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No aniversário de 10 anos da Exortação Apostólica “Amoris laetitia”, do Papa Francisco, o Papa Leão XIV convoco os presidentes das Conferências Episcopais para
No aniversário de 10 anos da Exortação Apostólica “Amoris laetitia”, do Papa Francisco, o Papa Leão XIV convoco os presidentes das Conferências Episcopais para um encontro em Outubro. Leia abaixo a mensagem e convocação do Papa.

Queridos irmãos e irmãs!

O Papa Francisco, a 19 de março de 2016, como resultado de três anos de discernimento sinodal sustentados pelo Ano Santo da Misericórdia, ofereceu à Igreja universal uma luminosa mensagem de esperança a respeito do amor conjugal e familiar: a Exortação Apostólica Amoris laetitia. Neste décimo aniversário, queremos render graças ao Senhor pelo impulso dado ao estudo e à conversão pastoral da Igreja e pedir-lhe a coragem de continuar o caminho, acolhendo sem cessar o Evangelho, na alegria de poder anunciá-lo a todos.

Como ensina o Concílio Vaticano II, a família é «o fundamento da sociedade», [1] dom de Deus e «escola de valorização humana». [2] Por meio do Sacramento do matrimónio, os cônjuges cristãos constituem uma espécie de «Igreja doméstica», [3] cujo papel é essencial na educação e transmissão da fé. Na esteira do impulso conciliar, as Exortações Apostólicas Familiaris consortio – escrita por São João Paulo II em 1981 – e Amoris laetitia (AL) estimularam o empenho doutrinal e pastoral da Igreja ao serviço dos jovens, dos esposos e das famílias.

Tendo em conta «as mudanças antropológico-culturais» (AL, 32) que se acentuaram ao longo de trinta e cinco anos, o Papa Francisco quis comprometer ainda mais a Igreja no caminho do discernimento sinodal. O seu discurso de 17 de outubro de 2015, proferido durante a XIV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a família, exorta a uma «escuta recíproca» no meio do povo de Deus, «todos à escuta do Espírito Santo, o “Espírito da verdade” (Jo 14, 17), para conhecer aquilo que Ele “diz às Igrejas” (Ap 2, 7)». E especifica que não é «possível falar da família sem interpelar as famílias, auscultando as suas alegrias e as suas esperanças, os seus sofrimentos e as suas angústias».[4]

Hoje, ao colher os frutos do discernimento sinodal, a Amoris laetitia oferece um ensinamento valioso que devemos continuar a perscrutar: a esperança bíblica da presença amorosa e misericordiosa de Deus, que permite viver «histórias de amor» mesmo quando se enfrentam «crises familiares» (AL, 8); o convite a adotar «o olhar de Jesus» (AL, 60) e a estimular incansavelmente «o crescimento, a consolidação e o aprofundamento do amor conjugal e familiar» (AL, 89); o apelo a descobrir que o amor no matrimónio «sempre dá vida» (AL, 165) e que é «real» precisamente no seu modo «limitado e terreno» (AL, 113), como nos revela o mistério da Encarnação. O Papa Francisco afirma «a necessidade de desenvolver novos caminhos pastorais» (AL, 199) e de «reforçar a educação dos filhos» (AL, cap. VII), enquanto convoca a Igreja a «acompanhar, discernir e integrar a fragilidade» (AL, cap. VIII), superando uma concepção reduzida da norma, e a promover «a espiritualidade que brota da vida familiar» (AL, 313).

Como tive a oportunidade de dizer aos jovens reunidos em Tor Vergata durante o Jubileu da Esperança, «a fragilidade […] faz parte da maravilha que somos»: não fomos feitos «para uma vida onde tudo é óbvio e parado, mas para uma existência que se renova constantemente no dom, no amor».[5] Para servir à missão de anunciar o Evangelho da família às novas gerações, temos de aprender a evocar a beleza da vocação ao matrimónio exatamente no reconhecimento da fragilidade, de modo a despertar «a confiança na graça» (AL, 36) e o desejo cristão de santidade. Temos também de apoiar as famílias, em particular aquelas que sofrem tantas formas de pobreza e violência presentes na sociedade contemporânea.

