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A sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) recebeu, na manhã de quarta-feira, 17, a reunião mensal do Movimento de Combate à

A sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) recebeu, na manhã de quarta-feira, 17, a reunião mensal do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE). Antes do encontro, representantes de algumas das entidades membro do grupo foram recebidos pelo bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Ricardo Hoepers.

Durante a reunião, realizada no auditório Dom Helder Câmara e de forma híbrida, os participantes puderam analisar os riscos iminentes à Lei da Ficha Limpa, em razão da aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 192, de 2023, no Senado Federal. A matéria está em fase de sanção presidencial.

Outro assunto em pauta na reunião foi o PLP nº 112, de 2021 (Novo Código Eleitoral), que propõe alterações que afetam tanto a Lei da Ficha Limpa quanto a Lei nº 9.840, de 1999, além de outros pontos, como emendas parlamentares e demais questões relevantes ao processo eleitoral.

O assessor de Relações Institucionais e Governamentais da CNBB, frei Jorge Luiz Soares, destacou que a CNBB é uma das 70 entidades da sociedade civil que participa do movimento, cuja finalidade é acompanhar o processo eleitoral, e tudo aquilo que diz respeito às leis que, de alguma forma procuram conduzir de modo ético a vida política do país.

Recordando a atuação marcante no processo de elaboração e depois na coleta de assinaturas para o projeto que se tornou a Lei da Ficha Limpa, frei Jorge sinalizou o descontentamento com a aprovação do PLP 1922023 no Senado Federal. Segundo ele, o MCCE está na expectativa do veto presidencial ao projeto e disposto a buscar meios que possam garantir o conteúdo da Lei da Ficha Limpa.

Por outro lado, o movimento tem se empenhado “em diversas outras atividades sempre em vista do emprego da ética, não somente na questão do desenvolvimento das atividades políticas junto ao Congresso, mas também naquilo que é o processo eleitoral”, contou.

Abaixo-assinado

O MCCE disponibilizou um abaixo-assinado a ser enviado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para pedir o veto ao PLP e a preservação da Lei da Ficha Limpa. Segundo o movimento, “é indispensável para proteger a integridade do processo eleitoral, garantir eleições justas e fortalecer a confiança nas instituições públicas”. Este veto, então, “representa não apenas a defesa de um instrumento legal, mas também a proteção de um patrimônio coletivo construído pela sociedade brasileira em sua luta contra a impunidade e pela consolidação do Estado Democrático de Direito”.

Irmã Dorothy Stang foi lembrada pelo Papa Leão XIV na Festa da Exaltação da Santa Cruz. Leia abaixo a matéria publicada no site vaticannews.va

Irmã Dorothy Stang foi lembrada pelo Papa Leão XIV na Festa da Exaltação da Santa Cruz. Leia abaixo a matéria publicada no site vaticannews.va

Em memória dos novos mártires, Leão XIV recorda aqueles que testemunharam “a fé sem nunca usar as armas da força e da violência, mas abraçando a força fraca e mansa do Evangelho”. Assim como a Irmã Dorothy Stang, “empenhada na causa dos sem-terra na Amazônia: quando aqueles que se preparavam para matá-la lhe perguntaram se estava armada, ela mostrou-lhes a Bíblia, respondendo: «Esta é a minha única arma».

Neste domingo, 14 de setembro, Festa da Exaltação da Santa Cruz para muitos cristãos do Oriente e do Ocidente, o Papa Leão presidiu na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma, uma celebração em memória dos novos mártires e testemunhas da fé do século XXI com a participação de representantes das Igrejas Ortodoxas, das Antigas Igrejas Orientais, das Comunhões cristãs e das Organizações ecumênicas que aceitaram o convite feito pelo Pontífice. “Aos pés da cruz de Cristo, nossa salvação, descrita como a ‘esperança dos cristãos’ e a ‘glória dos mártires’, o Papa recordou dos “audaciosos servos do Evangelho” justamente com “o olhar voltado para o Crucificado”, que ‘tomou sobre si as nossas doenças, carregou as nossas dores’:

