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O país que sai dessas eleições não é mais o mesmo que iniciou a campanha eleitoral. E isso independe dos resultados cuja sorte foi

O país que sai dessas eleições não é mais o mesmo que iniciou a campanha eleitoral. E isso independe dos resultados cuja sorte foi depositada nas urnas. Essas apenas servem para alocar candidatos vitoriosos num cenário incerto, inseguro, preocupante e ameaçador. Não foi filme de terror, mas quase. Víamos a cada dia nos últimos anos um desvio do caminho iniciado em 1985, conhecido como Nova República e garantido pela Constituição de 1988.

Não estamos diante de um pecado cometido quase sem querer, que depois se vai ao confessionário e confessa ao sacerdote, recebe a absolvição e volta-se tranquilo para viver na paz do Senhor. O resultado alcançado permite a retomada do espírito de fortalecimento do Estado de direito e dos direitos humanos. Contudo, é preciso que as instituições atuem na consolidação do estado democrático. Foram feitas muitas rachaduras na estrada que estava sendo asfaltada. Tem muitos buracos ao longo do caminho.

Não foram os méritos do senhor Jair Bolsonaro que mudaram a fisionomia política desse país. Aliás, méritos é que ele não possui, pois há várias décadas vive na vida política sem ações efetivas. Como essa pessoa tornou-se uma força tão estranha a ponto de revolucionar o cenário democrático brasileiro? Responder a essa pergunta torna-se essencial para a retomada do espírito contido na Constituição de 1988. Porém, nossa radiografia histórica requer um horizonte de tempo bem mais amplo que essas três décadas passadas.

É preciso levar em consideração um Brasil profundo, constituído historicamente pela escravidão em três séculos com a conivência de instituições religiosas da cristandade. É nesse lamaçal da exploração humana que iremos encontrar as raízes da violência, do ódio, do machismo, do conservadorismo. Não se apaga assim facilmente a chaga da escravidão como imaginava Rui Barbosa que ordenou a destruição dos documentos de registros da escravidão logo após a proclamação da República.

Torna-se bem emblemática a forma como os setores escravocratas reagem ao Pontificado de Francisco e ao Concílio Vaticano II. São inconciliáveis com a história passada. E nem nos deve causar estranheza se alguns líderes religiosos estejam nessa oposição ao magistério do Papa Francisco e ao Concílio. Eles são filhos legítimos dessa história marcada pelo pelourinho, marcada pelos navios negreiros, cujo filhos negros também da Igreja foram marcados a ferro em brasa como são marcados os animais.

E assim chegamos ao século XXI sem superar essa fratura de nossas comunidades, nossas famílias, nossos amigos. Do dia para a noite nos vimos em divisões, separações, discussões aguerridas dentro de nossas casas, dentro de nossas comunidades eclesiais. Em nós deposita-se um Brasil profundo, marcado pela desigualdade, pela divisão, pela exclusão religiosa dos tempos dos escravos que não podiam sequer entrar na Igreja, tendo que ficar nas portas “oiando o santo”. Vivemos a ilusão da democracia racial e achávamos que tínhamos superado os tempos obscuros da escravidão. Essas eleições nos mostraram um país que nós achávamos que tinha ficado no passado. Como foi difícil e não aguentávamos mais caminhar no dia a dia diante desse cenário duro e sofrido!

Esse processo eleitoral na forma como chegou ao final, especialmente sua amostra no mês de outubro, nos diz que o fenômeno bolsonarista é bem coisa nossa, bastante diferente da extrema direita internacional e aflorou de modo consistente no presente dizendo-nos que não irá desaparecer do cenário assim tão cedo. O bolsonarismo mostrou-se muito forte, resiliente e coeso. Quando ficaremos livres dessa forma arcaica de vida política sustentada pela mentira, pelo ódio e pelos diversos tipos de violência?

Essa identidade não é uma acusação, mas uma constatação extraída de sua origem escravocrata. O bolsonarismo bebe nas profundezas do escravismo. E para piorar as coisas, o mesmo ideário da cristandade colonial vai sacramentando e calçando a estrada dos dias atuais. Essa cristandade não tem nenhum escrúpulo de xingar bispos ou invadir templos gritando palavras de ordem. Fazem isso em nome de Deus, assim eles se justificam. Sem culpa. Vai demorar muito tempo para superarmos essa fase dura da vida política. Por isso, a eleição não acabou. A proclamação dos resultados apenas serve para legitimar a posse, mas os desafios para superar as causas da gestação desse movimento político são muito grandes e exigem a colaboração de diversas instituições.

Além da história escravocrata que serviu como terreno para o crescimento dessa onda devastadora, é preciso reconhecer que sem melhorar a distribuição de renda, sem corrigir o alto grau de desigualdade entre nós, pouca eficácia vamos ter para impedir o contágio das pessoas. Foi o agudamento da pobreza que produziu mais combustível que fortaleceu o bolsonarismo. O retorno do país ao mapa da fome e o crescimento da população pobre são indicadores precisos desse diagnóstico.

Por isso, é simples olhar quem são os apoiadores desse movimento. Exatamente quem não quer dividir, quem não quer ganhar menos, quem quer continuar na “casa grande”. E junto deles uma parcela da população conduzida por setores da cristandade atual que fizeram dos altares palcos políticos recriando um novo tipo de coronelismo, agora de cunho religioso.

A transformação da sociedade brasileira passa obrigatoriamente pela redução da massa de vulneráveis que povoam nossas cidades e conferem crédito aos senhores de engenho. Diversas pesquisas pelo mundo afora mostram que quanto maiores as desigualdades, mais forte se constitui a extrema direita. Era esse caminho que esteve reforçado nas últimas eleições. Por isso, o espírito do Estado de direito e dos direitos humanos esteve em pauta nas discussões dos constituintes de 1988, reconhecida como Constituição cidadã. Não estamos numa sociedade democrática com diversidade de opiniões políticas, mas numa sociedade profundamente desigual e injusta.

A luta também se estende pelas instituições transformadas pelo bolsonarismo, que foi colocando explosivos em cada pedaço de estrada. Temos uma sociedade altamente armada e isso representa uma luta fratricida. A liberação de armas foi a chave do bolsonarismo para desviar a atenção sobre os graves problemas da desigualdade social. Tudo pode ser resolvido pelo indivíduo apertando um gatilho e matando outro indivíduo. Às vésperas da eleição o país presenciou dois episódios com uso de armas por pessoas que bem representam o estado de guerra instituído. As armas são para as pessoas de bem, dizem, para a legítima defesa contra os vagabundos. Sim! Os negros da escravidão eram vagabundos. E hoje quem está sendo chamado de vagabundo?

Estamos diante de um grande desafio que é refazer as instituições republicanas, cuidando das fraturas expostas dentro de nossas casas, nossas Igrejas. A Igreja Católica terá pela frente um grande trabalho que deverá ser conduzido de maneira segura pelos Bispos do Brasil. O Papa Francisco, às vésperas da eleição, falando da beatificação de uma menina vítima da violência, rezou para que Nossa Senhora Aparecida proteja e cuide do povo brasileiro e que o livre do “ódio, da intolerância e da violência”. Como os Bispos terão que se conduzir nesse cenário?

