Seminário

Na manhã de ontem, 02 de agosto, aconteceu a Santa Missa de abertura do segundo semestre letivo de 2021, que marca o início dos
Na manhã de ontem, 02 de agosto, aconteceu a Santa Missa de abertura do segundo semestre letivo de 2021, que marca o início dos estudos do período.
A celebração Eucarística foi presidida pelo Arcebispo Metropolitano Dom Dario Campos, e ocorreu na capela do Centro Universitário Salesiano (UniSales), instituição onde se cursa a Filosofia. Com a presença dos vocacionados dos quatro seminários de nosso Regional, além dos religiosos que estudam em nosso Estado, padres, alunos e professores acompanharam a cerimônia.
Ao final, o coordenador do curso de Filosofia, o Prof. Ms. Paulo Delboni e o coordenador do curso de Teologia, o Prof. Dr. Pe. Arthur Francisco Juliatti dos Santos reafirmaram os trabalhos e atividades propostas no início do ano em caráter presencial e assinalaram perspectivas de novos investimentos e projetos para a formação eclesial do Regional Leste 3 da CNBB, constituído em abril deste ano.
Rezemos diligentemente por esse semestre letivo a fim de que os estudos frutifiquem e formem sábios pastores para a nossa Arquidiocese.
No último dia 30 de julho, os seminaristas de nossa Arquidiocese passaram por um dia de espiritualidade a fim de prepará-los para o início
No último dia 30 de julho, os seminaristas de nossa Arquidiocese passaram por um dia de espiritualidade a fim de prepará-los para o início do segundo semestre.
O dia de espiritualidade centrou-se no tema “A experiência de Vida Comunitária na perspectiva do seguimento a Jesus Cristo” e foi conduzido pelo Padre Frei Juan Antonio González, OAR (Ordem dos Agostinianos Recoletos), o qual realiza suas atividades pastorais na Paróquia Santa Rita de Cássia, na Praia do Canto.
As atividades desenvolvidas ao longo do encontro, bem como as exposições dos temas propostos no retiro reabasteceram nossos vocacionados com a graça de Deus, para prosseguirem mais um período de estudo, oração e convivência.
Continuemos rezando por cada seminarista de nossas paróquias, para que por meio deles sejam alcançados abundantes frutos para a Messe do Senhor!
Jeferson Klippel I “Eu sou o Pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais

Jeferson Klippel I “Eu sou o Pão da vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede” (Jo 6,35).

Neste 18° Domingo do Tempo Comum, continuamos a leitura do capítulo sexto do Evangelho segundo João. O texto proposto para hoje (Jo 6,24-35) está em perfeita continuidade com aquele do Domingo passado. Após o sinal da partilha – ou multiplicação dos pães -, a multidão, saciada e impressionada com o sinal cumprido por Jesus teve a tentação de querer proclamá-lo rei, o que fez com que Jesus se afastasse, pois, tal ideia era uma distorção do sinal cumprido e da sua própria missão de enviado de Deus. Uma interpretação equivocada dos sinais cumpridos por Jesus e da sua identidade de Messias servidor colocava em risco a eficácia do seu projeto de redenção e vida plena para a humanidade inteira.

Enquanto Jesus se refugiou para não alimentar os anseios da multidão, esta o procurou até encontrá-lo, já na outra margem do lago, na cidade de Cafarnaum, como aponta o texto. Embora Jesus mesmo tenha se afastado, era compreensível a ânsia da multidão querendo estar ao seu redor, uma vez que essa é a mesma multidão que padecia, abandonada como ovelha sem pastor, de quem o Mestre sentiu compaixão (cf. Mc 6,34). Diante da multidão abandonada, Jesus agiu como pastor e guia, ensinando o dom da partilha como primeiro meio de superação da crise material pela qual passava. Preocupava-se, porém, com as reais intenções da multidão à sua procura, e não queria alimentar falsas e ilusórias expectativas.

