Notícias da Arquidiocese

No dia 14 de setembro, a Igreja celebra a Festa da Exaltação da Santa Cruz. A data lembra o dia da dedicação das Basílicas

No dia 14 de setembro, a Igreja celebra a Festa da Exaltação da Santa Cruz. A data lembra o dia da dedicação das Basílicas sobre o Gólgota e o Sepulcro de Cristo ressuscitado, construídas durante o Império de Constantino e dedicadas no dia 13 de setembro de 335.

À celebração da Exaltação da Santa Cruz, neste dia 14 de setembro não é uma data escolhida por acaso. Ocorreu uma luta entre romanos e bárbaros, após estes terem invadido Roma e levado um pedaço da Cruz, no ano de 622, o imperador Heráclio tentou fazer um acordo de paz, mas os invasores persas responderam dizendo que os romanos não teriam paz enquanto não adorassem o sol, em vez de um homem crucificado. Diante disso, Heráclio pediu a proteção de Deus, rezou, lutou contra os persas e venceu. “O dia 14 de setembro foi a data em que o pedaço do lenho da Cruz foi reintroduzido na Igreja e, a partir daí o Dia da Santa Cruz, quando houve essa conquista que não foi por força deles, mas por força de Deus.

A história da Igreja registra que muitos santos se dedicaram a estudar a Santa Cruz e a ela prestar veneração. São Cirilo de Jerusalém, por exemplo, dizia que “a Cruz é o sinal dos crentes e o terror dos demônios” e que ela é “uma grande proteção: gratuita, por causa dos pobres; fácil, por causa dos fracos”. Já São João Crisóstomo, bispo e doutor da Igreja, que celebraremos neste domingo, dia 13 de setembro, exortou: “Não te envergonhes de tão grande bem, se não queres que também Cristo se envergonhe de ti quando vier na sua glória e o sinal da Cruz aparecer mais luminoso que os próprios raios do sol”. A Cruz, portanto, é central na vida de todo cristão e é falso um cristianismo sem ela.

A Cruz recorda o Cristo crucificado, o seu sacrifício, o seu martírio que nos trouxe a salvação. Assim sendo, a Igreja há muito tempo passou a celebrar, exaltar e venerar a Cruz, inclusive como símbolo da árvore da vida que se contrapõe à árvore do pecado no paraíso, quando a serpente do paraíso trouxe a morte, a infelicidade a este mundo, incitando os pais a provarem o fruto da árvore proibida.

Paróquia Santa Cruz na Arquidiocese

A Paróquia Santa Cruz, tem como sede o endereço de sua Matriz, a Comunidade Santa Cruz. Assim, oito comunidades compõem a paróquia Santa Cruz. As comunidades pertencentes são: Santa Teresinha do Menino Jesus, Santa Clara, Santo Antônio, Santa Luzia, Cristo Rei, Sagrada Família, São Pedro e São Paulo e a Matriz Santa Cruz.

A instituição da paróquia aconteceu no dia 11 de setembro de 2016. Atualmente o pároco é o padre Solon Lauff Dias, que se encontra ainda hoje. Nos últimos anos voltados para além dos trabalhos pastorais, eles buscam construir a nova matriz. Um templo bem estruturado e com a capacidade de receber o grande número de paroquianos e visitantes.

Reunião de formação para os coordenadores de

Aconteceu na tarde de hoje, 12 de setembro reunião virtual com coordenadores do dízimo da Arquidiocese de Vitória. uma experiência boa que trouxe para cada participante mais um incentivo no exercício de sua missão. A reunião contou com a participação de 82 agentes de pastoral e foi dividida em 3 momentos: Uma palavra de agradecimento e incentivo feito pelo arcebispo, dom Dario Campos, uma palestra e uma breve avaliação da Campanha do Dízimo deste ano.

