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A pandemia trouxe algumas consequências ruins para a nossa vida e uma delas é a anestesia da vontade de sonhar. De uma hora para

A pandemia trouxe algumas consequências ruins para a nossa vida e uma delas é a anestesia da vontade de sonhar. De uma hora para outra tivemos que mudar nossa vida, cortar viagens, reduzir drasticamente as reuniões e isso acabou repercutindo em nossa forma de olhar para frente, para o horizonte que se dispõe adiante. Para muitas pessoas foi um tempo de desespero, de dor, de tristeza. Para outras foi de indiferença, mas diante dos limites impostos pelas autoridades sanitárias, também tiveram que reduzir o movimento da vida em grupo. O mundo parece ter vestido cinza, sem cor, sem vontade. Então, vai-se levando como pode a vida.

Estive pensando sobre o que escrever a respeito das expectativas para o próximo ano, nesse contexto cinzento, quando me deparei com o enredo de uma série documental feita em quatro episódios chamada de “Stories of a Generation com o Papa Francisco” que a Netflix disponibilizou a partir do dia de Natal para todo o mundo. Trata-se de um olhar sobre a terceira idade, o idoso, como um tesouro a ser redescoberto, sob o ponto de vista das jovens gerações. Achei essa temática muito interessante e nela nasceu esse tema para pensarmos como propósito para o próximo ano. É preciso colorir as gerações, jovens e idosos.

Não há como dissociar o tempo dos idosos do tempo dos jovens a partir dos sonhos. Todos temos o direito de sonhar e não “esperar a morte chegar” como nos alertava Raul Seixas na música Ouro de tolo. O Papa Francisco nos diz que “sem sonhos, a vida é asséptica”, estéril. Ainda acrescenta que sendo assim estéril, a vida carece de poesia, de encanto, de brilho.

A recuperação do sentimento poético está intrinsecamente relacionada à capacidade de sonhar. A poesia, nos dizia o filósofo Martin Heidegger, não significa um sobrevoo sobre a terra, pairando nas nuvens, a fim de fugir da mesma. Muitos podem ter tido essa vontade de fugir do mundo diante da loucura da pandemia, mas isso não significa uma fuga para a poesia. Jamais esse sentimento indica um processo de alienação; ao contrário, é a poesia que traz o homem para a terra, para uma espécie de habitar novo.

A série que estamos indicando nos faz olhar para essas duas gerações que muitas vezes são postas como contrapostas uma à outra. Os idosos não podem ser descartados como um grupo que está esperando a morte chegar. O Papa nos diz que todos temos necessidade de sonhar. Então não se pode retirar essa possibilidade dos idosos, pois eles também, assim como os poetas, habitam a terra. “Os sonhos de uma pessoa idosa são a riqueza de vida que oferecem. É a riqueza de toda aquela vida que oferecem como uma experiência de vida. E o sonho dos jovens é a profecia, a capacidade de seguir em frente”. A pessoa idosa dá os próprios sonhos e o jovem os recebe para transmiti-los em vista do futuro.

A humanidade atual está enveredando por um caminho perigoso na medida em que sua população vai envelhecendo e não vê surgir tantos novos jovens. Esse processo de transmissão de sonhos pode ficar comprometido, com a prevalência de pessoas idosos. O equilíbrio entre as gerações talvez seja a fórmula mais adequada para fazer avançar o futuro e não estagnar, esperando a morte.

Por fim, os dois anos de pandemia precisam ser superados, recuperados, retomados em outra dinâmica social. Entre os vários fatores, penso que a recuperação da capacidade de sonhar seja o melhor caminho para o próximo ano. É preciso voltar a sonhar. Andar leve. Andar com os pés na terra e não sobrevoá-la de maneira alienada e ingênua.

A escola necessita desse sentimento para ser uma instituição que alimenta os sonhos e não apenas o domínio de conteúdo. Quando a escola mata os sonhos dos jovens ela não serve para mais nada, apenas para cemitério da cultura. Os idosos também precisam estar presentes nas escolas para que haja a transmissão de sonhos para esses jovens.

Outra instituição que tem um papel super importante no alimentar dos sonhos é a própria Igreja. Quando esta descarta os idosos de sua ação também se torna um cemitério eclesial. Ninguém é cristão emérito. De uma hora para outra, alguém se torna emérito e se afasta do contato com as novas gerações, com os novos padres, novos ministros. Isso reduz de maneira absurda a transferência dos sonhos para os jovens cristãos. Até nas atividades pastorais em muitas comunidades tantos idosos deveriam ser integrados.

Por fim, não posso esquecer de olhar para as periferias sociais e geográficas, com seus sonhos. Quem está olhando para elas? Na ausência do Estado, essas periferias sonham com a sobrevivência, que os seus filhos evitem o mundo das drogas ou que possam sair dele livremente; as mulheres sonham com a volta dos maridos para casa, pois são presidiários ou aqueles que saíram que não retornem para aquele inferno. Sonham ainda mais coisas bem pertinho: que haja comida na mesa e que os seus filhos não sejam mortos pela policia ou na guerra entre grupos rivais de criminosos. Com toda certeza, o mundo das periferias sociais e existenciais é o mais descolorido. Sua cor básica é o preto do luto ou o vermelho do sangue e da dor.

