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O Papa Francisco marcou a data para a cerimônia de canonização do sacerdote francês, Charles de Foucauld e de outros seis beatos. A canonização
O Papa Francisco marcou a data para a cerimônia de canonização do sacerdote francês, Charles de Foucauld e de outros seis beatos. A canonização foi adiada por conta da pandemia da covid-19 e acontecerá no próximo 15 de maio de 2022.  decretada pelo Papa na primavera passada e adiada por causa da pandemia.
O beato ficou conhecido por sua vida intensa e também por seus escritos. Uma verdadeira testemunha do amor a Deus e às pessoas. Para conhecer mais sobre a vida do beato Charles de Foucauld clique aqui.
Leia a matéria publicada no site Vatican News.
Sete testemunhas do Evangelho

Duas mulheres e cinco homens serão elevados à veneração universal da Igreja. Além do sacerdote diocesano francês, que desejava ser um “irmão universal” para todos e que plantou as sementes da Palavra divina no coração do Saara até seu assassinato em 1916, Maria Domenica Mantovani será proclamada santa, cofundadora e primeira Superiora Geral do Instituto das Irmãzinhas da Sagrada Família, que se dedicou inteiramente ao serviço dos pobres, órfãos e doentes, e Maria Francisca de Jesus, fundadora das Irmãs Terciárias Capuchinhas de Loano, incansável em sua proximidade com os últimos, da Itália à América Latina.

Também serão canonizados os sacerdotes Giustino Maria Russolillo, fundador da Sociedade das Divinas Vocações e da Congregação das Irmãs das Divinas Vocações, dedicada à pastoral vocacional e familiar; Luigi Maria Palazzolo, fundador do Instituto das Irmãs dos Pobres – Instituto Palazzolo, ativo entre os jovens na educação e formação religiosa; e César de Bus, sacerdote, fundador da Congregação dos Padres da Doutrina Cristã, um modelo para todos os catequistas. Enfim, Lázaro, conhecido como Devasahayam, será proclamado santo. Ele é o primeiro leigo indiano a se tornar santo, tendo-se convertido ao cristianismo em idade adulta e, por esta razão, perseguido até o martírio.

Martírio e caridade

Cada um dos novos santos contribuiu para levar a luz do Evangelho ao mundo: através do testemunho heróico do martírio ou no exercício da caridade e das virtudes cristãs. “Os santos e as santas, tinha escrito o Papa Francisco em um tweet no dia 3 de maio passado, “nos mostram que se pode louvar a Deus sempre, nos bons e nos maus momentos, porque Ele é o amigo fiel, e Seu amor nunca falta”.

No dia 21 de novembro de 2021, a Igreja Católica celebra o Dia do Leigo. Para esta data o tema escolhido é: Testemunhas de
No dia 21 de novembro de 2021, a Igreja Católica celebra o Dia do Leigo. Para esta data o tema escolhido é: Testemunhas de Jesus Libertador no compromisso com a vida. O CNLB, Conselho Nacional do Laicato do Brasil já disponibilizou materiais (cartaz e cartilha) para ajudar a preparar as comemorações que podem ser baixados através do link : www.cnlb.org.br

Veja a notícia postada no site da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Segundo o CNLB, o tema deste ano motiva a pensar a vocação e missão dos leigos e leigas como cristãos: testemunhar Jesus e ser artífice de seu Reino de amor, justiça, igualdade, solidariedade. E, como imitação do Mestre, estar a serviço da vida!

“Eu vi a aflição do meu povo”

 

A iluminação bíblica, extraída do livro do Êxodo (3,7-8) “Eu vi a aflição do meu povo e desci para libertá-lo“, é o lema que inspira a reflexão deste ano.  De acordo com a presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), Sônia Gomes de Oliveira só pode ver a aflição do irmão quem se propõe a abrir o seu coração, as portas e as janelas de sua casa e caminhar rumo às periferias.

“Este é o sentimento e a espiritualidade que precisamos alimentar em nós, a dimensão do serviço do avental que nos faz servidores. Os tempos são desafiadores, nunca foi tão difícil manter a profecia, mas nunca foi tão necessário testemunhar Jesus e seu Projeto em nossa sociedade”, afirma Sônia.

O Dia Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas é celebrado desde 1991. O CNLB disponibilizou subsídio  de reflexão e celebração para os regionais, arquidioceses, dioceses, paróquias, movimentos pastorais, associações laicais e comunidades.

 

Em Janeiro próximo (2022) completam-se três anos do crime da mineradora Vale em Brumadinho. Em defesa dos atingidos e que ainda não foram contemplados

Em Janeiro próximo (2022) completam-se três anos do crime da mineradora Vale em Brumadinho. Em defesa dos atingidos e que ainda não foram contemplados em seus direitos, a CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil entregara documento ao poder judiciário de Minas Gerais. Leia a matéria suplicada no site da CNBB e leia o documento no anexo.

A poucos meses de se completarem três anos do desastre-crime da mineradora Vale em Brumadinho (MG), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e diversas entidades entregaram ao poder judiciário e às instituições de justiça de Minas Gerais um ofício solicitando uma reunião para discutir o prazo prescricional das ações individuais ajuizadas por pessoas atingidas pelo rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão.

De maneira geral, a legislação brasileira prevê o prazo máximo de 3 anos, a partir da ocorrência de uma violação de direito, para que seja possível ingressar com uma ação indenizatória. Contudo, normas específicas e decisões judiciais em casos semelhantes abrem a possibilidade de que esse prazo seja interrompido,  suspenso ou considerado com base em outra norma,  como o Código de Defesa do Consumidor (CDC),  de forma a garantir maior segurança para a reparação de todos os danos causados por um crime da magnitude como o ocorrido em Brumadinho.

Diante dessas incertezas e cruzamento de informações, o ofício entregue pela CNBB busca garantir uma formalização, por parte das instituições de justiça, de que o prazo para ingresso de ações individuais indenizatórias não terminará no dia 25 de janeiro de 2022.