Ainda durante a visita ad limina apostolorum os cinco bispos do Leste 3 da CNBB enviaram uma carta ao povo capixaba mostrando o caminho da “melhor política”. Antes haviam publicado outra carta sobre o mesmo assunto. É nessa forma de agir que a Igreja terá forças nesses tempos turbulentos. O espírito de colegialidade e comunhão deverá ser a grande força na transformação da sociedade. Contudo, algumas ações pontuais precisam ser feitas junto a ministros ordenados que não caminham na perspectiva da sinodalidade, que é constitutivo da vida eclesial. Como diz o Papa Francisco, “quem não segue o Concílio não está na Igreja”. A mão do pastor que conduz suas ovelhas precisa de força e coragem.

Atravessar esses tempos de altas ondas requer força. A Igreja sofreu com essas fraturas. Ela também teve estilhaços, trincos nas paredes e até rachaduras maiores. A eleição não acabou para a Igreja também. Não dá para voltar à vida normal, pois não é normal conviver com a fome, com a desigualdade, com o aumento de pessoas vulneráveis. O silêncio diante dessa realidade não é nada evangélico.

Penso que esses tempos requerem posturas proféticas, de palavras proferidas com vigor e em comunhão, de modo colegiado. Dos ministros ordenados (Bispos, Padres e Diáconos) e dos leigos engajados nas diversas pastorais espera-se uma atitude que não se submeta às exigências escravocratas, pois ser cristão é ser livre. A polarização que infestou nossas comunidades e paróquias deve ser substituída pela comunhão e pela conversão. Não podemos mais ser reféns do medo, da violência e das ameaças. Afinal, foi para a liberdade que Cristo morreu na cruz e nos libertou, nos diz o Apóstolo Paulo.

Edebrande Cavalieri

Quem está fechando as Igrejas é a extrema direita que usa e abusa da fé das pessoas para alcançar o poder político ou nele

Quem está fechando as Igrejas é a extrema direita que usa e abusa da fé das pessoas para alcançar o poder político ou nele permanecer. Iludem-se as pessoas que acham que as palavras de qualquer líder religioso, padre ou pastor, tem direito de verdade e justificativa evangélica. O ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, alertou há poucos dias que os evangélicos estão sendo “ludibriados e enganados pela lengalenga evangélica bolsonarista”. Segundo ele, “o aumento do evangelismo fundamentalista de origem norte-americana no Brasil está provocando um retrocesso educacional e cultural, além de se identificar com a extrema-direita, dando origem a um discurso antidemocrático e golpista de seus líderes”.

Estamos vendo um crescimento cada vez maior do uso da Bíblia com interpretações que fazem tremer os grandes reformadores do passado, Lutero e Calvino, por parte de pessoas que pouco conhecem de teologia, e com um povo que se deleita com as pregações do tipo show que pouco tem de evangélico, ou nada de cristão, pois pregam o ódio, a mentira, a intolerância.

A transição religiosa que está acontecendo de maneira intensa em nossa sociedade foi contaminada pela Direita Cristã que nasceu nos Estados Unidos em 1935 reunindo empresários e industriais em torno do governo norte-americano tomando por base um cristianismo fundamentalista e sem fundamento. Nasce aí a Direita Cristã em torno de um encontro chamado “café com oração” para salvar a economia americana. Não era um grupo que estava preocupado com a fome que crescia no país, com o desemprego, mas com a salvação da economia que matava e mata até hoje.

Esse movimento chega nessa eleição achando-se no direito de ofender Bispos e Padres, desrespeitar lugares sagrados, e até ofender o Papa Francisco. Dom Odilo Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo foi agredido e chamado de comunista por usar roupa vermelha. Assim ele se expressa: “A fé em Deus permanece depois das eleições; assim, os valores morais, a justiça, a fraternidade, a amizade, a família…vale a pena colocar tudo isso em risco no caldo da briga política? Tempos estranhos esses nossos! Conheço a história. Às vezes, parece-me reviver os tempos de ascensão ao poder dos regimes totalitários, especialmente o fascismo. É preciso ter muita calma e discernimento nessa hora”.

Não são apenas lideranças que ocupam cargos ou representações na esfera federal. Trata-se de um conjunto de pessoas que está assumindo lugares de poder na sociedade marcando uma atuação historicamente conservadora, e do ponto de vista católico ultrapassada, pré-vaticano II. Quem contribuiu de maneira significativa para que isso acontecesse beneficiando o poder executivo com o apoio ao Presidente da República como apoio nos atores do congresso nacional foram parcelas significativas das igrejas cristãs. As questões religiosas tornaram-se pauta política de maneira cada vez mais forte. Nota-se desde 2020 o crescimento do poder religioso pentecostal e neopentecostal presente tanto nas denominações evangélicas como em certos círculos católicos, e essa postura está em sintonia com um modelo de Estado que estrutura uma “economia que mata”, como nos diz o Papa Francisco.

Tornam-se urgentes as discussões acerca das relações entre religião e política, pois chega-se ao ponto de o poder religioso buscar influenciar inclusive a composição dos conselhos tutelares. Certas batalhas eleitorais não passam de batalhas religiosas. Ao mesmo tempo, percebe-se como as pautas morais pouco ou nada tem a ver com a doutrina moral da Igreja Católica ou cristã, mas são elementos aglutinadores de atores políticos conservadores. É perceptível a mudança de foco político dos últimos anos, passando dos projetos de governo em torno de um Estado democrático para questões morais e religiosas. Ganha-se ou perde-se uma eleição de acordo com o posicionamento do candidato em relação à determinada pauta moral conservadora, produto de uma interpretação fundamentalista tanto da Bíblia como da Doutrina Social da Igreja.

O que sustenta teologicamente a tendência fundamentalista pentecostal é a Teologia da Prosperidade que defende que a pobreza e a exclusão social são efeitos do pecado e da culpa individual. Por isso é preciso aceitar Jesus. Somente assim se alcançaria a libertação das “forças das trevas”. O segundo pilar que sustenta o fundamentalismo pentecostal é a Teologia do Domínio, que recusa a laicidade do Estado. Defende que o Estado deve ser governado por cristãos, fieis da Bíblia interpretada literalmente. Nesse sentido, cresce a presença da religião na esfera social com eventos religiosos, praças abençoadas, placas religiosas, armas abençoadas, aporte financeiro a eventos religiosos de algumas Igrejas estruturando assim uma centralidade da organização social, exercício do domínio e da ordem. Jamais de salvação conforme se lê nos Evangelhos. Forma-se assim uma grande cristandade. O que ela tem de cristã além do nome?

Nessa relação entre religião e política enraizada no fundamentalismo religioso cresce o caminho da violência presente numa agressiva militância digital fortalecida pela geração de fake News; cresce a violência em torno de um racismo estrutural que inferioriza a maioria da população brasileira (“não há pobres”) instrumentalizada com mecanismos permanentes de dominação; cresce uma violência estética inspirada no fascismo, no nazismo, no integralismo; e cresce uma violência sustentada por uma agenda moral ultraconservadora e projetos político/religiosos comuns, inserindo-se na engrenagem social.

