Seminário

Durante a primeira quinzena do mês de julho, dois de nossos seminaristas estiveram em São Paulo (SP) para participar de cursos de pós-graduação ofertados

Durante a primeira quinzena do mês de julho, dois de nossos seminaristas estiveram em São Paulo (SP) para participar de cursos de pós-graduação ofertados pelo Centro Universitário Salesiano (UNISAL) em parceria com o Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard.

O Seminarista César Augusto (do 3° ano de Teologia), membro da Comissão Arquidiocesana de Liturgia, foi enviado para cursar o I Módulo do Curso de Música Litúrgica. Em dias de agradável convivência entre os estudantes (de diversas partes do Brasil e do exterior), foi ministrado um programa de estudos que constou de matérias introdutórias ao estudo da ciência Teológica e Litúrgica, partindo da teoria e da prática, traduzida nas mais diversas expressões celebrativas. As disciplinas do Núcleo Comum lidaram com temas da Liturgia em interface com outras áreas do conhecimento que lhe são afins.

César, que colabora com o ensino e a prática da Música litúrgica em nossa Arquidiocese, deseja, por meio dessa oportunidade de aperfeiçoamento, contribuir, servir e formar cada vez melhor o povo de Deus, para que o exercício da música seja, em nossas assembleias litúrgicas, expressão autêntica de louvor, oração e participação no Mistério celebrado.

Já o Seminarista Vitor Placidino (também do 3º ano de Teologia), membro da Comissão Arquidiocesana de Arte Sacra, foi enviado para cursar o I Módulo do Curso de Liturgia / Espaço Litúrgico, Arquitetura e Arte Sacra. Arquitetos, engenheiros, artistas plásticos, teólogos e agentes da pastoral litúrgica de todo país e de Portugal, participaram dos estudos que discorrem sobre a concepção, construção e organização dos lugares sagrados reservados ao culto da Igreja, de acordo com as diretrizes do Concílio Vaticano II e da CNBB.

Vitor, que é graduado em Arquitetura e contribui na avaliação e acompanhamento dos projetos arquitetônicos das obras realizadas na Arquidiocese, ressaltou que as experiências de estudo, convivência e celebração foram significativas para a integração dos participantes e espera que estas o auxiliem para os trabalhos da Comissão que integra.

Como já mencionado, o curso é promovido pelo Centro de Liturgia Dom Clemente Isnard em acordo com o UNISAL (Campus Pio XI). O próximo módulo acontecerá de 9 a 23 de janeiro de 2023.

“A importância dos cuidados com a saúde emocional para a formação presbiteral” – Este é o tema da Semana de Atualização para os Reitores
A importância dos cuidados com a saúde emocional para a formação presbiteral” – Este é o tema da Semana de Atualização para os Reitores e Formadores dos Seminários do Brasil, que ocorre nesta semana em Guarulhos – SP.
Nosso Reitor e Vigário Geral da Arquidiocese de Vitória – ES, Padre Jorge Campos Ramos, participa do evento junto aos Padres André Luciano Masarim (Reitor do Seminário Maior de São Mateus) e Edgar Rigoni (Reitor do Seminário Maria Mãe da Igreja, Diocese de Colatina). Eles compõem a comitiva representativa do Regional Leste 3, que abrange as 04 (Arqui)Dioceses do Espírito Santo.
A assessoria do encontro é de responsabilidade da Ir. Silvia Cristina Maia, CR, que é bacharel em Teologia pelo Instituto de Filosofia e Teologia Mater Ecclesiae e cursou Psicologia na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Ela integra o corpo docente da Escola para Formadores Jesus Mestre, em São Paulo, e a equipe de profissionais do Centro de Revitalização Âncora através de formações e no acompanhamento psicoespiritual, além de colaborar na formação para a vida consagrada e sacerdotal, com assessorias.
A Organização dos Seminários e Institutos dos Brasil (OSIB) é um organismo que visa articular e integrar os Seminários e demais casas de formação, buscando critérios e diretrizes comuns na ação formativa dos futuros Presbíteros do nosso país, respeitando a caminhada de cada regional, com suas respectivas Igrejas Particulares e dos diferentes Institutos. O bispo referencial da OSIB é dom José Albuquerque de Araújo, bispo auxiliar de Manaus e o padre Jerônimo Batista de Araújo, da diocese de Caicó (RN) como presidente da Organização.
As reflexões da Semana são baseadas nas orientações do Doc. 110 da CNBB, que prevê como missão da equipe formativa o auxílio psicológico especializado aos seminaristas, para que estes não só possam discernir se o chamado que receberam é de Deus, mas se possuem condições de assumir o que o presbiterato possui (Doc. 110, n. 201).
Rezemos pelo bom sucesso deste encontro! Confira mais informações AQUI.
“É missão de todos nós, Deus chama, quero ouvir a Sua Voz!” Representando a Arquidiocese de Vitória – ES, os Seminaristas Wellinton de Paula