Agradeçamos ao Senhor pelas famílias que, apesar das dificuldades e desafios, vivem «a espiritualidade do amor familiar […] feita de milhares de gestos reais e concretos» (AL, 315). Exprimo também a minha gratidão aos Pastores, aos agentes pastorais, às Associações de fiéis e aos Movimentos eclesiais empenhados na pastoral familiar.

Ainda mais do que há dez anos, o nosso tempo é marcado por rápidas transformações que exigem uma especial atenção pastoral às famílias, às quais o Senhor confia a tarefa de participar na missão da Igreja de proclamar e testemunhar o Evangelho.[6] Na verdade, existem lugares e circunstâncias em que a Igreja «não pode tornar-se sal da terra»[7] senão através dos fiéis leigos e, em particular, das famílias. Por isso, o compromisso da Igreja neste campo deve ser renovado e aprofundado, para que aqueles que o Senhor chama ao matrimónio e à família possam viver o seu amor conjugal em Cristo e os jovens se sintam atraídos pela intensidade da vocação matrimonial na Igreja.

Considerando as mudanças que continuam a influenciar as famílias, decidi convocar, para outubro de 2026, os Presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo, a fim de proceder, na escuta recíproca, a um discernimento sinodal sobre os passos a dar na transmissão do Evangelho às famílias de hoje, à luz da Amoris laetitia e levando em conta o que se está a realizar nas Igrejas locais.

Confio este caminho à intercessão de São José, guardião da Sagrada Família de Nazaré.

Vaticano, Solenidade de São José, 19 de março de 2026.

LEÃO PP. XIV

No próximo dia 19 de março de 2026, quinta-feira, vamos todos rezar pela paz. Este foi o convite feito ontem pelo Papa durante a
No próximo dia 19 de março de 2026, quinta-feira, vamos todos rezar pela paz. Este foi o convite feito ontem pelo Papa durante a Audiência Geral que acontece semanalmente. O Papa pediu e a CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil reafirmaram o pedido do Papa. Leia abaixo o pedido do Papa, divulgado pelo site vaticannews.va e também a nota da CNBB.
Na Audiência Geral desta quarta-feira (11/03), o Papa voltou a pedir orações pela paz mundial. Em comunhão com o Pontífice, a presidência da CNBB divulgou nota convocando os fiéis para rezarem especialmente em 19 de março, solenidade de São José, durante as celebrações eucarísticas e outros momentos de oração, a prece proposta por Leão XIV na iniciativa “Reza com o Papa”, numa súplica pelo desarmamento e pela paz.

Em comunhão ao Papa Leão XIV, que na Audiência Geral desta quarta-feira (11/03) voltou a pedir orações pela paz no Irã e em todo Oriente Médio, os bispos do Brasil também se pronunciaram em virtude dos recentes acontecimentos e da escalada de violência dos conflitos que ameaçam gerar “graves consequências para a população civil e para a estabilidade internacional”. Em nota da presidência da CNBB, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, publicada nesta terça-feira (10/03), a manifestação de “profunda preocupação” e de união ao “apelo da Igreja em diversas partes do mundo para que prevaleçam a prudência, a responsabilidade política e o compromisso sincero com a paz”.

O texto ressalta que os acontecimentos atuais recordam que “a guerra nunca é solução para os conflitos entre os povos. A violência armada provoca sofrimento incalculável, sobretudo entre os mais vulneráveis, e aprofunda feridas que comprometem o futuro das nações”.

Os bispos do Brasil também expressam solidariedade às vítimas e às comunidades “que vivem sob o peso da insegurança e do medo” nas regiões afetadas: “ao mesmo tempo, encoraja os líderes das nações a não cederem à lógica da escalada militar, mas a retomarem com urgência os caminhos da diplomacia, do diálogo e da negociação”. Inspirada na tradição da Doutrina Social da Igreja, a CNBB recorda que “a paz não é apenas ausência de guerra, mas fruto da justiça, da responsabilidade moral e da busca sincera pelo bem comum da família humana”.

A convocação da CNBB: rezar pela paz em 19 de março

Na nota, os bispos reforçam o pedido do Papa Leão XIV para que os brasileiros intensifiquem as orações pela paz, “especialmente pelas populações atingidas pela violência, para que o Senhor inspire os responsáveis pelas nações a escolherem os caminhos do entendimento, da reconciliação e do respeito à dignidade de todos os povos”. A CNBB propõe, então, que, no dia 19 de março, na solenidade de São José, as comunidades rezem durante as celebrações eucarísticas e outros momentos de oração a prece proposta por Leão XIV na iniciativa Reza com o Papa, “unindo-se espiritualmente à Igreja em todo o mundo nesta súplica pelo desarmamento e pela paz”:

“Que em nossas comunidades se eleve um só clamor a Deus: que os corações sejam desarmados, que as armas se calem e que a paz floresça entre os povos.”

