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A inteligência artificial (IA) é um dos principais temas de debate da edição de número 55 do Fórum Econômico Mundial que está sendo realizado

A inteligência artificial (IA) é um dos principais temas de debate da edição de número 55 do Fórum Econômico Mundial que está sendo realizado desde segunda-feira (20/01) em Davos, nos Alpes Suíços, com a presença de líderes globais, ministros da área econômica, CEOs de grandes empresas e economistas. O Papa Francisco enviou um mensagem nesta quinta-feira (23/01) em mais uma oportunidade para refletir sobre a IA “como uma ferramenta não apenas de cooperação, mas também para unir os povos”. Em sessão sobre segurança digital esteve presente um dos representantes do Brasil no evento, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luís Roberto Barroso, que abordou a luta contra a desinformação e a questão da responsabilidade das plataformas digitais por conteúdos ilegais nelas veiculados.

A mensagem do Papa a Davos

O Papa Francisco, por sua vez, abordou “o dom da inteligência” na sua mensagem que, segundo a tradição cristã, é considerado um “aspecto fundamental da pessoa humana criada ‘à imagem de Deus'”. Ao mesmo tempo, continuou o Pontífice, a própria Igreja Católica sempre apoiou o avanço da ciência, da tecnologia, das artes e de outras formas de iniciativas do homem.

A IA foi projetada para “imitar” essa inteligência humana, observou o Papa, o que levanta uma série de questões e desafios, crescentes “crises de verdade”, “importantes preocupações sobre seu impacto sobre o papel da humanidade no mundo” e sobretudo sobre “a responsabilidade ética, a segurança humana e as implicações mais amplas de tais desenvolvimentos para a sociedade”. Basta pensar ao “grau de habilidade e velocidade” com que ela trabalha, muitas vezes excecendo a capacidade humana, através de uma tecnologia capaz de fazer “certas escolhas de forma autônoma”, “fornecendo respostas não previstas por seus programadores”.

A tecnologia da IA e o coração do homem

O Papa Francisco, na mensagem, reconheceu como a IA seja “uma extraordinária conquista tecnológica”, mas que imita “resultados associados à inteligência humana” através de uma escolha técnica, diferente do ser humano que “não apenas escolhe, mas em seu coração é capaz de decidir”. Como qualquer outra atividade humana e todo desenvolvimento tecnológico, “a IA deve ser ordenada para a pessoa humana” porque, quando usada corretamente, “ajuda a pessoa humana a realizar a sua vocação, em liberdade e responsabilidade”.

Mas o perigo da IA ser usada para promover o “paradigma tecnocrático” existe, alertou o Papa Francisco, com a ideia de que “todos os problemas do mundo” possam ser resolvidos somente por meios tecnológicos. Nesse paradigma, a dignidade e a fraternidade humana são frequentemente subordinadas à busca da eficiência” e, dessa forma, do poder tecnológico e econômico.

“Entretanto, a dignidade humana jamais deve ser violada em favor da eficiência. Os desenvolvimentos tecnológicos que não melhoram a vida de todos, mas que, em vez disso, criam ou aumentam as desigualdades e os conflitos, não podem ser definidos de verdadeiro progresso. Portanto, a IA deve ser colocada a serviço de um desenvolvimento mais saudável, mais humano, mais social e mais integral.”

Adotar respostas adequadas para o impacto da IA

O lema da edição deste ano do Fórum de Davos, “Colaborando para a Era Inteligente”, reforça o foco em tecnologias emergentes – como a IA generativa, por exemplo (a tecnologia por trás do ChatGPT) – que trazem tanto oportunidades quanto desafios. Um dos maiores exemplos desses desafios são os impactos no mercado de trabalho. Como acontece com muitas tecnologias, afirmou o Papa, “os efeitos de diferentes usos da IA podem nem sempre ser previsíveis desde o início”. Francisco então enalteceu sobre a importância de adotar “respostas adequadas” para o impacto social da aplicação da IA desde os usuários individuais até as organizações internacionais, redescobrir os valores das comunidades e renovar o compromisso com o cuidado da casa comum:

“Para gerenciar as complexidades da IA, os governos e as empresas devem exercer a devida diligência e vigilância. Eles devem avaliar em modo crítico as aplicações individuais da IA em contextos específicos para determinar se o seu uso promove a dignidade humana, a vocação da pessoa humana e o bem comum.”