Esteve com o grupo dom Edson José Oriolo, bispo de Leopoldina em MG. Dom Edson tem, além de Filosofia e Teologia, formação em Filosofia Social e Marketing e é autor do livro recém-lançado pela Editora Paulus com o título Pastoral do Dízimo, da Comunicação ao Comprometimento.

Dom Edson falou de três dimensões do dízimo na visão do Marketing: Evangelizar – Celebrar – Compartilhar. Explicou também que a função do Marketing é atender as necessidades e os desejos das pessoas e no caso da Igreja, atender as necessidades espirituais dos fiéis.

Além de dicas para o trabalho da pastoral, o bispo acentuou que a pastoral deve cuidar e valorizar os dizimistas, fazendo de cada agente alguém que participa da vida do dizimista (alegrias pelo nascimento de um novo membro da família, o casamento de um filho, uma lembrança no aniversário ou uma presença num momento de dificuldade, entre outras).. Dom Edson alertou também que toda a comunidade deve ser acolhedora de maneira a inserir as pessoas na comunidade para que elas se sintam família.

Dom Dario acolheu dom Edson e lembrou de sua passagem por Leopoldina onde foi bispo, relembrou o tema da Campanha do Dízimo deste ano: “Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” e falou um pouco sobre o tema “Uma afirmação de Jesus que nos convida a reconhecer o que é essencial na vida de cada um de nós, chamados a ser discípulos missionários de Jesus Cristo. Uma vocação que nasce quando abraçamos o tesouro do Reino, por meio do batismo que recebemos e amadurece e se torna fecunda quando buscamos, cotidianamente, acolher e vivenciar os valores do Evangelho. O compromisso com o dízimo, restituído na Comunidade Eclesial de Base, é algo que se firma no coração de todo aquele e aquela que faz a experiência de ser cidadão do Reino de Deus. Daquele que reconhece a bondade e amor divinos sempre presentes, em todas as circunstâncias da vida, principalmente, diante dos desafios cotidianos que enfrentam. Uma experiência de fé que se transforma em compromisso de colocar em comum, diante do altar do Senhor, por meio do dízimo, aquilo que cada um, pelo auxílio divino, traz como fruto de seu trabalho”.

Dom Dario desejou que Deus faça frutificar o trabalho de cada um e participou de toda a palestra de dom Edson.

No final o anúncio sobre a possibilidade de que o próximo encontro possa acontecer de forma presencial.

O motivo da reunião de hoje é porque os coordenadores de dízimo participam de três encontros anuais em nível arquidiocesano. Um deles é formativo e os outros dois para organizar e avaliar a Campanha anual.

_“Cada um dará segundo o que tiver, em proporção às bênçãos que o Senhor, teu Deus, lhe tiver dado.”_ (Deuteronômio 16, 17) Acontece hoje

_“Cada um dará segundo o que tiver, em proporção às bênçãos que o Senhor, teu Deus, lhe tiver dado.”_ (Deuteronômio 16, 17)

Acontece hoje às 14h o encontro Arquidiocesano da Pastoral do Dízimo, durante uma hora os noventa coordenadores, um de cada paróquia, participarão de formação com o Bispo de Leopoldina/MG, Dom Edson José Oriolo Dos Santos, sobre técnicas e sugestões para trabalhar na Pastoral do Dízimo.

Segundo Fabíola Gouveia Limeira, Secretária Executiva do Departamento de Pastoral, geralmente os agentes missionários do dízimo se reúnem quatro vezes durante o ano para discutir sobre a campanha e para formações, mas em 2020, por causa da pandemia do novo coronavírus, até agora aconteceu apenas o encontro de fevereiro. 

Para a Secretária, esse é um momento também para “reencontrar, virtualmente, os agentes de pastoral que são tão importantes para a evangelização. Eles sabem que dízimo é, principalmente, uma experiência com Deus e o amor fraterno”.

