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Aristóteles em sua famosa obra Ética a Nicômaco, resume magnificamente a resposta a essa pergunta: “Qualquer um pode zangar-se – isso é fácil. Mas

Aristóteles em sua famosa obra Ética a Nicômaco, resume magnificamente a resposta a essa pergunta: Qualquer um pode zangar-se – isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e de maneira certa – isso não é fácil”. Então a resposta é simples, não é errado expressar a raiva se você o fizer de modo certo. Destrinchar essa frase é um passo a passo para agir com inteligência emocional, a única maneira de expressar a raiva de forma efetiva. E o que isso realmente significa? É simples: zangar-se para agir na superação do problema sem criar outro. E como fazer isso? Uma metáfora boa é um semáforo (ou sinal) de trânsito: Pare(vermelho)Olhe(amarelo) e Siga(Verde).

1º PARE: Não reaja antes de pensar. Se a raiva estiver grande, sai de perto do que está lhe perturbando. Dá o tempo para se acalmar. A raiva embaralha sua visão, sua mente. Sua emoção tem que estar a seu serviço e não você a serviço dela.

2º OLHE / PENSE – analise a situação: por que fiquei com raiva? Por que isso me abalou? Por que se me deixei abalar por isso? O que em você facilitou que isso acontecesse? O que evitaria que isso acontecesse de novo? Faça tantas perguntas até que fique claro qual é a verdade da situação frustrante. Depois analise: seu motivo para ficar com raiva é certo, justificável, ético? Se tornasse público seu motivo, você se envergonharia? Se seu motivo é certo, então continue a análise, se não, toma um banho (de mar é ainda melhor) e esfria a cabeça. Se o motivo é certo, continue a análise.

Qual é a realidade da pessoa que me fez raiva? Por que ela fez o que fez? Ela é a responsável pelo problema ou é apenas a “mensageira” da frustração (é a pessoa certa?)? Delimitado o problema, seu motivo certo e a pessoa certa, passo a pensar em como enfrentar o problema para superar a minha necessidade frustrada.

A medida certa é definida pela agressão vivida, a frustração sentida. De uma cara emburrada ao rompimento do relacionamento, por exemplo. A falha foi grave? Uma advertência seria suficiente? Exagerar na medida é muitas vezes causar problemas futuros. Ser justo é o parâmetro. Não dá para enfrentar uma pulga com um canhão! Nem cutucar um monstro com vara curta!

A hora certa pode também determinar o fracasso ou o sucesso da sua ação. Chamar a atenção na frente dos outros, quando o outro está sob forte estresse por exemplo, ou ainda depois que já se passou muito tempo da frustração, é pouco produtivo.

A maneira certa é a “chave de ouro” para a solução do problema: como superar o problema? Quem tem esse poder? Como posso ter acesso à pessoa que tem o poder de mudar a situação frustrante? Qual a maneira certa para superar o problema? As perguntas podem ser diversas conforme o problema, mas o foco é destrinchar o problema e olhar além dele. Pense em diversas soluções. Pense em todas as consequências. Para ilustrar vou dar um exemplo que vivi:

Dona Maria residia com seu marido em Jaburu, uma comunidade estabelecida em um morro imenso. Ele teve um AVC e não conseguia nem falar e nem andar e estava internado no Hospital X de Vila Velha. Deram alta para ele sem avisar família e o deixaram ao pé do morro, em cima de um lençol (sua casa era mais de 2500 degraus acima). Ele ficou meia hora lá, sem conseguir pedir ajuda, até aparecer um conhecido que o levou para casa, com a ajuda de outros. Dona Maria chegou chorando e me contou. Fiquei revoltada. Estava zangada pelo motivo certo: e pensei preciso resgatar os dois da humilhação sofrida. Comecei a pensar a quem deveria dirigir a minha raiva: seria do maqueiro que o largou lá? Do motorista que o levou até lá ou de quem possibilitou que isso acontecesse? Então quem é esse responsável? Quem dá as diretrizes clínicas em um hospital? O Diretor Clínico, certo? Sim, esta é a pessoa certa. E a maneira certa? Se eu for lá mostrar minha revolta para ele vai adiantar? Será possível que ele não saiba o que está acontecendo? Não acredito. Se eu for lá possivelmente ele vai me atender gentilmente, e depois colocar a minha reclamação na gaveta. Então quem tem mais poder para atingir o hospital para que isso não aconteça mais com pessoa nenhuma? Acertou se respondeu a mídia! E qual é a hora certa? Daqui a uma semana ou um mês? Não, a mídia se interessa pelo que está acontecendo hoje. A forma certa? Fazer uma denúncia imediatamente à Televisão. A televisão de fato foi lá, fez a reportagem, os amigos todos viram a reportagem na casa deles, no horário nobre e a honra e o respeito ao Sr. José e Dona Maria foram resgatados.Eles se sentiram importantes

3º SIGA / AJA – Como no exemplo acima, quando a situação estiver mapeada você pode e deve agir.

Seguindo esses três momentos (Pare, Pense e Aja) e consciente da situação e de si mesmo, você pode canalizar sua energia agressiva de forma assertiva e agir com autocontrole, na direção do planejado e assim se esforçar para superar o problema. A autoconsciência, é a chave para ser verdadeiramente inteligente emocionalmente, porque permite a pessoa exercer autocontrole. De que adianta expressar a raiva sem resolver o problema? De que adianta criar atrito e continuar com o problema. Só um caminho é valido: pare, pense e age assertivamente!

Vania Reis

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Desde 1995, em paralelo às comemorações do 7 de setembro, a Igreja do Brasil nos convida para outro grito, bem distinto daquele proclamado às

Desde 1995, em paralelo às comemorações do 7 de setembro, a Igreja do Brasil nos convida para outro grito, bem distinto daquele proclamado às margens do Rio Ipiranga. Na verdade, ela nos convoca para ouvirmos tantos outros gritos que ecoam nas periferias existenciais e sociais. São 28 anos em que se faz ressoar pelo Brasil a fora o grito daquelas pessoas, abafadas pelos mais diversos modos. Tantas vezes elas nem tem mais forças para gritar, devido ao frio, à fome, às necessidades que está passando.

Esse ano temos um cenário bem mais complexo na realidade nacional. Tempo das campanhas eleitorais mais acirradas e momento em que o Brasil desde 2021 voltou ao mapa da fome que é a versão mais cruel da desigualdade em todos os sentidos, e não apenas econômica. Portanto, aqueles gritos que ecoavam nos idos da década de 90 voltam com mais intensidade. Clamam pela segurança alimentar.

Além disso, o país está programando um conjunto de eventos para comemorar o bicentenário da Independência proclamada por Dom Pedro I. Até o coração desse Imperador foi trazido pelo governo brasileiro. E a Igreja nos coloca a questão: 200 anos de (in)dependência. Para quem? Por que essa questão? Desde estudantes, cada pessoa teve a oportunidade de analisar de maneira crítica como ocorreu aquele fato histórico em 1822.

O filho do Imperador que governava o Brasil rebela-se contra o próprio pai e declara-se separado da metrópole. Causa sempre estranheza como esse primeiro imperador do Brasil, após abdicar do trono brasileiro, tornou-se e terminou seus dias como 28º rei de Portugal. Como assim? Temos um fato histórico que é suplantando por uma versão do mesmo fato, produzindo um imaginário que foi se impondo sobre o conjunto da sociedade brasileira.