Assim, esperamos que o Sínodo dos Bispos que começou em outubro passado e vai até outubro de 2023 possa ajudar a Igreja Católica a fortalecer o trabalho pastoral alimentando os sonhos, integrando idosos e jovens, na expansão do Reino de Deus nesse mundo. Especialmente no Brasil, ela possa estar cada vez mais presente nas periferias sociais e geográficas trazendo o colorido da paz e da justiça.

Edebrande Cavalieri

Uma ação realizada por um padre que celebrava a Missa na Igreja de Santa Luzia no centro de São Mateus tomou conta das redes

Uma ação realizada por um padre que celebrava a Missa na Igreja de Santa Luzia no centro de São Mateus tomou conta das redes sociais e dos noticiários. Em plena celebração o Padre João Batista de Oliveira acolhe um morador de rua que simplesmente entrou na Igreja com um pote de comida que havia recebido, se aproxima do alta e pede a bênção. Vestido apenas com uma bermuda e descalço, provavelmente há muitos dias sem tomar banho, aquele ser humano consegue ingressar na Igreja e chegar até o altar.

Ninguém o impediu de entrar na Igreja e aqui está o primeiro gesto cristão, que conhecemos como misericórdia. É preciso deixar as pessoas chegarem até Jesus Cristo. Mesmo que sejam leprosos como naqueles tempos passados. Mesmo que tenhamos medo. Mesmo que cheiram mal. Nossa atitude normal seria impedir que essa pessoa entrasse, pois iria atrapalhar a celebração. Parabéns àquela comunidade ali presente, que sentiu no coração o impulso para a acolhida. Foram misericordiosos.

Diante do pedido daquela pessoa em situação de rua, o Padre, movimento pelo sentimento de misericórdia, logo se aproximou e vendo-a ajoelhada diante de si, também ajoelhou. Ouviu o pedido. Não queria dinheiro. Apenas: “Padre, abençoa-me!” E se pedisse dinheiro ou comida, em nada mudaria aquele gesto. Era alguém que vinha de uma periferia até a Igreja.

Quanto custa a misericórdia? Daquele ministro da Igreja esperava apenas ser acolhido e abençoado. Eis que o sacerdote, sem nenhuma pompa ou ar de superioridade, olhou para aquele pobre e compadeceu-se dele. Ajoelhou junto, de frente, na mesma altura. A misericórdia que brota do altar não é aquela que vem dos tronos, das majestades, dos reinados. A misericórdia de Deus não é esmola, dada sem tocar, sem olhar, com nojo. É preciso compadecer-se como fez aquele Samaritano diante de um homem machucado na estrada, descer do cavalo e ir ao encontro.

Ao ajoelhar com aquele homem ali diante do altar, o Padre confessa que assim conseguia ouvi-lo. E diz que fora movido pela força de Deus. Essa é a grande diferença entre a misericórdia que brota do altar e as ações assistenciais, também importantes, mas diferem da perspectiva cristã evangélica. A misericórdia não é uma ação de extensão como as que as universidades desenvolvem. Se a Igreja não fosse misericordiosa ela se tornaria uma ONG, como nos alerta o Papa Francisco.

Por fim, o padre João Batista em seu testemunho nos diz que assim de joelhos em frente àquele homem podia ouvi-lo, pois “estávamos entre iguais, apenas em funções diferentes”. As periferias existenciais e geográficas estão chegando desesperadas aos altares. A Igreja em saída também se dá no gesto concreto realizado em plena celebração da Eucaristia. Aqui em Vitória tivemos há tempos atrás a celebração da Missa diante de um corpo assassinado e encontrado na rua por onde passava a procissão e o padre Kelder ali mesmo pediu que trouxesse tudo o que fosse necessário para celebrar a Eucaristia.

Aquele diálogo ali travado no silêncio do altar foi uma conversa sem pressa, com a comunidade em silêncio e contemplando aquela cena, aprofundou ainda mais o sentido da misericórdia de Deus. Aquele homem pediu orações. Sabia que não estava numa casa comercial ou bancária. Sabia que estava precisando e o padre o compreendeu. Não disse que ia rezar por ele (depois), mas rezou ali mesmo. Deu a bênção que tinha sido pedida e tocou no corpo sofrido, alquebrado. A misericórdia de Deus não é discurso abstrato, mas ação encarnada, que toca a carne da pessoa, toca sua dor, sua ferida, seu sofrimento.

