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Não é comum um Papa proferir um discurso extenso e duro, como o que foi dirigido no dia 24 de janeiro passado ao Escritório

Não é comum um Papa proferir um discurso extenso e duro, como o que foi dirigido no dia 24 de janeiro passado ao Escritório Catequético da Conferência Episcopal Italiana quando fez essa afirmação tão contundente e também tão óbvia de que o Concílio é magistério da Igreja, é ensinamento, e quem não segue não está na barca de Pedro. Por que motivo o Papa está falando assim e o que ele quer apontar como caminho para os cristãos católicos?

Francisco é o primeiro papa ordenado sacerdote depois do Concílio, 1969. Estudou teologia bebendo das fontes de renovação da Igreja. E agora enfrenta o desafio de conduzir a Barca de Pedro de acordo com esse grande ensinamento. Paulo VI dizia que o Concílio “será o grande catecismo dos novos tempos” e a tarefa da catequese está exatamente na busca de compreensão dos problemas que surgem do coração do homem para levar de volta ao dom do amor que cria e salva. Essa é missão da Igreja.

Esse discurso tão forte do Papa me lembra a história descrita em Atos 15 conhecida como Concílio de Jerusalém. A Igreja nascente estava dividida, cada um tentando levar para o seu modo de ver e agir, achando que esse seria o caminho da salvação. Parecia até uma briga política entre “esquerda e direita”, o grupo de Paulo e Barnabé e o grupo de Tiago. O foco da questão estava no quesito da circuncisão, considerada por um grupo como essencial à salvação, como se fosse uma doutrina, uma Lei canônica, um desígnio do Senhor, afinal estava escrito na Bíblia em Gênesis 17, 11: “Todos os do sexo masculino entre vocês serão circuncidados na carne”.

Os primeiros cristãos eram judeus e circuncidados conforme estabelecia a Sagrada Escritura, mas no momento em que o cristianismo se expande com o trabalho missionário de Paulo e Barnabé em territórios de população helênica, portanto não judaica, como proceder? Um grupo acha que o que estava estabelecido no Antigo Testamento deveria permanecer intocável como Lei para todos os povos. Mas por que considerar a circuncisão um dogma imutável indispensável para a salvação? Paulo é taxativo. Com Cristo nos libertamos de maneira total, e é preciso vigiar para não se submeter “novamente a um jugo de escravidão”. E completa de maneira incisiva: “Caso se deixem circuncidar, Cristo de nada lhes servirá” (Gl 5, 2). Como essa palavra de Paulo faz tanta falta nos dias atuais com tantos querendo impor jugos da escravidão superados com a vinda de Cristo!

Esse é um dos pecados que a Igreja incorreu em alguns momentos de sua história: considerar o que é transitório, o que faz parte da cultura, da história daquele momento, como algo dogmático, definitivo e derradeiro. Nos dias atuais tem diversos grupos se alinhando a essa forma de pensar o caminho da salvação. E recorrem às Leis e orientações de um passado bem remoto, anterior ao Concílio Vaticano II, aplicando aos dias atuais. Como é comum ouvir tantas pessoas dizendo: “Tá na Bíblia”! Eu sempre respondo que tem tantas coisas na Bíblia, especialmente no Antigo Testamento, que se tomarmos literalmente o texto sagrado ficaremos presos e perdidos com certas normas de conduta especialmente de cunho moral. Mas até líderes religiosos estão com preguiça de se debruçar sobre os textos e estudá-los seriamente. Tomam o caminho do fundamentalismo fácil, que serve apenas para exercício de dominação.

Na Igreja atual tem aumentado o número de pessoas e grupos querendo impor o próprio modo de ver, o próprio modo de pensar e viver o Evangelho para toda a comunidade, para todo mundo. E quando encontram pessoas que pensam e agem de maneira diferente logo chamam de “comunistas”, de “hereges”, etc. Nem o próprio Papa escapa dessas condenações. Alguns chegam ao ponto de negar o próprio Concílio dizendo estar ultrapassado. E ressuscitam Encíclicas de Papas do passado para impor um caminho restaurador. Fazem dessas coisas aplicáveis em tempos antigos código de normas e dogmas absolutos. Atacam o próprio Papa Francisco, timoneiro da barca de Pedro.

Volto novamente ao testemunho de Atos 15 que assim registra aquele encontro em Jerusalém: “Depois de muita discussão, Pedro levantou-se e dirigiu-se a eles: ‘Irmãos, vocês sabem que há muito tempo Deus me escolheu dentre vocês para que os gentios ouvissem de meus lábios a mensagem do Evangelho e cressem’”. Vejam que Lucas não esconde a tensão na assembleia. O clima esquentou mesmo. E observem o lugar de Pedro escolhido pelo próprio Jesus, que é o mesmo lugar do Papa em todos os tempos da história da Igreja.

