Seminário

Paulo Henrique| “Abençoado seja Abraão pelo Deus altíssimo” (Gn. 14, 19).   Nesta solenidade de Corpus Christi, celebramos a presença real de Cristo em
Paulo Henrique| “Abençoado seja Abraão pelo Deus altíssimo” (Gn. 14, 19).

 

Nesta solenidade de Corpus Christi, celebramos a presença real de Cristo em meio a nós no sacramento da Eucaristia. É o próprio Cristo que se dá em alimento ao povo. Alimento eterno e supremo, a grande Eucaristia.

Na primeira leitura de hoje, vemos Melquisedec dizendo: “Abençoado seja Abraão pelo Deus altíssimo” (Gn. 14, 19). Os dizeres de Melquisedec se tornam benção. Ele abençoa Abraão em quem todos os povos da terra serão abençoados (Gl. 3, 8). É a partir da benção que as coisas tomam partido. A história gerada do bem parte de palavras de bem.

Por quê abençoar? Porque assim, a palavra se transforma em dom. Por que é algo feito para os outros, não para si. Não é somente dizer palavras bonitas, mas é transmitir o bem, é dizer com amor. E assim foi feito por Melquisedec a Abraão. Assim fez Jesus, no evangelho de hoje, que, ao erguer os olhos aos céus, tomando consigo os cinco pães e os dois peixes, proferiu sobre eles a benção. E após a benção, com a partilha e distribuição gratuita dos alimentos, Ele mostra o significado da benção.

A benção faz parte da nossa vida, nós a recebemos em muitos momentos. No dia do nosso batismo fomos abençoados, e em alguns contextos pedimos e recebemos a benção dos nossos pais, tios, padrinhos e madrinhas, etc. Ela compõe a nossa história.

A Eucaristia é fonte de benção para nós. É Deus que nos fortifica e nos encoraja a continuarmos a caminhada.  É Deus quem intervém na nossa história, cuidando de nós, como um pai que providencia o alimento para o filho quando este não o encontra. A Eucaristia é o único alimento que nos sacia e que nos nutre verdadeiramente e nos transforma em portadores da graça de Deus.

 

Paulo Henrique Innocente da Silva                                                                                                                              Seminarista do 2º ano de filosofia.

Paróquia de origem: Bom Jesus, Novo Horizonte, Cariacica – ES;

Paróquia de pastoral: São Francisco de Assis, São Francisco, Cariacica – ES.

“Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade.” (Jo 16, 13) Neste dia, em especial, em que celebramos a
“Quando, porém, vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à plena verdade.” (Jo 16, 13)

Neste dia, em especial, em que celebramos a Solenidade da Santíssima Trindade, a Igreja encontra-se diante do grande mistério de Deus que não precisa ser explicado, uma vez que através dele podemos compreender o tamanho da Majestade e Poder que foi revelado por Nosso Senhor Jesus Cristo antes de voltar para o Pai, este é o inexplicável amor que inunda nossos corações e nos leva ao Único, no mistério da nossa salvação.

Durante a nossa vida, Deus Pai, Filho e Espírito Santo se revela em sua grandeza, mas em especial hoje, Ele nos mostra seu amor Ágape que é ofertado gratuitamente e podemos encontrá-lo de forma amorosa no outro, desde que tenhamos a capacidade de sair de nós para que nossos olhos, corações e atitudes estejam ligados ao coração do Pai, pois Ele está em nós e nós devemos estar nele, do mesmo jeito que amorosamente somos chamados a partilhar desse mistério.

A Liturgia desta Solenidade é um convite, não uma imposição, mas sim um chamado a partilhar, e não precisamos em momento algum de revelações, pois Cristo, nosso Amor Maior, já nos foi revelado e com ele todas as coisas.

Na Primeira Leitura encontramos uma tentativa de explicar o Amor de Deus por nós, não no teórico, mas nas entrelinhas o autor sagrado faz uma relação de amor, aparentemente de um casal, ou de alguém muito apaixonado que apenas por estar presente em todos os momentos desta narração, nos revela como se dá o misterioso amor de Deus por nós, este que é gratuidade, nos levando a acreditar que antes de pensarmos, já existíamos no Coração de Deus e acontece esse abandono nos braços do Pai. Aqui somos convidados a participar desse grande mistério. Ainda mais somos chamados a entrar nessa graça que só por amor pode nos ser concedida, além de termos este olhar de ternura para todos os que sofrem.