Logo nos comparamos com outros países latino-americanos e vemos que o caminho daquelas pequenas repúblicas de colonização espanhola criou seu próprio processo de soberania nacional. O Brasil, ao contrário, parecia terra herdada por um filho da coorte. Para que houvesse o reconhecimento da soberania nacional o Brasil teve que pagar a Portugal o valor de 2 milhões de libras esterlinas que era a dívida que a metrópole tinha com a Inglaterra. Foi por pressão da Inglaterra que Portugal reconheceu a independência do Brasil. Estava bem claro nesse acordo que o nosso país estava encaminhando-se para um novo tipo de dependência, agora com a Inglaterra. Então faz sentido o uso do termo (in)dependência acima proposto pela Igreja.

Ao longo desses duzentos anos presenciamos o desafio enorme para a construção de um projeto de soberania da sociedade brasileira em que a dignidade de cada pessoa esteja sempre em primeiro lugar. Portanto, não se trata apenas de um momento de denúncia, mas de reflexão e busca de um caminho de esperança que nos alimente na caminhada. Não haverá soberania nacional com projetos que aumentam as injustiças sociais. Então o Grito pela Independência deixa de lado o ufanismo nacionalista e imperialista e se torna um grito pela justiça. Essa é a razão de ser do Grito dos Excluídos. O caminho deverá ser do coração do Imperador trazido, para os corações sofridos aqui deixados à mingua.

Assim, os gritos dos excluídos e das excluídas vão para as ruas desse país gritando não apenas contra a exclusão como momento de negação, mas também gritando e empunhando as armas da esperança, da força desses brasileiros que no dia a dia vão construindo a resistência e a sobrevivência. Os alimentos distribuídos por ocasião dessa caminhada são símbolos vivos da luta e da resistência dessas populações com a produção familiar.

Apesar de ser iniciativa da Igreja Católica, nascido no contexto da II Semana Social Brasileira da CNBB, o Grito dos Excluídos expandiu-se para outros âmbitos, com a adesão dos movimentos populares, religiosos e sindicais, e organizações comprometidas com as populações mais vulneráveis da sociedade.

São os excluídos os protagonistas do grito e cabe à sociedade como um todo ouvir suas dores, seus lamentos, suas dificuldades. O grito não é um movimento que vem de cima para baixo. Muito pelo contrário, é dos rincões mais distantes, das periferias sociais e existências que os gritos devem ecoar pelas ruas de nossas cidades, pelos espaços de nossas Igrejas. Assim nas próprias celebrações feitas haverá nesse dia um “grito litúrgico”. Como seria? Como nossas comunidades estão preparando as celebrações desse dia?

Nesse 7 de Setembro teremos assim outro sentido para o fato histórico, rompendo a versão oficial, pois a soberania é um processo a ser construído no conjunto da sociedade. Talvez tenha passado da hora de dar um basta nas comemorações das vitórias dos dominadores e ouvir as dores e sofrimentos das populações vencidas pelos canhões. Então o Grito do Ipiranga ecoará como um Grito de justiça e assim alcançaremos em definitivo a soberania nacional, a independência desejada e sonhada. O que importa não é o coração do Imperador, mas os corações sofridos e dilacerados pelas armas e pela fome.

Edebrande Cavalieri

Não há como passar um dia sequer sem viver uma frustração. Criamos expectativas sobre a realidade e muitas vezes há diferenças grandes entre o

Não há como passar um dia sequer sem viver uma frustração. Criamos expectativas sobre a realidade e muitas vezes há diferenças grandes entre o que imaginamos e a realidade que nos apresenta. Essa diferença entre o idealizado e o real nos leva a um estado emocional que chamamos frustração. Somos delimitados pelas frustrações que vivemos e, mais ainda pela forma com que lidamos com elas. Muitas pessoas hoje têm dificuldade de lidar com limites. Pais e filhos inclusive. Vamos entender um pouco mais sobre as frustrações.

Quando enfrentamos um obstáculo que frustra nossos desejos, objetivos ou necessidades, ou seja, quando nos frustramos, nosso corpo libera a energia de ação que nos dá forças para enfrentar o desafio e superar o obstáculo. Essa energia de ação, na sua expressão mais básica, é a raiva. Expressar nossas emoções, inclusive a raiva é saudável, e não nos trará outras frustrações se aprendemos desde cedo a canalizar nossas energias para a solução dos problemas e não para ferir outros. Canalizar bem essa energia é fazer isso com inteligência emocional, ou seja, como Aristóteles ensina: na hora certa, com a pessoa certa, de maneira certa e pelo motivo certo! assim como entender que na vida também nos é exigido aceitar ou simplesmente conviver com muitas frustrações sentidas. O tema é amplo e vamos nos ater às muitas formas de reagir frente às frustrações.

Os que conseguem superar os obstáculos deixam de estar frustrados e (usualmente) ficam satisfeitos. Persistiram em suas necessidades e conseguiram enfrentar assertivamente os problemas, superando os obstáculos. Essa energia de ação, liberada pela frustração, perde a sua função quando a frustração deixa de existir e, assim, é liberada. Não sinto mais raiva.

Os que não conseguem superar os obstáculos podem reagir de formas variadas.

Na maior parte das situações frustrantes que vivemos minimizamos o que sentimos e nos acomodamos com as diferenças entre a realidade ideal e a apresentada pelo mundo. Os que assim agem minimizam suas emoções, suas necessidades ou o desejo sentido e “estancam” a energia com um pensamento do tipo “eu nem queria mesmo”. Reprimimos o que sentimos e renunciamos ao desejado e isso é natural, pois quem não os faz, quem não aceita ser limitado em seus desejos, acaba sendo pessoa desadaptada, criadora de casos ou que tenha obsessão por realização não aceitando perder. Estas acabam sendo pessoas sós e muitas vezes sua satisfação pela realização não compensa o que perdem no caminho da integração aos grupos ou nas relações interpessoais saudáveis.

Há os que projetam no outro a sua frustração e “soltam os cachorros” expressando a sua energia agressiva (energia de ação gerada pela frustração), responsabilizando os outros pelos problemas. Estes podem até conseguir superar o problema, mas podem também apenas criar muitas desavenças. Quando conseguem o que querem e criam atritos com o outro, estes últimos passam a ser os frustrados e assim se retoma o mesmo ciclo: reprimir ou minimizar ou expressar sua energia agressiva gerada pela frustração assim como buscar superar total ou parcialmente o obstáculo, nem sempre alcançando. Mantendo então a frustração e voltando ao ciclo inicial.

Se não conseguimos achar um meio legítimo de enfrentar a frustração, aquela energia fica “aprisionada” e se isso se repete constantemente passando a ser nossa reação mais provável, “engoliremos” a frustração sentida. O que muitos desconhecem é que não saber lidar com a frustração pode nos adoecer.

