Homilias

Homilia de pe. Jorge Campos no dia do Coração de Maria.

A missa em Ponta Formosa, normalmente presidida por dom Dario Campos, nosso arcebispo, hoje foi presidida por pe. Jorge Campos, reitor do Seminário.

Pe. Jorge falou sobre o Coração de Nossa Senhora e relacionou com a Festa do Sagrado Coração de Jesus celebrado ontem.

Maria cheia de graça, cheia do amor de Deus, juntamente com José voltaram para procurar Jesus. Para pe. Jorge, neste trecho do Evangelho, está a importância da família. Maria e Jesus, juntos em busca do filho. A partir desses fato, o padre lembrou as famíliads aflitas dos dias de hoje e pediu que rezemos por elas.

Homilia de dom Dario na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

Na homilia de hoje, dom Dario uniu-se a todos do Apostolado de Oração e agradeceu pelo modo discreto de serem e agirem. Saudou os sacerdotes porque hoje somos convidados a rezar pelo clero e lembrou a reflexão da Congregação para o Clero a partir da carta do Papa escrita o ano passado. O Papa exorta os padres a configurarem-se ao Coração de Cristo e acentuou as palavras: gratidão, misericórdia, compaixão, vigilância e coragem.  

Hoje, disse dom Dario, rezemos para que os padres tenham paciência e tenhamos paciência com eles. Eu sempre peço que eles tenham paciência e rezem pela comunidade onde estão inseridos. 

Ao falar do Coração de Jesus, o Papa diz que é importante ter os mesmos sentimentos de Jesus e quem tem os mesmos sentimentos de Jesus tem amor com mãos e pés. Mãos que cuidam, curam, abençoam; pés que nos arrancam de nossos lugares rotineiros e nos deslocam para as margens.

Anexos

Homilia de 18 de junho de 2020. As condições necessárias para a oração.

Na homilia de hoje, 18 de junho de 2020, dom Dario Campos falou sobre a atitude de oração que agrada a Deus e as condições necessárias para que nossa oração agrade a Deus: coração livre de maldade, rancor, ódio, disposição a perdoar, silêncio, contemplação.

Quando a oração é sincera ela chega a Deus.

O Papa Francisco traz-nos uma reflexão e faz-nos um pedido: contar boas histórias! Num mundo cheio de notícias ruins somos estimulados a falar sobre

Meus irmãos e minhas irmãs aqui presentes e, de modo especial, todos os que nos acompanham pelos meios de comunicação social: a TVE e a nossa Rádio América. Enfim, a todos meu abraço e minha saudação de paz e bem. 

Quero partilhar com vocês três momentos que acho importantes para a nossa reflexão deste Domingo.

O primeiro diz respeito ao Domingo da Ascensão: Cristo termina a sua missão. É importante que Ele vá para a Casa do Pai. Com isso, Ele quer nos dizer que o nosso destino não é a morte e que essa não tem a última palavra, mas o nosso destino é Deus, o céu! Lá é a nossa Casa, é a casa da glória, a casa do amor onde habita o Deus de toda a ternura e bondade. 

Assim sendo, Ele que tinha se tornado o sustento e apoio dos homens, os seus discípulos, parte. Ele que tinha desvelado o mistério da beleza e bondade do rosto do Pai, não estará mais de forma sensível entre os seus. Ele que havia mostrado o sentido das coisas que passam, que havia revestido de eternidade o tempo que corre, termina os seus dias. Ele que era misericórdia de Deus e sabedoria do Altíssimo, deixa a terra. Para nos receber um dia na sua Casa com misericórdia. 

Lá cada um de nós tem a sua casa, pois Ele foi preparar um lugar para cada um de nós. 

Entre a morte e ressurreição e ida para a Casa do Pai, vimos as sucessivas aparições de Jesus aos seus Apóstolos, como que insistindo para que eles não tivessem dúvidas da sua ressurreição. Ele aparece de diversas maneiras e foi, num primeiro momento, confundido com um jardineiro, que havia roubado o corpo de Jesus quando Maria Madalena o procurava no túmulo; foi confundido com um fantasma quando entrou e se colocou no meio deles para encorajá-los na missão, desejando-lhes a paz, quando estavam carentes dela, devido aos acontecimentos assustadores daqueles dias; foi confundido com um peregrino ou andarilho, quando entrou na conversa dos discípulos, no caminho de Emaús e fez arder os seus corações; Ele foi confundido com um pedinte à beira da praia, quando os discípulos voltavam de uma pesca infrutífera e o encontraram de pé, pedindo algo para comer. 

Com isso Ele nos mostra que encontramos o Ressuscitado em diversas situações e circunstâncias do nossos dia a dia, no rosto das pessoas comuns, sobretudo as que sofrem e as pessoas mais simples.

Basta crer e viver o que Ele ensinou e Ele se fará presente. Eis um pouco do significado da Ascensão do Senhor. O Cristo que veio e que volta para junto do Pai confirmando a sua missão e a nossa, sem nos abandonar ou nos deixar órfãos. 

A primeira leitura nos mostra bem quem são os destinatários da Boa Notícia: os amigos de Deus. E quem são esses amigos? Ele se dirige a Teófilo, o amigo de Deus, no início da leitura, dizendo que já tratou de tudo que Jesus fez e ensinou, desde o começo. Jesus deixa-nos a responsabilidade de cuidar deste mundo e cuidarmos uns dos outros, de modo que esse mundo, a Casa de Deus e nossa, seja semelhante ao paraíso, a um jardim, onde todos possam viver bem e felizes. É a Casa Comum. 