Ao encontrar Jesus, a multidão interage com ele, pela primeira vez: “Quando o encontraram no outro lado do mar, perguntaram-lhe: ‘Rabi, quando chegaste aqui?’” (v. 25). A pergunta em si é pouco significativa e carente de profundidade, mas muito importante porque abre caminho para uma interação cada vez maior entre o Mestre – Rabi, em hebraico – e o povo. Ao dirigir essa pergunta, a multidão consegue ver Jesus como alguém acessível, o que poderia ser o início de uma nova compreensão a seu respeito. De fato, essa é a primeira vez que a multidão fala direta e abertamente com Jesus. Ao considerá-lo Mestre, abre-se a possibilidade para o nascimento de um novo discipulado. De fato, fazia parte da pedagogia de Jesus gerar discípulos e discípulas a partir das multidões anônimas.

À pergunta da multidão, Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: estais me procurando não porque vistes os sinais, mas porque comestes pão e ficastes satisfeitos” (v. 26). Com bastante clareza e objetividade, Jesus expõe as intenções da multidão que Lhe procura: não se tratava de reconhecê-lo e aceitá-lo como aquele que Deus enviou ao mundo para salvar e dar vida em abundância (cf. Jo 3,16; 10,10), mas de querer perto de si alguém que fornece pão gratuitamente. Ele sabia que estava sendo procurado pelo que tinha feito, e não pelo que realmente era. Porém, não desperdiçou a ocasião, mas aproveitou para iniciar uma ampla e profunda catequese, recordada pelo evangelista João como essencial para a sua comunidade e para a comunidade cristã de todos os tempos.

De fato, cercado por uma multidão saciada recentemente por poucos pães e peixes, mas já faminta de novo, Jesus a convida a buscar algo muito maior e mais eficaz: “Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois este é que o Pai marcou com seu selo” (v. 27). Falando à multidão, convida a alimentar-se com um alimento que não se perde, mas que permanece até a vida eterna. Esse alimento só pode ser dado por ele mesmo, pois é ele o Filho do Homem, marcado pelo Pai com o seu selo, o Espírito Santo e o amor que os une.

Com o sinal da partilha dos pães, Jesus tinha ensinado a multidão a superar, por si mesma, as suas dificuldades, principalmente o problema da fome. Com os pães e peixes apresentados, ficou a lição da partilha e solidariedade que brota. Aquele gesto poderia ser feito sem a presença física de Jesus, por isso, ele via como desnecessária a busca da multidão por algo que ela mesma era capaz de fazer. Daí o convite para buscar algo mais profundo e não menos necessário: o alimento para uma vida plena, com sentido e dignidade plenos, a vida eterna, imune até mesmo à morte. O pão que nutre para a vida eterna, de fato, só pode ser dado por Jesus, porque é Ele mesmo na inteireza do seu ser. Alimentar-se desse pão é assumir na concretude da vida o estilo de Jesus, fazendo escolhas semelhantes às suas, amando com um amor à sua maneira. É isso que gera eternidade de vida, pois, uma vida autêntica assim não pode ser destruída nem mesmo pela morte.

Aceitar essa revelação implica criar intimidade com Ele, deixar-se alimentar pela sua vontade e, consequentemente, ter toda a vida conduzida conforme o seu modo de viver. Aqui está o início do grande discurso eucarístico de Jesus no Quarto Evangelho, o qual será continuado na liturgia dos próximos Domingos. Impressiona a pedagogia de Jesus: de uma realidade material e efêmera, o pão partilhado que alimentou a multidão, ele eleva o seu auditório ao conhecimento de algo muito mais profundo, que é o dom da sua pessoa como enviado do Pai para que, nele, o mundo todo tenha vida em abundância. Para isso, a comunidade deve tê-lo como único centro e referência a ser seguida. Se a eucaristia dominical, e até diária, não leva a essa centralidade, não passa de uma versão nova do maná comido pelos antigos israelitas no deserto. A Eucaristia alimenta para a vida eterna quando seus partícipes aderem à maneira de viver de Jesus.

São João Paulo ll nos explica: “A Eucaristia, sendo comunhão com Cristo, é, portanto, participação na vida de Deus, que é eterna e vence a morte”. Apesar de todas as tribulações e ilusões que passamos neste tempo, peçamos ao Senhor a graça de perseverar no Caminho, reconhecendo que Jesus é o Pão da vida e que veio para ser alimento eterno. Não sejamos incrédulos ou desesperançosos, e sim crentes no Evangelho, levando esperança a todos os que se sentem aflitos através de nosso testemunho de Cristãos batizados.

Vivamos o amor em Jesus Cristo.

