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Dom Vicente Ferreira Bispo auxiliar da arquidiocese de Belo Horizonte (MG) e Secretário-executivo da Comissão de Ecologia Integral e Mineração da CNBB, escreve sobre

Dom Vicente Ferreira Bispo auxiliar da arquidiocese de Belo Horizonte (MG) e Secretário-executivo da Comissão de Ecologia Integral e Mineração da CNBB, escreve sobre os 7 anos de sofrimento das pessoas vítimas do desastre no Rio Doce. A matéria foi publicada no site da CNBB.

Enquanto há vida, há luta!
Sete anos!
É de resistir, que a gente sobrevive.
Limpando essa lama toda
Jogada na bacia do Rio Doce.
Dezenove pessoas mortas
E outras setecentas mil atingidas.
Salvai-nos, Deus
Senhor da vida!
Vale/Samarco/BHP
São as donas do crime.
Levam nossas riquezas.
Deixam buracos no coração
Do povo e da mãe natureza.
Lembrar, sempre!
Para que nunca mais aconteça.
Memória de cada dia.
Para esse crime todo, justiça;
E reparação como pago dessa cobiça.

Mais de cem pessoas atingidas morreram nesses anos pós-crime, sem nenhuma reparação. Também não houve avanço na condução dos reassentamentos. Somente em outubro de 2022 a Justiça reconheceu o direito das comunidades atingidas pelo rompimento da barragem do Fundão de serem auxiliadas pelas assessorias técnicas independentes (ATI).

Elas foram escolhidas em 2018, mas as mineradoras não aceitaram, em razão da ganância do capital. Um novo acordo tem sido construído com mediação do Conselho Nacional de Justiça, restando aos atingidos incertezas diante da falta de acesso às informações e da ausência de participação nas decisões. Assusta, ainda mais, saber que Estado e Instituições de Justiça são reféns dos interesses econômicos das mineradoras.

Até 2050, os cientistas estimam que 1,2 bilhões de pessoas serão refugiadas por causa das mudanças climáticas. E não temos dúvidas de que nossa equivocada relação com o meio ambiente é a causa maior dessa tragédia socioambiental. Papa Francisco tem insistido na necessidade de uma conversão ecológica. Para isso é preciso reconhecer que nosso tecido cultural global é pecaminoso.

Porque substituiu Deus pelo dinheiro; a vida pelo lucro. Depois do crime em Mariana, veio o que aconteceu em Brumadinho. Não são situações isoladas. São resultados de uma violência sistêmica. Desse neoliberalismo colonizador. Que abastece o bolso dos ricos; deixa com os pobres a dor.

Na contramão da continuidade do crime, ecoa um grito coletivo. “Enquanto há vida, há luta!” Ele se reforça nas redes de resistências. Destaque para a Cáritas, a Comissão do Meio Ambiente da Província Eclesiástica de Mariana, movimentos sociais e tantos outros grupos atentos aos clamores dos pobres e da terra. São semeadores de outros modelos de sobrevivência. Os que emergem dos povos originários, dos quilombolas, da agroecologia etc. Coisas tão antigas e tão necessárias. Nosso futuro será ancestral. Ou continuaremos imersos em tanta lama do mal.

A todos e todas que perseveram na peleja por justiça, reparação e memória, manifestamos nosso apoio. Desde Brumadinho, damos-lhes as mãos. Desistir não é opção. Muitas são as dificuldades, mas nenhuma delas é maior do que o amor que nos colocou na condição de defensores dos direitos humanos e da terra. Estamos do lado certo da história. E isso é a nossa maior glória.

Ainda que passemos por noites escuras. Mais vale a bravura. Como disse Conceição Evaristo: “eles combinaram de nos matar, mas nós combinamos de não morrer”. Que sejamos uma sirene capaz de despertar um novo céu e uma nova terra. “Caminhemos cantando; que as nossas lutas e a nossa preocupação por este planeta não nos tirem a alegria da esperança” (Laudato Sì, n. 244).

No sábado (05) aconteceu o último encontro deste ano, em formato presencial, da turma V do curso do Instituto de Pastoral Catequética da Arquidiocese

No sábado (05) aconteceu o último encontro deste ano, em formato presencial, da turma V do curso do Instituto de Pastoral Catequética da Arquidiocese de Vitória. No encerramento do encontro, houve uma bela missa celebrada pelo Padre Tárcio Rosa Siqueira, coordenador da Comissão Bíblico Catequética da Arquidiocese, com a participação do Seminarista Arthur. Logo após a missa os participantes celebraram com parabéns e bolo os 35 anos de existência do IPAC.

O curso faz parte do projeto de Formação e Desenvolvimento do estudo na linha da Catequese com Inspiração Catecumenal e está na sua quinta turma, reunindo cerca de 130 pessoas de todas as áreas da arquidiocese. Os encontros acontecem tanto na modalidade presencial quanto online, e visa a formação de catequistas no novo modelo proposto pela comissão Bíblico Catequética e adotado pela arquidiocese de Vitória.

Segundo uma das participantes, Michelle Torrente, que já atua há mais de 10 anos como catequista na paróquia Nossa Senhora das Graças, em Jucutuquara, o curso tem sido um momento importante de conhecimento e vivência cristã. “A cada módulo vamos aprofundando mais sobre essa missão de ser catequista, e o compartilhamento das vivências das outras pessoas nos inspira a sermos ainda mais criativos e firmes nessa missão tão importante para a igreja”, destacou a participante.

Para o Padre Tarcio Siqueira, o IPAC é uma ferramenta essencial na formação dos catequistas da Arquidiocese, pois além de instruir acerca da doutrina e da Fé da Igreja é um caminho de encontro com Jesus para cada catequista. “O objetivo da Catequese com Inspiração Catecumenal é ser uma catequese de Caminho. Por essa razão, o IPAC se faz necessário e essencial, pois, é ali que, sobretudo, os novos catequistas podem beber dessa fonte.  São 35 anos que o IPAC marca a vida Igreja sempre guiado pelo Espírito Santo que é o grande formador.  Também rendemos graças por todos os que contribuíram nessa caminhada ao longo dessas 3 décadas, padres, seminaristas, religiosas e religiosos e, sobretudo, os catequistas leigos”, destacou o sacerdote.

