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Victor Nodari| Dando seguimento a nosso itinerário penitencial, neste segundo domingo da Quaresma, a liturgia nos propõe o evangelho da Transfiguração de Jesus: ́
Victor Nodari|

Dando seguimento a nosso itinerário penitencial, neste segundo domingo da Quaresma, a liturgia nos propõe o evangelho da Transfiguração de Jesus: ́ ́Naquele tempo, Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para rezar. Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante.“ (Lc 9, 28). Enquanto no domingo passado o Evangelho nos apresenta Jesus tentado pelo Diabo, afirmando assim a natureza humana de Jesus, o relato de hoje atesta que a sua humanidade não esgota o mistério de sua pessoa, porque nos permite vislumbrar que ele também é Deus plenamente.

Assim, de forma pedagógica a Igreja os coloca em sequência no início do tempo da Quaresma, nos apresentando pela reflexão destes, o mistério do Deus-homem, bem como, ensina o Papa Emérito Bento XVI, antecipam o mistério pascal, isto é, a luta de Jesus com o tentador introduz o grande duelo final da Paixão, enquanto a luz do seu Corpo transfigurado antecipa a glória da Ressurreição. Por um lado vemos Jesus plenamente homem, que partilha conosco até à tentação, por outro, contemplamo-lo como Filho de Deus, que diviniza a nossa humanidade. Deste modo, poderíamos dizer que estes dois domingos servem de pilares sobre os quais se baseia todo o edifício da Quaresma até à Páscoa, e aliás, toda a estrutura da vida cristã, que consiste essencialmente no dinamismo pascal: da morte à vida.

Lucas escreve que Jesus subiu ao monte Tabor para rezar e que está em oração enquanto se transfigura, indicando que só num profundo caminho de interioridade podemos descobrir a beleza de pertencer a Deus. Irmãos e irmãs, precisamos urgentemente redescobrir em nossa fé o aspecto da oração, do encontro íntimo e fecundo com a Palavra de Deus, para torná-la uma leitura orante, prolongada e que produza frutos, um encontro íntimo e pessoal com Deus. Neste sentido o Papa Francisco nos faz um convite, indicando um caminho para bem vivermos a Quaresma: Subamos ao monte com a oração: a prece silenciosa, a oração do coração, a oração, sempre à procura do Senhor. Permaneçamos alguns momentos em recolhimento, um pouquinho todos os dias, fixemos o olhar interior na sua face e deixemos que a sua luz nos invada e se irradie na nossa vida. Assim poderemos ressuscitar para uma vida, na presença constante de Deus.

É justamente para a ressurreição que Jesus busca preparar os discípulos com a visão da montanha, de forma pedagógica, Ele antecipa a visão de Cristo Glorioso, transfigurado, que eles terão quando depois de vê-Lo ser desfigurado e morto na cruz, Ele se apresentar tangivelmente vivo. Também porque, relata o evangelista, Moisés e Elias falaram com Jesus “sobre o seu êxodo, que estava para acontecer em Jerusalém”. Falavam, portanto, da Páscoa, ou seja, passagem, da morte e ressurreição do Deus-homem, considerada como mais um êxodo.

O primeiro é o dos israelitas que, do Egito, onde eram escravos, Deus conduziu, por meio de Moisés, à terra prometida. O novo êxodo é o de Jesus, que estava prestes a deixar este mundo e entrar plenamente na glória divina. Mas não sozinho! “Vou preparar-vos um lugar”, disse antes de subir ao céu: morreu, ressuscitou e voltou para o Pai, para permitir que cada homem faça o seu próprio êxodo pessoal, a sua própria Páscoa, passando deste mundo, marcado pela escravidão do mal, para a verdadeira terra prometida, o mundo perfeito, onde Ele está, Ressucitado, Glorioso. Não é por acaso que esta página do Evangelho é lida na Quaresma: o episódio vale como preparação para a nossa Páscoa, aquela que celebraremos daqui a um mês e por sua vez antecipação da Páscoa definitiva.

Assim como com os Discípulos, também nós somos convidados a subir ao monte Tabor na companhia de Jesus, para fazer a experiência com o Cristo transfigurado, a experiência que transforma a vida, mas atentos, para não cairmos no comodismo de permanecer no monte. Mas por que descer? Por que deixar a paz e serenidade do monte, para descer ao vale, onde teremos provações, guerras, pandemia. A resposta é clara: porque a experiência do encontro com o Senhor Transfigurado e Glorioso deve nos encorajar e nos levar a descer do monte, a ir ao vale, junto aos pobres e marginalizados, nas periferias existenciais, levando a luz do Transfigurado àqueles rostos e vidas desfiguradas pelo desânimo, pela falta de fé e por tantas outras dificuldades, sem jamais esquecer que Ele desce conosco, que vai junto a nós.