Andressa Collet – Vatican News

Lentilhas com frango. Num menu tão simples está toda a felicidade de um povo, o de Gaza, na Palestina, que voltou, depois de massacres,

Lentilhas com frango. Num menu tão simples está toda a felicidade de um povo, o de Gaza, na Palestina, que voltou, depois de massacres, violência, medo e fome destes quase quinze meses, a uma aparência de normalidade com a trégua de domingo passado. O Papa se fez porta-voz desta felicidade quando falou, no final da Audiência Geral desta quarta-feira, 22 de janeiro, na Sala Paulo VI, sobre sua última conversa por telefone com os paroquianos da Sagrada Família de Gaza, assistidos pelo pároco, o sacerdote argentino Gabriel Romanelli, e pelo vice-pároco, o sacerdote egípcio Yusuf Asad.

Foto: Vaticano News
Ontem eu liguei – faço isso todos os dias – para a paróquia de Gaza. Estavam felizes. Há 600 pessoas lá entre a paróquia e o colégio. Elas me disseram que tinham comido lentilhas com frango, algo que não estavam acostumadas a fazer nestes tempos. Tinham apenas alguns vegetais, alguma coisa. Estavam felizes.

A proximidade do Papa à comunidade da Sagrada Família de Gaza

As palavras do Papa falam um pouco da vida de uma comunidade, situada a poucos passos das áreas dos bombardeios mais intensos, Jabalia, que até setenta e duas horas atrás vivia na precariedade e no terror. Em dezembro de 2023, a paróquia sofreu um ataque israelense direto que resultou na morte de duas mulheres. Através de seus telefonemas, o Papa tentou de todas as maneiras se aproximar dessa comunidade, reunida no complexo paroquial, que também hospedava alguns muçulmanos. Como ele mesmo sempre disse e como o padre Romanelli contou muitas vezes, todos os dias o telefone tocava na Sagrada Família, geralmente por volta das 19h. Do outro lado da linha, o Papa. “Desde o início da guerra, ele ligava todos os dias para rezar, para dar a sua bênção, para cuidar das pessoas de Gaza uma por uma e se tornou, como disse o patriarca de Jerusalém, um da nossa comunidade, um paroquiano”, disse o pároco à mídia vaticana, referindo-se ao telefonema no dia do início da trégua na Faixa de Gaza, saudada com coros e músicas.

“Rezemos pela paz, a guerra é sempre uma derrota”

Sim, a trégua, que, como muitos disseram, não é sinônimo de paz. De fato, na Audiência Geral, o Papa mais uma vez pediu aos fiéis do mundo inteiro para que não interrompam suas orações por Gaza, assim como por todos os outros lugares assolados por conflitos.

Rezemos por Gaza, pela paz ali, e em muitas partes do mundo. A guerra é sempre uma derrota, não se esqueçam. A guerra é uma derrota. E quem lucra? Os fabricantes de armas! Por favor, rezemos pela paz.

Um pensamento para os idosos na Ucrânia

Pensando na Ucrânia, sempre definida como “martirizada” por uma guerra que dura quase três anos e que continua com ataques de drones russos, mortes e ferimentos de civis, o Papa Francisco pediu, na Sala Paulo VI, para lembrar especialmente da população idosa. O pedido foi feito na saudação aos peregrinos poloneses que nestes dias expressam “uma gratidão especial” às avós e aos avôs, celebrando sua festa: “Que seja uma ocasião para construir e fortalecer uma nova aliança entre gerações”, disse ele.

Por favor, lembrem-se também em suas orações dos idosos da Ucrânia que estão vivendo a tragédia da guerra.

“Meu coração está com Los Angeles”

Francisco também fez um apelo em prol da população de Los Angeles, onde os incêndios devastadores dos últimos dias causaram prejuízos de aproximadamente 250 bilhões de dólares, segundo estimativas, e mataram 28 pessoas. “Quero que saibam que meu coração está com o povo de Los Angeles que tanto sofreu com os incêndios que devastaram bairros e comunidades inteiros, e ainda não terminaram”, enfatizou o Papa, destacando-se do texto escrito.

Vaticano News

A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos teve início no sábado dia 18 de janeiro com uma celebração nacional em Vila Nova de
A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos teve início no sábado dia 18 de janeiro com uma celebração nacional em Vila Nova de Gaia na paróquia Lusitana de São João Evangelista.

Para o responsável pela Igreja Lusitana, de Comunhão Anglicana, D. Jorge Pina Cabral que presidiu a esta celebração, com esta Semana de Oração, o Oitavário pela Unidade, os cristãos afirmam a sua opção pela paz.

