Notícias da Igreja

No Dia Internacional da Mulher, pensemos nas mulheres que estão sofrendo com a guerra que está sendo travada na Ucrânia. Neste ano, o Papa
No Dia Internacional da Mulher, pensemos nas mulheres que estão sofrendo com a guerra que está sendo travada na Ucrânia. Neste ano, o Papa exortou a olhar para a humanidade das mulheres que pode regenerar o mundo.
Em lágrimas enquanto se despedem de seus maridos, sólidas em abraçar seus filhos assustados, corajosas em gritar nas ruas “não” a uma guerra que não pertence a ninguém, prontas para ajudar os soldados que deveriam ser inimigos, e que, em vez disso, são jovens assustados e frágeis. O conflito entre Rússia e Ucrânia mostrou o rosto das mulheres de hoje: um poliedro composto de cuidado, força, delicadeza, mas sobretudo expressão de um amor que, na dor, se torna casa e abrigo.
Ucrânia: as mulheres um exemplo de esperança, força e amor

Para essas mulheres, sejam elas russas ou ucranianas, o mundo olha hoje no Dia Internacional da Mulher dedicado a elas e no qual as palavras do Papa Francisco, proferidas várias vezes, parecem costuradas em sua pele queimada pela dor. Na solenidade da Mãe de Deus, 1º de janeiro passado, o Pontífice recordou Maria, mulher que “protege meditando” e sublinhou que “as mães olham o mundo não para explorá-lo, mas para que tenha vida: olhando com o coração, conseguem manter juntos os sonhos e a concretude”.

Enquanto as mães dão a vida e as mulheres custodiam o mundo, vamos todos trabalhar para promover as mães e proteger as mulheres. Quanta violência há contra as mulheres! Chega! Ferir uma mulher é ultrajar Deus, que obteve a humanidade de uma mulher, não de um anjo, não diretamente: de uma mulher. Assim como de uma mulher, a Igreja toma a humanidade dos filhos.

Maria e a piedade

A violência contra as mulheres é um problema “quase satânico”, disse o Papa em sua entrevista televisiva a Mediaset em dezembro de 2021, depois de ouvir o testemunho de vida familiar difícil de Joana. A ela, ele repetiu a palavra “dignidade”:

Qual é a dignidade das mulheres espancadas e abusadas? Uma imagem me vem à mente ao entrar na Basílica. À direita, a piedade de Nossa Senhora, Nossa Senhora humilhada diante de seu filho nu, crucificado, malfeitor aos olhos de todos. Aquela é a mãe que o criou, totalmente humilhada. Mas ela não perdeu sua dignidade e olhar aquela imagem em momentos difíceis como o seu de humilhação e onde se sente de perder a dignidade, olhar aquela imagem nos dá força… Olhe para Nossa Senhora, fique com essa imagem de coragem.

O olhar de esperança

Humilhação, sofrimento e dureza de espírito: hoje, no coração de cada mulher, em momentos particulares da vida, se continua vivendo esta oscilação. Há o cuidado, há o olhar que se apoia na fragilidade, na dor, por exemplo dos próprios filhos. Esse olhar feminino – explicou o Papa – transforma o desânimo e oferece esperança mesmo num cenário de guerra.

Vêm à mente os rostos das mães que cuidam de um filho doente ou em dificuldade. Quanto amor há em seus olhos, que enquanto choram sabem infundir motivos de esperança! O seu olhar é consciente, sem ilusões, mas para além da dor e dos problemas oferece uma perspectiva mais ampla, a do cuidado, do amor que regenera a esperança.

Há palavras-chave nestes pronunciamentos de Francisco que fazem suspirar de alívio, porque nas mulheres, ainda que maltratadas, abusadas e vítimas, há a semente de Deus que é Amor, há o exemplo de Maria que ajuda, há o seu sim que não é rendição, mas confiança no Senhor e também numa humanidade que nestes dias não vê luz e que parece aniquilada pelo ruído doloroso da guerra.