Somente empenhando-nos, doando verdadeiramente nossa vida no vale, é que poderemos subir definitivamente ao monte, para vivermos a eternidade junto a Nosso Senhor Jesus Cristo. Somente passando pelo monte Calvário é que podemos chegar definitivamente ao Monte Tabor. Que neste tempo da quaresma, possamos refletir se nossa vida tem sido verdadeiramente Luz para os rostos desfigurados, se temos ido ao encontro dos irmãos necessitados, se temos direcionado nossa caminhada da vida em direção ao monte Tabor, a eternidade com Cristo. Olhando a Virgem Maria possamos aprender a permanecer com Jesus, pois somente permanecendo com Ele veremos a sua glória.

 

Victor Antenor Ferrari Nodari

Seminarista do 1º ano de Filosofia.

Paróquia de origem: São Pedro, Jacaraípe, Serra-ES.

Paróquia de pastoral: Santa Isabel, Santa Isabel, Domingos Martins-ES.

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BENTO XVI. Angelus. Praça de São Pedro, 17 fev. 2008. Não paginado. Disponível em: https://www.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/angelus/2008/documents/hf_ben-xvi_ang_20080217.ht ml . Acesso em: 09 março 2022.

FRANCISCO. Angelus. Praça de São Pedro, 17 mar. 2019. Não paginado. Disponível em: https://www.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2019/documents/papa-francesco_angelus_2019 0317.html. Acesso em: 09 março 2022.

No dia de ontem (11/03) com a alegria de sempre, recebemos em nosso Seminário o querido padre Roberto Camillato, para celebrar conosco seu aniversário

No dia de ontem (11/03) com a alegria de sempre, recebemos em nosso Seminário o querido padre Roberto Camillato, para celebrar conosco seu aniversário de profissão religiosa.

São 45 anos de oferta à Santa Igreja, dos quais, 22 foram dedicados à reitoria do Santuário Santo Antônio, localizado em nossa arquidiocese. Padre Roberto também presta seu auxílio ao Seminário, como diretor espiritual.

No contexto das comemorações, padre Roberto presidiu a celebração eucarística que foi concelebrada pelo Reitor de nosso Seminário, Pe. Jorge Campos Ramos, que no final da celebração dirigiu palavras de agradecimento ao Padre Roberto por sua doação e disponibilidade em servir. Na homilia proferida, Pe. Roberto contou-nos um pouco de sua trajetória vocacional fazendo alusão a passagem bíblica do Livro de Ester na qual a Rainha em suas orações pessoais coloca-se inteiramente à disposição do Senhor. Além disso, com muita alegria expressou o prazer que sente ao permanecer conosco, orientando os vocacionados de nossa Casa e confirmando-nos sua fidelidade ao Evangelho e as bençãos que esta resposta de amor traz à vida.

Após a missa foi servido jantar, onde padre Roberto pode compartilhar um pouco de suas histórias, especialmente as vividas em nosso seminário, quando ainda criança.
Ao final foi cantado o parabéns,  somando-se ao Padre Roberto os aniversariantes de nossa comunidade formativa, dos meses de Janeiro, Fevereiro e Março.

Elevemos ao Bom Deus um sincero louvor, pela vida deste servo tão amado por todos nós!

“Seduziste-me Senhor e eu me deixei seduzir” (Jr 20,7). Guiados por este divino chamado, 11 jovens apresentaram-se ontem (Domingo, 13 de fevereiro) à Casa

“Seduziste-me Senhor e eu me deixei seduzir” (Jr 20,7).

Guiados por este divino chamado, 11 jovens apresentaram-se ontem (Domingo, 13 de fevereiro) à Casa de Formação Bom Pastor, para iniciar o processo formativo rumo ao sacerdócio.

Após um ano de discernimento junto aos encontros vocacionais, o jovem que decidiu-se pela vocação sacerdotal é convidado a ingressar no Propedeutico, ou período introdutório, onde permanecerá por um ano unido à sua comunidade fraterna.

Ao findar este período, o candidato solicita, caso assim o queira, o ingresso na comunidade de filosofia, na qual prosseguirá sua jornada.

Oremos, a fim de que, à luz da Palavra de Deus, possam viver o corrente ano com muita sabedoria e o olhar sempre atento ao Nosso Senhor Jesus Cristo, o Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas.