Por fim, esse gesto que virou notícia tão rapidamente nos leva a perguntar. Por quê? Seria porque aquele padre é um místico, um santo? Não. Somos todos iguais, ele afirma. Penso que o que torna esse fato tão chamativo para a notícia se deve ao sentimento de que a misericórdia está se tornando coisa rara. Se ela fosse uma ação comum entre os cristãos, provavelmente não seria notícia. O caminho do mundo fortalece a perversidade, onde cada um se basta e não reconhece as necessidades dos outros.

O altar assim torna-se a referência concreta como espaço para a fonte da misericórdia. Quando o altar deixa de ser isso, ele pode servir para muitas coisas. Pode ser muito lindo. Pode servir até para palanque, para palco. Mas não é o lugar da fonte da misericórdia. A Eucaristia que ali é celebrada deveria nos levar ao caminho misericordioso, expressão maior da entrega do próprio Filho de Deus para a salvação do mundo.

Em tempos natalinos, fortes na memória da Encarnação do Verbo em Jesus Cristo, a Igreja do Espírito Santo ganha assim um grande presente, que veio do norte do Estado, sem plano nenhum, apenas aconteceu. O nosso “Feliz Natal” que desejamos às pessoas deveria conter esse espírito de Misericórdia. Obrigado pelo presente, comunidade de Santa Luzia! Obrigado, Padre João Batista.

Edebrande Cavalieri

Entre os dias 2 e 6 de dezembro passado, o Papa Francisco realizou sua 35ª viagem apostólica para Chipre e Grécia, denominando-a de “peregrinação

Entre os dias 2 e 6 de dezembro passado, o Papa Francisco realizou sua 35ª viagem apostólica para Chipre e Grécia, denominando-a de “peregrinação às fontes”, indicadas como a fraternidade, Chipre como a antiga fonte da Europa pois representa um galho da Terra Santa no continente europeu e a humanidade. Esta terceira fonte é representada pela visita a Mytilene-Lesbos, ponto emblemático do problema migratório que ele visitou há cinco anos atrás. Tristemente confessa o Papa que pouca coisa mudou desde aquele momento.

Foi ali em Lesbos que o Papa demonstrou toda sua dor mencionando “um naufrágio civilizacional”. É urgente mudar a mentalidade da humanidade que acha como solução o fechamento de fronteiras e a construção de muros. Nem para a pandemia o fechamento de fronteiras impede a disseminação do vírus. Se cada país pensar apenas em si mesmo para se salvar, toda a humanidade irá naufragar cada vez mais em seus problemas e pandemias. A vacinação deve atingir a todos os povos e não apenas os mais ricos que imaginam estarem salvos desse mal. Por outro lado, o Mediterrâneo que foi um símbolo de vitalidade para as diversas nações em seu entorno, hoje está se tornando um grande cemitério.

O Papa manifesta toda sua dor dizendo: “Não deixemos que o nosso mar se transforme num mar desolado de morte. Não deixemos que este ponto de encontro se transforme num teatro de conflito. Não deixemos que este mar de memórias se transforme num mar de esquecimento. Irmão e irmãs, por favor, vamos pôr fim a este naufrágio civilizacional”. E antes de viajar de volta, em Atenas, fez um apelo aos jovens para que “não se contentem com encontros virtuais, mas procurem encontros reais”. Sente como ilusória a proximidade virtual, mesmo importante durante a pandemia.

Essa visita à Grécia e Chipre está marcada pelo grande problema da crise humanitária decorrente dos processos migratórios. O Papa reconhece que foram feitas muitas coisas, mas ainda o mundo está preso a medidas paliativas. Esse é um problema mundial, que diz respeito a todos os povos. A pandemia nos mostrou como estamos no mesmo barco, tendo os mesmos temores e morrendo com o mesmo vírus. “Compreendemos que as grandes questões devem ser enfrentadas em conjunto, porque, no mundo atual, são inadequadas as soluções fragmentadas”.

Conclui o Papa pedindo que todos os povos acordem da indiferença com os mais pobres. É preciso que toda a humanidade seja vacinada e a questão migratória seja resolvida por todos, pois não é um problema grego ou europeu apenas. E nos diz: “Está em jogo o futuro de todos, que, só poderá ser sereno se for integrador. Somente se reconciliado com os mais frágeis é que o futuro será próspero. Pois quando os pobres são repelidos, repele-se a paz. A história nos ensina que fechamentos e nacionalismos levam a consequências desastrosas. A história, repito, nos ensina, mas ainda não aprendemos”. E pede a Deus para que nos ajude a acordar da indiferença, a superar a paralisia do medo, a indiferença que mata, o desinteresse cínico que com luvas de pelica condena à morte quem está colocado à margem, à periferia do mundo.

A opinião pública é levada pelos diversos noticiários ao medo do outro. Mas porque não se fala da mesma forma da exploração dos pobres, das guerras esquecidas e financiadas por potências poderosas, dos acordos econômicos assinados na pele do povo, das manobras secretas para contrabandear armas e fazer prosperar o seu comércio de importação pelos países pobres? Os pobres são até usados para as campanhas políticas com programas de governo contra os próprios pobres. Quantas reformas trabalhistas foram feitas alegando o crescimento do emprego e renda, mas o que se viu prosperar é o aumento dos desempregados, dos que buscam a sobrevivência com “bicos”.