A repressão sistemática da frustração (e da energia agressiva) por não conseguir nenhuma forma de canalizar essa energia de maneira assertiva que leve à superação do obstáculo, leva o nosso organismo a mandar para o corpo a mensagem que ele não está bem. E que precisa de nossa atenção. Para isso nosso cérebro se utiliza do imaginário do povo como linguagem, para sua mensagem ser entendida. Assim se no vocabulário do povo estou “engolindo sapo” meu sintoma diante da constante frustração de não conseguir fala o que penso quando frustrado (como na relação com o chefe, por exemplo) vai ser gastrite. Se meu problema está em botar para fora o que está ruim de digerir, por exemplo posso vir a expressar a minha continuada frustração posso, tendo o sintoma de colite. Essas, como a asma e faringite são sintomas típicos dos que tem dificuldade em expressar sua raiva de forma assertiva (superando o problema). Dor e problemas de coluna são comuns aos que estão frustrados com sua sobrecarrega de responsabilidade na família e não conseguem dar limites a eles, pois na linguagem do povo, “tudo está nas minhas costas”. Pressão alta é outra maneira de expressar pelo corpo a mesma condição: a pessoa não está dando conta da “pressão em cima dela”.

Qual o melhor caminho:

Deus, dai-me a serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar, coragem para mudar as coisas que eu possa, e sabedoria para distinguir uma da outra

Vania Reis

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Teve início nessa segunda-feira passada, dia 15, a campanha eleitoral no Brasil inteiro para a eleição dos executivos federal e estaduais e legislativos federal

Teve início nessa segunda-feira passada, dia 15, a campanha eleitoral no Brasil inteiro para a eleição dos executivos federal e estaduais e legislativos federal e estaduais. Nos últimos anos houve um grande desgaste emocional nas campanhas eleitorais, muitas delas pautadas nas mentiras conhecidas como fake News, contudo nem tudo se perdeu. Infelizmente muitas lideranças religiosas cristãs empunharam armas ao invés de empunhar a Palavra de Deus. Esperamos que essas lideranças se convertam ao Evangelho de Jesus Cristo e não apenas usem o nome do Senhor em vista do poder e dos interesses particulares.

Há muitos candidatos empenhados numa campanha limpa, ética, a serviço dos que mais precisam. Essa é a melhor política no sentido empregado pelo Papa Francisco. Nesse artigo gostaríamos de apresentar um pouco essa compreensão da política não como coisa suja e nojenta, mas como parte da vida social e fundamental para o exercício da democracia e a melhoria da sociedade especialmente daqueles que estão sendo beneficiados pelos diversos auxílios emergenciais. Espera-se que não vendam seus votos em troca de benefícios passageiros.

Na Encíclica Fratelli Tutti publicada em outubro de 2020 pelo Papa Francisco, há um reconhecimento triste diante do caminho que está se construindo no mundo todo que demonstra uma forte regressão nos avanços para as diversas formas de integração que estavam sendo construídas. Reconhece também que tantos sonhos foram desfeitos, pois a humanidade caminha sem um projeto para todos. Nesse contexto, a “política torna-se cada vez mais frágil perante os poderes econômicos transnacionais que aplicam o lema ‘divide e reinarás’”.

Além disso, vai-se desenvolvendo no interior dos países uma “agressividade despudorada”, com verdadeiros “gabinetes do ódio”, com as mais diversas formas de “agressividade, com insultos, impropérios, difamação, afrontas verbais até destroçar a figura do outro, num desregramento tal que se existisse no contato pessoal acabaríamos todos por nos destruir entre nós”. Essa agressividade cresceu muito com a penetração dos dispositivos móveis com suas redes sociais e nos computadores.

Os Bispos do Regional Leste 3 publicaram uma carta no dia 01 de julho alertando sobre os fenômenos turbulentos da política brasileira criando no país um clima de ódio que se converteu em ataque aos direitos humanos e das minorias, fazendo aumentar o fundamentalismo religioso, a intolerância, o racismo, a xenofobia, o machismo, a homofobia e outras formas de preconceito que tantas vezes culminaram em atos de violência, como o feminicídio. E dizem ainda que eles se sentem entristecidos com tudo isso acontecendo sob uma suposta adesão à Palavra de Cristo que pregou o amor, o perdão e a acolhida a todos.

Os Bispos se dirigem ao povo das quatro dioceses (Vitória, Cachoeiro, São Mateus e Colatina) para que busque a melhor política. Convocam todos para um esforço maior de compreensão da conjuntura e engajamento efetivo no processo eleitoral, pois há muitas armadilhas ideológicas e informacionais, notícias falsas e apelos de pseudorregiosos sem nenhum amparo nas Sagradas Escrituras, na Doutrina Social da Igreja, que tentarão cooptar eleitores em nome de interesses eleitoreiros.

Sem querer estender muito, a Doutrina Social da Igreja nos diz que “o compromisso político é uma expressão qualificada e exigente do compromisso cristão ao serviço dos outros”, buscando sempre a persecução do bem comum, desenvolvendo a efetividade da justiça com uma atenção particular com as situações de pobreza e sofrimento, e nesse sentido reafirma doze princípios básicos aos quais todos os crentes, enquanto titulares de direitos e deveres de cidadãos, estão obrigados a respeitar. E aos candidatos que se dispõem a ocupar encargos diretos nas instituições para a gestão das complexas problemáticas da coisa pública estão obrigados a seguir tais orientações. Portanto, um cristão e mais ainda um candidato cristão que adere a movimentos e campanhas que vão contra esses princípios está se colocando na contramão da orientação da Igreja para a construção da melhor política.

O Papa nos alerta que “há interesses econômicos gigantescos que operam no mundo digital, capazes de realizar formas de controle que são tão sutis quanto invasivos, criando mecanismos de manipulação das consciências e do processo democrático”. Muitas plataformas favorecem o encontro entre pessoas com as mesmas ideias, dificultando o confronto entre diferenças, facilitando a “divulgação de informações e notícias falsas, fomentando preconceitos e ódios”. E confessa que os fanatismos induzem a destruição dos outros e são também protagonizados por pessoas religiosas incluindo cristãos. Mesmo nas mídias católicas é possível ultrapassar os limites, tolerando-se a difamação e a calúnia sem nenhum juízo ético.

A Encíclica Fratelli Tutti dedica um capítulo inteiro à política melhor, que seja capaz de realizar a fraternidade entre as pessoas e as nações. Indica como urgente e necessária uma política que seja capaz de reformar as instituições, coordená-las e dotá-las de bons procedimentos”. Os interesses particulares e corruptos enfraqueceram muitas instituições fundamentais da sociedade. É preciso agora uma política capaz de reformar essas instituições.

A regressão indicada pela Encíclica na política deve-se ao crescimento de formas mesquinhas e fixadas no interesse imediato, particular, em vista do poder. Em momentos difíceis como os que estamos atravessando é preciso investir em candidatos que pautem sua campanha em grandes princípios e que pensem no bem comum a longo prazo, e não num auxílio emergencial efêmero. O poder político instituído não se alinha a pensar um projeto de nação, a longo prazo. Tudo é feito em vista do tempo do mandato, ou do exercício do governo. É preciso construir através da política um projeto comum para a sociedade, sem fins eleitorais, que seja pautado por uma justiça autêntica que é “um empréstimo que cada geração recebe e deve transmitir à geração seguinte”.