Ao final da nota, a presidência da CNBB pede a intercessão de São José, reconhecido como homem justo e guardião da Sagrada Família, “para que os líderes das nações tenham sabedoria e coragem de escolher sempre os caminhos da vida, da dignidade humana e da paz”.

Pe. Zaelton da Costa Nascimento foi eleito ontem, 10 de março de 2026, representante dos presbíteros da Arquidiocese de Vitória. A eleição aconteceu durante

Pe. Zaelton da Costa Nascimento foi eleito ontem, 10 de março de 2026, representante dos presbíteros da Arquidiocese de Vitória. A eleição aconteceu durante reunião geral dos padres, em Ponta Formosa.

Pe. Zaelton é pároco na paróquia Nossa Senhora da Conceição em Viana e terá a missão de representar os irmãos no sacerdócio e ser o interlocutor nas instâncias em que se fizer necessário. A Arquidiocese acolhe pe. Zaelton para esta missão e convida todos a rezar por ele, para que Deus o ilumine em cada passo e situação.

Pe. Zaelton expressou sua surpresa ao ser eleito: “Fui pego de surpresa e não esperava ser escolhido. Ser representante do clero e, principalmente numa arquidiocese tão plural e rica de história missionária, é de uma responsabilidade muito grande. Quero caminhar com os meus irmãos presbíteros sendo a voz deles para maior obediência ao nosso Arcebispo, dom Ângelo, para juntos bem evangelizarmos segundo o coração de Cristo nas periferias humanas e com um bom diálogo com aqueles que não fazem parte da Igreja”.

O cargo era exercido por pe. Diego Carvalho desde 2001, que deixou a função a partir da nova eleição. O sentimento de pe. Diego é “de missão cumprida” por ter conseguido atender os padres em suas individualidades e também ser a ponte entre os padres, o Arcebispo e o Biso Auxiliar. Pe. Diego agradece pela confiança nele depositada por dom Dario, dom Andherson e dom Ângelo.

Cabe ao representante arquidiocesano dos padres trabalhar em conjunto com os representantes de cada Área Pastoral, tendo como missão a atenção às necessidades e anseios dos padres quanto à espiritualidade e saúde entre outros, representá-los no Conselho presbiteral e outras instâncias quando necessário, organizar eventos e fortalecer a pastoral presbiteral., disse pe. Diego e acrescentou: “é desejo do Arcebispo formar a pastoral presbiteral a partir dos 4 padres mais votados neste eleição: pades Zaelton, Kremerson, Evandro e Gudialace”. “O representante dos padres faz a ponte entre o Arcebispo e os padres e vice-versa.

As lembranças de pe. Diego passam pela pandemia, morte de padres, encontros de formação e retiros que fortaleceram a espiritualidade e o espírito se serviço. “Por tudo isso, gratidão a Deus”!

 

O Papa Leão XIV durante o Angelus deste domingo. 8 de março, compromisso com a igualdade de dignidade entre homens e mulheres, demasiadas discriminações.
O Papa Leão XIV durante o Angelus deste domingo. 8 de março, compromisso com a igualdade de dignidade entre homens e mulheres, demasiadas discriminações.

O Papa Leão XIV voltou neste domingo (08/03) a pedir o fim da guerra no Irã e a abertura do diálogo, alertando que o conflito está se espalhando por todo o Oriente Médio e semeando “um clima de ódio e medo”.

Após a oração do Angelus, Leão expressou sua “profunda consternação” pela guerra e pela forma como ela está desestabilizando o Líbano, um “baluarte” para os cristãos em uma região de maioria muçulmana, e rezou pelo fim dos bombardeios e pela abertura do diálogo “para ouvir a voz do povo”.

“Do Irã e de todo o Oriente Médio continuam chegando notícias que causam profunda consternação. Aos episódios de violência e devastação, e ao clima generalizado de ódio e medo, soma-se o temor de que o conflito se alastre e outros países da região, entre eles o querido Líbano, possam mergulhar novamente na instabilidade”.

