Notícias da Igreja

Sandra Sabattini, foi beatificada e o processo de canonização continua na Congregação para as Causas dos Santos. Sandra faleceu vítima de um atropelamento quando
Sandra Sabattini, foi beatificada e o processo de canonização continua na Congregação para as Causas dos Santos. Sandra faleceu vítima de um atropelamento quando se dirigia com seu noivo para um encontro da Comunidade Papa João XXIII, da qual os dois eram membros. A beata Sandra Sabattini é a primeira noiva em processo de canonização na Igreja. Leia a matéria publicada no site Vatican News.
Em Rimini, na Basílica Catedral de Santa Colomba, o prefeito da Congregação para as Causas dos Santos presidiu a Missa de beatificação de Sandra Sabattini, falecida em 1984, aos 22 anos. Filha espiritual de padre Oreste Benzi, fundador da Comunidade Papa João XXIII, Sandra dedicou sua breve vida a ajudar as pessoas com deficiência física e toxicodependentes.
“Demos tudo de nós, mas são pessoas que eu nunca abandonarei”: Sandra Sabattini tem apenas 13 anos quando conta à sua mãe, com estas palavras, a experiência de serviço às pessoas com deficiência, vivida na Comunidade Papa João XXIII.

O prefeito da Congregação para as Causas dos Santos,  cardeal Marcello Semeraro, cita estas mesmas palavras, ao presidir na tarde deste domingo, 24, em Rímini, a Missa de beatificação desta jovem, falecida aos 22 anos, atropelada por um carro em alta velocidade.

“Amar é levar o sofrimento do outro”, acrescenta o purpurado na homilia da Missa, repleta de muitas pessoas, sobretudo jovens e também alguns amigos da Beata. O purpurado também sublinhou o fato de que o “desejo de servir os pobres” da nova Beata não era mera caridade, mas fruto do amor sem limites de Deus, em cujo mar “sem fundo e sem margens”, Sandra “mergulhou o coração”.

Exemplo de caridade criativa e concreta

“Sandra foi uma autêntica artista”, acrescentou o cardeal Semeraro, porque “aprendeu muito bem a linguagem do amor, com as suas cores e sua musicalidade”. A sua santidade foi “abrir-se à partilha com os últimos, o colocar ao serviço de Deus toda a sua jovem existência terrena, feita de entusiasmo, simplicidade e grande fé”.

Primeira noiva santa a subir às honras dos altares, a Beata Sabattini “doava a quem tinha necessidade a acolhia sem julgamentos, porque desejava comunicar o amor do Senhor”. Neste sentido, explica ainda o purpurado, a sua caridade era “criativa e concreta”, porque “amar alguém é sentir o que ela necessita e levar a sua dor”.

Cada minuto é uma oportunidade para amar

Por fim, o prefeito da Congregação para as Causas dos Santos concluiu sua homilia com os versos de uma oração escrita pela própria Sandra em 7 de setembro de 1982, dois anos antes de sua morte: “Senhor, que cada ação minha seja determinada pelo fato de querer o bem dos jovens, cada minuto é uma ocasião para amar, a ser aproveitada”.

Foi grande a emoção no momento do pronunciamento da fórmula em latim que declarou a beatificação de Sandra: um clamoroso aplauso, que parecia quase interminável, acompanhou o momento principal da cerimônia, que continuou com a procissão da relíquia da nova beata, levada para o altar pelo miraculado Stefano Vitali.

 

O Papa Francisco recebeu no Vaticano nesta segunda-feira (25) uma peregrinação ecumênica vinda da Alemanha “Com Lutero ao Papa”. Na ocasião convidou todos a
O Papa Francisco recebeu no Vaticano nesta segunda-feira (25) uma peregrinação ecumênica vinda da Alemanha “Com Lutero ao Papa”. Na ocasião convidou todos a se unirem para escutar a melodia de Deus, que o Senhor compôs dentro da vida de cada um. Também desejou a disponibilidade de escuta para a Igreja afirmando: “Estamos reaprendendo a escuta no processo sinodal”

Na manhã desta segunda-feira (25) o Papa Francisco recebeu uma peregrinação ecumênica proveniente da Alemanha que tem como lema “Melhor todos juntos”. Após a saudação inicial o Papa agradeceu a canção comunitária cantada pelos presentes e disse: “Cantar une as pessoas. No coro, ninguém está sozinho: é importante escutar os outros. Desejo esta disponibilidade de escuta para a Igreja. Estamos reaprendendo a escuta no processo sinodal”.