Texto: Paola Primo

Coordenadora da Pascom – Área Pastoral Vitória

No próximo dia 29 de dezembro, quinta-feira, às 18h, a Arquidiocese de Vitória vai ordenar dois novos diáconos transitórios para a Igreja: Lucas Folador

No próximo dia 29 de dezembro, quinta-feira, às 18h, a Arquidiocese de Vitória vai ordenar dois novos diáconos transitórios para a Igreja: Lucas Folador Muniz Pina e Jonatan Rocha do Nascimento. A Santa Missa com o rito de Ordenação Diaconal será realizada na Catedral Metropolitana de Vitória, pela imposição das mãos do Arcebispo Metropolitano Dom Dario Campos, OFM, após oito anos de processo formativo no Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora da Penha.

O Seminarista Jonatan afirma que ter a notícia da ordenação diaconal é uma felicidade indescritível, pois durante todo o período de formação participou de várias ordenações e ficava na expectativa de quando chegaria sua vez. Ele explica que agora o sentimento é de que, de fato, está recebendo uma graça grandiosa, que não merece e confia em Deus que é quem age e faz por meio de frágeis instrumentos.

“O Seminário nos acompanha, instrui e forma desde o Propedêutico até quarto ano de Teologia. A formação nos ajuda a equilibrar a nossa vida nas diversas dimensões (espiritual, intelectual, pastoral-missionária, comunitária e humano-afetiva), a fim de que possamos oferecer a Deus e ao mundo a nossa vida e a Boa Notícia do Evangelho. O caminho não é fácil, porque exige renúncias, escolhas definitivas e perseverança, contudo, é suavizado pela companhia dos irmãos de caminhada e, em especial, do Povo de Deus, que nos surpreende com seu carinho e cuidado”.

Jonatan também destaca que não poderia receber um melhor presente de Natal do que este de ser ordenado diácono no Tempo do Natal: “No tempo em que o Menino Deus, o Deus conosco, vem até nós para se oferecer à humanidade, teremos, Lucas e eu, a oportunidade de oferecer o nosso nada a ele, sendo constituídos ministros da Igreja pelo Sacramento da Ordem”.

Para Lucas a expectativa também é muito grande para a chegada do dia da ordenação diaconal e ele ressalta que está muito feliz desde a última quinta-feira quando recebeu a notícia da Igreja: “o meu coração está muito feliz, muito ansioso também para chegada deste grande dia depois de 8 anos de formação no Seminário é um dia sempre esperado por nós. E é alegria da confiança de Deus e da Igreja. De Deus que me chamou apesar de mim, tanto que eu prego esse lema diaconal ‘Trazemos esse tesouro em vaso de barro’. Escolhi esse lema diante deste barco frágil que sou e da grandiosidade de Deus que me escolheu por graça”.

O diaconato é o primeiro grau da Ordem e a vocação diaconal é um dom da igreja marcado pela ajuda e serviço ao povo de Deus. Os seminaristas Jonatan e Lucas receberão o sacramento e se tornarão diáconos transitórios enquanto visam o presbiterado, segundo grau da ordem. A partir do diaconato os candidatos começam a exercer o mesmo ministério de servir que tem os sacerdotes.

“Então é uma gratidão ao Senhor e a Igreja que confirmou a minha vocação pelo ministério que foi concedido. Respondo esse chamado com alegria de poder doar 100% da minha vida a causa de Cristo e do evangelho. Pela imposição das mãos de Dom Dario, vou receber o sacramento da Ordem, que vai me colocar ainda mais a serviço de nossos irmãos e de Nosso Senhor Jesus Cristo. Estou muito feliz, muito grato e sempre contando com as orações de todos para que eu possa ser santo”, conclui Lucas Folador.

Informações sobre os futuros diáconos:

Lucas Folador Muniz Pina

Paróquia de origem: São José, Maruípe, Vitória – ES

Paróquia de pastoral: Nossa Senhora das Graças, Jucutuquara, Vitória – ES

 

Jonatan Rocha do Nascimento

Paróquia de origem: São João Batista, Cariacica Sede, Cariacica – ES

Paróquia de pastoral: São Pedro, Muquiçaba, Guarapari – ES

O presépio som, luz e movimento, da Comunidade Arautos do Evangelho, localizada em Nova Campo Grande, Cariacica, já está funcionando e oferecendo uma verdadeira

O presépio som, luz e movimento, da Comunidade Arautos do Evangelho, localizada em Nova Campo Grande, Cariacica, já está funcionando e oferecendo uma verdadeira catequese a todas as pessoas que vão até o local ver de perto essa tradição. Realizado há mais de 20 anos, em todos os lugares que os Arautos estão presentes existe esse presépio diferenciado. De forma totalmente gratuita a apresentação dura cerca de 20 minutos e conta a história de Jesus desde a criação do mundo, seu nascimento, vida, morte e ressurreição com cenas que interagem com o público.

Segundo padre Cristian Nascimento, Superior dos Arautos do Evangelho, em Cariacica, este presépio utiliza tecnologia japonesa e a cada ano tem alguma novidade. Na edição deste ano a inovação é a passagem de Pentecostes que foi inserida no contexto da apresentação e a narração de história é feita por padre Célio Casale representando São Luís Maria Grignion de Montfort – que escreveu o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem.

Quem deseja visitar a comunidade Arautos do Evangelho e assistir o presépio, é só se dirigir ao local, em Cariacica, que está aberto sempre aos sábados e domingos, das 9h às 18h, e faz parte do Circuito Turístico do município. Cada apresentação comporta 50 pessoas sentadas e acontece em vários momentos durante o dia. Grupos com mais pessoas e quem deseja visitar durante a semana é necessário fazer um agendamento no telefone (27) 99891-6573.

Os horários de missas nos Arautos do Evangelho são: aos sábados, às 17h e aos domingos às 8h, 10h30 e 16h30. Assista abaixo a matéria sobre o presépio som, luz e movimento e veja trechos da apresentação.

 

No voo de retorno do Bahrein, O Papa Francisco falou sobre a Ucrânia e os muitos conflitos do mundo. Ele falou de sua amizade
No voo de retorno do Bahrein, O Papa Francisco falou sobre a Ucrânia e os muitos conflitos do mundo. Ele falou de sua amizade com o Grão Imame de Al-Azhar, da importância de dar direitos e igualdade às mulheres, dos migrantes nos navios, dos abusos de crianças. E aos católicos alemães disse: “A Alemanha já tem uma grande Igreja evangélica, eu não gostaria de ter outra”.  A notícia foi publicada no site Vatican News.