O encontro, que será aberto pelo Arcebispo de Vitória, Dom Dario Campos, acontecerá de maneira virtual e terá como tema _“Pastoral do Dízimo: da Comunicação ao Comprometimento”_. O assessor do encontro, Dom Edson, tem estudos em filosofia, teologia, filosofia social e marketing e gestão de pessoas. “A formação é importante para nos dar uma nova visão para o trabalho pastoral, nesse tempo triste de pandemia”, diz Fabíola.

A Comissão Arquidiocesana para a Pastoral do Dízimo é composta por:

Sérgio Murilo 

Pe Paulo Régis

Pe Renato Criste

Maria da Luz Fernandes

Fabíola Gouveia

Dois representantes por área pastoral

Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) destacaram o crescimento populacional no Estado do Espírito Santo. E em relação a Igreja

No último dia 27 de agosto, os novos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) destacaram o crescimento populacional no Estado do Espírito Santo chegando a 4.064.052 pessoas e Vila Velha se tornou a segunda cidade do estado a ter mais de 500 mil habitantes. Segundo o mesmo Instituto, no ano de 2010, conforme o censo demográfico, o Espírito Santo tinha cerca de meio milhão de pessoas a menos, 3.514.952 precisamente, e uma população de maioria católica, pois a cada 100 moradores, 53 se diziam ligados à Igreja Católica Apostólica Romana.

Em relação a Igreja católica, o que mudou nesses 10 anos de crescimento populacional? Qual impacto nas ações da Igreja? O número de sacerdotes cresceu à medida que cresceu a população? Não existem pesquisas oficiais ou censo depois de 2010 para que se possa comparar melhor os dados. Mas é possível levantar um cenário pertinente, mesmo diante de mudanças sociais e religiosas tão rápidas.

Só que para fazer essa comparação com o ontem e hoje essa matéria se restringirá a Arquidiocese de Vitória. A Arquidiocese é um território geográfico que compreende 15 municípios dos 78 existentes no Estado do Espírito Santo: Vitória, Vila Velha, Serra, Fundão Cariacica, Viana, Guarapari, Anchieta, Alfredo Chaves, Afonso Cláudio, Marechal Floriano, Domingos Martins, Santa Leopoldina, Santa Maria de Jetibá e Brejetuba. Estes municípios há 10 anos somavam 1.861.092 pessoas. Hoje, a soma total da população estimada em todos esses municípios é de 2.197.901. Temos um crescimento de 336.809 cidadãos.

Vale destacar que, mesmo sendo somente 15 municípios, a Arquidiocese de Vitória abrange 54% da população capixaba ficando o restante sobre os cuidados das dioceses de Cachoeiro do Itapemirim, São Mateus e Colatina. Enquanto a população do Estado cresceu 13,5%, no território da Arquidiocese o percentual é de 15,5%. Em relação ao número de católicos em 2010 eram 869.719 fiéis, representando cerca de 47% da população desse território. Hoje, a Arquidiocese não tem esses dados para comparar. 

Em relação as mudanças na Igreja, em 10 anos a Arquidiocese criou 26 novas paróquias em seu território, totalizando 90. A criação de uma paróquia, segundo Sérgio Murilo Lopes, administrador ecônomo da Arquidiocese, é devida as urgências missionárias da Arquidiocese como, também, devido a necessidade de uma ação qualitativa e eficaz da igreja, naquela porção da diocese, fazendo-a mais próxima, tendo um atendimento mais pessoal, mais pastoral. Murilo afirma ainda que o sonho é que cada comunidade fosse uma paróquia com seu pároco, mas “sabemos que isso é praticamente impossível”, destaca.

Das 26 novas paróquias criadas, 8 foram na Serra e 7 em Vila Velha, justamente onde a população mais cresceu. Entretanto, mesmo ampliando o número de paróquias, está bem longe do ideal. Embora, não tendo os dados do censo religioso em 2020, mas tomando por base o percentual de 2010, hoje há um padre para cada 7.075 católicos na Arquidiocese. Quando esse número é colocado em proporção ao número da população, em geral chega-se ao total de um padre para cada 15.054 habitantes.

