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O Papa Francisco anunciou durante o Encontro Internacional sobre os Direitos da Criança que pretende preparar uma Exortação Apostólica dedicada às crianças. Leia abaixo

O Papa Francisco anunciou durante o Encontro Internacional sobre os Direitos da Criança que pretende preparar uma Exortação Apostólica dedicada às crianças. Leia abaixo a matéria publicada no site vaticannews.va

No final do Encontro Internacional sobre os Direitos da Criança realizado, nesta segunda-feira (03/02), no Vaticano, o Papa Francisco anunciou, em seu discurso de encerramento do evento, que pretende “preparar uma Exortação Apostólica dedicada às crianças”.

Francisco expressou sua sincera gratidão a todos os participantes no final do Encontro sobre os Direitos da Criança. “Graças a vocês, as salas da Residência Apostólica tornaram-se hoje um “observatório” aberto para a realidade da infância em todo o mundo, uma infância que infelizmente é muitas vezes ferida, explorada, negada”, disse o Pontífice. “A sua presença, a sua experiência e a sua compaixão deram vida a um observatório e, sobretudo, a um “laboratório”: em vários grupos temáticos, vocês desenvolveram propostas para a proteção dos direitos das crianças, considerando-as não como números, mas como rostos”, sublinhou Francisco.

“Tudo isso dá glória a Deus, e a Ele o confiamos, para que o seu Espírito Santo o torne fecundo e fértil”, disse ainda o Papa.

Cerca de 40 oradores de alto nível, entre políticos, Prémios Nobel, representantes do mundo da cultura, da economia, da Igreja, do judaísmo e do islamismo, revezaram-se na mesa oval montada da Sala Clementina para o Encontro Internacional sobre os Direitos da Criança. Um evento desejado pelo Papa Francisco e organizado pelo Pontifício Comitê para a Jornada Mundial da Criança, dividido em duas sessões e marcado por sete painéis temáticos. O Papa – depois de ter aberto o encontro esta manhã com um longo discurso no qual reiterou a importância da vida, da infância, dos sonhos das crianças e também dos seus silêncios – concluiu os trabalhos com o anúncio de uma Exortação Apostólica dedicada às crianças com o objetivo de “dar continuidade” ao compromisso lançado nesta segunda-feira no Encontro e “promovê-lo em toda a Igreja”.

“As crianças nos observam”

O Papa citou o padre Ibrahim Faltas, vigário da Custódia da Terra Santa, que falou pouco antes. Em particular, o Papa disse que ficou impressionado com a frase: “As crianças nos observam”. “Foi também o título de um filme famoso: as crianças nos observam”, acrescentou em referência ao famoso filme de 1944 de Vittorio De Sica. As crianças “nos observam para ver como seguimos na vida”, sublinhou Francisco.

A carta das crianças

No início da sessão da tarde, o Papa quis ler alguns trechos da carta que, esta manhã, um grupo de crianças das escolas católicas de Roma, da comunidade indonésia e das Escolas da Paz de Santo Egídio e Auxilium deram a ele junto com alguns desenhos. “Querido Papa Francisco, escrevemos a você em nome das crianças de toda a Terra”, diz a carta lida pelo Papa. “Queremos agradecer porque você se preocupa conosco e com o nosso futuro, nos ama e nos protege. Muitas crianças sofrem por causa da fome, da guerra, da cor diferente da pele, de desastres ambientais”. “Queremos um mundo mais justo, sem divisões entre os povos, entre ricos e pobres, entre jovens e idosos”, continua a carta. “Um mundo que seja também mais limpo, onde a poluição não destrua as florestas, não suje o mar e não mate tantos animais. Entendemos que é mais importante salvar a Terra do que ter muito dinheiro”.