Durante a última semana, entre os dias 31/01 a 04/02, na Casa de Retiros São Francisco Xavier em Santa Isabel (Domingos Martins – ES)
Durante a última semana, entre os dias 31/01 a 04/02, na Casa de Retiros São Francisco Xavier em Santa Isabel (Domingos Martins – ES) aconteceu o tradicional Retiro Espiritual Anual do Seminário Nossa Senhora da Penha, no qual os vocacionados tem a oportunidade de se aprofundar e renovar sua espiritualidade em preparação para mais um ano formativo.
Nesta edição, o retiro é pregado pelo Pe. José Paulino Francisco Neto, Administrador Paroquial da Paróquia São Pedro, na Grande São Pedro, em Vitória – ES. O presbítero é oriundo da Diocese de Araçuaí, porém atualmente se encontra em nossa Igreja particular em virtude da dedicação a seus estudos.
A segunda noite de atividades contou com a Celebração Penitencial, momento muito oportuno para a revisão de vida neste momento inicial de mais um ano. A cerimônia foi presidida pelo Pe. Zaelton Costa, Administrador Paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Viana – ES. Outros padres também fizeram-se presentes, para auxiliar no atendimento das confissões.
No terceiro dia de Retiro, data em que a Igreja celebrou a Festa da Apresentação do Senhor, à noite realizou-se uma Procissão Luminosa, seguida da Santa Missa. Na quinta-feira, 4º dia, a programação foi encerrada com um momento de Adoração ao Santíssimo Sacramento, conduzido pelo pregador. Pela manhã de sexta-feira, dia 04 de fevereiro, as atividades foram encerradas com a Santa Missa, votiva ao Sagrado Coração de Jesus.
Durante essa semana, os seminaristas tiveram oportunidade de realizar diversas meditações sobre a vocação sacerdotal, bem como aprofundar-se no encontro íntimo com Cristo. Continuemos unidos em oração, para que o Senhor da messe envie muitos e santos pastores!
Confira abaixo alguns registros deste momento:
Na manhã desta segunda-feira (07), nosso Arcebispo celebrou a Santa Missa por ocasião da abertura do primeiro semestre letivo de 2022. Além de Dom

Na manhã desta segunda-feira (07), nosso Arcebispo celebrou a Santa Missa por ocasião da abertura do primeiro semestre letivo de 2022.

Além de Dom Dario concelebraram a Eucaristia, Dom Paulo Bosi (Bispo de São Mateus), Dom Lauro Sérgio Versiani (Bispo de Colatina), além dos professores e reitores de nossa Província.

Em sua homilia, o Arcebispo de Vitória destacou a importância dos estudos acadêmicos na formação presbiteral e seu destaque na construção de uma sociedade mais justa. Reiterando as palavras do salmista (Sl 131, 6-7.8-10), Dom Dario exortou que todos realizassem a experiência de ir ao encontro de Deus com a alegria própria daqueles que são seus discípulos amados, da mesma forma que Jesus – nosso Mestre e Senhor – foi ao encontro dos mais pequenos, dos doentes e marginalizados. Ao final da cerimônia, os docentes realizaram o juramento de fidelidade e a profissão de fé, conforme as orientações do Papa Francisco.

Após a Eucaristia houve no Auditório do Centro Católico de Estudos, a aula inaugural do Ano Letivo proferida pelo Pe. Edgar Rigoni, com o tema “A formação dos Presbíteros na Igreja no Brasil segundo o Documento 93 da CNBB: uma resposta à condição atual do homem e sua experiência com Deus”.

Pe. Edgar, exerce o cargo de Reitor do Seminário Maior Maria Mãe da Igreja, da Diocese de Colatina e é Mestre em Antropologia Teológica pela Pontificia Facoltà Teologica – TERESIANUM – em Roma.

Rezemos por nossos jovens, que se empenharão na formação para melhor servir ao povo de Deus.

 

Na noite de ontem (20/12), a comunidade do Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora da Penha – juntamente com os Bispos, Reitores, diretores espirituais e colaboradores-,

Na noite de ontem (20/12), a comunidade do Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora da Penha – juntamente com os Bispos, Reitores, diretores espirituais e colaboradores-, se reuniu para a tradicional Missa de ação de graças e confraternização de encerramento do ano.

Este momento marca o retorno dos Seminaristas para junto de suas famílias, além de estreitar os laços de amizade e fraternidade na comunidade formativa.

Em nossas orações, incluímos todos aqueles que colaboraram conosco, com suas orações e ajuda material, durante todo este ano.

Abaixo confira as fotos deste feliz momento. Demos graças a Deus!