Jeferson Klippel

Seminarista do 1° ano de Filosofia.

Paróquia de Origem: Santa Ana – Marechal Floriano.

Paróquia de estágio Pastoral: Maria Mãe da Igreja – São Geraldo – Cariacica.

Gabriel Viçose I “Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam” (Jo 6, 11). O Evangelho deste

Gabriel Viçose I “Jesus tomou os pães, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, tanto quanto queriam” (Jo 6, 11).

O Evangelho deste 17º Domingo do Tempo Comum nos apresenta um grande sinal realizado por Jesus (Jo 6,1-15). Narrada pelos quatro evangelistas, a multiplicação dos pães demonstra a preocupação de Deus em saciar a fome de seus filhos.

Através do popular canto “Oração pela família” (Pe. Zezinho, scj), muitos de nós já rezamos ao Senhor pedindo a graça de que nossas crianças aprendam no colo o sentido da vida e de que a família celebre a partilha do abraço e do pão.

Ocorre que, conforme os dados do Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil (05/04/2021), da Rede PENSSAN, cerca de 19 milhões de pessoas passaram fome nos últimos três meses de 2020. Ademais, no mesmo período, aproximadamente 117 milhões de brasileiros sofreram com a insegurança alimentar. Por consequência disso, o país voltou ao Mapa da Fome e, atualmente, o cenário piora com os sucessivos cortes no auxílio emergencial.

O Papa Francisco nos exorta que a fome não é só uma tragédia, mas também uma vergonha. Em grande medida, é provocada por uma distribuição desigual dos frutos da terra, à qual se acrescentam a falta de investimentos no setor agrícola, as consequências das mudanças climáticas e o aumento dos conflitos em várias regiões do planeta. Por outro lado, descartam-se toneladas de alimentos. Diante dessa realidade, não podemos permanecer insensíveis ou paralisados; somos todos responsáveis [1]. Logo, não é a escassez de alimentos a causadora da criminosa fome no mundo, mas a má distribuição.

Nesse sentido, mais uma vez a Palavra de Deus nos incomoda ao questionar a nossa abertura ao Reino inaugurado por Jesus de Nazaré. Essa Liturgia, inclusive, ilumina a supramencionada realidade da fome a qual continua roubando a dignidade dos filhos e filhas de Deus.

O ambiente da passagem evangélica se dá nos montes presentes na outra margem do lago de Tiberíades. A travessia para a outra margem e a época em que o evangelista situa o episódio –próximo à páscoa judaica – confirma a ação libertadora de Jesus que, tal como outrora fizera Moisés, guiará o seu povo.

A multidão tem fome e não possui o que comer. Para solucionar a questão, Jesus envolve os discípulos, indagando onde comprariam o pão necessário para alimentar a todos. Assim sendo, a comunidade formada por Cristo deve se sentir responsável na realização da missão por ele iniciada. Do mesmo modo como Cristo se revela alimento que mata a fome de vida da humanidade, igualmente sua Igreja o deve ser.

Em busca da solução para saciar a fome do povo, em resposta à pergunta do Mestre, Filipe afirma não ser possível encontrá-la dentro do sistema econômico vigente: “Nem duzentas moedas de prata bastariam para dar um pedaço de pão a cada um” (Jo, 6,7). De fato, as respostas para as reais necessidades do ser humano não podem ser dadas pela funesta lógica mundana, a qual sacrifica vidas em favor do lucro.

É por intermédio da solidariedade de um menino, figura de uma criança a qual representa a esperança do novo, que Nosso Senhor realiza o milagre na vida da multidão faminta. Eram apenas cinco pães e dois peixes que, após a ação de graças (eucharistia), foram capazes de sustentar mais de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças. O pouco quando oferecido e partilhado se torna muito, a ponto de serem necessários doze cestos – número que simboliza as tribos do antigo Israel, bem como os apóstolos e o novo povo de Deus – para o armazenamento das sobras.

Convém elencar que a ação de graças é atitude que implica o reconhecimento de que os dons são dados por Deus. Não pertencem ao homem, devendo este ser zeloso administrador, mas a Deus o qual é Pai de todos. E se nós nos referimos a Ele como o Pai Nosso, devemos nos convencer de que também o pão deve ser nosso. Nesse sentido, assevera o Santo Padre: “Se esta afirmação – como seres humanos, somos irmãos e irmãs – não ficar pela abstração mas se tornar verdade encarnada e concreta, coloca-nos uma série de desafios que nos fazem mover, obrigam a assumir novas perspectivas e produzir novas reações”[2].

