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Na área pastoral Serra / Fundão existem 19 paróquias, possuindo um número de 2.451 famílias cadastradas na campanha. Foram feitas para essa área pastoral

Antes da Pandemia do novo Coronavírus chegar ao Brasil, já se contava um número de 13 milhões ou mais de desempregados no país. Cada família com situações variadas de necessidades por conta da situação econômica. Movidos em ajudar, as paróquias da Arquidiocese sempre tiveram movimentos de ajuda ao próximo, visando sempre aqueles que mais precisam. Nesse tempo da pandemia da Covid-19 surgiu a campanha CONDIVIDIR tornando esse trabalho das paróquias muito mais amplo e fortalecido, a campanha potencializou a solidariedade. O CONDIVIDIR veio somar ao trabalho que já estava sendo feito.

“Na serra começamos a fazer ajuda as famílias necessitadas em detrimento da pandemia antes mesmo de começar a campanha CONDIVIDIR. Nós já tínhamos feito algumas distribuições de cestas básicas, kits de material de higiene pessoal e de limpeza. Depois veio o lançamento da campanha CONDIVIDIR, somou bastante, muito mais organizado, mais forte, tornou a possibilidade de atingir muito mais pessoas, eu como coordenador de área tenho administrado a campanha aqui na Serra na Área Pastoral Serra / Fundão”, comenta Padre Jones Teixeira.

A arquidiocese de Vitória é composta por 15 municípios, com uma população de 1.861.092 habitantes, nos cadastros da campanha existem cerca de 7.108 famílias cadastradas, já foram doadas um total de 10. 388 cestas básicas em toda a arquidiocese. Na área pastoral Serra / Fundão existem 19 paróquias, possuindo um número de 2.451 famílias cadastradas na campanha. Foram feitas para essa área pastoral a doação de 3.743 cestas básicas. Da campanha da Arquidiocese foram 1.316 cestas básicas doadas e 2.427 quantidades adquiridas por outros meios, até o dia 31 de agosto de 2020.

“Faço a administração das cestas. A minha paróquia Nossa Senhora da Penha em Jardim Limoeiro, ficou como centro de captação das cestas. Eu trago todas elas para cá, aqui eu administro para onde vão. Existe um bom controle. São muitos relatórios, documentos, faço pesquisa de preço e compro as cestas. Temos acesso ao sistema e um controle interno, onde cada paróquia vai recebendo e vamos controlando para que a pessoa não receba a cesta durante um mês, duas ou três vezes. Vamos controlando o serviço para as paróquias. As paróquias vão pegando as cestas e entregando as famílias”, relata Pe. Jones.

Em meio a tantos desafios e dificuldades num tempo exigente para todos, os capixabas se tornaram mais solidários.

“Muitas pessoas fazem doação anônima, fazem doações pelo fato de fazer a doação, um amor verdadeiro, gratuito, a pessoa não espera nada em troca, isso é muito bonito. Muitas pessoas se colocam a disposição, na minha paróquia chega muitas doações avulsas de cesta básica, iniciativas de outras empresas, de empregados, eles vão e entregam e a gente vai colocando também para as famílias. Quando a situação aperta o povo também doa mais, porque eles sabem das necessidades”, comentou o coordenador da Área Pastoral Serra / Fundão.

A gratidão de quem recebe as cestas básicas é muito maior do que de quem doa. As famílias contempladas pela doação têm um coração agradecido por cada pessoa que doou um pouco do que tem.

“Para mim, o recebimento das cestas básicas representou muito, foi algo importantíssimo, pois se não fosse a ajuda de todos vocês com as cestas básicas, eu e minha família teríamos passado por muita necessidade, só tenho que agradecer à Deus primeiramente e a todos vocês, porque se não faltou comida na minha mesa foi graças a vocês. Eu só tenho que expressar toda a minha gratidão por toda a ajuda que vocês nos forneceram e pela atenção também. Muito muito obrigada mesmo, de coração, e que Deus retribua a todos vocês 10x mais”, agradecimento da Tatiane Boa da Paróquia São José de Anchieta na Serra, pelas doações que chegam a casa dela.

 “A cesta básica para mim foi muito importante, veio na hora de mais necessidade. Fiquei muito alegre, muito feliz em receber, se não fosse por essa ajuda eu nem sabia como eu iria fazer. Foi importantíssimo. Deus abençoe a todos que nos dão essas cestas”, testemunho da Claudia Botelho da paróquia Epifania do Senhor aos Reis Magos na Serra, que recebe a doação de cestas básica.