“É missão de todos nós, Deus chama, quero ouvir a Sua Voz!”

Representando a Arquidiocese de Vitória – ES, os Seminaristas Wellinton de Paula (2º ano de Teologia) e Willian Miranda (3º ano de Filosofia) participam do 4º Congresso Missionário Nacional de Seminaristas em João Pessoa – PB.

O evento, realizado pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM) e pela coordenação nacional dos Conselhos Missionários de Seminaristas (COMINSEs), acolhe seminaristas do país inteiro, tanto diocesanos como religiosos, de todas as etapas formativas.

Com o tema “Missão ad gentes na formação de seminaristas” e o lema “Sereis minhas testemunhas até os confins da terra” (At 1,8), este encontro reúne mais de 350 participantes.

Segundo o seminarista Wellinton “o evento está sendo muito frutuoso, pois além de partilhar as experiências missionárias estamos tendo um forte conhecimento a cerca da missão, mas sobretudo nesse tema que abrange esse congresso Missão ad gentes”.

A delegação capixaba conta com representantes das quatro dioceses que compõe o Regional Leste 3, e a participação de Dom Luiz Fernando Lisboa, CP, um dos conferencistas do Congresso.

“Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão nunca contra ela.” (Mt. 16,18) Caríssimos
“Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão nunca contra ela.” (Mt. 16,18)

Caríssimos irmãos e irmãs, hoje celebramos a Solenidade de São Pedro e São Paulo, bases de nossa Igreja. São Pedro depois de sua morte, que segundo a tradição católica, tornou-se chaveiro do céu. Assim, para entrar no paraíso, é necessário que o Santo abra suas portas. Também lhe é atribuída a responsabilidade de fazer chover. Quando começa a trovejar e as crianças choram com medo, é costume acalmá-las, dizendo: “É a barriga de São Pedro que está está roncando, ou ele está mudando os móveis de lugar”. Brincadeiras à parte são diversas as ações que são atribuídas a esse homem tão importante para a vida da nossa Igreja.

Pedro, cujo nome era Simão, era natural de Betsaida, povoação na Galiléia, às margens do lago de Genesaré, também conhecido como o mar de Tiberíades. Era filho de Jonas e pescador de profissão. Tinha como seu irmão André e com Tiago e João, filho de Zebedeu, uma pequena frota de barcos pesqueiros. Como as pescas eram temporárias e os pescadores do mar da Galiléia, tinham tempo livre durante a baixa estação, presume-se que foi durante um desses períodos que André indo ao encontro de João Batista no rio Jordão, encontrou Jesus. E Jesus, que era um exímio “conhecedor” de homens, após olhar longamente para Pedro, diz: “Tu és Simão, filho de Jonas, serás chamado “Cefas”, que quer dizer “Pedro”. Mudar o nome para outro mais significativo era mudar de orientação e de modo de viver. E foi assim que Simão, o pescador da Galiléia, deixou para trás toda uma história de vida e iniciou outra vida, uma nova história, não mais como Simão, mas como Pedro, o pescador de homens.