Anexos

“Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas’”. As duas primeiras semanas do Advento possuem

Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas’”.

As duas primeiras semanas do Advento possuem um caráter Escatologico¹ marcado pela espera da segunda vinda de Jesus, momento propício para uma reflexão maior por meio da liturgia e mística cristã próprias do tempo.

Este segundo domingo possui um apelo a conversão, e por conseguinte um caráter penitencial. O evangelho nos apresenta a figura de João Batista e sua missão de anunciar Jesus Cristo, Joãoresponsável por pregar um batismo de conversão para remissão dos pecados como está escrito nas palavras do profeta Isaias: Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas.(cf. Lucas 3,3-5)

Fica evidenciado que João Batista ao pregar a conversão, prega aquele que batizara não somente com água, mas com Espirito de Verdade e Vida. No entanto, pede aos homens que eliminem de suas vidas os prazeres mundanos que atrapalham sua caminhada de fé, e se lancem nas mãos de Deus, ouvindo a voz daquele que clama no Deserto.

Ouvir a voz que clama no deserto é primordial e necessário, mas somos responsáveis por nosso próprio caminho de salvação. A história de salvação se realiza dentro de cada um de nós pois somos protagonistas do nosso caminho mostrando-nos que as forças externas a nós os “reinos” desse mundo passarão e que nada substitui o Reino de Deus que é para todos.

Participar desse reino de esperança não é viver um Advento e principalmente um Natal de puro sentimentalismo como aquele que chora por coisas vãs que acontecem na vida, mas com a alegria daqueles que se encontraram com o Filho de Deus e sabem que Ele veio e sempre vira até cada um de nós e a todos.

Tanto evangelho quanto a segunda leitura chamam a atenção para o fato de que “todos” pode ser traduzido com a comunidade que deve se preocupar com o anúncio profético e se solidarizar com aqueles que fazem a opção pelo Evangelho, e que a própria comunidade deve dar testemunho de caridade, pois é retirando todas as divisões que conseguiremos dar testemunho de Jesus Cristo que vem.

Sendo assim a conversão é um passo pessoal em que eu me deixo envolver pela graça de Deus, queendireita meu coração preenche todo o meu vazio existencial, rebaixa todo o meu egoísmo que me impede de olhar o meu irmão,sabendo que todo isso é dom de Deus iniciada pela Salvação nos oferecida por Jesus Cristo.

Portanto a melhor maneira ontem e hoje de viver esse período de Advento é a preparação sincera de nosso coração para que nos apresentemos diante de Cristo puros e irrepreensíveis, e que seu amor cresça cada vez mais em nós.

Marwin Amaral Martins
Seminarista do 2° ano de Teologia

Paróquia de origem: São João Batista – Sede – Cariacica.
Paróquia de estágio pastoral: Bom Pastor – Praia da Costa – Vila Velha.

Referências:

 

Marcílio Netto I “[…] levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima” (Lc 21,28).  Com a celebração deste I Domingo do

Marcílio Netto I “[…] levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima” (Lc 21,28). 

Com a celebração deste I Domingo do Advento, dá-se início a um novo ano litúrgico na vida da Igreja. O tempo do Advento no início desse novo ciclo tem por objetivo preparar todos os fiéis para celebrar com dignidade a grande solenidade que se aproxima, a saber: o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo.

O termo “Advento” deriva do latim adventus que significa precisamente “vinda/chegada”; e, por isso, a sagrada Liturgia deste primeiro Domingo convida a todos a permanecer vigilantes e preparados para a vinda do Salvador. A Igreja, como fiel esposa de Cristo, anuncia a sua vinda, quer recordando o seu nascimento ou apontando para o futuro: “então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória.” (Lc 21,27).

As leituras bíblicas que compõem a Liturgia da Palavra evidenciam a vinda do Messias como cumpridor das promessas de Deus para com o povo de Israel (cf. Jr 33,14); exortam os fiéis a tomarem consciência da santidade de vida que devem possuir (cf. 1Ts 3,13); e, sobretudo, apontam para o dia do juízo final, quando todos deverão ficar de pé diante de Deus (cf. Lc 21,36).  

O profeta Jeremias (1ª Leitura) vê a vinda do Messias como um cumprimento das promessas de Deus para com o povo de Israel: “eis que virão dias, diz o Senhor, em que farei cumprir a promessa de bens futuros para a casa de Israel e para a casa de Judá” Jr 33,14. Apesar das iniquidades, da idolatria, dos pecados e da infidelidade para com Deus, Ele permanece fiel à sua aliança, de tal forma que “quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher […]” (Gl 4,4).