“Agradeço a todas as pessoas que estão unidas fazendo o trabalho de distribuição das cestas básicas, roupas, móveis, toda essa ajuda, que tem chegado à muitas famílias nesse momento de pandemia. Não só nesse momento, vocês estão sempre ajudando. Agradeço de coração não só por mim, mas também por todos os membros da minha família. Peço a Deus que vocês sempre estejam motivados com esse trabalho. Isso é muito importante, que Deus não deixe vocês desanimarem e nem parar esse projeto tão bacana que ajuda milhares de famílias. Peço a Deus que abençoe bastante daquele que doa até aquele que leva na porta da gente. Vocês fazem a diferença na vida de milhares de famílias que realmente necessitam e precisam da ajuda de vocês”, relato de Verônica moradora do bairro Lagoa de Carapebus, uma das pessoas contempladas pela campanha CONDIVIDIR.

A solidariedade é uma forma de ajudar o próximo, é o caminho para que mais pessoas possam ter condições de enfrentarem com força e saúde esse tempo de pandemia.

Vamos continuar participando e ajudando. Vamos condividir! Vamos fazer o bem!

Para depósito ou transferência 

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Razão social: Mitra Arquidiocesana de Vitória

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O mês de setembro é marcado pelo sinal “amarelo” de atenção para uma triste realidade que a cada dia registra mais casos: o suicídio.

O mês de setembro é marcado pelo sinal “amarelo” de atenção para uma triste realidade que a cada dia registra mais casos: o suicídio. No Brasil acontecem cerca de 12 mil suicídios todos os anos e mais de 1 milhão no mundo. Hoje (10) é especificamente o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio e neste tempo diversas ações são realizadas com o único objetivo de ajudar as pessoas a preservarem a vida.

Este assunto costuma ser polêmico principalmente quando associado a religião, mas segundo padre Antônio Tatagiba Vimercati, formado em Teologia Moral, Filosofia e Psicoterapia Corporal, o princípio que norteia a relação da Igreja com a questão do suicídio é o da misericórdia. Os padres fazem as visitas e celebram as exéquias normalmente como em qualquer tipo de morte.

“Por que é fácil a gente julgar né?! ‘Ah mas como alguém se suicidou?’ Por isso a questão da misericórdia é fundamental, pois a misericórdia de Deus é infinita. Só Deus conhece o nosso coração, nossos dramas, nossas dores e nossos sofrimentos. E isso nessa questão do suicídio é muito profundo e muito claro, pois a pessoa não fez isso por um simples egoísmo. Quando eu faço esse ato eu preciso compreender o que aconteceu ali”.

Padre Tatagiba realiza um trabalho de apoio às pessoas com base na relação da Fé com o Corpo. Ele afirma que não é possível criar um perfil de quem comete suicídio, mas existem muitos casos de pessoas com tendência a depressão e que diante de situações de dificuldades não tem esperança para continuar. A partir disso é essencial trabalhar em cada um o contato com seu próprio corpo de forma física, psíquica, emocional e espiritual.

O sacerdote explica que o corpo é o lugar primeiro da nossa realidade e ele está sendo cada vez mais submetido a uma visão estética, de uma sociedade que exige que todos vivam sempre alegres. O mundo parece não ter lugar para tristeza e para expressar os sentimentos. Essa imposição faz com que as pessoas sofram muito com essa relação.

“Na medida que eu mergulho no contato profundo com a potência de vida que há no meu corpo eu vou encontrar força – e aí também está o relacionamento com a Fé – para enfrentar os obstáculos. E quanto mais eu faço essa experiência, desse contato pessoal com Deus, eu vou abastecendo e fortalecendo a minha alma e o meu espírito”, destaca padre Tatagiba.

Situações como essa da pandemia também são muito propícias para o cenário do suicídio. Nesta realidade de desarrumação da casa e da vida, a falta de rotina cria uma situação de total desordem. A pessoa que comete esse ato está vivendo um caos interno e encontra ressonância no caos externo, ficando profundamente desanimada.

E para ajudar o outro nesses casos padre Tatagiba enfatiza a necessidade de criar perspectivas para a pessoa possa caminhar: “nós temos que fazer um movimento. O que eu estou dizendo é que é muito importante esse envolvimento do corpo no relacionamento com a Fé, pois foi Deus que me criou. O corpo em que eu habito, Deus habita em mim porque eu sou a morada do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Fui batizado em nome da trindade, então o Espírito de Deus é força em mim”.

