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Se somos cônscios da catequese sacramental, ou seja, da relevância dos Sacramentos na vida do fiel, uma vez que eles são necessários para a

Se somos cônscios da catequese sacramental, ou seja, da relevância dos Sacramentos na vida do fiel, uma vez que eles são necessários para a Salvação, pois conferem as graças sacramentais como o perdão dos pecados, a adoção filial a Deus, a conformação a Cristo Senhor e a pertença à Igreja, urge que nossa ação eclesial os administre bem, sem criar rigorosos empecilhos para que os fiéis tenham acesso a essa dádiva.

No Evangelho de Mateus, Jesus adverte sobre a tentação de se atar fardos pesados sobre as costas do povo (cf. Mt 23,3ss). Um desafio pastoral, enfrentado em algumas comunidades, são as rigorosas normas para se receber os sacramentos bem como as taxas exigidas nessa ocasião. Impreterível memorar que a legislação canônica doutrinou sobre. Há um princípio canônico peremptório a ser observado: a administração dos sacramentos é um direito dos fiéis e um dever dos pastores. O cânone 213 afirma que os fiéis têm o direito de solicitar e receber dos pastores os bem espirituais. Entres esses, os sacramentos, caso não estejam sob nenhum impedimento estabelecidos pelo direito. Urge acentuar que todos os fiéis que estão em comunhão com a Igreja, professam a sua fé, estão abertos à graça e disponíveis à missão que os sacramentos dão, podem recebê-los. Desse modo, aquilo que se configura como direito do fiel, eclode como dever dos Ministros Sagrados (cf. 843 § 1). Vale lembrar que, somente a Santa Sé e o Bispo Diocesano podem determinar normas sacramentais. Destarte, há restrição canônica aos outros ministros para proclamar normas disciplinares sobre a recepção dos Sacramentos (cf. Cân. 838).

Quanto às taxas/ofertas solicitadas por ocasião dos Sacramentos, ao longo de sua história, a Igreja lidou com esse desafio, devido aos exageros. Houve desmando por parte de alguns ministros, a ponto de se exorbitarem no número de missas, a serem celebradas num mesmo dia, com o fito de receber mais espórtulas (simonia). Consequentemente, ao Magistério da Igreja se obrigou a ditar uma regulamentação rigorosa sobre. No atual Código de Direito Canônico encontra-se uma série de cânones regulamentando a matéria (cf. 281, 904,905, 945 a 958, 1274…).

O princípio da gratuidade dos sacramentos está implícito no cânone 848. Esse determina que não se solicite nada mais do que foi determinado pela autoridade competente. As autoridades competentes para determinarem o valor dessas espórtulas é a assembleia provincial dos Bispos e/o Bispo diocesano (cf. Cân. 1264 § 2). Ressalta-se que o espírito do legislador nesse cânone é de se evitar que os pobres venham a ser privados dos sacramentos, devido à sua condição sociológica. Dessarte, essa prerrogativa tem caráter de precaução canônica: evitar qualquer indício de comércio. Vale observar que as ofertas também devem ser destinadas para os fins canônicos próprios da Igreja: organizar o culto divino, cuidar da sustentação dos ministros e das obras de Sagrado Apostolado e de caridade (cf. Can. 222 § 1; 1254 § 2).

A legislação específica sobre as espórtulas solicitadas para a celebração da Missa, promulgada pelo Papa Paulo VI, por meio do Motu Proprio Firma in Traditione, de 13 de julho de 1974 e pela Congregação para o Clero por meio do Decreto Mos iugiter, de 22 de fevereiro de 1991, se aplica também às demais esportulas para os outros sacramentos. O Pontífice ensina que essa norma deve ser compreendida, a partir dos textos bíblicos de Lc 10,7, Tm 5,18 e 1Cor 9,7-14, quando aparece um axioma caritativo de que o trabalhador merece o seu salário. A advertência é de que os sacramentos não podem ser meios de aquisição de bens e nem exclusão dos pobres desses favores espirituais. Outrossim, elas devem atender às necessidades da Igreja, especialmente à subsistência dos sacerdotes. Presume-se que o modus operandi mais eficaz e transparente seja a prática em que essas taxas não sejam mais do ministro, mas da comunidade. Os Ministros receberão uma côngrua mensal, determinada pela autoridade competente.

A Instrução sobre paróquia e Evangelização da Congregação para o Clero, de 27 de junho de 2020, nos números 118 a 121, também dissertou sobre as espórtulas. Defende que as ofertas recebidas por ocasião dos sacramentos, “por sua própria natureza, deve ser um ato livre da parte do ofertante, deixando a sua consciência e ao seu senso de responsabilidade eclesial, não um “preço a pagar” ou uma “taxa a exigir” como se se tratasse de um tipo de “imposto sobre sacramentos”.