Os cinco Bispos da CNBB, Regional Leste 3, publicaram uma Carta Pastoral lamentando profundamente o uso da mentira como arma política e método para arregimentar apoiadores e seguidores e convoca para a leitura da Doutrina Social da Igreja que afirma que “os homens estão obrigados de modo particular a tender continuamente à verdade, a respeitá-la e a testemunhá-la responsavelmente”. Mais lamentável ainda é encontrar católicos, inclusive ministros ordenados, servindo à divulgação da mentira nos mais variados espaços.

Ainda em Roma os Bispos do Leste 3 enviaram uma Carta ao povo capixaba alertando sobre as mentiras em torno do fechamento de Igrejas, do medo, do ódio e da violência política que são disseminadas pelas ruas e pelas mídias sociais que não podem calar a verdade do empobrecimento e da fome que a realidade nos mostra, orientando, assim, o agir e o voto dos cristãos. Não podemos admitir que o nosso Estado retroceda na garantia de direitos, na confiança e seriedade das instituições, no combate a toda forma de violência que provoca tanto prejuízo, dor e sofrimento ao povo, principalmente aos pequenos e empobrecidos”.

A acrescentam ainda mais: “Quando o voto é iluminado pela fé e a razão e não pela mentira e pelo medo, realiza-se um pacto com os governantes, pelo nosso futuro e pelo futuro de quem amamos, como uma manifestação de nossa vontade de viver num Estado que gera e faz a vida crescer. A verdadeira cidadania cristã exige diálogo, respeito, solidariedade e repúdio a toda e qualquer forma de violência, que fere a vida e a dignidade das pessoas”.

A manipulação da fé está provocando um grande estrago na vida comunitária, familiar, social, com muitas divisões e conflitos. Ao mesmo tempo, contata-se um esvaziamento das Igrejas, especialmente dos jovens, que lutam por ideias de paz e liberdade. Há bastante tempo que estamos alertando para o esvaziamento das comunidades, especialmente dos jovens. Estão formando uma nova categoria religiosa, os desigrejados.

A CNBB alertava nas vésperas da festa de Nossa Senhora Aparecida desse ano sobre a “intensificação da exploração da fé e da religião como caminho para angariar votos”. O que estamos vendo é um processo de corrupção da fé em larga escala por lideranças religiosas a serviço da máquina política. Quando o altar e o púlpito se confundem com o palanque o povo vai sendo impedido de olhar o mundo com os olhos da fé, ficando cego, sendo levado num verdadeiro cabresto religioso. Configura-se nos tempos atuais uma transmutação da Palavra de Deus, que é instrumentalizada a serviço dos coronéis da política.

Essa manipulação religiosa, conforme os Bispos, “sempre desvirtua os valores do Evangelho e tiro o foco dos reais problemas que necessitam ser debatidos e enfrentados em nosso Brasil. É fundamental um compromisso autêntico com a verdade e com o Evangelho”. A “melhor política” é aquela iluminada pelos valores do Evangelho, iluminada pela luz da fé.

Na Encíclica Lumen Fidei se diz que a Igreja é a mãe de nossa fé, pois cremos naquilo que nos foi transmitido, pois vem de longe, dos apóstolos. Por isso cremos com quem creu primeiro. A transmissão apostólica está presente na autoridade dos Bispos que mantém a unidade em torno do Papa. Por esse motivo, quando o Magistério da Igreja nos apresenta Cartas pastorais, cartas de orientação, mensagens ao povo, é um sinal do caminho a ser seguido. O Papa Francisco disse há tempos atrás que “quem não segue o Concílio Vaticano II não está na Igreja”. Os tempos atuais estão jogando muita poluição, pó preto, na vida de cristãos e católicos. Uma fé poluída, corrompida, é a perdição das pessoas.

Por fim, gostaria de dizer que quando a pessoa não tem certeza do caminho a seguir, da atitude a tomar, na vida de fé aconselha-se a seguir a voz do pastor, aquele do Evangelho, o bom pastor. Quem não reconhece essa voz tenderá a se perder no engodo das promessas e interesses escusos que somente instrumentalizam a fé e a religião. Concluindo com o Papa Francisco sobre o caminho a seguir nesse momento tão desafiador da história brasileira: “As religiões não podem ser usadas para a guerra. Somente a paz é santa e ninguém usa o nome de Deus para abençoar o terror e a violência”.

Edebrande Cavalieri

Teve início no dia 15 e se concluirá no dia 29 próximo a visita dos Bispos dos Regionais Leste 2 e Leste 3 (Minas

Teve início no dia 15 e se concluirá no dia 29 próximo a visita dos Bispos dos Regionais Leste 2 e Leste 3 (Minas Gerais e Espírito Santo) da CNBB conhecida como visita ad limina apostolorum. Em tradução liberal “visita à entrada (túmulo) dos Apóstolos”, que atualmente os bispos fazem a cada cinco anos. Sua origem situa-se ainda no tempo dos apóstolos, e de maneira bem clara o livro dos Atos dos Apóstolos (15, 1-2) descreve a viagem de Paulo e Barnabé até Roma para tratar da questão da circuncisão dos gentios com os Apóstolos e anciãos. Essa questão estava dividindo as comunidades e era preciso haver um consenso na caminhada, e isso deveria ser feito a partir da experiência cristã de Pedro e demais apóstolos. Era preciso caminhar todos juntos na fé.

As reformas empreendidas da Cúria Vaticana pelo Papa Francisco estão impactando as visitas ad limina. Por isso, em cada Dicastério da Cúria Vaticana os Bispos que estarão em visita encontrarão um ambiente de diálogo e escuta, sempre na perspectiva do sentido pastoral. Cada bispo estará levando os ecos que estão presentes em suas respectivas dioceses, sob forma de relatórios, jamais prestação de contas.

Que relatório leva o Bispo para Roma? Trata-se de um retrato da situação geral de sua diocese envolvendo questões de cunho administrativo, ministério episcopal e sacerdotal, funcionamento da Cúria Diocesana, situação das vocações e ministérios, forças vivas da diocese, celebrações e ação pastoral, presença da Igreja na sociedade e nos meios de comunicação, as relações ecumênicas e outros itens que compõem a vida ativa da Igreja local. Dessa forma, a Cúria Vaticana tem em mãos a situação de cada Igreja particular compondo um retrato de mais de cinco mil dioceses espalhadas pelo mundo. Por esse motivo também o Papa não pode receber pessoalmente cada bispo optando por grupos conforme a organização das conferências episcopais.

A primeira ação nessas visitas é a celebração no túmulo dos apóstolos e a visita ao Papa. Sua recomendação a cada bispo é que não tenham medo de errar. Caso isso aconteça, é preciso ter coragem e discernimento para voltar atrás e recomeçar. Em cada grupo de bispos o Papa Francisco vai encorajando apontando para “serem servidores da comunhão e da cultura o encontro”, dito a uns e a outros para que “não percam a leveza e o humor”. Enfim, encontrar-se em Roma nessas visitas é muito mais que cumprir um protocolo canônico.