Por conseguinte, a Boa-Nova de Cristo nos convida à partilha. É servindo-se dos homens e das mulheres que Deus atua na história e, dessa maneira, acontece o milagre a partir da generosidade e da solidariedade humana. O Senhor sacia seus filhos (Cf. Sl 144) por intermédio daqueles que, saindo de seu egoísmo, abrem-se à dinâmica do Reino de Deus. A lógica da partilha, corporificada no serviço simples e humilde, fornece-nos o caminho para a superação das escravidões e das opressões trazidas pelo pecado. Nela reside a liberdade e a esperança de um mundo novo.

À vista disso, o discípulo-missionário possui por vocação levar todos os seres humanos a se sentarem para a refeição, como retrata a passagem (Jo 6,20). Fascinantemente, esse gesto de Jesus acarretava o reconhecimento da dignidade daquele pobre povo, dado que só se sentavam os considerados bons e justos.

Não podemos nos olvidar que a prática da humildade, da mansidão, da paciência e do amor consiste em exigência para uma vida verdadeiramente pautada nos valores de Cristo e de seu Evangelho (Cf. Ef 4,1-6). Os valores do Reino são diametralmente opostos aos do mundo. Os esquemas de morte e de cobiça, os quais fundamentam as relações no atual sistema, impedem que a vida dos descartados prevaleça sobre a idolatria do mercado.

A Igreja é vocacionada a ser o ponto de união entre todos os homens e mulheres. Deve ser o lugar da unidade na caridade do pão partilhado, isto é, o corpo místico de Cristo que reúne a humanidade redimida pelo amor-doação do próprio Deus. Isto posto, podemos também observar, no episódio da multiplicação dos pães, o grande mistério do Senhor que se faz pão, doa-se pela reconciliação da humanidade com Deus e cumpre sua promessa de permanecer conosco todos os dias até o fim dos tempos mediante o sublime sacramento. As sobras guardadas indicam a importância de se zelar por aquilo que testemunha o milagre pelo Senhor realizado, além de apontar para a necessidade de sempre se gerar mais abundância. Portanto, também nós cristãos devemos doar a nossa vida em favor do Deus que sofre junto aos últimos e aos crucificados de ontem e de hoje.

Semelhantemente a Eliseu que não reteve os dons recebidos para si e, sucedendo ao generoso gesto do homem o qual a ele ofertou os vinte pães de cevada e trigo novo, ordenou reparti-los com as pessoas as quais o circundava (Cf. 2 Rs 4,42-44), nós devemos, em atitude profética, oferecer aquilo que temos e somos em favor dos necessitados.

Nossa Igreja particular de Vitória, por intermédio do Vicariato da Ação Social, Política e Ecumênica, organizou a Campanha Permanente contra a Fome e pela Inclusão Social (Campanha Paz e Pão) a fim de dar uma resposta solidária a essa situação. Sejamos animadores e participantes das ações de enfrentamento à fome, fiéis discípulos-missionários do Mestre o qual veio trazer vida plena para todos.

Sabemos que não é apenas de alimento que os homens estão famintos. A humanidade possui fome de vida abundante e verdadeira. Neste dia em que Cristo se revela a nós como o Pão da Vida, torna-se triste percebermos quão atrasados nos encontramos na adesão ao projeto de Jesus. Mesmo com todo o progresso tecnológico e científico, a humanidade ainda não solucionou um problema tão básico como o direito de todos terem algo para comer. Destarte, os discípulos de Jesus são chamados à promoção da vida, devendo assim como o Mestre, preocuparem-se e agirem em favor dos condenados da Terra.

Dado que Cristo veio oferecer vida em abundância, somos convidados a levar o pão do trabalho, da moradia, da saúde, da educação, da segurança, do sentido à existência, do amor, da ternura, da liberdade, da justiça, da paz e da esperança a todos os homens e mulheres. Nossa preocupação deve ser como a de Deus. Ele quis resgatar o homem todo. É a integralidade do ser humano que o Senhor vem libertar e salvar.