Mas a missão de evangelizar não é exclusiva ao sacerdote, pois a Arquidiocese de Vitória hoje possui 68 diáconos permanentes e 22 congregações ou casas femininas (as freiras/irmãs de caridade) e principalmente os leigos engajados em tantas frentes de missão e que exercem sua função batismal ajudando uns aos outros nas 1029 comunidades existentes no território da Arquidiocese. E se forem divididos o número de católicos pelo número de comunidades, existe na Arquidiocese uma comunidade para cada 1.014 fiéis.

Porém esse número não é o mesmo em todas as cidades. Serra e Vila Velha – as maiores cidades em população do Estado – mantém a média da Arquidiocese entre as paróquias dos municípios, mesmo que exista variedade. Todavia chama a atenção as cidades de Fundão e Viana, onde existe um padre para cada 13.610 e 18.285 católicos. Por outro lado, a cidade que tem menos fiéis para cada padre é Anchieta com 3.574 católicos.

Os desafios são enormes para a sociedade e não é diferente para a Igreja. Ainda mais nesse mundo urbanizado onde vive-se uma mudança de época. A Igreja tem investido na formação de leigos, fomentando vocações sacerdotais e investindo na estrutura para os seminaristas. A criação de novas paróquias tem facilitado a aproximação com os católicos e existe uma ajuda financeira coletiva para manter as paróquias com mais dificuldades nesse campo. Não se deixa de criar uma nova paróquia pelo dado econômico somente. A Igreja sabe do desafio e tem feito o que está ao seu alcance para atender as necessidades daqueles que se juntam e buscam a ela. E não se esqueça: todos somos igreja.

O mês de setembro é marcado pelo sinal “amarelo” de atenção para uma triste realidade que a cada dia registra mais casos: o suicídio.

O mês de setembro é marcado pelo sinal “amarelo” de atenção para uma triste realidade que a cada dia registra mais casos: o suicídio. No Brasil acontecem cerca de 12 mil suicídios todos os anos e mais de 1 milhão no mundo. Hoje (10) é especificamente o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio e neste tempo diversas ações são realizadas com o único objetivo de ajudar as pessoas a preservarem a vida.

Este assunto costuma ser polêmico principalmente quando associado a religião, mas segundo padre Antônio Tatagiba Vimercati, formado em Teologia Moral, Filosofia e Psicoterapia Corporal, o princípio que norteia a relação da Igreja com a questão do suicídio é o da misericórdia. Os padres fazem as visitas e celebram as exéquias normalmente como em qualquer tipo de morte.

“Por que é fácil a gente julgar né?! ‘Ah mas como alguém se suicidou?’ Por isso a questão da misericórdia é fundamental, pois a misericórdia de Deus é infinita. Só Deus conhece o nosso coração, nossos dramas, nossas dores e nossos sofrimentos. E isso nessa questão do suicídio é muito profundo e muito claro, pois a pessoa não fez isso por um simples egoísmo. Quando eu faço esse ato eu preciso compreender o que aconteceu ali”.

Padre Tatagiba realiza um trabalho de apoio às pessoas com base na relação da Fé com o Corpo. Ele afirma que não é possível criar um perfil de quem comete suicídio, mas existem muitos casos de pessoas com tendência a depressão e que diante de situações de dificuldades não tem esperança para continuar. A partir disso é essencial trabalhar em cada um o contato com seu próprio corpo de forma física, psíquica, emocional e espiritual.

O sacerdote explica que o corpo é o lugar primeiro da nossa realidade e ele está sendo cada vez mais submetido a uma visão estética, de uma sociedade que exige que todos vivam sempre alegres. O mundo parece não ter lugar para tristeza e para expressar os sentimentos. Essa imposição faz com que as pessoas sofram muito com essa relação.

“Na medida que eu mergulho no contato profundo com a potência de vida que há no meu corpo eu vou encontrar força – e aí também está o relacionamento com a Fé – para enfrentar os obstáculos. E quanto mais eu faço essa experiência, desse contato pessoal com Deus, eu vou abastecendo e fortalecendo a minha alma e o meu espírito”, destaca padre Tatagiba.