É nesse espírito que Papa, Cúria Vaticana e Igrejas locais farão desses dias uma forte experiência de caminho da sinodalidade da Igreja. A força não mais situa-se no fortalecimento da autoridade, mas na capacidade de caminhar juntos. As rodas fundamentais nessa caminhada são a catolicidade e a comunhão. No passado, a unidade era mantida fortalecendo a autoridade dos pastores. Hoje manter a comunhão requer circularidade, reciprocidade, caminhar juntos. Como o Papa diz, trata-se de uma harmonia da diversidade, enquanto o inimigo quer que a diversidade se transforme em oposição tornando-a ideologia.

Os Bispos do Norte 1 e Noroeste que já estiveram nesse ano na visita ad limita relatam momentos importantes como a presença de mulheres nas equipes que fazem parte dos Dicastérios e o espírito dos encontros descritos como momentos de conversa, de escuta e não de discursos. Alguns bispos mais antigos que já realizaram essas visitas testemunham que elas eram marcadas pelas falas da Cúria, cabendo aos bispos apresentar questões previamente enviadas. Não era estilo dialogal. Eram momentos de apresentação de relatórios e respostas a questões feitas. Muitas vezes, havia tensões e medo por parte de muitos bispos. Hoje há um estilo bem diferente, onde os bispos podem se sentir bem à vontade para conversar de maneira serena, sem medo sobre o que se diz.

Logo no início da visita dos bispos do Norte 1 e Noroeste o Papa foi logo apontando o caminho: “Aqui eu quero que vocês digam tudo o que quiserem, perguntem tudo o que quiserem, façam críticas também, aqui precisa liberdade, porque quando não há liberdade, não existe diálogo”. Em seguida, foi ouvindo cada bispo com suas questões, inquietações, suas colocações. Tempo de escuta sinodal na visita ad limina. E insistiu com os bispos desses regionais para que escutem os povos indígenas, as comunidades de base, pois o Espírito Santo age através dessas pessoas, dos pobres da Igreja. “Vocês estão na fronteira, vocês estão com os mais pobres, vocês estão onde eu gostaria de estar”, completou o Papa.

Os tempos atuais são marcados por mares revoltos e o Papa incentiva os bispos para que não tenham medo de enfrentar os desafios do momento presente e cabe à Igreja “denunciar tudo o que atropela os direitos fundamentais das populações indígenas e o cuidado da nossa casa comum”, em referência à região amazônica. Portanto, a partir de Roma e da sepultura dos apóstolos brota a força profética da Igreja no mundo todo. Tem sido chamada de “peregrinação devota”.

Ao final da visita o Santo Padre envia através dos Bispos uma Bênção Apostólica para toda a diocese expressando as palavras de Jesus ditas a Pedro: “Rezei por ti, para que tua fé não desfaleça, e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc 22,32). E como fez no dia de sua eleição diante do povo na Praça de São Pedro, ele também pede “Reze por mim”.

É através da oração que o caminho sinodal se fortalece e a comunhão realiza o que Jesus pediu ao Pai: “Que todos sejam um, assim como nós somos um, como tu estás em mim, Pai, e eu estou em ti. Que eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste”.

Edebrande Cavalieri

As eleições que acontecem de quatro em quatro anos no Brasil têm mostrado candidaturas cada vez mais focadas no segmento evangélico tanto em termos

As eleições que acontecem de quatro em quatro anos no Brasil têm mostrado candidaturas cada vez mais focadas no segmento evangélico tanto em termos de votos como em termos de busca de candidaturas nas próprias Igrejas. Dessa forma, em 2014 tínhamos 344 candidaturas religiosas, passando para 736 em 2018 e atingindo nas eleições desse ano a cifra de 902 candidatos que se apresentaram como pastores (476), sacerdotes e outros títulos (112), irmãos (96), missionário (75). O título de padre apareceu em 12 candidatos. Por trás disso havia um projeto de poder com objetivos bem definidos.

A Bancada Evangélica tinha por meta eleger 30% da Câmara Federal. Com os resultados atuais chega a 115 deputados federais, tendo como grande vencedor Nikolas Ferreira (PL MG) com quase 1,5 milhões de votos conhecido como “Consagrado para Cristo”. Assembleia de Deus elegeu 24 deputados, a IURD 14 e a Batista 10 deputados. Assim temos o seguinte quadro: 53 de direita/extrema direita, 14 de centro e 8 de esquerda. É considerada a maior bancada, com 90% de viés conservador e de direita. Tem função mais ideológica que pragmática e utiliza a religião como pano de fundo para as discussões políticas.

Vale aqui uma explicação rápida de como se ergue e se fortalece em nosso país a extrema direita com perfil religioso. Vamos buscar sua origem no contexto americano em 1935 quando se formou a Direita Cristã para unir os industriais e empresários norte-americanos em vista da saída da crise do crack da bolsa de Nova York. Dos EUA esse grupo foi influenciando a política internacional, reunindo periodicamente as principais lideranças mundiais no chamado “café com oração”. Nesses encontros são traçadas linhas de ação pelo mundo a fora.

Algumas considerações analíticas poderiam ser feitas a partir desse cenário crescente em termos de interesse no voto dos evangélicos e do crescimento de representantes nas diversas esferas do poder político. A primeira coisa que aparece com dados objetivos dos Censos do IBGE é o crescimento da população evangélica em 2010 com 22% e agora projeta-se para 30%, sendo que no Espírito Santo deve ser ainda maior. Portanto, há uma transição religiosa muito forte passando da cultura católica para a cultura de cunho pentecostal evangélica. Vale ressaltar que os limites dessa cultura não são rigorosos, podendo muitos católicos fazerem parte dessa mesma cultura pentecostal sem se identificarem com alguma Igreja evangélica. Por esse motivo, a cultura pentecostal é bem maior que o número de evangélicos.

Seria ingenuidade nossa pensar que o segmento evangélico formaria um bloco compacto e homogêneo em termos de pessoas e candidaturas. Gostaria de destacar a postura do Pastor Henrique Vieira, candidato vitorioso nas eleições recentes: “Não faço parte da bancada evangélica. Não estarei em Brasília para defender os interesses da Igreja, não quero que o Estado seja extensão da Igreja e não quero que a Constituição seja expressão da doutrina religiosa”.

Em sua fala logo sobressai a principal questão para nossa análise. Ele mesmo sendo eleito deputado federal como pastor evangélico faz questão de registrar seu estar fora do bloco dessa bancada. No Brasil, nos últimos anos tem ficado bem fortalecida a aliança entre política e religião em termos de exercício do poder. As pautas apresentadas normalmente refletem uma postura conservadora em torno de temas não essenciais ao exercício do poder num estado democrático de direito, laico. As Igrejas de diversas denominações passaram a ser instrumentalizadas por algumas lideranças religiosas para apoio a candidaturas que dizem representar seus “ideais cristãos” bem como da família. Gostaria muito de ver uma política pública em prol das famílias pobres, desamparadas, abandonadas na miséria! Muitas vezes, o discurso pró família esconde apenas um interesse eleitoral e político, discurso para enganar os incautos e ingênuos.