O Papa Bento XVI, em Angelus proferido no dia 29 de julho de 2012, em Castel Gandolfo, mencionando a Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis, afirmou que não é o Alimento Eucarístico que se transforma em nós, mas nós que acabamos misteriosamente mudados por ele: “Cristo alimenta-nos, unindo-nos a Si”[3]. E concluiu rogando que jamais falte a ninguém o pão necessário para uma vida digna, e sejam abatidas as desigualdades não com as armas da violência, mas com a partilha e o amor.

Em derradeiro, diante dos ensinamentos dessa sagrada liturgia, dirijamo-nos, cheios de fé e de confiança, à Mãe de Deus e nossa, pedindo que a patrona dos povos sofridos da América Latina ensine a quem tem tudo a partilhar, aos que tem pouco a não cansar e, por sua poderosa intercessão, faça o nosso povo caminhar em paz.

Gabriel Viçose

Seminarista do 1º ano de Filosofia.

Paróquia de Origem: Ressurreição – Goiabeiras – Vitória.

Paróquia de Estágio Pastoral: Santíssima Trindade – Aribiri – Vila Velha.

[1] FRACCALVIERI, Bianca. Francisco: a fome não é só uma tragédia, mas uma vergonha para a humanidade. Vatican News, 2020. Disponível em: <https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2020-10/papa-francisco-fao-fome-vergonha-para-humanidade.html>. Acesso em 19 jul. 2021.

[2] FRANCISCO, Papa. Fratelli Tutti: Carta Encíclica sobre a fraternidade e a amizade social. Brasília: CNBB, 2020, §128.

[3] BENTO XVI. Homiliário: Um caminho de fé antigo e sempre novo. São Paulo: Molokai, 1ª ed., 2017, p. 680.

Davi Gabriel Lutzke I “Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor” (Mc 6, 34). No último Domingo

Davi Gabriel Lutzke I “Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor” (Mc 6, 34).

No último Domingo (15º Domingo do Tempo Comum), o Evangelista Marcos narrava o envio missionário dos doze apóstolos. Jesus enviou-os dois a dois para que pregassem o seu Evangelho, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros. Recomendou-lhes ainda que servissem com humildade e que confiassem na providência divina. Assim partiram, pregaram a conversão, expulsaram demônios e curaram numerosos doentes ungindo-os com óleo.

Neste Domingo (16º Domingo do Tempo Comum), o Evangelista narra o retorno dos doze Apóstolos (Mc 6,30-34). De imediato desejavam contar ao Senhor tudo o que haviam feito em seu nome. Os discípulos de Jesus estavam cansados e Ele os convidou a descansar consigo, em um lugar deserto, para que pudessem descansar e partilhar suas experiências missionárias. No entanto, não conseguiam, porque a multidão sedenta os seguia em busca de ajuda. A seguir, percebemos como a força e o poder de Deus se manifestam na vida daqueles que lhe são consagrados e nos clamam por sua ajuda. 

Apesar de todo o cansaço dos seus Apóstolos e da hora avançada, o Senhor teve compaixão daquele povo, pois “eram como ovelhas sem pastor e começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas” (Mc 6, 34). Jesus, de forma alguma, ignorou a necessidade do descanso daqueles que enviou em missão, mas em contrapartida, também não ignora a necessidade de um povo que buscava cura, libertação e paz. Com toda sabedoria, usa dessa oportunidade para atender o clamor de um povo que sofre por falta de pastoreio e mostrar aos seus Apóstolos que onde quer que estejam, estão com a missão de evangelizar, pastorear e curar.

Hoje, também, a multidão precisa de ajuda e, mesmo sem saber, ela busca alguma coisa que preencha o vazio dos seus corações. E nem sempre esta busca em preencher tal vazio acontece da melhor forma. Como discípulos do Senhor, temos que aprimorar em nós a capacidade de enxergar essa necessidade, esse vazio no coração de quem quer esteja à nossa volta e ajuda-los, direcioná-los da melhor forma possível a partir da nossa experiência de fé. Para que isso aconteça, Jesus também nos forma e nos orienta. Nos convida para descansar nos desertos do silêncio interior, da meditação, da contemplação e da oração, a fim de nos prepararmos para que sejamos, de fato, seus discípulos missionários. Que sejamos capazes de ouvir o grito de um povo desanimado e sem esperança que se encontra à nossa volta, mas que não é visto, tampouco ouvido pela sociedade, de forma geral.