“Nós ao celebrarmos a fé em Jesus Cristo, celebramos uma opção pela paz, pela reconciliação, pela compreensão e pelo diálogo que nós percebemos hoje, mais do que nunca, que são modos de estar, vivências e valores que são cada vez mais necessários no nosso mundo”, afirmou.

Cristãos unidos na promoção da paz

Em declarações aos jornalistas, D. Jorge Pina Cabral afirmou a importância da união entre as religiões para o diálogo e a cooperação. “As religiões hoje estão unidas na promoção da paz”, disse o bispo anglicano sublinhando que é a “sede de poder” que faz a guerra.

“É muito importante hoje as religiões estarem unidas, é muito importante o diálogo, é muito importante a cooperação, precisamente, para dizer que as guerras que são feitas em nome das religiões não são verdadeiras. Não é a religião ou as incompatibilidades entre religiosos que provocam as guerras, mas uma sede de poder, de política, de autoridade. E por isso, as religiões hoje estão unidas na promoção da paz”, sublinhou.

A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, está a decorrer de 18 a 25 de janeiro centrada neste ano no tema “Crês nisso?”, inspirado no diálogo entre Jesus e Marta, quando Jesus visitou a casa de Marta e Maria em Betânia, após a morte de seu irmão Lázaro, conforme narra o evangelista João.

A celebração ecuménica nacional, presidida por D. Jorge Pina Cabral, contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues e de representantes das várias igrejas cristãs.

Passos concretos rumo à unidade

Aos jornalistas presentes na celebração falou também D. Roberto Mariz, bispo auxiliar do Porto, que situou a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos num “patamar de esperança”. “Passos claros, concretos” rumo à unidade, na pluralidade da “vivência cristã” e na “mesma fé em Jesus e no mesmo Evangelho”, assinalou.

“Assim nos possamos apresentar no mundo: naquilo que é a nossa pluralidade, numa verdadeira unidade, a partir do Espírito. E nessa verdadeira unidade, possamos ser um sinal profético num mundo tão dilacerado por divisões, guerras e conflitos”, disse o bispo auxiliar do Porto.

D. Roberto Mariz referiu que o encontro entre religiões cristãs desafia a sociedade à “unidade, na tolerância das suas diferenças” e valorizou o diálogo ecuménico como oportunidade de “fazer pontes”.

“O diálogo ecuménico tem uma importância essencial: permite sentarmo-nos à mesma mesa, olharmo-nos no rosto, sentirmos as palavras que ecoam no nosso coração, os pensamentos que cruzamos em torno do nosso credo, da nossa crença e das vivências da fé, no concreto de cada religião. E onde possamos, nesse diálogo, fazer pontes no respeito de uns pelos outros e sermos capazes de caminhar irmãmente”, declarou D. Roberto Mariz.

Em 2025 assinalam-se 1700 anos do Concílio de Niceia

O ‘oitavário pela unidade da Igreja’, hoje com outra denominação, começou a ser celebrado em 1908, por iniciativa do norte-americano Paul Wattson, presbítero anglicano que mais tarde se converteu ao catolicismo, recorda-nos a Agência Ecclesia.

As principais divisões entre as Igrejas cristãs ocorreram no século V, depois dos Concílios de Éfeso e de Calcedónia (Igreja Copta, do Egito, entre outras); no século XI com a cisão entre o Ocidente e o Oriente (Igrejas Ortodoxas); no século XVI, com a Reforma Protestante e, posteriormente, a separação da Igreja de Inglaterra (Anglicana).

Para este ano de 2025, as orações e reflexões para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos foram preparadas pelos irmãos e irmãs da comunidade monástica de Bose, no Norte da Itália.

Em 2025 assinalam-se os 1700 anos do primeiro Concílio Ecuménico, realizado em Niceia, perto de Constantinopla, em 325 d.C. Essa comemoração oferece uma oportunidade única para refletir e celebrar a fé comum dos cristãos, conforme é expressa no Credo formulado nesse Concílio; uma fé que permanece viva e fecunda nos nossos dias.

A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2025 oferece uma ótima oportunidade para nos valermos dessa herança partilhada e aprofundarmos a fé que une todos os cristãos.

Laudetur Iesus Christus

Rui Saraiva – Portugal  
O Jubileu 2025 é um chamado especial para renovar a fé e fortalecer a união em Cristo. Com o tema “Peregrinos de Esperança”, o

O Jubileu 2025 é um chamado especial para renovar a fé e fortalecer a união em Cristo. Com o tema “Peregrinos de Esperança”, o Ano Jubilar convida todos a refletirem sobre a fraternidade, a paz e a confiança na presença amorosa de Deus. Este é um tempo de graça e renovação, onde todos são chamados a se aprofundar espiritualmente e a viver a verdadeira solidariedade cristã.