Elevemos nossa humilde oração ao Senhor, – continuou o Papa – para que cesse o barulho das bombas, calem-se as armas e se abra um espaço de diálogo, no qual se possa ouvir a voz dos povos.

“Confio esta súplica a Maria, Rainha da Paz: que ela interceda por aqueles que sofrem por causa da guerra e acompanhe os corações pelos caminhos da reconciliação e da esperança”.

O santo Padre recordou também que neste dia 8 de março celebra-se o Dia da Mulher.

“Renovamos o compromisso, que para nós cristãos se baseia no Evangelho, pelo reconhecimento da igual dignidade do homem e da mulher”.

Infelizmente – disse o Papa -, muitas mulheres, desde a infância, ainda são discriminadas e sofrem várias formas de violência: “a elas, em especial, vai a minha solidariedade e a minha oração”.

Em seguida o Papa saudou os fiéis presentes na Praça São Pedro provenientes de várias partes do mundo desejando a todos um bom domingo.

O corpo de pe. Amarilio Corradi, foi enterrado no final da manhã de hoje em Guarapari. A despedida aconteceu na paróquia São Pedro com

O corpo de pe. Amarilio Corradi, foi enterrado no final da manhã de hoje em Guarapari. A despedida aconteceu na paróquia São Pedro com a celebração das exéquias e missa presidida por dom Andherson Franklin, bispo auxiliar de Vitória e com a participação de vários padres, amigos e paroquianos. Reinava a tristeza, mas ao mesmo tempo e confiança e a certeza de que Deus acolhe este padre que dedicou sua vida à Igreja, especificamente à Arquidiocese de Vitória.

Padre Amarilio tinha 65 anos e foi ordenado presbítero em 1999. Atualmente atuava como vigário paroquial na paróquia S. Pedro em Muquiçaba, Guarapari.

Continuemos rezando por este irmão que viveu de maneira simples e silenciosa, dedicando-se ao cuidado pastoral que lhe foi confiada em todas as paróquias por onde passou. Na certeza da ressurreição, vivemos este momento de tristeza, relembrando o bem realizado por ele.

“Cristo ressuscitou dos mortos, como o primeiro dos que morreram” ( 1Cor 15,20).

Foto: paróquia S. Pedro – Guarapari

A Arquidiocese de Vitória, nas pessoas de dom Ângelo Mezzari e dom Andherson Franklin, arcebispo e bispo auxiliar, respectivamente, comunicam o falecimento de Padre

A Arquidiocese de Vitória, nas pessoas de dom Ângelo Mezzari e dom Andherson Franklin, arcebispo e bispo auxiliar, respectivamente, comunicam o falecimento de Padre Amarilio Luiz Corradi. Pe. Amarilio atuava na paróquia S. Pedro em Muquiçaba como vigário. Fomos surpreendidos, na manhã de hoje, por sua morte repentina, aos 66 anos.

O velório terá início com a celebração da missa, na chegada do corpo, por volta de 19h e seguirá durante toda a noite. A Missa de Exéquias será celebrada neste sábado, dia 07 de março, às 10h, na Igreja Matriz da Paróquia São Pedro – Muquiçaba, presidida por dom Andherson Franklin, bispo auxiliar de Vitória. Após a missa, o sepultamento será realizado, no cemitério da Comunidade São João de Jabuti – Guarapari.

Com fé, esperança e confiança, rezemos para que Deus acolha pe. Amarílio. Agradecemos por sua vida e dedicação à Igreja e nos solidarizamos com os irmãos no sacerdócio, parentes e amigos.

 

 

A intenção de oração do Papa para o mês de março convida as nações a apostar no diálogo, na diplomacia e no desarmamento. Foi
A intenção de oração do Papa para o mês de março convida as nações a apostar no diálogo, na diplomacia e no desarmamento.
Foi divulgada, nesta quinta-feira (05/03), a mensagem de vídeo do Papa Leão XIV em que o Pontífice pede para rezar pelo desarmamento e pela paz, neste mês de março.
Num contexto internacional marcado por conflitos armados e pelo aumento dos gastos militares, o Papa Leão XIV dedica a sua intenção de oração deste mês, retomando as palavras com que saudou o mundo no início de seu pontificado, «A paz esteja convosco», um lema que tem repetido como um apelo constante à reconciliação.