Fonte: Vatican News
Jornalista: Benedetta Capelli
O Papa Francisco vem fazendo esforços para que a paz seja restabelecida na Ucrânia. Ontem, 6 de março, fez um novo apelo. Leia a
O Papa Francisco vem fazendo esforços para que a paz seja restabelecida na Ucrânia. Ontem, 6 de março, fez um novo apelo. Leia a matéria publicada no site do Vaticano.
O Santo Padre lançou este domingo, 6 de março, após a oração mariana do Angelus, um novo apelo em favor da Ucrânia, para que seja garantido o acesso às zonas de guerra e assegure realmente os corredores humanitários. O Pontífice agradece a todos os envolvidos no acolhimento de refugiados e aos jornalistas comprometidos em relatar a crueldade da guerra. Francisco relança a ação diplomática da Santa Sé para as negociações de paz

Após a oração mariana do Angelus neste I Domingo da Quaresma, o Papa Francisco fez mais um novo premente apelo em favor da paz na Ucrânia:

Correm rios de sangue e lágrimas na Ucrânia. Não se trata apenas de uma operação militar, mas de guerra, que semeia morte, destruição e miséria. As vítimas são cada vez mais numerosas, assim como as pessoas que fogem, especialmente mães e crianças. A necessidade de assistência humanitária neste país atormentado está crescendo dramaticamente a cada hora.

O Pontífice dirigiu seu veemente apelo a fim de que sejam realmente assegurados os corredores humanitários e para que seja garantido e facilitado o acesso das ajudas às zonas sitiadas, para oferecer o socorro vital aos nossos irmãos e irmãs oprimidos por bombas e pelo medo.

“Agradeço a todos aqueles que estão acolhendo refugiados. Acima de tudo, imploro que os ataques armados cessem e que prevaleçam a negociação e o bom senso. E um retorno ao respeito ao direito internacional!”

Agradecimento aos jornalistas

O Papa dirigiu um agradecimento particular aos jornalistas que, colocando em risco a própria vida, contam a dura realidade da guerra:

E também gostaria de agradecer às jornalistas e aos jornalistas que colocam suas vidas em risco para garantir a informação: obrigado, irmãos e irmãs, por seu serviço! Um serviço que nos permite estar perto da tragédia daquela população e nos permite avaliar a crueldade de uma guerra. Obrigado, irmãos e irmãs.

Esforço diplomático da Santa Sé a serviço da paz

O Papa concluiu ressaltando o esforço diplomático da Santa Sé para colocar-se a serviço da paz:

A Santa Sé está pronta para fazer tudo, para colocar-se a serviço desta paz. Nestes dias, dois cardeais foram à Ucrânia, para servir o povo, para ajudar. O cardeal Krajewski, esmoleiro, para levar ajuda aos necessitados, e o cardeal Czerny, prefeito (interino) do Dicastério (para o Serviço) do Desenvolvimento Humano Integral. Esta presença dos dois cardeais ali é a presença não só do Papa, mas de todo o povo cristão que quer se aproximar e dizer: ‘A guerra é uma loucura! Parem, por favor! Vejam esta crueldade.

“Estamos vivendo cada dia como se fosse uma Páscoa”, afirma padre brasileiro em Kiev “Eu estou aqui para falar: Deus está aqui. Para que
“Estamos vivendo cada dia como se fosse uma Páscoa”, afirma padre brasileiro em Kiev
“Eu estou aqui para falar: Deus está aqui. Para que não apareça outro Nietzsche, por exemplo, perguntando onde está Deus neste absurdo, onde está Deus lá na Ucrânia, onde está Deus atuando através do Putin. Eu estou aqui para falar: Deus está aqui, em meio a toda essa desgraça.”
“Estamos vivendo cada dia como se fosse uma Páscoa, como se hoje tivéssemos que morrer”: palavras do sacerdote brasileiro Lucas Perozzi Jorge, que vive em Kiev desde 2004.