O documento entregue é assinado por diversas entidades que acompanham as comunidades da bacia do Paraopeba impactadas pelo crime: Associação Estadual de Defesa Ambiental e Social – AEDAS; Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais; Comissão de Ecologia Integral e Mineração da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB; Instituto Guaicuy; Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável – INSEA; Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB; Movimento dos Atingidos pela Mineração – MAM; Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST; Núcleo de Assessoria às Comunidades Atingidas por Barragens – NACAB; e Região Episcopal Nossa Senhora do Rosário da Arquidiocese de Belo Horizonte – RENSER.

Documento sobre Brumadinho

 

O Papa nomeou a Secretária Geral e o Vice-Secretário do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano. Leia a notícia publicada no site Vatican
O Papa nomeou a Secretária Geral e o Vice-Secretário do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano. Leia a notícia publicada no site Vatican News e para entender o que é o governatorato leia, também a explicação de Mons. André Sampaio de Oliveira*
Na manhã desta quinta-feira (04/11) a Sala de Imprensa da Santa Só comunicou que o Santo Padre nomeou a nova Secretária Geral do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano e seu Vice-Secretário.

O Papa Francisco nomeou como Secretária Geral do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano a Irmã Raffaella Petrini F.S.E., das Irmãs Franciscanas da Eucaristia, até agora Oficial da Congregação para a Evangelização dos Povos. A Ir. Raffaella Petrini nasceu em Roma, em 15 de janeiro de 1969 é formada em Ciências Políticas e obteve seu Doutorado na Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino, onde atualmente é professora.

Como Vice-Secretário Geral o Papa nomeou o advogado Giuseppe Puglisi-Alibrandi, até agora Chefe do setor Jurídico do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano. O advogado Giuseppe Puglisi-Alibrandi, nasceu em Roma em 23 de outubro de 1966 e desde 2014 é Oficial junto ao Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano.

 

Entenda o que é a Santa Sé e o Estado da Cidade do Vaticano

A Santa Sé e o Estado da Cidade do Vaticano são dois conceitos que, ao longo da história e até hoje em dia se misturam, se confundem e, às vezes, se fundem, sendo tomados um pelo outro no entendimento geral, sobretudo pela mídia e até mesmo pelos próprios fiéis católicos. A situação fica pior quando, a esses dois conceitos, se acrescenta um terceiro, ou seja, o de Igreja Católica. Aí, então, não se sabe quem é quem. O mais comum é a associação entre os dois últimos conceitos, ou seja, o “Vaticano” (como é familiarmente chamado o Estado da Cidade do Vaticano) e a Igreja Católica, onde aquele primeiro aparece como o centro de poder ou de direção (o Papa) dessa última. Mas poucos sabem onde se encaixa nessa relação triangular a Santa Sé.

Segundo o Cânon 361, do Código de Direito Canônico de 1983, o termo Santa Sé ou Sé Apostólica tem dois sentidos diferentes, ao afirmar o quanto segue:

“Sob a denominação de Sé Apostólica ou Santa Sé, neste Código, vem não só o Romano Pontífice, mas também, a não ser que pela natureza da coisa ou pelo contexto das palavras se depreenda o contrário, a Secretaria de Estado, o Conselho para os Negócios Públicos da Igreja e os demais organismos da Cúria Romana”.

O primeiro sentido é amplo e geral e, o outro, estrito e especial. No sentido amplo e geral, o nome Santa Sé ou Sé Apostólica compreende não só o Romano Pontífice, mas, também, a não ser que pela natureza da coisa ou pelo contexto das palavras se depreenda outra coisa, a Secretaria de Estado e outras instituições da Cúria Romana. No sentido estrito e especial, o termo Santa Sé ou Sé Apostólica designa somente o Romano Pontífice, quer dizer, o Oficio ou a Função do Romano Pontífice; ou, em outras palavras, designa o Papado, o Primado Romano e a pessoa do Papa.

O cân. 113, § 1 do Código de Direito Canônico de 1983 afirma o seguinte: “A Igreja católica e a Sé Apostólica são pessoas morais pela própria ordenação divina…”. A Santa Sé e a Igreja Católica são pessoas morais no sentido em que elas não recebem sua personalidade e sua existência jurídica de algum ordenamento jurídico estatal e territorial, ou de algum governo ou organização estatal, mas, sim, diretamente de seu fundador, Jesus Cristo: ambos são pessoas chamadas de pré-jurídicas, porque são pessoas de natureza espiritual, religiosa e humanitária, isto é, emanam de um Direito inerente a sua própria natureza, ou seja, que não procede dos meios institucionais característicos do regime democrático.

A Santa Sé e a Igreja Católica constituem uma realidade de natureza espiritual, porque postas de pé pelo próprio Cristo, seu fundador e promulgador, através do Ministério Petrino. A sucessão legítima direta e ininterrupta desse ministério que Cristo confiou a Pedro atravessa a história através dos séculos, chegando até nós na pessoa do atual Pontífice, Francisco, que é o 266° papa na linha da sucessão legítima.

A Santa Sé, assim, é uma realidade dinâmica na história, porque ela se faz presente em cada momento da mesma, através de seu legítimo titular. Assim, os direitos e prerrogativas da Santa Sé ou da Suprema Autoridade da Igreja Católica são inerentes a sua própria missão espiritual no mundo e, enquanto tal, foi reconhecida pelo ordenamento positivo internacional.

Tal reconhecimento internacional da especificidade da Santa Sé data de 380 d.C., quando o Imperador Romano Teodósio promulgou o Edito de Tessalônica “CunctosPopulos”, através do qual estabelecia que a religião cristã era oficialmente reconhecida como a religião do Estado. A partir de então, a Santa Sé participa ativamente da vida da Comunidade Internacional. Assim, a especificidade da natureza e da missão espiritual da Santa Sé, bem como a sua qualidade de Pessoa Jurídica de Direito Internacional Público, vem acontecendo através de um costume e praxe internacional antiquíssimos, ou seja, desde 380 d.C. Dessa forma, pode-se dizer que a experiência internacional da Santa Sé antecede aquela dos Estados em quase quinze séculos, considerando o nascimento dos mesmos a partir de 1648, com o Tratado de Vestfália.