O naufrágio civilizacional é de grandes proporções. Cria-se de maneira veloz uma sub-humanidade com os descartados. Para recomeçar basta “olhar nos olhos das crianças, mas é preciso ter coragem para nos envergonhar à vista delas, que são inocentes e constituem o futuro”. E conclui o Papa sua viagem pedindo que não deixemos que o mare nostrum se transforme num desolador mare mortuum, mar do esquecimento, mar da morte. Foi às margens desse mar que Deus se fez homem. Ele nos ama como filhos e nos quer irmãos. Muitos até justificam em nome de valores cristãos o vaivém da indiferença, mas a fé “pede compaixão e misericórdia, exorta à hospitalidade”.

Edebrande Cavalieri

I Assembleia Eclesial: verdadeira experiência de sinodalidade Depois de um ano de caminhada, encerrou-se no dia 28 passado a I Assembleia Eclesial na Cidade

I Assembleia Eclesial: verdadeira experiência de sinodalidade

Depois de um ano de caminhada, encerrou-se no dia 28 passado a I Assembleia Eclesial na Cidade do México, aos pés de Nossa Senhora de Guadalupe. O Prefeito para a Congregação dos Bispos ressaltou na celebração final que “A assembleia eclesial é um sinal profético com que Deus fala aos homens”. Isso já nos mostra a grande marca dessa Assembleia, pois para se ouvir a voz de Deus é preciso “continuar a remar nesta Igreja sinodalmente”, uma espécie de “peregrinação sinodal”. Não era um congresso de profissionais ou um encontro acadêmico. Era um grande evento eclesial como a Igreja sempre tratou desses momentos ao longo da história.

O Presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) destacou que essa experiência não tem volta, não tem recuo. Trata-se de uma “visão profética do Papa Francisco”. Essa experiência foi um grande exercício sinodal, que não foi fácil, pois exigiu colocar um continente inteiro em movimento por um ano, em tempos de pandemia. Foi também um tempo de grande aprendizagem, especialmente numa sociedade em que a cada dia se torna mais difícil o diálogo, a participação, evitando toda forma de extremismos. Portanto, esse momento não apenas é peça chave na vida da Igreja do continente, mas uma novidade social que promoveu ampla participação do povo de Deus.

Essa aprendizagem para o caminhar junto se constitui em processo permanente e não apenas um momento particular de um determinado evento. Mesmo nessa I Assembleia é preciso registrar que tanto as periferias como os improváveis não foram atingidos como deveriam e não estiveram presentes no grupo presencial. Esse parece ser o grande grito profético que vem do Papa Francisco desde o início de seu pontificado: uma Igreja em saída missionária, que chegue às periferias geográficas e existenciais. Reconhecido esse desafio, volta-se para casa e cada Igreja particular, cada paróquia, cada comunidade deverá empenhar-se nessa missão de chegar às periferias. Talvez seja um pouco a sombra que se coloca sobre a Igreja latino-americana como dificuldade para atingir esse extremo da realidade sócio-econômica. Quase sempre as posturas autorreferenciais impedem essa saída missionária, pois torna-se um movimento para si mesmo.

Essa caminhada sinodal não se conclui com a I Assembleia; o documento final já propõe para o próximo ano, a partir de fevereiro, a realização de assembleias em cada país latino americano incorporando os doze desafios pastorais apresentados nesse momento para a renovação da Igreja. São esses os desafios pastorais emergidos no México:

  1. Reconhecer e valorizar o papel dos jovens na comunidade eclesial e na sociedade como agentes de transformação;

  2. Acompanhar as vítimas das injustiças sociais e eclesiais com processos de reconhecimento e reparação;

  3. Promover a participação ativa das mulheres nos ministérios, no governo, no discernimento e na tomada de decisões eclesiais;

  4. Promover e defender a dignidade da vida e da pessoa humana desde a concepção até a morte natural;

  5. Aumentar o treinamento em sinodalidade para erradicar o clericalismo;

  6. Promover a participação dos leigos em espaços de transformação cultural, política, social e eclesial;

  7. Ouvir o clamor dos pobres, excluídos e rejeitados;

  8. Reformar os itinerários formativos dos seminários, incluindo temas como ecologia integral, povos indígenas, inculturação e interculturalidade e pensamento social da Igreja;

  9. Renovar, à luz da Palavra de Deus e do Vaticano II, o nosso conceito e experiência da Igreja do Povo de Deus, em comunhão com a riqueza da sua ministerialidade, que evita o clericalismo e favorece a conversão pastoral;