Em geral, no Brasil, as Dioceses têm incentivado a organização da Pastoral do Dízimo como meio principal de sustentação da ação eclesial. As taxas e ofertas, por ocasião da administração dos Sacramentos, tendem a propiciar o perigo de aparência de comércio. Ademais, o perigo do sacerdote configurar-se como um funcionário pago pelos fiéis. Dessa forma, aparenta-se sábia a postura da Igreja de, aos poucos, desvincular a celebração dos sacramentos das espórtulas. Crê-se que é improrrogável uma catequese mais acentuada sobre o dever dos fiéis em socorrer as necessidades da Igreja, conforme determina o cânone 222. Se esse fito eclesial vier a se concretizar, os fiéis assumiriam, sem “melúrias”, a devolução do dízimo e a corresponsabilidade eclesial. Mas NADA deve justificar a exclusão dos pobres na participação sacramental por razões de espórtulas. Ao contrário, um dos fins para os Bens Eclesiástico é a caridade para com os necessitados.

Que Nossa Senhora da Penha, conhecedora das necessidades da Igreja, nos ajude na mais explícita e eficaz práxis sacramental e caritativa.

Padre José Paulino

Esta reflexão será publicada em duas partes. Preliminarmente, abordaremos o pecado e a graça sacramental. Posteriormente, espórtulas e administração sacramental. Dessa forma, vale recordar

Esta reflexão será publicada em duas partes. Preliminarmente, abordaremos o pecado e a graça sacramental. Posteriormente, espórtulas e administração sacramental. Dessa forma, vale recordar o conceito de Sacramento. O cânone 840 assim doutrina: “Os sacramentos do Novo Testamento, instituídos pelo Cristo Senhor e confiados à Igreja, como ações de Cristo e da Igreja, constituem sinais e meios pelos quais se exprime e se robustece a fé, se presta culto a Deus e se realiza a santificação dos homens; por isso, muito concorrem para criar, fortalecer e manifestar a comunhão eclesial; em vista disso, os ministros sagrados e os outros fiéis, em sua celebração, devem usar de suma veneração e devida diligência”.

A catequese da Igreja Católica Apostólica Romana nos instruiu que o pecado causa a inimizade entre nós e Deus. O pecado fracassa o projeto de homem e mulher desejado por Deus. O pecado é a refutação e desobediência à proposta divina. O catecismo da Igreja doutrina que o pecado é uma falta contra a razão, a consciência reta; é uma falta ao amor verdadeiro, para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego perverso a certos bens (cf. §1849). Para os Santos Agostinhos e Tomás, o pecado é uma “desordem”, ou seja, uma palavra, um ato ou um desejo contra a Lei eterna. Agostinho também o define como fruto do “amor a si mesmo e desprezo de Deus” (cf. civita Dei 14,21).

O Apóstolo Paulo ensinou que o pecado nos traz a morte (Rm 6,23). O pecado é a causa da morte física, espiritual e eterna. Nessa mesma perspectiva, importa memorar a doutrina do Pecado original. Segundo Santo Agostino, o pecado original atinge a todas as criaturas. Destarte, Paulo Também ensinou: “Como por meio de um só homem o pecado entrou no mundo e, pelo pecado, a morte, assim a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5,12).

O Concílio de Trento doutrinou que o remédio para o pecado Original, aquele que atingiu toda a criação, é os méritos de Cristo, nosso único mediador. O batismo regenera totalmente a natureza humana pela graça de Cristo. A concupiscência, após o batismo, é apenas uma fraqueza, ou inclinação ao pecado, mas que pode ser evitada por aquele que recebeu o banho de regeneração.

O Concílio Vaticano II pontificou que os Sacramentos se destinam à santificação dos seres humanos, à edificação do Corpo de Cristo e, finalmente, ao culto que se deve a Deus (cf. SC, 59).  O Catecismo da Igreja Católica, nos números 402, 403, 978, segue a mesma doutrina. Posto isto, realça-se que os sacramentos têm o poder de reestabelecer a comunhão rompida pelo pecado, robustecer a fé e santificar o fiel. Através da ação sacramental da Igreja, Deus age nas pessoas que o recebe regenerando-as.

Quem recebe os Sacramentos entra em estado de Graça. Nota-se que da instrução da Igreja sobre a Graça, emergiram alguns conceitos teológicos substanciais. Entres esses, as graças sacramentais, entendidas como os dons que o cristão recebe por meio dos Sete Sacramentos da Igreja. Esses dons auxiliam e colaboram na salvação dos homens e no crescimento da Igreja, compreendida como o Corpo Místico de Cristo (cf. Cl 1,24).