Assim, é a Santa Sé que participa de conferências e subscreve ou adere a convênios internacionais, exercendo os mesmos direitos que os outros Estados-membros, em perfeita paridade com todos eles, dependendo do status da sua participação. Inclusive, conforme o Protocolo de Aquisgrana e a Convenção de Viena de 1961 sobre Relações Diplomáticas, na qualidade de membro e de observador permanente, reconhece-se aos seus representantes a precedência como Decano do Corpo Diplomático.

Desta forma, foram sendo subscritos os documentos internacionais, tanto em nome da Santa Sé quanto em nome do Estado do Vaticano. Porém, a partir de 1957, é a Santa Sé que assume exclusivamente a dupla representação, tanto do Estado da Cidade do Vaticano quanto da Igreja Católica. É o que se entende a partir da seguinte comunicação da Secretaria de Estado da Santa Sé ao Secretário Geral das Nações Unidas, em 1957:

“(…) para dissipar algumas incertezas que vinham se manifestando a respeito do tema das relações entre a Secretaria de Estado e a Secretaria das Nações Unidas, esta, através de uma comunicação ao Secretário Geral Dag Hammerskjõld, pela qual a Secretaria de Estado de Sua Santidade quis precisar que as relações que esta mantém com a Secretaria das Nações Unidas se entendam estabelecidas entre a Santa Sé e as Nações Unidas, e que as delegações que a Secretaria de Estado possa vir a acreditar perante a Organização das Nações Unidas são delegações da Santa Sé e devem ser designadas de agora em diante como tais”.

Convenção da ONU contra a Corrupção

Desde 1996, a corrupção começou a ser tema de interesse dos mais diferentes países que, de modo regional, iniciaram processos de acordos de ação conjunta nesse âmbito. Entretanto, as primeiras convenções firmadas não cobriam todas as regiões do mundo, deixando de lado grande parte dos países da Ásia e do Oriente Médio. Também alguns acordos apenas se referiam a abordagens específicas, como o suborno, por exemplo.

Assim, a comunidade internacional manifestou o interesse de delinear um acordo verdadeiramente global e capaz de prevenir e combater a corrupção em todas as suas formas. Desta forma, nasceu a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção.

A convenção é composta por 71 artigos, divididos em 8 capítulos. Os mais importantes estão reunidos em quatro capítulos e tratam dos seguintes temas: prevenção, penalização, recuperação de ativos e cooperação internacional. São esses capítulos que requerem adaptações legislativas e/ou ações concomitantes à aplicação da convenção a cada país.

Afirma o documento das Nações Unidas:

“Os Estados Partes da presente convenção;

Preocupados com a gravidade dos problemas e com as ameaças decorrentes da corrupção, para a estabilidade e a segurança das sociedades, ao enfraquecer as instituições e os valores da democracia, da ética e da justiça e ao comprometer o desenvolvimento sustentável e o Estado de Direito;

Preocupados, também, pelos vínculos entre a corrupção e outras formas de delinquência, em particular o crime organizado e a corrupção econômica, incluindo a lavagem de dinheiro;

Preocupados, ainda, pelos casos de corrupção que penetram diversos setores da sociedade, os quais podem comprometer uma proporção importante dos recursos dos Estados e que ameaçam a estabilidade política e o desenvolvimento sustentável dos mesmos;

Convencidos de que a corrupção deixou de ser um problema local para converter-se em um fenômeno transnacional que afeta todas as sociedades e economias, faz-se necessária a cooperação internacional para preveni-la e lutar contra ela;

Convencidos, também, de que se requer um enfoque amplo e multidisciplinar para prevenir e combater eficazmente a corrupção;

Convencidos, ainda, de que a disponibilidade de assistência técnica pode desempenhar um papel importante para que os Estados estejam em melhores condições de poder prevenir e combater eficazmente a corrupção, entre outras coisas, fortalecendo suas capacidades e criando instituições;

Convencidos de que o enriquecimento pessoal ilícito pode ser particularmente nocivo para as instituições democráticas, as economias nacionais e o Estado de Direito;

Decididos a prevenir, detectar e dissuadir com maior eficácia as transferências internacionais de ativos adquiridos ilicitamente e a fortalecer a cooperação internacional para a recuperação destes ativos;

Reconhecendo os princípios fundamentais do devido processo nos processos penais e nos procedimentos civis ou administrativos sobre direitos de propriedade;

Tendo presente que a prevenção e a erradicação da corrupção são responsabilidades de todos os Estados e que estes devem cooperar entre si, com o apoio e a participação de pessoas e grupos que não pertencem ao setor público, como a sociedade civil, as organizações não-governamentais e as organizações de base comunitárias, para que seus esforços neste âmbito sejam eficazes;

Tendo presentes também os princípios de devida gestão dos assuntos e dos bens públicos, equidade, responsabilidade e igualdade perante a lei, assim como a necessidade de salvaguardar a integridade e fomentar uma cultura de rechaço à corrupção.”

A adesão à Convenção da ONU contra a Corrupção por parte da Santa Sé

A Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção (United Nations Convention against Corruption, UNCAC – também chamada de Convenção de Mérida) foi promulgada em 31 de outubro de 2003 e entrou em vigor em 14 de dezembro de 2005.  No Brasil, foi aprovada por meio do Decreto n.º 5.687, de 31de janeiro de 2006.