E conclui esse capítulo dedicado à melhor política mostrando quais questões deveriam servir para os candidatos eleitos ou a serem eleitos. Em vez de perguntar quantos votos se obteve, é preciso perguntar “quanto amor coloquei no meu trabalho? Em que fiz progredir o povo? Que marcas deixei na vida da sociedade? Que laços reais construí? Que forças positivas desencadeei? Quanta paz social semeei? O que produzi no lugar que me foi confiado?” O caminho a ser perseguido nos convoca para a paz, para a justiça e para a fraternidade. É preciso que nos empenhemos na superação das políticas de integralismos e divisão, das tendências ideológicas odiosas e mentirosas que manipulam as ações e os destinos dos homens.

Para concluirmos, a Carta dos Bispos do Regional Leste 3 da CNBB, citada acima, indica alguns critérios para orientação do voto na hora de escolher o/a candidato/a. O texto inicia fundamentando o que constitui a via política e como se deve compreender. E logo elenca os critérios fundamentais definidos pela Igreja. O/a candidato/a deve possuir histórica preocupação com a casa comum, a defesa da vida desde a concepção até o fim natural, a segurança e os direitos humanos, a defesa da democracia, uma economia a serviço da vida, o compromisso permanente com a verdade e a honestidade como pressuposto fundamental. A partir desses critérios cada eleitor deverá proceder uma análise rigorosa de cada candidato que escolherá para que realmente se constitua nesse país o caminho da melhor política.

Edebrande Cavalieri

Esse é o último artigo da série sobre os desafios que nossos filhos terão que enfrentar para a próxima onda de desenvolvimento prevista: “a

Esse é o último artigo da série sobre os desafios que nossos filhos terão que enfrentar para a próxima onda de desenvolvimento prevista: “a revolução de talentos”. Vimos que são quatro os pilares que sustentarão essa preparação: o pilar mental, o emocional, o social, e para completar a série hoje falaremos do pilar espiritual.

A Espiritualidade é o pilar mais importante de todos, não só para a educação dos nossos filhos, mas para nós pais e para nossa sustentação na difícil tarefa de educar filhos em um mundo tão desorganizado. Sem conhecer o sentido da nossa vida, nossa missão aqui na terra e o amor de Deus que está conosco todo tempo, fica muito difícil enfrentar esse nosso mundo.

A Espiritualidade não é uma experiência meramente contemplativa e nem prática teológica especulativa. A Espiritualidade Cristã é busca e encontro com Deus, através do Espírito Santo, pelos passos de Jesus. Ela se fundamenta nos ensinamentos de Jesus e é reconhecida quando se expressa conforme Êle nos ensinou, no amor ao Deus Pai, no amor a si mesmo e ao outro, na solidariedade, na justiça, no perdão, na verdade e na paz…

Tornar-se um ser espiritual é sermos cada vez mais reconhecidos como discípulos de Jesus pela qualidade dos nossos relacionamentos com o próximo e com o mundo. Este é um importante critério para avaliar a autenticidade e intensidade de nossa espiritualidade. Nossas ações têm expressado o que Deus quer de nós?

COMO ALCANÇAR A ESPIRITUALIDADE CRISTÃ?

Três movimentos são essenciais: 1) Buscar o Conhecimento: conhecer mais a Deus e conhecer melhor a si mesmo, 2) Oração e 3) Ação.

  1. BUSCAR O CONHECIMENTO:

  1. Conhecer mais a Deus: Não se ama aquilo que não se conhece. Só podemos amar realmente a Deus quando conhecermos quem ele é de verdade, e quais são os seus mandamentos. Para educar seus filhos na espiritualidade vocês pais terão que desenvolvê-las em vocês. Não se dá o que não se tem. Para começar essa caminhada vocês podem ler a Bíblia em grupos de estudo na paróquia por exemplo ou fazerem cursos bíblicos. Podem ler livros escritos pelos santos. Podem pedir ao seu pároco indicação de outros livros, mas não precisam virar especialistas. Deus é, e até o fim dos tempos será, um mistério para nós: Eu mesmo, irmãos, quando estive entre vocês, não fui com discurso eloquente nem com muita sabedoria para lhes proclamar o mistério de Deus. (1 Cor 2,1-5). Mesmo não entendendo certas passagens humildemente reconheço minhas limitações e peço ajuda ao Espírito Santo para me iluminar.

  2. Conhecer melhor a si mesmo: Não no sentido psicológico, mas no espiritual. Preciso me olhar honestamente, como dizem “de forma nua e crua”. Preciso perceber as inconsistências entre a autoimagem que gero em meu cérebro e a verdade gerada por minha alma. Separar as imagens criadas e projetadas para então desconstruir piedosamente essa imagem social, do meu Eu externo e tomar profundo contato com quem realmente somos, no nosso espelho íntimo, a verdade da alma, reconhecendo nossas misérias. Pelos olhos da alma sei que não engano a Deus, assim ao olhar-se de frente, não arranje desculpas para suas fraquezas. Peça que o Espírito Santo lhe ajude se preciso. Quando me reconheço um nada perto de Deus me reconforta saber que ele me ama mesmo assim e então tenho coragem de mudar. Conhecendo Deus, o reconhecerei como o poderoso criador de tudo. Tudo quer dizer tudo. Aí vou entender a minha pequenez e compreender que não são por minhas habilidades que consigo realizações, mas pela graça de Deus. Por um “presente” de Deus. Quando eu chego neste ponto estou alcançando a espiritualidade cristã e começo a entender qual é o plano de Deus para minha vida. Me reconheço um pecador e sei do desejo de Deus que eu seja santo: Vocês serão santos para mim, porque eu, o Senhor, sou santo, e os separei dentre os povos para serem meus.” (Lv 20,26). Ser santo não é se isolar de tudo e todos, sem ter contato com ninguém para se manter puro. É estar no mundo e me manter fiel, evangelizando por minhas ações e por meu olhar misericordioso.

  1. ORAÇÃO:

Com os movimentos acima minha oração consegue ser feita de forma humilde. Sei que eu nada sei, nada posso a não ser pela benevolência de Deus. Entrego meus problemas em suas mãos e peço que o Espírito Santo me guie em TODAS as minhas decisões. O Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as coisas mais profundas de Deus. (1 Cor 2, 10). Louve a Deus sempre e mostre que você reconhece que o mérito é do Senhor seu Deus, e não seu. Agradeça-o sempre: pelos êxitos ou fracassos porque você já entendeu que os caminhos de Deus sempre serão para seu bem.

  1. AÇÃO: Ajam sabendo que suas ações serão sempre e a cada minuto seus testemunhos e que assim serão reconhecidos. “De que aproveitará, irmãos, a alguém dizer que tem fé, se não tiver obras? [..]17.Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma. 18.Mas alguém dirá: “Tu tens fé, e eu tenho obras”. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras.” (Tiago 2, 14, 17-18)

E para finalizar:

COMO TRANSMITO ESSE PILAR DA ESPIRITUALIDADE CRISTÃ PARA MEUS FILHOS?