Do caminho necatecumenal, Pe. Lucas atualmente é vigário da Igreja da Dormição da Santíssima Virgem Maria. Ele e mais 35 pessoas, entre membros da comunidade e paroquianos que pediram abrigo, estão vivendo dentro da Igreja, numa parte segura que fica no subsolo. Por enquanto, não faltam luz nem calefação.

Ele afirma que a Quaresma já começou na Ucrânia, mas para o brasileiro, se trata de um “momento de graça”:

“Eu estou vivendo num contexto que é uma graça, uma graça de Deus. Que não sou digno de viver nada disso, porque sou realmente fraco, sou covarde, sou um pecador muito grande, mas o que estou vivendo vai além, porque Deus me dá a graça de estar contente no meio de toda essa bagunça.”

“Dá para ver a mão de Deus muito forte aqui. Estou vivendo a gratuidade, a graça do amor de Deus. De poder estar aqui no meio desta situação toda e poder experimentar o amor de Deus, que Ele é bom, que Ele é amoroso.”

Comentando o Dia de oração e jejum convocado pelo Papa Francisco, Pe. Lucas fala da importância de saber que toda a Igreja está rezando por ele, enquanto retribui as orações pelo Pontífice, “capitão do barco”.

“Deus está na Ucrânia”

Natural do interior de São Paulo, o brasileiro afirma que não pensou em sair da Ucrânia, não obstante os laços familiares muito fortes que deixou em Álvares Machado, sobretudo com o pai. Quando a guerra começou, ele estava fora de Kiev para um curso, mas voltou imediatamente; e a confirmação que tinha que ficar veio quando a primeira família de paroquianos pediu abrigo.

“Eu estou aqui para falar: Deus está aqui. Para que não apareça outro Nietzsche (filósofo niilista, ndr), por exemplo, perguntando onde está Deus neste absurdo, onde está Deus lá na Ucrânia, onde está Deus atuando através do Putin. Eu estou aqui para falar: Deus está aqui, em meio a toda essa desgraça.”

Em meio ao calvário que estão vivendo, Pe. Lucas tem a certeza da ressurreição:

“Acredito não, estou convencido. Mas não a ressurreição do fim da guerra, isso não sei. Estamos obrigados a viver um dia de cada vez, mas a ressureição é o que me mantém em pé, porque se não existisse a ressurreição, não teria sentido estar aqui. Não é se eu acredito, eu estou plenamente convencido na ressurreição dos mortos, isso é o que me permite estar aqui.”

Fonte: Vatican News

Jornalista: Bianca Fraccalvieri

O Papa Francisco enviou à Igreja no Brasil, uma mensagem incentivando a Campanha da Fraternidade.  A Campanha deste ano será aberta na Arquidiocese de

O Papa Francisco enviou à Igreja no Brasil, uma mensagem incentivando a Campanha da Fraternidade.  A Campanha deste ano será aberta na Arquidiocese de Vitória no próximo domingo, 6 de março, às 15h saindo da Praia de Camburi e caminhando até à UFES (Universidade Federal do Espírito Santo). Veja abaixo a mensagem do Papa.

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO POR OCASIÃO DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2022

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Ao iniciarmos a caminhada quaresmal de conversão rumo à celebração do Mistério Pascal de Cristo, nos dispomos a ouvir o chamado de Deus que deseja conduzir-nos, através das práticas penitenciais do jejum, da esmola e da oração, ao encontro pessoal e renovador com o Ressuscitado, em que temos a verdadeira vida e do qual devemos ser fiéis testemunhas.

Para auxiliar os fiéis nesse percurso de encontro, a Igreja no Brasil propõe à reflexão de todos, na Campanha da Fraternidade deste ano, o importante tema da relação entre “Fraternidade e Educação”, fundamental para a valorização do ser humano em sua integralidade, evitando a “cultura do descarte” – que coloca os mais vulneráveis à margem da sociedade – e despertando-o para a importância do cuidado da criação.