O Cardeal Secretário de Estado, Dom Pietro Parolin, depositou, formalmente, no dia 19 de setembro de 2016, na sede da ONU, em Nova Iorque, o instrumento de adesão da Santa Sé à Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção. Ao expressar seu consentimento a esta Convenção, adotada pela Assembleia Geral da ONU em 31 de outubro de 2013, a Santa Sé, em nome e por conta do Estado da Cidade do Vaticano, formulou “duas reservas e três declarações” interpretativas, que fazem parte integral do instrumento de adesão.

A mesma Convenção, que prevê a adoção de medidas efetivas para prevenir e contrastar os crimes cometidos no âmbito da atividade pública, entrará em vigor para a Santa Sé e o Estado da Cidade do Vaticano.

Cabe ressaltar que, em um artigo publicado no L’Osservatore Romano, o Arcebispo Paul Gallagher, Secretário de Relações com os Estados da Secretaria de Estado da Santa Sé desde 2014, recorda que o Papa Francisco denunciou “a corrupção como uma chaga na sociedade e pediu que esta seja combatida ativamente”.

O Papa Francisco, afirma o Arcebispo Paul Gallagher, determinou que a Santa Sé e o Estado do Vaticano “se adequem aos mais altos padrões internacionais de prevenção da corrupção, quer no exercício de funções públicas, quer no âmbito econômico”. Dom Gallagher recorda que a Convenção de Mérida contra a corrupção é “o principal instrumento global para prevenir e combater os crimes cometidos no âmbito da função pública”.

Particularmente, os Estados que ratificaram a Convenção têm o dever de “investigar e punir” toda forma de corrupção “ativa e passiva” e prevê-se um “detalhado plano normativo para facilitar a assistência judiciária entre os Estados membros por meio da extradição, as rogatórias, a restituição de bens adquiridos ilicitamente, a assistência técnica, a troca de informações”.

O prelado recorda que a Santa Sé já adotou instrumentos jurídicos a este respeito, voltados a prevenir e investigar eventuais casos de corrupção e de propor às Autoridades competentes a adoção de políticas apropriadas para combater o crime.

Por outro lado, observa Dom Gallagher,“será necessário que, no futuro, os Departamentos competentes da Cúria Romana e do Estado da Cidade do Vaticano revejam os próprios procedimentos administrativos à luz dos parâmetros contidos na Convenção, com o objetivo de assegurar a necessária conformidade a ela”.

Por fim, conclui o Exmo. Sr.Secretário, deseja-se que a adesão da Santa Sé à Convenção de Mérida possa “contribuir aos esforços da Comunidade Internacional para garantir a transparência e a boa gestão dos negócios públicos”.

De fato, recentemente o Papa assinalou que a Santa Sé, ao aderir à Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, “decidiu cumprir as melhores práticas” para prevenir e combater a corrupção.

Os atos da Santa Sé para prevenir e combater a corrupção

O primeiro ato foi a publicaçãodo código de contratos e licitações, um texto que é o resultado de quatro anos de trabalho partilhado entre diferentes entidades vaticanas e que servirá como referência única para todas as realidades no Vaticano.

O documento, intitulado “Normas sobre a transparência, controle e concorrência de contratos públicos da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano”, consiste em 86 artigos aos quais se acrescentam outros 12 relacionados à tutela jurisdicional em casos contenciosos. Esta legislação detalhada, promulgada por um Motu proprio do Papa Francisco, no dia 1º de junho de 2020, assume a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção assinada em Mérida e substitui as normativas anteriores já em vigor na Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA) e no Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano, estendendo-se também a todas as entidades da Santa Sé que até o momento não possuíam leis próprias para contratos e licitações.

“A diligência do bom pai de família”, escreve o Papa Francisco no Motu proprio, “é um princípio geral e de máximo respeito, com base no qual todos os administradores devem cumprir suas funções”. “A possibilidade de realizar economias graças à seleção de múltiplas ofertas é decisiva”, explica o pontífice, “na gestão de bens públicos, onde a necessidade de uma administração fiel e honesta é ainda mais sentida e urgente”. As normas, lê-se ainda no Motu proprio, servem “para favorecer a transparência, o controle e a concorrência nos procedimentos de licitação de contratos públicos estipulados em nome da Santa Sé e do Estado Vaticano”. Aos operadores econômicos que fornecem bens, serviços, trabalhos e obras será garantida a “igualdade de tratamento e a possibilidade de participação através de um registro especial” e procedimentos específicos.

O primeiro artigo explica as finalidades da nova lei, que são: o uso sustentável dos fundos internos, a transparência dos procedimentos de licitação, “igualdade de tratamento e não discriminação dos proponentes, em particular por meio de medidas capazes de combater os acordos ilícitos de concorrência e a corrupção”.

Exceto em alguns casos estabelecidos como uma exceção, “todos os bens e serviços, sob pena de nulidade do contrato relativo, são normalmente adquiridos pelas entidades de maneira centralizada”. As “autoridades centralizadas”, lê-se no artigo 15, são, por um lado, a APSA, em relação aos dicastérios da Cúria Romana e às instituições ligadas à Santa Sé; por outro, o Governatorato, quanto às instituições ligadas ao Estado do Vaticano. Estão previstas derrogações à centralização, mas deverão ser devidamente justificadas.

A Secretaria para a Economia, ouvida a APSA, com um procedimento conjunto com o Governatorato, publicará e atualizará a cada seis meses “a lista de preços e as taxas de referência de bens e serviços”, junto com o custo de trabalho dos profissionais inscritos no registro: serão calculados levando em consideração preços e taxas nos mercados em que as entidades vaticanas obtêm seus suprimentos. As entidades vaticanas deverão planejar suas aquisições até 31 de outubro de cada ano.

Foi instituída na Secretaria para a Economia uma lista de funcionários e agentes profissionais temporários autorizados a desempenhar a função de projetista especialista e de membro da comissão examinadora. Eles serão sorteados e alternados nas comissões, sempre com base em suas qualificações profissionais específicas. São muito detalhadas as “incompatibilidades” com a inscrição na lista, dentre as quais há a relação de parentesco “até o quarto grau” ou a afinidade “até o segundo grau” de um sujeito referível a um operador econômico que apresentou a oferta, e também o ser sócio (ou ter sido nos cinco anos precedentes) de um operador econômico que tenha apresentado uma oferta.