São Paulo, ao escrever aos Romanos na Segunda Leitura, também nos exorta, como já mencionado anteriormente, somos justificados pelo amor, Deus em sua infinita misericórdia nos deixa em Paz, pois em Jesus Cristo encontramos a razão da vida. O que era antes justificado pela lei, agora é revelado, pois o véu se rasga e podemos ver claramente o tanto que somos quistos pelo Criador, este que não temos nem palavras para descrever o seu tamanho, Ele apenas é, e como dizia Santo Agostinho: Viste o amor, viste a Trindade. “Bendito seja Deus Pai, bendito seja o Filho unigênito, bendito seja o Espírito Santo! Deus foi misericordioso para conosco! ”

No Evangelho, encontramos uma parte do discurso de despedida que Jesus faz, mas durante esse momento Ele promete que enviará o Espírito Santo Paráclito. Como é lindo ver Jesus em sua grandiosidade e bondade, amou tanto este mundo que em sua ascensão é enviado por livre vontade essa Graça que Santifica a Igreja Primitiva nas pessoas dos Apóstolos, e hoje se estende por todo o mundo o amor de Deus. Esta relação entre os irmãos, nasce e já é fortalecida pelo próprio Jesus. Por isso é necessário que cada um de nós faça uma experiência íntima com Deus e, de fato, uma comunhão fraterna de amor com os irmãos. Quem é mergulhado uma vez no amor único da Santíssima Trindade, aprende que o melhor caminho é seguir os passos de Jesus, pois ali encontramos um olhar de amor, este que não condena, mas abraça o mundo com sua misericórdia.

Ao desenvolvermos uma amizade íntima e constante com Jesus, somos capazes de entender, em nossas vidas, a presença de salvação dada a nós, por Jesus, que nada mais é: encontrar no outro o amor e alicerçar a nossa casa, nosso destino na cruz do amor de Jesus Cristo.

Que esta Solenidade da Santíssima Trindade seja um convite a nos encontrarmos verdadeiramente com Deus, neste mistério onde tudo se resume ao amor. Devemos recordar que os discípulos de Cristo foram formados na escola deste amor maior, e se tornaram para o mundo testemunhas oculares e formadores da misericórdia em Deus. Por isso, deixemos de lado nossas dúvidas deste mistério, que não é mistério, e sejamos assim como Maria foi, atentos, fiéis e que não precisava de nenhuma explicação, pois todas que fossem dadas seriam pequenas para o tamanho do amor que havia em Jesus.

Sejamos conduzidos e conduzamos todos à comunhão com o Senhor!  Que seja despertado em nós, o desejo sincero de anunciar essa verdade aos irmãos, porque assim como nós, eles também são frutos deste amor que se derrama em todos os corações.

 

Mateus Baptista

Seminarista do 1º ano de filosofia

Paróquia de origem: Nossa Senhora de Fátima, Pedra Azul, Domingos Martins – ES;

Paróquia de pastoral: São João Batista, Cariacica Sede – ES.

Victor Hugo| ´´Recebei o Espírito Santo“ (Jo 20, 22) A origem da festa de Pentecostes está relacionada a uma celebração festiva em que se
Victor Hugo| ´´Recebei o Espírito Santo“ (Jo 20, 22)

A origem da festa de Pentecostes está relacionada a uma celebração festiva em que se davam graças a Deus pela safra do ano, ao ponto de virem diversos israelitas para Jerusalém, a fim de adorar a Deus no Templo. Com o passar dos anos, foi acrescentado a essa celebração a  instituição da Lei dada por Deus no Monte Sinai. Por fim, essa grande festa foi transformada em uma nova festa, a festa do Pentecostes da Nova Aliança, que é a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos e a Virgem Maria no cenáculo. Sabe-se que, atualmente, essa solenidade ocorre após 50 dias da festa da Páscoa do Senhor e, assim, encerrando o tempo Pascal.