A Igreja nascente aprendeu desde o início que o caminho da evangelização não é conduzido isoladamente por um apóstolo, por uma pessoa. O caminho é sinodal, é coletivo. E a decisão, tomada em conjunto e assumida pelo sucessor de Pedro, deve ser respeitada sempre, deve ser seguida. Todos os apóstolos se submeteram à decisão tomada em Jerusalém. Esse é o primeiro exemplo de sinodalidade da Igreja enfatizada intensamente no Concílio Vaticano II.

E ainda Lucas acrescenta que Deus não faz nenhuma distinção entre os judeus circuncidados e os pagãos não circuncidados. Pedro em seu discurso de encerramento é mais duro ainda com um dos grupos: “Então, por que agora vocês estão querendo tentar a Deus, pondo sobre os discípulos um jugo que nem nós nem nossos antepassados conseguimos suportar?” E logo toda a assembleia se calou, cada um colocando o rabinho entre as pernas. E o próprio Tiago que liderava o grupo que queria obrigar os pagãos à circuncisão conclui dizendo que “não devemos por dificuldades aos gentios que estão se convertendo a Deus”.

É assim que se caminha na Igreja. E não como aqueles que ao terminar o Concílio Vaticano II romperam com a Igreja pregando contra as decisões tomadas pelos padres conciliares. Até hoje há alguns herdeiros daquelas posturas radicais pós-conciliares e andam fazendo miséria no seio da Igreja. Não apenas pessoas, mas também grupos religiosos que se não negam abertamente o Concílio, o renegam em termos de caminho eclesial, prático, pois buscam desvios restauradores. Ou seja, ouvem o Papa, mas seguem caminho próprio e contrário ao Pontífice.

O Papa Francisco ainda precisa lembrar a todos nós que “o Concílio é magistério da Igreja. Ou você está com a Igreja e, portanto, segue o Concílio, e se não segue o Concílio ou o interpreta a sua maneira, a sua própria vontade, você não está na Igreja”. Não se negocia o ensinamento, o Concílio. E Francisco esclarece ainda mais: “Isso me faz pensar tanto num grupo de bispos que depois do Vaticano I foram embora, com um grupo de leigos, para continuar a ‘verdadeira doutrina’ que não era a do Vaticano I”. Nada diferente com o que aconteceu com um pequeno grupo no Concílio Vaticano II.

Por fim, Francisco fala mais diretamente ao Escritório Catequético: “A atitude mais severa para custodiar a fé sem o magistério da Igreja nos leva à ruina. Por favor, nenhuma concessão para aqueles que tentam apresentar uma catequese que não esteja de acordo com o Magistério da Igreja”.

Edebrande Cavalieri

Estamos saindo aos poucos da reclusão provocada pela pandemia e, em muitos casos, em situação muito pior em termos de satisfação das necessidades essenciais

Estamos saindo aos poucos da reclusão provocada pela pandemia e, em muitos casos, em situação muito pior em termos de satisfação das necessidades essenciais como o alimento para saciar a fome. Pelas ruas os pedintes aumentaram pedindo comida. Os empregos diminuíram ou tornaram-se subempregos como aqueles que trabalham mediante aplicativos na entrega de bens e alimentos às casas mais abastadas.

Assim chegamos a mais um dia 1º de Maio quando se celebra o Dia do Trabalho. O que vamos celebrar? Qual a realidade do mundo do trabalho hoje no Brasil? Temos, conforme dados do IBGE, 12 milhões de pessoas que procuram vaga no mercado de trabalho. Desse total, 4 milhões de pessoas estão há mais de dois anos buscando emprego/trabalho. As pessoas com baixa qualificação ou nível escolar são as que mais sofrem nesse mundo de sobrantes. Ainda segundo o IBGE em 2022 a renda familiar teve uma queda de 8,8%, ou seja, as pessoas empregadas tiveram perda no poder aquisitivo. Isso afeta de maneira mais aguda as famílias com trabalhadores com menor qualificação educacional e profissional. O quadro real que explode em nossa vida de maneira mais dura é verificar que 40 milhões de pessoas estão sem vínculo formal, ou seja, sem carteira assinada. Vivem de bicos ou trabalhos com aplicativos.

O Papa Francisco tem se debruçado incessantemente sobre essa questão, atuando com encontros com os Movimentos Populares, e alertando para que não parem de lutar. E nos convoca como cristãos e católicos que lutemos para que “não falte trabalho a nenhuma pessoa e todos sejam justamente retribuídos e possam gozar da dignidade do trabalho e da beleza do repouso”. Portanto, a luta que implica a fé cristã é para que haja trabalho para todos com remuneração justa e que permita a cada trabalhador poder descansar com seus familiares.