Abram seus corações

Em seguida disse aos presentes:

Queridos amigos, escutem também a melodia de Deus em suas vidas; a melodia que o Senhor compôs dentro de suas vidas. Abram não somente seus ouvidos, mas também seus corações. Quem canta de coração aberto, talvez sem se dar conta, já toca o mistério de Deus. Este mistério é o amor, o amor que em Jesus Cristo encontra seu som esplêndido, pleno e único“.

E concluiu o encontro desejando: “Ouçam sempre a melodia de Deus em suas vidas. Porque um canto é formado por muitas vozes. E o mesmo acontece com o ecumenismo, na Alemanha e em muitas outras partes do mundo”.

A notícia está postada no site Vatican News.

Andréa, Ada, Lady, Odilia, Immaculéee, Joyce, Vanecia, Mélina, Saint Eude, Antony Mercia, Jessica, Franck, Daniel Beni, Gloire, Anaèlle… Alguns com caligrafia mais incerta, outros

Andréa, Ada, Lady, Odilia, Immaculéee, Joyce, Vanecia, Mélina, Saint Eude, Antony Mercia, Jessica, Franck, Daniel Beni, Gloire, Anaèlle… Alguns com caligrafia mais incerta, outros com primeiro e último nome ou com um ‘M’ pontilhado ou uma estrelinha, mas todas as 22 crianças do orfanato Centro Nazaré na periferia de Brazzaville, na República do Congo, assinaram seus nomes na carta enviada ao Papa Francisco. Uma carta datada de 3 de outubro, manuscrita com uma caneta azul em três folhas de papel quadriculado, as mesmas usadas na escola, para dizer “Merci, Merci, Merci beaucoup” (“Obrigado, obrigado, muito obrigado”) ao Papa pelo importante presente recebido: um fornecimento de medicamentos para a Drepanocitose, também conhecida como Anemia Falciforme, que são difíceis de encontrar nestes lugares inacessíveis, onde quase não há água e alimento, muito menos medicamentos para uma doença genética do sangue. Esses remédios quando são encontrados, são muito caros.

Pedido de ajuda do Papa

No meio das dificuldades da vida e dos recursos limitados, mas sem ceder ao desespero, as crianças do Centro Nazaré pegaram caneta e papel e pediram ajuda ao Papa. O Papa não esperou muito tempo para responder e, por intermédio do Esmoleiro pontifício, cardeal Konrad Krajewski, e da Nunciatura Apostólica, no início de outubro enviou pacotes com medicamentos, com a escrita em vermelho “Presente do Santo Padre”, à responsável pelo orfanato, irmã Elise Vouakouanitou, 63 anos, congolesa de Pointe-Noire.

Um “grande obrigado”

Ela foi quem redigiu a carta, em nome das crianças, a “Saint Père Pape François”: “Santo Padre, o seu pensamento por nós, enviando remédios a duas irmãs de nosso orfanato, Odilia e Elise, nos mostra que a palavra das Sagradas Escrituras é vida. Sim, balbuciamos, mas o nosso coração não pode ficar calado ao louvar o Senhor. Santo Padre, com esses remédios acreditamos e afirmamos que Deus nos visitou através de você, Vigário de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Da nossa parte, o abençoamos e imploramos a Sua graça e força sobre você.” A irmã Elise e as crianças de Brazzaville dizem “um grande obrigado” a Deus, ao Papa e à nunciatura pela “atenção ilimitada” para com eles. “Através deste gesto, percebemos que o título de sua última carta encíclica (Fratelli tutti, ndr) não é em vão, mas um programa de trabalho e missão que você aceitou em nome de Cristo na Igreja. Sim, nós afirmamos que somos todos irmãos”.