Sabemos que Pedro negou Jesus Cristo publicamente por três vezes. Mas é verdade também que por várias vezes publicou a sua fé, como exemplo: “Aonde iremos Senhor, se só tu tens palavra de vida eterna”; “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”; “Senhor, tu sabes que te amo”. São Pedro é considerado o principal discípulo de Jesus Cristo, apóstolo e missionário da primitiva Igreja cristã. Jesus edificou a sua Igreja sobre Pedro, isto é, sobre a Pedra! É maravilhoso ver como a ação de São Pedro vai fazendo a Igreja crescer ao redor do povo. Por isso bastava que a sombra dele passasse para que os doentes fossem curados e os espíritos malignos expulsos. São Pedro, que tivera sua humildade lapidada, reconhece e proclama sempre que tudo é obra da graça Divina e que só Jesus é o Senhor.

A transformação completa de Pedro ainda pode ser observada em suas cartas. Ele, inspirado pelo Espírito Santo, escreveu para que todos nós andemos em temor durante toda a nossa vida. Foi testemunha da gloriosa transfiguração do Senhor, no monte Tabor e foi ele que, em companhia de João, foi encarregado de preparar o cenáculo para a celebração da Páscoa, isto é, a Última Ceia. Pedro, teve muitas dificuldades, mas o Espírito Santo o transformou em um líder dinâmico na Igreja Primitiva.

Os primeiros dez capítulos dos Atos dos Apóstolos, descrevem a atuação marcante do apóstolo Pedro, o grande líder da comunidade cristã após a morte de Jesus. Que, depois de muitas dificuldades e sofrimentos, depois de entregar e empregar a vida em fazer o mundo conhecer e amar a Jesus Cristo, Pedro viu finalmente chegar ao seu fim na terra. Corria o ano de 64 e ele se encontrava encarcerado. Tiraram-no do cárcere e o levaram para ser crucificado. Condenado à morte, São Pedro foi como o Divino Mestre, cruelmente açoitado e em seguida levado à colina vaticana para crucificado. Estando tudo pronto para a execução, São Pedro pediu aos algozes que o pregassem na cruz com a cabeça para baixo, porque se achava indigno de morrer como o Divino Mestre. Assim morreu o primeiro papa da Igreja Católica. No lugar do suplício foi mais tarde edificada a Basílica de São Pedro, onde os restos mortais se encontram na mesma Basílica.

Já o Apóstolo São Paulo, um dos maiores propagadores do cristianismo. Antes de se converter ao Cristianismo era conhecido como Saulo e perseguia os discípulos de Jesus nos arredores de Jerusalém. São Paulo, nasceu em Tarso, na Cilícia (hoje uma região da Turquia), no ano 5 da era cristã, sendo filho de uma família judaica da tribo de Benjamim, que gozavam dos privilégios da cidade romana, o nascer, recebeu o nome de Saulo (do hebreu), que mais tarde alterou para Paulo (do latim), depois da conversão e do batismo.

Paulo passou os primeiros anos de vida em meio à comunidade judaica e frequentou a escola da sinagoga. Um antigo costume judeu era ensinar às crianças algum trabalho útil. Paulo tornou-se tecelão. Ainda adolescente, foi enviado a Jerusalém, onde deveria familiarizar-se mais profundamente com a religião e a cultura hebraica. Em Jerusalém, estudou no templo de Salomão, reedificado e embelezado por Herodes Agripa, o governador da Palestina. A caminho de Damasco, Paulo teve a visão de uma luz incandescente e ouviu a voz de Jesus que lhe indaga sobre as perseguições. No mesmo instante ficou cego e durante três dias entregou-se às orações. A mando de Jesus, Ananias vai a seu encontro, prepara seu batismo, põe a mão em sua cabeça e no mesmo instante Saulo recobra a visão. Impressionado com o ocorrido, é batizado e converte-se ao cristianismo.

Uma vez em Jerusalém, confirmou-se o que São Paulo havia previsto: ele foi perseguido, espancado e preso. Em seu julgamento, por ser cidadão romano, apelou a César. Por isso, foi enviado a Roma, onde chegou por volta do ano 60. Conta a tradição que Paulo esteve em liberdade por um curto período, durante o qual partiu para evangelizar o atual território da Espanha. Depois disso, retornou a Roma, onde foi preso pela segunda vez e, no ano de 67, finalmente decapitado. No entanto, vemos emergir na biografia de Paulo um grande amor por Cristo e pela salvação das almas; um amor sobrenatural que demonstra uma participação na vida divina.