Tendo em mente os princípios fundamentais e as finalidades da ordem canônica, junto com a peculiaridade do Estado da Cidade do Vaticano, com o novo código único promulgado pelo Papa Francisco, tornam-se preciosas as regras mais eficazes e as “boas práticas” em vigor em muitos Estados.

O segundo ato foi a promulgação da Carta Apostólica sob forma de Motu Proprio do Papa Francisco que estabelece disposições sobre a transparência na gestão das finanças públicas, para os dirigentes e os administradores do Vaticano, publicada recentemente no dia 29 de abril de 2021.

“Quem trabalha nos Dicastérios da Cúria Romana, nas instituições ligadas à Santa Sé, ou que dela se referem, e nas administrações do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano, tem a particular responsabilidade de concretizar a fidelidade que são falados no Evangelho, agindo segundo o princípio da transparência e na ausência de qualquer conflito de interesses”, descreve o Motu Proprio.

O Sumo Pontífice pede aos dirigentes da Santa Sé e a todas as pessoas que desempenham funções ativas administrativas, funções jurisdicionais ou de controle, que assinem uma declaração onde asseguram que não receberam condenações definitivas, que não estão submetidos a processos penais pendentes ou a investigações por corrupção, fraude, terrorismo, lavagem de dinheiro, exploração de menores, evasão fiscal.

Na declaração irão também informar que não têm dinheiro ou investimentos em países com alto risco de lavagem de dinheiro ou de financiamento do terrorismo, em paraísos fiscais ou participações em empresas que operam contra a Doutrina Social da Igreja.

Papa Francisco pede também que todos afirmem, segundo o conhecimento de cada um, que todos os bens, móveis e imóveis, de sua propriedade ou detidos por eles, e qualquer remuneração recebida, são provenientes de atividades legítimas.

Segundo o Motu Proprio dedicado à transparência, também é proibido a todos os funcionários da Cúria Romana, do Estado da Cidade do Vaticano e entidades afins aceitarem “presentes ou outros benefícios” de valor superior a 40 euros.

O Papa assinala que a Santa Sé, ao aderir à Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção (Convenção de Mérida), “decidiu cumprir as melhores práticas” para prevenir e combater a corrupção. Como já constatamos, neste âmbito, acrescenta que já tinham sido criadas “salvaguardas fundamentais na luta contra a corrupção no domínio dos contratos públicos”, com a Carta Apostólica em forma de Motu Proprio de 19 de maio de 2020, que contém “Regulamentos sobre a transparência, controle e concorrência dos contratos públicos da Santa Sé e do Estado da Cidade do Vaticano”.

O Papa Francisco começa o novo documento a destacar que, segundo as Escrituras, a “fidelidade em questões de pouca importância está relacionada à fidelidade em questões importantes”, como em relação a ser desonesto (cf. Lc 16,10).

De fato, o Papa Francisco nos recorda que alcança sucesso na vida quem sabe administrar. Tudo na vida deve ser bem administrado. As emoções, as vontades, os sentimentos, os bens, o equilíbrio na vida espiritual e material, a convivência familiar, as relações no trabalho, enfim, tudo na vida deve ser bem administrado. Uma empresa, se não for bem administrada, é candidata à falência. Uma comunidade de fé, se não for bem administrada, perde seus fiéis. Em uma família mal administrada, os vícios e a bagunça tomam conta e destroem seus membros.

No âmbito das Igrejas particulares, é fundamental compreender que os bens da Igreja não pertencem ao padre e nem ao bispo. Estes têm a obrigação de zelar por aquilo que pertence à comunidade. Por isso, a sua estrutura deve ser sólida e profissional. A sua organicidade exige a participação de cristãos leigos e leigas, como profissionais da área, colaborando para cuidar do que pertence à comunidade. Importante que os fiéis conheçam a estrutura e funcionamento dessa organização. Assim, muitos comentários inúteis deixam de acontecer. A boa administração dos bens reflete a organização perfeita de tudo o que acontece na comunidade de fé.

No mais, a sociedade como um todo está cada vez mais ansiosa por mais transparência e seriedade. Um trabalho sério, sólido, passando por controles internos efetivos e objetivando a mitigação de riscos é necessário para trazer a perenidade e refletir a seriedade do trabalho nas instituições.

Considerando-se que a corrupção e suas nuances afetam todas as nações, é importante o avanço de iniciativas como esta, no sentido de demonstrar a importância de enfrentamento desse problema, ainda mais se levados em consideração o atual cenário pandêmico, que favorece a ocorrência de práticas corruptoras.

Tratados internacionais, a exemplo da Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção, a Convenção Interamericana Contra a Corrupção e a Convenção sobre o Combate da Corrupção de Funcionários Públicos Estrangeiros em Transações Comerciais Internacionais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Humano (OCDE) demonstram que os anseios da comunidade internacional vêm sendo atendidos.

Combater a corrupção é combater a violação de direitos humanos e, nesse sentido, a postura adotada pelo Papa, ao determinar à Santa Sé e ao Estado do Vaticano que “se adequem aos mais altos padrões internacionais de prevenção da corrupção, quer no exercício de suas funções públicas, quer no âmbito econômico”, traduz o próprio tone at the top, expressão muito utilizada em compliance, no sentido de que a alta direção ou aqueles no mais alto grau da hierarquia devem dar o exemplo e apoiar medidas de combate à corrupção.

Dessa forma, a Santa Sé, ao tomar tais relevantes medidas, demonstra mais uma vez sua preocupação com a transparência, honestidade e com a construção da relação de confiança com os fiéis, cidadãos e com a própria comunidade internacional.