Como é belo refletir e meditar sobre o quarto versículo do capítulo doze da primeira carta de São Paulo aos Coríntios, quando o próprio Apóstolo afirma “Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito”! Destaca-se que, ao analisar a história da Igreja, desde o seu primórdio até os tempos hodiernos, pode-se confirmar essa afirmação do Apóstolo, uma vez que ao longo da história da Igreja foram sendo gerados e floridos os mais belos dons e ministérios para salvação das almas.
   Essa unidade que o Consolador é capaz de promover é averiguada nos próprios atributos da Igreja, em sua unicidade. Não obstante, diversas vezes na sua história, várias pessoas buscaram romper essa unidade promovida pelo Espírito, contudo, a força do Paráclito foi capaz de perpetuar tal comunhão. Vale salientar que não é uma unidade estática, mas, uma unidade que impulsiona, que impele o homem a almejar, apesar da sua diversidade e da sua subjetividade, compreender que uma vida em Cristo é uma vida a qual leva a unidade na diversidade.
   Observa-se que essa unicidade da Santa Igreja está presente no próprio episódio de Pentecostes, já que os discípulos se encontravam reunidos no cenáculo. Também é notório que essa variedade e unidade que o Espírito propõe é para edificação do corpo de Cristo, que é a Igreja. Logo, a unidade poderá florescer nos terrenos mais difíceis por meio do Espírito, haja vista ser o Espírito aquele que realiza a vida e a edificação da Igreja.
Celebrar a solenidade de Pentecostes é fazer memória desse ato de amor de Deus para com a humanidade, de forma mais objetiva, para comigo e para contigo. Esse amor de Deus derramado no coração da humanidade, não é um amor que o medo é capaz de deter, é um amor que impulsiona, que faz com que seja possível sair do seu lugar para ir ao encontro do outro. Tal fato é ratificado ao se observar que, quando os apóstolos fizeram essa experiência magnífica foram capazes de romper com o medo que os impedia de anunciar a Cristo.
 Esse anúncio fervoroso que os discípulos fizeram ao longo das suas vidas foi responsável para que as sementes do Espírito fossem difundidas pelos quatro cantos do mundo, ao ponto de chegar aos nossos corações e fazer florescer em nossas vidas e, com isso, somos capazes de romper com nossos medos e inseguranças com o fito de anunciar o Evangelho a todos que o Senhor nos confiar.
   A beleza da missionariedade da Igreja é algo que constrange aqueles que estão fora, mas, sobretudo, a nós que fazemos parte da Igreja, já que é possível observar a vida de tantos homens e mulheres, nas mais diversas vocações, que foram capazes de se abrir ao mover do Espírito chegando ao nível de derramarem seu próprio sangue em resposta a esse Amor.
Segundo diversos Santos, o verdadeiro e eficaz apostolado nasce da oração pessoal e, dessa forma, da intimidade com o Senhor, sendo que tal amizade só pode ser construída por meio do Paráclito. Por isso, é sumamente importante despertar nas consciências o valor que essa intimidade com o Consolador é capaz de proporcionar.

Diante disso, conclui-se que assim como uma criança vai amadurecendo dia após dia, assim deve ser a relação na vida com o Espírito Santo. Com isso, deve-se pedir e clamar diariamente, desde o levantar até o deitar, a vinda do Paraclito na nossa vida, a fim de que a promessa de Cristo possa nos guiar no escuro e no frio aquecer.

Victor Hugo Nogueira da Gama Andrade 
Seminarista do segundo ano de Filosofia
Paróquia de origem: Nossa Senhora de Guadalupe, Praia de Itaparica, Vila Velha – ES
Paróquia de pastoral: Epifania do Senhor aos Reis Magos, Nova Almeida, Serra – ES.
João Vitor Ferreira |´´O Cordeiro imolado é digno de receber o poder e a divindade.“ ( Ap 5,12)   Seguindo nosso itinerário pascal nos

João Vitor Ferreira |´´O Cordeiro imolado é digno de receber o poder e a divindade.“ ( Ap 5,12)

 

Seguindo nosso itinerário pascal nos deparamos com o ardente testemunho dos apóstolos e da igreja nascente acerca de nosso Senhor, que ressuscitado, “é digno de receber honra, glória, poder e louvor”( Ap 5,12). Na primeira leitura podemos observar com que seriedade e compromisso os apóstolos buscavam dar continuidade ao projeto salvífico de nosso Senhor, não temendo as autoridades que permaneciam ferozes e desejosas de combater quaisquer resquícios da pregação daqueles que testemunharam as bem aventuranças do Messias.

 

A palavra anunciada pelos apóstolos após serem milagrosamente soltos da prisão, provoca e agita os que se opõem à verdade e temem perder sua soberania e majestade. Entretanto,  uma vez que os apóstolos são testemunhas de fato do Cristo que padeceu no madeiro mas ressurgiu glorioso do sepulcro, nada temem, e podem com convicção proclamar “Deve obedecer-se antes a Deus que aos homens.” ( At 5,29). Assim em nossa vida hodierna, como os apóstolos, não devemos temer o mundo, que incessantemente deseja que cedamos aos seus caprichos e deixemos de proclamar com nossas palavras, mas sobretudo com nosso testemunho que Jesus é o Senhor.