Efetivamente, ao olhar para a sociedade hodierna, percebe-se de maneira muito clara a urgência em adotar ações transformadoras no âmbito educativo a fim de que tenhamos uma educação promotora da fraternidade universal e do humanismo integral, como recordado no convite para um Pacto Educativo Global: “Nunca, como agora, houve necessidade de unir esforços numa ampla aliança educativa para formar pessoas maduras, capazes de superar fragmentações e contrastes e reconstruir o tecido das relações em ordem a uma humanidade mais fraterna” (Mensagem, 12/IX/19).

Ao mesmo tempo que se reconhece e valoriza a responsabilidade dos governos na tarefa de auxiliar as famílias na educação dos filhos, garantindo a todos o acesso à escola, deve-se igualmente reconhecer e valorizar a importante missão da Igreja no âmbito educativo: “As religiões sempre tiveram uma relação estreita com a educação, acompanhando as atividades religiosas com as educativas, escolares e acadêmicas. Como no passado, também hoje queremos, com a sabedoria e a humanidade das nossas tradições religiosas, ser estímulo para uma renovada ação educativa que possa fazer crescer no mundo a fraternidade universal” (Discurso, 5/X/21).

Desejo de todo o coração que a escolha do tema “Fraternidade e Educação” torne-se causa de grande esperança em cada comunidade eclesial e de efetiva renovação nas escolas e universidades católicas, a fim de que, tendo como modelo de seu projeto pedagógico a Cristo, transmitam a sabedoria educando com amor, tornando-se assim modelos desta formação integral para as demais instituições educativas.

Desejo igualmente, queridos irmãos e irmãs, que o itinerário quaresmal, iluminado pela reflexão proposta, seja ocasião de verdadeira conversão e que as sementes lançadas ao longo deste caminho encontrem nos corações dos fiéis a boa terra onde possam frutificar em ações concretas a favor de uma educação integral e de qualidade.

Confiando estes votos aos cuidados de Nossa Senhora Aparecida e como penhor de abundantes graças celestes que auxiliem as iniciativas nascidas a partir da Campanha da Fraternidade, concedo de bom grado a todos os filhos e filhas da querida nação brasileira, de modo especial àqueles que se empenham por uma educação mais fraterna, a Bênção Apostólica, pedindo que continuem a rezar por mim.

Roma, São João de Latrão, 10 de janeiro de 2022.

Franciscus

“A oração, a caridade e o jejum são os meios principais que permitem a Deus intervir na nossa vida e na do mundo. São
“A oração, a caridade e o jejum são os meios principais que permitem a Deus intervir na nossa vida e na do mundo. São as armas do espírito”, ressalta o Papa Francisco em sua homilia, lida pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, na Basílica de Santa Sabina, no dia de oração e jejum pela Ucrânia, e início do Tempo da Quaresma.

O secretário de Estado Vaticano, cardeal Pietro Parolin, presidiu a missa de imposição das Cinzas, na tarde desta quarta-feira (02/02), na Basílica de Santa Sabina.

Por causa de uma dor no joelho, o Papa Francisco não celebrou a Eucaristia, e sua homilia foi lida pelo cardeal Parolin.

“Na Quarta-feira de Cinzas, a nossa atenção se concentra no compromisso exigido pelo caminho de fé do que no prêmio que daí nos advém. Hoje, o discurso de Jesus retorna a este termo, recompensa, que parece ser a mola do nosso agir. Em nós, no nosso coração, há uma sede, um desejo de alcançar uma recompensa, que nos atrai e move a cumprir aquilo que fazemos”, afirma o Papa no texto.