Neste sentido, a Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, em comunhão com a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), a Conferência Nacional dos Institutos Seculares do Brasil (CNISB) e a Ordem das Virgens (OV), organizou um tríduo preparatório para este momento tão especial.

O tríduo, estruturado com o objetivo de fortalecer a espiritualidade e a oração, será uma oportunidade para todos os fiéis se prepararem espiritualmente para o Jubileu, aprofundando-se nas práticas de fé e no compromisso com a missão cristã.

“Este livreto é um guia para acompanhar essas celebrações e aprofundar o sentido do Ano Jubilar, como Vida Consagrada. Que ele nos inspire a caminhar como peregrinos de esperança, testemunhando a luz de Cristo e a força transformadora da fé”.

No roteiro do tríduo, no primeiro dia (30/01/2025), a CRB convida à reflexão sobre a vida fraterna como sinal de esperança. No segundo dia (31/01/2025), a CNISB destaca a missão de construir a paz no mundo. E no terceiro dia (01/02/2025), a Ordem das Virgens celebra a esponsalidade com Cristo como âncora da esperança cristã.

Live

Uma live foi organizada para apresentar o tríduo em preparação ao Jubileu 2025. Ela será transmitida, ao vivo, pelas redes sociais da CNBB (@cnbbnacional) no dia 23 de janeiro, às 19h30.

A live também trará informações sobre como cada um pode se engajar nesse movimento de oração e preparação, tornando-se um verdadeiro peregrino na caminhada de fé que se aproxima. Não perca a chance de participar e ser parte dessa vivência de fé, esperança e renovação!

Assista aqui:

Em preparação para o 16º Interclesial das CEBs, que será realizado em 2027 na Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, no próximo dia 25 de

Em preparação para o 16º Interclesial das CEBs, que será realizado em 2027 na Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, no próximo dia 25 de janeiro acontecerá a Missa em Comemoração ao Jubileu Interclesial. O tema da celebração será: “Uma Igreja que nasce do povo pelo Espírito Santo de Deus”.

Os bispos do Regional Leste 3 da CNBB convidam todos para celebrar os 50 anos desse importante marco. A programação do Jubileu terá início às 15h com uma caminhada saindo da Comunidade Sagrada Família, em Jerônimo Monteiro. Em seguida, Celebração Eucarística, na paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, em Jerônimo Monteiro.

O Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) é um marco histórico para o Brasil e para a Igreja. Esse encontro, que reúne milhares de lideranças das bases, é expressão viva da opção preferencial pelos pobres e da atuação transformadora do Evangelho nas realidades sociais e políticas do país.

As CEBs nasceram no contexto do Concílio Vaticano II e da Conferência de Medellín, em uma Igreja chamada a ser mais próxima do povo, dialogando com suas dores e esperanças. No Brasil, a década de 1970 foi crucial para a consolidação desse movimento, em meio a um regime ditatorial que reprimia as vozes dos mais pobres e marginalizados.

As Comunidades Eclesiais de Base se tornaram um espaço de formação espiritual, organização social e resistência. Inspiradas no Evangelho e no compromisso com a justiça social, as CEBs promoveram a conscientização crítica, a organização popular e o protagonismo dos leigos na Igreja e na sociedade.

Os Intereclesiais: Espaços de Partilha e Profecia

Em janeiro de 1974, Dom Luíz Gonzaga pegou o carro e partiu em direção a Setiba, Guarapari – ES, para passar alguns dias de férias na praia com seu amigo Eduardo Hoornaert. Foi nesse contexto que Dom Luíz teve a inspiração de promover o encontro de bispos cujas igrejas estavam acontecendo o mesmo que nas igrejas de Vitória, a realidade das Comunidades de Base. O que se pensou era num encontro entre igrejas irmãs que trocam suas experiências, despretensiosamente, sem ambicionar ser uma cúpula, nem um congresso.

Assim, o primeiro Intereclesial foi realizado em 1975, em Vitória, Espírito Santo, reuniu cerca de 70 pessoas entre bispos, padres e outros religiosos e teve como tema “CEBs: uma Igreja que nasce do povo pelo Espírito de Deus” e desde então, a cada poucos anos, os encontros se tornaram momentos marcantes de partilha, celebração e profecia. Os leigos só participaram do segundo encontro.