O segundo momento é sobre o Dia Mundial das Comunicações Sociais que nossa Igreja celebra hoje. E o nosso Papa Francisco nos deixa uma mensagem nesse 54º Dia que traz como tema: “Para que possas contar e fixar na memória (Ex 10,2). A vida se faz história. 

O Papa Francisco traz-nos uma reflexão e faz-nos um pedido: contar boas histórias! Num mundo cheio de notícias ruins somos estimulados a falar sobre as coisas boas que estão por aí. Que tal começar com a nossa Igreja? 

Teria tantas histórias para contar a vocês, mas nesse tempo de pandemia que estamos vivendo, quero contar a história de milhares de cristãos comprometidos com o Evangelho de Jesus Cristo que estão ajudando que com bens materiais e financeiramente muitas outras pessoas necessitadas. Estamos tendo a oportunidade de viver o que os primeiros cristãos faziam, como lemos nos Atos dos Apóstolos: “Eles tinham tudo em comum”. São ‘Marias e Josés’ que estão ao serviço dos mais carentes. Sem falar dos que vivem nas ruas que estão encontrando um ombro amigo. Muito obrigado.

Por isso, temos que contar essas histórias, não por nós mesmos, mas para os mais céticos, para que eles possam ver e quem sabe acreditar no Deus vivo que se faz presente em nossas ações e caminha conosco em nosso dia a dia. 

E, dentro desse objetivo de melhor comunicar, de falar de nossas histórias, que a nossa arquidiocese lança seu novo site no dia de hoje. Essa ferramenta de trabalho só vem para somar e potencializar nossas ações num mundo cada vez mais digital. 

Como disse o Papa emérito, Papa Bento XVI: “As redes sociais não são meros meios de comunicação, mas um lugar onde as pessoas estão”. Queremos estar mais presentes e com mais qualidade nesse mundo digital. Queremos contar histórias, queremos conhecer a sua história. Cada um de nós ainda se lembra de sua infância, das histórias contadas por sua mãe, avó, tia, professora e, quando não queríamos dormir, lá vinha uma história de ‘assombração’ e tantas outras. O tempo ficou diferente e já que pela internet hoje é o meio mais necessário para nos aproximarmos e contar as nossas histórias é que estaremos mais unindo, aqui na nossa Arquidiocese todos os nossos canais de comunicação (Rádio América, Departamento de Pastoral, Pascom, mundo digital, assessoria de imprensa e os que mais vierem). Vamos nos unir para melhor contar as nossas histórias, no nosso dia a dia. 

Sem esquecer dos meios de comunicação seculares, como a TVE, que tanto nos ajuda a potencializar nossas histórias, Estamos dando um exemplo: unidade, unidade, unidade! É um passo inicial e queremos contar com a sua ajuda. 

A comunicação parte da gente não dos veículos. Eles apenas reproduzem o que a maioria quer. E para isso, mais do que nunca, precisamos ter criticidade ao ler, ouvir ou ver uma notícia, ao ouvir uma história, vamos ouvir e ver sobre os dois lados. 

Jesus Cristo, grande comunicador da vida e Nossa Senhora, a comunicadora do Salvador, rogai por nós! 

O Papa nos recorda no dia de hoje que precisamos respirar a verdade das boas histórias: histórias que edifiquem, e não as que destruam, histórias que ajudem a reencontrar as raízes e a 

força para avançar juntos. No meio da confusão das vozes e mensagens que nos rodeiam, temos necessidade de uma narração humana que nos fale de nós mesmos e da beleza que possuímos, uma narração que saiba olhar o mundo e os acontecimentos com ternura, que conte que somos parte de um tecido vivo que revele o entrelaçamento dos fios pelos quais estamos unidos uns aos outros. Volto a lembrar o que disse à poucos instantes atrás: Quem não se lembra das histórias de sua infância, ao cair da noite, a mãe, o pai, os avós, os tios…. quantas histórias bonitas e quantas histórias de assombração que faziam a gente dormir logo e acordar à noite meio assustados! 

Tecer histórias, diz o Papa, o homem é um ser narrador. Desde a infância temos fome de histórias, assim como temos fome de alimento. Sejam em forma de conto, de romances, de filmes, de canções, de notícias… as histórias influenciam a nossa vida, mesmo sem termos consciência disso. Muitas vezes decidimos aquilo que é justo ou errado com base nos personagens e nas histórias que assimilamos. Os relatos nos ensinam, moldam as nossas convicções e os nossos comportamentos, podem ajudar-nos a entender e a dizer quem somos. 

O Papa nos lembra que nem todas as histórias são boas, dizendo: “quando se misturam informações não verificadas, quando se repetem discursos banais e falsamente persuasivos, quando se agride com proclamações de ódio e não se tece a história humana, mas se despoja o ser humano da sua dignidade”. 

E diz o Papa ainda: “a História das histórias, a Sagrada Escritura é uma história de histórias. Quantas vivências, povos, pessoas nos apresenta! Desde o princípio, mostra-nos um Deus que é criador e narrador ao mesmo tempo: de fato, pronuncia a sua Palavra e as coisas existem (Gn1). Neste sentido, a Bíblia é a grande história de amor entre Deus e a humanidade. No centro está Jesus: sua história leva à perfeição o amor de Deus pelo ser humano e, ao mesmo, a história de amor do ser humano por Deus, uma história que nos renova”. 