“Muitos irmãos e irmãs, ainda hoje, por causa do seu testemunho de fé em situações difíceis e contextos hostis, carregam a mesma cruz do Senhor: como Ele, são perseguidos, condenados, mortos. […]. São mulheres e homens, religiosos e religiosas, leigos e sacerdotes, que pagam com a vida a fidelidade ao Evangelho, o compromisso com a justiça, a luta pela liberdade religiosa onde ela ainda é violada, a solidariedade com os mais pobres. Segundo os critérios do mundo, eles foram ‘derrotados’. Na realidade, como nos diz o Livro da Sabedoria: «Se aos olhos dos homens foram castigados, a sua esperança estava cheia de imortalidade». 

A esperança desarmada dos mártires da fé

Durante o Ano Jubilar, continuou o Papa às cerca de 4 mil pessoas presentes na basílica, celebramos “a esperança destes corajosos testemunhos de fé”:

“É uma esperança cheia de imortalidade, porque o seu martírio continua a difundir o Evangelho num mundo marcado pelo ódio, pela violência e pela guerra; é uma esperança cheia de imortalidade, porque, apesar de terem sido mortos no corpo, ninguém poderá silenciar a sua voz ou apagar o amor que deram; é uma esperança cheia de imortalidade, porque o seu testemunho permanece como profecia da vitória do bem sobre o mal. Sim, a deles é uma ‘esperança desarmada’. Eles testemunharam a fé sem nunca usar as armas da força e da violência, mas abraçando a força frágil e mansa do Evangelho.” 

Leão XIV recorda Irmã Dorothy Stang morta no Pará

O Papa Leão, então, procurou dar alguns exemplos dos mártires, porque seriam muitos, já que, “infelizmente, apesar do fim das grandes ditaduras do século XX, ainda hoje não acabou a perseguição aos cristãos; pelo contrário, em algumas partes do mundo, aumentou”. Ele citou o Padre Ragheed Ganni, sacerdote caldeu de Mossul, no Iraque, que renunciou à luta para testemunhar como se comporta um verdadeiro cristão; o Irmão Francis Tofi, anglicano e membro da Melanesian Brotherhood, que deu a vida pela paz nas Ilhas Salomão; e também foi ao Brasil para recordar a religiosa americana que lutou durante décadas na região amazônica contra o desmatamento e pelos direitos dos pequenos agricultores e trabalhadores:

“Penso na força evangélica da Irmã Dorothy Stang, empenhada na causa dos sem-terra na Amazônia: quando aqueles que se preparavam para matá-la lhe perguntaram se estava armada, ela mostrou-lhes a Bíblia, respondendo: «Esta é a minha única arma».”

Dorothy Stang tinha 73 anos quando foi assassinada em 12 de fevereiro de 2005. A religiosa em missão no Brasil por quase 40 anos, morreu com a Bíblia na mão. E essas mortes, disse o Papa, “não podemos, não queremos esquecer. Queremos recordar”. E Leão XIV acrescentou: e “queremos preservar a memória juntamente com os nossos irmãos e irmãs das outras Igrejas e Comunidades cristãs. Desejo, portanto, reiterar o compromisso da Igreja Católica em guardar a memória dos testemunhos da fé de todas as tradições cristãs”.

A Comissão para os Novos Mártires no Vaticano

O Pontífice enalteceu, assim, o trabalho desenvolvido pela Comissão para os Novos Mártires instituído pelo Papa Francisco em 2023, junto ao Dicastério para as Causas dos Santos, que colabora com o Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Desde então, mais de 1600 mártires do século XXI foram reconhecidos pelo Vaticano, num testemunho que “é mais eloquente do que quaisquer palavras: a unidade vem da Cruz do Senhor”.

Queridos irmãos, um pequeno paquistanês, Abish Masih, morto num atentado contra a Igreja Católica, tinha escrito no seu caderno: «Making the world a better place», «tornar o mundo um lugar melhor». Que o sonho desta criança nos incentive a testemunhar com coragem a nossa fé, para sermos juntos fermento de uma humanidade pacífica e fraterna.