A oitava exortação do pontificado

A Exortação Apostólica sobre as crianças anunciada, nesta segunda-feira (03/02), pelo Papa Francisco será a oitava do seu pontificado, começando com Evangelii Gaudium de 2013 e terminando com C’est la confiance de 2023. Será um novo capítulo de um magistério marcado pela atenção a uma categoria frágil e vulnerável, vítima de abuso sexual e não só, de exploração, de violência, crianças privadas da infância, da brincadeira e do tempo livre, como destacado em muitos painéis nesta segunda-feira. O Papa também dedicará um evento jubilar às crianças nos dias 24 e 25 de maio, na expectativa da segunda edição da Jornada Mundial da Criança, após a primeira realizada em maio passado no Estádio Olímpico de Roma, ocasião em que o Papa reiterou que, neste mundo de guerras, “é sempre possível fazer a paz”. E fazer a paz a partir da contribuição dos pequeninos, de suas necessidades e de seus desejos.

Paróquias e comunidades eclesiais de base receberam no início deste ano o Regimento de Administração Paroquial com atualizações. Párocos, vigários paroquiais e membros dos

Paróquias e comunidades eclesiais de base receberam no início deste ano o Regimento de Administração Paroquial com atualizações. Párocos, vigários paroquiais e membros dos Conselhos Administrativos terão acesso para que verifiquem as normativas que os regem e revisem as práticas que podem ser atualizadas e melhoradas.

São 32 capítulos e 07 anexos pelos quais perpassam a natureza, finalidades e funcionamento dos Conselhos; administração financeira e patrimonial; impostos; regularização de obras; responsabilidade e práticas no uso dos bens e imóveis; orientações para obras; procedimentos nas transferências, coletas, contribuições especiais, festas e ações solidárias, espórtulas e côngruas, entre outros.

Além de procedimentos para o andamento administrativo, o Regimento também traz definições e esclarecimentos sobre palavras bastante utilizadas no meio religioso e nem sempre compreendidas por todos, como o que é espórtula, Mitra Arquidiocesana, siglas como CAP, etc.

O Regimento é um documento de orientação e consulta e foi aprovado por Decreto de dom Dario Campos, à época arcebispo de Vitória, em outubro de 2024. As novas orientações são válidas a partir de janeiro de 2025.

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) está em Roma para a visita anual ao Santo Padre. A visita vai até

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) está em Roma para a visita anual ao Santo Padre. A visita vai até dia 10 e pretende, além de ouvir as recomendações do Papa Francisco, apresentar os projetos da CNBB.

A presidência da CNBB preparou o relatório: “CNBB 2024 – No caminho sinodal, rumo ao Ano Jubilar” que será entregue ao Papa Francisco. “Estamos felizes por podermos participar também do Ano Jubilar. Vamos pedir a bênção do Papa a todo brasileiro e às novas diretrizes gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil que serão aprovadas na 62ª Assembleia Geral da CNBB”, disse.

Dom Ricardo Hoepers, bispo auxiliar de Brasília e secretrário-geral da CNBB, pontua que a presidência vai mostrar que a Igreja no Brasil está em plena comunhão com o Sínodo sobre a Sinodalidade, o Jubileu da Esperança e com tudo aquilo que o Santo Padre apresenta como grandes linhas de seu ministério Petrino.

Agenda oficial

A agenda de visitas tem início na terça-feira, 4, e se estende até o dia 10 de fevereiro. A audiência com o Papa Francisco está marcada para o dia 6 de fevereiro, às 8h (horário do Vaticano).

Além de alguns Dicastérios, a presidência também visitará a Secretária de Estado do Vaticano, as Pontifícias Academia para a Vida e Comissão para a Tutela de Menores. Na agenda também está prevista uma visita à Conferência Episcopal Italiana.

No dia 8 de fevereiro, às 18h (horário do Vaticano),  o cardeal Jaime Spengler tomará posse do título da paróquia de São Gregório Magno. Na tradição da Igreja, ao ser criado cardeal, cada membro do Colégio Cardinalício recebe o título de uma igreja em Roma, simbolizando sua ligação com o Papa.