A fraternidade no Centro Nazaré

Esta fraternidade é vivida todos os dias dentro no Centro Nazaré, onde as crianças sem casa e destinadas a um futuro incerto, não só recebem comida, um teto e uma cama para dormir, mas também uma educação integral inspirada nos valores cristãos, “especialmente os do amor e da fraternidade universal”, explica irmã Vouakouanitou ao Vatican News. Ela não esconde as dificuldades em alimentar e cuidar de mais de vinte crianças de diferentes idades, provenientes de diferentes situações de vida, todos os dias: “Órfãos, abandonados ou com pais com transtornos mentais. Algumas delas, como eu disse, sofrem de Anemia Falciforme, uma forma de anemia curável com medicamentos, mas que, nos casos mais graves, requer transplante de células-tronco ou de medula óssea. Tratamento difícil num país onde os medicamentos geralmente são importados e o alto custo os torna inacessíveis.” Atualmente, irmã Elise recebe ajuda de sua família religiosa e colabora com uma associação italiana que a apoia no trabalho escolar e na assistência médica das crianças.

Uma família

Várias voluntárias colaboram com irmã Elise, dentre elas Immaculée, uma jovem que no passado se beneficiou dos serviços da casa e que há alguns anos optou por trabalhar como ajudante no orfanato, em sinal de gratidão. “Pessoalmente é uma bela experiência, ajuda a crescer, a conhecer melhor a nós mesmos e os outros, e sobretudo a estar e rezar juntos”, ressalta a jovem. “Aqui, mesmo que não tenhamos laços de sangue, sinto que é como o outro fosse meu pai, minha mãe, minha irmã”, disse ainda Immaculée. O Centro Nazaré é o que sempre quis ser: “Uma casa” e “uma família” para quem ali vive e trabalha, tal como a família de Nazaré da qual possui nome.

Crédito: A matéria está publicada no site Vatican News.
A pauta do Conselho Permanente (Consep) da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil contempla as diversidades  que vivemos: eleições, encontro de parlamentares católicos,

A pauta do Conselho Permanente (Consep) da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil contempla as diversidades  que vivemos: eleições, encontro de parlamentares católicos, Jornada Mundial da Juventude, Congresso Eucarístico Nacional, Assembleia da América Latina, análise de conjuntura e próxima Assembleia dos Bispos, a 59ª.

Participam: a presidência da CNBB, presidentes das Comissões Episcopais e presidentes dos Conselhos Episcopais Regionais. Participam desta reunião do Conselho os assessores das Comissões Episcopais Pastorais da CNBB e representantes dos Organismos do Povo de Deus. A reunião do Consep acontece nos dias  20 e 21 de outubro de 2021.

Participa da reunião o arcebispo de Vitória, dom Dario Campos, ofm.

Assessor de Comunicação do Celam, Conferência Episcopal Latino Americana, falou à Rádio Vaticana que o Sínodo dos Bispos “deve abrir a mente para deixar

Assessor de Comunicação do Celam, Conferência Episcopal Latino Americana, falou à Rádio Vaticana que o Sínodo dos Bispos “deve abrir a mente para deixar que as novas ideias sejam realizadas”. Leia a matéria publicada no site Vatican News e escute a entrevista.

Oscar Elizalde Prada, assessor do centro para a comunicação do CELAM, Conselho Episcopal Latino-americano falando à Rádio Vaticano – Vatican News, disse que “uma primeira grande aprendizagem que conseguimos nestes dias da abertura do Sínodo foi o convite que o Papa Francisco fez na missa de abertura do Sínodo, no dia 10 de outubro. Ele falou de três grandes elementos fundamentais para o processo sinodal”. Uma a questão do encontro, – disse ele -, a Igreja que quer fazer a arte do encontro esta convidada a fortalecer todas as mediações que ajudem o encontro. Depois, salientou, a importância da escuta, “a escuta entre todos nós como povo de Deus, mas também a escuta do que o Espírito está pedindo para a Igreja de hoje”. E uma terceira grande insistência do Papa tem sido a questão do dissernimento, dissernir comunitariamente, quais são os novos caminhos que a Igreja tem que percorrer.

O Papa também falou no primeiro dia, no ato de inauguração, sábado 9 de outubro, – destacou ainda Oscar – “ele falou de três riscos, três situações que podem colocar em perigo o caminho sinodal. De um lado o risco do formalismo, ou seja deixar todas as ações do Sínodo como uma situação social de reuniões, mas que não vão além disso. Outro grande risco é a questão do intelectualismo, ou seja, falar do Sínodo, teorizar o Sínodo, mas não fazer nada na prática. Não é falar por falar, mas fazer muito mais do que isso, mas sim levar para a praxis tudo o que o Sínodo está tentado fazer. E uma outra questão é a do assunto do imobilismo. Acho que é um dos maiores desafios, porque não podemos pensar que sempre tem sido feito assim. Então mais do que isso é abrir a mente para também deixar que as novas ideias, as novas propostas também sejam realizadas”.