A Arquidiocese de Vitória, em parceria com a Associação Nacional de Escolas Católicas (ANEC), promoveu um encontro especial com representantes de escolas católicas da

A Arquidiocese de Vitória, em parceria com a Associação Nacional de Escolas Católicas (ANEC), promoveu um encontro especial com representantes de escolas católicas da região. Diretores, equipes técnicas, agentes de pastoral e responsáveis pela orientação religiosa conheceram de perto a exposição “Peregrinos de Esperança”, já em andamento, como preparação para levar, futuramente, seus alunos ao percurso expositivo.

Segundo Raquel Schneider, uma das organizadoras, a iniciativa nasceu do diálogo com o padre Geraldo, presidente do regional da ANEC, e do desejo de que a mostra ultrapassasse os limites das comunidades eclesiais. “Queremos contar essa história para quem a viveu, mas também apresentá-la àqueles que não tiveram a oportunidade de conhecê-la. É memória que aponta para o futuro, enriquecendo o caminho de fé e formação das novas gerações”, destacou.

A exposição apresenta um pequena amostra do artista italiano Sergio Girón, dedicada ao itinerário de São José em diálogo com os patriarcas bíblicos. As obras, segundo Raquel, conduzem a uma experiência de escuta e vivência da Palavra. Além disso, algumas peças do acervo que futuramente integrarão o sonhado Museu de Arte Sacra da Arquidiocese de Vitória também estão disponíveis ao público.

Outro destaque são as salas dedicadas às quatro Constituições do Concílio Vaticano II, apresentadas de forma cronológica, com contextualização histórica, conteúdos aplicados à realidade local e testemunhos da vivência da Igreja no Brasil.

A ANEC abraçou a iniciativa como oportunidade de aproximação entre Igreja e escolas católicas. A partir desta visita, as instituições poderão agendar, em breve, momentos para levar suas turmas à exposição, inclusive em horários alternativos, integrando o conteúdo expositivo à grade curricular.

Para Raquel Schneider, esse movimento abre horizontes. “É um momento muito significativo, porque permite que a história da Igreja seja conhecida, vivida e aplicada, tornando-se um verdadeiro recurso pedagógico e espiritual”, avaliou.

Dom Andherson Franklin, bispo auxiliar de Vitória, reforçou o convite às escolas e instituições. “Este centro de formação é também a casa de vocês. Queremos que encontrem aqui um espaço aberto para acolher e enriquecer seus percursos educativos e de fé”, concluiu.

 

 

A Semana Teológica chegou ao fim deixando reflexões para estudo e aprofundamento da fé. Realizada ao longo de três dias, a programação reuniu especialistas,

A Semana Teológica chegou ao fim deixando reflexões para estudo e aprofundamento da fé. Realizada ao longo de três dias, a programação reuniu especialistas, religiosos, seminaristas, leigos e leigas para pensar nos desafios da Igreja na atualidade. O último dia contou com a conferência do professor e teólogo Pe. Francisco de Albuquerque (FAJE – BH), que trouxe uma releitura histórica e pastoral dos documentos latino-americanos à luz da missão e da sinodalidade.

O conferencista propôs um “recuo na história da Igreja”, contextualizando a realidade latino-americana desde o Concílio Vaticano II e sua recepção nas Conferências Episcopais, sobretudo Medellín, Puebla e Aparecida. Segundo ele, esse processo foi fundamental para consolidar aquilo que chama de “experiência conciliar”, marcada pela comunhão e pela participação do Povo de Deus.

Pe. Francisco destacou que a releitura dos documentos de Puebla permite compreender como a Igreja latino-americana foi assumindo uma identidade própria, comprometida com os pobres e aberta ao diálogo com a sociedade. “Hoje, ao revisitarmos esse texto, fazemos isso à luz do que a Igreja propõe em nível universal, especialmente nos temas da missionariedade e da sinodalidade”, explicou.