É da casa de Davi que nascerá o Salvador “[…] farei brotar de Davi a semente da justiça […]” Jr 33,15, a justiça que o profeta está se referindo é a atividade salvífica, Jesus é o Salvador de toda humanidade e levará a cabo o cumprimento de todas as promessas.  

O Papa Bento XVI, celebrando as I Vésperas do I Domingo do Advento, ensina que “Deus não se fechou no seu Céu, mas inclinou-se sobre as vicissitudes do homem: um Mistério grande que chega a superar qualquer expectativa possível. Deus entra no tempo do homem do modo mais impensado: fazendo-se menino e percorrendo as etapas da vida humana, para que toda a nossa existência, espírito, alma e corpo possa conservar-se irrepreensível e ser elevada às alturas de Deus”.

A primeira vinda do Senhor foi de forma simples e humilde, numa família de Nazaré, feito homem gerado no seio da Virgem Maria, e que anunciou o Reino de Deus, convidando todos a uma sincera conversão. Em se tratando da segunda vinda de Cristo, nos narram os textos bíblicos que virá de forma gloriosa, como juiz todo poderoso, e que se manifestará sua justiça, julgando os povos com equidade (cf. Sl 9,8).

É pensando nessa vinda gloriosa que o Apóstolo Paulo invoca o auxílio de Deus sobre a comunidade de Tessalônica (2ª Leitura), para que nesta, crescendo e transbordando o amor nos corações, possa haver uma vida de santidade, “que assim ele confirme os vossos corações numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os seus santos.” (1Ts 3,13).

Não cabe ao homem querer determinar o momento em que se dará a segunda vinda de Jesus, nos Atos dos Apóstolos encontramos: “Não vos compete saber os tempos ou momentos que o Pai reservou em sua autoridade […]” (At 1,7). E nesse sentido, sem revelar o dia de sua volta, Jesus conta para os seus discípulos uma série de sinais que ocorreram quando sua chegada estiver próxima (cf. Lc 21,25-28).

Em meio a tantos acontecimentos desastrosos, que servirão de sinais – nações angustiadas, com pavor, homens vão desmaiar de medo (cf. Lc 21,25-28) – eis que a libertação acontecerá porque o Senhor virá, “Então eles verão o Filho do Homem, vindo numa nuvem com grande poder e glória.” (Lc 21,27).

Na segunda parte do Evangelho de hoje, além de descrever a maneira que procederá esse dia do juízo final: “pois cairá como uma armadilha sobre todos os habitantes da terra.” (Lc 21,35); Jesus apresenta ainda orientações de como se preparar para esse grande dia: com jejuns e orações. Ele não fala diretamente do jejum, mas manda tomar cuidado para que os corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez (cf. Lc 21,34), ou seja, pode-se entender que o jejum ajuda o homem a se preparar para a vinda do Senhor.

Existe uma razão, do porquê o homem precisa estar preparado e vigilante a todo momento: “Portanto, ficais atentos e orai a todo momento, a fim de terdes força par escapar de tudo o que deve acontecer e para ficardes em pé diante do Filho de Homem.” (Lc 21,36). Orar a todo momento: essa foi a recomendação feita por Jesus, assim, é por meio da oração que o homem se relaciona com Deus, ou seja, é pela união com Deus que se tem força para suportar e ficar de pé na presença do Juiz.

Portanto, o Advento é um tempo de espera, não qualquer espera, mas a da vinda de Jesus Cristo para nos libertar. Por isso, nesse itinerário procuremos viver em constante oração, recorrendo sempre à Virgem Maria, por meio do qual nos foi oferecido o Menino Jesus. Ela, discípula fiel do seu Filho, nos conceda a graça de viver esse tempo litúrgico no seio da Igreja, com grande vigilância e diligência, na esperança, no amor e na caridade, para que quando chegar o momento certo, sejamos capazes de permanecer de pé diante do Filho do Homem. 

Marcílio de Araújo Netto

Seminarista do 2º ano de Teologia.

Paróquia de origem: São Sebastião – Afonso Cláudio.

Paróquia de estágio pastoral: Virgem Maria – Itacibá – Cariacica.

BENTO XVI. Um caminho de fé antigo e sempre novo: Pregações para o Ano Litúrgico – Ano C. I vésperas do I Domingo do Advento: Encontro com os universitários dos Ateneus Romanos e das Universidades Pontifícias. Tomo III. 1ª ed. São Paulo: Molokai, 2017.  

 

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Bíblia Sagrada: tradução oficial da CNBB. 2. ed. Brasília, Edições CNBB, 2019.