O segundo encontro, também aconteceu no Espírito Santo, entre os dias 29 de julho a 1 de agosto de 1976, e contou com a presença de bispos brasileiros e latino-americanos (México, Peru e Chile), representantes da igreja da Belgica, da Alemanha e da Áustria, e a participação de mais de 100 pessoas incluindo leigos. Desta vezes o tema escolhido foi: CEBs: Igreja, povo que caminha”.  A partir daí começa-se a delinear a identidade das CEBs; passa-se a utilizar o jargão “caminhada”. Identificadas as semelhanças entre si, as várias comunidades eclesiais de base passam a se tratar como companheiras de caminhada. As CEBs dão seus primeiros firmes passos, tendo os pequenos à frente.

Ao longo das décadas, os Intereclesiais abordaram temas como direitos humanos, ecologia, economia solidária, cultura indígena, racismo, juventude e a luta pela terra. A diversidade cultural e social das comunidades é celebrada, enriquecendo a Igreja com suas múltiplas vozes.

50 Anos de Compromisso com o Reino de Deus

O jubileu de ouro do Intereclesial das CEBs é uma oportunidade de rememorar a caminhada, reafirmar compromissos e projetar o futuro. Em um momento histórico marcado por desafios globais como a desigualdade, a crise climática e as novas formas de exclusão, as CEBs continuam sendo luz e fermento no tecido social brasileiro.

A celebração dos 50 anos também é um chamado para que a Igreja como um todo redescubra a essência comunitária, missionária e profética que as CEBs representam. Com sua espiritualidade libertadora e ação concreta, elas permanecem como um testemunho vibrante do Evangelho em ação.

Um Convite à Esperança

Os 50 anos do Intereclesial são motivo de festa, mas também de renovação. A memória da caminhada inspira novas gerações a se engajarem na luta por uma sociedade mais justa, fraterna e solidária, sempre alicerçada nos valores do Reino de Deus.

Neste jubileu, as Comunidades Eclesiais de Base reafirmam: “Somos Igreja do povo, comprometida com a vida e a esperança. Somos CEBs, a força profética do Evangelho no coração do Brasil.”

Roma recebe, neste início de ano, um encontro internacional de três dias que promete inspirar e mobilizar jovens comunicadores profissionais de todos os continentes.

Roma recebe, neste início de ano, um encontro internacional de três dias que promete inspirar e mobilizar jovens comunicadores profissionais de todos os continentes. Trata-se do encontro de jovens profissionais de comunicação, que acontece no âmbito do Jubileu das Comunicações, e reúne cerca de 120 jovens representantes das Conferências Episcopais, com idades de até 35 anos, todos com experiência na área de comunicação e meios digitais.

A iniciativa é organizada pelo Dicastério da Comunicação, do Vaticano, e tem como objetivo promover a troca de experiências, compartilhar inspirações e alinhar missões com vistas ao Jubileu de 2025. Além disso reforça a importância da comunicação para o fortalecimento da fé e da mensagem católica no mundo contemporâneo.

Durante os três dias, os participantes terão a oportunidade de dialogar com especialistas da área da comunicação, incluindo jornalistas, influenciadores digitais e profissionais de organizações internacionais. Além disso, serão abordadas questões-chave sobre o papel da mídia na propagação dos valores cristãos e a missão da Igreja no mundo digital.

A programação do evento incluirá palestras, workshops e momentos de reflexão sobre como as novas plataformas digitais podem ser aliadas poderosas na evangelização e no fortalecimento das comunidades de fé ao redor do mundo. Entre os temas debatidos, destacam-se o papel das redes sociais, a ética na comunicação e o uso da tecnologia para engajar jovens na missão da Igreja.

A participação dos jovens comunicadores no encontro de Roma não apenas fortalece a missão de evangelização, mas também prepara a Igreja para um Jubileu que, pela primeira vez, será marcado por um forte uso de meios digitais, conectando pessoas de diferentes culturas e realidades.

Conheça alguns dos participantes

Do Brasil algumas pessoas foram convidadas pelo Dicastério para a Comunicação, do Vaticano, para participar do encontro de jovens profissionais de comunicação. Alguns dos participantes identificados pela Ascom da CNBB são Letícia Florêncio, coordenadora de comunicação no Movimento Laudato Si’; Ronnaldh de Oliveira, missionário Digital, Larissa Carvalho, da Assessoria de Comunicação da CNBB; Gizele Barbosa, da Signis Jovem; Paloma Timo, das Edições CNBB; Thulio Fonseca, da redação brasileira do Vatican News.