A palavra graça no latim é gratia, provinda de gratus, cujo significado em português é grato ou agradecido. Segundo (EICHER, 1993), “graça é o voltar-se – imerecido, inesperado e incompreensível – do amor de Deus ao homem, conduzindo-o à salvação na comunhão de vida com Deus, desvelando e vencendo libertadoramente a oposição a Deus enquanto prisão do homem em si próprio”. Já o Catecismo da Igreja, a define como dom universal e “socorro gratuito que Deus nos dá” para sermos “capazes de agir por amor d’Ele”, para satisfazermos as nossas justas necessidades espirituais ou materiais e para tornar-nos filhos de Deus e participantes da natureza divina, da vida eterna (cf. CIC, 1996-1997).

A doutrina da Igreja fala da Graça Santificante que o fiel ganha no santo Batismo. Ela permite a justificação do fiel, isto é, participar da natureza divina. A graça santificante se perde quando se está em pecado mortal. Já a graça atual, é ação do Espírito que possibilita o fiel prosseguir no caminho de santificação. Essa pode ser eficiente – quando acolhida pelo fiel ou suficiente -quando recusada. Finalmente, as graças especiais ou carismas são dons concedidos pelo Espírito Santo com o fito de promover o bem comum da Igreja.

A doutrina sobre essa relação entre pecado e graça é conteúdo essencial na catequese católica. A Igreja instrui que uma pessoa em estado de graça encontra-se em amizade e no amor de Deus. Caso essa morra, irá para o céu, visto que não está manchado pelo pecado mortal (Santos). Todavia, pode estar em pecado venial ou sob penas temporais, carece assim, das indulgências. As pessoas que fazem a sua Páscoa em pedado venial vão ao purgatório para a purificação, visto que não se pode contemplar a face de Deus em pecado.

Padre José Paulino 

Uma das coisas mais encantadoras que começa a aparecer ainda em meados do inverno é o florescimento da variedade de ipês pelas matas do

Uma das coisas mais encantadoras que começa a aparecer ainda em meados do inverno é o florescimento da variedade de ipês pelas matas do país. São nas cores roxa, amarela, branca, rosa, que enfeitam nossos caminhos e satisfaz nosso olhar, deixando nossa vida mais prazeirosa. Como é bom percorrer uma rodovia com florestas em seu trajeto! Até arriscamos cometer infrações e sofrer acidentes em vista de tanta beleza a ser contemplada.

O cenário vai se completando de forma maravilhosa, pois com menos calor os pássaros também começam a organizar seus ninhos. É o início da reprodução de muitas árvores e plantas; o tempo em que os animais polinizadores, especialmente abelhas, têm mais atividade para garantir o ciclo reprodutivo. Estamos diante de um tempo de expansão de cores e beleza. Até as buganvílias trazem seu colorido maravilhoso com suas folhas coloridas. Mudam a coloração num cenário lindíssimo para atrais animais polinizadores, pois suas pequenas pétalas são amarelo-esbranquiçadas.

Vontade enorme de falar mais dessa planta com ares europeus afinal seu nome mais conhecido é bougainvillea; seu ar francês está apenas no nome, pois é natural da América do Sul mesmo. Que elas não fiquem com ciúmes, mas hoje preciso falar de outra planta/árvore, os ipês. Há muitas outras flores que se apressam a mostrar sua beleza antes da data inicial da primavera. A todas a minha mais alta estima e admiração!

Por falar em admiração, os gregos especialmente Platão e Aristóteles diziam que a admiração era o princípio fundamental do filosofar, o ponto de partida e se apresenta como um verdadeiro momento de espanto que nos leva à descoberta de nossa própria ignorância e indagação sobre o nosso estar no mundo. Observa-se que o homem moderno ao longo da história foi perdendo essa capacidade e tudo parece ser descrito com caracteres matemáticos como dizia Galileu. Mas como descrever uma flor de ipê com caracteres matemáticos? Como descrever o tempo da primavera? Qual a fórmula da beleza?

Passeando com meu neto por uma cidade do interior de São Paulo, em determinado momento, ele correndo bem à frente de bicicleta, deixa-a no chão e senta debaixo de um ipê florido. Sem ninguém por perto, pois eu não aguentei correr tanto, notei que ele estava em puro êxtase contemplativo e o deixei ali envolvido com tantas flores pelo chão, flores caindo com o vento, flores no pé. Confesso que ali eu vi que não poderia deixar de falar desta árvore tão imponente e única quando antecipa a vinda da primavera.

Até na arte esse tempo foi exaltado. Uma das obras mais lindas de Antônio Vivaldi chama-se “As quatros Estações”, concerto para violino e orquestra, com destaque para o movimento da primavera que abre o conjunto de maneira alegre (num Allegro em Mi maior).

O que acontece com a natureza para que em seu meio mais forte esses tipos despontam de forma tão linda pelas matas e ruas quando são plantados?

