçado no seu poder” e manda “matar todas as crianças de Belém de até dois anos. Foi o tempo em que, segundo o cálculo dos Magos, Jesus teria nascido”. Entretanto, um anjo ordena a José: «Levanta-te, toma o menino e a sua mãe, e foge para o Egito; permanece lá até que eu te avise, pois Herodes vai à procura do menino para o matar». “Pensemos nas muitas pessoas que hoje sentem dentro de si esta inspiração: Fujamos! Fujamos porque aqui há perigo”, frisou o Papa.

Herodes é o símbolo de muitos tiranos de ontem e de hoje

“A fuga da Sagrada Família para o Egito salva Jesus, mas infelizmente não impede que Herodes leve a cabo o seu massacre. Assim, encontramo-nos diante de duas personalidades opostas: por um lado, Herodes com a sua ferocidade e, por outro, José com o seu esmero e a sua coragem. Herodes quer defender o seu poder, a própria pele, com crueldade impiedosa, como atestam também as execuções de uma das suas esposas, alguns dos seus filhos e centenas de adversários. Era um homem cruel. Para resolver os problemas tinha apenas uma receita, matar”, disse ainda o Papa, acrescentando:

Ele é o símbolo de muitos tiranos de ontem e de hoje, e para esses tiranos as pessoas não contam, conta o poder. Se eles precisam de espaço de poder, matam as pessoas. Isso acontece hoje. Não precisamos recorrer à história antiga. Isso acontece hoje. É o homem que se torna “lobo” para os outros homens. A história está cheia de personalidades que, vivendo à mercê dos seus temores, procuram vencê-los, exercendo o poder de forma despótica e praticando gestos de violência desumanos. Mas não devemos pensar que só viveremos na perspectiva de Herodes se nos tornarmos tiranos; na realidade, é uma atitude em que todos podemos cair, sempre que procuramos afugentar os nossos medos com a prepotência, ainda que seja apenas verbal ou feita de pequenos abusos cometidos para mortificar quem está ao nosso lado. Também nós temos dentro do coração a possibilidade de sermos pequenos Herodes.

Coragem é sinônimo de fortaleza

A seguir, o Papa sublinhou que “José é o oposto de Herodes: em primeiro lugar, é «um homem justo». Herodes é um ditador. Além disso, demonstra-se corajoso na execução da ordem do Anjo. Podemos imaginar as peripécias que teve de enfrentar durante a longa e perigosa viagem, e as dificuldades exigidas para a permanência num país estrangeiro. A sua coragem sobressai também na hora do regresso quando, tranquilizado pelo Anjo, supera os seus compreensíveis receios, estabelecendo-se com Maria e Jesus em Nazaré”.

Herodes e José são dois personagens opostos, que refletem as duas faces da humanidade de sempre. É um lugar-comum errado considerar a coragem como virtude exclusiva do herói. Na realidade, a vida quotidiana de cada pessoa requer coragem. Não é possível viver sem coragem para enfrentar as dificuldades de cada dia. Em todos os tempos e culturas encontramos homens e mulheres corajosos que, para ser coerentes com a sua crença, superaram toda a espécie de dificuldades, suportando injustiças, condenações e até a morte. Coragem é sinônimo de fortaleza que, com a justiça, a prudência e a temperança, faz parte do grupo de virtudes humanas chamadas “cardeais”.

Ver em Jesus os migrantes de hoje

“A lição que José nos deixa hoje é a seguinte: a vida nos apresenta sempre adversidades, diante das quais podemos sentir-nos também ameaçados, amedrontados, mas não é mostrando o pior de nós, como faz Herodes, que podemos superar certos momentos, mas agindo como José, que reage ao medo com a coragem da confiança na Providência de Deus”, disse ainda o Papa.

Rezemos hoje por todos os migrantes, todos os perseguidos e todos aqueles que são vítimas de circunstâncias adversas, sejam circunstâncias políticas, históricas ou pessoais. Pensemos nas muitas pessoas vítimas das guerras, que querem fugir de sua pátria, mas não podem. Pensemos nos migrantes que começam a estrada para serem livres e muitos terminam na rua ou no mar. Pensemos em Jesus nos braços de José e Maria fugindo e vejamos nele cada um dos migrantes de hoje. A migração de hoje é uma realidade diante da qual não podemos fechar os olhos. É um escândalo social da humanidade.