Situações como essa da pandemia também são muito propícias para o cenário do suicídio. Nesta realidade de desarrumação da casa e da vida, a falta de rotina cria uma situação de total desordem. A pessoa que comete esse ato está vivendo um caos interno e encontra ressonância no caos externo, ficando profundamente desanimada.

E para ajudar o outro nesses casos padre Tatagiba enfatiza a necessidade de criar perspectivas para a pessoa possa caminhar: “nós temos que fazer um movimento. O que eu estou dizendo é que é muito importante esse envolvimento do corpo no relacionamento com a Fé, pois foi Deus que me criou. O corpo em que eu habito, Deus habita em mim porque eu sou a morada do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Fui batizado em nome da trindade, então o Espírito de Deus é força em mim”.

Segundo o presbítero, a pessoa que está triste e desanimada também pode procurar auxílio na Igreja. Além do padre, existem religiosos que podem ajudá-las no processo de conhecimento e grupos de escuta dentro das paróquias. Basta manifestar seu desejo de ser atendido e fortalecido. A campanha “Setembro Amarelo” existe desde 2014 e é organizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria em parceria com o Conselho Federal de Medicina. 

Missa da Festa de Nossa Senhora da Vitória 2020.

A missa em que a Arquidiocese homenageia Nossa Senhora da Vitória aconteceu hoje às 9h na Catedral Metropolitana.

Com a presença de fiéis, embora em número reduzido, o que permitiu manter o distanciamento recomendado, dom Dario presidiu a missa que teve também a presença de vários padres e algumas autoridades civis, como o Governador do Estado e o Prefeito da Cidade, que receberam de pe. Renato Criste, cura da Catedral, o livro Peregrino na Catedral, no caminho das flores, um roteiro de visita escrito por dom Luiz Mancilha Vilela, arcebispo emérito de Vitória.

Durante a homilia dom Dario enfatizou que “A Virgem Maria a quem nós chamamos de Senhora da Vitória é nossa intercessora desde Caná, quando pediu a Jesus e Ele realizou o primeiro milagre, por isso devemos sempre recorrer a ela”. Leia a homilia do arcebispo no anexo.

Após a missa o Arcebispo acompanhou o Prefeito, Luciano Rezende e o Governador, Renato Casagrande na inauguração da Avenida Vitória. Na hora de abençoar a Avenida, dom Dario lembrou que a função dela é fazer ligações e desejou que todos os que por ali passarem possam fazer ligações com as pessoas e com a cidade, a Casa Comum.

Representantes de diversas religiões participaram da celebração no campinho do Convento da Penha

Ao toque do shofar, um instrumento de sopro tradicional do judaísmo, cujo som conclama a um despertar para que se possa envolver com as necessidades da alma, a celebração inter-religiosa do 26º Grito dos Excluídos e das Excluídas uniu vozes em uma grande rede, por meio da internet, e presencialmente, para ecoar o tema deste ano: Vida em Primeiro Lugar!

                                    

No campinho do Convento da Penha, membros de movimentos, organizações e pastorais sociais se fizeram presentes para representar todos e todas. A tradicional marcha por direitos deu lugar a uma celebração com transmissão pelas redes sociais devido à pandemia do novo coronavírus, em respeito às regras de distanciamento social.

“Chega de escravidão! Temos como obrigação restituir a vida, o trabalho com dignidade, o teto, a alimentação. Nós temos direito e dever de intervir no rumo da história do mundo, do nosso país, do nosso estado, da nossa cidade, da nossa comunidade. O nosso mundo está marcado pela violência, principalmente contra negros, jovens e pobres. Chega!”, exclamou o arcebispo da Arquidiocese de Vitória, Dom Dario Campos.