A principal forma de transmissão da espiritualidade é o exemplo. Através das nossas ações concretas, guiadas pelos ensinamentos de Jesus e pelo nosso amor a nossa espiritualidade cristã será entendida. Pelo diálogo amoroso seremos capazes de transmitir o amor de Deus e eles poderão aprender vivencialmente a espiritualidade cristã. Aprenderão amar a Deus e ao próximo.

Ser um bom cristão é também amar a si mesmo. Assim temos que dar autoconfiança para nossos filhos e isso significa para nós pais, dar amor e carinho para eles independente de seus sucessos ou fracassos. Você, assim como Deus, os ama independente deles terem recebido, ou não, a graça de Deus. Se tiverem um fracasso vocês poderão ajudá-los a superar a dor ensinando a eles que um dia eles compreenderão por que Deus não deu aquela graça, naquele momento. Uma pessoa espiritual permite que sua vida seja cem por cento conduzida pelo Espírito Santo, assim peça a ajuda ao Espírito Santo para orientar seus filhos e suas ações. Sem essa força de Deus nada somos e nada podemos. Converse com Jesus!

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CRIAR FILHOS EM UMA SOCIEDADE DESORGANIZADA.

O PILAR SOCIAL NA SOCIEDADE DESORGANIZADA

Educando filhos em tempos difíceis

 

Vania Reis

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No último dia 05 de agosto deste ano o Papa Francisco assinou o Decreto que reconhece as virtudes heroicas de um missionário redentorista nascido

No último dia 05 de agosto deste ano o Papa Francisco assinou o Decreto que reconhece as virtudes heroicas de um missionário redentorista nascido em Sacramento, Minas Gerais, em 1899. Trata-se do Padre Vítor Coelho de Almeida, conhecido como Catequista da Pátria e Apóstolo do Rádio. Após ser internado com tuberculose no Sanatório de Campos de Jordão por sete anos, de 1941 a 1948, onde exerceu também o ministério ordenado, iniciou seus trabalhos de transmissões na Rádio Aparecida, colocando-a como um instrumento de evangelização e difusão dos ensinamentos do Concílio Vaticano II. E ali tornou-se muito conhecido pelo povo brasileiro de maneira especial.

O primeiro passo para a santificação foi dado com esse decreto assinado pelo Papa Francisco. Aguarda-se agora o reconhecimento de um milagre ocorrido em Ribeirão Preto para então ser declarado Beato. E depois deverá ser estudado e reconhecido outro milagre para ser considerado santo, quando seu nome é inserido numa lista (cânon) que é a canonização, quando a veneração além de ser pública é também universal. Mas quem é esse missionário do Rádio, apóstolo de Aparecida, que o povo mais novo pouco conhece? Vale a pena conhecer sua história e seu carisma.

Para se ter uma ideia dessa pessoa e sua vocação profética, em 1969 durante as transmissões pela Rádio o Padre Vítor fez a leitura de maneira clara e objetiva da Declaração Universal dos Direitos Humanos, tendo sido considerado subversivo pelo regime militar que mandou fechar e lacrar a rádio por 24 horas. Era o momento do programa “Os ponteiros apontam para o infinito”, de meio dia. Os militares alegaram que um padre havia lido um discurso subversivo no programa, impondo a censura mais rigorosa que vinha desde 1967 com a Lei de Imprensa e o controle dos Meios de Comunicação com censura prévia a partir de 1970. Mas isso não o fez abandonar o projeto de promoção humana e evangelização do povo. Continuou seu trabalho na rádio Aparecida lendo e explicando em linguagem popular os documentos do Magistério da Igreja, especialmente a Doutrina Social. Quem poderia impedir que se fizesse isso?

Ele costumava dizer que era filho da Misericórdia de Deus, pois “Ele me tirou do lodo, de lá de baixo, para me colocar na vocação sacerdotal”. Até o final da vida nunca deixou de mostrar que era missionário redentorista, afastando assim a tentação da autorreferencialidade, como se fosse o tal no modo de dizer popular. Era forte, enérgico, mas nunca perdia a humildade de saber pedir perdão.

Contudo, quem mais conhece o trabalho desse venerável são as pessoas pobres do interior do Brasil, quando nem energia elétrica ainda existia no meio rural, mas cada um procurava adquirir dinheiro para comprar um radinho de pilha que era carregado para todos os lugares. O trabalhador rural no meio da roça levava aquele radinho para ligar ao meio-dia e ouvir o programa “Os ponteiros apontam para o infinito”, às 15 horas para rezar a “Consagração a Nossa Senhora”, com oração própria. De noite, no horário da Ave-Maria era outro momento de se encontrar com o padre Vitor. Naquele radinho de pilha com esse missionário o povo tinha alimento para sua fé, tinha orientações para cuidar de sua saúde, e notícias do mundo eclesial. Era através de seus programas que o povo adquiria formação cristã e humana.

A Consagração a Nossa Senhora Aparecida é até hoje, depois de mais de 70 anos, o programa mais ouvido e acompanhado pelos devotos, com a oração escrita pelo próprio padre Vitor. Essa oração passou por duas mudanças e a última ocorreu por ocasião da visita do Papa Francisco a Aparecida em 2013. O texto da oração foi enviado a Roma para ser incluído no missal utilizado pelo Papa, sendo a primeira pessoa a rezar publicamente a oração reformulada. É sempre rezada em Aparecida até hoje no encerramento das missas e às 15 horas como de costume.

As minhas lembranças do trabalho do padre Vítor ainda são muito fortes. Com meus pais no interior acompanhava todos os momentos dos programas conduzidos por ele. Também tínhamos um radinho a pilha. Lembro das orientações para os cuidados sanitários que ele dava para as pessoas, pois sabia em que situação estava a saúde do povo! Evangelização e promoção humana eram conduzidas de maneira harmônica, e defendia fortemente todas as ações em prol da justiça social. Nas pregações ele tocava diretamente nos direitos trabalhistas denunciando o “salário de fome” e através das ondas de rádio orientava os trabalhadores a se unirem em cooperativas e executarem o trabalho com responsabilidade.

Ali na Rádio Aparecida o Movimento de Educação de Base (MEB), criado pela CNBB em 1961, penetrou pelo país todo juntamente com outras rádios administradas pelas Dioceses. A missão do MEB até hoje é “contribuir para promoção humana integral e superação da desigualdade social por meio de programas de educação popular libertadora ao longo da vida, servindo sempre e em primeiro lugar os mais pobres”. Até hoje esse Programa vai capacitando agentes de educação de base através da rede de dioceses e paróquias organizadas pelos regionais da CNBB. Dessa forma, o trabalho desenvolvido pelo Padre Vítor estava em sintonia com as diretrizes da Igreja do Brasil. Não era um projeto pessoal. Era firme na fidelidade ao carisma redentorista e ao Magistério da Igreja conduzido pelo Papa.

Naquele dia fatídico em que a rádio Aparecida fora fechada pelo regime militar ele dizia de maneira cristalina: “Caríssimos, hoje o Papa quer que pensemos na paz. Ele nos lembra de que os direitos do homem, solenemente proclamados pela humanidade, são a base da paz. Assim, se não observarmos os direitos do homem, não haverá paz no mundo. Cheguei até o artigo dezoito e hoje eu quero continuar essa leitura. Se os direitos dos homens forem observados, respeitados, haverá paz”.