Diz o Papa: “em todo o grande relato, entra em jogo o nosso relato. Enquanto lemos a Escritura, as histórias dos santos e outros textos que souberam ler a alma do ser humano e trazer à luz a sua beleza, o Espírito Santo é livre para escrever no nosso coração, renovando em nós a memória daquilo que somos aos olhos de Deus. Quando fazemos memória do amor que nos criou e nos salvou, quando colocamos amor nas nossas histórias diárias, quando tecemos de misericórdia as tramas dos nossos dias, então viramos a página. Já não estamos atados às recordações e às tristezas, enlaçados a uma memória doente que nos aprisiona o coração, mas abrindo-nos aos outros, abrimo-nos à própria visão do Narrador. Nunca é inútil contar a Deus a nossa história: ainda que a crônica dos fatos permaneça inalterada, mudamos o sentido e a perspectiva. Contar-se ao Senhor é entrar no seu olhar de amor compassivo por nós e pelos outros. A Ele podemos narrar as histórias que vivemos, levar-lhe as pessoas, confiar as situações. Com Ele podemos recompor o tecido da vida, remendando as rupturas e os rasgões. Quanto precisamos disso, todos! 

Por fim, o terceiro momento. Esta semana nos preparamos para a grande Festa de Pentecostes, a descida do Divino Espírito Santo sobre os apóstolos e Maria, o início da nossa Igreja, a saída dos Apóstolos que partem sem medo para a missão, anunciando sem temor, viajando, formando comunidades, contando a história de Jesus de Nazaré, a sua Morte e Ressurreição. Fato esse tão importante no nascimento de nossa Igreja, que com a partida e a viagem dos Apóstolos, chegou até aqui. Entre nós temos a nossa Igreja Particular da Arquidiocese de Vitória. 

Com a presença do Espírito Santo, temos a presença do Senhor da História, do Tempo e da Eternidade. 

Com a Festa de hoje, a Ascensão do Senhor, nós somos esses discípulos. Essa é também a nossa missão. Está em nossas mãos dar continuidade àquilo que Jesus ensinou aos seus e que nós recebemos através de nosso Batismo e nossa Confirmação. A missão é nossa, o testemunho é nosso, a Igreja é cada um de nós. 

Que nesta semana rezemos para nos prepararmos para a vinda do Divino Espírito Santo, o Espírito da Unidade. 

Que todos sejam um! 

Dom Dario Campos, ofm Arcebispo Metropolitano de Vitória

 

 

Hoje, aqui do alto do Convento da Penha, com esta Celebração Eucarística, damos início ao Oitavário de preparação para a grande Festa de Nossa

Meus irmãos e minhas irmãs, 

Paz e bem! 

Quero saudar com alegria aos irmãos e irmãs presentes nesta Solene Celebração Litúrgica da Páscoa do Senhor e, de maneira muito especial, saúdo aos que nos acompanham em suas casas, pela Rádio América, pela TVE e redes sociais do Convento e da Arquidiocese. Vivemos um tempo desafiador de isolamento social e de grande mudança de hábitos, assumindo com responsabilidade e cuidado, todas as indicações dos órgãos internacionais e nacionais de saúde. Devido à pandemia do Covid-19, a nossa Semana Santa foi marcada pela ausência dos fiéis em todas as Celebrações, sendo a sua maioria transmitidas pelos meios de comunicação e interação social. 

Hoje, aqui do alto do Convento da Penha, com esta Celebração Eucarística, damos início ao Oitavário de preparação para a grande Festa de Nossa Senhora da Penha, a Virgem coroada com as Sete Alegrias da Ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Aquela que com coragem, mesmo diante dos inúmeros desafios que viveria, soube dizer de todo o coração: eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim, segundo a Tua Palavra. Desse modo, aos pés de nossa Mãe Maria, dirijo-me a todos vocês, reunidos em família em suas casas, no desejo de levar uma palavra de conforto, de fé e de esperança. Dirijo também uma palavra de conforto e de alegria a todos os irmãos e irmãs de nossas Comunidades Eclesiais de Base, espalhadas por todo o território de nossa Arquidiocese e do nosso Estado. Enfim, convido a todos a repetirmos juntos e proclamarmos com alegria: O Senhor ressurgiu e está vivo no meio de nós! 

A Celebração da Páscoa do Senhor, que tem no Sábado Santo a sua grande proclamação, define a fé professada na comunidade eclesial e a ilumina. Pois, reúne em si todos os filhos e filhas de Deus, salvos pala Morte e Ressurreição de Cristo, ao redor da missa da Palavra e da Eucaristia. Assim sendo, gostaria de refletir com todos vocês, três pontos que estão presentes na Liturgia da Palavra deste gloriosos Domingo de Páscoa. O primeiro encontra-se no Evangelho de João, de maneira especial, na experiência feita pelo discípulo amado do Senhor, que ao entrar no túmulo vazio, vê e acredita. O segundo elemento está presente na segunda leitura da carta aos Colossenses, especialmente, na afirmação do autor: a vossa vida está escondida em Cristo. Por fim, o terceiro ponto encontra-se na primeira leitura dos Atos dos Apóstolos, quando apresenta a missão do cristão, ou seja, ser testemunha da Ressurreição do Senhor. 