Não nos restam dúvidas de que desta forma seremos autênticos missionários do Senhor dentro das nossas atividades diárias, e poderemos fazer acontecer em nosso meio aquilo que São Paulo diz à comunidade de Éfeso na Segunda Leitura (Ef 2,13-18): viver a unidade e a paz estabelecida por Jesus através do seu sangue.

Davi Gabriel Lutzke

Seminarista do 1º ano de Filosofia.

Paróquia de origem: Sant’Ana – Marechal Floriano.

Paróquia de estágio Pastoral: Bom Pastor – Campo Grande – Cariacica.

Daniel Tonini I “Jesus chamou os Doze, e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros” (Mc 6, 12). A

Daniel Tonini I “Jesus chamou os Doze, e começou a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos impuros” (Mc 6, 12).

A Liturgia da Igreja, neste XV Domingo do Tempo Comum, nos convida a meditar a missão dos discípulos do Senhor no anúncio do Reino de Deus. Diz o Evangelho (Mc 6, 7-13) que “Jesus chamou os doze Apóstolos e começou a enviá-los dois a dois”. Tal envio ocorre em meio ao discipulado dos apóstolos, de modo a ensinar uma verdade muito cara aos cristãos: Deus deseja atuar no mundo por intermédio do Homem. Nesse sentido, o Homem toma parte na obra de Deus. Não obstante, deve-se recordar com clareza que a Obra do Reino de Deus não é obra humana, porém, Obra de Deus. À vista disso, é possível perguntar-se: “se é Deus quem faz a obra, o que pode o Homem querer aí fazer?”.

Ora, o Homem integra-se à obra de Deus enquanto adere à sua divina vontade e enquanto testemunha a Verdade. Isso fica mais claro quando analisamos a 1ª Leitura, retirada do livro do profeta Amós (Am 7, 12-15). Amós se confronta com o sacerdote Amasias, o qual fazia dos rituais religiosos um meio para alcançar os próprios interesses. Nessa perspectiva, Amós reafirma que ele profetiza aquilo que o Senhor deseja, demonstrando sua fidelidade a Verdade e a vontade do Senhor. Desse modo, nossa atitude deve ser análoga a de Amós: uma extensão da vontade de Deus na Terra e, por conseguinte, uma extensão do seu Amor.

Além disso, veja-se que “Jesus chamou os doze Apóstolos”, isto é, a missão acontece pela pura e amorosa iniciativa divina, que quer agregar a humanidade à sua obra. Assim, fica patente outra realidade acerca do anúncio do Reino de Deus: é Jesus quem chama e realiza o anúncio, de maneira que o Homem toma parte nisso na medida em que acolhe o chamado de Cristo. Essa realidade torna-se concreta frente às orientações de Jesus: “ ordenou-lhes que nada levassem para o caminho a não ser o bastão, nem pão, nem alforge, nem dinheiro, que fossem calçados com sandálias e não levassem duas túnicas”. Em linguagem mais simples, é necessário despojar-se de qualquer coisa para anunciar o Evangelho, exceto o próprio Cristo,  haja vista o sucesso da missão depende somente de Jesus. Esta é a Pobreza Evangélica: livre de qualquer apego, necessidade ou ambição é possível realizar a vontade divina de maneira pura e verdadeira.

Enfim, após entender quem nos envia e para que nos envia, ainda permanece uma questão fundamental: O QUE nós anunciamos ? Paulo responderá tal pergunta na 2ª Leitura, quando realiza uma síntese de todo o Mistério Cristão na carta aos Efésios (Ef 1, 3-14):

“Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto dos Céus nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais em Cristo”. Eis o mistério da Fé, o Pai enviou seu filho ao mundo para nos redimir e nos cumular de todas as graças necessárias à nossa santificação; graça que nos é transmitida por meio da ação do Espírito Santo. Em síntese, quando “os Apóstolos partiram e pregaram o arrependimento”, eles nos mostraram a imensa misericórdia de Deus que a todos deseja salvar, abrindo, portanto, o caminho para uma vida nova, ou seja, uma vida que nos leve a “sermos santos e irrepreensíveis”.