Imaginem como ouviam essas palavras as pessoas que trabalhavam de meeiros pelo interior cultivando café e cuidando das pastagens, ou mesmo derrubando matas para plantar café! Pouca comida, quase sempre na base da farinha de mandioca, fubá, feijão, alguma verdura e carnes de galinha e porco criados no lugar. Sem energia elétrica, mas também sem onde recorrer a não ser na fé quando ficasse doente. Nas secas era o momento de subir o morro onde ficava um grande cruzeiro e lá depositar a água e rezar. E assim Padre Vítor se aproximava dessas pessoas empobrecidas, e através do rádio ia orientando na labuta diária, nas orações, nas ações de libertação conforme propunha o Movimento de Educação de Base, que é um organismo da Igreja do Brasil até hoje. Quando podia ia pessoalmente pelos rincões do país em peregrinações missionárias com seus colegas de congregação.

Dessa forma o processo desencadeado com o Decreto que torna o Padre Vítor Coelho de Almeida venerável, primeiro passo para a canonização, representa um momento de graça para a Igreja do Brasil e se apresenta como um referencial de compromisso dessa mesma Igreja com as camadas mais pobres da população brasileira. Ao mesmo tempo mostra como o carisma missionário é posto a serviço da Igreja por uma congregação particular e se torna caminho de santidade. Por fim, fortalece a espiritualidade mariana tão forte em nosso meio.

Edebrande Cavalieri

Continuando a série de artigos sobre os desafios que nossos filhos terão que enfrentar para “surfarem” na próxima onda de desenvolvimento prevista: “a revolução

Continuando a série de artigos sobre os desafios que nossos filhos terão que enfrentar para “surfarem” na próxima onda de desenvolvimento prevista: “a revolução de talentos” que se sustentam em quatro pilares: o mental e o emocional foram vistos e introduzimos o pilar social que hoje completamos, para completar a série semana que vem com o pilar espiritual.

Demos foco à duas transformações: as transformações das forças de desconstrução sistemática dos valores cristãos da nossa sociedade e das suas estruturas organizadoras da sociedade (Família, Religião, Filosofia, Direito etc.) e as transformações advindas dos avanços tecnológicos que muito rapidamente nos bombardearam com uma enorme quantidade de informações, muitas em tempo real e a enormes distancias. Passamos da lógica do causa-efeito linear (Física Clássica) para a lógica da Física Quântica e suas inúmeras possibilidades. O mundo se tornou complexo. E, como nenhum homem é uma ilha, o pilar social passou a ser um desafio para criarmos filhos saudáveis em um mundo tão desorganizado.

Para ajudar a nossa exposição deste tema no artigo da semana passada, usamos a metáfora de “Fazer um Bolo” como forma de facilitar a “digestão” deste tema tão árduo. Se você leu o artigo anterior, pode pular essa parte e vá direto para “O BOLO ESTÁ PRONTO PARA ASSAR”, se não leu é bom dar uma lida. Nossa comparação iniciou nos pedindo para avaliar a nossa cozinha como forma de preparação do bolo:

PRIMEIRA ETAPA: A PREPARAÇÃO

Acenda o fogo da soberba e ganância: e olhe para o seu ambiente para saber o que você tem a sua frente.

Cenário: As principais nações do mundo ambicionavam expandir ao máximo suas influências territoriais surgindo crescentes tensões políticas e econômicas que explodiram na Primeira Guerra Mundial. Esta guerra foi tão cruel que ao final crianças lutavam. O número de mortos foi estrondoso e marcou profundamente essa geração e seus filhos (nossos avós ou bisavós hoje). No meio desta guerra a Rússia a abandona pois suas crises sociais e econômicas internas que acabaram na Revolução Socialista em 1917. Os problemas que o mundo pós-guerra enfrentava levou o autoritarismo a ser visto como solução política para as crises e vários ditadores surgiram em todo mundo. Na mesma ganância pela expansão territorial, aconteceu, poucos anos depois, na Segunda Guerra Mundial com suas terríveis consequências.

SEGUNDA ETAPA: MISTURE OS INGREDIENTES SECOS

PRIMEIRO INGREDIENTE: As ideias de Engels e Marx e seus seguidores hoje:

Estes pensadores reduziram a análise da sociedade aos pontos de vista histórico, político e econômico objetivando a substituição do capitalismo pelo comunismo. O conflito entre classes visava a transformação pelas lutas entre classes.

Neste ingrediente temos o ataque de Marx afirmando que “A religião é o ópio do povo” e precisava combatida. Para Marx Deus não existe, tudo é invenção para dominar o povo. O Estado deve controlar tudo. A educação dos filhos é direito exclusivo do Estado. Os cristãos que não aceitavam renegar a fé eram mortos ou perseguidos. O Marxismo combate todas as estruturas (supraestruturas) que organizam a sociedade: a religião, a filosofia, o direito e a família são as principais

SEGUNDO INGREDIENTE: As ideias de Gramsci e seus seguidores

Com o capitalismo moderno e a queda do muro de Berlim, Gramsci (o intelectual orgânico da esquerda) entende que a luta de classes não é suficiente para agregar forças para a revolução pretendida e, assim, a confrontação ideal teria que ser mais sutil. Com a força de outros pensadores reafirma que “não existe a verdade”, que “o mundo é irracional”, que Deus não existe e que “não há ordem natural das coisas” (se afirmassem ao contrário teriam que chegar a Deus). Para eles basta a ideologia fanaticamente defendida e incutida por dentro, sutilmente, nestas supraestruturas para que a transformação desejada aconteceria. Assim “Conhecerei a Verdade e a Verdade vos libertará” (Jo 8,32) é para a esquerda uma afronta dupla à sua ideologia.

TERCEIRA ETAPA: MODO DE FAZER O BOLO:

Misture os dois ingredientes acima e seus primeiros desdobramentos: a modernidade liquida descrita por Zygmundt Bauman

PREPARAR A MASSA

A revolução começou muito suavemente e seu terreno mais fértil foi a educação. De forme sutil essa foi e é a “arma” ideal do processo socializador da “revolução” de Gramsci, onde verdade e ideologia são igualadas: “verdade não é um fato lógico, mas político”. “Não existe o certo ou errado, existe o oportuno”. Se tal posição é oportuna agora para atingir os objetivos (socialistas ou comunistas), então o faço, ou o digo. A coerência é com “a causa” que defendem e não com a verdade. Não existe mentira, existe estratégia necessária. Não existe fraude, existe tática desta guerra. Tudo é válido, mas só para o lado de quem está defendendo a causa revolucionária. A mesma ação aceita por quem defende o ideário comunista ou socialista vira fonte de denúncia se é a causa burguesa a beneficiária. Assim com o tempo essa forma de pensar da esquerda virou “a” estrutura do pensamento na mente do indivíduo comum

Essa massa tem que ser batida bem usando um marketing imenso, de maneira que fique politicamente incorreto qualquer discordância!