O Evangelho de João, proclamado no Domingo de Páscoa, traz a primeira testemunha da Ressurreição do Senhor, isto é, Maria Madalena. Pois, tendo isso ao sepulcro, ainda muito cedo, e não tendo encontrado o corpo do Mestre, corre para relatar o fato a Pedro e ao discípulo que o Senhor amava. O anuncio da discípula fiel toca os corações de Pedro e do discípulo amado, aquele que estava aos pés da cruz juntamente com Maria, a mãe do Senhor. Segundo o relato do Evangelho, o discípulo amado chega primeiro ao local, apesar disso, ele espera por Pedro, a fim de que esse pudesse entrar primeiro. Ao entrar no túmulo, Pedro encontra os tecidos que envolviam Jesus e percebe que o local estava vazio. O discípulo amado, por sua vez, ao entrar no túmulo, vê o mesmo que Pedro tinha visto, mas com uma grande diferença que o evangelista faz questão de indicar, isto é, diferentemente de Pedro, ele ao se deparar com o túmulo vazio, reconhece que o Senhor está vivo, ou seja, ele vê e acredita. 

O discípulo amado ao dirigir-se e ao entrar no túmulo vazio, estava à procura daquele que o amava, que o tinha convidado ao seguimento no caminho do discipulado. O seu olhar já tinha sido marcado pela experiência do amor e da fé, capaz de ajudá-lo a ver além das aparências, de modo que pudesse contemplar a vitória da vida sobre a morte. A luz que brilhava no coração do discípulo amado o iluminou, fazendo com que Le pudesse compreender o sentido profundo da entrega de Cristo na cruz. Reconhecendo que a noite da morte do Senhor não era a última palavra, mas, apontava para a esperança do dia feliz da Páscoa da Ressurreição. Desse modo, quando o evangelista afirma que o discípulo amado viu e acreditou, ele aponta para um itinerário de fé que dever assumido por todos nós. Isto é, crescer na intimidade com o Senhor, com um espaço fecundo no qual o discípulo pode recostar a cabeça no peito do Mestre, como fez o discípulo amado na última ceia. 

Meus irmãos e irmãs, tal experiência é fundamental para que todos sejamos formados como verdadeiros discípulos missionários, testemunhas vivas da Ressurreição do Senhor. Uma experiência de intimidade com o Senhor que tornou a Virgem Maria capaz de reconhecer na visita do anjo o desejo divino a seu respeito, assumindo assim, a missão de ser Mãe do Salvador. De fato, esta intimidade com o Mestre é o aspecto fundamental no caminho do discipulado missionário, que tem seu início no chamado feito pelo Senhor a cada um de nós. Torna-se um caminho de seguimento por meio de nossa constância na busca de Sua Palavra e na vivência eclesial. A fim de que possamos amadurecer nossa fé e nossa vocação batismal, tornando-nos, pela força de seu Espírito, verdadeiras testemunhas da sua Ressurreição, sinais claros do Reino de Deus. Vivemos um tempo difícil, cheio de incertezas e dificuldades, principalmente para os mais pobres, por isso, o Senhor está conosco, seus discípulos e discípulas amados. Sendo assim, busquemos a intimidade do Senhor a fim de crescermos na maturidade da fé e no vigor da caridade fraterna, que farão de nós, sinais do Reino de Deus em tempos de grande necessidade como o que vivemos. 

O segundo ponto encontra-se na leitura da carta aos Colossenses, de maneira especial na afirmação do autor que diz: “a vossa vida está escondida em Crist”. O autor da carta indica que a Ressurreição do Senhor é garantia da vida nova proclamada e vivida pela Igreja, algo reconhecido na vida de todos aqueles e aquelas que ao Senhor se unem como seus discípulos. De fato, todo aquele que professa a fé em Cristo é uma nova criatura, pois assume a graça recebida nas águas do Batismo, por meio do qual, o cristão morre e ressuscita, juntamente com o Senhor. Sendo alcançado pela graça e ação do Espírito do Ressuscitado que o convida a viver segundo os valores do Evangelho. Desse modo, a grande novidade da vida em Cristo encontra-se no fato de que, por meio de sua Morte e Resssurreição, tudo o que afastava a humanidade da comunhão com o Pai foi vencido. No evento Pascal de Cristo tem início o tempo novo da graça divina que enche de esperança os corações de todos os que se unem ao Senhor por meio da profissão de fé. 

Meus irmãos e minhas irmãs, quando contemplamos o caminho trilhado pela Virgem Maria, reconhecemos que ela, não somente gerou o Salvador, mas o acolheu também como Mestre e 

Senhor, seguindo-o por toda a sua vida até à hora derradeira da cruz. Ela assumiu para si e comunicou aos discípulos, os ensinamentos e escolhas de Jesus, algo que fica claro em suas palavras nas Bodas da Caná: fazei tudo o que ele vos disser. Desse modo, irmãos e irmãs, também nós somos chamados a fazer o mesmo, isto é, somos convidados a viver como ressuscitados, homens e mulheres marcados pelas escolhas de Cristo. Descobrindo em nossas vidas os caminhos da solidariedade e da compaixão que moviam o próprio Jesus, tornando-nos próximos dos que mais precisam, nestes tempos desafiadores nos quais nos encontramos. Todavia, para que isso aconteça, devemos reconhecer que nossa vida está escondida em Cristo, que será na comunhão com Ele, que nos será indicado o caminho a seguir e a postura de vida que devemos assumir. De fato, somente quando nos deixarmos guiar e moldar pelo Senhor é que seremos formados como homens e mulheres novos, marcados pelos valores do Evangelho, capazes de dar testemunho fiel de nossa fé. Sendo assim, afastemo-nos do nosso egoísmo que nos fecha e nos impede de reconhecermos as necessidades de nossos irmãos e irmãs. Abracemos como sendo nossa a missão de sermos solidários e compassivos, principalmente com os mais pobres e excluídos, revelando a todos o rosto amoroso do Pai. 