Falando sobre o CELAM e os projetos para o futuro Oscar disse que o CELAM está fazendo um trabalho interessante neste sentido sinodal, a partir do processo da Assembleia Eclesial da América Latina e Caribe. “Uma Assembelia que já estamos chegando à fase da celebração da Assembleia no mês de novembro de 21 a 28”. A Assembleia – destacou – tem feito também uma série de escuta muito parecida com o que agora o Sínodo está motivando. O assessor do CELAM disse que a Assembleia vai também tentar apresentar no final deste processo quais são os novos caminhos que a Igreja latino-americana precisa realizar para que todos sejamos missionários, discípulos missionários em saída. “O Papa tem pedido também ao CELAM que mantenha a memória e que aproveite muito o que propõe a Conferência de Aparecida de 2007, atualizar e levar à prática o que Aparecida está pedindo”.

A Praça do Vaticano vai, aos poucos, recebendo os fiéis para a oração do ângelus com o Papa Francisco. Neste 29ºDomingo do Tempo Comum,

A Praça do Vaticano vai, aos poucos, recebendo os fiéis para a oração do ângelus com o Papa Francisco. Neste 29ºDomingo do Tempo Comum, o Papa comentou a lógica de Jesus: descer do pedestal para servir. Leia a matéria divulgada no site Vatican News.

Comentando o Evangelho deste 29º Domingo do Tempo Comum, o Pontífice destacou dois verbos: emergir e imergir.

Marcos narra que dois dos discípulos, Tiago e João, pedem ao Senhor para se sentar ao Seu lado na glória, “como primeiros-ministros”, causando indignação nos demais. Jesus então ensina que a verdadeira glória se obtém vivendo o batismo que estava para receber em Jerusalém, e não elevando-se sobre os outros.

A palavra batismo significa “imersão”. Portanto, a glória de Deus é amor que se faz serviço, não poder que busca o domínio.

As ciladas da busca do prestígio pessoal

Emergir, explicou o Papa, expressa aquela mentalidade mundana da qual somos sempre tentados: viver todas as coisas, até mesmo as relações, para alimentar a nossa ambição, para subir os degraus do sucesso. A busca do prestígio pessoal, advertiu, pode se tornar uma doença do espírito. “Isso na Igreja também acontece”, lamentou Francisco: “Quantas vezes, nós cristãos, que deveríamos ser os servidores, buscamos galgar, ir avante.” É importante sempre verificar as verdadeiras intenções do coração e perguntar-se se levo avante um serviço somente para ser notado e louvado.

A esta lógica mundana, Jesus propõe a sua: ao invés de elevar-se sobre os demais, descer do pedestal para servir. Ao invés de emergir sobre os outros, imergir-se na vida dos outros. O Papa então citou um programa da televisão italiana que veiculou uma reportagem sobre o serviço da Cáritas para que ninguém fique sem alimento: “Preocupar-se com a fome dos outros, preocupar-se com as necessidades dos outros. São muitos, muitos os necessitados hoje e mais ainda depois da pandemia. Olhar e abaixar-se no serviço e não buscar galgar para a própria glória”.

Eis então o segundo verbo: imergir-se. Jesus não ficou lá no céu, a olhar-nos do alto, mas se abaixou para lavar nossos pés. E pede que façamos o mesmo com os outros com compaixão.

“Mas nós pensamos com compaixão na fome de tantas pessoas? Quando estamos diante da refeição, há uma graça de Deus, que nós podemos comer. Há pessoas que trabalham e não conseguem ter o alimento suficiente para todo o mês. Pensemos nisto! E imergir-se com compaixão, ter compaixão não é um dado de enciclopédia. Não! São pessoas e eu sinto compaixão por essas pessoas?”

Mas para passar do emergir ao imergir, só o empenho não é suficiente. Mas cada um tem dentro de si a força do batismo, daquela imersão em Jesus que impulsiona a segui-Lo, é um fogo que o Espírito acendeu e que deve ser alimentado.