Letícia Florêncio

Letícia Florêncio é formada em jornalismo e designer gráfico. Atualmente é coordenadora de comunicação no Movimento Laudato Si’ para países de língua portuguesa, e assessora de comunicação na Província Franciscana de Santo Antônio do Brasil – Ordem dos Frades Menores, região Nordeste. Com mais de 10 anos de experiência em comunicação criativa, atua nos eixos de espiritualidade, educação e desenvolvimento social, em especial no contexto eclesial.

Ela compartilhou seus sentimentos e objetivos para o evento, destacando o valor da troca cultural e espiritual entre os jovens comunicadores de diferentes países.

“A minha expectativa para o encontro é uma das maiores possíveis. Estou com muita expectativa de participar, de poder me conectar com outros jovens comunicadores de outros países do mundo, o que é algo que eu valorizo muito. A troca de experiências entre diferentes culturas, com pessoas que atuam em suas comunidades locais, com seus próprios idiomas e realidades, é algo único”, disse Letícia, refletindo sobre a importância desse intercâmbio.

Ela também destacou como o evento permitirá a vivência prática da comunhão da igreja universal, um princípio central da fé cristã. “É uma oportunidade de viver na prática o testemunho da comunhão da igreja, de perceber que, embora venhamos de contextos diferentes, as necessidades e os desafios são comuns. O que acontece aqui no interior do Brasil, na minha comunidade na periferia de Teresina, pode também ser realidade em outros lugares do mundo”, afirmou.

Letícia também enfatizou a importância de voltar à sua comunidade local com um novo entendimento e renovada energia. “Eu acredito que a gente precisa se preencher de boas experiências, bons testemunhos e bênçãos para poder, ao retornar, derramar isso na nossa realidade local. Vou com a expectativa de voltar com muito conhecimento, com paixão e com amor para compartilhar com a minha igreja e minha comunidade”, concluiu.

Savio Martins

Savio Martins é publicitário e, atualmente, atua na área da criação do design gráfico e está inserido na comunicação da Igreja Católica há mais de dez anos, tendo contribuído profissionalmente tanto em pastorais, paróquias, arquidioceses. Hoje trabalha no marco de uma das maiores emissoras católicas do país que é a Rede Vida.

Ele compartilhou uma visão mais focada no aspecto profissional do evento: “A minha expectativa para o encontro é que seja um momento que nos enriqueça e fortaleça profissionalmente, espiritualmente e também culturalmente. Espero que cada jovem possa levar e partilhar um pouco das experiências vividas por meio da comunicação nos diversos meios em que estão inseridos”, explicou Sávio.

Para ele, a troca de experiências será essencial para enriquecer o trabalho de cada um em seus contextos locais. “A partir dessas experiências, espero que possamos trazer algo valioso para os nossos meios de atuação, no dia a dia, trabalhando com a comunicação.”

Gizele Barbosa

Entre os participantes também encontramos histórias como a de Gizele Barbosa, que destaca a importância de se conectar com pessoas que estão na mesma dinâmica de ser e comunicar esperança. “Conhecer e encontrar pessoas que estão na mesma trajetória é um dos maiores presentes que podemos receber”.

Para ela, o Jubileu será também uma oportunidade de aprender com aqueles que vem de diferentes lugares e contextos, cada um trazendo consigo um olhar único sobre o mundo e a comunicação. Esse intercâmbio de vivências é visto por ela como uma forma de enriquecer a visão de todos, fortalecer a esperança e ampliar os horizontes de como comunicar de maneira mais autêntica e inspiradora.

Gizele Barbosa é teóloga de formação e comunicadora por vocação. Já foi da Congregação das Irmãs Paulinas, no qual dedicou 15 anos de sua vida como religiosa.

Participar de um Jubileu na Santa Sé é, para qualquer cristão, uma experiência profundamente significativa. Para Ronnaldh de Oliveira, que também é comunicador, a oportunidade é ainda mais especial. Ele compartilhou com entusiasmo a alegria e a responsabilidade de viver este momento único.

Ronnaldh de Oliveira

“Primeiramente, é uma graça muito grande participar de um Jubileu a partir da e na Santa Sé. Vivenciar essa experiência como batizado, jovem e comunicador é justamente congruir fé, existência e vocação”, afirmou, ressaltando a profundidade do significado de sua presença nesse evento.

Ele destacou que, ao estar no coração da Igreja, sente-se não apenas representando a si mesmo, mas também muitos jovens brasileiros, comunicadores e batizados. “De certa forma, compreender que estou ali representando tantos outros é também criar consciência de sinodalidade e apostolado. É um momento de união e de fortalecimento do compromisso com a fé e com os outros”, explicou.