Segundo o presbítero, a pessoa que está triste e desanimada também pode procurar auxílio na Igreja. Além do padre, existem religiosos que podem ajudá-las no processo de conhecimento e grupos de escuta dentro das paróquias. Basta manifestar seu desejo de ser atendido e fortalecido. A campanha “Setembro Amarelo” existe desde 2014 e é organizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria em parceria com o Conselho Federal de Medicina. 

Num cenário de incertezas e de grandes mudanças causadas pela crise sanitária vivida pelo mundo, a Igreja se coloca como braço para o auxílio

Num cenário de incertezas e de grandes mudanças causadas pela crise sanitária vivida pelo mundo, a Igreja se coloca como braço para o auxílio espiritual e social, a fim de contribuir para mitigar o sofrimento dos irmãos mais necessitados.

É diante deste cenário que a Igreja no Brasil renova sua esperança e amorosidade às pessoas que sofrem as consequências sociais da pandemia e convoca a sociedade brasileira para uma Ação Solidária Emergencial que promova gestos concretos de ajuda às famílias em situação de vulnerabilidade diante da pandemia de Coronavírus.

Sabemos que muitas comunidades, paróquias e dioceses realizam muitos trabalhos de promoção da dignidade humana e também ações de solidariedade com pessoas em situação de vulnerabilidade social há muitos anos. Por isso, a Igreja do Brasil convoca todas as pessoas de bom coração, especialmente, suas comunidades eclesiais, para que se somem às iniciativas já em curso ou promovam novas ações de solidariedade nesse momento tão difícil da vida humana.

Lives

A CNBB está promovendo uma série de lives na intenção de favorecer a compreensão do Pacto assinado por várias entidades brasileiras no mês de abril deste ano, diante do avanço da pandemia do novo coronavírus e das exigências que o novo contexto apresentou aos poderes públicos e à sociedade brasileira. Os convidados devem abordar as motivações e atitudes decorrentes da coalizão.

Ainda devem ser aprofundados pontos como a responsabilidade dos brasileiros no momento atual, a promoção do diálogo diante da polarização e os próximos passos do Pacto pela Vida e pelo Brasil.

Próximas Lives

As Lives sobre o Pacto pela Vida e pelo Brasil acontecem todas as terças-feiras às 17h. Elas são transmitidas via Youtube da CNBB e Cáritas e também pelo Twitter e Facebook da CNBB.

15/09: Pontos específicos que nos desafiam no Brasil atual: saúde, economia e atenção aos pobres 

       Dom Jaime Spengler Dom Mário Antônio da Silva  

22/09: Por que devemos ouvir a ciência se temos fé? 

       Pe. Aníbal Gil Lopes – UFRJ Prof Everthon Oliveira (CEFET-MG)

29/09: Aspectos especificamente políticos do PVB

       Dom Walmor de Oliveira Azevedo Pe. Paulo Renato

Missa da Festa de Nossa Senhora da Vitória 2020.

A missa em que a Arquidiocese homenageia Nossa Senhora da Vitória aconteceu hoje às 9h na Catedral Metropolitana.

Com a presença de fiéis, embora em número reduzido, o que permitiu manter o distanciamento recomendado, dom Dario presidiu a missa que teve também a presença de vários padres e algumas autoridades civis, como o Governador do Estado e o Prefeito da Cidade, que receberam de pe. Renato Criste, cura da Catedral, o livro Peregrino na Catedral, no caminho das flores, um roteiro de visita escrito por dom Luiz Mancilha Vilela, arcebispo emérito de Vitória.

Durante a homilia dom Dario enfatizou que “A Virgem Maria a quem nós chamamos de Senhora da Vitória é nossa intercessora desde Caná, quando pediu a Jesus e Ele realizou o primeiro milagre, por isso devemos sempre recorrer a ela”. Leia a homilia do arcebispo no anexo.

Após a missa o Arcebispo acompanhou o Prefeito, Luciano Rezende e o Governador, Renato Casagrande na inauguração da Avenida Vitória. Na hora de abençoar a Avenida, dom Dario lembrou que a função dela é fazer ligações e desejou que todos os que por ali passarem possam fazer ligações com as pessoas e com a cidade, a Casa Comum.