Os Bispos do Espírito Santo da Igreja Católica (Leste 3 da CNBB) publicaram em 18 de agosto desse ano a Carta Pastoral Leste 3 sobre “a melhor política”, afirmando que em nossa conjuntura “devemos voltar a pôr a dignidade humana no centro e sobre este pilar devem ser construídas as estruturas sociais alternativas de que precisamos”. Por esse motivo, enfatiza a mesma carta que é preciso privilegiar os programas econômicos e as propostas políticas que tenham o meio ambiente e os pobres como meta prioritária do desenvolvimento econômico, pois a opção pelos pobres é um imperativo decorrente de nossa fé e não uma opção ideológica.

O interesse político no voto dos evangélicos na forma como vem sendo colocado nas campanhas eleitorais praticamente não demonstra, em geral, preocupação com a dignidade humana, com o meio ambiente e com os pobres. Pouco ou nada se fala em torno de políticas públicas para essa população mais excluída dos bens da política. Em seu lugar aparecem temas como a defesa da família, a ideologia de gênero, etc. Mas que família está sendo apresentada como objeto da preocupação política? Quais são os programas voltados para as famílias mais pobres da sociedade com alternativas de vida de trabalho e de dignidade? Por exemplo: Que programa contém proposta de criação de creches nas periferias?

Por que não se fala das necessidades dos pobres? Nesse aspecto, a aliança entre religião e política torna-se perigosa pois leva a alienação das pessoas. Dar consciência ao pobre de seus direitos não é comunismo, mas atitude evangélica, atitude cristã. Na medida em que se omite essa preocupação política, o exercício do poder torna-se mais fácil, e isso facilita a “formação de grupos restritos de dirigentes que usurpam o poder do Estado a favor dos seus interesses particulares ou dos objetivos ideológicos”, afirmam os Bispos do Espírito Santo. Por isso, o sistema democrático não apenas é visto com simpatia Igreja como também digno de sua defesa pois “assegura a participação dos cidadãos nas opções políticas” e se torna uma garantia de luta para a instituição de políticas públicas.

Ao mesmo tempo é preciso que façamos um exame de consciência sobre o que as Igrejas cristãs fizeram dessa preocupação com os pobres. É preciso reconhecer que algumas Igrejas pentecostais e neopentecostais foram capazes de chegar na ponta da sociedade, onde mais ausente se faz o Estado que aparece esporadicamente para causar impacto como acontece em muitas operações policiais. Nesses lugares de tanta dor e sofrimento quem está aí presente no dia a dia? Aquela rua com esgoto a céu aberto, aquele lixão empesteado de urubus, a rotina da falta de água, ausência ou irregularidade de transporte público, o clima de insegurança o tempo todo…é nesse ambiente que se fortaleceu o voto dos evangélicos e foi se espalhando pelas outras camadas sociais.

Outro elemento que considero essencial para responder a essa questão do interesse no voto evangélico situa-se no terreno da crença. Grande parte da sociedade brasileira, especialmente os mais pobres, dispõem de poucos elementos na formação de sua consciência, prevalecendo a religiosa. Então, guiadas pela crença, com poucos recursos de reflexão racional, a palavra dita e o lugar de onde é proferida tem valor de verdade e deve ser seguida. Nesse aspecto, muitas lideranças religiosas fazem do púlpito, do altar, um lugar estranho à verdade conforme Jesus pregava. A falta de compromisso com a verdade tem induzido o caminhar das pessoas. Costumo dizer que as alienações religiosa, social e política sempre estão interligadas. Uma não sobrevive sem a outra.

É perversa a instrumentalização da crença em proveito político. Nas campanhas eleitorais vemos muitas candidaturas faltado com a verdade, sem nenhum compromisso com ela, e seus apoiadores vão compartilhando tantas fake News pelas redes sociais. A mentira, como dizem os Bispos do Leste 3 da CNBB, tornou-se “uma arma política e método de arregimentar apoiadores e seguidores de ideias políticas”. Os Bispos são bem claros em relação ao compromisso com a verdade: “busquemos o debate eleitoral aberto, no qual não se escondam as propostas e projetos e evitemos as candidaturas e campanhas pautadas na difamação do outro, nas falsas notícias, no discurso raivoso e nas mensagens de ódio transmitidas por aplicativos”.

Por fim cabe ainda destacar que mesmo com tanto uso da Bíblia, sendo citada a torto e a direito, estamos presenciando o crescimento de uma população marcada pelo analfabetismo bíblico. O Secretário do Sínodo dos Bispos, Cardeal Mário Grech, foi bem claro ao fazer esse comentário mostrando que a Igreja Católica necessita cuidar desse desvio, como ele chama esse fenômeno. Ao mesmo tempo gostaria de mencionar a posição da Aliança Evangélica Mundial com seu presidente Thomas Schirrmacher dizendo que esse analfabetismo é o maior problema das Igrejas evangélicas atuais.

Não se trata apenas de uma falta de conhecimento das Sagradas Escrituras, não meramente um conhecimento intelectual, mas, experimental, um crescimento na graça e no conhecimento. E continua a constatação de que estamos diante de uma geração que busca resultados imediatos, sem estrutura, sem cerne, sem fundamento sólido. É crescente a influência de uma “cultura gospel” que transforma artistas em ícones e gurus que através de redes sociais tem “discipulado” cada vez mais as pessoas, reproduzindo o analfabetismo bíblico.

Dessa forma, a aliança entre religião e política não apenas instrumentaliza as Igrejas como também utiliza o texto sagrado conforme seus interesses, sua própria interpretação literal fundamentalista. Temos assim em nossa sociedade um segmento bem delineado atingindo em torno de 30% da população brasileira, tendo muitas vezes sido conduzida por líderes que não sentem nenhum escrúpulo em comprometer e penhorar seu rebanho no apoio a determinadas candidaturas. Nesse sentido, o segmento evangélico pentecostal e neopentecostal apresenta uma estrutura de fidelidade ideológica maior que qualquer outro segmento da sociedade brasileira. Daí a sua procura pelos candidatos em tempos de eleição.

Edebrande Cavalieri

Mais um dia de comemorar a data natalícia de São Francisco de Assis levando os animaizinhos para a bênção. Particularmente acho sempre esse momento

Mais um dia de comemorar a data natalícia de São Francisco de Assis levando os animaizinhos para a bênção. Particularmente acho sempre esse momento muito bonito. Nessas bênçãos vejo sempre uma reconciliação do homem com a natureza, com a casa comum. Mesmo que reconheçamos nossos pecados nas devastações de matas e no abandono de animais pelas ruas, sinto nesse dia uma força muito positiva. Dante Alighieri ao se referir à data de nascimento de São Francisco de Assis assim se expressava em sua obra magnífica “Divina Comédia”: “nasceu no mundo um sol”.

Para refletirmos mais um pouco sobre esse momento tão forte da espiritualidade cristã, tomei a liberdade de usar como título a mesma expressão que o Papa Bento XVI na audiência do dia 27 de janeiro de 2010 se referia a esse santo, como um gigante da espiritualidade, da santidade. E como gigante teríamos que nos dirigir a ele olhando os diversos perfis de sua vida e dedicação ao Evangelho, e não apenas à questão da solidariedade com as criaturas, no caso específico, os pets que convivem em nossas casas e são bem tratados.