Através da Rede Mundial de Oração do Papa, o Santo Padre exorta a Igreja e todas as pessoas de boa vontade a rejeitar a lógica da violência e a construir uma segurança fundada na confiança, na justiça e na fraternidade entre os povos.

Através da iniciativa “Reza com o Papa”, o Pontífice dirige uma súplica profunda e esperançosa pela paz, recordando que Deus “nos criou para a comunhão, não para a guerra; para a fraternidade, não para a destruição”. Na sua oração, Leão XIV pede o dom da paz e a fortaleza para a tornar realidade na história concreta dos nossos povos.

“Hoje, elevamos a nossa súplica pela paz no mundo, pedindo que as nações renunciem às armas e escolham o caminho do diálogo e da diplomacia.”

O Santo Padre exorta a desarmar “os corações do ódio, do rancor e da indiferença, para que possamos ser instrumentos de reconciliação”.

“Ajuda-nos a compreender que a verdadeira segurança não nasce do controle que alimenta o medo, mas da confiança, da justiça e da solidariedade entre os povos.”

Em particular, ele pede aos “líderes das nações, para que tenham a coragem de abandonar projetos de morte, parar a corrida ao armamento e colocar no centro a vida dos mais vulneráveis”, expressando também uma firme rejeição à ameaça nuclear que continua condicionando o futuro da humanidade.

“Espírito Santo, faz de nós construtores fiéis e criativos de paz quotidiana: no nosso coração, nas nossas famílias, nas nossas comunidades e nas nossas cidades. Que cada palavra amável, cada gesto de reconciliação e cada decisão de diálogo sejam sementes de um mundo novo.”

Um mundo cada vez mais armado

A intenção de oração do Papa insere-se num contexto global marcado pelo aumento financiado das despesas militares. De acordo com dados recentes do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), as despesas militares mundiais aumentaram pelo décimo ano consecutivo em 2024, chegando aos 2,7 biliões de dólares, impulsionadas pela guerra entre a Rússia e a Ucrânia, bem como por outros conflitos armados e tensões geopolíticas.

O aumento de 9,4% em relação ao ano anterior elevou os gastos militares mundiais ao nível mais alto já registado pelo SIPRI. Como consequência, a carga militar global — os gastos militares como percentagem do produto interno bruto mundial — subiu para 2,5%. Nos países afetados por conflitos armados importantes ou de alta intensidade durante 2024, este encargo atingiu uma média de 4,4 %, em comparação com 1,9 % nos países sem conflitos.

Estes dados evidenciam o forte contraste entre os recursos destinados à indústria armamentista e as necessidades urgentes de desenvolvimento humano, assistência social e construção da paz, especialmente para as populações mais vulneráveis.

Uma oração que convida à conversão

A oração pela paz tem tido central no magistério recente da Igreja. Em janeiro de 2020, o Papa Francisco dedicou O Vídeo do Papa à intenção de oração pela “Promoção da paz no mundo”, e em abril de 2023 voltou a colocar o foco nesta urgência, pedindo para rezar “Por uma cultura da não violência”.

Por sua vez, o Papa Leão XIV confirmou que a paz é uma das grandes prioridades de seu pontificado. Em sua primeira bênção Urbi et Orbi, o Papa falou de uma paz “desarmada e desarmante”, e na sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2026, voltou a insistir na urgência de desativar as lógicas de confronto e substituí-las por caminhos de reconciliação, justiça e fraternidade entre os povos.

A Rede Mundial de Oração do Papa sublinha que esta intenção não se limita a uma denúncia da violência estrutural, mas propõe um caminho espiritual e concreto de conversão pessoal e compromisso comunitário. A oração, unida a ações de diálogo, educação para a paz e solidariedade entre os povos, apresenta-se como uma força capaz de transformar as relações humanas e as dinâmicas internacionais.

Com esta intenção de oração para o mês de março, o Papa renova o seu apelo para que a humanidade escolha a vida, a fraternidade e a paz, confiando que a oração partilhada possa abrir caminhos de esperança.

Sobre a Rede Mundial de Oração do Papa

A Rede Mundial de Oração do Papa é uma Obra Pontifícia confiada à Companhia de Jesus. Está presente em mais de 90 países e reúne uma comunidade espiritual de mais de 22 milhões de pessoas que procuram viver cada dia com disponibilidade para colaborar na missão de Cristo. No centro desta missão estão as intenções mensais de oração do Papa, que convidam a centrar-se nos desafios da humanidade e na missão da Igreja.