  10. Reafirmar e priorizar uma ecologia integral em nossas comunidades, com base nos quatro sonhos da Querida Amazônia;

  11. Promover um encontro pessoal com Jesus Cristo encarnado na realidade do continente;

  12. Acompanhar os povos indígenas e afrodescendentes na defesa da vida, da terra e das culturas.

A partir desses doze desafios a Igreja latino-americana espera renovar-se fortalecendo em cada comunidade a experiência sinodal, que foi o centro de todas as discussões na I Assembleia. Mas também um alerta muito bem lembrado pelo Cardeal Brenes, vice-presidente do Celam: “Estamos em dívida com Aparecida. Embora ali tenha levantado a necessidade de iniciar e promover uma missão continental, esse apelo não foi totalmente acolhido e para muitos não passou de um texto que acabou nas bibliotecas, esquecendo que era um projeto do Espírito Santo”.

Na mensagem à Assembleia, o Cardeal Dom Cláudio Hummes disse que é preciso reconhecer que “os tempos atuais são difíceis, desafiadores, mas também abertos a novidades, novos sonhos”. Seguir a direção mostrada pelo Papa Francisco – “ande, ande” – para derrubar muros e construir pontes para sair, para ir ao encontro das periferias e com elas construir Caminhos eclesiais, caminhos sinodais. Esse é o caminho percorrido pela Igreja primitiva, retomados no Concílio Vaticano II e sustentado no caminho de fé do Povo de Deus. O mesmo Concílio realçou o papel de Povo em vista da superação da representação distorcida de uma hierarquia ativa e um laicato passivo afirmando que todos os batizados, cada um a seu modo, participa dos três ofícios de Cristo – profeta, sacerdote e rei.

Enfim, ficou muito claro que a sinodalidade pertence à essência da Igreja e não pode ser entendida como uma moda passageira. O caminhar juntos na fé e na esperança também foi enfatizado no I Sínodo Arquidiocesano de Vitória há poucos anos atrás. Ou nos empenhamos em caminhar juntos, ou teremos uma Igreja dividida cada vez mais conforme o desejo de cada um. O sentido de comunhão é o que distingue o cristão. Por isso mesmo, Jesus Cristo se faz comunhão com seu corpo e sangue presente em nossa caminhada. Comungar o Corpo de Cristo é comprometer-se no caminhar juntos.

Edebrande Cavalieri

 

A pandemia está quase terminando, assim dizem os números e os especialistas renomados. Estamos prestes a ouvir a declaração de que passamos de pandemia

A pandemia está quase terminando, assim dizem os números e os especialistas renomados. Estamos prestes a ouvir a declaração de que passamos de pandemia à endemia.  Os infectologistas acreditam que não viveremos a mesma onda que muitos países estão vivendo agora.  Primeiro porque estamos muito avançados na vacinação e depois porque estamos chegando no verão, onde a vida ao ar livre é a predileção da maioria. Em outras palavras, pegar covid-19 em pouco tempo vai ser igual pegar outras doenças endêmicas que de tempos em tempos aumentam os casos, aqui é ali, mas logo são controladas.

Muitos estão dando glória à Deus, por isso e já começam a sair da toca.  Outros continuam ainda tomados pelo temor real vivido por tanto tempo. Daqui em diante vamos viver um período desafiante pois em breve precisaremos ajudar essas pessoas a enfrentarem seus medos e a saírem de casa. Já, já chegará o tempo de sair de casa sem máscara! Um sonho que será possível também porque aprendemos a enfrentar a doença. Quase todos estamos vacinados.

Não há mais razões para o pânico e o excesso de cuidados. Ainda precisamos e precisaremos de máscaras em espaços pequenos, transportes públicos, elevadores ou outros espaços de pouca ventilação, mas não há qualquer motivo plausível para agir diferente como ainda estão fazendo a maioria das instituições federais de ensino superior. Estas se tornam exemplo por não quererem aulas presenciais e são uma das maiores fontes de resistência à volta da normalidade. É simplesmente um absurdo que 25 universidades federais não tenham voltado às aulas presenciais e nem têm previsão para isto. Os jovens vãos às baladas, rocks, bares e restaurantes onde a maioria fica o tempo todo sem máscara, mas não podem voltar as aulas presenciais. Não há outra explicação plausível a não ser uma resistência política.  Há resistência em voltar à normalidade aqueles que simplesmente se acomodaram com os aspectos positivos do não precisar se locomover (e muitos estão cada vez mais com sobrepeso pelo sedentarismo). Há os que ganharam muito com a pandemia em termos pessoais e não querem mudar. Muitos lucraram, muitos cresceram e outros tantos tiveram benefícios palpáveis com a pandemia e vão criar argumentos “científicos” para manter sempre ativo o medo de um possível problema futuro. A muitos interessa esse ambiente de pandemia, mas há os que desenvolveram processos fóbicos sérios e é neste público que queremos focar. Há milhares de brasileiros que depois de tantas ordens de “fica em casa” temem, de fato, voltar à normalidade e saírem de casa.