Este “fermento” foi “inoculado” até na nossa Igreja. Em vários seminários apareceram defensores da Teologia da Libertação já condenados pelos papas João Paulo II, Bento XIV e Francisco por sua aproximação com o marxismo, mesmo assim essa aproximação se mantém em muitos e “solou parte do bolo” tirando muitos sacerdotes do verdadeiro caminho cristão. A hierarquia e a autoridade foram atacadas assim como os cristãos que estão sendo perseguidos, também, pelos de fora especialmente por comunistas e terroristas islâmicos: “O número de cristãos perseguidos no mundo é de 150 milhões” por ano e “80 por cento dos atos de perseguição religiosa no mundo são contra cristãos”.

A família foi atacada sutil e diariamente pela força midiática da televisão (já dominada). Seus valores, hábitos e estruturas se liquefizeram. A mesma desconstrução pode ser vista com facilidade na Filosofia, no Direito e em outras estruturas organizadoras.

O BOLO ESTÁ PRONTO PARA ASSAR

Com a explanação anterior você já entendeu a “consistência” da massa do bolo e já entendeu que a educação é vista pelos marxistas como a melhor “arma” para mudar a visão de mundo. Então o “recheio deste bolo” deve trazer toda essa lógica para “ligar” a massa. O recheio foram as ideais de Freud, Nietzsche e colocamos algumas “pitadas” da “Nova Era”. Se Marx e seus seguidores reduziram a análise da sociedade aos pontos de vista histórico, político e econômico, os pensadores deste “recheio” se voltam ao indivíduo e reduzem à sexualidade, à libido e ao inconsciente a dinâmica humana. Vamos olhar esse “recheio do bolo”.

Quando terminou a Segunda Guerra Mundial, após um primeiro momento de euforia as pessoas começaram a ouvir vários pensadores que tentavam dar sentido ao que tinham vivido. Assim como o “recheio”, toda a “massa do nosso bolo” foi assada em fogo baixo, e as novas ideias foram levando as pessoas de forma bem lenta e subliminar a tentar reorganizar os cacos de suas vidas tão transformadas. As ideias de Kant e a fenomenologia entre outras somaram forças nesse processo, mas foi a “descoberta do inconsciente por Freud, a ruptura da universalidade do pensamento ocidental engendrada por Nietzsche e, ainda, a essência universal de homem preconizada por Marx”, que conduziram muitas gerações a questionar os nossos valores. Essas ideias começaram a ganhar. Nietzsche defendia a inexistência de Deus, da alma e do próprio sentido da vida. Para ele e Marx essas ideias eram “muletas metafísicas” e propunham uma revisão dos valores básicos da sociedade ocidental, tais como a moral, a democracia e o cristianismo. Eles defendiam que a verdade era uma ilusão e combateram continuamente à Deus, às religiões cristãs, e às estruturas familiares de forma sutil e depois de forma afrontosa. Nos anos 80 o vazio que restou em muitos com os ataques à nossa fé e à nossa igreja e seus representantes levou muitos a se distanciarem, mas o desejo destes de buscar o sagrado foi desviado para práticas esotéricas e místicas da Nova Era na tentativa de recuperar a espiritualidade. Esse movimento nunca foi perseguido pela esquerda porque suas ideias facilitavam a desconstrução da religião cristã pretendida pelos marxistas. Os adeptos do movimento Nova Era e similares, não pronunciam o nome de “Deus”, a conexão passou a ser direta e pessoal, negando a existência do Criador e depositando no criado: “Universo” ou “Cosmos” sua fonte espiritual e sem as suas “estruturas” (religião ou igreja) para serem combatidas.

Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, entra em nossa receita de bolo porque amplia nossa visão analisando o “ponto” deste nosso recheio, ou seja, as consequências do processo de sistemática tentativa de destruição das estruturas organizadoras da nossa sociedade. Bauman expõe com muita clareza a fluidez das relações afetivas na dinâmica da vida moderna e o grande medo, dos mais jovens em especial, em estabelecer relações afetivas duradouras (nada pode ser fixo, tudo precisa ser líquido, se adaptando a qualquer espaço e por isso não oferecendo resistências). As transformações expostas acima, levaram muitos a uma aversão a tudo que tem “raízes” profundas e que dificultam a mudança. A liberdade, a não dependência de outros, o não ter nada que me “prenda”, é o ideal da modernidade líquida. Entre outras desconstruções, os pensadores buscaram “desmanchar os sólidos” (valores, instituições, religião, família…) tudo que tinha força própria e valor. Foi buscada a eterna fluidez do vir a ser, do efêmero, do novo, que prometia reassegurar o senso de liberdade e autonomia, dando força ao consumismo e ao individualismo. Esses são a essência dos valores da modernidade líquida e nestes imperativos da nova ética social, das novas normas, deixamos de viver o essencial: a relação profunda com o outro afetivo.

As ideias de Freud com sua Teoria da Sexualidade além de recheio poderia ser a cereja do nosso bolo: para Freud “toda pulsão é pulsão sexual”, ou seja, toda energia, todo impulso psíquico é impulso sexual (é busca do prazer). Suas ideias foram revolucionárias. A libertação da sexualidade e em especial da mulher, o direito ao prazer, o direito ao “não”, a contestação da autoridade paterna são pequenas “trilhas” que levaram a um arcabouço enorme de teorias que, neste bolo deram força ao individualismo. Resultado prático hoje …. cada um (homens e mulheres) está em seu respectivo castelo. Muitos se sentindo vazios. Temem o compromisso e, filhos são compromisso para o resto da vida!

Neste cenário, queridos pais, é que vocês precisarão educar seus filhos! Não é fácil! Precisam educar eles para ter força interior para “nadarem contra a corrente”, para não serem manipulados. Toda mentalidade do mundo hoje está internamente fragilizada pelas teorias que negam a existência de Deus, que negam nossos valores cristãos e querem nossos filhos como barcos sem rumo que são mais fáceis de derrubar. Entendam que a educação é o espaço da inculcação (insinuação e depois imposição) dos ideais, então pais, muito critério na escolha da escola de seus filhos. Acompanhe a formação de seus filhos, acompanha bem os amigos de seus filhos, acolha-os em casa e conheça o que pensam. Aceite as diferenças, mas não renuncie à suas crenças. Ensine nossos valores cristãos, evangelizem seus filhos, ensinem o amor ao próximo, ensinem o cuidado com o outro. Ensinem a discernir lobos vestidos de carneiros e a maldade simulada de bondade. Não permitam que sejam ingênuos, mas os ensinem a ser solidários e éticos. Não lhes dê a ética dos fariseus, do politicamente correto, mas a ética de Jesus, a ética do Justo. Neste mundo tão difícil dê a eles a segurança que sempre estarão por perto, se precisarem. Mostra-lhes o poder e o amor de Deus e os entregue a ÊLE. Peça ao Espírito Santo para iluminar suas ações em momentos críticos e peça sempre o discernimento de Deus!

Com Deus junto vocês vencerão os desafios.

Vania Reis

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No retorno da viagem ao Canadá, o Papa Francisco concedeu uma entrevista aos jornalistas e uma das questões que lhe fizeram foi a respeito

No retorno da viagem ao Canadá, o Papa Francisco concedeu uma entrevista aos jornalistas e uma das questões que lhe fizeram foi a respeito da sua posição como um papa jesuíta. Disse que sua vida foi marcada pelo discernimento jesuítico, uma espécie de chave vocacional. Disse também que Santo Inácio de Loyola teve na escola do discernimento o caminho para a conversão. E sintetiza essa vocação como homem capaz de discernir situações, discernir a própria consciência, discernir as decisões a serem tomadas. Isso é um pouco a espiritualidade dos jesuítas e os exercícios espirituais são um espaço na escola do discernimento.

