Sempre no mês de setembro a Igreja é chamada a conhecer mais profundamente a Palavra de Deus. Já são cinquenta anos de comemorações e de estudos que facilitam o aprendizado da Bíblia. O encerramento deste tempo se dá na data da festa de São Jerônimo, tradutor da bíblia para o latim.
O Mês da Bíblia começou a ser festejado em 1971, primeiramente como uma ação da arquidiocese de Belo Horizonte e contou com o importante apoio das Irmãs Paulinas por meio do Serviço de Animação Bíblica – SAB. Hoje a comemoração é nacional e tem o objetivo de colaborar com a difusão e a vivência da Palavra de Deus, bem como estimular a criação e o estudo de materiais e subsídios bíblicos que ajudam no entendimento dos textos bíblicos.
Promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil -CNBB, por meio da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética, este cinquentenário do Mês da Bíblia chama a Igreja a estudar o livro dos Gálatas e traz como lema: “Pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28d).
Mas a Bíblia é um livro de estudo ou de oração? Pe. Andherson Franklin, do clero da diocese de Cachoeiro de Itapemirim, Doutor e Professor em Sagrada Escritura assim explicou: “a Bíblia tanto deve ser lida, estudada, quanto rezada. Pois, como Palavra de Deus que é e torna-se alimento sempre. Porém, em alguns momentos ela nos conduz nos momentos de oração e em outros ela é refletida e estudada, a fim de nos garantir conhecer ainda mais os mistérios da Fé”.
Curiosidade
Você sabe quais são as diferenças entre a Bíblica católica e a protestante?
Católicos e protestantes têm a Bíblia como o livro sagrado que orienta a vida dos fiéis, por conter a revelação divina. Mas a Bíblia dos Católicos e dos Protestantes não é exatamente igual. O que as diferencia é a quantidade de livros do Antigo Testamento e, claro, o fato de 7 deles (Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico I e II e, alguns fragmentos dos livros de Ester e Daniel) terem sido suprimidos no cânon protestante. Assim, quando falamos de Antigo Testamento “o cânon católico contém 46 livros e o protestante 39”. “Quando no séc. XVI a Igreja sofreu a divisão, os Protestantes recorreram à sagrada Escritura do povo judeu e descobriram que lá se encontravam somente 39 livros escritos em hebraico, já a Igreja Católica acolheu os outros sete que foram escritos, em sua totalidade ou em partes, em grego”, explicou pe. Andherson. Quanto ao Novo Testamento a Bíblia dos Católicos e dos Protestantes é igual. Católicos e protestantes comemoram o Dia da Bíblia, porém, em datas diferentes.
Entrevista
Conversamos com pe. Arthur Francisco Juliatti dos Santos, Doutor e Professor em Sagrada Escritura e Coordenador pedagógico do Curso de Teologia da Arquidiocese de Vitória sobre a data e a importância desta comemoração.
O que comemoramos no Dia da Bíblia?
Comemoramos a Bíblia a Palavra de Deus viva, que se tornou carne e armou a sua tenda entre nós (cf. Jo 1,14) Na verdade, as Igrejas Cristãs têm duas celebrações do Dia da Bíblia: uma para a Igreja Católica, no dia 30 de setembro e outra para as Igrejas Protestantes, no segundo domingo de dezembro.
A celebração católica coincide com a memória de São Jerônimo, que foi o tradutor da Bíblia para o latim. Sua obra é conhecida com o nome de Vulgata. Ele viveu no final do século IV, fez a tradução em uma das grutas anexas à do nascimento de Jesus em Belém, e esta tradução foi a Bíblia oficial da Igreja católica durante muitos séculos.
No Brasil, além desse dia, a Igreja Católica dedica, em modo especial, o mês de setembro de cada ano à leitura e estudo da Palavra de Deus.
A história do mês da Bíblia afunda suas raízes na 1ª Semana Bíblica Nacional, celebrada em 1947. A partir de então começou-se a celebrar o Domingo da Bíblia, no último domingo do mês de setembro, como fazemos até hoje.