A empolgação é palpável: “Estou super feliz com tudo isso, entusiasmado e pronto a vivenciar intensamente essa experiência que já tem marcado a minha vida!”, concluiu, demonstrando o quanto esse evento tem sido uma grande fonte de inspiração e alegria.

Na intenção de contribuir à Conferência do Clima da ONU foi publicada a Cartilha ABC da COP, lançado pela A REPAM (Rede Eclesial Pan-Amazônica).
Na intenção de contribuir à Conferência do Clima da ONU foi publicada a Cartilha ABC da COP, lançado pela A REPAM (Rede Eclesial Pan-Amazônica). Um guia essencial para compreender os principais temas e desafios da luta climática global. Voltada para a Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima, a cartilha traduz conceitos complexos em uma linguagem acessível, incentivando a participação ativa da sociedade civil rumo à COP 30, que acontecerá no Brasil.

COP30

A Conferência das Partes é a Conferência do Clima da ONU mais importante do calendário climático, e será realizada neste ano de 2025 em Belém, no coração da Amazônia. Este evento representará uma oportunidade histórica de colocar as vozes das comunidades da Amazônia no centro das decisões globais sobre o enfrentamento da crise climática.

Para fortalecer essa agenda de justiça climática e ampliar o acesso à informação sobre a COP30, a Mobilização dos Povos pela Terra e pelo Clima, articulação da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM Brasil), rumo à COP30, lança a cartilha “ABC DA COP: Tudo sobre a Conferência do Clima da ONU e relevância da COP30 na Amazônia”. Este material foi desenvolvido para tornar os debates climáticos mais acessíveis e inclusivos, especialmente para as populações que estão na linha de frente da preservação da Amazônia e enfrentam diretamente as consequências das mudanças climáticas.

Cartilha da REPAM guia as Comunidades
Cartilha da REPAM guia as Comunidades

A cartilha visa democratizar o conhecimento sobre a COP30 e permitir que a população no geral, comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e extrativistas compreendam melhor o impacto deste evento e como podem se engajar ativamente nas discussões globais.

“A cartilha é importante porque explica, de forma clara e objetiva, como funciona a COP. E entender a Conferência é o primeiro passo para que as pessoas, sobretudo a sociedade civil organizada, se preparem para viver a COP30 no Brasil de uma forma produtiva. Sabendo como os espaços funcionam e quais temas estão em discussão, cada um pode se juntar aos coletivos que estão sendo organizados para cobrar do poder público as ações necessárias para conter o avanço da crise climática demonstrado nos episódios cada vez mais comuns de seca, enchentes, alagamentos e incêndios”, ressalta Sandra Rocha, da Comunicação da Cúpula dos Povos.

O que você encontra na cartilha?

Explicações claras sobre os principais temas da COP30 e sua relevância para o combate à crise climática.

Informações sobre o papel fundamental das comunidades amazônicas no enfrentamento das mudanças climáticas e na preservação da biodiversidade.

Orientações práticas sobre como essas comunidades podem se preparar para participar e influenciar os debates.

Exemplos inspiradores de iniciativas locais que estão fazendo a diferença.

Glossário de termos climáticos que visa facilitar a compreensão dos conceitos técnicos.

Dados sobre a Amazônia e sua importância no equilíbrio climático global.

A cartilha, que pode ser baixada gratuitamente em formato digital, é um convite para que todos, especialmente aqueles diretamente impactados pelas mudanças climáticas, se engajem na COP30 e nas decisões que moldarão o futuro do planeta.

“A informação é uma ferramenta poderosa”, afirma Mayara Lima, da Comunicação da Mobilização e da Equipe Editorial da Cartilha. “No contexto da crise climática, dar acesso à informação às comunidades da Amazônia é garantir que elas possam atuar de maneira eficaz e influente no cenário global.”

Caminhos para a COP30: Mobilização e Inclusão

A REPAM tem trabalhado incansavelmente para fortalecer as vozes dos movimentos territoriais e sociais da Amazônia, preparando uma articulação que visa uma incidência significativa nos debates climáticos rumo à COP30. A organização também faz parte da Cúpula dos Povos, uma coalizão de mais de 400 organizações que está liderando ações estratégicas em defesa do clima, florestas e direitos humanos.

“Esta cartilha é uma ponte para conectar os territórios amazônicos aos debates globais”, afirma Dom Evaristo Pascoal Spengler, presidente da REPAM Brasil. “Ela fortalece o conhecimento de quem já cuida da Amazônia há gerações e prepara essas comunidades para exercerem um papel decisivo nas negociações.”