Francisco então concluiu pedindo a Nossa Senhora que nos ajude a encontrar Jesus. “Ela, mesmo sendo a maior, não buscou emergir, mas foi a humilde serva do Senhor e imergiu-se completamente ao nosso serviço para nos ajudar a encontrar Jesus.”

A  presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou na manhã deste domingo, 17 de outubro, uma Carta Aberta dirigida ao presidente

A  presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou na manhã deste domingo, 17 de outubro, uma Carta Aberta dirigida ao presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), o deputado estadual, Carlão Pignatari. No documento, a CNBB rejeita “fortemente as abomináveis agressões” proferidas no último dia 14 de outubro, dia de seu aniversário de 69 anos de presença e serviços ao Brasil, pelo deputado estadual Frederico D’Avila, da Tribuna da ALESP.

O político, diz a carta, agiu com ódio descontrolado e desferiu ataques ao Santo Padre o Papa Francisco, à própria CNBB e ao arcebispo de Aparecida (SP), dom Orlando Brandes. A CNBB defende que, com esta atitude, o deputado “feriu e comprometeu a missão parlamentar, o que requer imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes” e vai buscar uma reparação jurídica a ser corrigida “pelo bem da democracia brasileira”.

Na Carta Aberta, a CNBB afirma se ancorar, profeticamente, sem medo de perseguições, no princípio contido na Gaudium et Spes (“Alegria e Esperança” em latim) sobre o papel da Igreja no mundo contemporâneo, a única constituição pastoral e a 4ª das constituições do Concílio Vaticano II:

“a Igreja reivindica sempre a liberdade a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem (cf. Gaudium et Spes, 76)

A CNBB busca agora, por meio da presidência de seu regional Sul 1, um agenda para entregar pessoalmente o documento ao presidente da ALESP, deputado Carlão  Pignatari. Confira, abaixo, a íntegra do documento em versão word e aqui em versão PDF.

CARTA ABERTA

P – Nº. 0325/21

Exmo. Sr.
Deputado Estadual Carlão Pignatari
Presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo
Cidadãos e cidadãs brasileiros

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, nesta casa legislativa e diante do Povo Brasileiro, rejeita fortemente as abomináveis agressões proferidas pelo deputado estadual Frederico D’Avila, no último dia 14 de outubro, da Tribuna da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Com ódio descontrolado, o parlamentar atacou o Santo Padre o Papa Francisco, a CNBB, e particularmente o Exmo. e Revmo. Sr. Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida. Feriu e comprometeu a missão parlamentar, o que requer imediata e exemplar correção pelas instâncias competentes.

Ao longo de toda a sua história de 69 anos, celebrada no dia em que ocorreu este deplorável fato, a CNBB jamais se acovardou diante das mais difíceis situações, sempre cumpriu sua missão merecedora de respeito pela relevância religiosa, moral e social na sociedade brasileira. Também jamais compactuou com atitudes violentas de quem quer que seja. Nunca se deixou intimidar. Agora, diante de um discurso medíocre e odioso, carente de lucidez, modelo de postura política abominável que precisa ser extirpada e judicialmente corrigida pelo bem da democracia brasileira, a CNBB, mais uma vez, levanta sua voz.

A CNBB se ancora, profeticamente, sem medo de perseguições, no seguinte princípio: a Igreja reivindica sempre a liberdade a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem (cf. Gaudium et Spes, 76).

Defensora e comprometida com o Estado Democrático de Direito, a CNBB, respeitosamente, espera dessa egrégia casa legislativa, confiando na sua credibilidade, medidas internas eficazes, legais e regimentais, para que esse ultrajante desrespeito seja reparado em proporção à sua gravidade – sinal de compromisso inarredável com a construção de uma sociedade democrática e civilizada.

A CNBB, prontamente, comprometida com a verdade e o bem do povo de Deus, a quem serve, tratará esse assunto grave nos parâmetros judiciais cabíveis. As ofensas e acusações, proferidas pelo parlamentar – protagonista desse lastimável espetáculo – serão objeto de sua interpelação para que sejam esclarecidas e provadas nas instâncias que salvaguardam a verdade e o bem – de modo exigente nos termos da Lei.