Por fim, o último elemento que gostaria de refletir com vocês encontra-se na primeira leitura dos Atos dos Apóstolos, que é a missão que Pedro assume como testemunha da Ressurreição do Senhor. O discurso do apóstolo tem lugar logo após a vinda do Espírito Santo sobre os discípulos e Maria, reunidos no Cenáculo. Fortalecidos pela graça do Espírito, os discípulos saem vigorosos do Cenáculo e passam a testemunhar o Senhor por meio de palavras e ações. O apóstolo Pedro, assume para si e também em nome de toda a comunidade, a missão de testemunhas da Ressurreição. Confirmada a experiência que fizeram com o Senhor, de como foram por Ele formados e agora enviados pelo Poder do Espírito Santo a anunciar o Reino de Deus. 

Meus irmãos e minhas irmãs, ao anjo Gabriel, Maria, a Mãe das Alegrias da Ressurreição, disse: eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim, segundo a Tua Palavra. Nestas palavras reconhecemos o desejo da Virgem de se colocar inteiramente nas Mãos de Deus, tornando-se desde aquele momento, testemunha do amor divino, por meio do Filho que gerava. Sendo assim, o que viveu Maria e o que viveram os discípulos de Jesus não é diferente do que somos chamados a viver hoje no dia a dia das nossas vidas. De fato, somos convidados a fazer uma experiência de intimidade com o Senhor Ressuscitada, como discípulos e discípulas amados. A reconhecer que a nossa vida está escondida em Cristo e que somente unidos a Ele, transformados por sua graça seremos homens e mulheres novos. 

Diante dos apelos divinos, somos convidados a seguir o exemplo de Maria e dizermos: eis aqui a serva do Senhor, faça-se em nós segundo a sua Palavra. A fim de que, por meio da graça divina, nos tornemos verdadeiras testemunhas do Reino, sinais claros da presença do Ressuscitado na história do mundo, ainda marcado por tanto sofrimento e contradições. Neste tempo particular da história da humanidade, no qual muitas certezas econômicas, sociais e políticas são colocadas em xeque, somos convidados a fortalecer os laços da humanidade, solidariedade e fé. Depositar a nossa confiança no Senhor que sempre caminha conosco e confirmar a nossa missão, como discípulos e discípulas amados, testemunhas fiéis da Ressurreição de Cristo. 

Que neste Domingo de Páscoa, reunidos em nossas famílias, aproveitemos para refazer nossos laços de fraternidade e compromisso entre nós, sem contudo, esquecermos dos que mais precisam e contam com a presença de homens e mulheres de fé, pessoas de boa vontade que desejam um mundo mais justo, fraterno e solidário. 

Uma Feliz Páscoa da Ressurreição a todos vocês! 

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém! 

 

Dom Dario Campos, ofm 

Arcebispo Metropolitano de Vitória

 

Esta tarde é diferente de todas as outras, é a tarde em que o Filho de Deus é suspenso na cruz. É nesta tarde

Meus irmãos e minhas irmãs, 

Paz e bem! 

Que a paz de Jesus de Nazaré seja uma presença constante na vida de cada um de vocês. 

Quero saudar a todos os que neste momento estão sintonizados conosco pelas redes sociais e rádio América. A todos o meu fraternal abraço de paz e bem e a minha certeza de que a morte não tem a última palavra sobre a vida, porque a vida é de Deus. Este mistério da vida é o que dá o sentido de estarmos aqui celebrando a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, aqui e em nossas casas, ou seja, em nossas igrejas domésticas. 

Esta tarde é diferente de todas as outras, é a tarde em que o Filho de Deus é suspenso na cruz. É nesta tarde que Jesus de Nazaré encarna a Paixão do Mundo para redimi-lo em caminho de Redenção. Para captarmos o significado permanente da Sexta-Feira Santa, sinistra e libertadora, precisamos situá-la dentro da vida de Jesus. Uma vida comprometida com os simples, com a pobreza, com a dor do irmão e da irmã e não com a glória do poder. 

Acabamos de ouvir a narrativa da Paixão de Jesus, escrita por São João Evangelista. João, em todo o seu Evangelho, preparou-nos para esta hora, a hora da revelação máxima de Deus. Hora em que toda a Criação encontra o sentido de sua existência n’Ele, o Cristo de Deus, que em Sua Cruz, consuma todo o tempo: passado, presente e futuro. Jesus traz para si, na Cruz, a consumação dos tempos. Faz com que todo o criado morra em sua Morte e ressuscite em sua Vida que é eterna. É a vida nova que Ele, Jesus de Nazaré, pela sua entrega e doação máxima, até à morte de cruz, inaugura para toda a humanidade. 

Precisamos compreender corretamente porque Jesus devia morrer, conforme dizem as Escrituras cristãs. Jesus não se conformou com este mundo. Ele anunciou a total superação e transfiguração da criação. Em nome de Deus Pai, Ele fala de uma situação decadente e pecadora deste mundo. Em contrapartida propõe o projeto último de Deus que é de libertação deste mundo em seu pecado, em sua injustiça, em seu poder opressor, transformando-o em Reino de Deus. Convidamos a todos à conversão. E, essa conversão, implica ruptura, abandonar um modo de pensar e de agir e assumir novas atitudes, reveladas nas palavras e nos gestos de Jesus. 