Com ações em toda a Amazônia Legal, a REPAM, que está com escritório em Belém devido à COP30, vem promovendo encontros e eventos que reforçam a importância de um plano robusto e integrado de defesa do meio ambiente e dos direitos das populações tradicionais.

A cartilha é mais um passo para fortalecer o protagonismo das comunidades amazônicas na COP30, mas sua importância vai além do evento. Ela busca ser um ponto de partida para uma mobilização coletiva em defesa de um futuro mais justo e sustentável para o planeta.

A cartilha está disponível em Português e em breve serão lançadas também as versões em Inglês e Espanhol. Acesse a cartilha gratuitamente aqui.

Juntos, podemos garantir que as vozes de quem já protege a Amazônia sejam ouvidas e que suas perspectivas estejam no centro das decisões que impactam o futuro do planeta.

Sobre a REPAM Brasil:

A Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM-Brasil é uma rede eclesial da Igreja Católica na Amazônia Legal, que tem por objetivo promover a vida, por meio do cuidado dos povos, territórios e ecossistemas amazônicos e do incremento da consciência da importância da Amazônia para toda a humanidade, por meio de uma atuação socioeclesial articulada em rede. A REPAM-Brasil, desde 2014, é uma organização que trabalha ao lado das comunidades e movimentos sociais da Amazônia, promovendo o diálogo, a articulação e a defesa dos direitos humanos, da justiça climática e da preservação ambiental.

Fonte: REPAM

Silvonei José – Vatican News

O Dicastério para a Evangelização divulgou um comunicado, na terça-feira, 7 de janeiro, comunicando que 545 mil e 532 peregrinos de várias partes do

O Dicastério para a Evangelização divulgou um comunicado, na terça-feira, 7 de janeiro, comunicando que 545 mil e 532 peregrinos de várias partes do mundo passaram pela Porta Santa da Basílica de São Pedro, em apenas duas semanas após o inicio do Ano Santo e nestes primeiros dias de 2025.

Uma grande cruz de madeira abre a procissão e atrás dela pequenos ou grandes grupos de oração são canalizados primeiro para o “corredor” criado especificamente na Via della Conciliazione e depois para outro semelhante instalado na Praça São Pedro, ambos controlados por jovens voluntários, usando blusão verde claro, alinhados no percurso que leva à Porta Santa da Basílica Vaticana.

Fisichella: início muito significativo

“Este é um começo muito significativo, com uma grande participação das pessoas”, disse o pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, dom Rino Fisichella, responsável pela organização do Jubileu.

“Os grupos que lotam a Via della Conciliazione estão dando um testemunho importante, e isso é também um sinal da grande percepção de segurança e proteção que os peregrinos experimentam na cidade de Roma e nas proximidades das quatro Basílicas Papais”, disse ele.

Segurança e gestão do luxo

O comunicado dos organizadores do Ano Santo destaca a “estreita colaboração da Santa Sé e do Dicastério com as forças de segurança italianas e do Vaticano” e fala do esperado “aumento constante da afluência de peregrinos”. As “dificuldades iniciais na gestão dos fluxos”, observa dom Fisichella, precisam “ser avaliadas ao longo do tempo, mas o Dicastério trabalha incansavelmente para garantir que os peregrinos sejam acolhidos e tenham uma experiência que corresponda às suas expectativas”.

Reservar com antecedência

Estão em andamento no mundo os preparativos para chegar a Roma nos próximos meses, com muitas crianças, jovens, adultos e idosos que já entraram no clima jubilar com as celebrações de abertura do Ano Santo, que se realizaram em todas as dioceses em 29 de dezembro de 2024.

A partir de 5 de janeiro, com a abertura da Porta Santa da Basílica de São Paulo Fora dos Muros, os fiéis podem passar por todas as quatro Portas Santas das Basílicas Papais Romanas: além da de São Paulo, também a Porta Santa da Basílica de São Pedro, no Vaticano, São João de Latrão, e Santa Maria Maior.

Para fazer a sua peregrinação às Portas Santas, dadas as longas filas de fiéis, é necessário reservar com antecedência no site do Jubileu, iubilaeum2025.va. O grande desejo de participar do Jubileu também foi visível nas milhares de pessoas que lotaram as quatro Basílicas papais nos dias das celebrações de abertura das Portas Santas, muitas vezes enchendo também as praças em frente a elas.

O primeiro grande evento do Ano Santo será o Jubileu do mundo da Comunicação, de 24 a 26 de janeiro. Para a ocasião, são esperados em Roma milhares de jornalistas, especialistas e trabalhadores da comunicação de todo o mundo.

Com informações VaticanNews