O papel da imprensa, do jornalismo sério, agora vai ser fundamental nesta nova etapa da pandemia, como foi no início. Ouvir os infectologistas para poder separar o que vemos no exterior e as diferenças com a nossa realidade.  Hoje já aparecem noticiários das novas “ondas” e notícias sensacionalistas sobre o futuro.  Precisamos reajustar nosso “leme”. Estamos diante de um vírus conhecido, que já tem um protocolo de tratamento amplo e já testado, tanto em termos médicos, quanto em termos de políticas públicas. Temos um SUS, vacinas gratuitas e um sistema de vacinação único. Começamos atrasados e estamos na frente de muitos países. Nossa realidade é bem diferente da Alemanha, Rússia, Hungria, Eslováquia e República Checa.

Estamos diante de uma doença que em breve será enfrentada aqui no Brasil como outras doenças endêmicas como a dengue, a malária ou a meningite, por exemplo. Doenças sérias, que podem matar, mas já temos meios adequados à disposição para o seu enfrentamento. O medo precisará ser enfrentado com responsabilidade, mas com firmeza. Chega de notícias para ganhar audiência ou vender jornal/revista!

Vania Reis

I Assembleia Eclesial: “escutar e transbordar” Aos pés de Nossa Senhora de Guadalupe, na cidade do México, teve início do dia 21 de novembro

I Assembleia Eclesial: “escutar e transbordar”

Aos pés de Nossa Senhora de Guadalupe, na cidade do México, teve início do dia 21 de novembro e vai até o dia 28 a I Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe. A missa de abertura foi presidida por dom Miguel Cabrejos, presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), diante de cerca de mil participantes, depois de um longo caminho feito juntos, escutando a todos, como expressão do Corpo Místico de Cristo, como protagonistas e corresponsáveis pela evangelização. Destacou o celebrante a necessidade de se manter no espírito de escuta, de sinodalidade e unidade eclesial, como povo a caminho.

Conforme dom Miguel, essa assembleia é histórica, pois deveria ocorrer na sequência das Assembleias Episcopais, mas o Papa Francisco propôs que fosse uma Assembleia Eclesial com a participação de todo o povo de Deus, e não apenas dos bispos. Desde a Assembleia de Aparecida essa proposta vinha sendo gestada na Igreja e conduzida pelo Papa. Assim essa assembleia reúne a diversidade de ministérios e carismas, inaugurando um novo organismo sinodal em nível continental, que coloca entre o Bispo e o Povo de Deus em sua Igreja local o espírito de colegialidade episcopal no coração da sinodalidade eclesial.

Essa transformação deve atingir a todos, especialmente os ministros ordenados, que tem como tarefa pastoral não estar separado do povo, inacessíveis e intocáveis, mas junto de seu povo, caminhando junto. Em muitos lugares e com muitas pessoas o grande movimento pastoral será a conversão do espírito para essa caminhada.

Nesse sentido, o Papa Francisco, em mensagem enviada aos participantes, propõe duas palavras que são verdadeiros lemes na condução da barca de Pedro: “escutar e transbordar”. Isso deve reforçar o espírito e o dinamismo das assembleias eclesiais contido nos processos de “escuta da voz de Deus até escutar com Ele o clamor do povo, e escutar o povo até respirar nela a vontade a que Deus nos chama”. Trata-se, conforme orientação do Papa, que a Igreja procure escutar-se mutuamente, escuta entre os bispos, escuta entre os padres, entre padres e bispos, escuta entre todo o povo de Deus. É preciso superar a tentação de caminhar sozinho e querer chegar primeiro. Somente na medida em que nos escutamos mutuamente é possível termos condições para ouvir os mais pobres e esquecidos.

A segunda diretriz está na palavra “transbordar”. É interessante observar que o Papa nos coloca dois verbos e não dois substantivos. Isso indica a nossa ação. Ele não está indicando algum conceito, mais duas ações fundamentais. Nesse segundo verbo, é preciso encontrar caminhos que nos levem a evitar que as diferenças se transformem em divisões e polarizações. É preciso confessar que vivemos tempos em que as divisões estão enfraquecendo o agir da Igreja. Somente superando as divisões é possível o transbordar do amor criativo do Espírito, que nos impulsiona sem medo ao encontro dos outros, animando a Igreja para que se converta pastoralmente e se torne cada vez mais evangelizadora e missionária.

Dom Miguel ainda na homilia destacou a semelhança entre essa Assembleia e a Conferência de Medellín de 1968, que representou a “recepção criativa do Concílio Vaticano II. Reviver Aparecida como caminho para reafirmar a renovação do mesmo Concílio e assim no México estaríamos diante de uma segunda recepção do Vaticano II em um novo contexto histórico e social.