A aparência é uma doença espiritual

Segundo Francisco, o Senhor distingue dois tipos de recompensa. “Temos a recompensa junto do Pai e, a recompensa junto dos homens. A primeira é eterna, é a verdadeira, definitiva, é o objetivo da existência. A segunda é transitória, é um encandeamento que nos prende quando a admiração dos homens e o sucesso mundano representam para nós a coisa mais importante, a maior gratificação”, frisa ele. “Trata-se de uma ilusão: é como uma miragem que, uma vez alcançada, nos deixa de mãos vazias. Quem tem em vista a recompensa do mundo nunca encontra paz, nem sabe promover a paz, porque perde de vista o Pai e os irmãos”, disse o purpurado, acrescentando:

O rito das cinzas, que recebemos sobre a cabeça, quer subtrair-nos ao encandeamento de preferir a recompensa junto dos homens à recompensa junto do Pai. Este sinal austero, que nos leva a refletir sobre a caducidade da nossa condição humana, é como um remédio de sabor amargo, mas eficaz para curar a doença da aparência. É uma doença espiritual, que escraviza a pessoa, levando-a a tornar-se dependente da admiração dos outros. É uma verdadeira «escravidão dos olhos e da mente», que nos induz a viver buscando a vanglória, de modo que conta não a pureza do coração, mas a admiração do povo; não o olhar de Deus sobre nós, mas como nos olham os outros. E não é possível viver bem, contentando-se com esta recompensa.

Quaresma, caminho de cura

Segundo o Papa, “esta doença da aparência mina também os âmbitos mais sagrados. É sobre isto que Jesus insiste hoje: também a oração, a caridade e o jejum podem tornar-se autorreferenciais. Em cada gesto, mesmo no mais belo, pode esconder-se a traça da autocomplacência. Assim, o coração não é completamente livre, porque não procura o amor ao Pai e aos irmãos, mas a aprovação humana, o aplauso do povo, a sua própria glória. E tudo pode se transformar numa espécie de ficção em relação a Deus, a si mesmo e aos outros”. “Por isso, a Palavra de Deus nos convida a olhar o nosso íntimo para ver as nossas hipocrisias. Façamos um diagnóstico das aparências que buscamos; tentemos desmascará-las. Irá nos fazer bem”, afirma o Pontífice. A seguir, o cardeal Parolin disse:

A Quaresma é um tempo que o Senhor nos deu para voltarmos a viver, sermos curados interiormente e caminharmos para a Páscoa, para aquilo que não passa, para a recompensa junto do Pai. É um caminho de cura. Não para mudar tudo da noite para o dia, mas para viver cada dia com um espírito novo, com um estilo diferente. Para isto servem a oração, a caridade e o jejum: purificados pelas cinzas quaresmais, purificados da hipocrisia da aparência, reencontra-se a força plena para voltar a gerar uma relação viva com Deus, com os irmãos e consigo mesmo.

O Papa convida a rezar, neste tempo de Quaresma, com os olhos fixos no Crucifixo: “Deixemo-nos invadir pela comovente ternura de Deus e, nas suas chagas, coloquemos as nossas e as do mundo. Não nos deixemos levar pela pressa, fiquemos em silêncio diante d’Ele. Redescubramos a essencialidade fecunda do diálogo íntimo com o Senhor.”

Oração, caridade e jejum são remédios para todos

Segundo o Pontífice, “se a oração for verdadeira, não pode deixar de se traduzir em caridade. E a caridade nos liberta da escravidão pior: a escravidão de nós mesmos. A caridade quaresmal, purificada pelas cinzas, nos reconduz ao essencial, à alegria íntima que existe no dar. A esmola, dada longe dos holofotes, dá paz e esperança ao coração”.

“Por fim, o jejum” que o Papa afirma não ser “uma dieta”. “O jejum nos leva de novo a dar o justo valor às coisas. Concretamente, recorda-nos que a vida não deve estar submetida ao cenário passageiro deste mundo. O jejum não deve se restringir apenas ao alimento: especialmente na Quaresma, deve-se jejuar daquilo que gera em nós dependência. Cada qual pense nisto, para fazer um jejum que incida verdadeiramente na sua vida concreta.”