A festa de São Pedro, juntamente à de São Paulo, foi colocada no dia 29 de Junho para ocupar uma antiga celebração pagã que comemorava nesse dia a festa dos mitos Rômulo e Remo, considerados os pais da cidade de Roma. Hoje o papa Francisco, é o sucessor de Pedro! E o representante oficial de Jesus Cristo na terra, o responsável por apascentar todo o rebanho. Entretanto, em meio a tanto dissabor da vida terrena, experimentamos o doce prazer de termos Jesus em nossa vida e de sabermos que não estamos e jamais estaremos sós.

Rezemos para que o Senhor, que fez Pedro e Paulo verem sua luz, que fez deles escutarem sua Palavra, que tocou o coração de ambos intimamente, nos faça ver também sua luz, para que também nosso coração fique tocado por sua Palavra e também nós possamos dar ao mundo de hoje, que tem sede, a luz do Evangelho e a verdade de Cristo.

 

Wesley Murilo de Abreu Roveda

Seminarista do 1º ano de filosofia

Paróquia de origem: Nossa Senhora da Saúde, Morada de Laranjeiras, Serra – ES;

Paróquia de pastoral: Nossa Senhora Aparecida, Cobilândia, Vila Velha – ES.

Vinícius Leite| “Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus”. (Lc 9,62) Ao celebrarmos
Vinícius Leite| “Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus”. (Lc 9,62)

Ao celebrarmos o XIII Domingo do Tempo Comum, voltamos nosso olhar para os propósitos de Deus na vida cristã. No Primeiro Livro dos Reis pode-se observar diretamente os desígnios estabelecidos por Deus em manifestar o chamado de Eliseu como profeta no lugar de Elias.

Na primeira leitura é descrito o profeta que vai às pressas despedir de seus familiares para permanecer no chamado de Deus. “Ele retirou-se, tomou a junta de bois e os imolou. Com a madeira do arado e da canga assou a carne e deu de comer à sua gente. Depois levantou-se, seguiu Elias e pôs-se ao seu serviço” (1Rs 19, 20). Semelhante a essa atitude de cumprimento dos desígnios divinos, somos convocados diariamente a superamos nosso comodismo, buscando cada vez mais um caminho que nos leve ao encontro com Cristo, para bem realizarmos nosso crescimento espiritual.

Esse crescimento com Cristo é nossa verdadeira liberdade, pois o Senhor nos deu a graça de sermos salvos do pecado que escraviza. Com a queda de nossos primeiros pais, a humanidade ficou sujeita ao pecado (concupiscência) se tornando escravos do pecado. No entanto, quis Deus enviar o Cristo para nos resgatar dessa escravidão. Perante isso, todos aqueles que aderem a vida cristã são chamados à verdadeira liberdade, liberdade que, por excelência, convoca à renúncia dos erros que escravizam e limitam os homens. Como nos diz São Paulo, “não façais dessa liberdade um pretexto para servirdes à carne. Pelo contrário, fazei-vos escravos uns dos outros, pela caridade” (Gl 5,13). Devemos observar o que Paulo diz, “fazer-vos escravos uns dos outros”. Podemos entender que devemos estabelecer vias de santificação não só em nossas vidas, mas também aos mais necessitados do Amor.