A 26ª edição do Grito teve ainda a participação do vigário Episcopal para Ação Social, Política e Ecumênica, Kelder Brandão; do pastor da igreja Luterana, Carlos Ulrich; da yaefun do Candomblé, Leila Silva; do dirigente de templo da Umbanda Valdemir Anchesk; do representante da igreja Casa da Benção, Jakson Vicentini; e dos freis Pedro e Paulo, do Convento da Penha.

“É preciso que descubramos um novo horizonte para o qual possamos nos dirigir. E só vamos fazer isso tendo Jesus como meta, a oração em nosso coração e nossa mente,” completou Dom Dario.

A celebração lembrou ainda as quase 127 mil mortes no Brasil em decorrência da covid-19 e fez um minuto de silêncio pelas famílias enlutadas. Ao final, foi lida uma carta aberta (leia abaixo) com um forte apelo aos direitos de todas e todos.

“Neste 26º. Grito dos Excluídos, a Igreja de Cristo e todas as igrejas irmãs renovamos nosso compromisso e nosso lugar histórico de acolhimento e apoio às pessoas e povos excluídos dos direitos, dos territórios e da dignidade humana”, diz a carta.

Os muitos gritos

Na celebração, seguindo o lema “Basta de miséria, preconceito e repressão! Queremos trabalho, terra, teto e participação!”, os muitos gritos dos povos tradicionais e indígenas, de negros e negras, dos pobres, das mulheres, das diversas expressões da juventude, da população LGBTQIA+, dos migrantes e da população em situação de rua. E sem esquecer ainda os gritos da mãe Terra.

Ao final do ato celebrativo, cada representante religioso ali presente foi convidado a dar a bênção de acordo com sua tradição.

Na paz de Oxalá, Jesus e Maria.

Amém. Namastê. Axé Babá.

Assim seja!

Projeção

O 26º Grito dos Excluídos e das Excluídas começou na noite de domingo, com uma projeção mapeada no Convento da Penha. Imagens de outras edições, mensagens do Papa Francisco, de Dom Dario Campos e de Dom Pedro Casaldáliga emocionaram o público que acompanhou pelas redes sociais.

A ação buscava chamar a atenção para os gritos diversos por direitos e justiça social. Para os gritos da Terra, considerando que a crise ecológica é um apelo a uma profunda conversão interior.

A 26ª edição do Grito dos Excluídos foi uma realização do Vicariato para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória, do Fórum Capixaba de Lutas Sociais, do Fórum Igrejas e Sociedade em Ação, do Comitê Popular de Proteção aos Direitos Humanos no Contexto da Covid-19 e do Fórum Capixaba em Defesa da Vida das Trabalhadoras e Trabalhadores.

O evento teve ainda o patrocínio de Associação dos Docentes da Ufes (Adufes); Central Única dos Trabalhadores (CUT-ES); Convento da Penha; Federação para Assistência Social e Educacional (Fase); Intersindical Central da Classe Trabalhadora; Sindicato dos Bancários do Espírito Santo (Sindibancários-ES) e Vicariato para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória.

CARTA ABERTA

26º. Grito dos Excluídos

Espírito Santo – 7 de Setembro de 2020

“Por muito tempo me calei; estive em silêncio, e me contive; mas agora darei gritos como a que está de parto, arfando e arquejando”. (Isaías, 42, 14)

Irmãs e Irmãos, Povo de Deus: A vida em primeiro lugar!

Neste 26º. Grito dos Excluídos, nos solidarizamos com toda a sociedade brasileira e com nossas famílias capixabas, em luto pela enfermidade e perda de parentes, e ainda afetadas pela crise econômica, pelo desrespeito aos de direitos humanos e pela destruição da natureza.

Alertamos para a exclusão que se amplia, em meio à pandemia da Covid-19, em cenário de radical precarização da vida e do trabalho, com mais de 120 mil mortes, dezenas de milhões de pessoas desempregadas e graves ataques do governo federal à democracia. A exclusão se dissemina, através de mentiras e fake news nas redes sociais, através de discursos de ódio, de racismo e machismo, de discursos armamentistas, carregados de preconceito contra as diferenças e principalmente contra os mais pobres.