Diante da fala de Jesus, todo o homem é colocado numa situação de crise e de necessidade de decisão. Não pode ficar neutro. O Evangelho, essencialmente, provoca um conflito e divida as águas. Ele é Boa Nova somente para os convertidos, Não é Boa Nova para o fariseu, para aquele que se instala neste mundo e no projeto de riqueza, que pensa no lucro e subir na vida a qualquer custo. Para este, Ele é má notícia. Veja a atitude do jovem rico. 

Na narrativa de São João, ele nos prepara para a contemplação desta hora derradeira. E em vários momentos da vida de Jesus. Ele alertou aos seus discípulos sobre a sua hora. Podemos ver, no capítulo 2 do evangelista que nos mostra Jesus dizendo a Maria, nas Bodas de Caná: “Mulher, porque dizes isto a mim, a minha hora ainda não chegou”. A hora de sua verdadeira Boda, a sua entrega, o seu Sangue doado para a vida e alegria do mundo. Ele, o verdadeiro noivo, sabia bem, já que fora apresentado por João como a Palavra que se fez carne e habitou entre nós”.

 

Meus irmãos, vejam que coisa bonita! Como se não bastasse, diferente dos outros evangelistas que precisaram de outros personagens para apresentar Jesus, como o Messias esperado, em João, Ele, o próprio Cristo se apresenta como: “Eu sou. Eu sou a fonte de Água Viva, Eu sou a Ressurreição e a Vida. ‘Eu sou’, foi a apresentação de Deus a Moisés quando este lhe perguntou que deveria apresentar ao Faraó, enquanto mandatário da libertação do POVO HEBREU. OPRIMIDO NO Egito. Jesus é a Palavra que existe antes de tudo ser criado. No prólogo do Evangelho de João, encontramos esta afirmação da comunidade: “No princípio era a Palavra, a Palavra estava em Deus, a Palavra era Deus, a Palavra se fez carne e habitou entre nós”. 

A menção à sua hora volta no capítulo 12 do Evangelho de João, quando ele pede ao Pai, no versículo 17: “Pai, slave-me desta hora”. Jesus em sua condição humana, experimenta a tormenta de saber que em breve passará pela Paixão e Morte. Porém, sua missão ultrapassa o seu querer e dá continuidade ao seu processo de revelação, fazendo história na história da humanidade. 

No capítulo 13, mais uma vez, João introduz Jesus na consciência de que havia chegado a sua hora. E, por isso, quis celebrar a Páscoa com os seus discípulos. A narrativa da ceia de Jesus com os seus discípulos é permeada de seu derradeiro discurso para que os seus discípulos entendessem que a sua missão não era ser servido, mas sim, colocar-se a serviço e, mais que tudo, AMAR sem medida. Ele deixa para seus amados discípulos o Sacramento do Amor. 

Na continuidade do reconhecimento de Jesus, sobre a chegada de sua hora, encontramos no Capitulo 17, em sua oração ao Pai: Pai, chegou a hora. Toda a vida de Jesus é preparação para esta hora, hora de sua Redenção, hora em que o mundo dá sentença de que prefere as trevas a viver em sua luz. O amor de Jesus para com a humanidade é tamanho, que ele se entrega aos seus algozes. É maltratado e sofre as piores dores. Silenciosamente acolhe todo o sofrimento em obediência à quele que o enviou. Desfigurado, o servo de Deus sente transpassarem-lhe a alma com tamanho descaso e sofrimento que lhe foram impostos. 

A rejeição do mundo, a solidão doída, oscilando entre o céu e a terra, fazem do Deus que se fez um de nós, para os olhos do mundo, o pior dos condenados, a ponto de não poder morrer dentro dos muros de Jerusalém. É para fora que Ele carrega a sua Cruz. E é para dentro do coração humano que Ele solidifica o mistério da redenção. Suas palavras na Cruz não foram muitas, mas obtiveram bastante significado. É importante determo-nos no seu diálogo com João, o discípulo que Ele amava e, com Maria, que Ele chama de Mulher, para trazer na pessoa de Maria, todas as mulheres do mundo, principalmente as que sofrem com as injustiças e maldades do mundo, frente a seus filhos. Jesus diz a João: Eis aí a tua mãe. Logo diz a Maria: Eis aí o teu filho. Era necessário que João recebesse Maria em sua casa, para justificá-la, já que ela não tinha o marido e nem a Ele, Jesus, o Fruto Bendito do seu ventre. 

A derradeira palavra de Jesus foi remetida ao Pai. Depois de seu sentimento de abandono e solidão, o coração confiante do Filho se abre por inteiro e reúne suas forças para a entrega definitiva. Naquele derradeiro momento, não é Deus que morre, mas o homem Deus que realiza sua missão. É o Filho que se entrega totalmente nas mãos d’Aquele que o enviou: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. Morre o filho de Deus. Morre o fruto bendito do ventre de Maria. 

A cruz, na teologia paulina, tem um primado fundamental na história da humanidade, porque ao dizer cruz, o Apóstolo se refere à nossa salvação. A salvação é entendida por Paulo, como graça de Deus para todas as suas criaturas humanas. O Sumo Sacerdote que é Jesus, entra no mais alto dos céus e nos garante a participação em sua vida divina, na Verdade. A Cruz é escândalo e loucura. Escândalo porque era utilizada para os piores condenados e, loucura, porque Deus se permitiu passar pelo objeto de escândalo e transformá-lo em porta para a nossa salvação. 