Eis a transcrição de trabalho da conversa do Papa Francisco com jornalistas no voo de retorno do Bahrein.

1) Fatema Alnajem (Bahrain News Agency)

Gostaria de lhe dizer algo antes de lhe fazer minha pergunta. O senhor tem um lugar muito especial no meu coração, não só porque visitou meu país, mas porque quando o senhor foi eleito Papa, era o dia do meu aniversário. Tenho uma pergunta: como o senhor avalia os resultados de sua histórica visita ao Reino do Bahrein e como avalia os esforços que o Bahrein está fazendo para consolidar e promover a convivência, em todos os âmbitos da sociedade, de todas as religiões, sexos e raças?

Foi uma viagem de encontro porque o objetivo era precisamente encontrar-se em diálogo inter-religioso com o Islã e em diálogo ecumênico com Bartolomeu. As ideias do Grão Imame de Al-Azhar estavam precisamente nessa direção de buscar a unidade, a unidade dentro do Islã respeitando as nouances, as diferenças, mas com unidade, unidade com os cristãos e com outras religiões, e para entrar em diálogo inter-religioso ou diálogo ecumênico é necessário ter sua própria identidade. Não se pode partir de uma identidade difusa. Eu sou islâmico, sou cristão, mas tenho esta identidade e, portanto, posso falar com identidade. Quando não se tem uma identidade própria, um pouco no ar, é um pouco difícil o diálogo porque não há um ir e um voltar e é por isso que é importante e estes dois que vieram, tanto o Grão Imame de Al-Azhar como o Patriarca Bartolomeu, têm uma grande identidade. E isso é bom.

Do ponto de vista islâmico, escutei atentamente os três discursos do Grão Imame e fiquei impressionado com a forma como ele insistiu tanto no diálogo intra-islâmico, entre vocês, não para cancelar as diferenças, mas para se entenderem e trabalhar juntos, não ser um contra o outro. Nós cristãos temos uma história um pouco feia de diferenças que nos levou a guerras religiosas: católicos contra os ortodoxos ou contra os luteranos. Agora, graças a Deus depois do Conselho, há uma aproximação e podemos dialogar e trabalhar juntos e isto é importante, um testemunho de fazer o bem aos outros. Depois os especialistas, os teólogos, discutirão coisas teológicas, mas devemos caminhar juntos como crentes, como amigos, como irmãos, fazendo o bem. Eu também fiquei impressionado com as coisas que foram ditas no Conselho de Anciãos, sobre a criação e a preservação da criação, e esta é uma preocupação comum a todos, islâmicos, cristãos, a todos.  Agora, no mesmo avião, eles vão do Bahrein ao Cairo, o Secretário de Estado do Vaticano e o Grão Imame de Al-Azhar, juntos como irmãos. Isto é algo bastante comovente. Isto é uma coisa boa. Também a presença do Patriarca Bartolomeu – ele é uma autoridade no campo ecumênico – foi muito boa. Vimos isso na função ecumênica que fizemos e nas palavras que ele também disse anteriormente. Em resumo: foi uma viagem de encontro.

Para mim, a novidade de conhecer uma cultura aberta a todos. Em seu país, há espaço para todos. Também vi, o rei me disse: aqui todos fazem o que querem, se uma mulher quer trabalhar, que trabalhe. Abertura total, assim ele me disse. Você sabe, “você trabalha”.  E também a parte religiosa, a abertura. Fiquei impressionado com a quantidade de cristãos, filipinos, indianos de Kerala que estão aqui e vivem no país e trabalham no país.

Fatema Alnajem

Eles amam muito o senhor.

Esta é a ideia, encontrei uma novidade e isto me ajuda a entender e interagir mais com as pessoas. A palavra-chave é diálogo, diálogo, e para dialogar é preciso partir da própria identidade, ter identidade.

Fatema Alnajem

Obrigado, Santidade. Rezarei a Alá, o Todo-Poderoso, para abençoar o senhor com boa saúde, felicidade e uma longa vida.

Santo Padre: Sim, reze por mim, não contra (risos).

2) Imad Atrach

Santo Padre, desde a assinatura do “Documento sobre a Fraternidade humana”, três anos atrás, até a visita a Bagdá e também recentemente ao Cazaquistão: este caminho está dando frutos tangíveis em sua opinião? Podemos esperar que culmine em um encontro no Vaticano? Então gostaria de agradecer ao senhor por mencionar o Líbano hoje, porque como libanês posso lhe dizer que precisamos realmente de uma viagem urgente da sua parte, também e sobretudo porque agora nem sequer temos um presidente, então peço que vá para abraçar o povo diretamente.

“Obrigado. Tenho pensado muito nestes dias – e conversamos sobre isso com o Grão Imame – sobre como surgiu a ideia do Documento de Abu Dhabi, aquele Documento que fizemos juntos, o primeiro. Ele tinha vindo ao Vaticano para uma visita de cortesia: após nosso encontro protocolar, estava quase na hora do almoço e ele estava partindo, e enquanto eu o acompanhava para despedir-me dele, perguntei-lhe: “Mas, aonde vai para almoçar? Não sei o que ele me disse. “Mas venha, vamos almoçar juntos”. Foi algo que veio de dentro. Depois, sentados à mesa, ele, seu secretário, dois conselheiros, eu, meu secretário, meu conselheiro, pegamos o pão, o partimos e o demos um ao outro. Um gesto de amizade, oferecendo o pão. Foi um almoço muito agradável, muito fraternal. E no final, não sei quem teve a ideia, dissemos um para o outro: mas por que não escrevemos sobre este encontro? Assim nasceu o Documento de Abu Dhabi. Os dois secretários começaram a trabalhar, com um rascunho indo e um rascunho voltando, um rascunho indo e um rascunho voltando, e no final aproveitamos do encontro de Abu Dhabi para publicá-lo. Foi uma coisa de Deus, não se pode entender de outra forma, porque nenhum de nós tinha isto em mente. Surgiu durante um almoço amigável, e isso é uma coisa importante. Depois continuei pensando, e o Documento de Abu Dhabi foi a base da “Fratelli tutti”; o que escrevi sobre amizade humana na “Fratelli tutti” é baseado no Documento de Abu Dhabi. Acredito que não se pode pensar em tal caminho sem pensar em uma bênção especial do Senhor neste caminho. Quero dizer isto por justiça, penso que é justo que vocês saibam como o Senhor inspirou este caminho. Eu nem sabia nem mesmo qual era o nome do Grão Imame, depois nos tornamos amigos e fizemos algo como dois amigos, e agora conversamos toda vez que nos encontramos. O Documento é atual, e estamos trabalhando para torná-lo conhecido.