*Monsenhor André Sampaio de Oliveira

Mestre e doutor em direito canônico pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma

Formado pela Pontifícia Academia Eclesiástica – Escola Diplomática da Santa Sé.

A Cop26, Conferências das Nações Unidas sobre mudanças climáticas que acontece na Escócia até dia 12, recebeu do Papa Francisco uma mensagem. A mensagem
A Cop26, Conferências das Nações Unidas sobre mudanças climáticas que acontece na Escócia até dia 12, recebeu do Papa Francisco uma mensagem. A mensagem foi lida pelo cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado Vaticano, que representa o Papa no evento. O Papa ressalta na mensagem: “A COP26 pode e deve contribuir ativamente para a construção consciente de um futuro onde as condutas cotidianas e os investimentos econômico-financeiros possam realmente salvaguardar as condições de uma vida digna da humanidade de hoje e de amanhã num planeta ‘saudável'”.  Leia a matéria publicada no site Vatican News.
“Estamos todos conscientes da tarefa importante de mostrar a toda à Comunidade internacional se realmente existe vontade política para destinar com honestidade, responsabilidade e coragem mais recursos humanos, financeiros e tecnológicos para mitigar os efeitos negativos das mudanças climáticas, bem como para ajudar as populações mais pobres e vulneráveis, que são as que mais sofrem com isso”, ressalta o Papa no texto, lido pelo secretário de Estado Vaticano, cardeal Pietro Parolin.

Não temos alternativas

Segundo o Papa, esta tarefa deve ser desempenhada “em meio a uma pandemia que assola a nossa humanidade há quase dois anos”. A pandemia da Covid-19 “nos ensina que não temos alternativas: só conseguiremos vencê-la se todos participarmos deste desafio. Tudo isso, sabemos bem, requer uma colaboração profunda e solidária entre todos os povos do mundo”.

Francisco destaca que devemos construir juntos o período pós-pandêmico, confrontando-nos “com os erros cometidos no passado”. “A COP26 pode e deve contribuir ativamente para a construção consciente de um futuro onde as condutas cotidianas e os investimentos econômicos e financeiros possam realmente salvaguardar as condições de uma vida digna da humanidade de hoje e de amanhã num planeta ‘saudável’.”

Redução de dióxido de carbono no Vaticano

Segundo o Pontífice, “esta é uma mudança de época, de um desafio de civilização para o qual é necessário o compromisso de todos e em particular dos países com maiores capacidades, que devem assumir um papel de liderança no campo da finança climática, da descarbonização do sistema econômico e da vida das pessoas, da promoção de uma economia circular, do apoio aos países mais vulneráveis ​​para as atividades de adaptação aos impactos das mudanças climáticas e de resposta às perdas e danos decorrentes deste fenômeno”.

O Papa recorda que a Santa Sé, adotou uma estratégia de redução das emissões de dióxido de carbono que se move em dois níveis: “O compromisso do Estado da Cidade do Vaticano em atingir este objetivo até 2050, e o compromisso da Santa Sé em promover a educação para a ecologia integral, consciente de que as medidas políticas, técnicas e operacionais devem se unir a um processo educativo que, sobretudo entre os jovens, promova novos estilos de vida e fomente um modelo cultural de desenvolvimento e sustentabilidade centrados na fraternidade e na aliança entre o ser humano e o meio natural.”

Conversão individual e comunitária

Nesta perspectiva, o Papa recorda o encontro com os líderes religiosos e cientistas, no Vaticano, em 4 de outubro passado, para assinar um Apelo conjunto em vista da Cop26, onde foram ouvidas vozes diferentes e com várias sensibilidades. Segundo o Papa, “houve uma forte convergência de todos no compromisso de enfrentar a necessidade de iniciar uma mudança de rumo capaz de passar com decisão e convicção da cultura do descarte, prevalente em nossa sociedade, a uma cultura do cuidado de nossa Casa comum e daqueles que nela habitam e habitarão”.

Francisco ressalta no texto que “a humanidade tem meios para enfrentar esta transformação que requer uma verdadeira conversão individual e comunitária, e a firme vontade de tomar este caminho. Trata-se de passar de um modelo de desenvolvimento mais integral e integrante, fundado na solidariedade e na responsabilidade, a uma transição onde deverão ser considerados atentamente os efeitos que essa transição terá sobre o mundo do trabalho”.

A ‘dívida ecológica’ lembra a dívida externa

Nesta perspectiva, deve ser dada uma atenção particular às populações mais vulneráveis, para as quais amadureceu uma “dívida ecológica”, “ligada tanto aos desequilíbrios comerciais com consequências ambientais, quanto ao uso desproporcional dos recursos naturais do próprio e de outros países”.

De acordo com o Papa, “a ‘dívida ecológica’ lembra, em alguns aspectos, a questão da dívida externa, cuja pressão muitas vezes impede o desenvolvimento dos povos'”. O período da pós-pandemia “pode e deve recomeçar tendo em conta todos estes aspectos, também ligados ao início de cuidadosos procedimentos negociados para o perdão da dívida externa associada a uma estrutura econômica mais sustentável e justa, visando apoiar a emergência climática”. Segundo Francisco, os países desenvolvidos devem “limitar o consumo de energia não renovável e contribuir com recursos para os países mais necessitados a fim de promover políticas e programas de desenvolvimento sustentável”.

O Papa recorda que, infelizmente, “devemos notar amargamente o quão longe estamos de alcançar os objetivos desejados para combater as mudanças climáticas. Em diversos momentos, tendo em vista a COP26, ficou claro que não há mais tempo para esperar. São muitos os rostos humanos que estão sofrendo com esta crise climática”. Essa crise, “se tornou também uma crise de direitos das crianças e, num futuro próximo, os migrantes ambientais serão mais numerosos do que os refugiados dos conflitos”. “Devemos agir com urgência, coragem e responsabilidade. Agir para preparar um futuro em que a humanidade seja capaz de cuidar de si mesma e da natureza”, conclui Francisco.

No Angelus da Festa de Todos os Santos, hoje, 1º de novembro de 2021, o Papa Francisco falou sobre dois aspectos que levam ao
No Angelus da Festa de Todos os Santos, hoje, 1º de novembro de 2021, o Papa Francisco falou sobre dois aspectos que levam ao Reino de Deus e à felicidade seguindo as Bem-Aventuranças: a alegria e a profecia. “As Bem-aventuranças são a profecia de uma nova humanidade, de uma nova maneira de viver: fazer-se pequeno e confiar-se a Deus, em vez de emergir sobre os outros”.
O Papa Francisco explicou que as Bem-aventuranças nos mostram “o caminho que leva ao Reino de Deus e à felicidade”. E se concentrou em dois aspectos: a alegria e a profecia.

Alegria

Ao falar sobre a alegria o Papa recordou que Jesus começa com a palavra “Bem-aventurados” (Mt 5,3). Explicando em seguida porque somos bem-aventurados aos encontrar Jesus:“É o anúncio principal, de uma felicidade sem precedentes. As bem-aventuranças, a santidade, não é um programa de vida feito apenas de esforço e renúncia, mas é sobretudo a alegre descoberta de ser filhos amados por Deus. Não é uma conquista humana, é um dom que recebemos: somos santos porque Deus, que é o Santo, vem habitar em nossas vidas. Por isso, somos bem-aventurados!”

Recordando em seguida que: “Sem alegria, a fé torna-se um exercício rigoroso e opressivo, e corre o risco de adoecer de tristeza”. E concluiu este aspecto com uma sugestão:

“Perguntemo-nos o seguinte: somos cristãos alegres? Espalhamos a alegria ou somos pessoas maçantes e tristes, com uma expressão fúnebre? Lembremo-nos: não há santidade sem alegria!”

Profecia

Em seguida o Papa falou sobre o outro aspecto, ou seja, a profecia afirmando:

As Bem-aventuranças são dirigidas aos pobres, aos aflitos, aos famintos por justiça. É uma mensagem contracorrente”, explica porque enquanto o mundo diz que “para ter felicidade é preciso ser rico, poderoso, sempre jovem e forte”. “Jesus derruba estes critérios e faz um anúncio profético”:

“A verdadeira plenitude de vida é alcançada seguindo-O, e praticando a Sua Palavra. E isto significa ser pobre por dentro, esvaziando-se para dar lugar a Deus”

Depois de afirmar que os ricos por se considerarem autossuficientes se fecham a Deus, os pobres “permanecem abertos a Deus e ao próximo”. Assim, afirmou, o pobre encontra a alegria.

“As Bem-aventuranças, portanto, são a profecia de uma nova humanidade, de uma nova maneira de viver: fazer-se pequeno e confiar-se a Deus, em vez de emergir sobre os outros; ser mansos, em vez de tentar impor-se; praticar a misericórdia, em vez de pensar somente em si mesmo; comprometer-se com a justiça e a paz, em vez de alimentar, mesmo com a conivência, injustiças e desigualdades”

“A santidade está em aceitar e colocar em prática, com a ajuda de Deus, esta profecia que revoluciona o mundo”.

Também neste aspecto o Santo Padre concluiu seu pensamento fazendo com que nos interroguemos:

“Sou testemunha da profecia de Jesus? Eu expresso o espírito profético que recebi no Batismo? Ou eu me conformo com o conforto da vida e com minha própria preguiça, pensando que tudo está bem se estiver bem comigo? Levo ao mundo a alegre novidade da profecia de Jesus ou as habituais queixas sobre o que está errado?

Francisco conclui o Angelus desejando “que a Santíssima Virgem nos dê algo de sua alma, aquela alma abençoada que alegremente engrandeceu o Senhor, que ‘derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes’.”

O Papa Francisco fez pronunciamento em vista da Cop26. Leia a matéria publicada no site Vatican News. Em vista da Cop26, Francisco enviou uma
O Papa Francisco fez pronunciamento em vista da Cop26. Leia a matéria publicada no site Vatican News.

Em vista da Cop26, Francisco enviou uma mensagem de áudio e vídeo para a BBC. O Santo Pede uma renovada solidariedade global para cumprir “escolhas radicais” que nos permitam sair das crises transversais e interconectadas que a humanidade enfrenta. O caminho a ser percorrido: uma conversão que não seja apenas espiritual.

Uma “tempestade perfeita” está destruindo o mundo, uma tempestade causada pelas mudanças climáticas e pela pandemia da Covid-19, uma tempestade que rompe os laços da sociedade, provocando uma crise multifacetada: saúde, meio ambiente, alimentação, econômica, social, humanitária e ética. Esta é a imagem dramática que o Papa Francisco escolheu para abrir a mensagem de áudio e vídeo transmitida no programa radiofônico “Pensamento do Dia” da BBC, antes da 26ª Conferência do Clima (Cop26) das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (UNFCCC). O encontro se realizará, em Glasgow, na Escócia, de 31 de outubro a 12 de novembro.

Nova solidariedade baseada na justiça e na partilha

“As nossas seguranças caíram, o nosso apetite pelo poder e a nossa sede de controle estão desmoronando”, afirma o Papa, pedindo “visão, capacidade de planejamento e rapidez de execução” para repensar “o futuro de nossa Casa comum”. Portanto, não a “atitudes de isolamento, protecionismo e exploração”; e sim à capacidade de aproveitar “uma oportunidade real de transformação, um verdadeiro ponto de conversão, não apenas no sentido espiritual”:

Este último caminho é o único que leva a um horizonte “luminoso” e só pode ser percorrido através de uma corresponsabilidade mundial renovada, uma nova solidariedade baseada na justiça, na partilha de um destino comum e na consciência da unidade da família humana, plano de Deus para o mundo.

Colocar a dignidade humana no centro

Este é o verdadeiro desafio que a humanidade enfrenta hoje:

É um desafio da civilização em favor do bem comum e de uma mudança de perspectiva, na mente e no olhar, que deve colocar a dignidade de todos os seres humanos de hoje e de amanhã no centro de todas as nossas ações.

Não sairemos da crise sozinhos, devemos construir juntos

O Papa convida a “construir juntos”, porque “não se pode sair de uma crise sozinho”, e não existem “fronteiras, barreiras, muros políticos dentro dos quais se esconder”. Francisco lembra o Apelo conjunto, assinado em 4 de outubro com os líderes religiosos e cientistas, pedindo “ações mais responsáveis e coerentes” no campo climático, porque “não podemos permitir” que as gerações futuras tenham que viver “num mundo inabitável”.

No Apelo conjunto recordamos a necessidade de trabalhar responsavelmente em favor da “cultura do cuidado” da nossa Casa comum e também de nós mesmos, procurando arrancar as “sementes dos conflitos: ganância, indiferença, ignorância, medo, injustiça, insegurança e violência”.

É necessário o compromisso de todos

Segundo Francisco, “uma mudança tão urgente de rumo”, requer “o compromisso de cada um”, um compromisso que “deve ser alimentado também pela própria fé e espiritualidade”, porque se é verdade que os políticos que participarão da Cop26 “são urgentemente chamados a oferecer respostas eficazes à crise ecológica em que vivemos” e “esperança concreta para as gerações futuras”, é igualmente verdade que a responsabilidade é global:

Todos nós – é preciso repetir, quem quer que seja e onde quer que estejamos – podemos desempenhar um papel na mudança de nossa resposta coletiva contra a ameaça sem precedentes das mudanças climáticas e da degradação de nossa Casa comum.

O que a Cop26 prevê

Inicialmente prevista para novembro de 2020, a Cop26 foi adiada por um ano devido à pandemia. Os países participantes apresentarão seus planos atualizados para reduzir suas emissões. Em 2015, no final da Cop21 em Paris, foi estabelecido limitar o aumento da temperatura global a 1,5 graus. As nações também se comprometeram a se adaptar aos impactos das mudanças climáticas e a mobilizar os fundos necessários para atingir esses objetivos, criando um plano nacional mostrando a extensão da redução de suas emissões, conhecido como a Contribuição Determinada Nacionalmente (Ndc). Este plano deve ser atualizado a cada cinco anos e é isso que acontecerá durante a Cop26. O secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, conduzirá a delegação vaticana no encontro na Escócia.

Indulgências para os fiéis defuntos prorrogadas novamente até o fim de novembro, anuncia a Penitenciaria Apostólica. Leia a notícia divulgada no site Vatican News.

Indulgências para os fiéis defuntos prorrogadas novamente até o fim de novembro, anuncia a Penitenciaria Apostólica. Leia a notícia divulgada no site Vatican News.

Devido à pandemia e às medidas de restrições, a Penitenciaria Apostólica respondeu às solicitações de numerosos bispos, emitindo um decreto que anuncia a prorrogação das indulgências plenárias da mesma forma que em 2020, ou seja, para todos o mês de novembro e não apenas no Oitavário os primeiro oito dias de novembro

Um Decreto da Penitenciaria Apostólica, publicado nesta quinta-feira (28), estabelece a possibilidade de obter as indulgências plenárias para os fiéis defuntos durante todo o mês de novembro. O texto afirma que a decisão foi tomada depois de ter ouvido “os pedidos recebidos recentemente de vários Pastores Sagrados da Igreja, devido à permanência da pandemia”. A Penitenciaria Apostólica, portanto, “confirma e estende para todo o mês de novembro de 2021 todos os benefícios espirituais já concedidos em 22 de outubro de 2020”, através de um decreto semelhante com o qual, também por causa da Covid-19, as indulgências plenárias para os fiéis defuntos foram prorrogadas para todo o mês de novembro de 2020..

A oportunidade espiritual oferecida pela prorrogação

O texto prossegue ilustrando os benefícios da prorrogação: “Da renovada generosidade da Igreja”, pode-se ler, “os fiéis certamente extrairão piedosas intenções e vigor espiritual para dirigir a própria vida de acordo com a lei do Evangelho, em comunhão filial e devoção para com o Sumo Pontífice, visível fundamento e Pastor da Igreja Católica”.

Cardeal Piacenza: uma devoção sincera

O presente decreto, como o publicado no ano passado em meio à pandemia, pretende atender à necessidade ainda viva de evitar agregações, uma causa potencial da propagação da Covid-19, que ainda afeta a população mundial em graus variados. Em entrevista ao Vatican News no último dia 23 de outubro, o Penitenciário-Mor Cardeal Mauro Piacenza explicou que “a regra codificada é a de uma indulgência plenária em todos os dias do Oitavário de 1 a 8 de novembro para todos os que visitarem cemitérios rezando pelos defuntos, e em 2 de novembro, especificamente, para os que visitarem uma igreja ou oratório e ali recitarem o ‘Pai-Nosso’ e o ‘Credo’. Este é o standard”. O Cardeal Piacenza prosseguiu dizendo que esta é uma forma de devoção muito sentida, que se expressa participando da missa e visitando cemitérios. Por esta razão, para que as pessoas possam diluir suas visitas sem criar uma multidão, “foi decidido expandir o tempo dando a possibilidade de fazer uso de indulgências e assim para todo o mês de novembro será possível adquirir o que foi previsto para os primeiros oito dias de novembro”.

Reavivar a fé na vida eterna

Com relação à ligação entre a Solenidade de Todos os Santos e a comemoração dos mortos o Penitenciário-Mor recordava que: “Nestes dias somos chamados a reavivar nossa certeza na glória e na bem-aventurança eterna” e recomendava: “peçamos humildemente e com confiança o perdão para aqueles que nos deixaram, pelos seus pequenos ou grandes erros, eles que no entanto já estão salvos no amor de Deus, e renovemos nosso compromisso de fé”.