Representantes de diversas religiões participaram da celebração no campinho do Convento da Penha

Ao toque do shofar, um instrumento de sopro tradicional do judaísmo, cujo som conclama a um despertar para que se possa envolver com as necessidades da alma, a celebração inter-religiosa do 26º Grito dos Excluídos e das Excluídas uniu vozes em uma grande rede, por meio da internet, e presencialmente, para ecoar o tema deste ano: Vida em Primeiro Lugar!

                                    

No campinho do Convento da Penha, membros de movimentos, organizações e pastorais sociais se fizeram presentes para representar todos e todas. A tradicional marcha por direitos deu lugar a uma celebração com transmissão pelas redes sociais devido à pandemia do novo coronavírus, em respeito às regras de distanciamento social.

“Chega de escravidão! Temos como obrigação restituir a vida, o trabalho com dignidade, o teto, a alimentação. Nós temos direito e dever de intervir no rumo da história do mundo, do nosso país, do nosso estado, da nossa cidade, da nossa comunidade. O nosso mundo está marcado pela violência, principalmente contra negros, jovens e pobres. Chega!”, exclamou o arcebispo da Arquidiocese de Vitória, Dom Dario Campos.

A 26ª edição do Grito teve ainda a participação do vigário Episcopal para Ação Social, Política e Ecumênica, Kelder Brandão; do pastor da igreja Luterana, Carlos Ulrich; da yaefun do Candomblé, Leila Silva; do dirigente de templo da Umbanda Valdemir Anchesk; do representante da igreja Casa da Benção, Jakson Vicentini; e dos freis Pedro e Paulo, do Convento da Penha.

“É preciso que descubramos um novo horizonte para o qual possamos nos dirigir. E só vamos fazer isso tendo Jesus como meta, a oração em nosso coração e nossa mente,” completou Dom Dario.

A celebração lembrou ainda as quase 127 mil mortes no Brasil em decorrência da covid-19 e fez um minuto de silêncio pelas famílias enlutadas. Ao final, foi lida uma carta aberta (leia abaixo) com um forte apelo aos direitos de todas e todos.

“Neste 26º. Grito dos Excluídos, a Igreja de Cristo e todas as igrejas irmãs renovamos nosso compromisso e nosso lugar histórico de acolhimento e apoio às pessoas e povos excluídos dos direitos, dos territórios e da dignidade humana”, diz a carta.

Os muitos gritos

Na celebração, seguindo o lema “Basta de miséria, preconceito e repressão! Queremos trabalho, terra, teto e participação!”, os muitos gritos dos povos tradicionais e indígenas, de negros e negras, dos pobres, das mulheres, das diversas expressões da juventude, da população LGBTQIA+, dos migrantes e da população em situação de rua. E sem esquecer ainda os gritos da mãe Terra.

Ao final do ato celebrativo, cada representante religioso ali presente foi convidado a dar a bênção de acordo com sua tradição.

Na paz de Oxalá, Jesus e Maria.

Amém. Namastê. Axé Babá.

Assim seja!

Projeção

O 26º Grito dos Excluídos e das Excluídas começou na noite de domingo, com uma projeção mapeada no Convento da Penha. Imagens de outras edições, mensagens do Papa Francisco, de Dom Dario Campos e de Dom Pedro Casaldáliga emocionaram o público que acompanhou pelas redes sociais.

A ação buscava chamar a atenção para os gritos diversos por direitos e justiça social. Para os gritos da Terra, considerando que a crise ecológica é um apelo a uma profunda conversão interior.

A 26ª edição do Grito dos Excluídos foi uma realização do Vicariato para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória, do Fórum Capixaba de Lutas Sociais, do Fórum Igrejas e Sociedade em Ação, do Comitê Popular de Proteção aos Direitos Humanos no Contexto da Covid-19 e do Fórum Capixaba em Defesa da Vida das Trabalhadoras e Trabalhadores.

O evento teve ainda o patrocínio de Associação dos Docentes da Ufes (Adufes); Central Única dos Trabalhadores (CUT-ES); Convento da Penha; Federação para Assistência Social e Educacional (Fase); Intersindical Central da Classe Trabalhadora; Sindicato dos Bancários do Espírito Santo (Sindibancários-ES) e Vicariato para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória.

CARTA ABERTA

26º. Grito dos Excluídos

Espírito Santo – 7 de Setembro de 2020

“Por muito tempo me calei; estive em silêncio, e me contive; mas agora darei gritos como a que está de parto, arfando e arquejando”. (Isaías, 42, 14)

Irmãs e Irmãos, Povo de Deus: A vida em primeiro lugar!

Neste 26º. Grito dos Excluídos, nos solidarizamos com toda a sociedade brasileira e com nossas famílias capixabas, em luto pela enfermidade e perda de parentes, e ainda afetadas pela crise econômica, pelo desrespeito aos de direitos humanos e pela destruição da natureza.

Alertamos para a exclusão que se amplia, em meio à pandemia da Covid-19, em cenário de radical precarização da vida e do trabalho, com mais de 120 mil mortes, dezenas de milhões de pessoas desempregadas e graves ataques do governo federal à democracia. A exclusão se dissemina, através de mentiras e fake news nas redes sociais, através de discursos de ódio, de racismo e machismo, de discursos armamentistas, carregados de preconceito contra as diferenças e principalmente contra os mais pobres.

Exemplo mais recente do preconceito contra os mais pobres e vulneráveis foi o ocorrido no município de Vitória, com a retirada dos pertences da população de rua por caminhões e carros da prefeitura, com apoio dos agentes de segurança. Enquanto uma rede de solidariedade se junta durante a pandemia para dar alento a essa população com distribuição de cobertores, alimentos e material de higiene, os poderes públicos cuja função deveria ser a de garantir dignidade agem dessa forma covarde e desumana contra a população de rua.

Contra essa situação, no Grito dos Excluídos, gritamos e proclamamos juntos: “A vida em primeiro lugar! Basta de miséria, de preconceito e repressão. Queremos trabalho e teto, terra e participação!”

Como disse o papa Francisco, na carta “Louvado Seja”, a crise é uma só. É efeito direto de uma economia que não prioriza as pessoas, a vida e a natureza. A crise é consequência de um modelo de desenvolvimento voltado para a acumulação e para a concentração da terra, da renda, da tecnologia e do poder nas mãos de grandes empresas e corporações, que controla os mercados global, nacional e regional. A crise é fruto de decisões políticas e investimentos econômicos voltados para o lucro, e não para a vida. Como disse o papa Francisco, é necessária uma nova economia. Uma “economia de Clara e Francisco”, solidária com os mais pobres e vulneráveis. Uma economia do cuidado, voltada para a paz, a justiça social e para o bem comum.

Neste difícil momento para a sociedade brasileira, conforme a “Carta ao Povo de Deus” assinada pelos 152 bispos: “Até a religião é utilizada para manipular sentimentos e crenças, provocar divisões, difundir o ódio, criar tensões entre igrejas e seus líderes. Ressalte-se o quanto é perniciosa toda associação entre religião e poder no Estado laico, especialmente a associação entre grupos religiosos fundamentalistas e a manutenção do poder autoritário. Como não ficarmos indignados diante do uso do nome de Deus e de sua Santa Palavra, misturados a falas e posturas preconceituosas, que incitam ao ódio, ao invés de pregar o amor, para legitimar práticas que não condizem com o Reino de Deus e sua justiça?”

Neste 26º. Grito dos Excluídos, em coro uníssono de irmãs e irmãos, gritamos aos governantes e às corporações econômicas, contra o descaso com que tratam a população mais empobrecida e vulnerabilidade de nosso estado e país: as classes sociais habitantes das periferias urbanas e da vizinhança dos grandes projetos poluidores, a população negra, os povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e da pesca artesanal, a população em situação de rua, as famílias agricultoras, camponesas e sem-terra, as mulheres, idosos, os jovens e a população LGBTQ+. São os que mais sofrem as violações, os preconceitos e os principais danos de um desenvolvimento injusto, que se baseia na própria exclusão.

Também gritamos em coro, contra a contaminação do Rio Doce, contra a devastação das florestas, substituídas por monoculturas químicas; contra a contaminação da água, dos rios e do mar, por fertilizantes, plásticos e vazamentos de petróleo. Gritamos contra a destruição de manguezais, ameaçados pela instalação de novos distritos portuários. Gritamos contra o pó preto na região metropolitana da capital e contra a poluição no entorno dos complexos extrativistas e industriais. Gritamos por justiça ambiental e climática, diante do agravamento do aquecimento global. Gritamos contra o desenvolvimento do lucro e da morte, que não respeita a vida dos povos e a natureza.

Neste 26º. Grito dos Excluídos, a Igreja de Cristo e todas as igrejas irmãs renovamos nosso compromisso e nosso lugar histórico de acolhimento e apoio às pessoas e povos excluídos dos direitos, dos territórios e da dignidade humana.

E aqui nos despedimos e silenciamos, em respeito ao luto das famílias.

Faça um minuto de silêncio e oração, por nosso país e por todos e todas.

Amém.

Convento da Penha vai receber projeção mapeada no domingo à noite e a celebração na segunda-feira, que será transmitida ao vivo

Os gritos de excluídos e excluídas são múltiplos e diversos: pela educação inclusiva; por justiça para os atingidos pela lama de rejeitos e até hoje desamparados; pela inclusão da população negra no foco de políticas públicas; pelos direitos de trabalhadores e trabalhadoras; pela vida da juventude negra; pela vida e dignidade das mulheres; pelos direitos dos encarcerados.

Somam-se também os gritos por moradia e direitos da população em situação de rua; pela vida das pessoas LGBTQIA+; pela tolerância religiosa; pelo respeito e demarcação de terras indígenas e em defesa das florestas; pelos direitos de pescadores; por emprego e renda; por justiça social.

Todos esses gritos e outros mais se encontram no tema do 26º Grito dos Excluídos: “vida em primeiro lugar.” O movimento, que promove atos desde 1995 sempre no dia 7 de setembro para lembrar aquelas e aqueles que são considerados à margem da sociedade, faz ecoar este ano o lema “Basta de miséria, preconceito e repressão! Queremos trabalho, terra, teto e participação!

“Nosso grito é por vida, dignidade e justiça para todos os excluídos e incluídos, através de políticas públicas que promovam a vida e a dignidade de todo o cidadão brasileiro”, destaca padre Kelder Brandão, vigário Episcopal para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória, uma das entidades responsáveis pela organização do Grito.

A programação para o ato que marca a 26ª edição do Grito na Grande Vitória precisou ser reformulada devido à pandemia do novo coronavírus e as orientações de não aglomeração. Por isso, a tradicional marcha por direitos dá lugar a uma celebração inter-religiosa, a partir das 8 horas, no Convento da Penha.

A celebração não será aberta ao público, mas poderá ser acompanhada pelas redes sociais (Instagram, Youtube e Facebook) do Convento, com transmissão ao vivo.

Estarão presentes para a celebração o arcebispo de Vitória, Dom Dario Campos; padre Kelder Brandão; pastor Carlos Ulrich; Leila Silva e Rosenberg Moraes, representantes do candomblé; Valdemir Anchesk, representante da umbanda; e pastora Maria de Fátima.

Novidade

Além da celebração inter-religiosa, este ano o Grito dos Excluídos terá também uma projeção mapeada no Convento.

A exibição de registros de outras edições do Grito e falas de lideranças religiosas, como o papa Francisco e Dom Dario Campos, será feita pelo PixxFluxx, a partir das 19h, no domingo, dia 6 de setembro.

O 26º Grito dos Excluídos é uma realização de Vicariato para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória; Fórum Igrejas e Sociedade em Ação; Comitê Popular de Proteção aos Direitos Humanos no Contexto da Covid-19 e Fórum Capixaba em Defesa da Vida das Trabalhadoras e Trabalhadores.

A projeção mapeada tem o patrocínio de Associação dos Docentes da Ufes (Adufes), Central Única dos Trabalhadores (CUT-ES), Federação para Assistência Social e Educacional (Fase), Intersindical Central da Classe Trabalhadora, Sindicato dos Bancários do Espírito Santo (Sindibancários-ES) e Vicariato para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória.

SERVIÇO

26º Grito dos Excluídos

Vida em primeiro lugar

Basta de miséria, preconceito e repressão!

Queremos trabalho, terra, teto e participação!

Projeção mapeada “Nossos Gritos”

Quando: domingo, dia 6, a partir das 19h.

Onde: Convento da Penha, em Vila Velha.

Celebração Inter-religiosa

Quando: segunda-feira, dia 7, a partir das 8h.

Onde: Convento da Penha, em Vila Velha.

Como assistir: pelas redes sociais do Convento – Youtube, Instagram e Facebook. Devido às orientações de não aglomeração, a celebração não será aberta ao público.

Redes sociais do Convento

Instagram: clique aqui

Youtube: clique aqui

Facebook: clique aqui

A capital do Espírito Santo é um arquipélago com 33 ilhas e uma parte continental. Conhecida como Ilha do Mel, Cidade Sol e Cidade

A capital do Espírito Santo é um arquipélago com 33 ilhas e uma parte continental. Conhecida como Ilha do Mel, Cidade Sol e Cidade Presépio, Vitória é o centro da Região Metropolitana e abriga a sede administrativa do Governo Estadual, bem como os poderes Legislativo e Judiciário.

Cidade conhecida pelas suas belezas naturais e pela boa qualidade de vida, vitória é destino turístico de milhares pessoas todos os anos. Espremida entre o mar e a montanha, a parte central do município conta com um porto para navios, fato que torna a cidade ainda mais singular, pois existem poucas localidades no mundo onde navios fazem manobras dentro da área urbana.

A história civil e a história religiosa de Vitória estão intrinsicamente ligadas, pois o município foi um dos primeiros locais onde chegaram e se instalaram muitos missionários católicos que aportaram no estado.

Para se ter uma ideia, um dos monumentos mais importantes do Espírito Santo, o Palácio Anchieta, sede do Governo Estadual, hoje leva esse nome em homenagem ao Apóstolo do Brasil (1534-1597), um missionário católico.

Mas, antes de se tornar um prédio do poder público, o palácio foi uma escola e levava o nome de Colégio São Tiago. A obra começada em 1551 pelo Pe. Afonso Brás s.j. (1524-1610) serviu durante muitos anos como um prédio escolar.

Outro marco histórico-religioso da cidade de Vitória é o Convento de São Francisco. Segundo o Pe. Adwalter Carnielli, “Vasco Fernandes Coutinho Filho, segundo Governador da Capitania, em 1587 convidou os Frades Franciscanos a se instalarem em Vitória e doou-lhes, nesse mesmo ano, um terreno coberto de mata virgem situado na parte alta da então Vila de Vitória, para construírem o convento”. (CARNIELLI, 2006, p. 116)

Hoje o local é um centro de visitação e está no roteiro da Secretaria de Cultura da prefeitura. O prédio, parte dele em ruínas conservadas, abriga alguns departamentos da Cúria Metropolitana de Vitória.

Outra arquitetura histórica que não se pode deixar de citar é a primeira igreja construída na ilha, trata-se da Capela Santa Luzia. Erguida na Cidade Alta, ela data de 1551. Essa obra é tão importante para a história de Vitória que em 1946 ela foi tombada pelo Instituto do Patrimônio histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

No século XVIII, mais precisamente no ano de 1707, começa a construção da igreja de São Gonçalo, uma das referências histórico religiosas que nos dias de hoje muito procurada para celebração de casamentos. Segundo Carnielli, originalmente o nome da igreja não era esse, mas “Igreja de Nossa Senhora do Amparo e da Boa Morte” (CARNIELLI, 2006, p. 167).

História mais recente

A chegada dos padres Pavonianos em Vitória também é um marco na história religiosa e social da cidade. Eles, além de assumirem a paróquia da Vila Rubim e posteriormente a paróquia de Santo Antônio, onde está situada a única Basílica da Arquidiocese, foram responsáveis pela fundação da livraria Âncora, primeira livraria católica da cidade (1958). 

Por falar em Vila Rubim, naquela religião destaca-se a Paróquia de São Pedro, com 94 anos de existência, ela foi a segunda paróquia a ser fundada na Arquidiocese e é “marcada pelo dinamismo histórico antes e pós Concílio Vaticano II”, diz Pe Roberto Camilato.

É também na Vila Rubim que está instalada a Santa Casa de Misericórdia, hospital que foi referência no atendimento aos mais pobres de toda a Grande Vitória. Conhecida também pelo bom atendimento, a Santa Casa era gerenciada por uma congregação religiosa, as Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo.

Como pode-se perceber a presença da Igreja é muito forte na vida da cidade desde a sua fundação, por isso é possível afirmar que a história civil e a religiosa se confundem e se completam. Além do que já foi exposto nessa matéria, existem várias outras arquiteturas e ações que marcam a presença da Igreja na formação da sociedade e da capital do ES, inclusive nas atividades seculares como em inaugurações importantes, tais como a presença de Dom João Batista da Mota e Albuquerque na reinauguração do teatro Carlos Gomes e na inauguração da iluminação pública da praça Costa Pereira, entre outras.