No evangelho de hoje, Cristo vai a Jerusalém para cumprir seu propósito de salvação, diz o evangelista, “estava chegando o tempo de Jesus ser levado para o céu” (Lc 9, 51). Podemos assim compreender que em Jerusalém Jesus iria se entregar, e esse entregar consiste em tomar a cruz. A exemplo de Cristo devemos seguir o caminho que nos leva ao Pai. Deixar nossas comodidades, nossas prioridades, nossos orgulhos e inclinações, para almejar a ousadia santificadora, ou seja, o desejo de abandonar tudo por amor a Deus. Esse abandono, nos diz o Senhor, deve ser uma escolha sem volta, no qual o verdadeiro servo não mais dependerá de seu passado, mas sim de sua plenitude futura junto ao Senhor na eternidade, como também em sua construção no agora. “Quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto para o Reino de Deus”. (Lc 9,62). Que neste dia edifiquemos cada vez mais nossa vida no Cristo Senhor, e nos determinemos a amá-lo através de nossa vocação ao servir, para que tenhamos cada vez mais a solidez em nosso sim cotidiano.

 

Vinícius Leite de Oliveira                                                                                                                                         

Seminarista do 3º de filosofia

Paróquia de origem: São Sebastião do Alto Guandú, Afonso Cláudio – ES;

Paróquia de pastoral: Nossa Senhora da Glória, Glória, Vila Velha – ES.

Thassio Cachoeiro| ‘‘Coração santo, Tú reinarás; Tú nosso encanto, sempre serás.”   Celebra-se hoje em toda Igreja o Sagrado Coração de Jesus e se faz
Thassio Cachoeiro| ‘‘Coração santo, Tú reinarás; Tú nosso encanto, sempre serás.”

 

Celebra-se hoje em toda Igreja o Sagrado Coração de Jesus e se faz necessário compreender o que de fato se celebra. Primeiro que nossa atenção e liturgia não para no músculo do miocárdio de Nosso Senhor, mas tão pouco está sendo celebrado somente o amor divino por nós, por assim se dizer. Deus quis nos amar e para que nós compreendêssemos em toda profundidade o amor Dele por nós, Ele então se fez homem e nos amou com coração humano. Eís aí o que hoje deve receber toda adoração: o fato que Deus nos amou com amor infinito num coração humano.

E por que é preciso celebrar esse mistério? Nós, seres humanos, temos dificuldade em entender o amor de Deus, ou seja, se Deus por definição é um ser infinito, absoluto, eterno, cheio de glória e esplendor do céu, por outro lado, nós seres humanos marcados com o pecado não experimentamos isso com amor. Existe uma tentação de nossa parte em pensar que Deus é indiferente a nossa dor, já que Ele está nessa felicidade eterna. Então Deus movido de infinito amor para conosco, que por sua vez em sua infinita misericórdia, vem a esse mundo com um coração humano para nos mostrar o quanto Ele nos ama, para que cessássemos na dúvida de seu amor por nós. Suscitando também em cada indivíduo uma repercussão de gratidão.

Uma das formas do amor ser demonstrado é quando há luta por algo, onde muitas vezes há até um grau de sofrimento para alcançar o objetivo. Pode ser percebido nas próprias vidas, ao contrário de uma doença que diminui a vida física, a tribulação, por sua vez, aumenta a vida espiritual porque quando há tribulações nos homens santos e mulheres santas o amor cresce.

Então, Jesus, que nos ama com amor infinito no meio da paixão, da tribulação e do sofrimento que passara aqui na terra suscita em nós o desejo de retribuir, o desejo de também sofrer por Ele. Desta forma, consolá-Lo é grandeza de alma, pois é de reconhecida consolação para os seres humanos quando percebe-se que o outro sofre consigo e/ou um outro sofre para aliviar certo sofrimento de outrem. Assim Deus que é percebido como impassível se torna vulnerável, vem a terra sofrer por cada ser humano e estes lhe negarão a consolação? Quando Nosso Senhor, na cruz, diz: ‘‘Tenho sede,” conforme nos traz o evangelista São João em seu capítulo dezenove no versículo vinte e oito, e ali lhe foi oferecido vinagre, poderia haver a pergunta se a mesma atitude ainda é adotada oferecendo-Lhe novamente o vinagre da ofensa e do pecado ao invés da água da gratidão!

Foi exatamente essa a intenção do Bom Jesus como bem sabemos pela tradição da Igreja, em Suas aparições à Santa Margarida Maria Alacoque, pelas ofensas e pecados que vinham sendo cometidos pelos homens resultando em grande esfriamento e distanciamento dos corações humanos, houvesse então uma reparação dos mesmos e consequentemente uma busca fervorosa e devoção especial pelo amor consolador que daí é gerado nutrindo, desta forma, as almas.