Mas, se a oração, a caridade e o jejum devem amadurecer no segredo, os seus efeitos não são secretos. Oração, caridade e jejum não são remédios só para nós, mas para todos: podem, de facto, mudar a história. Não só porque quem sente os seus efeitos, quase sem se aperceber também os transmite aos outros, mas sobretudo porque a oração, a caridade e o jejum são os meios principais que permitem a Deus intervir na vida nossa e na do mundo. São as armas do espírito e é com elas que, nesta jornada de oração e jejum pela Ucrânia, imploramos a Deus aquela paz que os homens sozinhos não conseguem construir.

Fonte: Vatican News

Francisco, nesta manhã, na sede em Via della Conciliazione, por mais de meia hora. O Pontífice está acompanhando de perto a evolução da situação
Francisco, nesta manhã, na sede em Via della Conciliazione, por mais de meia hora. O Pontífice está acompanhando de perto a evolução da situação no país do Leste Europeu, sob ataque desde 24 de fevereiro, onde se contram inúmeros mortos e feridos. Nesta quinta-feira o apelo do cardeal Parolin a dar mais espaço à negociação.
O Papa quis manifestar a sua preocupação com a guerra na Ucrânia dirigindo-se por volta do meio-dia desta sexta-feira, à sede da Embaixada da Federação Russa junto à Santa Sé, chefiada pelo embaixador Alexander Avdeev. O Papa chegou em um veículo utilitário branco e permaneceu no prédio na Via della Conciliazione por mais de meia hora, como confirmou o diretor da Sala de Imprensa vaticana, Matteo Bruni.
O apelo na audiência geral

Francisco acompanha de perto a evolução da situação no país do Leste Europeu, sob ataque desde a noite de 24 de fevereiro, onde se contam inúmeros mortos e feridos. O próprio Pontífice havia expressado “grande pesar em seu coração” pelo agravamento da situação no país na última quarta-feira, 23 de fevereiro, no final da Audiência geral, quando a violência ainda não havia eclodido. O Papa apelou “aos que têm responsabilidades políticas para fazer um sério exame de consciência diante de Deus, que é o Deus da paz e não da guerra”. E ele chamou tanto os crentes quanto os não crentes a se unirem em uma súplica coral pela paz em 2 de março, Quarta-feira de Cinzas, rezando e jejuando: “Jesus nos ensinou que à diabólica insensatez da violência se responde com as armas de Deus, com oração e jejum pela paz”, disse o Pontífice. “Convido a todos a fazerem no próximo 2 de março, Quarta-feira de cinzas, um dia de jejum pela paz. Encorajo os crentes de uma maneira especial a se dedicarem intensamente à oração e ao jejum naquele dia. Que a Rainha da Paz preserve o mundo da loucura da guerra”.

Ontem, porém, “na hora mais escura” para a Ucrânia, a declaração do cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin. Recordando o apelo dramaticamente urgente do Papa após o início das operações militares russas em território ucraniano, o cardeal observou que “os trágicos cenários que todos temiam estão infelizmente se tornando realidade”, mas que “ainda há tempo para a boa vontade, ainda há espaço para a negociação, ainda há espaço para o exercício de uma sabedoria que impeça o prevalecer dos interesses de parte, tutele as legítimas aspirações de cada um e poupe o mundo da loucura e dos horrores da guerra”. “Nós fiéis”, disse Parolin, “não perdemos a esperança num vislumbre de consciência daqueles que têm o destino do mundo em suas mãos”.