Nesta oportunidade, registramos e reafirmamos o nosso incondicional respeito e o nosso afeto ao Santo Padre, o Papa Francisco, bem como a solidariedade a todos os bispos do Brasil. A CNBB aguarda uma resposta rápida de Vossa Excelência – postura exemplar e inspiradora para todas as casas legislativas, instâncias judiciárias e demais segmentos para que a sociedade brasileira não seja sacrificada e nem prisioneira de mentes medíocres.
Em Cristo Jesus, “Caminho, Verdade e Vida”, fraternalmente,

Brasília-DF, 16 de outubro de 2021

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte, MG
Presidente

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre, RS
1º Vice-Presidente

Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima, RR
2º Vice-Presidente

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ
Secretário-Geral

 

Por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro, o Papa Francisco enviou uma mensagem à FAO, Fundo das Nações Unidas para Alimentação
Por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, 16 de outubro, o Papa Francisco enviou uma mensagem à FAO, Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura. Veja a matéria publicada no site Vatican News.
O Santo Padre afirma, no texto, que “vencer a fome de uma vez por todas” é “um dos maiores desafios da humanidade”. É “um objetivo ambicioso”. Francisco lembra que a Cúpula das Nações Unidas sobre Sistemas Alimentares, realizada em 23 de setembro, destacou a necessidade urgente de soluções inovadoras para transformar o nosso modo de produzir e consumir. Um compromisso que não pode ser “prorrogado”, escreve o Papa. Citando o tema do Dia Mundial da Alimentação deste ano, “As nossas ações são o nosso futuro. Melhor produção, melhor nutrição, um ambiente melhor e uma vida melhor”, Francisco afirma:

O tema proposto este ano pela FAO enfatiza a necessidade de ação conjunta para que todos tenham acesso a uma alimentação que garanta a máxima sustentabilidade ambiental e que seja adequada e a um preço acessível. Cada um de nós tem uma função a desempenhar na transformação dos sistemas alimentares em benefício das pessoas e do planeta, e “todos podemos colaborar […] para o cuidado da criação, cada um com sua cultura e experiência, suas iniciativas e capacidades”.

Fome e problemas de obesidade no mundo

Existe um paradoxo no mundo, ressalta Francisco na mensagem, em relação ao acesso aos alimentos: se mais de 3 bilhões de pessoas não podem contar com uma alimentação nutritiva, quase 2 bilhões de pessoas são obesas ou sofrem os efeitos de uma má alimentação e um estilo de vida sedentário. A proteção da saúde de todos requer “mudanças em todos os níveis” e a reorganização dos sistemas alimentares como um todo. O Papa sugere quatro áreas de ação a respeito do campo, do mar, da nossa mesa e da questão do desperdício alimentar:

Os nossos estilos de vida e nossas práticas diárias de consumo influem na dinâmica global e ambiental, mas se aspiramos a uma mudança real, devemos exortar produtores e consumidores a tomarem decisões éticas e sustentáveis e conscientizar a geração mais jovem sobre a importante tarefa que ela desempenha para tornar realidade um mundo sem fome. Cada um de nós pode dar sua contribuição para esta nobre causa.

A contribuição fundamental dos pequenos agricultores

“A crise mundial desencadeada pela Covid-19 oferece uma oportunidade de mudança para a qual a contribuição dos pequenos produtores é fundamental e preciosa”, escreve o Papa. É “necessário facilitar” para eles o acesso às inovações no setor agroalimentar, úteis para “fortalecer a resistência às mudanças climáticas” e “aumentar a produção de alimentos”. A seguir, Francisco reitera mais uma vez seu pensamento:

A luta contra a fome exige a superação da lógica fria do mercado, concentrada avidamente no mero benefício econômico e na redução do alimento a uma mercadoria como tantas outras e no fortalecimento da lógica da solidariedade.

Proximidade do Papa e da Igreja a quem luta contra a fome

Na mensagem, o Papa assegura a proximidade da Santa Sé e da Igreja católica ao compromisso no setor alimentar da FAO e de outras realidades, para que os direitos fundamentais de cada pessoa sejam garantidos. Invocando sobre todos a bênção de Deus Onipotente, ele conclui: “Que aqueles que espalham sementes de esperança e concórdia sintam o apoio da minha oração para que suas iniciativas e projetos sejam cada vez mais frutuosos e eficazes”.