Expressões de generosidade e gratidão devem ser realizadas para a consolação do coração de Jesus. Estes gestos, pois, serão realizados por aqueles que se propõem a mergulharem em profunda intimidade com Ele e isso é o que o Sagrado Coração mais deseja: amizade! Conforme nos confirma o Catecismo da Igreja Católica expressando ao final do seu parágrafo de número 2737: ‘‘Nosso Deus é um Deus ´ciumento` de nós, o que é sinal da verdade em seu amor,”  inspirado na carta de São Tiago 4, 5.

Acorram-se todos ao Coração Sagrado de onde emana todo amor.

Santa Margarida Maria Alacoque, rogai por nós.

 

Thassio Cachoeiro                                                                                                                                                                        Seminarista do 2º ano de teologia 

Paróquia de origem: Santa Ana, Santana, Cariacica – ES;

Paróquia de pastoral: São Lucas, Novo México, Vila Velha – ES.

Daniel Demuner| ´´De fato, a mão do Senhor estava com ele.“ (Lc 1, 66) Seis meses antes da solenidade do natal do Senhor, celebra-se
Daniel Demuner| ´´De fato, a mão do Senhor estava com ele.“ (Lc 1, 66)

Seis meses antes da solenidade do natal do Senhor, celebra-se em toda a Igreja o Precursor, aquele que anuncia a vinda do salvador, que batiza o criador do batismo: São João Batista. O único santo, com exceção da Virgem Maria e de Nosso Senhor Jesus Cristo, que são celebrados tanto o nascimento como a morte. Com efeito, João foi um homem agraciado por Deus desde o seu ventre: ao receber Isabel a saudação de Maria, João Batista pula de alegria no seu ventre. O menino nasce com os olhos voltados a Cristo, assim como nos diz a primeira leitura de hoje: “o Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe ele tinha na mente o meu nome”. Também o salmista canta algo semelhante: “eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, porque de modo admirável me formastes”.

Podemos nos perguntar frente a tão abundante graça: por quais razões Cristo desejaria santificar tão cedo um homem? Precisaria o próprio salvador da humanidade de alguém para ajudá-lo? É evidente que Deus não depende de ninguém para realizar sua obra. Não obstante, ele deseja servir-se dos homens para trazer a salvação. Ora, após ver Isabel, que era tida como estéril, conceber um filho na velhice, não seria mais simples crer na concepção virginal de Maria? Analogamente, após ver o batismo de conversão pregado por João, não seria mais fácil crer no reino dos céus que Jesus anunciou? Em palavras mais claras, Deus prepara os seus filhos para receber a Verdade; ele usa de meios humanos para exprimir as verdades divinas. Assim também foi com João Batista.

Eis, portanto, a missão do Batista: anunciar o salvador. João é “voz que clama no deserto”, mas esta voz só anuncia uma única palavra: o Cristo, Verbo Eterno de Deus que se encarnou no seio da Virgem Maria. Aqui manifesta-se outra riqueza da vida do precursor: mesmo sendo homem agraciado desde o ventre materno e confiado a uma importante missão, João soube desaparecer na hora devida. Ora, a missão do arauto é apontar o que é anunciado e, em seguida, desaparecer a fim de que transpareça a mensagem anunciada. Quanto mais João é agraciado, mais ele se faz humilde diante do Salvador. Esta é a verdadeira força que é anunciada no Evangelho de hoje: “o menino crescia e se fortalecia em espírito”, ou seja, cada vez se tornava mais humilde para agradar mais ainda o Senhor.

Nós também temos a missão de testemunhar a Cristo onde quer que estejamos, e para isso, são necessárias duas coisas: a graça, que nos cumula dos bens eternos; aliada à humildade, que nos permite transparecer a Verdade em nossas vidas. Sejamos nós também humildes como o Batista. Cumpramos com amor e diligência os trabalhos que nos são propostos; sirvamos com generosidade e saibamos desaparecer quando Cristo tomar a frente. Assim, seremos também razão de alegria e de esperança aos que caminham conosco.

Viva João Batista!

 

Daniel Tonini Demuner                                                                                                                                                Seminarista do 2º ano de filosofia

Paróquia de origem: Nossa Senhora de Guadalupe, Praia de Itaparica, Vila Velha – ES;

Paróquia de pastoral: Santuário Bom Pastor, Campo Grande, Cariacica – ES.

Gabriel Viçose| A minh ‘alma tem sede de vós, como a terra sedenta, ó meu Deus! (Sl 62) Amados irmãos e irmãs em Cristo
Gabriel Viçose| A minh ‘alma tem sede de vós, como a terra sedenta, ó meu Deus! (Sl 62)

Amados irmãos e irmãs em Cristo Jesus, que o Amor de Deus que nos purifica e dá vida esteja sempre presente em nossos corações! A liturgia deste 12º domingo do Tempo Comum nos convida a ver na vida de Jesus a promessa de salvação de Deus para cada um de nós. Na aparente contradição de sua paixão está a fonte que sacia nossa sede de Deus, expressa no Salmo 62.

Por obediência a Deus e por amor absoluto aos seres humanos, Cristo cumpre sua missão de reconduzir a criação ao projeto do Pai. Disposto a morrer, Jesus promoveu a reconciliação da humanidade com Deus durante toda a sua vida.

Na primeira leitura, retirada da Profecia de Zacarias, Deus promete a regeneração espiritual e escatológica da nação. Interessante perceber que o povo somente perceberá o enviado do Pai diante do sofrimento e da morte, e então o chorarão como se chora pela perda de um primogênito.

Possui grande riqueza a afirmação paulina (segunda leitura) acerca da filiação divina como corolário do batismo. Aqueles que abraçam a cruz do Senhor e renunciam a si mesmos não devem mais julgar, tampouco classificar, as pessoas segundo categorias (judeu ou grego, escravo ou livre). Em Cristo, somos todos abençoados e elevados a uma dignidade superior, destinados a uma vida plena.

O Evangelho narra a percepção das pessoas sobre Jesus e sua missão. Quando interroga a seus discípulos, obtém respostas as quais apontam para a tradição profética. Entretanto, Jesus não parece ficar satisfeito com a resposta incerta do povo e direciona sua pergunta aos discípulos: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (v. 20). Assumindo a liderança da comunidade dos discípulos, Pedro responde com convicção: “Tu és o Messias de Deus”.

A proibição severa de Jesus quanto a divulgação dessa informação se dá pela predição da paixão. Significa dizer que o messianismo de Jesus percorre a via da rejeição por parte do poder político e religioso. Sendo assim, o Ungido de Deus deve antes passar pelo sofrimento e pela morte. Convém ressaltar que o texto de Lucas é perspicaz: diz que Jesus deve “ser morto” (v. 22), não que “deve morrer”, indicando, assim, que a morte de Jesus não é natural nem desejada por Deus simplesmente, mas tem responsáveis por ela.

Em relação à adesão a Jesus Cristo, as condições necessárias para sermos seus discípulos são formuladas a partir de dada condição (“se”), o que revela a liberdade de decisão para o seguimento. Quem quer que decida pelo projeto de Jesus terá de “renunciar a si mesmo e tomar a cruz” (v. 23), significando a profunda doação da vida
de Cristo e dos que a ele desejam se configurar.

Em derradeiro, devemos refletir, à luz dessa palavra, a séria negação de tantos direitos no momento em vivemos. Como cristãos batizados, imersos no mistério da paixão de Cristo, não devemos compactuar com injustiças institucionalizadas as quais O crucificam novamente.

Que Maria, Mãe das Dores, interceda por nós e pelos condenados da Terra.

 

Gabriel Viçose                                                                                                                                                              Seminarista do 2º ano de filosofia

Paróquia de origem: Ressurreição, Goiabeiras, Vitória – ES

Paróquia de pastoral: Santíssima Trindade, Aribiri, Vila Velha – ES