Depois no Líbano… O Líbano é uma dor para mim. Como o Líbano não é um país em si mesmo, um Papa disse-o antes de mim, o Líbano não é um país, é uma mensagem. O Líbano tem um significado muito grande para todos nós. E o Líbano está sofrendo neste momento. Rezo, e aproveito esta oportunidade para fazer um apelo aos políticos libaneses: deixem os interesses pessoais de lado, olhem para o país e concordem entre si. Primeiro Deus, depois a pátria, depois os interesses. Mas Deus e a pátria. Neste momento não quero dizer “salvar o Líbano” porque não somos salvadores, mas por favor, apoiem o Líbano, ajudem para que o Líbano pare esta descida, para que o Líbano recupere sua grandeza. Há meios, há a generosidade do Líbano, quantos refugiados políticos o Líbano tem! Tão generoso e está sofrendo. Aproveito esta oportunidade para pedir uma oração pelo Líbano, a oração também é uma amizade. Vocês são jornalistas, olhem para o Líbano e falem sobre isso para aumentar a conscientização. Obrigado.

3) Carol  Glatz (CNS)

Santidade, durante esta viagem ao Bahrein, o senhor falou dos direitos fundamentais, inclusive das mulheres, da sua dignidade, do direito a ter o seu espaço na esfera social e pública e encorajou os jovens a terem coragem, a fazerem barulho, a irem adiante por um mundo mais justo. Vista a situação aqui perto, no Irã, com as manifestações desencadeadas por algumas mulheres e por muitas jovens que querem mais liberdade, o senhor apoia este empenho das mulheres e dos homens que pedem para terem direitos fundamentais, que se encontram também no documento sobre a Fraternidade Humana?

Mas devemos dizer a verdade. A luta pelos direitos da mulher é uma luta contínua. Porque, em alguns lugares, a mulher consegue ter uma igualdade com os homens. Mas em outros lugares não consegue. Não? Eu me lembro nos anos 50 no meu país, quando houve a luta pelos direitos civis das mulheres, para que as mulheres pudessem votar. Porque até os anos 50 mais ou menos só os homens podiam votar no meu país. E penso nesta mesma luta nos Estados Unidos, famosa, pelo voto feminino. Mas por que – me questiono – a mulher deve lutar assim para manter os seus direitos? Há uma lenda – não sei se é uma lenda – sobre a origem das joias da mulher – talvez uma lenda – que explica a crueldade de muitas situações contra a mulher. Diz-se que a mulher carrega tantas joias porque em algum país – não lembro, talvez seja um fato histórico – havia o hábito que quando o marido se cansava da mulher, lhe dizia “vai embora!” e ela não podia voltar para pegar nada. Tinha que ir embora com aquilo que tinha consigo. E por isso acumulavam ouro para pelo menos terem alguma coisa. Dizem que esta seja a origem das joias. Não sei se é verdade ou não, mas a imagem nos ajuda.

Os direitos são fundamentais: mas por que hoje, hoje, no mundo não podemos parar com a tragédia da infibulação nas meninas? Isto é terrível. Hoje. Que exista esta prática, que a humanidade não consiga eliminar isto que é um crime, um ato criminoso!  As mulheres, segundo dois comentários que ouvi, ou são material descartável – é feio, não? – ou são “espécie protegida”. Mas a igualdade entre homens e mulheres ainda não existe universalmente, e existem esses episódios: que as mulheres são de segunda classe ou menos. Devemos continuar a lutar, porque as mulheres são um dom. Deus não criou o homem e depois lhe deu um cachorrinho para se divertir. Não. Criou os dois, iguais, homem e mulher. E aquilo que Paulo escreveu em uma das suas cartas sobre a relação homem-mulher, que hoje nos parece antiquado, naquele momento foi tão revolucionário que escandalizou sobre a fidelidade homem e mulher. (Disse): o homem cuide da mulher como da própria carne. Naquele momento, isto foi uma coisa revolucionária. Todos os direitos da mulher vêm desta igualdade. E uma sociedade que não é capaz de colocar a mulher no seu lugar não vai adiante. Temos a experiência (disto). No livro que escrevi “Voltemos a sonhar”, na parte sobre a economia por exemplo: existem mulheres economistas neste momento no mundo que mudaram a visão econômica e são capazes de levá-la avante. Porque têm um dom diferente. Sabem administrar as coisas de outro modo, que não é inferior, é complementar. Uma vez tive um colóquio com uma chefe de governo, uma grande chefe de governo, uma mãe com vários filhos que teve um sucesso muito grande em resolver uma situação muito difícil. E eu lhe disse: diga-me, senhora, como fez para resolver uma situação tão difícil?

E ela começou a mover as mãos assim, em silêncio. Depois me disse: como fazemos (nós) as mães. A mulher, para resolver um problema, tem o próprio caminho, que não é o do homem. E ambos os caminhos devem trabalhar juntos: a mulher igual ao homem trabalha pelo bem comum com aquela intuição que as mulheres têm. Vi que, no Vaticano, toda vez que uma mulher entra para fazer um trabalho no Vaticano, as coisas melhoram. Por exemplo, a vice-governadora do Vaticano é uma mulher, a vice-governadora é uma mulher e as coisas mudaram bem. No Conselho para a Economia, havia seis cardeais e seis leigos, todos homens. Mudei os leigos e coloquei um homem e cinco mulheres. E esta é uma revolução porque as mulheres sabem encontrar o caminho certo, sabem ir adiante. E agora coloquei Marianna Mazzuccato, na Pontifícia Academia para a Vida. Ela é uma grande economista dos Estados Unidos, (a coloquei) para dar um pouco de humanidade a isto. As mulheres trazem a sua contribuição. Não devem se tornar como os homens. Não. São mulheres e nós precisamos delas. E uma sociedade que cancela as mulheres da vida pública é uma sociedade que empobrece. Empobrece. Igualdade de direitos, sim. Mas também uma igualdade de oportunidades. Igualdade de (possibilidades) para ir avante, porque, do contrário, se empobrece. Creio que com isto disse aquilo que globalmente é preciso fazer. Mas ainda falta caminhar, porque existe este machismo. Eu venho de um povo machista. Os argentinos somos machistas, sempre. E isso é ruim, mas depois recorremos às mães que são aquelas que resolvem os problemas. Mas este machismo mata a humanidade. Obrigado por ter me dado a oportunidade de dizer isto, (algo) que levo muito no coração. Lutemos não só pelos direitos, mas porque é preciso ter mulheres na sociedade que nos ajudem a mudar.