 

Encerrando nossa reflexão, encontramos o último texto adicionado ao evangelho escrito por João. Neste capítulo, já não se referem notícias sobre a vida, a morte ou a ressurreição de Jesus. Os protagonistas são, agora, um grupo de discípulos, dedicados à atividade missionária. O autor descreve a relação que esta “comunidade em missão” tem com Jesus, reflete sobre o lugar de Jesus na atividade missionária da Igreja e assinala quais as condições para que a missão dê frutos. Podemos então refletir em duas partes, dois momentos.

 

No primeiro Jesus se encontra à margem do lago, com isso podemos notar que lançar as redes tem sido em vão, a noite escura penetra a alma e os corações dos discípulos, assim como em nossas vidas quando deixamos Jesus a margem de nossa história e aos poucos vamos perdendo o ânimo, a firmeza de nossas ações e a fertilidade de nossas obras, deste modo, percebemos que nada podemos fazer sem Jesus. Tudo aquilo que pensamos como missão, neste caso associada à pesca, é em vão se não buscamos fazer por Cristo, com Cristo e em Cristo.

 

No segundo momento  encontramos a confirmação da fé de Pedro, bem como a de todos nós como Igreja, no texto Jesus dialoga com Pedro, três perguntas, três respostas, três conclusões: apascenta, serve, cuida das minhas ovelhas. . A pergunta que Jesus dirige a Pedro a fim de o confirmar em seu ministério de chefe dos Apóstolos e cabeça visível da Igreja, é dirigida também a cada um de nós, o Senhor espera de seus discípulos uma resposta não menos calorosa e sincera que a de Pedro.

Por isso, devemos perguntar-nos hoje e sempre se amamos realmente a Cristo. Embora reconheçamos com Simão nossa incapacidade de O amar como Ele merece ser amado, temos de fato nos esforçado por oferecer-Lhe todo o amor de que somos capazes, em nossa fragilidade e miséria? Não O podemos enganar, fingindo ter por Ele uma caridade que ainda não possuímos, mas podemos render-nos à sua bondade e pedir-Lhe que venha em socorro ao amor, que por agora lhe temos. Supliquemos neste dia que Ele se digne enviar-nos o seu Espírito Santo, que por sua divina virtude pode aquecer o que em nós está frio, iluminar a escuridão do nosso egoísmo e levar-nos à plenitude da caridade.

 

 

João Vitor Santana Ferreira

Seminarista do 1º ano de Filosofia;

Paróquia de origem: Bom Pastor, Nova Carapina I, Serra – ES;

Paróquia de pastoral: Mãe da Divina Misericórdia, Marcílio de Noronha, Viana – ES.

A Assembleia Legislativa do Espírito Santo realizou uma Sessão Solene em homenagem aos padres e bispos, particularmente recordando o septuagésimo primeiro aniversário de nosso
A Assembleia Legislativa do Espírito Santo realizou uma Sessão Solene em homenagem aos padres e bispos, particularmente recordando o septuagésimo primeiro aniversário de nosso Seminário.
 
A cerimônia que ocorreu no plenário Dirceu Cardoso e proposta pelo Deputado Estadual Alexandre Xambinho (PSC) homenageou 30 religiosos, além do Seminário. Padres de várias localidades do Estado receberam a comenda “Arautos da Paz”, concedida a líderes religiosos que se destacam no compromisso de promover a paz, o respeito ao próximo e a justiça social.
 
Representando nossa Casa, Padre Jorge Campos (Reitor e Vigário Geral da Arquidiocese) recebeu a placa comemorativa. Em seus dizeres pontuou a importância não só religiosa, mas social do Seminário na história, cultura e educação do povo capixaba. E, por fim, recordou as figuras ilustres que passaram por nossa formação, citando os nomes de Dom Geraldo Lyrio Rocha (Arcebispo Emérito de Mariana-MG) e do ex-Governador e Senador da República, Gerson Camata (in memoriam).
 