A partir de então, a Igreja no Brasil começou a celebrar o Mês da Bíblia, a partir de uma iniciativa pioneira da Arquidiocese de Belo Horizonte (MG), que se expandiu para o regional Leste 2. Em 1976, a celebração do Mês da Bíblia foi assumida pela CNBB e em todo Brasil.
No caso dos Protestantes, a celebração no segundo domingo de dezembro, tem como raiz uma tradição europeia, do século XVI, quando se dava uma ênfase especial à Palavra de Deus no segundo domingo do Advento, tempo de preparação para o Natal, onde tudo nos convida a aproximar-nos de Deus em sua Palavra, verbo que se encarnou em Jesus.
Como o senhor percebe o trabalho bíblico na Arquidiocese de Vitória?
Nos passos do Concílio Vaticano II, nossa Arquidiocese sempre manteve uma preocupação muito profunda com o estudo da Palavra de Deus. E isto, em dois níveis. Um primeiro nível, aquele de uma leitura, que diria, mais pastoral-mistagógica. Aqui temos os tradicionais Círculos Bíblicos, nos tempos litúrgicos fortes, especialmente nos tempos da Quaresma e do Advento, em especial com as Novenas de Natal, confeccionados pela Dimensão Bíblico-Catequética e pelo Cebi.
Um segundo nível é aquele de uma abordagem mais científica da palavra, nos cursos de Teologia para Leigos, paroquiais e nas Áreas Pastorais, bem como em cursos de aprofundamento bíblico paroquiais, assim como no Curso de Teologia do Instituto Interdiocesano de Filosofia e Teologia, casa de formação do Clero do Estado do Espírito Santo, alguns Religiosos (as) e Leigos (as).
Onde o senhor inclui a Bíblia na prática espiritual do católico?
A aproximação à Bíblia se dá, na prática espiritual, em dois níveis, ou duas abordagens que estão muito presentes em nossa vivência cristã. Como Leitura Orante da Palavra. E isso com métodos que são apresentados por diversos Movimentos Apostólicos e Pastorais Específicas e, ao mesmo tempo, a partir de uma aproximação mais pessoal, na Leitura Espiritual que ilumina e fortalece. Esses dois níveis se entrelaçam e se intercomunicam entre si, gerando uma prática que esteja enraizada na prática libertadora de Jesus.
Como se relacionam a Bíblia e as práticas devocionais?
As devoções têm muito a ver com a busca de espiritualidade, numa tentativa de relacionar a vida do dia a dia com o Sagrado, ou o Mistério (isso se chama mística). No fundo, em geral, as práticas devocionais se caracterizam como a busca de uma mística que ilumine toda a existência. Do ponto de vista das três grandes religiões monoteístas do mundo, a fé, com suas práticas devocionais são inspiradas pela Escritura Sagrada, no nosso caso – Cristãos e Judeus – a Bíblia Sagrada. Para nós Cristãos, Antigo e Novo Testamentos, no caso dos Judeus, o Antigo Testamento. No caso dos Muçulmanos, o Alcorão.
No nosso caso, Cristãos Católicos, as práticas devocionais, se não se relacionam com a Bíblia, tornam-se verdadeiras fantasias e práticas mágicas. E a fé deve superar tudo aquilo que é magia, de forma que tais práticas se encarnem na vida para transformá-la, em todos os níveis, naquele pessoal, bem como social. E tudo isso deve ter sua fonte na Bíblia Sagrada.



A pedido do Arcebispo Metropolitano de Vitória, Dom Dario Campos, padres da área Pastoral Serrana estão visitando as escolas da região. Segundo padre Rodrigo Chagas, Administrador paroquial da paróquia São Sebastião do Alto Guandu, essa proposta foi apresentada na última reunião de Dom Dario com os padres da área e nesta semana, na segunda-feira (13), ele já esteve em duas escolas participando de formações e dando uma palestra motivacional.
Tatiana das Graças M. Zambom é há 7 anos a diretora do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Dioclézio Tosta das Neves, localizado no interior de Afonso Claudio. Ela e a pedagoga Patricia Lerbarch relatam que quando receberam a notícia que teriam uma formação com os funcionários do CMEI e que teria um momento motivacional, lembraram do Padre Rodrigo e fizeram o convite para que ele participasse.

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