Para o professor, os conceitos de comunhão e participação são inseparáveis da vida cristã e constituem pilares da experiência eclesial. Ele lembrou que a Igreja é chamada a ser “mistério de comunhão”, reflexo do amor trinitário, e que todos os seus membros – bispos, presbíteros, diáconos, religiosos e leigos – são animadores da comunhão nas diversas instâncias da vida comunitária.

“Na Igreja como Povo de Deus, a comunhão e a missão estão profundamente unidas. A comunhão é missionária, e a missão gera comunhão”, afirmou, ressaltando que esse chamado se estende a todas as vocações e ministérios.

Pe. Francisco também recordou a dimensão social da fé cristã, situando a missão da Igreja em meio às tensões do mundo contemporâneo, marcado por guerras, desigualdades e crises políticas. Ele evocou exemplos da história latino-americana, como a força das Comunidades Eclesiais de Base e o testemunho de leigos perseguidos no México, para mostrar que a opção pelos pobres permanece um critério essencial da evangelização.

“O desafio é viver uma Igreja que seja casa e escola de comunhão, aberta ao diálogo e comprometida com a transformação da sociedade”, pontuou.

A partir das conferências e debates, ficou evidente que a Igreja de hoje é chamada a aprofundar a sinodalidade, fortalecer a comunhão e renovar o ardor missionário. A Semana Teológica terminou deixando não só aprendizado, mas também um gás novo pra viver a missão com esperança no meio do Povo de Deus.

No próximo mês de outubro, a Igreja celebra o Dia do Nascituro (dia 08). Para comemorar a Comissão Episcopal para a Vida e a

No próximo mês de outubro, a Igreja celebra o Dia do Nascituro (dia 08). Para comemorar a Comissão Episcopal para a Vida e a família propôs uma semana de comemorações. Leia abaixo a publicação do site cnbb.org.br e acompanhe as programações.

A Comissão Episcopal para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propôs para a Semana Nacional da Vida, celebrada entre os dias 1º e 8 de outubro, o tema “Cuidar de si, do próximo e da casa comum” e o lema “Lançai sobre ele toda a vossa preocupação, pois ele cuida de vós (1Pd 5,7)”. O subsídio Hora da Vida está no mesmo livreto utilizado para a Semana Nacional da Família.

O material é um convite a refletir sobre os cuidados da vida, desde sua concepção até seu fim natural, e um espaço de oração por aqueles que estão chegando e por aqueles que já cumpriram sua missão.

“Propomos uma reflexão sobre a cultura do encontro para promover mais interação e vida entre as pessoas e o meio ambiente. Uma reflexão importante na educação dos filhos em tempos de profundos desafios na formação para valorizar a vida e do cuidado com a saúde”, salienta o bispo de Ponta Grossa (PR) e presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Bruno Elizeu Versari.

Confira os temas para cada dia da Semana Nacional da Vida:

1º Encontro – NÃO NOS DESCUIDEMOS DE NOSSA PRÓPRIA SAÚDE INTEGRAL: DO CORPO, DA ALMA, DA MENTE E DAS NOSSAS RELAÇÕES

2º Encontro – FAMÍLIAS QUE PROTEGEM E NÃO DESPREZAM OS ANCIÃOS

3º Encontro – PRINCÍPIO DA VIDA, DOM DE DEUS: MARIA SAÚDA ISABEL

4º Encontro – CUIDADO COM A EDUCAÇÃO DOS FILHOS: MISSÃO DOS PAIS E DOM DE DEUS

5º Encontro – CUIDADO FORMAL: GRATIDÃO AOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE

6º Encontro – CUIDAR DO PRÓXIMO, VERDADEIRO ATO DE AMOR

7º Encontro – ASPECTOS BÍBLICOS DOS CUIDADOS COM A CASA COMUM

 

Além dos sete encontros para cada dia da semana, é oferecido o roteiro da “Celebração da vida”, para o Dia do Nascituro, em 8 de outubro.