Dentre os padres homenageados, alguns fizeram o uso da palavra, como o Padre Rodrigo Chagas (Administrador Paroquial de São Sebastião do Alto Guandú, Afonso Cláudio), que no seu discurso falou sobre a promoção de uma “Paz que nos faz ser firmes e confiantes que, mesmo em meio à guerra, estamos em paz porque temos um Deus que nos fortalece”; e do Padre Ruan Coutinho da Cruz (Vigário em Muquiçaba, Guarapari-ES) que ressaltou o papel da Igreja durante a Pandemia: “É um equívoco falar que a Igreja esteve adormecida nesses dois anos. Foi um trabalho silencioso, discreto, de assistência sacramental, unção dos enfermos, atendimento de confissões e as missas nunca deixaram de acontecer, mesmo que virtuais”.
 
Homenageados com a Comenda Arautos da Paz
Dom Andherson Franklin Lustoza de Souza
Dom Lauro Sérgio Versiani Barbosa
Padre Diego Carvalho dos Santos
Padre Rodrigo Chagas
Padre Jader Jesus Silva
Padre Edson Delfino
Padre Hugo Pereira de Souza
Padre Jonas Nunes Coutinho
Padre Patric da Silva Wanderley
Padre Jones dos Santos Teixeira
Padre Ivomar de Souza Cordeiro
Padre João Batista Vieira
Padre Juliano Ribeiro Almeida
Padre Clebson de Souza Rodrigues
Padre Vandaike Costa Araújo
Frei Juan Antônio González Espejel
Padre Robson Lemos Pereira
Padre Zaelton da Costa Nascimento
Padre Edmilson Boechat de Castro
Padre Fábio Eduardo de Lima Santos
Padre Antonio Luiz Pazolini Pandolfi
Padre Éder Mataveli Vargas
Padre Firmino Costa Martins
Padre Neíl Joaquim de Almeida
Padre Ruan Coutinho da Cruz
Padre Vicente Osmar Batista Coelho
Padre Cláudio Alves Moreira
Padre Jonathan Costa Rocha
Homenageados com placas

Padre Henrique Evangelista de Oliveira

Seminário Nossa Senhora da Penha

Pe. Jorge Campos | Homilia proferida na Festa da Penha, 2022, Missa da CRB, SAV e Seminário Nossa Senhora da Penha, celebrada no Campinho
Pe. Jorge Campos | Homilia proferida na Festa da Penha, 2022, Missa da CRB, SAV e Seminário Nossa Senhora da Penha, celebrada no Campinho do Convento.

 

Povo eleito do Senhor! Povo regenerado e santificado no Mistério Pascal de Jesus Cristo.

Prezados Vocacionados, Religiosos, Religiosas e Seminaristas.

Sentimo-nos acolhidos por Nossa Senhora da Penha nessa manhã festiva. Com Maria, nos alegramos pela Ressurreição de seu Filho. Ele é o vencedor da morte, do pecado, das doenças e da dor.

Com Maria, podemos cantar: “salve, Cristo Jesus, vencedor da doença, da morte e da dor!

Quantas preces rogamos à Mãe de Jesus nesses anos de pandemia; rezando pela ciência, pela vacina, pelos cientistas, pelos médicos, pelos enfermeiros, pelos cuidadores… E continuamos a rezar nessa Festa da Penha suplicando: “Saúde dos enfermos, rogai por nós”!

As leituras de hoje nos apresentam três mulheres: Judite, Izabel e Maria. Aliás, desde o Domingo de Páscoa, estamos acompanhando o protagonismo das mulheres no anúncio e reconstrução do projeto de mundo novo; inaugurado por Cristo na Cruz.

Judite: mulher judia, como o próprio nome indica, mulher do povo, do povo de Deus, mulher viúva de bela aparência, temente a Deus e em sintonia com os sofrimentos do povo de Deus. No texto proclamado ela é exaltada porque se opõe à ruina, ao extermínio de seu povo. Povo fragilizado e que corre grande risco. Povo dominado e explorado pelos poderosos, que impunham suas ideologias e seus costumes contrários aos costumes, à religião e à cultura do povo de Deus. Esses poderosos, com sua força de guerra e exércitos, são uma ameaça para o povo Deus.

Diante desse contexto de morte, perigo e aniquilação do povo de Deus, a viúva Judite sai do luto. Do luto à Luta! Do luto pela perda do esposo à luta pela defesa da vida e sobrevivência do povo. Ela deixa as vestes de viúva e supera, não somente sua condição social e cultural, mas também o preconceito da cultura patriarcal onde as mulheres não podiam assumir liderança de destaque como protagonistas na condução e libertação do povo.