4) Antonio Pelayo (Vida Nueva)

Santo Padre, a única vez nesta viagem que o senhor improvisou foi para se referir à “martirizada Ucrânia” e às “negociações de paz”. Gostaria de perguntar ao senhor se pode nos dizer algo sobre como prosseguem as negociações por parte do Vaticano e outra pergunta: o senhor falou ultimamente com Putin ou tem intenção de fazê-lo proximamente?

Bom, antes de tudo: o Vaticano está continuamente atento, a Secretaria de Estado trabalha e trabalha bem, trabalha bem. Sei que o secretário, Dom Gallagher, se move bem ali. Depois, um pouco de história. No dia sucessivo (ao início) da guerra – pensei que não se pudesse fazer algo inusual – fui à embaixada russa para falar com o embaixador, que é uma boa pessoa. Eu o conheço há seis anos, desde que chegou, um humanista. Lembro de um comentário que me fez naquela ocasião: “Nous sommes tombés dans la dictature de l’argent” (Nós caímos na ditadura do dinheiro), falando da civilização. Um humanista, um homem que luta pela igualdade. Eu lhe disse que estava disposto a ir a Moscou para falar com Putin, caso fosse necessário. Mas me respondeu muito educadamente Lavrov (o ministro das Relações Exteriores, ndr) – obrigado – (mas) naquele momento não era necessário. Mas a partir daquele momento, nos interessamos muito. Falei duas vezes por telefone com o presidente Zelensky; depois com o embaixador algumas outras vezes. E se faz um trabalho de aproximação, para buscar soluções. Também a Santa Sé faz o que deve fazer em relação aos prisioneiros, essas coisas… são coisas que sempre se fazem e a Santa Sé sempre as fez, sempre.  E (depois) a pregação pela paz. A mim impressiona – por isso uso a palavra “martirizada” para a Ucrânia – a crueldade – que não é do povo russo, talvez… porque o povo russo é um povo grande -, é dos mercenários, dos soldados que vão fazer a guerra como fazem uma aventura, os mercenários… Eu prefiro pensar assim, porque tenho uma estima muito elevada do povo russo, do humanismo russo. Basta pensar em Dostojevskij que até hoje nos inspira, inspira os cristãos a pensar o cristianismo. Tenho um grande afeto pelo povo russo e também tenho um grande afeto pelo povo ucraniano. Quando eu tinha 11 anos, havia um padre que celebrava em ucraniano e todas essas canções ucranianas eu as conheço na língua deles, porque eu as aprendi quando criança, por isso tenho um afeto muito grande pela liturgia ucraniana. Estou em meio a dois povos aos quais quero bem. Mas não só eu, a Santa Sé fez muitos encontros reservados, muitas coisas com êxito positivo. Porque não podemos negar que uma guerra no início talvez nos faça corajosos, mas depois cansa e faz mal e se vê o mal que uma guerra faz. Isso da parte mais humana, mais próxima. Depois gostaria de me lamentar, aproveitando esta pergunta: em um século, três guerras mundiais! A de 1914-1918, a de 1939-1945, e esta! Esta é uma guerra mundial, porque é verdade que quando os impérios, seja de um lado, seja do outro, se enfraquecem, precisam fazer uma guerra para se sentirem fortes e também para vender armas! Porque hoje creio que a maior calamidade que existe no mundo é a indústria das armas. Por favor! Disseram-me, não sei se é verdade ou não, que se por um ano não se produzissem armas se poderia acabar com a fome no mundo. A indústria das armas é terrível. Alguns anos atrás, três ou quatro, chegou de um país um navio repleto de armas a Gênova, e deveria passar as armas para um navio maior para levá-lo ao Iêmen. Os operários de Gênova se recusaram… Foi um gesto. O Iêmen: mais de dez anos de guerra. As crianças do Iêmen não têm o que comer. Os Rohingya, transferindo-se de um lado a outro porque foram expulsos, sempre em guerra. Em Mianmar, é terrível o que está acontecendo… Agora, espero que hoje na Etiópia algo pare, com um tratado… Mas estamos em guerra em todos os lugares e nós não entendemos isso. Agora, nos toca de perto, na Europa, a guerra russo-ucraniana. Mas está em todos os lugares, há anos. Na Síria, 12-13 anos de guerra, e ninguém sabe se há prisioneiros e o que acontece ali dentro. Depois, o Líbano, falamos desta tragédia… Eu não sei se já disse isso a vocês: quando fui a Redipuglia, em 2014, vi isso – e meu avô lutou no Piave e me contou o que acontecia ali – e aqueles túmulos de jovens… chorei, chorei, não tenho vergonha de dizer. Depois num 2 de novembro, que sempre vou ao cemitério, fui perto de Anzio e vi o túmulo daqueles jovens americanos, (mortos) no desembarque de Anzio. (Tinham) 19-20-22-23 anos e chorei, realmente, me veio do coração… E pensei nas mães quando batem à sua porta: “Uma carta para a senhora”. Abre o envelope: “Senhora, tenho a honra de lhe dizer que tem um filho herói da pátria… As tragédias da guerra. Não quero falar mal de ninguém, mas me tocou o coração: quando se recordou o desembarque na  Normandia, havia os chefes de muitos governos para celebrar. É verdade, foi o início da queda do nazismo, é verdade. Mas quantos jovens ficam na praia da Normandia? Dizem 30 mil … Quem pensa naqueles jovens? A guerra semeia tudo isto. Por isso, vocês que são jornalistas, por favor, sejam pacifistas, falem contra as guerras, lutem contra a guerra. Eu lhes peço como um irmão. Obrigado.

5) Hugues Lefevre (I. Media)

Santo Padre, esta manhã em seu discurso ao clero do Bahrein, o senhor falou sobre a importância da alegria cristã, mas nos últimos dias muitos fiéis franceses perderam essa alegria quando descobriram pela imprensa que a Igreja tinha mantido em segredo a condenação, em 2021, de um bispo, agora aposentado, que tinha cometido abuso sexual nos anos 90 quando era sacerdote. Quando esta história saiu na imprensa, cinco novas vítimas apareceram. Hoje, muitos católicos desejam saber se a cultura do sigilo da justiça canônica deve mudar e se tornar transparente (e eu) gostaria de saber se o senhor acha que as sanções canônicas devem ser tornadas públicas, obrigado.

Obrigado a você pela pergunta. Eu gostaria de começar (com) um pouco de história sobre isso. O problema do abuso sempre existiu, não apenas na Igreja, mas em todos os lugares. Vocês sabem que de 42 a 46% dos abusos sexuais ocorrem na família ou no bairro. Isto é muito grave, mas o hábito sempre foi o de encobrir. Na família ainda hoje tudo é encoberto, e até no bairro tudo é encoberto ou pelo menos a maioria dos casos. Um hábito feio que na Igreja começou a mudar quando houve o escândalo de Boston nos tempos do cardeal Law que, por causa do escândalo, renunciou. Foi a primeira vez que (um caso de abuso) saiu como um escândalo. Desde então, a Igreja tomou consciência disso e começou a trabalhar, enquanto na sociedade e em outras instituições normalmente se encobre. Quando houve o encontro dos presidentes das conferências episcopais (sobre este tema) pedi ao Unicef, a ONU as estatísticas deste (fenômeno), os dados percentuais: nas famílias, bairros, nas escolas, no esporte… e um estudo preciso foi feito incluindo também a Igreja.  Alguns dizem que somos uma pequena minoria, mas (eu digo) se fosse um único caso ainda seria trágico, porque você sacerdote tem a vocação de fazer as pessoas crescer e ao se comportar dessa maneira você as destrói. Para um sacerdote, o abuso é como ir contra a própria natureza sacerdotal e contra a própria natureza social. Por isso, é uma coisa trágica e não devemos parar, não devemos parar.

Neste despertar-se, fazer investigações e acusações, nem sempre (e em todos os lugares) foi tudo igual, algumas coisas foram escondidas. Antes do escândalo de Boston as pessoas eram deslocadas (os sacerdotes eram transferidos), agora tudo é claro e estamos avançando neste ponto. Por isso, não devemos nos surpreender que casos como este surjam. Agora me lembrei de outro caso, de outro bispo. Existem sabe? E (agora) não é fácil dizer “não sabíamos” ou “era a cultura da época e continua sendo a cultura social a de esconder”. Digo-lhe isto: a Igreja está determinada sobre isso, e quero agradecer publicamente aqui o heroísmo do cardeal O’Malley, um bom frade capuchinho, que sentiu a necessidade de institucionalizar isso com a Comissão para a Proteção dos Menores que ele está realizando e isso faz bem a todos nós e nos dá coragem.

Estamos trabalhando com tudo o que podemos, mas saiba que existem pessoas dentro da Igreja que ainda não veem claramente, não compartilham. É um processo o que estamos fazendo e o estamos realizando com coragem e nem todos têm coragem; às vezes há a tentação de fazer acordo, também somos todos escravos de nossos pecados, mas a vontade da Igreja é de esclarecer tudo.  Por exemplo, nos últimos meses recebi duas queixas sobre casos de abuso que tinham sido encobertos e não julgados bem pela Igreja: pedi imediatamente um novo estudo (os dois casos) e agora um novo julgamento está sendo feito; há também isto então, a revisão de julgamentos antigos, não bem feitos (não ocorridos de maneira adequada). Fazemos o que podemos, somos todos pecadores, sabe? E a primeira coisa que temos que sentir é vergonha, a vergonha profunda disso. Eu acredito que a vergonha seja uma graça. Podemos lutar contra todos os males do mundo, mas sem a vergonha… (é inútil). Por isso, me surpreendeu que Santo Inácio nos Exercícios Espirituais, quando faz você pedir perdão por todos os pecados que cometeu, ele faz você chegar até a vergonha, e se você não tem a graça da vergonha, não pode ir adiante. Um dos insultos que temos na minha terra é “você ser um sem-vergonha” e acredito que a Igreja não pode ser “uma sem-vergonha”. Ela deve se envergonhar das coisas ruins, assim como (dizer) agradecer a Deus pelas coisas boas que faz. Isto eu posso lhe dizer: (nós) temos toda a boa vontade de ir em frente, também graças à sua ajuda.

6) Vânia De Luca (Rai-Tg3)

Vossa Santidade, o senhor falou sobre os migrantes nestes dias. Quatro navios na costa da Sicília, com centenas de mulheres, homens, crianças, em dificuldade, mas nem todos podem desembarcar. O senhor teme que na Itália tenha voltado uma política de “portos fechados” da direita e como avalia a posição sobre isso de alguns países do norte da Europa? Eu queria perguntar também em geral: que impressão, que opinião o senhor tem sobre o novo governo italiano, que pela primeira vez é liderado por uma mulher?

… Eh é um desafio, é um desafio. Sobre os migrantes, o princípio: os migrantes devem ser acolhidos, acompanhados, promovidos e integrados. Se não forem feitos estes quatro passos, o trabalho com os migrantes não será bom. Acolhidos, acompanhados, promovidos e integrados, chegar ao ponto de integração. A segunda coisa que digo: todos os governos da União Europeia devem entrar de acordo sobre quantos migrantes podem receber. Pelo contrário, há quatro países que recebem migrantes: Chipre, Grécia, Itália e Espanha que são os mais próximos do Mediterrâneo, mas internamente existem alguns, como a Polônia, Belarus… mas (falando) dos grandes migrantes do mar: a vida deve ser salva. Hoje, você sabe que o Mediterrâneo é um cemitério? Talvez o maior cemitério do mundo. Acho que a última vez eu lhes disse que li um livro em espanhol chamado Hermanito, é pequeno e se lê rapidamente, acho que certamente foi traduzido para o francês e também para o italiano. Pode ser lido rapidamente em duas horas.

É a história de um menino da África, não sei se da Tanzânia ou de outro lugar, que, seguindo os passos do irmão, chegou à Espanha: sofreu cinco escravidão antes de embarcar! Muita gente, conta ele, é levada à noite para esses barcos – não para os grandes navios que têm outra função – e se não quiserem embarcar: pum, pum! E são deixados na praia. O que essas pessoas fazem é realmente uma ditadura da escravidão – e depois há o risco de morrer no mar. Se você tiver tempo, leia isso, que é importante. A política migratória deve ser acordada entre todos os países, não se pode fazer uma política sem consentimento, e a União Europeia deve assumir uma política de colaboração e ajuda, não pode deixar Chipre, Grécia, Itália e Espanha com a responsabilidade de todos os migrantes que chegam às praias. A política dos governos até agora tem sido salvar vidas, isso é verdade.

Até certo ponto isso foi feito e acredito que esse governo (italiano) tenha a mesma política. Não conheço os detalhes, mas acho que não queira ir embora, acredito que já fez desembarcar as crianças, as mães, os doentes, pelo que ouvi, pelo menos a intenção tinha. A Itália pensamos aqui… este governo não pode fazer nada sem o acordo com a Europa, a responsabilidade é europeia, e então eu gostaria de mencionar outra responsabilidade europeia sobre a África. Acredito que tenha dito isso uma das grandes mulheres estadistas que tivemos e temos, Merkel. Ela disse que o problema dos migrantes deve ser resolvido na África, mas se pensarmos na África com o lema: a África deve ser explorada, é lógico que os migrantes, as pessoas fogem daquele resultado. Devemos, a Europa deve tentar fazer planos de desenvolvimento para a África.

Pensar que alguns países da África não são donos de seu próprio subsolo, que ainda depende das potências coloniais! É hipocrisia resolver o problema dos migrantes na Europa. Devemos resolvê-los também na casa deles. A exploração das pessoas na África é terrível para essa concepção. No dia 1º de janeiro tive um encontro com estudantes universitários da África. O encontro foi o mesmo que eu tive com a Universidade Loyola dos Estados Unidos. Aqueles estudantes têm uma capacidade, uma inteligência, criticidade, vontade de seguir em frente, mas às vezes não podem por causa da força colonialista que a Europa exerce em seus governos. Se quisermos resolver definitivamente o problema dos migrantes, devemos resolvê-lo na África. Os migrantes que vêm de outras partes são menores, são menos, mas temos a África, ajudemos a África. O novo governo começa agora. Eu estou aqui: desejo-lhe o melhor. Eu desejo sempre o melhor a um governo porque o governo é para todos e desejo o melhor para que possa fazer progredir a Itália, e a todos os outros que são contrários ao partido vencedor, que colaborem com criticidade, com a ajuda, mas um governo de colaboração, não um governo onde movem o seu rosto, fazem você cair se não gostam de uma coisa ou outra. Por favor, eu em relação a isso chamo à responsabilidade. Diga-me, é justo que desde o início do século até agora a Itália tenha tido 20 governos? Vamos acabar com essas brincadeiras!

7) Ludwig Ring-Eifel (Centrum informationis Catholicum),

Também quero dizer algo pessoal antes de tudo, porque me sinto muito emocionado, porque depois de uma pausa de 8 anos estou de volta ao voo papal. Estou muito grato por estar aqui novamente….

Seja bem-vindo,

Ludwig

Muito obrigado. Nós do grupo alemão somos poucos, apenas três neste voo, pensamos: como podemos fazer uma conexão entre o que vimos no Bahrein e a situação na Alemanha. Porque no Bahrein vimos uma Igreja pequena, um pequeno rebanho, uma Igreja pobre, com muitas restrições e assim por diante, mas uma Igreja animada, cheia de esperança, que cresce. Na Alemanha, por outro lado, temos uma grande Igreja, com grandes tradições; rica, com teologia, dinheiro e tudo mais, mas perdendo trezentos mil fiéis a cada ano, que vão embora, que estão em profunda crise. Há algo a aprender com este pequeno rebanho que vimos no Bahrein para a grande Alemanha?

A Alemanha tem uma velha história religiosa. Citando Hoelderlin, direi: “muitas coisas viveram, muitas”. Sua história religiosa é grande e complicada, de lutas. Eu digo aos católicos alemães: a Alemanha tem uma grande e bela Igreja Evangélica; eu não gostaria de outra, que não será (nunca) tão boa quanto essa; mas a quero católica, à católica, em fraternidade com a Evangélico. Às vezes perdemos o sentido religioso do povo, do Santo Povo fiel de Deus, e caímos em discussões de ética, discussões de conjuntura, discussões que são consequências teológicas, mas não são o núcleo da teologia. O que pensa o Santo Povo fiel de Deus? Como o povo santo de Deus se sente? Ir até ele e procurar saber como se sente, aquela religiosidade simples, que você encontra nos avós. Não estou dizendo para voltar atrás, não; mas à fonte de inspiração nas raízes.

Todos nós temos uma história de raízes de fé; até mesmo os povos a têm: reencontrá-la! Vem-me em mente a frase de Hoelderlin para nossa idade: “o homem velho deveria cumprir o que prometeu quando criança” Nós, em nossa infância… prometemos muitas coisas, muitas coisas. Agora entramos em discussões éticas, em discussões conjunturalistas, mas a raiz da religião é a bofetada no rosto que o Evangelho nos dá, o encontro com Jesus Cristo vivo: e dali as consequências, todas elas; dali a coragem apostólica, dali ir para às periferias, também as periferias morais do povo para ajudar; mas do encontro com Jesus Cristo. Se não houver o encontro com Jesus Cristo, haverá uma ética disfarçada de cristianismo. Isto é o que eu queria dizer, mas do fundo do coração. Obrigado.

(Transcrição feita pelo Dicastério para a Comunicação)

 

Jonatan Rocha| “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro”. (Ap 7,14) Deus é
Jonatan Rocha| “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro”. (Ap 7,14)

Deus é Santo, essa é uma verdade que afirmamos em cada Celebração Eucarística  ao dizermos “Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do Universo…”, antes ainda, em todos os Prefácios se afirma: “[…] é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo lugar, Senhor, Pai Santo, Deus Eterno e Todo Poderoso”. Além disso, a Igreja declara “[…] vós sois santo e fonte de toda santidade]” e é exatamente isso que ela celebra nesta Solenidade de Todos os Santos.

Na primeira leitura, vemos que era necessário que os anjos marcassem na fronte os servos de Deus. O anjo vindo do Oriente trazia a marca do Deus vivo. A multidão que ali se apresentava era tão numeroso “que ninguém podia contar” (Ap 7,2). Aquele gente numerosa exaltava e adorava a Deus, diante do seu trono, isto é, diante de sua Santidade.

A Santidade de Deus é a sua absoluta separação do impuro e do profano. A palavra santidade quer dizer originalmente isso, separação. Segundo os santos, este é o principal atributo de Deus, que não somente indica caminhos do bem, mas ele é a própria Bondade, Verdade, Justiça, etc. Sua santidade, embora inacessível ao homem por si só, é chamado por ele a compartilhar de sua glória, marcando a fronte, cada ser de uma maneira única, profunda e amorosa, a ponto de mudar completamente suas feições, internas externas: “Esses são os que vieram da grande tribulação. Lavaram e alvejaram as suas vestes no sangue do Cordeiro” (Ap 7, 14).

Por essa razão, é que pergunta o salmista sobre quem subirá ao monte do Senhor e sua habitação santa? A resposta vem em seguida: “Quem tem mãos puras e inocente coração, quem não dirige sua mente para o crime” (Sl 23, 4). Aquele que alcançou o trono da graça, encaminha toda a sua vida para os caminhos da justiça, da paz, do amor, do bem, enfim, acolhe e segue verdadeiramente os caminhos do Três Vezes Santo! “Mas nem sequer se manifestou o que seremos!” (1Jo 3, 2).

Pelo batismo já somos chamados à santidade, a assumirmos a vida divina que habita já em nós, já que fomos mergulhados no sangue do Cordeiro, feitos criaturas novas, purificados por ele (cf. 1Jo 3, 3), razão pela qual Paulo chama os cristãos de santos.

A celebração de Todos os Santos ou mesmo de um santo em particular, conforme se faz no decorrer do ano litúrgico, é a exultação e júbilo da Igreja que adora e rende louvor e ação de graças Aquele verdadeiramente santo, que purifica a todos que nele esperam de coração puro e vigilante.

Parafraseando São João da Cruz, podemos dizer que o que Deus pretende é fazer-nos santos, por participação, sendo que ele é santo por natureza, tal como o fogo que tudo vai transformando em fogo. O que Deus pretende é que sejamos santos, pertencentes aquela multidão adoradora, à raça dos bem-aventurados: “Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus” (Mt 5, 12a).

Jonatan Rocha do Nascimento

Seminarista do 4º ano de teologia

Paróquia de origem: São João Batista, Cariacica Sede, Cariacica – ES;

Paróquia de pastoral: São Pedro, Muquiçaba, Guarapari – ES.

A comunidade São José na paróquia Sta. Rita de Cássia em Vila Velha foi invadida na noite de 3 para 4 de novembro. A

A comunidade São José na paróquia Sta. Rita de Cássia em Vila Velha foi invadida na noite de 3 para 4 de novembro. A descoberta foi feita pelo coordenador, quando pela manhã foi abria a Comunidade para que os trabalhadores iniciassem os trabalhos do dia. A igreja está sendo reformada. Os invasores levaram caixas de som, microfones e, o mais grave, o Sacrário onde estavam as hóstias consagradas. O boletim de ocorrência foi realizado na manhã de hoje, 4 de novembro.

Pela profanação da Eucaristia, a Comunidade fará um ato de reparação com adoração ao Santíssimo e terminando com a missa e bênção às 19h30 no próximo domingo, dia 6 de novembro.

 

Materiais de divulgação do Dia do Pobre já estão disponíveis. Veja na matéria publicada no site da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Materiais de divulgação do Dia do Pobre já estão disponíveis. Veja na matéria publicada no site da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Os organizadores da celebração brasileira do Dia Mundial dos Pobres disponibilizaram mais três materiais para divulgação da data, criada pelo Papa Francisco em 2016. São oferecidos spots de áudio para serem utilizados nas rádios de todo o Brasil. O material contém uma divulgação da jornada, entre os dias 6 e 13 de novembro deste ano, bem como reflexões sobre a cultura do descarte e sobre as causas da miséria.

Neste ano, o Papa Francisco motivou a reflexão para a sexta edição do Dia Mundial dos Pobres a partir do texto bíblico da segunda carta aos Coríntios: “Jesus Cristo fez-se pobre por vós” (cf. 2 Cor 8, 9). A intenção com o convite – tomado do apóstolo Paulo – é manter o olhar fixo em Jesus, que, “sendo rico, se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza”.

Já o tema escolhido pela Igreja do Brasil para animar esta VI Jornada é “Dai-lhes vós mesmos de comer!”, em consonância com a Campanha da Fraternidade 2023, que traz o tema “Fraternidade e fome”, e o lema “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16).

Além dos spots de rádio, estão disponíveis outros materiais de divulgação, como a identidade visual, cartaz em pdf, arte para camiseta e ilustração oficial da iniciativa. Os organizadores também disponibilizaram o caderno formativo, um subsídio para o VI Dia Mundial dos Pobres.

Confira e baixe os materiais:

📙 Acesse aqui o caderno formativo

A história da Jornada Mundial dos Pobres

No dia 20 de novembro de 2016, na conclusão do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, o Papa Francisco instituiu o Dia Mundial dos Pobres. Na mensagem de lançamento ele disse: “Este dia pretende estimular, em primeiro lugar, os crentes, para que reajam à cultura do descarte e do desperdício, assumindo a cultura do encontro. Ao mesmo tempo, o convite é dirigido a todos, independentemente da sua pertença religiosa, para que se abram à partilha com os pobres em todas as formas de solidariedade, como sinal concreto de fraternidade”.

No Brasil, nos primeiros anos, a CNBB confiou à Cáritas Brasileira a animação e a mobilização do Dia Mundial dos Pobres. A entidade, nesse período, já realizava a Semana da Solidariedade – para pensar e agir por um país justo, fraterno, igualitário, solidário e amoroso, por ocasião de seu aniversário de fundação, 12 de novembro de 1956. A partir da III Jornada Mundial dos Pobres, as Pastorais e Organismos Sociais ligados à Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Socio-transformadora da CNBB assumiram coletivamente a animação e mobilização do Dia Mundial dos Pobres.