Para os dias atuais uma ação de Francisco de Assis que viveu no tempo das Cruzadas contra os mouros (muçulmanos) que ocupavam as terras onde viveu Jesus com seus discípulos foi o encontro que ele teve em 1.219 com o Sultão do Egito Malik Al-Kamil, “sem bolsa nem alforge”, tendo por objetivo restabelecer o clima de convivência pacífica entre as duas religiões. O Papa Bento XVI nos diz que Francisco diante do confronto entre cristianismo e islamismo percorreu com eficácia o caminho do diálogo baseado na verdade, no respeito recíproco e na compreensão mútua.

Esse gesto de Francisco de Assis é celebrando ao longo da história como o primeiro passo no caminho do diálogo e da tolerância entre as religiões. A decisão de visitar o Sultão ia na contramão da Igreja que estava convocando e abençoando os cruzados para a guerra. Contudo, Francisco humildemente seguia o caminho indicado pelo Evangelho, sem fazer guerra contra a própria instituição. Ele dizia aos padres que o dom de consagrar a Eucaristia lhes exigia que “fossem puros, que vivessem de modo coerente com o Mistério que celebramos”. Pois, “do amor a Cristo nasce o amor às pessoas e também a todas as criaturas de Deus”. O dom de celebrar a Eucaristia para Francisco de Assis tinha o sentido da fraternidade universal e o amor pela criação”.

A partir do sentido profundo dessa espiritualidade chegamos aos dias atuais com uma humanidade carente do diálogo entre as religiões, com muitas práticas de intolerância religiosa, com verdadeiras guerras. Investe-se cada vez mais em armas de guerra, armas de ódio e de vingança. Ao mesmo tempo em que se sonhamos por uma paz efetiva, de Francisco nos vem a sinalização de que ela será sólida na medida em que estiver relacionada com o respeito da criação, pois a natureza é uma linguagem na qual Deus fala conosco. A bênção dos animais assim não está dissociada do diálogo com toda a humanidade e com a construção da paz. A bênção aos animais não é uma ação mágico-religiosa para garantir a proteção aos nossos pets queridos. O nosso relacionamento com os animais nos liga com toda a natureza e com todos os seres humanos. Portanto, a bênção recebida nas Igrejas deve nos comprometer com a casa comum.

Por fim, a espiritualidade de Francisco de Assis que o eleva ao gigantismo da santidade está na sua vontade e ação realizadas de maneira radical que o faz tornar-se cada dia mais sensível à paixão dos sofredores e aos gritos da terra devastada pela voracidade humana.

Com o crescimento do número de pessoas que entraram na linha de pobreza e pobreza extrema, a espiritualidade de Francisco de Assis nos convoca para a compaixão. Dom Frei Dario Campos, seguidor da espiritualidade franciscana, nos dizia em uma reunião do Conselho de Pastoral que não basta “uma Igreja em saída”. É preciso de uma Igreja em saída e que alcance a extremidade da sociedade com compaixão.

Edebrande Cavalieri

Depois de três anos de espera chega-se ao encerramento do grande encontro convocado pelo Papa Francisco direcionado aos jovens do mundo inteiro; de 120

Depois de três anos de espera chega-se ao encerramento do grande encontro convocado pelo Papa Francisco direcionado aos jovens do mundo inteiro; de 120 países vieram para discutir uma nova economia sob a inspiração de Francisco de Assis. Por que os jovens foram convocados? Porque a geração adulta deixa uma herança triste e de muita dor, uma casa em ruínas com tantas guerras, tantos desmatamentos, uma economia que mata, um planeta desprotegido. A geração adulta deixou muitas riquezas, mas sem cuidado com o planeta, com as pessoas. Assim, o Papa Francisco convoca os jovens para se tornarem os artesãos e construtores da nova casa comum. Torna-se urgente construir uma nova economia, pois a atual está em ruínas.

A inspiração para esse movimento vem de São Francisco de Assis, que em 1205, ao rezar numa capelinha de São Damião na Itália ouve do Crucificado um chamado forte: “Francisco, vai e repara a minha casa que, como vês, está em ruínas”. Daí em diante aquele jovem nunca mais foi o mesmo. Logo teve seus passos seguidos por outra jovem, Clara. Então dois jovens, Francisco e Clara, iniciaram um movimento que mudou tantas coisas na Igreja. Daí nasceu a inspiração para esse evento – economia de Clara e Francisco. Deve ser assim uma economia amiga da terra e uma economia da paz. Uma economia para a solidariedade dos homens entre si e dos homens com a natureza.

O chamado feito pelo Papa Francisco aos jovens não apenas visa reparar a casa que somos, a Igreja e suas reformas, mas também “ao meio ambiente, que tem necessidade de uma economia saudável e de um desenvolvimento sustentável que cure as nossas feridas”. Quanta dor sente o mundo com as queimadas criminosas, com a mineração ilegal, com a destruição das matas e dos rios!

É preciso construir um pacto ecológico integral como está bem definido na Encíclica Laudato Si’ e um pacto social como está proposto em Fratelli Tutti. A terra deixará de ser um lugar de ausências para se tornar uma casa de convívio solidário, comunitário. Se a geração adulta deixou tantas ruínas, o Papa confia aos jovens a tarefa de recriar uma nova maneira de ser, de viver e de fazer. Assis representa o ponto de convergência de jovens do mundo inteiro, conectados entre si, que buscam novas práticas no ambiente local, estadual, nacional e internacional.

Nesse encontro o Papa aponta em três direções a reconstrução da casa em ruínas: que os jovens olhem o mundo com os olhos dos mais pobres; que invistam em criar trabalho digno para todos; e que concretizem esses ideais para que se transformem em ação.

No encerramento do encontro o Papa Francisco firmou um Pacto com assinatura dos jovens em prol de uma economia a serviço das pessoas, das famílias e da vida, que respeite cada pessoa, homem, mulher, criança, idoso, especialmente os mais frágeis e vulneráveis.

Esse compromisso dos jovens necessita de imediato impactar o conjunto das sociedades, especialmente as escolas onde estão sendo formadas as futuras gerações. Sem uma educação para a reconstrução da casa comum não haverá um futuro de paz no mundo. É preciso estancar a sangria causada pelas destruições do ambiente e da sociedade. Ilusória é a economia que aposta no sucesso favorecendo a produção de armas de destruição e produtos que devastam o ambiente.

O chamado do Papa Francisco é direcionado aos jovens para que no exemplo do Francisco e Clara de Assis sejam os reconstrutores de uma nova casa, mesmo a partir das ruínas deixadas por seus pais, erguendo pontes e viadutos. No lugar da pólvora, o cuidado. Sobre o ódio, a ponte do amor. Do descarte e da indiferença deve brotar a dignidade em sua amplitude. De cada grupo discriminado, rejeitado, que se erga o mundo com pedras angulares. Pontes inúmeras interligando todas as culturas, todas as tradições, todos os povos. Que a ponte ética nas relações econômicas sirva assim como caminho para a transcendência. Espiritualidade com o jeito de Clara e Francisco!