Exemplo mais recente do preconceito contra os mais pobres e vulneráveis foi o ocorrido no município de Vitória, com a retirada dos pertences da população de rua por caminhões e carros da prefeitura, com apoio dos agentes de segurança. Enquanto uma rede de solidariedade se junta durante a pandemia para dar alento a essa população com distribuição de cobertores, alimentos e material de higiene, os poderes públicos cuja função deveria ser a de garantir dignidade agem dessa forma covarde e desumana contra a população de rua.

Contra essa situação, no Grito dos Excluídos, gritamos e proclamamos juntos: “A vida em primeiro lugar! Basta de miséria, de preconceito e repressão. Queremos trabalho e teto, terra e participação!”

Como disse o papa Francisco, na carta “Louvado Seja”, a crise é uma só. É efeito direto de uma economia que não prioriza as pessoas, a vida e a natureza. A crise é consequência de um modelo de desenvolvimento voltado para a acumulação e para a concentração da terra, da renda, da tecnologia e do poder nas mãos de grandes empresas e corporações, que controla os mercados global, nacional e regional. A crise é fruto de decisões políticas e investimentos econômicos voltados para o lucro, e não para a vida. Como disse o papa Francisco, é necessária uma nova economia. Uma “economia de Clara e Francisco”, solidária com os mais pobres e vulneráveis. Uma economia do cuidado, voltada para a paz, a justiça social e para o bem comum.

Neste difícil momento para a sociedade brasileira, conforme a “Carta ao Povo de Deus” assinada pelos 152 bispos: “Até a religião é utilizada para manipular sentimentos e crenças, provocar divisões, difundir o ódio, criar tensões entre igrejas e seus líderes. Ressalte-se o quanto é perniciosa toda associação entre religião e poder no Estado laico, especialmente a associação entre grupos religiosos fundamentalistas e a manutenção do poder autoritário. Como não ficarmos indignados diante do uso do nome de Deus e de sua Santa Palavra, misturados a falas e posturas preconceituosas, que incitam ao ódio, ao invés de pregar o amor, para legitimar práticas que não condizem com o Reino de Deus e sua justiça?”

Neste 26º. Grito dos Excluídos, em coro uníssono de irmãs e irmãos, gritamos aos governantes e às corporações econômicas, contra o descaso com que tratam a população mais empobrecida e vulnerabilidade de nosso estado e país: as classes sociais habitantes das periferias urbanas e da vizinhança dos grandes projetos poluidores, a população negra, os povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e da pesca artesanal, a população em situação de rua, as famílias agricultoras, camponesas e sem-terra, as mulheres, idosos, os jovens e a população LGBTQ+. São os que mais sofrem as violações, os preconceitos e os principais danos de um desenvolvimento injusto, que se baseia na própria exclusão.

Também gritamos em coro, contra a contaminação do Rio Doce, contra a devastação das florestas, substituídas por monoculturas químicas; contra a contaminação da água, dos rios e do mar, por fertilizantes, plásticos e vazamentos de petróleo. Gritamos contra a destruição de manguezais, ameaçados pela instalação de novos distritos portuários. Gritamos contra o pó preto na região metropolitana da capital e contra a poluição no entorno dos complexos extrativistas e industriais. Gritamos por justiça ambiental e climática, diante do agravamento do aquecimento global. Gritamos contra o desenvolvimento do lucro e da morte, que não respeita a vida dos povos e a natureza.

Neste 26º. Grito dos Excluídos, a Igreja de Cristo e todas as igrejas irmãs renovamos nosso compromisso e nosso lugar histórico de acolhimento e apoio às pessoas e povos excluídos dos direitos, dos territórios e da dignidade humana.

E aqui nos despedimos e silenciamos, em respeito ao luto das famílias.

Faça um minuto de silêncio e oração, por nosso país e por todos e todas.