E alerta de maneira radical que no mundo “há muitos escravos, escravos do trabalho para sobreviver: trabalhadores forçados, mal pagos, com a dignidade espezinhada”. E cita como exemplos concretos os empregados diaristas, as trabalhadoras domésticas a quem não se paga o que seria justo e não tem proteção social. Nas casas de muitas pessoas religiosas estão trabalhadoras sem os justos mecanismos de proteção social como carteira assinada. E conclui o Papa Francisco: “Toda injustiça que se faz ao trabalhador é espezinhar a dignidade humana”.

O Magistério da Igreja, especial sua Doutrina Social, sempre foi muito zelosa em relação à dignidade da pessoa defendendo profeticamente que o “desenvolvimento integral da pessoa humana no trabalho não contradiz, antes favorece, a maior produtividade e eficácia do próprio trabalho” (DSI, nº 278). O Papa Paulo VI dizia logo após o Concílio Vaticano II que se o tão falado critério da eficácia econômica não serve para a promoção de todos os homens e do homem todo, então, na verdade, ele não serve para nada (Populorum Progressio, nº 14). Nos dias atuais, no Encontro com os Movimentos Populares de 2015, o Papa Francisco clamando diz: “Não a uma economia de exclusão e desigualdade, onde o dinheiro reina em vez de servir. Esta economia mata”.

A Igreja do Brasil no período de 2020 a 2023 convoca todos os cristãos e organizações sociais para a 6ª Semana Social Brasileira com o tema “Mutirão pela vida: Por Terra, Teto e Trabalho”. Está em plena sintonia com o Magistério do Papa Francisco que em 2014 clamava: “Nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que o trabalho dá”.

Finalizando, ao celebrar o 1º de Maio não há outra via senão seguir o apelo do Papa Francisco: “Continuem a luta”.

Edebrande Cavalieri

Há décadas nossas vidas têm sido atreladas às necessidades da nova economia É intensa a pressão para acompanhar a velocidade das transformações sociais, as

Há décadas nossas vidas têm sido atreladas às necessidades da nova economia É intensa a pressão para acompanhar a velocidade das transformações sociais, as vezes radicais e irreversíveis. Não estou falando apenas dos pequenos desafios comuns do cotidiano. Estou falando, também, das exigências dramáticas da globalização como dois aviões nas torres Gêmeas e um vírus de algum lugar na China que bastam como exemplo. Estamos todos sujeitos a que um pequeno evento do outro lado do mundo, mude as nossas vidas. Empregos somem da noite para o dia, tecnologias novas se tornam obsoletas rapidamente. Inovações surgem para o enfrentamento do caos.

Muitos, há muitos anos, estão “numa escalada frenética” para driblar os sinais que podem levar a serem “descartados como sucata” pela sociedade capitalista. O medo de ficar ultrapassado leva a pessoa a demonstrar a prontidão pessoal para enfrentar mudanças, flexibilidade e capacidade de adaptação, mesmo que acima de suas forças. Ela sabe que será avaliada por esses parâmetros e não necessariamente por suas conquistas passadas. O famoso “matar um leão por dia.” no mundo profissional, mas, hoje, a necessidade uma auto reinvenção se impõe além do profissional. O movimento acontece no nível de um processo individual , que impõe essa reinvenção para colocar a pessoa “no jogo” quando a onda de desconstrução chega.

O mais sério é que agora o paradigma desta verdadeira “mania” de reinvenção se estende para o nosso corpo que como mortal, descartável e impermanente está na contramão das “demandas” da economia global (que muitas vezes prefere robôs e máquinas) Como posso ser eu, como posso mostrar que não sou mais tão jovem que tenho rugas ou que estou fora destes parâmetros idealizados?

A cultura do descartável, da velocidade e do curto prazo traz muita ansiedade e insegurança, para as pessoas, em uma pressão imensa. A ansiedade e insegurança, longe de preferir qualquer movimento terapêutico (mais demorados), são cada vez mais resolvidas pelos indivíduos ao nível do corpo. Os corpos são modificados para negar qualquer fragilidade ou hipótese de fora do ideal por um mar de profissionais da estética, academias, spas e clínicas. Assim os corpos hoje “são bombados, socados, puxados, aspirados, costurados, encolhidos e aumentados cirurgicamente a um ritmo impressionante”. A pessoa de forma contínua precisa esconder/negar/mudar o que não está bom aos seus olhos.

Tudo isso leva a experimentar uma verdadeira mudança na identidade da pessoa. Quem sou eu nesta história? Aquela daquela foto de antes ou a que se olha no espelho agora. A que acorda cansada ou a que é postada no Instagram? As emoções, os afetos e os corpos, são manipulados como resultado destas novas práticas sociais individualistas. Essa experiência penetra profundamente em nós, em nossas vidas como pessoa e em nossas emoções, e muda quem somos!