Na manhã desta quarta-feira (10), segundo dia da Semana Teológica realizada pelo Instituto Interdiocesano de Filosofia e Teologia, o jesuíta Pe. Anderson Antônio Pedroso

Na manhã desta quarta-feira (10), segundo dia da Semana Teológica realizada pelo Instituto Interdiocesano de Filosofia e Teologia, o jesuíta Pe. Anderson Antônio Pedroso foi o segundo conferencista a apresentar sua reflexão, cujo o tema foi: “O mistério humano revelado na arte”.

Em sua fala, ele abordou a relação entre beleza e vulnerabilidade, questionando o paradigma cultural que, historicamente, associa o belo à perfeição imutável e a fragilidade à fraqueza. “A vulnerabilidade não é fraqueza, é o selo da existência. Tudo o que pode ser perdido é precioso, e aí está sua dignidade”, afirmou, citando a filósofa Simone Weil.

Para ilustrar sua reflexão, Pe. Anderson utilizou a escultura de Bernini que retrata Enéias, o pai Anquises e o filho Ascânio na fuga de Troia em chamas. Na cena, o herói carrega o pai nos ombros e conduz o filho pela mão, símbolo do papel do educador e do pastor que preserva a tradição sem deixar de acompanhar o futuro. “Educar é construir pontes entre gerações, sem abandonar as raízes e mantendo viva a esperança”, destacou, recordando palavras do Papa Francisco.

A partir dessa imagem, o conferencista propôs três princípios metodológicos aplicáveis tanto à teologia quanto à evangelização: a centralidade da pessoa, o espírito de serviço e o anúncio da palavra. “Pessoa, serviço e palavra: inverter essa ordem causa confusão”, enfatizou, ao defender que qualquer ação pastoral deve partir do cuidado com a pessoa humana e sua dignidade.

Concluindo sua conferência, o jesuíta destacou que a história da arte ensina a superar a separação entre beleza e fragilidade e a reconhecer que o vulnerável também pode ser belo. “Quando abraçamos nossa vulnerabilidade, descobrimos o que é mais humano e mais divino em nós”, finalizou.

A manhã desta terça-feira (09/09) aconteceu a abertura oficial da Semana Teológica 2025. O encontro teve início com a execução do Hino Nacional Brasileiro,

A manhã desta terça-feira (09/09) aconteceu a abertura oficial da Semana Teológica 2025. O encontro teve início com a execução do Hino Nacional Brasileiro, seguido da acolhida feita pelo arcebispo metropolitano de Vitória, Dom Ângelo Mezzari, RCJ, que dirigiu palavras de boas-vindas aos participantes, destacando a importância do evento como espaço de reflexão e atualização da missão da Igreja.

Logo em seguida, a primeira conferência foi conduzida pelo Prof. Dr. Moisés Sbardelotto, com o tema “A Igreja em saída nas rodovias digitais”. Em sua fala, o pesquisador trouxe um olhar histórico e crítico sobre as transformações sociais e eclesiais provocadas pelas tecnologias digitais, especialmente nas últimas três décadas.

Sbardelotto recordou que, até os anos 1990, o acesso e a produção de conteúdos dependiam de equipamentos caros e conhecimento técnico. “Gravar um áudio, um vídeo ou até escrever um texto demandava quase um grande conhecimento, sem contar o custo das tecnologias. A partir dos anos 2000, sobretudo com a chegada dos smartphones em 2007, vivemos um verdadeiro sinal dos tempos: a tecnologia se torna barata, intuitiva e acessível, facilitando não só o consumo, mas também a produção de informações”, explicou.

O conferencista apresentou um panorama das chamadas “revoluções digitais” que impactaram a sociedade e, consequentemente, a Igreja: a internet (1995), as redes sociais (2004), as tecnologias móveis (2007), as plataformas digitais, os algoritmos e, mais recentemente, a inteligência artificial. “São transformações que, em no máximo 30 anos, alteraram radicalmente nossas formas de se relacionar, de aprender, de se organizar socialmente. E a Igreja, com sua longa tradição, também precisa aprender a se situar nesse novo sistema operacional social”, destacou.