Amém.

Convento da Penha vai receber projeção mapeada no domingo à noite e a celebração na segunda-feira, que será transmitida ao vivo

Os gritos de excluídos e excluídas são múltiplos e diversos: pela educação inclusiva; por justiça para os atingidos pela lama de rejeitos e até hoje desamparados; pela inclusão da população negra no foco de políticas públicas; pelos direitos de trabalhadores e trabalhadoras; pela vida da juventude negra; pela vida e dignidade das mulheres; pelos direitos dos encarcerados.

Somam-se também os gritos por moradia e direitos da população em situação de rua; pela vida das pessoas LGBTQIA+; pela tolerância religiosa; pelo respeito e demarcação de terras indígenas e em defesa das florestas; pelos direitos de pescadores; por emprego e renda; por justiça social.

Todos esses gritos e outros mais se encontram no tema do 26º Grito dos Excluídos: “vida em primeiro lugar.” O movimento, que promove atos desde 1995 sempre no dia 7 de setembro para lembrar aquelas e aqueles que são considerados à margem da sociedade, faz ecoar este ano o lema “Basta de miséria, preconceito e repressão! Queremos trabalho, terra, teto e participação!

“Nosso grito é por vida, dignidade e justiça para todos os excluídos e incluídos, através de políticas públicas que promovam a vida e a dignidade de todo o cidadão brasileiro”, destaca padre Kelder Brandão, vigário Episcopal para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória, uma das entidades responsáveis pela organização do Grito.

A programação para o ato que marca a 26ª edição do Grito na Grande Vitória precisou ser reformulada devido à pandemia do novo coronavírus e as orientações de não aglomeração. Por isso, a tradicional marcha por direitos dá lugar a uma celebração inter-religiosa, a partir das 8 horas, no Convento da Penha.

A celebração não será aberta ao público, mas poderá ser acompanhada pelas redes sociais (Instagram, Youtube e Facebook) do Convento, com transmissão ao vivo.

Estarão presentes para a celebração o arcebispo de Vitória, Dom Dario Campos; padre Kelder Brandão; pastor Carlos Ulrich; Leila Silva e Rosenberg Moraes, representantes do candomblé; Valdemir Anchesk, representante da umbanda; e pastora Maria de Fátima.

Novidade

Além da celebração inter-religiosa, este ano o Grito dos Excluídos terá também uma projeção mapeada no Convento.

A exibição de registros de outras edições do Grito e falas de lideranças religiosas, como o papa Francisco e Dom Dario Campos, será feita pelo PixxFluxx, a partir das 19h, no domingo, dia 6 de setembro.

O 26º Grito dos Excluídos é uma realização de Vicariato para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória; Fórum Igrejas e Sociedade em Ação; Comitê Popular de Proteção aos Direitos Humanos no Contexto da Covid-19 e Fórum Capixaba em Defesa da Vida das Trabalhadoras e Trabalhadores.

A projeção mapeada tem o patrocínio de Associação dos Docentes da Ufes (Adufes), Central Única dos Trabalhadores (CUT-ES), Federação para Assistência Social e Educacional (Fase), Intersindical Central da Classe Trabalhadora, Sindicato dos Bancários do Espírito Santo (Sindibancários-ES) e Vicariato para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória.

SERVIÇO

26º Grito dos Excluídos

Vida em primeiro lugar

Basta de miséria, preconceito e repressão!

Queremos trabalho, terra, teto e participação!

Projeção mapeada “Nossos Gritos”

Quando: domingo, dia 6, a partir das 19h.

Onde: Convento da Penha, em Vila Velha.

Celebração Inter-religiosa

Quando: segunda-feira, dia 7, a partir das 8h.

Onde: Convento da Penha, em Vila Velha.

Como assistir: pelas redes sociais do Convento – Youtube, Instagram e Facebook. Devido às orientações de não aglomeração, a celebração não será aberta ao público.

Redes sociais do Convento

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