Tenho certeza de que você, como eu, conhece pessoas que ansiou para se libertar do corpo mortal, descartável que temos, e hoje está irreconhecível. Tanta plástica e Botox que não se parece mais com elas mesmas. Meninas novas, até antes de 30 anos fazendo Botox, com medo de envelhecer(!!) e eliminando suas expressões faciais geradoras de rugas, que demonstram seus sentimentos, mas são denunciadoras do tempo que passa. Quem são elas verdadeiramente? Onde estão colocando o tesouro delas? Quem serão daqui a 30/40 anos?

Tem sentido o que é defendido por Anthony Elliot: “as forças globais, ao transformarem as estruturas econômicas e tecnológicas, penetram no próprio tecido de nossas vidas pessoais e emocionais”.

Vania Reis

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A Paixão de Cristo é algo que nos destroça o coração. Deus aceitou vir, como humano, vivenciar um sofrimento imenso. Sendo um homem inocente

A Paixão de Cristo é algo que nos destroça o coração.

Deus aceitou vir, como humano, vivenciar um sofrimento imenso. Sendo um homem inocente e bom cumpriu sua missão para que pudéssemos ser salvos, para então podermos ter a vida eterna! Sofreu por nós, para nos ensinar o caminho para nos salvar. Jesus foi obediente até o fim. Confiou no Pai porque conhece Seu amor por todos nós. Não um amor humano, mas um amor de Deus, um padrão muito acima das nossas possibilidades.

Maria, por sua vez sentiu esse amor divino em seu corpo, sentiu o filho único de Deus em seu ventre e para as nossas mentes pequenas é difícil entender sua humildade. Ah! Meu Pai, me dê essa humildade!

Escolhida por Deus para ser a mãe de Seu filho, antes mesmo de nascer, Maria era de fato uma mulher extraordinária. Só assim pensando podemos imaginar ela olhando para o sofrimento de seu filho e conseguir esperar, junto com Ele, de pé e silenciosamente, a morte de Jesus. Como mãe não consigo imaginar isso. Só com a força do amor de Deus por Jesus, pela força do Espírito Santo essa ideia consegue penetrar a minha mente. Sem Deus nada podemos!

O sofrimento dos dois nos ensina muito! E, se mergulharmos nessa dor, veremos o caminho e rezaremos pedindo a Deus que nos transforme:

SENHOR, MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO, FAZEI MEU SEMELHANTE AO VOSSO!

Vania Reis

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Foto capa: Pascom São Francisco de Assis – Jardim da Penha

Na tarde do dia seis de abril o Governador Casagrande anunciou o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras tanto em locais abertos quanto

Na tarde do dia seis de abril o Governador Casagrande anunciou o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras tanto em locais abertos quanto fechados em todo Espírito Santo. Que notícia boa!

Graças a Deus nos libertamos das máscaras!  Um alívio imenso invade a alma! Enfim podemos nos reconhecer nos outros novamente! Posso me sentir mais eu, porque sou visto pelo outro, como sou! Metade de mim não se esconde mais do outro, nem o outro de mim.

O rosto é parte fundamental da nossa identidade e há mais de dois anos a máscara restringia nossa interação. Uma interação mais superficial era daí resultante e a noção de “quem sou eu” em última instância se atrofiava. Exagero? Não! A máscara nos dá uma identidade de rebanho. De um não eu! Nos inibe e leva a uma interação superficial, quando não cautelosa. O medo era escondido, o desejo de proximidade negado. Nossas emoções precisavam de olhos atentos para serem decodificados. No cotidiano, fora de casa, as conversas de máscara, em sua maior parte ficavam atreladas ao minimalismo, ao impessoal e no final das contas muito esvaziadas de significados.

Essa dinâmica mesmo com seu cunho “higienista” foi indiscutivelmente necessária, mas trouxe junto com o isolamento social, inúmeros problemas e sequelas que já discutimos aqui. Mas, dia 06/04/2022 foi o dia da alforria para nós capixabas!

A sensação é de voltar para casa! Voltar à vida novamente!!

Bem-vindos aos afetos do cotidiano de nossa natureza brasileira, aos nossos abraços e amizades formadas tantas vezes descuidada e despretensiosamente nos encontros aleatórios!  Precisamos nos encontrar novamente, em todos os sentidos!

Estávamos precisando desta leveza, dessa interação sem máscaras. Precisando da libertação das máscaras. De todas as máscaras!

Vania Reis

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Estamos chegando ao cerne da fé cristã, ao momento em que os fiéis se deparam com realidade mais radical da fé – Paixão, morte

Estamos chegando ao cerne da fé cristã, ao momento em que os fiéis se deparam com realidade mais radical da fé – Paixão, morte e Ressurreição de Jesus Cristo. Para concluir esse tempo de Quaresma vamos refletir sobre uma dessas realidades que nos toca fortemente, o silêncio da Cruz. Dessa forma, somente depois do Domingo de Páscoa voltaremos a publicação desses artigos no site da Arquidiocese. Vamos dedicar um tempo para ouvir o silêncio da cruz. Não para chorar as dores de Jesus, mas sentir as nossas dores, os nossos flagelos, os nossos sofrimentos.