Além dessas considerações iniciais da I Assembleia, ainda seria importante registrar que as coletivas de imprensa serão feitas tendo um bispo, um padre, uma irmã religiosa e uma leiga. Da escuta de nossa juventude, a representante disse que é preciso “ver os jovens nos espaços onde as coisas são planejadas, onde as decisões são tomadas”. Esse grito tem ecoado muito na Assembleia. Além dele destaca-se a voz das mulheres, pois é preciso reconhecê-las “como protagonistas em nossas sociedades e especialmente em nossa Igreja”. Nesse primeiro momento as diversas vozes ouvidas no tempo da escuta vão ecoando pelos espaços e tempos da Assembleia, sob o olhar acolher de Maria de Guadalupe.

Edebrande Cavalieri

A escolha é, entre as ações que constituem o nosso lado humano, a que mais desafios nos apresenta. Logo nos vemos na impossibilidade de

A escolha é, entre as ações que constituem o nosso lado humano, a que mais desafios nos apresenta. Logo nos vemos na impossibilidade de escolher tudo o que vem pela frente. Queremos acumular tantas coisas, tantos caminhos, tantas amizades. Mas temos um limite em nossas escolhas. Aprendemos que é preciso escolher e renunciar. Até repetimos o dito de cada escolha, uma renúncia.

Queremos escolher sem nada abdicar e nos locupletamos até a explosão de nosso ser. O mundo nos apresenta essa via de acumulação ad infinitum até nosso aniquilamento. A escolha absoluta, sem limites, nos aniquila para sempre. É pecaminosa. Quando Adão e Eva estavam no Éden, Deus lhes deixou tantas coisas, tantos frutos, tantos bens, mas lhes pediu uma renúncia. Era um interdito. Não poderiam comer da árvore do conhecimento do bem e do mal.

A descrição presente no Livro do Gênesis é emblemática. Aquele casal poderia comer livremente de todas as árvores, mas ali mesmo havia a necessidade de uma renúncia. Era uma encruzilhada. Ou uma armadilha? Tanto faz. A escolha sempre se situa numa encruzilhada, pode ser entre diversas opções de vida, ou de coisas. Nunca esqueço quando meu filho mais velho, ao se preparar para o vestibular me dizia que poderia fazer diversos cursos, mas havia alguns que ele definitivamente não poderia escolher por não se sentir bem.

No final do mês de novembro, nossos jovens estarão realizando a prova do Enem. Trata-se de uma grande escolha para a vida deles. Penso que nesse momento da vida ainda é muito cedo para se exigir deles uma definição da carreira, com escolhas que nem sempre podem ser desfeitas ou refeitas. Eles são obrigados a escolher. Isso é cruel.

Assim todos nós vamos fazendo escolhas de vida profissional, escolha de vocação, etc. Não dá para escolher duas carreiras ou dois amores. Não há como escolher um caminho e seguir junto com outro, em direções até antagônicas.

Para muitas pessoas há um horizonte enorme de possibilidades de escolha, mas para a grande maioria da população brasileira são poucas as possibilidades e, tantas vezes, nem escolha essas pessoas têm diante de si. Os pobres de nossa sociedade não têm escolha, a não ser lutar para sobreviver.

Então aparece o que menos queremos, a renúncia, que para alguns é apenas a necessidade de limitar a questão escolhida, mas para outros trata-se de uma renúncia compulsória, excludente. Para uns a necessidade de tomar consciência de que o nosso desejo jamais será absoluto, mesmo querendo chegar ao ponto mais elevado.

Mesmo querendo chegar ao ponto mais elevado, não haverá nenhuma escada que nos leve a esse lugar acima de todos com tudo o que desejamos. A escada poderá se rebentar e nos lançar ao chão. A escolha absolutizada que incorpora tudo é o lugar da confusão, da queda, da ausência de comunicação entre nós mesmos. Trilha-se assim uma verdadeira “torre de Babel”.

Para aquelas pessoas que são a maioria entre nós, em que a escolha é apenas o processo de exclusão imposto por outros homens, resta apenas a luta permanente, diária. Trata-se de uma luta pelo direito de escolher em vida, e não entre a vida e a morte.

Chega-se assim ao desfecho final. Entre os diversos caminhos, diversas línguas que implodem a comunicação e aniquilam qualquer escolha, diversos desejos recalcados ou não; a única coisa que nos mantém vivos é a necessidade de escolher, ou a possibilidade de escolher, o direito de seguir um determinado caminho, uma carreira, uma profissão.

Para muitos se requer humildade para renunciar, para outros é preciso a luta para não morrer. Que todos os nossos jovens que farão a prova do Enem possam realizar suas escolhas e que elas sejam sempre na direção de uma sociedade mais justa, mais fraterna e solidária.

Por fim, cabe ainda fazer referência à catequese do Papa Francisco que trata da escolha na Igreja, ou da Igreja. Ele nos diz: “Que a Igreja aprenda a escolher unicamente o que mais agrada a Deus, que é perdoar os seus filhos, ter misericórdia deles a fim de que, por sua vez, também eles possam perdoar os irmãos, resplandecendo como tochas da misericórdia de Deus no mundo”. Parece mesmo que outra possibilidade de escolha não há, conforme se vê na pregação de Jesus Cristo. Por isso, a grande luta de Francisco por uma Igreja não autorreferente e em saída missionária.

Edebrande Cavalieri

Temos conversado neste espaço, há várias semanas, sobre o enorme e crescente problema do aumento de suicídio em jovens. Os dados da Organização Mundial

Temos conversado neste espaço, há várias semanas, sobre o enorme e crescente problema do aumento de suicídio em jovens. Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mostram que o suicídio é a segunda maior causa de morte no mundo entre pessoas de 15 a 29 anos. A triste constatação da OMS: a cada 4 segundos uma pessoa tenta suicídio no mundo e a cada 40 segundos, uma consegue.

A sociedade “dark” que os pensadores existencialistas acabaram por nos levar, tem forte base nestes números. Um mundo individualista, que renega o sólido. Mundo da “modernidade líquida” que teme compromissos e que nega toda ordem pré-estabelecida. Avesso às tradições, à autoridade de todo tipo, que ataca igrejas e a fé. Mundo de muita ansiedade, que está em constante mudanças e não dá garantias, para ninguém, e, mais ainda, expõe nas redes sociais os sucessos e, cruelmente também, expõe os fracassos repetidas vezes! Cada um tenta sobreviver e ficar com a cabeça por cima do nível da água. Um mundo que exige um eterno movimento para não sucumbir. Muitos estão cansados! Precisamos urgentemente sair deste lugar!

Os adolescentes que estão com hormônios e inseguranças explodindo dentre de si, que não sabem ainda quem são e dependem dos grupos e amigos para buscarem essas respostas recebem um caos de informações de um mundo que não aceita mais certezas. Adolescentes que temem errar, e o certo e errado neste caos é muito volátil. Se saem fora do esperado são expostos pelos colegas, publicamente e o “cyberbullying” (o bullying pela internet e mídias) é cruel. Não sabem como agir. Não conseguem a estabilidade que necessitam.

Neste cenário o sofrimento dos jovens já era grande desde antes da pandemia. Depois de quase dois anos de isolamento social, sem escolas nem “rocks”, com um tipo de relacionamento ainda mais restrito, ser “bloqueado” por pessoas ou grupos que efetivamente importam, é perder muito do que os sustentam.  Excesso de novelas e reality shows elevaram fofocas e mentiras para níveis de estratégia, de verdadeiros “jogos”. Muitos jovens estão desistindo. Não acreditam em seus potenciais, não acreditam em si mesmos. Não conseguem ter um diálogo com os pais que, por sua vez, também estão lutando para manter a “cabeça fora da água”!

Conversamos já sobre o papel dos pais e os sinais de alerta. Hoje fechamos essa série de artigos com sugestões de ações focadas nas ações das escolas e para orientação dos próprios jovens.

Para as escolas é vital que estejam atentos a esses alunos que pioraram emocionalmente na pandemia, assim como os sinais de isolamento, agressividade e depressão, para os ajudarem e inclusive aos que abandonaram a escola. Buscar entender o que está acontecendo, sem rotular o aluno como problemático, conversar com ele, dialogar compreensivamente com os pais! Esse é o primeiro caminho, mesmo que já tenha sido percorrido, tenta de novo.

  • A OMS sugere uma abordagem de apoio a diversos países que, como o Brasil, estão enfrentando o crescimento de suicídio em jovens com a pandemia. Chama-se “LIVE LIFE” (disponível em inglês). É uma orientação abrangente na busca da implementação de ações de prevenção do suicídio com links para serviços de apoio e protocolos claros para pessoas que trabalham em escolas e universidades quando o risco de suicídio é identificado. Buscam dar apoio a adolescentes de 10 a 19 anos “uma vez que metade dos problemas de saúde mental aparecem antes dos 14 anos”. A orientação da LIVE LIFE incentiva ações de promoção da saúde mental e programas anti-bullying tão importantes hoje. Ressaltam a necessidade do treinamento da imprensa para a divulgação destas notícias uma vez que de forma errada essas notícias podem motivarem outros jovens a se suicidarem.
  • A UNICEF desenvolveu um ebook (disponível no link abaixo), para os adolescentes no enfrentamento das suas dificuldades habituais. O livro é dividido em quatro partes: Primeiros Socorros Emocionais; Comunicação Não Violenta; Uso da Tecnologia; Planos e Projetos de Vida. Um caderno bem interessante, em especial as duas partes finais. Alerta para os novos perigos da internet (muito bom inclusive para pais e educadores) e traz exercícios e reflexões para o autoconhecimento e promoção de saúde mental. Vale a pena dar uma olhada:

https://www.unicef.org/brazil/media/16126/file/saude-mental-de-adolescentes-e-jovens.pdf

Vania Reis

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