Para você que quer conhecer melhor o município em questão vai aí uma sugestão: comece pelo Centro da Cidade, onde estão todas as arquiteturas citadas acima e o famoso Parque Moscoso, espaço que marcou a infância de muita gente da Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV).

Mas, e a Catedral de Vitória? Ela é um dos monumentos mais conhecidos do estado e por isso encerramos com uma fala do Arcebispo Emérito, Dom Luiz Mancilha Vilela, sobre ela:

A Catedral de Vitória do Espírito Santo é um belo hino de louvor a Deus, presidido pela Mãe da Igreja, a Senhora da Vitória!

Ao entrar neste Templo abra seus olhos de fé… seu bondoso coração! (VILELA, Dom, 2011, p. 09)

No próximo domingo (6), véspera do Grito dos Excluídos 2020, uma projeção mapeada será realizada no Convento da Penha, a partir das 19h, com

Um ‘grito silencioso’ através de imagens! Essa será uma das atividades realizadas neste ano em comemoração aos 26 anos do Gritos dos Excluídos na Arquidiocese de Vitória. No próximo domingo (6), véspera do Grito dos Excluídos 2020, uma projeção mapeada será realizada no Convento da Penha, a partir das 19h, com imagens que mostrarão o histórico vivido nas manifestações ao longo dos anos e também os “gritos” dados pelo Papa Francisco; pelo Arcebispo Metropolitano de Vitória, Dom Dario Campos, e pelos pobres.

As ações do 26º Grito dos Excluídos na Arquidiocese de Vitória estão sendo organizadas pelo Vicariato para a Ação Social, Política e Ecumênica que tem como vigário Padre Kelder Brandão. Tradicionalmente o Grito dos Excluídos é realizado no Dia da Pátria, 7 de setembro, em grandes manifestações públicas, mas o sacerdote conta que devido a pandemia de Covid-19 tudo foi repensado neste ano para atender a necessidade de estar no meio digital e evitar aglomeração de pessoas. Elas poderão acompanhar de suas casas ou da rua, pois a projeção poderá ser vista por quem estiver passando na 3ª ponte, na região da Praia da Costa, em Vila Velha e Enseada do Suá, em Vitória.

“As pessoas vão perceber este grito a partir da história, desses 26 anos que vão ser projetados pelas memórias e os gritos de hoje. O que eu estou gostando e a pandemia tem nos possibilitado isso é a gente aprender a olhar para as coisas de forma positiva e tirarmos lições desse contexto que pede que a gente use a criatividade e inove. Então com essa atividade o grito também entra na era digital”, destaca padre Kelder.         

Há cerca de duas semanas já estão sendo publicados diariamente vídeos na página do Facebook do Vicariato (https://www.facebook.com/VicariatoArquiVitoria/) com os gritos que estão sendo dados nos últimos tempos pela população de rua, comunidade LGBTQ+, pescadores, ribeirinhos, negros, quilombolas, mulheres, sindicalistas, empregados terceirizados, entre outros grupos.

Padre Kelder explica sobre o planejamento: “pensamos muito em como daríamos visibilidade para o 7 de setembro que é o dia em que acontece o Grito dos Excluídos em todo o Brasil. Já passamos de ¼ de século, ou seja, é mais que uma tradição consolidada no Brasil. Uma tradição que foi iniciada pela Igreja, pois o Grito é uma atividade proposta na Campanha da Fraternidade de 1995 como ação concreta e se consolidou ao longo do tempo”.

No encerramento das ações, na segunda-feira (07) acontecerá uma celebração inter-religiosa, às 8h, no Campinho do Convento da Penha, presidida por Dom Dario Campos.  Segundo padre Kelder, o grito é uma proposta da Igreja Católica mas tem uma dimensão ecumênica e social muito grande e não pode ser atrelada somente aos ritos católicos.

“A proposta que foi aceita é de a gente fazer essa celebração convidando as Igrejas cristãs e não cristãs, principalmente as religiões que hoje sofrem muito com o preconceito, o racismo e a intolerância religiosa (de matriz africana). Então a celebração vai ser feita com a Igreja Católica, Igrejas Evangélicas, históricas e pentecostais e o Candomblé e Umbanda”.

O vigário reforça que a celebração está aberta para todas as demais religiões e quem quiser acompanhar pelas redes sociais está convidado. Porém, se alguma outra instituição religiosa quiser participar efetivamente do esquema celebrativo, deve procurar o Vicariato até a próxima sexta-feira (04) para ser inserida no contexto.