Foi fundada em 1844 como Apostolado da Oração. Em dezembro de 2020, o Papa Francisco instituiu esta Obra Pontifícia como Fundação Vaticana e aprovou os seus estatutos definitivos em julho de 2024.

Na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira, 4 de março, Leão XIV refletiu sobre a natureza da Igreja à luz da Constituição dogmática Lumen
Na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira, 4 de março, Leão XIV refletiu sobre a natureza da Igreja à luz da Constituição dogmática Lumen Gentium. “Não existe uma Igreja ideal e pura, separada da terra, mas apenas a única Igreja de Cristo, encarnada na história”, destacou o Pontífice.

Na Audiência Geral desta quarta-feira (4/03), na Praça São Pedro, o Papa Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Constituição dogmática Lumen Gentium, refletindo sobre a natureza da Igreja. O Pontífice destacou que ela é uma realidade “complexa”, não por ser confusa, mas porque reúne, de modo harmonioso, a dimensão humana e a divina, sem que uma se oponha à outra. Não existe, segundo o Santo Padre, uma Igreja ideal separada da história, mas a única Igreja de Cristo, encarnada no tempo e formada por pessoas reais.

Ao explicar o sentido dessa “complexidade”, o Papa recordou que o primeiro capítulo da Lumen Gentium procura responder à pergunta fundamental: o que é a Igreja? Para isso, o Concílio a define como “um organismo bem estruturado, no qual coexistem as dimensões humana e divina, sem separação nem confusão”.

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A dimensão humana e a origem divina da Igreja

Leão XIV explicou que a dimensão humana da Igreja é a mais visível: trata-se de uma comunidade de homens e mulheres que vivem a alegria e o peso de ser cristãos, com suas forças e fragilidades, anunciando o Evangelho e sendo sinal da presença de Cristo no mundo. Contudo, essa descrição não é suficiente para compreender plenamente a Igreja, que possui também uma origem e uma dimensão divina.

“A Igreja não é fruto de uma perfeição ideal dos seus membros, mas nasce do plano de amor de Deus pela humanidade, realizado em Cristo.”

A Igreja à luz da humanidade de Cristo

O Papa recordou que, por isso, a Igreja é, ao mesmo tempo, comunidade terrena e Corpo Místico de Cristo, assembleia visível e mistério espiritual, realidade inserida na história e povo em peregrinação rumo ao céu. Para ilustrar essa realidade, recorreu à experiência dos discípulos com Jesus. Eles encontravam um homem concreto, com rosto, voz e gestos, mas, ao segui-lo, abriam-se ao encontro com o próprio Deus: “A carne de Cristo, o seu rosto, os seus gestos e as suas palavras manifestam visivelmente o Deus invisível.”

Da mesma forma, ao olhar para a Igreja, vê-se uma dimensão humana feita de pessoas que, por vezes, refletem a beleza do Evangelho e, em outras, mostram limites e erros. No entanto, é precisamente através dessa fragilidade que Cristo continua a agir e a salvar.

Não há oposição entre Evangelho e instituição

O Santo Padre recordou as palavras de Bento XVI para reafirmar que não existe oposição entre o Evangelho e as estruturas da Igreja, pois elas servem justamente para tornar o Evangelho concreto na vida do nosso tempo:

“Não existe uma Igreja ideal e pura, separada da terra, mas apenas a única Igreja de Cristo, encarnada na história. A santidade da Igreja consiste nisto: no fato de Cristo habitar nela e continuar a doar-se através da pequenez e fragilidade dos seus membros.”

A caridade edifica a Igreja

Já na parte final da catequese, Leão XIV recordou que Deus se manifesta por meio da fraqueza humana e convidou os fiéis a edificarem a Igreja não apenas por meio das suas estruturas visíveis, mas sobretudo através da comunhão e da caridade, que geram constantemente a presença do Ressuscitado.

E, citando Santo Agostinho, o Pontífice concluiu: “Queira o céu que todos pensem somente na caridade: ela só, de fato, conquista todas as coisas, e sem ela todas as coisas são inúteis; onde quer que se encontre, atrai todas as coisas a si”.