A Palavra de Deus nos diz que ela se levanta. Estar de pé: gesto de prontidão para agir, para lutar e para colocar-se à disposição do Senhor. Judite se prepara para enfrentar o inimigo do povo de Deus. Judite, antes de sair para a luta, eleva uma prece a Deus dizendo: “Senhor, escuta esta viúva! Aí estão os inimigos cheios de orgulho; eles quiseram profanar teu Santuário. Dá força à mão desta viúva, para eu fazer aquilo que planejei! Esmaga a altivez de Holofernes pelas mãos de uma mulher, pois Tu és o Deus dos humildes, o socorro dos mais pequenos, o defensor dos fracos, o protetor dos rejeitados, o salvador dos desesperados”.

Terminada sua prece, Judite vestiu-se com traje esplendoroso, ungiu-se com um perfume especial, colocou na cabeça um diadema refulgente de pedrarias, enfeitou-se com um colar de pérolas, braceletes, anéis, brincos e calçou sandálias bordadas de ouro; essas sandálias eram tão bonitas que iriam arrebatar os olhos do general.

Irmãos e irmãs, nós também, pelo Batismo, somos revestidos com as vestes da salvação, ungidos com o óleo perfumado. Exalando por toda parte o odor de Cristo, o perfume da Graça e da Santidade, podemos enfrentar os inimigos que se opõe ao nosso propósito de vida. Podemos, nesse mundo de superficialidades e banalidades, seduzir novos irmãos para Cristo, para a Igreja, para o Reino e para tantos projetos que visam salvar o povo da fome, da indiferença e da violência.

Judite é prenúncio, figura da mulher cheia de graça, bendita, corajosa, mãe dos pobres, que enfrentará o Calvário com seu Filho Jesus. Judite – ao decepar a cabeça do inimigo – quer mostrar que, pelas mãos dos que lutam com o Senhor e pelo seu reinado, se pode com coragem e fé desarticular os planos malvados, os cérebros pensantes do mal e das articulações malignas e maldosas.

Essas cabeças do mal serão vencidas, esses comandos pensantes contrários ao projeto de Deus serão esmagados com todas as suas articulações: poderes de ontem e de hoje que se opõem ao projeto de Deus e que estão a serviço da morte, da guerra e de todo tipo de mal.

Maria, mulher judia, – prefigurada em Judite, em Esther e em tantas mulheres da Bíblia – menina de Nazaré, cheia de graça e beleza, escolhida por Deus para ser a Mãe do Salvador, em seu belíssimo cântico proclamado nessa liturgia, com espírito alegre e coração agradecido reconhece: o Senhor “olhou para a humildade de sua serva”.

E pronuncia palavras revolucionárias: “dispersou os soberbos de coração. Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos, e despediu os ricos de mãos vazias”.

Ao sofrerem a ação “de destronar os poderosos e ricos e despedi-los de mãos vazias”, também estes – os ricos e poderosos – recebem do próprio Senhor a oportunidade de serem elevados ao Reino dos Céus; de terem verdadeiramente tesouros não perecíveis; de, em Cristo, terem a oportunidade de encher mãos e coração de graças e de bens eternos: aqueles tesouros no céu, onde nem a traça e nem ferrugem corroem.

Em Isabel, também judia, Deus fez o impossível: já em idade avançada ficou grávida de João Batista, o grande profeta precursor, que preparou o povo para a chegada do Messias. Isabel, cheia do Espírito Santo, agraciada por tornar-se uma das personagens protagonistas no Mistério da Encarnação, tem a alegria de ser a primeira a pronunciar, a gritar, as palavras com as quais nós rezamos em cada Ave Maria: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o Fruto do teu Ventre”!

Três mulheres: o que elas têm em comum? Esvaziam-se de si mesmas e se deixam transbordar da presença de Deus. Mulheres repletas de fé, de corações transbordantes de amor, de esperança e de coragem.

Elas representam todos os pequenos e fracos aos olhos do mundo, mas portadores de uma força transformadora da realidade; porque guiados por Deus. São mulheres mobilizadoras, não de projetos pessoais, mas de projeto de povo; projeto de sociedade; projeto de mundo novo sem exploração, violência e doenças, sem guerras e injustiças; de projetos de Reino de Deus.

Nesse ambiente pascal, vivido de forma tão vibrante nessa Oitava de Páscoa e Festa da Penha, essas três mulheres transfiguradas pelo Mistério da Redenção têm muito a nos ensinar, a nos inspirar e encorajar. Falam, sobretudo, a nós vocacionados, religiosos, religiosas e seminaristas.