Isto é aquilo que os Apóstolos anunciam: aquilo que experimentaram e receberam de Cristo. Logo, nós também devemos e queremos transmitir a profunda e sublime experiência de Jesus Cristo.

Daniel Tonini Demuner

Seminarista do 1º ano de Filosofia.

Paróquia de origem: N. Sra. de Guadalupe – Praia de Itaparica – Vila Velha.

Paróquia de estágio Pastoral: Bom Pastor – Campo Grande – Cariacica.

Desde a última sexta-feira (02/07), os seminaristas da Arquidiocese entraram no período de recesso, em vista da transição ao segundo semestre letivo. Nessa ocasião,

Desde a última sexta-feira (02/07), os seminaristas da Arquidiocese entraram no período de recesso, em vista da transição ao segundo semestre letivo. Nessa ocasião, os seminaristas retornam às casas paternas e às comunidades de origem, as quais os enviaram, um dia, para servir à messe. Cabe, portanto, fazer algumas reflexões acerca da importância desse tempo, a saber: do acolhimento da família, do retorno às origens e do tempo de descanso.

A princípio, convém ressaltar que o caminho daqueles que desejam semear o reino de Deus é repleto de dificuldades que não raramente geram frustrações. Tais frustrações não são um problema propriamente dito – na verdade, são parte do crescimento -, o problema começa, de fato, quando tais intempéries começam a cobrir a visão daquilo que se busca, isto é, o próprio Cristo. Nesse caso, é necessário recobrar as forças e tomar novo vigor. Por essa razão, o seminarista volta à casa, não para ficar ou se estabelecer; na verdade, ele volta somente de passagem, sem nem “desarrumar as malas”. Poderíamos dizer que esta volta é como o semeador que “saiu a semear”[1], entretanto, teve de voltar à casa para tomar algumas ferramentas no intuito de exercer cada vez melhor o sue ofício.

Assente nisso, o acolhimento familiar se mostra como um dos fundamentais benefícios do recesso. A Família é a “Igreja doméstica”[2], na qual “os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos”[3], bem como são os primeiros a enviarem, de fato, o filho para o seminário. Voltar à família, portanto, é voltar ao princípio daquilo que somos, uma vez que um homem é, em grande parte, reflexo da educação parental. Além disso, é nos afetos da família que o sujeito pode compreender-se a si mesmo como Pessoa propriamente dita. Sobre isso o Catecismo ensina: “as relações no seio da família comportam uma afinidade de sentimentos, de afetos e de interesses, que provêm sobretudo do mútuo respeito das pessoas.”[4] Em síntese, é somente pela família que os indivíduos deixam de ser um CPF e passam a ser Pessoas, de modo que retornar a ela é recordar quem somos no meio do mundo e porque o somos.

Outro aspecto importante diz respeito à comunidade de origem. “O processo de Iniciação à Vida Cristã é fundamental para o aprimoramento da vida espiritual”, sendo, portanto, um pressuposto para a formação inicial do seminário. Nesse sentido, tal processo acontece nas comunidades de origem em que participou o seminarista, por meio da catequese e da recepção dos Sacramentos da Iniciação Cristã[5]. Além disso, a vivência comunitária também é, de maneira prática, uma grande formadora dos fiéis. Nesse contexto, as comunidades eclesiais de base, bem como os movimentos que atuam nesses ambientes configuram-se como os fundamentos da vida espiritual e vocacional do seminarista. Por isso, é necessário, de tempos em tempos, retomar tal espiritualidade e tal fervor no qual Deus chamou a uma doação radical por meio do presbiterato. Em suma, Santa Clara sabiamente nos ensina: “Jamais perca de vista o seu ponto de partida”. Alguns também expressam essa mesma ideia dizendo “retornar ao primeiro Amor”. Tal ponto de partida volta ao nosso olhar, quando voltamos à nossa comunidade de origem.

Sendo um período de recesso, é imprescindível destacar a importância do descanso. Em meio à grande quantidade de trabalhos e compromissos do cotidiano é muito comum perder de vista aquilo que se busca; esquecer-se daquilo que é o mais importante. A turbulência dos ofícios caleja a sensibilidade e a memória das coisas. Nesse estado, o seminarista pode acabar por ficar como Marta no Evangelho[6], que se esqueceu daquilo que é mais essencial em sua vida, em virtude da agitação das ocupações. Logo, cabe a mesma exortação de Jesus: “Marta, Marta! Tu andas preocupada e agitada por muitas coisas. No entanto, uma só uma coisa te é necessária”. O descanso e o recolhimento permitem voltar os olhos ao interior de si mesmo e reencontrar esse “necessário”; a “melhor parte” que Maria escolhera.