Acompanham a visita, o subsecretário geral da CNBB, padre Leandro Megeto, e o assessor de comunicação da Conferência, padre Arnaldo Rodrigues da Silva.

Na manhã de hoje (30), o Arcebispo Nomeado para a Arquidiocese de Vitória, Dom Ângelo Mezzari, realizou uma visita informal à Cúria, onde teve

Na manhã de hoje (30), o Arcebispo Nomeado para a Arquidiocese de Vitória, Dom Ângelo Mezzari, realizou uma visita informal à Cúria, onde teve a oportunidade de conhecer as instalações e interagir com membros da equipe. Durante sua visita, ele percorreu todos os setores da Cúria, demonstrando interesse em entender o funcionamento e a dinâmica de cada área.

O Arcebispo Nomeado expressou sua alegria de estar em Vitória pela primeira vez. “Estou muito animado para conhecer melhor esta cidade e seus fiéis. É a primeira vez que venho a Vitória, estou admirado”, afirmou.

Depois de visitar todas as instalações da Cúria Metropolita de Vitória, Dom Ângelo foi conhecer a Catedral de Vitória onde foi recepcionado pelo Cura, Pe. Renato Criste.

No período da tarde, Dom Ângelo aproveitou para reunir com o Vigário para a Comunicação, Pe. Anderson Gomes, Vigário da Ação Social, Pe. Kelder Brandão e com o Coordenandor de Pastoral, Pe. Claudio Morais.

Na oportunidade de sua visita ao Estado, Dom Ângelo também visitou a Casa Sacerdotal, Seminário Nossa Senhora da Penha, Propedêutico e o Cecates (Centro Católico de Estudos Dom Silvestre Luiz Scandian)

A visita do Arcebispo nomeado marca um importante início de relacionamento com a Arquidiocese de Vitória, prometendo um futuro de diálogo e colaboração.

Na manhã desta quarta-feira, 29 de janeiro, na Sala Paulo VI, o Papa prosseguiu com as catequeses sobre Jesus Cristo, nossa esperança, aprofundando-se na
Na manhã desta quarta-feira, 29 de janeiro, na Sala Paulo VI, o Papa prosseguiu com as catequeses sobre Jesus Cristo, nossa esperança, aprofundando-se na história da infância do Salvador. Francisco se deteve na figura de José, que emerge como um homem “justo”, assume a paternidade legal de Jesus e o insere na descendência de Jessé, cumprindo assim a promessa feita a Davi.
A provação de José

Ao refletir sobre a narrativa evangélica, o Papa explicou que o Evangelho de Mateus apresenta José como noivo de Maria. Na tradição hebraica, o noivado era um vínculo jurídico que precedia o casamento, momento em que a mulher passava da casa paterna para a do esposo e se dispunha ao dom da maternidade. Foi nesse período que José descobriu a gravidez de Maria, sendo posto diante de uma grande provação: “A Lei sugeria duas possíveis soluções: ou um ato legal de natureza pública, como a convocação da mulher a um tribunal, ou uma ação privada, como a entrega de uma carta de repúdio à mulher”, explicou o Pontífice.

Homem justo

O evangelista Mateus, porém, define José como “justo” (zaddiq), ou seja, um homem fiel à Lei do Senhor e guiado pela sabedoria divina. Diante da difícil situação, ressaltou o Papa, ele não se deixa levar por impulsos ou medos, mas decide separar-se de Maria sem alarde, em segredo:

“Esta sua sabedoria permite-lhe não cometer erros e fazer-se aberto e dócil à voz do Senhor.”

José e os sonhos de Deus

Em seguida, o Santo Padre fez um paralelo entre José de Nazaré e José, filho de Jacó, que no Antigo Testamento era chamado de “sonhador”. Ambos receberam de Deus mensagens fundamentais por meio dos sonhos.

“O que sonha José de Nazaré? Ele sonha com o milagre que Deus realiza na vida de Maria, e também com o milagre que Ele realiza na sua própria vida: assumir uma paternidade capaz de guardar, proteger e transmitir uma herança material e espiritual.”