A realidade da cruz nos revela antes de qualquer coisa a fragilidade humana que quase sempre não queremos admitir e negamos com nossos projetos de poder, de dominação, de expansão. O desejo do super homem está no lado oposto dessa realidade e nem o próprio Deus assumiu a prepotência do poder. O Senhor Deus dos exércitos, tão exaltado no Antigo Testamento, assume a própria fragilidade humana e nos convoca para chorar, raspar a cabeça e cingir com o cilício como nos dizia Isaías 22, 12. O silêncio da cruz nos revela um Deus que nos mostra outro caminho frente aos muros construídos pelo ódio, pela violência, pela injustiça.

Na morte de cada pessoa em todas as guerras inclusive aquelas que se travam bem pertinho de nós, nas periferias, nas execuções sumárias, nos revela um silêncio que não é ausência, mas que explode em nossas almas e nos pergunta onde está o nosso irmão. As mortes nos becos e nas valas, expressão da sede de poder dos homens, revelam a cruz fincada a cada dia em nossas terras, nossos morros, nossas favelas. “E disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão?” Essa pergunta ecoa do Calvário, dos inúmeros calvários de nossa vida. Então, esse tempo de quaresma nos convida para ouvir: “A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra”.

O silêncio da cruz nos mostra a dor de Deus, de um Deus que não está fora do mundo contemplando e esperando para o juízo final. Esse não é o Deus cristão revelado em Jesus Cristo. A dor de Deus é de um Deus presente no mundo, presente na história, que nos chama para o amor como forma de transgredir os limites e etiquetas que apontam e excluem pessoas como não possíveis de serem amadas. O silêncio de Deus apenas é rompido para o olhar misericordioso e a confirmação de que “hoje mesmo estarás comigo no paraíso”.

A cruz de Cristo nos indica onde Deus se revela e os crucificados onde Deus se faz presente. São Paulo e depois Martinho Lutero desenvolveram muito a teologia da cruz em contraposição à teologia da glória, mostrando o tempo todo um Deus todo poderoso, glorioso e edificador. O pano de fundo da Ressurreição não pode perder de vista a morte, o sofrimento, a cruz. Conhecemos verdadeiramente Deus a partir da Cruz e do sofrimento, e daí faz sentido a Ressurreição.

São Paulo presenciou um conjunto de problemas na comunidade de Corinto em que as pessoas já se consideravam ressuscitadas, pois eram possuidoras de carismas especiais e de sabedoria, vivendo um entusiasmo quase fanático. Julgavam-se perfeitas. Portando, importava agora a glória de Deus celebrada com as melhores vestes sagradas. O templo de glória não pode se sobrepor ao tempo da dor como se nada fosse, como se fosse o destino de cada um que não aceitou Jesus.

A Cruz de Cristo nos revela a loucura e o esterco dessa fantasia religiosa de nos acharmos salvos antes da hora. O Deus que se revela no calvário está despido, ensanguentado, com sede, com forme, sozinho. E São Paulo que era um grande expositor da ressurreição precisa corrigir os caminhos tomados pela comunidade de Corinto. Então recupera a teologia da cruz como resposta a essa falsa crença de que todos já estariam ressuscitados. E fala de maneira incisiva: “A cruz de Cristo se tornou a medida crítica para medir a sabedoria cristã que é como o amor que tudo suporta, tudo perdoa, tudo crê, tudo espera, tudo desculpa; não é jactancioso, não se ensoberbece, não irrita, não guarda rancor; é paciente benigno e compraz-se na verdade” (1 Cor 13, 4-6).

O silêncio da cruz tem muito a nos ensinar nesses tempos tenebrosos, de tanto ódio, indiferença, mentira, rancor. Através da cruz se distingue a fé cristã dos demais mitos, pois ali se decide a verdade do pensar cristão e do seu comportamento. O cenário do calvário torna-se paradigma onde se pode discernir os espíritos e as práticas cristãs.

Estamos diante de um divisor de águas que define os caminhos de Deus e ela (a cruz) nos obriga a aceitar outra sabedoria diferente da sabedoria do mundo, de um Deus que se apresenta não de maneira grandiosa, mas com capacidade de assumir as atividades quotidianas e as fraquezas de cada dia. O desprezo dos fracos implica automaticamente no desprezo do Crucificado, desprezado, crucificado, amaldiçoado como fizeram naquele dia no Calvário. De que adianta chorar pela dor causada pela espada que traspassou o coração de Jesus na cruz e somos indiferentes às balas que explodem tantos corações em nossas periferias?

Celebrar a Ressurreição do Senhor deve comprometer cada um de maneira concreta nas diversas experiências de cruz. Desta forma, em meio a uma situação de tantas dores, desesperadora, tantas mortes, tantas injustiças, é que se faz a experiência de Ressurreição. Da escuridão tão profunda, da mais absurda forma de repressão, de tantos enterros realizados na pandemia e nas guerras, é a partir da experiência da Ressurreição que se torna possível a esperança. Vivemos tempos de muita insegurança, incerteza, medo, imprevisibilidade; somente da experiência de morte na Cruz é que a Ressurreição irá alimentar toda forma de mobilização e possíveis alternativas.

Entre nós tem sido presente ao longo da história uma espiritualidade sacrificialista da cruz que quase sempre remetia as pessoas para a repetição dos sacrifícios de Cristo com autoflagelação, sofrimento, etc. A verdadeira espiritualidade da semana santa deve tomar a experiência da cruz como capaz de transformar as situações de sofrimento em esperança, em buscar as transformações encontrando forças para continuar vivendo apesar do sofrimento do dia-a-dia.

Então nosso falar de Deus nos leva a mostrar um Deus que se envolve nesse mundo abandonado e marcado pelo poder da morte. Os crucificados de hoje não estão abandonados. Entre eles está outro que foi crucificado e lhes deu esperança do paraíso. O silêncio da Cruz é o grito mais forte de um Deus que não nos abandona. Essa é a grande mensagem de esperança que nasce do Calvário e que deveria alimentar profundamente a fé cristã. Os sofrimentos e as mortes podem ser superados.

Aproveito o momento para desejar a todos uma ótima Páscoa!

Edebrande Cavalieri

Dois de abril é o dia de Conscientização do Autismo ou TEA (Transtorno do Espectro Autista) como atualmente é conhecido. A ONU propôs esse

Dois de abril é o dia de Conscientização do Autismo ou TEA (Transtorno do Espectro Autista) como atualmente é conhecido. A ONU propôs esse dia mundial com o objetivo de chamar a atenção da sociedade e dos governantes sobre esse crescente transtorno do neurodesenvolvimento.

No Brasil, os dados sobre TEA ainda são muito limitados e imprecisos. A Lei 13.861/2019 do presidente Bolsonaro, focou a mudança dessa situação ao obrigar a inclusão de informações específicas sobre pessoas com autismo nos censos demográficos (IBGE). O que temos atualmente são as informações do Censo Escolar (IBGE) que não levanta crianças pequenas fora da idade escolar, nem as incluídas em classes especiais -nos casos mais graves- ou as que não estão na escola, mas, são os números que temos.

O Censo Escolar do IBGE mostra que o número de alunos com autismo, matriculados em classes regulares no Brasil, aumentou 37% entre os anos de 2017 quando eram 77.102 e 2018 quando tinham 105.842 alunos nesta condiçao. Mas, o que assusta é ver a evolução dos números de alunos diagnosticados com TEA, nas mesmas condições, entre 2017 e 2021. Em 2021 esses alunos passaram a ser 294.394, ou seja, um aumento de 382% em um período de 4 anos! O que está acontecendo? Por que esse aumento? A hipótese defendida por alguns especialistas de que os médicos estão agora mais atentos aos sinais do TEA e com isso estão diagnosticando mais, nos parece pouco consistente. A pandemia teve algum reflexo aqui? Não sabemos. A ciência precisa responder essas e muitas outras questões. Precisamos pesquisas para saber as causas da doença e do aumento dela. No ano passado devido à pandemia o Censo foi adiado, devendo ser feito agora em agosto. Acreditamos que a elaboração de políticas públicas consistentes vai ganhar muito com dados brasileiros mais confiáveis.

O que é esse transtorno do neurodesenvolvimento? O TEA é um transtorno que costuma aparecer logo nos primeiros anos de vida, comprometendo principalmente as habilidades de comunicação, de comportamento e de interação social. O diagnóstico muitas vezes precisa ser feito em equipe multidisciplinar – médicos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e psicólogos – pois uma variação muito ampla em sua manifestação. O diagnóstico não é simples porque muitas causas de distúrbios comportamentais e sensoriais ou atrasos no desenvolvimento da comunicação e da linguagem que podem ser sinais de TEA, também podem ser sinais de outras dificuldades, como por exemplo da surdez. O diagnóstico precoce é muito importante porque as pesquisas mostram que o tratamento precoce melhora significativamente o prognóstico da criança.

Os sinais mais comuns que sugerem o TEA em crianças, que podem ser percebidos no primeiro ano de vida são:

  • pouco contato ocular, não sustenta o olhar;
  • mais interesse por objetos do que por pessoas;
  • não vocaliza/balbucia;
  • não responde ao nome;
  • apresenta baixa reciprocidade/interação social;
  • sente incômodo exagerado a sons altos.

Mesmo um pouco mais velhas podem se somar a esses sintomas iniciais:

  • atraso anormal na fala
  • a falta de resposta quando é chamada (atender a comandos)
  • o desinteresse com as pessoas ao seu redor;
  • a constante preferência em brincar sozinha,
  • comportamentos repetitivos e incomuns,
  • algumas ações como: balançar o corpo, bater as mãos seguidamente, andar nas pontas dos pés e repetir palavras e sons (como um eco).

Mas se seu filho tem idade que poderia reagir de outra forma, se ele apresenta mais da metade destes sintomas, não necessariamente ele tem TEA. Muito cuidado, há inúmeras outras justificativas, assim procure um médico para um diagnóstico. Se com uma avaliação abrangente não houver clareza, se há dúvidas ainda se é ou não TEA, meu conselho é: faz o tratamento profilático, como se fosse TEA com os profissionais que o caso exigir -Fonoaudióloga, Terapeuta Ocupacional e/ou Psicóloga- porque neste caso é verdadeiramente melhor prevenir que remediar. Muito se alcança com as intervenções precoces.

No último dia 29 de março a Congregação para a Educação Católica promulgou mais um documento a respeito da educação católica. Como estamos ainda

No último dia 29 de março a Congregação para a Educação Católica promulgou mais um documento a respeito da educação católica. Como estamos ainda em tempos da Campanha da Fraternidade que trata do tema da Educação, alguns pontos seriam importantes para a nossa reflexão nesse final de quaresma. O texto base da Campanha da Fraternidade retoma diversos pontos de outros documentos da Congregação, destacando a proposta para um humanismo integral e o alinhamento com o que é apresentado pelo Pacto Educativo Global.

O título da instrução da Congregação é muito significativo – A identidade da escola católica para uma cultura do diálogo. As motivações para essas orientações decorrem das rápidas mudanças dos tempos atuais com o crescimento da demanda do diálogo inter-religioso e intercultural. Nesse sentido, a questão da identidade torna-se central, pois “não podemos criar uma cultura de diálogo se não tivermos uma identidade”, nos alerta o Papa Francisco.

No mundo todo, somente em termos de ensino superior, temos mais de 500 instituições eclesiásticas, sendo 120 faculdades católica de teologia, filosofia, direito canônico e outros cursos, além de 400 instituto filiados, agregados ou incorporados. Contando com as escolas maternais, de ensino fundamental e médio chega-se a 142.521 instituições educativas, com 63,6 milhões de estudantes. Apesar dessa grande presença com instituições de ensino, a Igreja em saída apontada pelo Magistério do Papa Francisco exige que essas mesmas instituições se abram ao diálogo com o mundo, apresentando propostas e contribuindo dessa forma com as proposições de uma política pública para a Educação.

Esse novo documento da Congregação para a Educação Católica discute elementos da identidade católica realçando algumas interpretações equivocadas ou não adequadas do termo “católico”. Tem circulado pelo mundo todo uma visão redutiva (n. 69) em que a catolicidade é conferida apenas a certas esferas ou pessoas, ocasiões, celebrações, disciplinas, professores de religião. O documento da Congregação nos mostra que toda a comunidade escolar deveria expressar a catolicidade, não com uma imposição dogmática e doutrinária, mas numa perspectiva de uma “Igreja em saída missionária”. Essa visão estreita não deixa lugar para aqueles que não são completamente católicos, contrariando a perspectiva de uma Igreja em diálogo.

Também se critica a visão carismática (n. 70) ou formal de uma instituição dita católica apenas como expressão de um Decreto dado por uma autoridade eclesiástica. Segundo o texto, “não devemos perder o ímpeto missionário para nos confinarmos numa ilha e, ao mesmo tempo, precisamos da coragem de testemunhar uma “cultura” católica, isto é, universal, cultivando uma sã consciência da própria identidade cristã” (nº 72).

Essa instrução está inserida no contexto e na importância de um Pacto Educacional Global, como já assinalamos, conduzido pelo Papa Francisco, fortalecendo o diálogo entre a razão e a fé, e colaborando assim com as famílias na educação de seus filhos. É preciso afastar as zonas de conflitos e divisões que se encontram no setor essencial da educação. Desta forma, a Igreja recebe a missão de estar sempre forte e unidade no campo da formação evangelizando e contribuindo para a construção de um mundo mais fraterno.

Essa é a grande tarefa da escola católica. Não se trata de transformar a escola católica numa espécie de Igreja para a catequização dos alunos. A catequese dá-se nas comunidades eclesiais e nas paróquias. Mas a formação cristã para um mundo solidário, fraterno, justo, sendo luz do mundo, sal da terra, é tarefa fundamental da escola católica. Suas portas devem estar abertas para que todos possam entrar independente de sua condição socioeconômica e para deixar sair de si mesma esse ímpeto missionário no mundo e para o mundo.

No primeiro capítulo do documento, é central a definição da Igreja como “mãe e mestra”, geradora de novos cristãos, expressão da ternura e força de ser guia e mestra. Sua ação educativa não é “uma obra filantrópica”, um assistencialismo que substitui as políticas públicas do Estado. Sua luta está na defesa do direito universal à formação, à educação, como responsabilidade de todos – pais e Estado.

A Igreja tem o dever de educar no qual a evangelização e a promoção humana integral estejam entrelaçadas, com formação permanente dos professores e não apenas aqueles que ministram uma disciplina de cunho religioso, fortalecendo a colaboração permanente entre pais e professores, e entre escolas católicas e não católicas. Não podemos mais admitir uma educação que lança uns contra os outros. A escola católica deve constituir uma “comunidade” permeada pelo espírito evangélico de liberdade e caridade. A tarefa de toda a comunidade escolar é no sentido de formar e abrir as relações para uma perspectiva de solidariedade concreta. Essa mesma comunidade, testemunha do Evangelho, deve fincar suas raízes num mundo plural, multicultural, que fortaleça os espaços de diálogo e formação.

O diálogo pressupõe sempre a proximidade, estar junto com o outro, ter cuidado com o outro, compadecer-se com o outro. Na escola, deve ser a mesma coisa. A formação da sociedade baseada no diálogo é a sociedade democrática, em que todos convivam de maneira diferente, mas que possam conversar. E não apenas que a minha verdade sobreponha a verdade de todos. Não há mais espaço nesse mundo a afirmação de uma verdade única e que não pode ser submetida a nenhum tipo de questionamento.

A escola católica nessa perspectiva toma a tarefa de educar como uma cultura do cuidado, transmitindo e fazendo vivenciar o reconhecimento da dignidade de cada pessoa, de cada comunidade, língua, etnia, religião, povo e todos os direitos fundamentais da pessoa. Uma comunidade católica assim constituída será reconhecida pelos valores que vivencia e dessa forma constitui-se como uma “Igreja em saída” missionária. Trata-se de formar comunidades educativas com pessoas capazes para ouvir, para dialogar de maneira construtiva entre atores diferentes e para a compreensão entre esses atores. Uma comunidade que age por exclusão, num “nós” e “eles”, não se constitui numa comunidade católica verdadeira. Pode até levar o nome em seus documentos, mas é preciso inserir esse fundamento cristão na vida concreta das pessoas que constituem a comunidade educativa.

Por fim, uma educação católica forte e penetrante na sociedade caminha na perspectiva de formar a sociedade dando esperança ao presente. “Educar é apostar e dar ao presente a esperança que rompe com os determinismos e fatalismos com os quais o egoísmo dos fortes, o conformismo dos fracos e a ideologia dos utópicos querem se impor muitas vezes como o único caminho possível”.

A natureza eclesial da escola católica se caracteriza por “ser escola para todos, particularmente para os mais pobres”. Historicamente, muitas escolas católicas nasceram como respostas às exigências das classes menos favorecidas, voltadas para as camadas jovens e adolescentes abandonadas, e mesmo nos dias atuais o material de pobreza impede muitos jovens e adolescentes de ter acesso à instrução e uma formação adequada e cristã. Novas formas de pobreza interpelam a escola católica e exigem novas posturas educativas.

No caso do Brasil estamos diante de um quadro de pobreza extrema que impossibilita o acesso integral à rede pública de educação. Teremos assim o crescimento de uma população sem estudo, sem diploma e sem capacitação profissional, fechando as portas do mercado de trabalho, perpetuando o quadro de exclusão social. A pandemia agravou essa situação. Nesse contexto, deveria nascer das comunidades educativas católicas iniciativas fecundas para o desenvolvimento de processos inclusivos, de redução das desigualdades expressas no quadro atual.

Na história passada verificamos tantas iniciativas de educadores católicos que se importaram com as misérias e as periferias geográficas e sociais e construíram um horizonte mais digno para tantos jovens nessas mesmas periferias. Muitos desses desbravadores são cultuados pela Igreja como santos nos altares. Seu testemunho de opção radical pela educação da juventude pobre é a grande herança católica que atravessa os tempos.

A instrução sobre a identidade católica quer servir como diretriz e chamado para reflexão de todos os atores envolvidos nos processos educativos, fazendo da identidade católica um terreno do encontro. E conclui com a Mensagem do Papa Francisco por ocasião do lançamento do Pacto Educativo Global “para reavivar o compromisso em prol e com as gerações jovens, renovando a paixão por uma educação mais aberta e inclusiva, capaz de escuta paciente, diálogo construtivo e mútua compreensão”.

Edebrande Cavalieri