Santo Inácio redigiu em 1522 o roteiro desses exercícios espirituais definido por ele mesmo como “qualquer modo de examinar a consciência, meditar, contemplar, orar vocal ou mentalmente e outras atividades espirituais”. Hoje são muito difundidos no mundo todo tanto por orientadores espirituais como pelos Centros de Espiritualidade Inaciana. No Brasil é bem conhecido o Centro de Espiritualidade de Itaici (Indaiatuba – SP), com a organização de diversos retiros ao longo do ano, abertos a todo o povo de Deus que deseja fazer esse caminho de discernimento.

Como estamos iniciando o mês das vocações, especialmente a vocação sacerdotal, o tema do discernimento torna-se um grande balizador do caminho tanto dos vocacionados como de outros possíveis candidatos ao ministério ordenado. Ao mesmo tempo, esse tema tem ecoado bastante nos últimos tempos, nos documentos da Igreja e nas ações pastorais. Portanto, o discernimento completa e aprofunda o método ver-julgar-agir que sempre falávamos após o Concílio Vaticano II.

Num mundo marcado por tantas contradições, com luzes e sombras, confuso, as pessoas encontram-se perdidas e sem uma espécie de bússola que as guie, sem saber qual direção dar para a própria vida. Então as coisas perdem sentido, tudo se torna banal, descartável, mutável, líquido. Sem um rumo, ficamos à mercê de gurus ideológicos, ou do espírito de manada indo na onda. A prática do discernimento diário torna-se essencial para nos fortalecer, nos guiar, caminhando de maneira segura e feliz.

Santo Inácio de Loyola não foi apenas o fundador da Companhia de Jesus, mas desde o século XVI é um dos grandes mestres para toda a Igreja em relação ao carisma do discernimento. A espiritualidade inaciana é uma das principais escolas de formação no acompanhamento espiritual. O Sínodo de 2018 dizia que os traços fundamentais do discernimento são a escuta e o reconhecimento da iniciativa divina, uma experiência pessoal com Deus, uma compreensão progressiva, um acompanhamento paciente e respeitoso do mistério em ação, um destino comunitário.

O mundo atual marcado pela pressa, pela competição, pela disputa entre as pessoas, tem impactado negativamente pessoas ordenadas, como presbíteros e até de bispos. Muitos adoecem psiquicamente sem saber como agir. Ao mesmo tempo muitas decisões podem ser tomadas sem levar em conta as características do discernimento. Santo Inácio dizia nos Exercícios Espirituais que “em tempos de nevoeiro, não se deve mudar a direção que tinha tomado nos dias claros”.

O Papa Francisco nos diz que estamos concretamente num combate espiritual onde os cristãos carregam armas dadas pelo Senhor, e não compradas na indústria armamentista. As armas dos cristãos são a oração, a meditação da Palavra de Deus, a celebração da Missa, a adoração eucarística, a Reconciliação sacramental, as obras de caridade, a vida comunitária, o compromisso missionário. O discernimento está nessa relação entre a experiência pessoal com Deus e a experiência comunitária, de convivência com os outros numa dimensão missionária. Sinteticamente poderíamos dizer que o discernimento é a reflexão e a oração que servem de base para as decisões de acordo com o plano de Deus e não dos meus desejos pessoais, dos meus interesses particulares.

Santo Inácio dizia que há dois estados em toda a vida espiritual: a consolação e a desolação (espiritual e psicológico). O caminho de Deus é marcado pela consolação; é quando se dá o aumento da esperança, da fé e da caridade e toda alegria da pessoa está nas coisas celestiais e na salvação da própria alma. A consolação não é um sentimento psicoafetivo, pois ela brota da união com Deus como um dom da graça.

Por outro lado, a desolação se apresenta como um obstáculo à alma. É uma perturbação, uma inclinação para as coisas baixas e sem sentido, para as coisas terrenas e psicoafetivas, com inquietações provenientes de várias agitações e tentações que acabam levando à falta de fé, de esperança e de amor. A pessoa então se torna tíbia, triste, preguiçosa, um verdadeiro tempo de nevoeiro, cinzento, de escuridão, tristeza, desânimo. Esse cenário leva à perda da paz interior. Muitos encontram na interrupção da vida o ponto final desse sofrimento.

O Papa Francisco atualiza essa situação dizendo que não se trata apenas de uma questão de pecado, mas de letargia, quando a vida espiritual se torna morna e tudo acaba por parecer lícito. Então a pessoa se alimenta do engano, não teme proceder caluniando os outros, fazendo fofocas, espalhando mentiras, guiando-se exclusivamente pelos interesses egoístas e muitas formas de autorreferencialidade. Então completa: “Sem a sapiência do discernimento, podemos facilmente transformar-nos em marionetes à mercê das tendências de ocasião”. O discernimento nos leva a indagar-nos sobre o que há dentro de nós. Seriam desejos, angústias, temores, expectativas?

O discernimento não é útil ou necessário apenas diante da necessidade de tomada de decisão na vida, como é o caso da vocação sacerdotal. Ele é sempre útil para sermos capazes de “reconhecer os tempos de Deus e a sua graça, para não desperdiçarmos as inspirações do Senhor, para não ignorarmos o seu convite a crescer”. O discernimento se relaciona com o sentido de minha vida diante do Pai. Por isso é um dom, uma graça. Devemos estar dispostos a ouvir o Senhor e os outros. Pois, “somente quem está disposto a escutar é que tem a liberdade de renunciar ao seu ponto de vista parcial e insuficiente, aos seus hábitos, aos seus esquemas”.

É importante ouvir o Evangelho e o ensino da Igreja, mas não para aplicar receitas ou repetir o passado. O discernimento liberta-nos da rigidez que não tem lugar atualmente. Santo Inácio dizia que ninguém estava dispensado do exame de consciência para saber o que o Senhor esperava de cada pessoa.

O Papa Francisco na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate nos diz que o discernimento hoje em dia é essencial, “porque a vida atual oferece enormes possibilidades de ação e distração, sendo-nos apresentadas pelo mundo como se fossem todas válidas e boas” (nº 167).

Por fim, ninguém deve esperar que se ofereça um curso para aprender a discernir, pois trata-se de um exercício, portanto é na prática diária que se aprende o discernimento. É um exercício de experiência, de percepção, de sabedoria como nos diz o Papa. Trata-se de uma prática que engloba diversas atividades práticas como entendimento, avaliação, decisão e ação. Então a caminhada acontece de maneira mais segura e fiel ao Senhor.

Nos tempos atuais nossas grandes dificuldades estão no campo da desolação. Quantas pessoas parecem perder o gosto da vida e da caminhada! Chamam até de “mal do século”. A depressão que acomete tantos homens e mulheres não tem cura apenas com a ingestão de medicamentos. Eles são uma muleta apenas. Precisamos conseguir caminhar sem muletas ou bengalas. Então a prática do discernimento torna-se essencial nesses tempos de desolação.

Edebrande Cavalieri