Fiéis e peregrinos reunidos na Sala Paulo VI
Francisco sublinhou que o ventre de Maria trazia a promessa de Deus, e essa promessa tinha um nome que garantiria a salvação a todos: Jesus. No seu sono, José escutou a mensagem do anjo: “José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo”, e o Papa completou:

“Perante esta revelação, José não pede mais provas, confia em Deus, aceita o sonho de Deus para a sua vida e a da sua esposa prometida. Assim, ele entra na graça daqueles que sabem viver a promessa divina com fé, esperança e amor.”

Um exemplo de fé silenciosa

Ao destacar que José não pronunciou uma só palavra nas Escrituras, mas demonstrou sua fé por meio de atitudes, Francisco recordou que o pai adotivo de Jesus pertence à linhagem dos que, segundo São Tiago, “põem em prática a Palavra”, traduzindo-a em obras, em carne, em vida. Na conclusão de sua catequese, o Papa convidou os fiéis a seguirem o exemplo de José, cultivando o silêncio que escuta e obedece à Palavra de Deus:

“Irmãs e irmãos, peçamos nós também ao Senhor a graça de ouvirmos mais de quanto falamos, de sonhar os sonhos de Deus e de acolher com responsabilidade o Cristo que, desde o momento do batismo, vive e cresce na nossa vida.”

Thulio Fonseca – Vatican News

A Inteligência Artificial não deve ser considerada como uma pessoa, não deve ser divinizada, nem substituir as relações humanas. Deve ser utilizada “apenas como
A Inteligência Artificial não deve ser considerada como uma pessoa, não deve ser divinizada, nem substituir as relações humanas. Deve ser utilizada “apenas como um instrumento complementar à inteligência humana”. Os alertas do Papa sobre a Inteligência Artificial nos últimos anos servem de guia para a Antiqua et Nova (em referência à “sabedoria”, antiga e nova), a nota sobre a relação entre inteligência artificial e inteligência humana, fruto da reflexão mútua entre o Dicastério para a Doutrina da Fé e o Dicastério para a Cultura e a Educação. O documento é dirigido a pais, professores, sacerdotes, bispos e a todos os que são chamados a educar e transmitir a fé, mas também àqueles que compartilham a necessidade de um desenvolvimento científico e tecnológico “a serviço da pessoa e do bem comum” [5]. Publicado hoje, 28 de janeiro, o texto foi aprovado pelo Papa Francisco.
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Em 117 parágrafos, a Antiqua et Nova destaca os desafios e as oportunidades do desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA) nos campos da educação, economia, trabalho, saúde, relações internacionais e interpessoais, além de contextos de guerra. Neste último, por exemplo, as potencialidades da IA – adverte a Nota – poderiam aumentar os recursos bélicos “muito além do alcance do controle humano”, acelerando “uma corrida desestabilizadora por armamentos com consequências devastadoras para os direitos humanos” [99].

Mais detalhadamente, o documento enumera com equilíbrio ponderado os perigos da IA, mas também os progressos, que, aliás, incentiva como “parte da colaboração” do homem com Deus “para levar à perfeição a criação visível” [2]. A preocupação, no entanto, é grande e decorre de todas as inovações cujos efeitos ainda são imprevisíveis, inclusive naquilo que, no momento, parece inofensivo, como a geração de textos e imagens.

Distinguir entre IA e inteligência humana

Portanto, são considerações éticas e antropológicas que estão no centro da reflexão dos dois Dicastérios, que dedicam vários parágrafos da Nota à distinção “decisiva” entre Inteligência Artificial e inteligência humana. Esta última “se exerce nas relações” [18], é modelada por Deus e “é moldada por uma miríade de experiências vividas na corporeidade”. A IA “não possui a capacidade de evoluir nesse sentido” [31]. A visão que ela oferece é “funcionalista”, avaliando as pessoas apenas com base em trabalhos e resultados, enquanto a dignidade humana é imprescindível e permanece sempre intacta. Mesmo em “uma criança ainda não nascida”, em “uma pessoa em estado não consciente” ou em “um idoso em sofrimento” [34]. É, portanto, “enganoso” usar a própria palavra “inteligência” em referência à IA: ela não é “uma forma artificial de inteligência”, mas “um dos seus produtos” [35].