Falam-nos e ensinam-nos: 1) a sintonia e o conhecimento da realidade do povo, dos seus desafios, dos seus sonhos,   de suas alegrias e de suas esperanças; 2) a capacidade de transcender nossas fragilidades; e, com fé e ousadia,  nos impulsionam a lançarmo-nos na missão ao encontro dos irmãos; para anunciar-lhes o Evangelho da Alegria e apresentar-lhes a Igreja e a proposta do Reino; 3) a capacidade de admiração, de contemplação e de reconhecimento da  Santidade, da Misericórdia e do  poder de Deus; 4) a buscar cotidianamente fazer a experiência da kenosis, do esvaziamento, da humildade.

Convidam-nos, por fim, a abandonarmos nossos projetos de poder e pretensões triunfalistas.  Propõem-nos a recusa às tentações de grandeza e de autossuficiência; para sermos verdadeiros discípulo-missionários.

Nesse ousado projeto de vida temos como Mãe e Mestra a Virgem Maria, que nos ensina a rezar e a cantar: “a minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu salvador, porque olhou para a humildade de sua serva”.

Assim seja. Amém!

 

Padre Jorge Campos Ramos

Vigário Geral da Arquidiocese de Vitória e Reitor do Seminário Nossa Senhora da Penha

 

Willian da Silva Meirelles | ´´ Meu Senhor e meu Deus! “   No domingo da Páscoa, os apóstolos (exceto São Tomé) estavam reunidos em
Willian da Silva Meirelles | ´´ Meu Senhor e meu Deus! “

 

No domingo da Páscoa, os apóstolos (exceto São Tomé) estavam reunidos em cenáculo com as portas fechadas por medo dos judeus. Hoje, no segundo domingo – também conhecido como Domingo da Misericórdia –, o Senhor entra no mesmo local, sopra sobre eles o Espírito Santo e os envia em missão.

São Tomé, que outrora não havia acreditado que Jesus aparecera aos apóstolos e afirmara que somente acreditaria vendo o próprio Cristo e pondo a mão em suas Chagas, realiza a sua confirmação. Jesus o diz: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado.”. Tendo ele então acreditado no que havia visto, realiza uma das mais belas profissões de fé: “Meu Senhor e meu Deus! ”.

Num mundo marcado por inúmeros conflitos e tomado por uma racionalidade vazia em si mesma, somos tentados a abandonar aquilo que acreditamos, seja por medo, angústia, provação e, por vezes, covardia, assim como os Apóstolos antes de Pentecostes. Porém, ao realizarmos uma experiência com o Senhor Ressuscitado, somos tomados pelo Espírito Santo e enviados para anunciar suas maravilhas e proclamar a Boa Nova da salvação. Certamente as dificuldades não desaparecerão com o encontro com o Senhor, mas, olhando para a vida dos Santos, a grandeza dos Apóstolos e os ensinamentos da Igreja, podemos renovar a nossa fé em busca do Reino que não terá fim.

Neste Domingo da Misericórdia recordamos, também, a instituição do Sacramento da Reconciliação, quando Cristo diz: “Recebei o Espírito Santo. A quem perdoardes os pecados, eles lhe serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhe serão retidos.”. É através dessa infinita misericórdia que o Pai acolhe os filhos arrependidos em seu Reino, pela conversão e renovação dos corações, lembrando-os sempre do Calvário. Santo Agostinho, no seu livro “Credo”, diante da ressurreição, responde ao seguinte questionamento: “Será que Jesus não poderia ter ressuscitado sem nenhuma chaga? ” E o santo respondeu: Claro, ele poderia ter ressuscitado sem suas chagas, mas ele não o fez pelo nosso bem, para mostrar o amor com que fomos amados. Chagas abertas de amor.”. Se antes as portas do cenáculo estavam fechadas, o Coração de Jesus Cristo estava escancarado para amar a seus filhos e derramar bençãos sobre todos nós.

Assim como os apóstolos saíram em missão para levar o Evangelho e fazer experimentar o amor de Deus onde passassem, sejamos esta Igreja, que sai para levar o Evangelho a todos os cantos da terra, pregando a ressurreição de Jesus, mas sem deixar-se esquecer da Santa Cruz pela qual o amor foi manifestado.

Que Maria Santíssima, nossa Mãe misericordiosa, interceda por nós a Cristo Jesus, para que também nossas almas possam glorificar a Deus e alcançar, por seu Imaculado Coração, as graças que precisamos para percorrermos a estrada de nossa vida, rumo ao mundo que não terá fim: o Reino da Misericórdia.