Jornallista: Salvatore Cernuzio, Silvonei José

Fonte e foto: Vatican News

O ataque à Ucrânia já começou. O Papa nos pede para contrastar o poder das armas com a fraqueza da oração. O Papa Francisco, repleto
O ataque à Ucrânia já começou. O Papa nos pede para contrastar o poder das armas com a fraqueza da oração.
O Papa Francisco, repleto de angústia e preocupação, pede oração e jejum pela paz. A oração nos une ao Pai e nos faz irmãos, o jejum nos tira algo para compartilhá-lo com os outros: mesmo que o outro seja um inimigo. A oração é a verdadeira revolução que muda o mundo porque muda os corações.
Leia a carta do Papa Francisco nos convidando para uma jornada de Jejum pela Paz.

CHAMAMENTO

Estou com uma grande dor no coração devido ao agravamento da situação na Ucrânia. Apesar dos esforços diplomáticos das últimas semanas, cenários cada vez mais alarmantes estão sendo abertos. Assim como eu, muitas pessoas no mundo todo estão sentindo angústia e preocupação. Mais uma vez, a paz de todos está ameaçada pelos interesses das partes. Gostaria de apelar àqueles que têm responsabilidades políticas para que façam um sério exame de consciência diante de Deus, que é Deus da paz e não da guerra; que é Pai de todos, não só de alguns, que nos ama irmãos e não inimigos. Solicito a todas as partes envolvidas que se abstenham de qualquer ação que provoque ainda mais sofrimento às populações, desestabilizando a convivência entre as nações e desacreditando o Direito internacional, E gostaria de apelar a todos, crentes e descrentes. Jesus nos ensinou que à insensatez diabólica da violência se responde com as armas de Deus, com a oração e o jejum.
Convido a todos a fazerem da próxima quarta-feira de cinzas uma Jornada de Jejum pela Paz. Encorajo de forma especial os crentes a que nesse dia se dediquem intensamente à oração e ao jejum. Que a Rainha da Paz preserve o mundo da loucura da guerra.

(Papa Francisco)

 

Inscrições abertas até 7 de março para o curso de Pós-graduação em Dimensão Social da fé. Veja como se inscrever na matéria publicada no

Inscrições abertas até 7 de março para o curso de Pós-graduação em Dimensão Social da fé. Veja como se inscrever na matéria publicada no site da CNBB. Conferência Nacional dos Bispos do Brasil:

A Comissão Episcopal Pastoral para Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Cepast-CNBB), a Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) e o Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (Cefep), em parceria com a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), estão com as pré-inscrições abertas, para o curso de Pós-graduação Lato Sensu em Dimensão Social da fé na modalidade à distância, até dia 7 de março. A carga horária é de 360 horas e terá a duração de aproximadamente um ano e meio. O investimento é de R$ 200 reais, valor único, pago na taxa de inscrição.

Conheça o conteúdo programático aqui.

Para o bispo de Brejo (MA)  e presidente da Comissão Sociotransformadora, dom José Valdeci Mendes, o compromisso com uma sociedade justa e solidária leva a um engajamento social. “Para que isso aconteça, precisamos conhecer profundamente a realidade, saber analisá-la e estar embasado no ensino social da Igreja. Por acreditar na coletividade social, a Comissão Sociotransformadora propõe o curso em Dimensão Social da Igreja”, destaca.

O bispo lembra que “estamos em uma sociedade de grandes desafios, injustiças e violações de direitos humanos e violações da casa comum. Vidas que são ceifadas brutalmente e, por isso, a lideranças que atuam no campo das pastorais sociais e movimentos precisam lutar para prevaleça o direito e a justiça”.

À luz do texto bíblico: “Vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo” (cf. Mt 5,13), dom Valdeci reforça que seguir esse mandato de Jesus, exige de nós percepção e conhecimento dos fundamentos de nossa fé, para que haja um empenho em defesa da vida humana e de toda a criação”.

Dada à importância desta especialização, o bispo motiva as lideranças a participarem deste mutirão de estudos sobre a Dimensão Social da fé, segundo ele, o curso vai oferecer elementos para fortalecer a atuação nos conselhos de políticas, na sociedade civil, nas associações, sindicatos e assessorias das pastorais, organismos do povo de Deus e movimentos populares em prol do fortalecimento da democracia participativa.