Poder nas mãos de poucos

E, como todo produto do engenho humano, também a IA pode ser direcionada para “fins positivos ou negativos”, destaca a Antiqua et Nova. Não se nega que a Inteligência Artificial possa introduzir “inovações importantes” em diversos campos [48], mas há o risco de agravar situações de marginalização, discriminação, pobreza, “divisão digital” e desigualdades sociais [52]. O que levanta “preocupações éticas” em especial é o fato de que “a maior parte do poder sobre as principais aplicações da IA esteja concentrada nas mãos de poucas empresas poderosas” [53], permitindo que essa tecnologia seja manipulada para “lucros pessoais ou corporativos” ou para “orientar a opinião pública em favor dos interesses de um setor” [53].

Guerra

A Nota examina, em seguida, os vários aspectos da vida em relação à IA. Inevitável é a referência à guerra. As “capacidades analíticas” da IA poderiam ser utilizadas para ajudar as nações a buscar paz e segurança, mas um “grave motivo de preocupação ética” são os sistemas de armas autônomas e letais, capazes de “identificar e atingir alvos sem intervenção humana direta” [100]. O Papa pediu com urgência o banimento de seu uso, como afirmou no G7 na Puglia: “Nenhuma máquina jamais deveria decidir tirar a vida de um ser humano”. Máquinas capazes de matar com precisão de forma autônoma e outras aptas à destruição em massa representam uma verdadeira ameaça para “a sobrevivência da humanidade ou de regiões inteiras” [101]. Essas tecnologias “conferem à guerra um poder destrutivo incontrolável, atingindo muitos civis inocentes, sem poupar sequer as crianças”, denuncia a Antiqua et Nova. Para evitar que a humanidade caia em “espirais de autodestruição”, é indispensável “adotar uma posição firme contra todas as aplicações da tecnologia que ameaçam intrinsecamente a vida e a dignidade da pessoa humana”.

Relações humanas

Sobre as relações humanas, o documento observa que a IA pode, sim, “favorecer as conexões”, mas, ao mesmo tempo, levar a “um isolamento prejudicial” [58]. A “antropomorfização da IA” também apresenta problemas específicos para o desenvolvimento das crianças, incentivadas a entender “as relações humanas de maneira utilitarista”, como ocorre com os chatbots [60]. É “errado” representar a IA como uma pessoa, e é “uma grave violação ética” utilizá-la para fins fraudulentos. Da mesma forma, “usar a IA para enganar em outros contextos – como na educação ou nas relações humanas, incluindo a esfera da sexualidade – é profundamente imoral e exige vigilância rigorosa” [62].

Economia e trabalho

Essa mesma vigilância é exigida no campo econômico-financeiro. Em particular, no âmbito do trabalho, destaca-se que, se por um lado a IA tem “potencial” para aumentar competências e produtividade ou criar novos empregos, por outro, pode “desqualificar os trabalhadores, submetê-los a uma vigilância automatizada e relegá-los a funções rígidas e repetitivas” [67], a ponto de “sufocar” toda capacidade inovadora. “Não se deve buscar substituir cada vez mais o trabalho humano pelo progresso tecnológico: ao fazê-lo, a humanidade prejudicaria a si mesma”, ressalta a Nota [70].