Celebrar o mistério da Morte de Cristo, não teria sentido se não vislumbrássemos, enquanto Igreja, assembleia de homens e mulheres livres, a sua Ressurreição. É a vida nova que nos garante o sentido desta celebração. Cristo inaugura para todo o sempre, com sua morte, a verdadeira vida para todos nós. É a sua cruz que nos sustenta neste momento em que experimentamos o sofrimento e a morte tão perto de nós. No mundo todo, a Paixão de Cristo tem sua continuidade nos milhares de irmãos e irmãs que padecem e que morrem pelo contágio do coronavírus. Repito aqui as palavras do nosso Papa Francisco: “a rua não é lugar de morar e nem lugar de morrer”. A Paixão de Cristo, em nossos dias, se manifesta na paixão de tantos e tantas que perderam seus entes queridos e que sofrem a insegurança de portarem esse vírus, também. 

Havemos de nos deter, ainda, em outros milhares que sofrem a exclusão social: os refugiados, os imigrantes, os prisioneiros, os que são rejeitados pela sociedade por seu modo diferente de ser, os que não têm lar, os que padecem e sofrem todo o tipo de rejeição social. Meus irmãos e minhas irmãs, são inúmeras as situações de morte em nosso tempo, no nosso mundo. A vontade de Deus é que nós, que paramos hoje para celebrar a Morte de seu Filho nos cobnvertamos, cada vez, à vida. Não a vida somente para nós e para nossa família, mas para todos, pois foi para isso, que Deus se fez um de nós. Encontramos no Evangelho de São João, a passagem de Jesus que diz: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância”. É para esta vida que fomos criados. É para o mundo de paz, de cuidado, de carinho e compreensão que fomos feitos. É para a comunhão de todos, como irmãos de sangue, que somos chamados a trilhar nosso caminho, reconhecendo que o mesmo sangue jorrado por só um na cruz, fora jorrado por todos, sem distinção, pois Ele não faz distinção de pessoas. 

Celebramos a morte do Filho de Deus que se fez um de nós. Nosso coração se entristece nesta hora, mas haveremos de nos alegrar, pois para Deus nada é impossível. E, juntos, poderemos cantar com alegria a vitória de Jesus sobre a morte, quando Ele, pela ação prodigiosa de Deus, vence a própria morte e nos garante a vida que Ele veio nos dar. 

A hora de Jesus teve seu início, o seu meio e o seu fim, segundo o Evangelista São João. O mistério da fé da Igreja, faz com que a hora de Jesus tenha a sua continuidade na vida da comunidade dos discípulos e na vida da Igreja que, durante este 21 séculos pode clara e confiantemente proclamar: “Ele está no meio de nós”. 

Dom Dario Campos 

Arcebispo da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo

 

Desejo a todos vocês a ternura de Deus dessa noite Santa, o Seu silêncio, a luz da lua, o resplendor da Luz Divina que

Meus irmãos e minhas irmãs 

Paz e bem! 

Quero saudar a cada um, a cada uma que participa conosco dessa celebração pelos meios de comunicação em suas casas, e de um modo particular, saudar a nossa Rádio América, a TVE e a todos os outros veículos de comunicação. Deus seja louvado! 

Desejo a todos vocês a ternura de Deus dessa noite Santa, o Seu silêncio, a luz da lua, o resplendor da Luz Divina que ilumina cada lar, cada Igreja Doméstica e o coração de cada um de vocês.  

Iniciamos com essa Celebração, o Tríduo Pascal. Essa não é simplesmente uma preparação para a “Celebração da Solenidade Pascal”, mas a Celebração da Páscoa no decorrer de três dias. A unidade das Celebrações é sentida, desde os ritos que as compõem, como única unidade celebrativa. O caminho proposto nos dias, e até mesmo na própria Liturgia da Palavra de cada um deles, passando pela adoração da Santa Cruz, tendo seu ápice na solene Vigília Pascal, que se une à Celebração do Domingo de Pascoa. 

Hoje, momento em que atualizamos o mistério de Jesus de Nazaré por seus serviços dedicados aos seus apóstolos, lavando seus pés, ao mesmo tempo a sua entrega definitiva enquanto pão e vinho, seu Corpo e Sangue para a vida do mundo. Instituindo a Eucaristia, aqui nasce o sacerdócio. Assim sendo, vemos a Liturgia da Palavra dessa noite ressaltar o valor da missão de Jesus junto de seus discípulos, e de como Ele os formou desde os menores detalhes para o serviço e a missão. Veja que coisa linda, assim começa o início do Evangelho; “ Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.” Podemos entender essa frase de dois modos; o primeiro, a entrega de Cristo na cruz, o segundo, indicado a plenitude do amor, isto é, a realização pela do amor que se entrega. 

Assim meus irmãos e minhas irmãs, Deus nos convida a voltarmos para dentro de nós mesmos. O que sempre foi celebrado em nossas comunidades com fé e devoção, hoje a mesma fé e a mesma devoção nos faz voltar ao aconchego dos nossos lares e nos reunimos como irmãos, unidos pelo sangue familiar, e a celebrar a memória da entrega de Cristo, enquanto o pão que alimenta e dá a vida, e enquanto vinho que nos salva e dá coragem.  