Moisés alertou ainda para os riscos e armadilhas do ambiente digital. Citando documentos recentes da Igreja, lembrou que as redes sociais, quando movidas por interesses econômicos e políticos, podem gerar polarizações agressivas e até mesmo uma “anti-evangelização”.

“Infelizmente, há também sites e perfis que tratam a fé de forma superficial, polarizada e até com ódio. Muitas vezes, a evangelização nesses ambientes se deixa levar por lógicas digitais de alcance e visibilidade, preocupadas apenas com curtidas e seguidores, e isso gera consequências sérias. A Igreja reconhece esse desafio e nos convida a investir para que o ambiente digital seja um lugar profético de missão e anúncio, e não de vulgarização da fé”, afirmou.

Para concluir, Sbardelotto destacou a urgência do que chamou de “discernimento digital”. Segundo ele, é necessário refletir criticamente sobre o uso das plataformas, reconhecer seus potenciais, mas também não se deixar arrastar pelas lógicas do mercado digital. “Esse ambiente precisa ser lugar de profecia, de anúncio, e não apenas de liquidação da fé em busca de visibilidade”, concluiu.

Lembrando que Moisés Sbardelotto, conduzirá uma nova conferência hoje às 19 horas no Cecates. E você pode participar fazendo sua inscrição clicando aqui.

O Papa Leão XIV enviou mensagem pelo cardeal prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, aos participantes do Encontro “Promovendo uma Cultura de Harmonia”
O Papa Leão XIV enviou mensagem pelo cardeal prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, aos participantes do Encontro “Promovendo uma Cultura de Harmonia” que acontece em Bangladesh. Leia a matéria publicada no site vaticannews.va:
Numa mensagem aos participantes do encontro inter-religioso “Promovendo uma Cultura de Harmonia”, atualmente em andamento em Bangladesh, Leão XIV os exorta a serem “como jardineiros” que cuidam do campo da fraternidade, extirpando “as ervas daninhas do preconceito”. Presente no encontro, organizado pela Nunciatura Apostólica e pela Conferência Episcopal de Bangladesh, o cardeal Koovakad, prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, que discursou na Krishibid Institution Bangladesh.

O diálogo encontra sua expressão mais tangível em “nosso sonho mais querido”: a paz. Construí-la é um caminho que se percorre juntos, como “uma família”, mas também com a dedicação de “jardineiros” que cuidam do “campo da fraternidade”, alimentando a partilha e extirpando “as ervas daninhas do preconceito”. Este é o cerne da mensagem que o Papa Leão XIV dirige aos participantes do encontro inter-religioso “Promovendo uma Cultura de Harmonia” que se realiza, em Bangladesh, de 6 a 12 de setembro, organizado pela Nunciatura Apostólica e pela Conferência Episcopal do país. A mensagem do Papa foi lida pelo prefeito do Dicastério para o Diálogo Inter-religioso, cardeal George Jacob Koovakad, presente em Bangladesh para participar da conferência.

“Uma única” comunidade

“Desejo a todos vocês a paz que só pode vir de Deus, uma paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante, que busca sempre a caridade, estando próxima sobretudo de quem sofre”, ressalta o Pontífice, elogiando os organizadores do encontro por terem escolhido um tema que reflete “o espírito de abertura fraterna que as pessoas de boa vontade procuram cultivar com os membros de outras tradições religiosas”. Uma escolha que tem suas raízes na convicção de que a humanidade é “uma única” comunidade, unida na origem e no destino sob Deus, como lembrado pela Nostra Aetate, a Declaração do Concílio Vaticano II sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs.

“Como uma única família, partilhamos a oportunidade e a responsabilidade de continuar nutrindo uma cultura de harmonia e paz.”