 

 

Willian da Silva Meirelles

Seminarista do 1º ano de Filosofia

Paróquia de origem: Virgem Maria, Itacibá, Cariacica – ES;

Paróquia de pastoral: Sagrada Família, Jardim Camburi, Vitória – ES.

César Delarmelina |   A Liturgia da Igreja assume, nesta Sexta-feira da Semana Santa, o máximo de despojamento, à semelhança do acontecimento que comemora.
César Delarmelina |

 

A Liturgia da Igreja assume, nesta Sexta-feira da Semana Santa, o máximo de despojamento, à semelhança do acontecimento que comemora. A começar pelo ordenamento da própria cerimônia, que se apresenta privada de canto à entrada, das velas e do incenso – bem como da saudação e da veneração ao Evangelho-, em tudo transparece a gravidade e o silêncio, como convites à oração e à contemplação.

Terminada a prostração e concluída a Oração do Dia, inicia-se a Liturgia da Palavra, na qual se coloca em evidência a semelhança do Servo Sofredor e abandonado com o Cristo, Cordeiro inocente entregue e crucificado. De fato, as palavras cantadas no estribilho do Salmo Responsorial são postas na boca de Jesus, já na cruz, (Lc 23, 43) ao passo em que se realiza n’Ele a dramática sucessão de cenas descrita na Primeira Leitura, da profecia de Isaías (Is 52, 13-53, 12).

O drama da Paixão, neste dia, nos é narrado pelo Evangelista São João (Jo 18, 1-19, 42), que, a modo de Isaías, parece descortinar diante do leitor-ouvinte uma sucessão de atos, à semelhança da representação de um drama teatral. A dolorosa “peregrinação” de Jesus, julgado pela autoridade local e depois pelo representante de Roma, bem como as negações de Pedro, causam profunda impressão pela riqueza de detalhes, pela composição de lugar e de personagens.

Tal riqueza tem também em vista o proveito espiritual daquele que ouve e medita. Na verdade, nenhum dos personagens descritos nesta história da Paixão deveria passar como mero “figurante”, pois que a postura de cada um deles diante da entrega do Senhor pode muito bem assemelhar-se à nossa, em nossa caminhada cristã.

Em Judas, o ladrão-traidor, encontra-se aquele que, apesar de declarado discípulo e amigo próximo, deixa-se corromper e entrega, com um falseado gesto de amor – neste caso, um beijo – ao que só lhe quer bem. Não muito distante, um outro discípulo – do qual se esperava, pelo próprio nome que recebera, que fosse firme naquela hora -, sem pensar duas vezes, nega o Mestre por três vezes. Em todo este variado “corpo de atores” aparece quem, na sucessão dos atos, manifeste indiferença, desprezo, ou prefira somente lavar as mãos e se eximir de qualquer responsabilidade para com o condenado.

Duas figuras, dentre outras, no entanto, se destacam, pois que seguem invictas até o desfecho de toda a dolorosa trama: no alto do Calvário, Maria e um dos discípulos acompanham, em silêncio oblativo, a entrega máxima do Crucificado. Não obstante a presumível fragilidade da mãe-mulher, é ela quem ali permanece, por seu amor sustentada de pé (Jo 19, 25a), e, tendo muito amado, é entregue ao discípulo amado, que a acolhe consigo (Jo 19, 27). Note-se que o texto sublinha que o discípulo a acolheu consigo, e não somente em casa: ele a recebeu num vínculo verdadeiramente filial, e nele, toda a Igreja, que ali mesmo, à sombra do mistério da cruz, haveria de germinar e nascer.

Contemplando neste dia esta história de amor e entrega, reflitamos sobre a postura que desejamos assumir no desdobramento do drama, que ainda hoje se atualiza. Não se pode, de fato, comparar o relato da Paixão do Senhor com um roteiro de folhetim, mas sua atenta escuta, com o auxílio da reflexão e da imaginação, muito pode nos ajudar a enfim despir-nos de nossos personagens e caricaturas, para assim nos achegarmos de coração despojado, puro e sincero, ao trono da misericórdia – o altar da cruz. Que nos ajudem a Virgem das Dores e seu divino Filho Crucificado. Assim seja.

 

César Augusto Flegler Delarmelina 

Seminarista do 3º ano de teologia 

Paróquia de origem: São Sebastião do Alto Guandú, Afonso Cláudio – ES;

Paróquia de pastoral: Nossa Senhora de Guadalupe, Praia de Itaparica, Vila Velha – ES.