Amplo espaço é dedicado ao tema da saúde. Embora a IA possua um enorme potencial em diversas aplicações no campo médico (como o auxílio em diagnósticos), caso venha a substituir a relação médico-paciente, deixando a interação apenas para as máquinas, corre o risco de “agravar aquela solidão que frequentemente acompanha a doença”. Além disso, a otimização dos recursos não deve “prejudicar os mais vulneráveis” ou criar “formas de preconceito e discriminação” [75], que reforcem uma “medicina para os ricos”, em que pessoas com recursos financeiros usufruem de ferramentas avançadas de prevenção e informações médicas personalizadas, enquanto outros lutam para ter acesso até mesmo aos serviços básicos.

Educação

Riscos também são destacados no campo da educação. Se utilizada de forma prudente, a IA pode melhorar o acesso à educação e oferecer “respostas imediatas” aos estudantes [80]. O problema é que muitos programas “se limitam a fornecer respostas em vez de incentivar os estudantes a buscá-las por conta própria ou a escreverem seus próprios textos”; isso leva à perda do hábito de acumular informações ou desenvolver um pensamento crítico [82]. Sem esquecer a quantidade de “informações distorcidas ou artificiais” ou “conteúdos imprecisos” que alguns programas podem gerar, legitimando, assim, as fake news [84].

Fake News e Deepfake

Com relação às fake news, o documento destaca o sério risco de a IA “gerar conteúdos manipulados e informações falsas” [85], alimentando uma “alucinação” de IA, com conteúdos não verídicos que aparentam ser reais. Ainda mais preocupante é quando tais conteúdos fictícios são usados intencionalmente para fins de manipulação. Por exemplo, quando imagens, vídeos e áudios deepfake (representações alteradas ou geradas por algoritmos) são divulgados intencionalmente para “enganar ou prejudicar” [87]. O apelo, portanto, é para que se tenha sempre o cuidado de “verificar a veracidade” do que é divulgado e para evitar, em qualquer circunstância, “a disseminação de palavras e imagens degradantes para o ser humano”, excluindo “o que alimenta o ódio e a intolerância, desvaloriza a beleza e a intimidade da sexualidade humana e explora os fracos e indefesos” [89].

Privacidade e controle

Sobre privacidade e controle, a Nota evidencia que alguns tipos de dados podem chegar a tocar a intimidade da pessoa, “talvez até mesmo sua consciência” [90]. Atualmente, os dados são adquiridos com uma quantidade mínima de informações, e o perigo é transformar tudo “em uma espécie de espetáculo que pode ser espionado, vigiado” [92]. Além disso, “a vigilância digital pode ser utilizada para exercer controle sobre a vida dos fiéis e sobre a expressão de sua fé” [90].

Casa comum

No que diz respeito à Criação, as aplicações da IA são consideradas “promissoras” para melhorar a relação com a casa comum. Basta pensar nos modelos para a previsão de eventos climáticos extremos, na gestão de operações de socorro ou no suporte à agricultura sustentável [95]. Ao mesmo tempo, os modelos atuais de IA e os sistemas de hardware que os sustentam requerem “enormes quantidades de energia e água e contribuem de forma significativa para as emissões de CO₂, além de consumir recursos de forma intensiva”. É, portanto, um tributo “pesado” que se exige do meio ambiente: “O desenvolvimento de soluções sustentáveis é vital para reduzir seu impacto sobre a casa comum”.

O relacionamento com Deus

“A presunção de substituir Deus por uma obra de suas próprias mãos é idolatria”: a Nota cita as Sagradas Escrituras para alertar que a IA pode se revelar “mais sedutora do que os ídolos tradicionais” [105]. Lembra, portanto, que ela não é nada mais do que “um pálido reflexo” da humanidade: “Não é a IA que será divinizada e adorada, mas sim o ser humano, que, dessa forma, torna-se escravo de sua própria criação”. Daqui deriva uma recomendação final: “A IA deve ser utilizada apenas como um instrumento complementar à inteligência humana e não para substituir sua riqueza” [112].

Salvatore Cernuzio – Cidade do Vaticano

No encerramento do Jubileu dos Comunicadores, o Papa recebeu na manhã desta segunda-feira os presidentes das Comissões Episcopais da Comunicação e assessores de imprensa
No encerramento do Jubileu dos Comunicadores, o Papa recebeu na manhã desta segunda-feira os presidentes das Comissões Episcopais da Comunicação e assessores de imprensa das Conferências Episcopais.

Mais do que indicações, o discurso do Papa foi um convite a um exame de consciência através de vários interrogativos para refletir sobre como a Igreja comunica atualmente.

Francisco então começa: de que modo semeamos esperança em meio a tanto desespero? Como lidamos com o vírus da divisão que ameaça as nossas comunidades? A nossa comunicação é acompanhada pela oração? Ou comunicamos a Igreja adotando somente as regras do marketing empresarial?

E continua: como indicamos uma perspectiva diferente em relação a um futuro que ainda não foi escrito?

“Gosto desta expressão: escrever o futuro. Cabe a nós escrever o futuro. Sabemos comunicar que esta esperança não é uma ilusão? A esperança nunca decepciona, mas sabemos comunicar isso? Sabemos comunicar que a vida dos outros pode ser mais bela também através de nós? Eu posso contribuir a dar beleza à vida dos outros? E sabemos comunicar e convencer que é possível perdoar? É muito difícil isso.”

Para o Pontífice, a comunicação cristã é mostrar que o Reino de Deus está próximo: aqui, agora, e é como um milagre que pode ser vivido por cada pessoa, por cada povo. Um milagre que deve ser contado oferecendo chaves de leitura para olhar além do banal, do mal, dos preconceitos, dos estereótipos, de si mesmo.

O desafio é grande, afirma o Papa, encorajando os presentes a reforçarem a sinergia entre si, seja em nível continental, seja universal. Comunicar construindo pontes é uma alternativa às novas torres de Babel. “Pensem nisso. As novas torres de Babel: todos falam e não se entendem.”

Comunicar juntos e em rede

Para responder a todos esses interrogativos, o Pontífice indica duas palavras: “juntos” e “rede”.

Somente juntos é possível comunicar a beleza do encontro com Cristo e semear esperança. “Não se esqueçam disto: semear esperança.” Comunicar, prosseguiu, não é uma tática nem uma técnica, “comunicar é um ato de amor”. Somente um ato de amor gratuito tece redes de bem, redes que devem ser reparadas todos os dias.

Rede, aliás, não é uma palavra ligada à civilização digital. Antes das redes sociais já havia as redes dos pescadores e o convite de Jesus a Pedro a se tornar pescadores de homens.

“Pensemos então o que podemos fazer juntos graças aos novos instrumentos da era digital, graças também à inteligência artificial, se ao invés de transformar a tecnologia em um ídolo, nos comprometêssemos mais a fazer rede. Eu lhes confesso uma coisa: mais do que a inteligência artificial, me preocupa aquela natural, aquela inteligência que nós devemos desenvolver.”

O segredo da força comunicativa da Igreja é fazer rede e ser rede, disse ainda o Papa, ao invés de se entregar às sirenes estéreis da autopromoção. O maior milagre de Jesus não é a rede cheia de peixes, mas não deixar que os pescadores fossem vítimas da desilusão e do desencorajamento. “Por favor, não cair na tristeza interior. Não perder o sentido do humorismo que é sabedoria, sabedoria de todos os dias.”

A comunicação católica é para todos, recordou Francisco. Não é uma “seita para falar entre nós”. É o espaço aberto de um testemunho que sabe ouvir e interceptar os sinais do Reino.

Por fim, mais uma interrogação: nossos escritórios, relações, redes são realmente de uma Igreja em saída?

A Igreja deve sair de si mesma, concluiu o Santo Padre, oferecendo como imagem a narração do Apocalipse, em que o Senhor bate à porta para entrar. “Mas agora, muitas vezes o Senhor bate a partir de dentro porque nós, cristãos, o deixemos sair. E nós muitas vezes o prendemos somente para nós. Devemos deixar sair o Senhor, bate à porta para sair, e não ‘escravizá-lo’ para o nosso trabalho”.

Participação da CNBB

Estava presente no encontro presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB, dom Valdir José de Castro, bispo de Campo Limpo (SP), que comenta este Jubileu da comunicação.

Bianca Fraccalvieri – Vatican News

Ser comunicadores de esperança: este é o convite feito pelo Papa Francisco aos jornalistas de todo o mundo na mensagem para o LIX Dia

Ser comunicadores de esperança: este é o convite feito pelo Papa Francisco aos jornalistas de todo o mundo na mensagem para o LIX Dia Mundial das Comunicações Sociais.

O texto é divulgado tradicionalmente no dia 24 de janeiro, festa de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, e este ano véspera do Jubileu dos Comunicadores, programado para este final de semana no Vaticano.

“Partilhai com mansidão a esperança que está nos vossos corações” é o tema da Mensagem, inspirada em dois versículos da Primeira Carta de São Pedro (cf. 3, 15-16): “No íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça; com mansidão e respeito”.

Mas antes de desenvolver sua reflexão, Francisco faz uma análise da comunicação atual, marcada “pela desinformação e pela polarização, em que alguns centros de poder controlam uma grande massa de dados e de informações sem precedentes”.

Mas diante das conquistas da técnica, o Santo Padre pede que se cuide do coração.

“No centro da comunicação deve estar a responsabilidade pessoal e coletiva para com o próximo.”

Com frequência, a comunicação não gera esperança, mas sim medo, preconceitos e rancores, fanatismo e até ódio. Como em outras ocasiões, o Pontífice insiste na necessidade de “desarmar” a comunicação. “Nunca dá bom resultado reduzir a realidade a slogans”, escreve. Desde os talk shows televisivos até às guerras verbais nas redes sociais, há o risco de prevalecer o paradigma da competição, de fazer do outro um “inimigo”.

Eis então que o Apóstolo oferece uma síntese “admirável” da comunicação cristã, ou seja: dar com mansidão a razão da nossa esperança.

“A esperança dos cristãos tem um rosto: o rosto do Senhor ressuscitado”, recorda o Pontífice. Os cristãos não são, antes de mais, aqueles que “falam” de Deus, mas aqueles que fazem ressoar a beleza do seu amor, uma maneira nova de viver cada pequena coisa.

“A comunicação dos cristãos – e eu diria até a comunicação em geral – deve ser feita com mansidão, com proximidade: eis o estilo dos companheiros de viagem, na pegada do maior Comunicador de todos os tempos, Jesus de Nazaré.”

Francisco então expõe seus “sonhos” na comunicação: uma comunicação que saiba fazer de nós companheiros de viagem; capaz de falar ao coração; de gerar empatia, interesse pelos outros; que não venda ilusões ou medos, mas seja capaz de dar razões para ter esperança.

Para isso, acrescenta, precisamos de nos curar da “doença” do protagonismo e da autorreferencialidade, pois o bom comunicador faz com que quem ouve, lê ou vê se torne participante. Comunicar deste modo ajuda a nos tornar “peregrinos de esperança”, como diz o lema do Jubileu.

A esperança é sempre um projeto comunitário e o Jubileu tem implicações sociais, escreve por fim o Santo Padre, concluindo com algumas exortações para tornar o mundo menos indiferente e um pouco menos fechado:

“Encorajo-os a descobrir e a contar tantas histórias de bem escondidas por detrás das notícias”; encontrar as centelhas de bem que nos permitem ter esperança; ser mansos e nunca esquecer o rosto do outro; praticar uma comunicação que saiba curar as feridas da humanidade; ser testemunhas e promotores de uma comunicação não hostil, que difunda uma cultura do cuidado e construa pontes.

“Tudo isto podem e podemos fazê-lo com a graça de Deus, que o Jubileu nos ajuda a receber em abundância. Por isto, rezo por cada um de vocês e pelo seu trabalho, e os abençoo.”