Cultivar o diálogo “como jardineiros”

O conceito de cultura, escreve Leão XIV, deve ser entendido de forma ampla: não apenas como um “patrimônio de artes, ideias e instituições”, mas também como um “ambiente” que promove o crescimento. Assim como um ecossistema saudável permite que diversas plantas prosperem lado a lado, uma cultura social saudável permite que diversas comunidades convivam em harmonia. Cultivar essa cultura significa fornecer “a luz da verdade, a água da caridade e o solo da liberdade e da justiça”. Quando a harmonia é negligenciada, as suspeitas se enraízam, os estereótipos se consolidam e os extremistas exploram o medo para semear a divisão.

“Juntos, como companheiros no diálogo inter-religioso, somos como jardineiros que cuidam deste campo de fraternidade, ajudando a manter fértil o diálogo e a extirpar as ervas daninhas do preconceito.”

Semear confiança, trabalhar pela compreensão

O Pontífice sublinha que as diferenças de credo ou de origem nunca devem dividir as pessoas. Pelo contrário, o encontro entre amigos e a prática do diálogo são instrumentos concretos para combater as forças da divisão, do ódio e da violência.

“Onde outros semearam desconfiança, escolhemos a confiança; onde outros poderiam alimentar o medo, nós trabalhamos pela compreensão; onde outros veem as diferenças como obstáculos, nós as reconhecemos como caminhos de enriquecimento recíproco.”

Construir a paz juntos

Construir uma cultura de harmonia significa partilhar experiências concretas, além de ideias. Como lembra São Tiago, “a religião pura e imaculada diante de Deus… consiste em visitar os órfãos e as viúvas em suas aflições”. Bangladesh, observa o Pontífice, já viu exemplos concretos de unidade: pessoas de diferentes credos colaboraram e rezaram juntas durante calamidades e tragédias, construindo pontes entre comunidades, entre teoria e prática, entre diferentes credos. Esses gestos ajudam a vencer a desconfiança e a reforçar a resiliência contra as “vozes da divisão”.

“Quando nosso diálogo se traduz em ações concretas, uma mensagem poderosa ressoa: a paz, não o conflito, é nosso maior sonho, e construí-la é uma tarefa que enfrentamos juntos.”

Tijolos da “civilização do amor”

O Papa conclui, reiterando o compromisso da Igreja Católica em percorrer este caminho em junto com as comunidades locais. Cada gesto de diálogo — desde debates em grupo a projetos de serviço comum, passando por pequenos atos de cortesia para com o próximo de outra religião — são “tijolos” daquela que São João Paulo II chamava de “civilização do amor”. Leão XIV conclui, assegurando seu afeto fraterno e orações, desejando a todos paz, harmonia e fraternidade, não apenas para Bangladesh, mas para o mundo inteiro.

Discurso do cardeal Koovakad

Em seu discurso, o cardeal Koovakad citou o Documento sobre a Fraternidade Humana assinado, em Abu Dhabi, em 4 de fevereiro de 2019 pelo Papa Francisco e pelo Grão Imame de al-Azhar, Ahmad al-Tayyeb. Na Instituição Krishibid, em Bangladesh, o cardeal destacou como este Documento convida a humanidade a unir forças para construir uma cultura de respeito recíproco, denunciando a perda de empatia e compaixão, a difusão da corrupção e da desonestidade e o consequente enfraquecimento da confiança pública. Um terreno que leva ao “desespero” e à adesão a extremismos religiosos alimentados pelo “medo, insegurança e fanatismo cego”. Eles muitas vezes resultam em uma “espiral descendente em direção ao fundamentalismo, que pode levar tanto à autodestruição pessoal quanto à social”, afirmou. É possível combatê-los através da promoção de uma “cultura da tolerância”, na convicção de que as religiões “nunca devem ser fonte de guerra, ódio, hostilidade e extremismo”. Koovakad também destacou que o diálogo não significa “mudar a religião de alguém”, mas ouvir, respeitar e aprender com os outros, incentivando especialmente os jovens a equilibrar tradição e modernidade e a combater as tensões entre comunidades.