Em Israel, nos tempos de Jesus, celebrava-se a Páscoa em casa, na intimidade do lar. Fazia-se assim a memória da primeira Páscoa no Egito, da noite em que o sangue do Cordeiro Pascal, aspergido nos portais das casas, protegia contra o exterminador, como ouvimos na Primeira Leitura. Na noite, na passagem do anjo, as famílias dos hebreus comiam o cordeiro, em suas casas, às pressas, com os rins cingidos, obedecendo às palavras de Deus e Moisés, para que, logo em seguida, experimentassem a libertação. 

Por sua vez, Jesus enquanto pertencente à religião judaica, quis celebrar a Páscoa com seus amigos. Mandou preparar lugar adequado, que os inspirassem o recesso do lar de cada um deles, e ali, ocupou o lugar do Pai, lavado os pés de seus convidados. É que no tempo de Jesus o anfitrião lavava os pés de seus convidados. Na Ceia de Jesus, o anfitrião e Deus, mas é seu Filho que ocupa o Seu lugar e purifica os pés de seus convivas. Gesto nobre de Jesus, Em sua humanidade, tornou-se obediente, pois não veio fazer sua vontade, mas a vontade de quem o enviou. E a vontade de quem o enviou era que, naquele momento, ele se despisse de toda vaidade e se prostrasse aos pés de seus discípulos. Mesmo com espanto e rejeição de Pedro. Jesus preenche o coração de seus amados, que a pouco deixaria neste mundo, com a água da vida que é Ele mesmo. 

Assim vemos que Jesus em sua Última Ceia já sabia o que o aguardava, e ainda assim, foi capaz de um gesto tão significativo e verdadeiro, no intuito de demonstrar de forma clara qual o tipo de comunidade desejava para seus discípulos. Isto é, uma comunidade de discípulos missionários. Uma comunidade que se coloca à serviço por meio da misericórdia e compaixão. 

Mesmo com seu coração amargurado, pois estava chegando a hora de passar deste mundo para o Pai, como se não bastasse, na intimidade do lar, que naquele momento de revela Cenáculo, Jesus concede a seus discípulos o dom da Eucaristia, ou seja, Jesus entrega realmente seu corpo e seu sangue atravessando o limiar da morte, torna-se pão vivo, verdadeiro maná, alimento inexaurível para todos os séculos. A carne torna-se pão de vida. O sangue, vinho que lava e arranca para todo o sempre, todo pecado do mundo. Contudo, desta intimidade, que é dom muito pessoal do Senhor, a força do Sacramento da Eucaristia, vai além das paredes de nossas igrejas e alcança especialmente nesta noite santa, o lar e o coração de todos que celebram conosco. É a Igreja Doméstica. 

Neste Sacramento o Senhor está sempre a caminho do mundo. O mistério de sua presença se faz vivo e atuante em todos os lares que conosco se unem na comunhão de sua entrega pela vida do mundo. Nesta noite, a Igreja orante sente um desejo profundo de viajar com Jesus, de não o deixar sozinho na noite do mundo, na noite da traição, na noite da indiferença de muitos. 

Meus irmãos e minhas irmãs. Acredito que esse tempo é de graça, pois o Senhor nos concede sentir a sua presença que se entrega por nós, ao mesmo tempo nos convoca a observar seu novo mandamento, que é o amor incondicional a todos com os quais experimentamos esta caminhada de humanos, limitados na verdade, mas portadores da graça de portar o seu modo de ser, que nada mais é do que o amor que ele nos deixou. Hoje, em suas casas, nas Igrejas Domésticas, como os primeiros cristãos, eu vos convido a experimentar Jesus Eucarístico no pão de cada dia, que a sua bondade nos concede e a serem portadores da graça da partilha deste pão a todos os irmãos que não o tem. 

O nosso exemplo de solidariedade é a prova de nossa confiança no amor que Ele dispensou a cada um de nós e que nos capacita a nos encontrar em prece, por mais diferente que sejamos, que possamos unir nossa prece, com fé esperança e amor e confiar-lhe toda nossa vida e a vida de todos os que sofrem. De modo especial o que estão na rua sem casa, sem teto, os doentes. Repito a frase do nosso Papa Francisco: “A rua não é lugar para ninguém morar e para ninguém morrer.” 

Confiemos a Jesus nossas estradas, nossas casas, a nossa vida cotidiana. Que nossos caminhos sejam de Jesus! Que as nossas casas sejam para Ele e com Ele nesta noite e em todas as outras! A nossa vida, de todos os dias, esteja penetrada de sua presença. Que possamos nos 

solidarizar, também, com quem não tem um lar para se abrigar neste tempo de pandemia. Que possamos estar unidos, em oração, aos jovens, que ainda não encontraram sentido para suas vidas, aos idosos esquecidos por suas famílias em asilos ou casas de repouso. 

Que possamos nos solidarizar com os que sofrem com a contaminação do Covid-19 e que, também, a nossa prece alcance a todos os profissionais de saúde. Que a nossa fé em Jesus que se entrega por nós, seja traduzida na nossa obediência a sua Palavra que hoje é proclamada, também pelos profissionais de saúde que insistem para que fiquemos em casa, para que tenhamos a vida que Deus quer que tenhamos. 

Vigiemos irmãos, com Jesus nesta noite santa, acreditando que há de brilhar o sol de nosso dia e que ele jamais experimentará o seu acaso. Caminharemos, pois na luz do infinito amor de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Dom Dario Campos 

Arcebispo da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo