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Semana passada começamos uma série de reflexões sobre os efeitos da pandemia nas famílias. Iniciamos pelas crianças que estão sendo chamadas de “Filhos da

Semana passada começamos uma série de reflexões sobre os efeitos da pandemia nas famílias. Iniciamos pelas crianças que estão sendo chamadas de “Filhos da Pandemia” (crianças com até 3 anos). Essa fase é tão importante para o desenvolvimento futuro da criança, sob todos os aspectos, que precisamos aprofundar mais.

Quando os pais percebem certo atraso no desenvolvimento da criança, a tendencia é não valorizar o problema ou A escutar a opinião dos mais próximos: “não se preocupe não”, “com a idade passa!” Pais de primeira viagem não sabem avaliar, não têm referências e podem perder um tempo precioso.

No processo de aprendizagem, uma das questões de maior relevância para o desenvolvimento cerebral são os processos chamados de “poda neural”. O que é isso? Muitos de nós estudamos na escola que nosso cérebro funciona por meio de “circuitos neurais” . Esses circuitos são formados pela ligação entre neurônios, por meio de sinapses, que formam uma composição que parece uma espécie de teia.

Uma criança com menos de 3 anos tem pelo menos o dobro de sinapses de um adulto. Nascemos podendo pronunciar qualquer som de qualquer língua, distinguir qualquer diferença fonética, mas se só falamos português, para que serve esse arsenal de neurônios?

O cérebro entende que as sinapses mais estimuladas como as essenciais para a sobrevivência da criança e vai criando memórias a partir delas e as não estimuladas são percebidas como não são importantes. Com o desenvolvimento a criança vai precisando de mais e mais habilidades e o imenso consumo de energia que isso é exigido pelo cérebro, faz com que ele entenda que é necessário uma “limpeza” nesses circuitos. Assim sendo, as sinapses que estão sendo menos utilizadas acabam sendo reconhecidas como descartáveis e por isso ocorre a morte desses neurônios.(Veja artigo simples explicando mais em https://blog.autismolegal.com.br/neuroplasticidade-cerebral-e-poda-neural/)

A primeira poda neural mais significativa acontece em torno dos 3 anos, assim estamos em um período crítico para ao “filhos da pandemia”, que em sua quase totalidade foram menos estimuladas. O que os pais precisam agora é observar e estimular para desenvolver bem esses pequenos. Precisam tirar as “telas” das mãos das crianças (celular, computador e televisão) que são ótimas para distrair, mas péssimas para estimular o cérebro de forma multissensorial, interativa/social ou afetiva.

Os pais precisam ficar atentos para perdas de habilidades como por exemplo se a criança dava tchau ou jogava beijinho e não faz mais isso. Balbuciava e parou. Tal perda pode ser efeito de uma poda neural, mas não se apavorem, o cérebro é muito “plástico”, maleável e muitas vezes consegue recuperar outras vias de conexões, mas como todo caminho novo, precisa estímulo constante e repetitivo para se fortalecer.

Os pais ao observarem que uma habilidade está atrasada ou que um comportamento, antes usual para a criança, não aparece mais no seu repertório, precisam voltar a estimular essas atitudes com atividades diárias, repetitivas, que ajudem a recuperar e desenvolver essas habilidades. Com isso ativarão esta capacidade adaptativa do cérebro e possibilitarão com o que cérebro reconheça que aquelas habilidades são necessárias para o cotidiano de seu filhos. Desta forma estes circuitos serão novamente fortalecidos e podem recuperar boa parte do que foi perdido, especialmente se essa ação for rápida :antes da morte destes neurônios com a poda neural. O tempo é curto! Se a tarefa for maior que as habilidades dos pais eles devem, sem perda de tempo, procurar os profissionais anteriormente citados: terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, psicólogo ou pediatra. Melhor prevenir que remediar!

Vania Reis

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Todo ano celebra-se no mês de outubro um dos elementos constitutivos da Igreja: a missionariedade. Ao longo da história ela foi entendida de diversas

Todo ano celebra-se no mês de outubro um dos elementos constitutivos da Igreja: a missionariedade. Ao longo da história ela foi entendida de diversas formas, algumas de maneira equivocada associando o trabalho de evangelização com o de colonização das terras descobertas, outras vezes confundindo com práticas proselitistas e impondo a fé à força, como se fosse um espírito de cruzada a evangelização. Ainda mais recente o trabalho missionário foi entendido por diversas instituições cristãs como cooptação para a própria Igreja. Assim todos achavam que estavam seguindo a diretriz dada por Jesus Cristo no “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).

O Papa Paulo VI dizia aos jesuítas em 1974 que eles na condição de missionários não deveriam ficar fechados em um convento, mas ir para as encruzilhadas da história como desde o início da congregação fora feito. E mais ainda lhes disse que era preciso rezar, pois somente homens de oração teriam forças para habitar as encruzilhadas da história. O Papa Francisco também no encontro com os jesuítas, sua congregação, relembra essa orientação de Paulo VI e acrescenta mais uma característica do missionário, a alegria. É preciso agir com ternura e delicadeza, ele nos diz. Foi assim que desde o início os apóstolos e discípulos, com sua fragilidade, diante dos mais diversos perigos e incertezas, viviam a alegria como fruto do Ressuscitado; e isso levava-os a não ficarem parados, fechados no cenáculo.

Celebrar nesse mês a experiência missionária deveria apenas nos chamar a atenção que não é uma atividade pastoral como tantas outras. Muitos confundem a missionariedade da Igreja como uma atividade pastoral. E não é. Somos influenciados pelas ideologias organizacionais e dos planejamentos. Na verdade, a missionariedade é elemento constitutivo da Igreja. Uma Diocese que se fecha em seu projeto pastoral, em suas atividades pastorais atendendo espiritualmente os fiéis, falha na dimensão da missionariedade.

A grande mudança na forma de ver, de falar e de fazer missão ocorreu no Concílio Vaticano II com o Decreto Ad Gentes. Foram muitos debates, oito textos relatados e tantas discussões nessa caminhada, configurando uma verdadeira mudança de paradigma. Esse Decreto praticamente nasceu no período anterior ao Concílio e está no contexto das grandes mudanças do mundo e da Igreja. Portanto, a Igreja já sentia a necessidade de reorganizar sua forma de compreender e de realizar a missão própria definida por Jesus Cristo. Na história dos Concílios, esse é o primeiro documento que trata explicitamente da missão evangelizadora da Igreja.

O fim da Segunda Guerra Mundial, a queda dos regimes totalitários, o fim do colonialismo empreendido pela Europa rumo à Ásia e à África, a conquista do mundo moderno com os ideais de liberdade humana, religiosa e cultural, mostram um contexto complexo que exige da Igreja uma clarificação de sua atividade missionária. Portanto, era natural que antes ainda do Concílio essa temática já era objeto da atenção de pastores e teólogos. O mundo estava mudando muito rapidamente. A Igreja precisava se inserir no contexto do mundo moderno, abraçar uma missão que transcende as particularidades e que se abra ao diálogo e à caridade, o que necessitaria muito humildade.

Para um tempo em que as tendências restauracionistas de volta ao passado ficam fortalecidas como nos dias de hoje, é preciso frisar que o Concílio Vaticano II com esse Decreto sobre a missão da Igreja propõe a necessidade de se conhecer a fundo as culturas e os valores das pessoas, suas tradições religiosas e culturais, para descobrir nelas “a semente da Palavra”. Não há conciliação entre intolerância religiosa e missionariedade.  A missão jamais deveria ser uma imposição de fora para dentro das culturas, mas inserida numa perspectiva contextualizada e dialogante. O Concílio também se opõe a qualquer tipo de proselitismo, coerção ou atração das pessoas usando técnicas indignas.

O dever missionário é de toda a Igreja, ministros ordenados e leigos. Não se trata de fazer missão como muitas vezes costumamos dizer. A Igreja é missionária por natureza. Portanto, ao abdicar desse dever proposto por Jesus Cristo, ela enfraquece em seu ser. Uma Igreja que procede da missão de Deus cumpre o mandato do Senhor. E o Papa Francisco esclarece ainda mais essa missão. A Igreja é enviada aos pobres, nas periferias mais extremas e nos subterrâneos da história.

Edebrande Cavalieri

Com a vacinação avançando, cada vez mais, as pessoas estão, cautelosamente saindo de suas “tocas” como depois de um vendaval. Vamos olhar os efeitos

Com a vacinação avançando, cada vez mais, as pessoas estão, cautelosamente saindo de suas “tocas” como depois de um vendaval. Vamos olhar os efeitos da pandemia para as famílias neste e nos próximos artigos. Comecemos pelas crianças que estão sendo chamadas de Filhos da Pandemia (crianças com até 3 anos):

O isolamento social que vivemos trouxe, como consequência,  um desenvolvimento destas crianças com muito menos estímulos cognitivos e sociais. Piaget há muito nos mostrou que precisamos de estímulos/desafios que desacomodem nossas certezas para nos desenvolver cognitivamente.  Os efeitos do “confinamento” nas crianças são evidentes, mas aqui já se diferencia muito entre as crianças. Em termos sociais são privilegiadas as que têm irmãos e/ou puderam se isolar com famílias nucleares maiores. Mas para muitas a perda dos cuidadores secundários (avós, tias/tios, primos, babás), que afetivamente poderiam lhes dar uma amplitude de experiências diferentes, foi um grande limitador ao desenvolvimento destas crianças durante a pandemia. Não puderam ir para  creches ou escolas, não puderam ir a parques ou praias e, com outras crianças, ter a experiência de brincar, disputar, cooperar e aprender que há outras regras a seguir, diferentes das de sua casa. Essas foram e ainda estão sendo perdas essenciais para o desenvolvimento emocional, cognitivo e social saudável. Depois de tanto tempo com pouca interação social, o atraso na linguagem foi e é outra consequência hoje muito comum.   Pouco desafiadas linguística, cognitiva e socialmente, algumas dessas crianças foram adquirindo uma postura dia a dia mais distante, passiva, mais dependente e isolada, com um repertório restrito de interesses.  Outras ainda, podem ter começado a desenvolver  padrões de comportamentos repetitivos e estereotipados, podendo apresentar problemas neurológicos mais críticos.

O Transtornos do Espectro Autista (TEA)  é um destes problemas  e, o diagnóstico desse distúrbio do neurodesenvolvimento,  está crescendo assustadoramente. No mundo todo. Por quê? A Ciência ainda não tem respostas conclusivas. Mas, os sintomas destes achados acima descritos, são comuns também às crianças com TEA. Com essa idade tão precoce são apenas os casos mais graves que conseguem ter um diagnóstico definitivo, mas todos os especialistas são unanimes em reconhecer que não se pode esperar um diagnóstico definitivo para iniciar uma intervenção. Não se pode esperar  para ver se seu filho ou filha está desenvolvendo TEA, se você o identificou na descrição acima. Mais do que saber diagnóstico você precisa agir. Buscar atendimento dos profissionais para atuar em cima do atraso que a criança está demonstrando ter: Psicólogo, Fonoaudiólogo, Terapeuta Ocupacional(TO) e Pediatra. Qualquer profissional destas áreas da saúde vai poder lhe ajudar e indicar o caminho necessário para o enfrentamento das dificuldades. Quanto mais cedo você buscar ajuda, melhor é o prognóstico. Não espere!

Vania Reis

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Há poucos dias numa conversa livre com meu amigo que tanto admiro, Padre Dauri Batisti, ele me dizia que Michel Foucault acenava para a

Há poucos dias numa conversa livre com meu amigo que tanto admiro, Padre Dauri Batisti, ele me dizia que Michel Foucault acenava para a possibilidade de investimento na vida como a nossa obra de arte. Esse pensador assim dizia: “O que me surpreende, em nossa sociedade, é que a arte se relacione apenas com objetos e não com indivíduos ou com a vida; e que também seja um domínio especializado, um domínio de peritos, que são os artistas. Mas a vida de todo indivíduo não poderia ser uma obra de arte?” Essa conversa me levou a pensar de maneira mais intensa e não consegui evitar de colocar em forma de artigo para dividir com as pessoas um pouco das reflexões.

E essa conversa nasceu do meu comentário às fotos que o Padre Dauri anda fazendo e postando nas redes sociais. Eu lhe perguntava como conseguia cenários tão lindos! Parece que ele hoje escreve em cores, em cenários, em imagens, e disponibiliza ao mundo das redes. Imaginava eu que ele estaria fazendo algum curso de fotografia. Apenas disse que usava os recursos que uma câmera de celular disponibiliza e absorve o que a natureza lhe oferece.

Minhas reflexões foram acontecendo em borbotões. Imaginando que minha vida estivesse sendo construída como uma casa, como seria sua arquitetura? Ela poderia ser uma casa com muita luz, muita ventilação, muita leveza, firme com bons alicerces, e as pessoas ao passarem por ela desejassem ver, visitar, entrar. Como é bom saber que há pessoas que desejam entrar em nossas vidas! Mas sabemos que podemos nos tornar verdadeiros caixotes, feios, ameaçadores, que afugentam os visitantes. Que triste! E muitas pessoas assim vão adoecendo, caindo em depressão, enchendo-se de drogas, etc.

Também a vida poderia ser um quadro. É bom não pretender ser um Picasso, um Monet ou algo parecido. Um pouco de humildade faz bem! Querer ser o máximo ao se desejar ser uma pintura pode tornar-se uma decepção. Podemos borrocar todo o quadro, parecendo mais um espantalho que uma obra de arte. Em suma, cada um pode continuar esse caminho reflexivo tentando um plano para transformar a sua vida numa obra de arte, seja lá qual for. O mais importante é que seja algo apreciado e admirado pelas pessoas.

Ainda pensei mais uma coisa. Ninguém constrói uma obra de arte para esconder, guardar numa gaveta de um armário empoeirado e sujo. As obras de artes são expostas em museus, em salas especiais, em praças, embelezando a vida como um todo. Cada obra de arte assim exposta desperta o pensamento dos admiradores que buscam olhar, interpretar, ver o que significa cada traço. Sendo assim a arte não é algo a se descartar. Ela precisa ser preservada, às vezes, recuperada.

A vida como arte expande nossa visão de mundo. Expande a criação de Deus. O livro do Gêneses poderia completar aquela frase dita pelo criador dessa forma: “E viu Deus que tudo era bom”, e belo, completaríamos nós. Por que toda a criação é boa e bela. Tantas vezes os homens se referiram a Deus como um arquiteto, um artista.

Porém, nenhuma obra de arte se reduz a si mesma. Uma linda casa isolada seria admirada por quem? A arte se constitui num conjunto. Toda exposição de obras compõem um espaço com diversas obras. Não estão competindo entre si. Cada quadro busca ser o que é aos que olham, aos que contemplam. A arte se doa indefinidamente para ser olhada. E penso mais como seria se cada obra que somos também fosse isso! Doação gratuita para admiração! Doação gratuita para a pura beleza.

Sendo nossa vida uma obra de arte com certeza seria bem leve, bem alegre, serena, mesmo que tivesse traços pesados, riscos apressados, tintas escuras. Com certeza não há arte no inferno e com mais certeza ainda os santos tornaram suas vidas uma grande obra de arte. A Igreja quando canoniza uma determinada pessoa não é para que seja adorada, mas admirada como uma obra. Agora entendo um pouco mais da reflexão do padre Dauri: a santificação pela beleza, pela arte. É preciso mudar o mundo para que tudo seja bom e belo. Essa proposta é profundamente cristã.

Edebrande Cavalieri

 

 

 

Há tantas pessoas desamparadas, há tantos reféns, de tantos tipos, da violência, da fome, mas parece que estamos vivendo em um universo paralelo onde

Há tantas pessoas desamparadas, há tantos reféns, de tantos tipos, da violência, da fome, mas parece que estamos vivendo em um universo paralelo onde esta realidade não é  sequer vista pelos que têm poder!

Os que disputam o poder só enxergam estratégias (algumas de embrulhar o estômago), só falam para si mesmos, só  produzem narrativas coerentes com a realidade que querem ver e só olham um para o outro! Estamos em tempos difíceis, onde não estamos conseguindo entender o que nos espera no outro lado do caminho. Já há algum tempo que os poderosos passaram a viver em 2022 ou 2023 e esqueceram dos que estão enfrentando imensas dificuldades em 2021. Aos que disputam o poder, mais interessa jogar fumaça no ar do que de fato se deparar com a realidade do “aqui e agora”, pois poderiam enxergar o fracasso de suas narrativas. O profeta Isaías mostra que Deus já nos alertava sobre as vozes de pessoas “que ao mal chamam bem e ao bem mal” (Is 5,20s). São pessoas “que transformam trevas em luz e a luz em trevas” e  “são sábios, a seus próprios olhos e inteligentes em sua própria opinião!” E continua Deus, falando pelo profeta, “que absolvem o ímpio mediante suborno e negam ao justo a sua justiça! (Is 5,23).

Assistimos diariamente o aumento da violência. Escutamos essa semana o desabafo  de um policial que diz que “não aguenta mais prender as mesmas pessoas”! Onde estão nossos legisladores que não mudam as leias que visceralmente impedem a ação da justiça e a efetividade do combate aos problemas de insegurança. Falam o tempo todo em insegurança jurídica, mas esquecem a insegurança pessoal. Disputam a efetividade real da quarentena que vivemos, ou da responsabilidade pelas mortes quando nada sabíamos deste vírus, mas não se reúnem para pacificar o país para gerar emprego e renda para o povo, que sofre agora as consequências desta tragédia mundial. Onde estão nossos deputados e senadores? Onde estão os ministros que não revisam o veto que deram, entre tantos outros desacertos que eles mesmos entendem que permitiram, para não haver uma explosão de partidos políticos que nem sequer sabem que ideias defendem?  Onde estão nossos legisladores que, de fato, podem trazer mudanças. O foco deixou de ser a demanda do povo para ser um combate – pró ou contra – seu representante maior. Assim, por favor Deputado Estadual e Vereador falem para quem lhe procurar que o problema vai ser resolvido em outubro 2022, após as eleições, e me digam se vocês serão reeleitos. Isso vale também para vocês Deputados Federais e Senadores.

Acho que falo em nome de muitos quando falo que estou cansada de ver a novela/teatro interminável do cenário nacional. Quero ter a  minha vida de volta que foi “roubada”, inevitavelmente no início da pandemia, por um ano, mas já está sendo “roubada”, há vários meses, quase um ano, pelos que o profeta Isaías chamou de “ilustres homens famintos” (fome de poder),que querem ter razão, “quando os seus plebeus estão mortos de sede”. (Is 5, 13b)

O que nos consola: Deus é maior!

Vânia Reis

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Catequese e sua missão: Introduzir a Palavra de Deus, na Iniciação à Vida Cristã (I) “E a Palavra habitou entre nós, e nós vimos

Catequese e sua missão: Introduzir a Palavra de Deus, na Iniciação à Vida Cristã (I)

E a Palavra habitou entre nós, e nós vimos a sua glória.” (Jo 1,14)

A catequese tem a árdua missão de introduzir, com profundidade, a Palavra de Deus na Iniciação à Vida Cristã. No caminho catequético, é necessário que exista um progressivo envolvimento com a Sagrada Escritura, a Palavra de Deus. “A missão de iniciar na fé coube, na Igreja antiga, à liturgia e à catequese” (CNBB, Doc.107, n. 70). A educação na fé é catequese, uma missão que compete à Igreja, acolher a Palavra que veio habitar entre nós e transmiti-la com competência.

Na Carta Apostólica, em forma de nota, próprio o Papa Francisco diz: “Toda a história da evangelização destes dois milênios manifesta, com grande evidência, como foi eficaz a missão dos catequistas” (Antiquum Ministerium, n.3). Importante observar com a Carta Apostólica apresenta a missão na catequese: “Missão evangelizadora” (n.2), “missão dos catequistas”, “missão insubstituível” (n.3), “missão própria do Bispo”, “missão no mundo”, também “missão na comunidade” (n. 5), “missão dos leigos” (n, 7) e a Carta Apostólica conclui: “missão salvadora da Igreja para o mundo” (n.11). A Igreja reconhece os incansáveis catequistas que anunciam o Evangelho de Cristo, com competência, inteligência e dedicação  em evangelizar.

Jesus, revelado na humanidade, oferece vida e Salvação. Ele não impõe, não força ninguém; somente convida seus ouvintes a aceitar o dom da graça. Ele pede sinal de conversão: “Convertei-vos e crede no Evangelho” e isto apresenta uma experiência de fé adulta. Porque no centro desse percurso missionário da Igreja, encontra-se “Jesus de Nazaré”, Filho único do Pai. “O que vimos e ouvimos, o que as nossas mãos tocaram da Palavra de vida (…) isto nós vos anunciamos” (1Jo 1,1). Este anúncio precisa ser valorizado na leitura orante da Palavra de Deus, como método para o conhecimento pessoal e comunitário da Sagrada Escritura.

A missão da catequese é conduzir as pessoas na adesão a Jesus Cristo, introduzindo-as nos sacramentos da iniciação cristã, Batismo, Confirmação e Eucaristia. “A Iniciação à Vida Cristã é lugar privilegiado de animação bíblica da vida e da pastoral. Os processos de iniciação se fundamentam na Sagrada Escritura e na liturgia, educam para a escuta da Palavra e para a oração pessoal, mediante a leitura orante, evidenciando uma estreita relação entre Bíblia, catequese e liturgia” (CNBB, Doc. 107, n. 66). Depois, fortalecem esses que foram iniciados a permanecerem na centralidade do querigma, no amadurecimento e maturidade, na experiência mistagógica para favorecer no seguimento com Cristo. “Asseguro-vos que quem ouve a minha Palavra e crê em quem me enviou, tem vida eterna” (Jo 5,24).

A catequese tem a sublime missão de caminhar decididamente, anunciando a Palavra de Deus, no serviço e no testemunho da fé, vencendo as forças de incredulidade. “A liturgia também leva os féis a serem unânimes na piedade, depois de participarem dos sacramentos pascais, para que na vida conservem o que receberam na fé” (SC, n. 10). Por isso, a liturgia é cume e fonte da vida da Igreja, com missão de dia após dia transformar a vida dos catequizandos em morada espiritual de Deus, mergulhados no Mistério de Cristo presente nas celebrações litúrgicas. Como filhos de Deus, ainda dispersos sobre a face da terra, peregrinando ao encontro, até que se tornem um só rebanho, sob a proteção do único Pastor.

Olhando para a catequese em nossos tempos, cabe-nos perguntar: Para quais fronteiras o catequista (a) precisa ser enviado (a)? Para aquilo que é específico da catequese, anunciar Cristo e seu Reino, sendo discípulos e discípulas, missionários e missionárias da alegria e da esperança, num mundo marcado pelas descrenças, do individualismo, do imediatismo e do descartável. “Evangelizar no Brasil cada vez mais urbano, em comunidades eclesiais missionárias, pelo anúncio da Palavra de Deus” (DGAE 2019-2023, p.9). A centralidade da Palavra reconduz nossas comunidades eclesiais às suas fontes autênticas de missão. A catequese se renova à medida que a Sagrada Escritura for presença inspiradora e tenha influência em todo processo catequético.