A coordenadora nacional para a Questão da Mulher Encarcerada, Rosilda Ribeiro, é uma das pré-inscritas. Ela conta que quando viu a divulgação do curso pensou: “puxa, era isso que eu estava procurando, vou me inscrever. Senti um esperançar. Esse curso é um presente de Deus e da Comissão. Eu nunca fiz uma pós-graduação”, ressalta.

Rosilda revela que a expectativa sobre o curso é que ofereça ferramentas “para fazer a diferença social neste mundo. Não é que eu espero demais do curso, mas eu esperava demais um curso nessa linha, que trouxesse o ser humano para o centro, para o social, para a fé, e que fale do amor de Deus por quem sou apaixonada, e ao mesmo tempo vai em direção do outro, da ‘igreja em saída’”, enfatiza. “Que eu possa ir junto com os outros, propor políticas públicas e não termos medo de sermos profetas, de acreditar que é possível a fraternidade”, finaliza.

Porque uma pós sobre “Dimensão Social da Fé”?

O assessor da Comissão Sociotransformadora, frei Olávio Dotto, afirma que a realização da pós-graduação, no campo do ensino social da Igreja, vem sendo gestada desde 2021, com o objetivo de qualificar agentes de pastoral. “Queremos oferecer um curso de qualidade, para que os agentes possam atuar nos espaços formativos como multiplicadores, com uma análise crítica da realidade, que está cada vez mais complexa. Que o curso favoreça, ainda mais, a capacidade de discernir e apresentar caminhos novos”.

Dotto ressalta que o curso não é só para agentes de pastoral, mas também para seminaristas, sacerdotes, religiosos, religiosas. E também afirma que a formação favorece um mergulho na realidade da Igreja Latino Americana, com sua tradição e tantos mártires e profetas.

O coordenador do curso, Daniel Seidel, assegura que a motivação para a realização da pós graduação responde a uma necessidade urgente de capacitar os agentes das Pastorais Sociais e Organismos para uma atuação em sintonia com o chamado do papa Francisco: “sermos uma Igreja em saída para as periferias, uma Igreja Samaritana e Magdalena. Estamos vivendo uma mudança de época com muitas contradições, onde é preciso escutar as pessoas em situação de exclusão e anunciar a boa notícia do reinado de Cristo, em obras e ações concretas, que promovam transformação na sociedade e nas estruturas eclesiais”. O coordenador ressalta que é “uma resposta generosa de reconhecimento à dedicação de tantos cristãos leigos e leigas, religiosas e presbíteros que doam suas vidas para que todos tenham vida plena”.

Já o pró-reitor comunitário e de extensão da Unicap, padre Delmar Cardoso, afirma que essa parceria tem muito a ver com a história da universidade. “O tema envolve a fé e a justiça, além colaborar com as iniciativas da CNBB e seus organismos. A especialização em Dimensão Social é muito importante, é um tema levantado pelo papa Francisco, e nesse estudo temos a oportunidade de redescobrir a vida em comum, somos todos irmãos como afirmou o papa na encíclica a Fratelli Tutti, e essa é uma tarefa que envolve superar o nosso individualismo e percebermos que tudo está interligado entre nós”, indica o pró-reitor.

Para pré-inscrição aqui.

Patrono do curso

Daniel Seidel conta que a escolha de Santo Oscar Romero como patrono para esta edição representa o “desejo de conversão integral e testemunho de profecia que desejamos que todas as pessoas que participem do curso vivenciem um encontro profundo com Jesus Eucarístico nas pessoas abandonadas e esquecidas ou na natureza ferida. E desde este encontro renovem suas convicções e conheçam instrumentos e mediações que promovam justiça, paz e a integridade da Criação para responder aos desafios dos tempos atuais”, preconiza o coordenador do curso.