Que a economia inspirada em Assis conduzida pelos jovens busque salvar a todos os que caíram pelo caminho, foram assaltados pelas tocaias traiçoeiras das pessoas que se acham com direito a tudo, inclusive o direito de roubar a vida dos outros. Então nessas novas relações haja trabalho digno para todos. Que os países do mundo inteiro, cada comunidade local, possa receber esses jovens construtores de pontes, reconstruindo a casa comum sobre as ruínas do chão onde maus pés pisaram e pisam cotidianamente.

Por fim, é preciso dizer que o mundo está na UTI. Urgência! É preciso começar imediatamente a reconstrução da casa comum. Fico a imaginar nesse momento um chamado aos jovens e crianças das comunidades eclesiais, das escolas da grande Vitória e do interior, para uma visita silenciosa e contemplativa na devastação provocada pelo incêndio na Reserva Paulo César Vinha, ocorrido há poucos dias.

O nome da reserva traz a lembrança do martírio dessa pessoa, assassinada aos 36 anos ali mesmo no parque porque denunciava crimes ambientais. Era colaborador do Greeanpeace e atuava na demarcação de terras indígenas em Aracruz. Paulo César foi morto porque estava “atrapalhando” a exploração de areia para a construção dos prédios da cidade.

Agora grande parte daquela reserva foi devastada pelo fogo impiedoso, criminoso (?). Tudo leva a crer que o início se deu em região próxima do Parque e com a seca o fogo se alastrou rapidamente. É preciso reconstruir a terra equivalente a 600 campos de futebol que ferveu em chamas. Muitas vidas se perderam nesse momento. Ali devem surgir pontes de solidariedade com o ambiente, com a vida. Uma economia inspirada em Assis não pode ficar indiferente às ruínas como essa, que estão pertinho de cada um de nós. Mãos às obras!

Edebrande Cavalieri

Pesquisa encomendada pelo Fundo da Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e realizada pelo IPEC divulgada no dia 15 de setembro passado traz dados

Pesquisa encomendada pelo Fundo da Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e realizada pelo IPEC divulgada no dia 15 de setembro passado traz dados alarmantes a respeito da situação de nossa juventude (brasileira) compreendida entre 11 e 19 anos. São mais de dois milhões desses jovens que evadiram da escola nos últimos anos sem ter concluído a educação básica. Representam um quadro sombrio diante do futuro e nesses tempos de eleição deveria ser objeto do olhar mais responsável por aqueles que pleiteiam um cargo político.

Ao olharmos os motivos pelos quais esses jovens abandonaram a escola verificamos que 48% deles deixaram de frequentam as aulas porque precisam trabalhar fora. Nesse caso buscam qualquer atividade que possa contribuir para acrescentar a renda necessária da família para a sobrevivência, inclusive pedindo dinheiro nos sinais e nas ruas. Outro motivo do abandono representando 30% é a dificuldade em acompanhar as explicações dadas pelos professores e a realização de atividades em casa. Logo abaixo vamos encontrar 29% desses jovens precisam cuidar de pessoas na família, 18% deixaram por falta de transporte e 14% por gravidez.

Esse quadro sombrio e desolador ficaria ainda maior caso fossem incluídas as crianças na faixa de 4 a 10 anos. Ainda poderíamos incluir muitos que estão na escola. Mas na iminência de abandono. Estariam numa situação de abandono, pois são afetados pelos fatores acima mencionados.

O INEP divulgou também os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) referente ao 2º ano mostrando como os níveis de alfabetização pularam de 2019 (15,5%) para 2021 (33,8%). Isso demonstra como a alfabetização foi a área mais afetada durante a pandemia e tem consequências ao longo do caminho escolar dos alunos. Esses dados avaliativos são gritos para que se recupere essa tragédia exigindo muita atenção dos gestores e educadores nos próximos anos. Os resultados do SAEB refletem o aprofundamento das desigualdades durante a pandemia. Falta de computador, de internet e o pequeno conhecimento dos pais que acompanhavam os filhos em casa afetaram o desenvolvimento de milhares de alunos pelo Brasil a fora.

Os noticiários capixabas registraram a performance dos alunos do Espírito Santo com os resultados do IDEDB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) colocando o Estado em terceiro lugar no quadro nacional. Em maiores detalhes vemos que nas séries de 1º ao 5º ano o Estado ficou em 7º lugar e nas séries de 6º ao 9º ano ficou em 12º lugar. E no Ensino médio alcança a marca do 3º lugar. Esses dados analisados friamente nos levariam à comemoração, contudo algumas ressalvas devem ser feitas. Foram objeto de avaliação os dois anos de pandemia e nesse contexto as escolas foram orientadas a não reprovarem seus alunos. Essa variável mostra um comportamento avaliativo bem artificial em termos de melhoras. Em razão disso, a pesquisa do IPEC torna-se essencial para se pensar em ações adiante.

Não podemos desconsiderar que a metade dos jovens que abandonaram a escola teve como motivo a necessidade de trabalhar, seguido da dificuldade de acompanhar os estudos e da necessidade de ficar em casa cuidando de alguém da família. Não podemos fechar os olhos diante de uma realidade de nossas crianças que deixam de ir para a escola para ficar em casa cuidando dos irmãos menores porque os pais precisam trabalhar e não há creches onde deixar aqueles que possuem até quatro anos de idade. Ter creches públicas nos bairros é uma grande ação de política pública. Fico a pensar se cada comunidade religiosa, cada paróquia ou templo religioso, fizessem um levantamento do número de creches em seu entorno! Não é sonho utópico, mas de homens de boa vontade.

Ao mesmo tempo precisamos superar um preconceito em relação aos alunos das escolas públicas como se fossem pessoas que não possuem interesse e estão na escola por obrigação. A mesma pesquisa do IPEC constatou que 84% dos estudantes nesse quadro de referência e estão na escola afirmam que possuem muito interesse nos estudos, 71% se sentem animados e 70% acreditam num futuro melhor. Portanto, o quadro é altamente positivo. Nossos jovens não estão buscando o caminho das drogas como muitos pensam achando que seja por desinteresse nos estudos. O caminho do tráfico envolve como questão crucial a necessidade econômica de sobrevivência.

A pandemia veio para aumentar ainda mais o fosso da desigualdade social no que se refere à educação. Estamos numa crise urgente na Educação e urge um esforço radical de toda a sociedade para a inclusão escolar e para a recuperação da aprendizagem. Daí a necessidade de termos políticas públicas referentes à educação que sejam fortes e consistentes, e que atinjam essas crianças e jovens. Caso contrário, estamos diante de uma geração perdida com graves consequências sociais. É preciso de maneira urgente reverter o fracasso escolar e o cenário de exclusão.

A pandemia não acabou para a educação. Até mesmo a adoção da prática de aprovação automática durante a pandemia vem trazendo impactos, pois os índices altíssimos de aprovação não refletem a realidade que os professores encontraram com o retorno do ensino presencial. A aposta que o governo federal vinha fazendo com o ensino domiciliar com atividades de alfabetização em casa iniciado antes mesmo da pandemia mostrou que o buraco é mais em baixo. Como isso poderia funcionar em famílias cujos pais nada possuem em termos de educação escolar?

Essas avaliações são muito importantes para gestores da educação pública e atores que agem nas escolas. Resultados positivos são ótimos e nos dão mais ânimo para trabalhar. Contudo é preciso ter os pés fincados na realidade socioeconômica de nossos alunos. O apelo da UNICEF para se evitar uma geração perdida aponta para a necessidade de enfrentar a pobreza na aprendizagem com alunos incapazes de compreender um texto simples.

Por fim, a luta que se apresenta é no sentido de retomar o movimento para a intensificação das matrículas escolares, recuperando aqueles que evadiram ajudando-os a resolver a questões pelas quais abandonaram a escola. Esses não perdem apenas a oportunidade de aprender, mas perdem também a escola como espaço importante de proteção contra os diversos tipos e formas de violência. Esse trabalho é da responsabilidade de cada cidadão, de cada instituição social, política ou religiosa. Fico imaginando um líder religioso em sua comunidade fazendo um levantamento das crianças que estão fora da escola e não apenas que não frequentam a catequese. Eu diria bem alto “Glória a Deus”!

Edebrande Cavalieri

Nos últimos tempos a questão da família tornou-se um dos elementos mais importantes nas diversas pautas políticas e agora aparece de maneira intensa nas

Nos últimos tempos a questão da família tornou-se um dos elementos mais importantes nas diversas pautas políticas e agora aparece de maneira intensa nas propagandas eleitorais. Até que ponto nossos representantes políticos estão preocupados com as verdadeiras questões que atingem nossas famílias? Dão a impressão de estarem preocupados com os votos dos eleitores mais ingênuos.

Ao mesmo tempo, muitas lideranças religiosas empenham seu apoio a certos candidatos tomando por base esse mesmo discurso em prol da família. Parece que esse tema se tornou moeda de compra e venda (ops) no mercado eleitoral. Gostaria de refletir um pouco, de maneira introdutória, a respeito da questão relativa à exclusão familiar, tão desafiador para as religiões como para a sociedade, sendo um dos principais problemas investigados pelas ciências humanas.

Um dos maiores vultos da psicanálise, Jacques Lacan, dizia que “entre todos os grupos humanos, a família desempenha um papel primordial na transmissão da cultura”. Portanto, não precisamos nem dar uma fundamentação bíblica a respeito desse tema. A família exerce um papel determinante na estruturação da identidade pessoal e social da pessoa. É ponto pacífico na psicologia a consideração de que é na infância que se estruturam as bases para a pessoa enfrentar a vida e nesse processo tem papel determinante as funções materna e paterna (pai e mãe). Um não substitui o outro e nem incorpora a função do outro. Não há mãe-pai! Mas isso é problema para outro artigo.

No campo das Constelações Familiares, que é uma terapia alternativa já bem desenvolvida entre nós que busca identificar as causas de problemas e conflitos pessoais a partir de uma dinâmica de grupo, é certo afirmar que cada um de nós está ligado ao destino de nossas famílias das mais diversas formas, de maneira consciente e inconsciente. Em razão desse elo forte que nos une ao grupo familiar, não estamos isentos de problemas quando alguém é excluído, rejeitado ou esquecido no seio familiar.

Isso já é suficiente para concluirmos que a redução da questão da família apenas ao contexto da moral sexual ou religiosa torna a discussão não apenas objeto de infindáveis discussões, mas não atinge em geral os graves problemas que a sociedade atravessa. Por isso, a pauta política que os candidatos apresentam tendo a família como destaque não apenas é superficial, como também dissimula os reais problemas inerentes às famílias.

Interessa-nos refletir um pouco a respeito da exclusão que ocorre no seio familiar. Não haverá nenhuma solução do problema caso a opção seja pela indiferença ou esquecimento em relação ao membro excluído, chamado popularmente de “problema”, de “vergonha da família”, de “irresponsável”, etc. Imagina como ficará essa estrutura familiar caso se opte pela agressão, pela violência! Nesse caso, a exclusão alcança níveis que levam à própria destruição do outro. Como crescem os assassinatos especialmente os feminicídios dentro dos contextos familiares!

Além disso é preciso considerar que qualquer processo de exclusão executado hoje terá impacto nas gerações futuras. Ao mesmo tempo, exclusões ocorridas no passado produzem consequências atualmente nas gerações familiares que provenham dessa origem comum. Isso nos diz que qualquer membro de uma estrutura familiar é importante e para o bem do grupo não poderá em nenhuma espécie ser excluído. Aquele “problema” não pode simplesmente ser descartado.

Não há caso perdido na gênese de nossa estrutura familiar. Qualquer tipo de exclusão familiar traz graves e profundos desequilíbrios biológicos, sociais e psicológicos. Somos obrigados à tarefa de incluir todo membro familiar no presente para que se viva melhor hoje e não provoque desequilíbrios nas futuras gerações. Cada pessoa deve encontrar um lugar na alma de cada membro da família. Ninguém é tão poderoso que seja capaz de “deixar para lá”. Carregamos sempre o outro conosco, mesmo morto.

A identificação de alguma espécie de exclusão no seio familiar é o primeiro passo para a busca de solução para inúmeros problemas que atropelam a convivência familiar. É muito cômodo imputar ao filho “problemático” como alguém desajustado, que se perdeu em função de más companhias. Há que se ter um enorme esforço de conhecimento para encontrar o nó desse desajuste. Enquanto esse nó não for desatado, o que não acontece por milagre religioso como tantos buscam, a situação não apenas deverá continuar, mas irá se agravar.

Assumir a realidade daquele fato, daquele “problema”, de maneira corresponsável, será o caminho para se encontrar uma boa solução para cada um do núcleo familiar e para os outros. Dificilmente outras instituições, externas à família, terão êxito tão alvissareiro sem a luta radical pela inclusão familiar. Grande parte dos problemas que os professores encontram nas salas de aula tem sua origem na estrutura familiar presente ou passada.

A título de exemplo podemos mencionar a questão das separações que ocorrem entre os casais. Quando isso acontece, é preciso tomar inúmeros cuidados para que o outro não seja excluído sob a forma de assassinato como temos visto crescer essa prática entre nós. Mas também nas separações não deveriam acontecer exclusões como um descarte do outro, como negação do outro, ou destruição da pessoa do outro sob diversos aspectos.

Têm sido noticiados diversos processos jurídicos de condenação de pais por “abandono afetivo” e muitos homens se queixam que estejam dando a pensão de maneira regular e podem também serem condenados. É pelas mãos do pai que a criança ganha caminho no mundo, pois seu olhar volta-se para a amplitude, para além dos limites da função materna. Por isso estão equivocadas aquelas mães que se dizem cumprir a função de pai e de mãe.

Por fim, parece-nos que o melhor caminho para tratar da inclusão familiar seja aquele que busca desenvolver processos de cuidado com as estruturas familiares, sejam elas quais forem. Com casamento ou não, cada estrutura familiar tem um papel determinante na saúde da sociedade. Quando crescem as situações de exclusões familiares, elas irão repercutir nas instituições sociais especialmente na escola. Sem esse cuidado que antecede a ida à escola dificilmente o processo educativo terá eficácia no desenvolvimento de cada criança, cada jovem. A exclusão familiar representa um dos mais graves e complexos problemas que impacta a sociedade atual.

Edebrande Cavalieri