O Papa Francisco alerta que, no contexto atual, há urgente necessidade de missionários e missionárias da esperança, da alegria, da ternura e da compaixão: “A atividade missionária, ainda hoje, representa o máximo desafio para a Igreja, e a causa missionária deve ser […] a primeira de todas as causas. Que sucederia se tomássemos, realmente a sério, estas palavras? Simplesmente reconheceríamos que a ação missionária é o paradigma de toda a obra da Igreja” (EG, n.15). Logo, precisamos de uma catequese, acolhedora, querigmática, mistagógica e missionária, ensinando aos catequizando o caminho que leva à fonte que é Cristo.

Pe. Roberto Francisco Sebastião Natal

Independência do Brasil, certamente muitas bençãos a agradecer e a louvar a Deus. Temos muito a pedir também, especialmente nesse momento crítico do país.

Independência do Brasil, certamente muitas bençãos a agradecer e a louvar a Deus. Temos muito a pedir também, especialmente nesse momento crítico do país. A liberdade que comemoramos, não é apenas algo que recebemos de nossa história, mas sim algo que queremos preservar e passar para as novas gerações. Assim, hoje oramos a Deus pelo perdão e pela libertação por tudo que nos escraviza e nos mantém cativos.

PERDÃO SENHOR pela falta de diálogo;

PERDÃO SENHOR pela intolerância;

PERDÃO SENHOR pelos desvarios  das palavras;

PERDÃO SENHOR pelos motivos certos da forma errada;

PERDÃO SENHOR pela falta de coragem em defender a minha fé;

PERDÃO SENHOR pela relativização dos valores morais;

PERDÃO SENHOR pelos atos que destroem a nossa humanidade;

PERDÃO SENHOR pela convivência passiva com os abusos e a violência de todos os tipos;

PERDÃO SENHOR pela falta de coragem de me identificar como católica, de pregar a Sua palavra.

PERDÃO SENHOR por aceitar a escravidão que  exige sermos laicos e distante de Ti, nos obrigando a nos esconder, a sermos cativos!

LIBERTE SENHOR, nosso mundo, da escravidão ideológica que querem nos impingir. Que SUAS PALAVRAS sejam a nossa luz, a nossa independência.

Pedimos SENHOR  que quebre as correntes que nos aprisionam. Aí então poderemos, verdadeiramente,  comemorar a  nossa  INDEPENDÊNCIA!!!

Vania Reis

Estamos iniciando o mês de setembro com uma campanha na cor amarela que teve início em 2015 visando um dos maiores desafios da sociedade

Estamos iniciando o mês de setembro com uma campanha na cor amarela que teve início em 2015 visando um dos maiores desafios da sociedade que é cuidar das pessoas para que não cheguem ao ponto final da vida antes da hora. Nossa cultura sempre olhou de maneira pejorativa para esse fato, remetendo quase sempre para a esfera da perdição e da falta de fé. Na verdade, perdem-se pessoas próximas, entes queridos, em pleno vigor da vida.

Segundo dados do Ministério da Saúde, a maior prevalência de casos notificados está na faixa etária entre 20 e 49 anos de idade. No geral, atinge todas as idades da vida. Entre os fatores que mais incidem no risco e favorecem a interrupção da vida são o uso abusivo de álcool e drogas em geral, presença de sofrimento psíquico especialmente a depressão, vulnerabilidade financeira e social. Há fatores situacionais como a pandemia que podem potencializar ações suicidas.

Deve-se também registrar que a Lei 13.819 de abril de 2019 instituiu a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio a ser implementada pela União, Estados e Municípios. Trata-se de uma política pública contendo nove objetivos, com destaque para a promoção da saúde mental e acesso à atenção psicossocial das pessoas em sofrimento psíquico agudo ou crônico.