Enfim, o período de recesso ou férias não deve ser confundido pura e simplesmente com a “falta do que fazer” ou “ausência de trabalhos”. Na verdade, é um período de grande atividade interior, na qual se prepara para os próximos passos da jornada e se recebe os primeiros frutos do trabalho já realizado.

 

 

[1] Mateus, 13,3

[2] Catecismo da Igreja Católica (CIC) p.2204

[3] Ibid. p.2223

[4] Ibid. p.2206

[5] Batismo, Eucaristia (primeira comunhão) e a Crisma

[6] Lucas 10, 38-42

André Cardoso I “Eis os santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se

André Cardoso I “Eis os santos que, vivendo neste mundo, plantaram a Igreja, regando-a com seu sangue. Beberam do cálice do Senhor e se tornaram amigos de Deus” (Missal Romano).

Neste dia em que, com muita alegria, a Igreja celebra a Solenidade de São Pedro e São Paulo, recordamos as duas colunas da Santa Igreja de Cristo que, que, pelo testemunho das suas vidas, governaram a Igreja e anunciaram o Evangelho a todos os povos.

Na Primeira Leitura (At 12, 1-11), percebemos como, de fato, Deus cuida e zela por quem é fiel e confia no seu poder. Pedro – que está acorrentado e preso numa prisão – não se deixa abalar pela situação que está passando, mas confia em Deus com todo o seu coração. Deus então ouve o clamor da Igreja, dos fiéis reunidos, que rezam ardentemente para que Pedro fosse liberto: o Senhor envia o seu anjo para libertar Pedro das mãos de Herodes. Pedro faz uma experiência profunda com o amor e o cuidado de Deus, e por fim exclama: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar”.

Na Segunda Leitura, ouvimos uma belíssima passagem da carta de São Paulo a Timóteo (2Tm 4, 6-8.17-18). Paulo já entende que a sua missão estava prestes a ser completada, mas deseja, juntamente com Pedro, continuar perseverante e fiel na missão que o Senhor lhe havia confiado. Os dois santos não largaram o arado, não olharam para trás e não desanimaram no caminho. Por isso Paulo, com confiança diz: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardeia a fé”: Fé essa que guardamos e sinceramente professamos até hoje, em toda Santa Missa.

Pedro e Paulo – ambos entre provações e lágrimas -, fielmente plantaram a Igreja de Cristo, como pastores solícitos pelo rebanho, buscando não o próprio interesse, mas o de Jesus Cristo. De um lado, Pedro, que recebeu de Jesus o nome de Pedra, e foi colocado a frente do colégio dos Doze e de todos os discípulos de Cristo. Do outro, Paulo, que após ser alcançado pelo Senhor na estrada de Damasco, pregou o Evangelho incansavelmente pelas principais cidades do império Romano e fundou inúmeras igrejas. Ambos viveram profundamente o que pregaram, e pregaram o Cristo com a palavra e a vida, dando tudo por Ele, como exclama Paulo: “Pra mim, viver é Cristo” (Fl 1, 21); e Pedro: “Senhor, tu sabes que eu te amo” (Jo 21, 15b). Em Jesus apostaram tudo, e por Jesus gastaram a própria vida.

Por fim, ao terminarem a corrida, receberam a maior de todas as honras e glórias: ambos beberam o cálice de Cristo, pelo martírio, para que o nome de Jesus Cristo fosse glorificado, e sua Igreja, regada por pelo sangue desses que a plantaram, fosse cada vez mais fecunda e rendesse cada vez mais bons frutos. Pelo seu exemplo e vida, meus irmãos e minhas irmãs, celebremos esta Solenidade de Pedro e Paulo, que são nossos modelos de fé e fidelidade.

André Cardoso Lopes

Seminarista do 1º ano de Filosofia.

Paróquia de Origem: São Tiago Maior – Setiba – Guarapari.

Paróquia de Estágio Pastoral: São Francisco de Assis – Porto de Santana – Cariacica.