Merece atenção também o último objetivo que prescreve a necessidade de promover a educação permanente de gestores e de profissionais de saúde em todos os níveis de atenção quanto ao sofrimento psíquico. No campo religioso também é fundamental preparar grupos de pessoas especializadas para o acolhimento das famílias e de quem sofre profundamente, sem julgamentos, sem rótulos, sem juízos do tipo “falta fé”. Cada espaço poderia enfrentar essa preparação sem preconceito, com coragem, de maneira respeitosa.

A Fiocruz lançou uma Cartilha sobre Saúde Mental e Atenção Psicossocial na Pandemia Covid-19, com muitas informações, orientações e sugestões práticas para o enfrentamento. Sabe-se que 51% das mortes por suicídio aconteceram em casa, e nem a metade chegou aos serviços de saúde. Essa cartilha está disponível na internet.

Uma das melhores formas de enfrentamento é a criação de grupos de apoio. Temos muitas dificuldades para tratar dessa questão, muitos preconceitos alimentados na história especialmente formas equivocadas de agir que deveriam ser evitadas. Os especialistas apontam seis práticas que poderiam estar presentes em todos os espaços, escolas, Igrejas, associações, etc. Esses lugares poderiam assumir o papel de conscientização em vista de diminuir o estigma e prevenir o suicídio.

As campanhas como essa precisam ser mostradas e ganharem efetividade nas comunidades. A campanha setembro amarelo deveria ser refletida o ano inteiro, pois as situações acontecem a todo momento. E sua comunidade, paróquia, está fazendo alguma ação nessa direção? Ou iremos continuar alimentando aquelas expressões de brincadeira diante de alguém que está sendo convencido a desistir do ato de suicídio como tem acontecido em alguns lugares na grande Vitória com trânsito parado.

Temos que reconhecer nossa incapacidade de compreender um fato tão complexo e multifatorial como o suicídio. Daí ser fundamental a capacitação permanente para ensinar as pessoas e os profissionais como lidar e tratar do suicídio. Será que nossos líderes religiosos, padres, pastores, ministros, etc., recebem preparação para cuidar pastoralmente dessa realidade? É preciso competência para saber como usar esses conhecimentos adquiridos.

Por fim, é preciso superar o medo de falar sobre o suicídio, apresentado quase sempre como crime ou pecado. É comum as pessoas dizerem que alguém “cometeu suicídio”. Implicitamente essas pessoas estão mostrando o suicídio como pecado ou crime. Deveríamos sempre nos referir a alguém que morreu por suicídio e não como alguém que cometeu suicídio. Precisamos de muita conversa para incentivar o diálogo e a possibilidade de se falar abertamente. Não é nos silenciando ou fazendo piada que iremos combater essa prática.

Ainda uma última sugestão concreta. É preciso criar conexão entre as pessoas, especialmente nos núcleos familiares, nas instituições e comunidades. E para início de conversa, como seria bom se os grupos formados iniciassem uma conversa sobre esse assunto trazendo um psicólogo e um médico, especialmente psiquiatra!

É preciso passar do crime, do pecado, para o cuidado. Sabemos que o suicídio é complexo e se apresenta com diversos fatores que motivam. Mas isso não nos exime da responsabilidade de enfrentamento. Quando alguém interrompe sua vida temos a tendência de nos excluir por completo de qualquer responsabilidade nesse ato. Há, na verdade, um contexto que alimentou.

O suicídio nunca será um ato de coragem como se ouve muitas vezes nas rodas de conversas. E nem é a última saída. É a ausência completa de saída, de respostas aos desafios que enfrenta. Não se trata de ter muito ou pouco problema como geralmente avaliamos. Não temos a real dimensão do problema que o outro enfrenta. Para nós pode ser algo pequeno, mas para ele deve ser algo intransponível. A perda da vida por parte de alguém é sempre uma derrota para todos nós. Fomos incapazes de ajudar, de cuidar, de amar.

Edebrande Cavalieri