Com o inverno temos a queda da umidade relativa do ar com o chamado tempo das secas. Período muito marcado pela prática das queimadas enfumaçando tudo e chegando em nossas cidades. Aeroportos ficam fechados devido à fumaça cinzenta que brota no horizonte infinito das terras e matas. Cada ponto cinzento é uma queimada, intencional ou não, que demarca uma paisagem triste, contrastando com a alegria orgíaca das floradas dos ipês.

Esses heróis lutam desesperadamente para sobreviver principalmente em seu habitat, o cerrado. Esse espaço parece ser o mais cobiçado pela ambição humana, assassina do ambiente, hipócrita em sua fé. O cerrado morre um pouco todo ano, mas resiste. Tenho a impressão que o homem do cerrado herdou dos ipês uma resistência incomum e também mostra suas flores em seus casebres feitos de estuque. De junho a setembro temos assim um tempo de luta contra a morte e de mensagem ao tempo com beleza e encanto.

As matas transformam-se em verdadeiros murais. Até nossas ruas acabam entrando nessa brincadeira de florir quando alguns humanos mais humanos plantam árvores de ipês em suas avenidas. As pessoas, como meu neto, nesse momento, olham os murais que aparecem de todo lado. E ali se põem a contemplar, fotografar, embebedar-se com sua beleza e cores.

O tempo para esse deleite não ultrapassa uma semana. Como eu gostaria de ver essa beleza por mais tempo, mas tudo é determinado pela concentração de água na atmosfera. Dizem que a florada do ipê roxo vem por último, pois anuncia a chegada das chuvas. Então essas plantas que se tornaram árvores, que resistiram às queimadas provocadas pelos humanos menos humanos, expõe seu lindo mural, como mensagem linda, mas profética. Profética?

Os caçadores de heresias poderão ficar preocupados com a indicação de uma simples árvore como um ser profético. É compreensível. Entender a criação de Deus não é algo fácil. Muitos disseram que Francisco de Assis estava enlouquecendo quando chamava as criaturas de irmãos e irmãs. Para mim, os ipês são plantas proféticas. Sua profecia se mostra nesse mural, todo ano, por um curto período, mas mais que suficiente. Quem não consegue ouvir em uma semana não irá ouvir nunca.

A beleza dos ipês não pode ser destruída, pois ainda representa uma voz profética que clama nas matas. Por uma semana! Depois eles se calam para que os humanos reflitam e tomem alguma atitude. Parece até que ao final da florada eles batem os sapatos para tirar a poeira da insensatez e retornam a viver como todas as demais árvores driblando fogos e balões. No ano seguinte, mais triste pois tantas plantinhas, futuros profetas do ambiente, foram queimadas e não mais puderam escrever nesse mural a sua beleza, o seu encanto, dá mais uma tentativa com grito. A fumaça cinzenta é o luto por tantas mortes, dos massacres ambientais. As lágrimas desses seres não abastecem as represas. Evaporam-se nas nuvens de fumaça. A água vai secando. As profecias do ano anterior não foram ouvidas, apenas consumidas para seu orgasmo egoísta irracional.

Estamos iniciando o mês de setembro e somente no dia 22 teremos o início da primavera, mas ela já foi anunciada pelas floradas dos ipês. O mural já foi apresentado com denúncias, com anúncios, com alegria e beleza. A primavera no mundo religioso cristão representa a esperança, uma das três virtudes teologais como nos diz Paulo na Carta aos Coríntios. Trata-se de um tempo de renovação daquilo que parecia ter perdido a vida. Os ipês florados antes ainda do início cronológico, mais que o início da primavera, expressam a força da esperança.

Edebrande Cavalieri

Assim como o Filho foi enviado pelo Pai, Ele também enviou os Apóstolos com a missão de ensinar a todos os povos e batizá-los,

Assim como o Filho foi enviado pelo Pai, Ele também enviou os Apóstolos com a missão de ensinar a todos os povos e batizá-los, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. O Espírito Santo, enviado pelo Ressuscitado, no dia de Pentecostes, habitou na Igreja e nos corações dos fiéis para os impeli-los em missão. Assim sendo, a Igreja recebeu de Cristo o mandato de anunciar a verdade da salvação e de levá-la até os confins da terra (At 1,8). Segundo o Concílio Vaticano II, os sucessores dos Apóstolos (Bispos), recebem do Senhor a missão de ensinar todos os povos e de pregar o Evangelho à toda criatura, para que os homens se salvem pela fé, pelo batismo e pelo cumprimento dos mandamentos (cf. LG, 24). Por isso, além dos Cooperadores da ordem Episcopal, os presbíteros (PO,02), também os leigos são chamados por Deus a uma missão específica na Igreja, consequente do seu Batismo e Crisma (cf. LG, 33). Dessa forma, a todo batizado incube a missão de difundir a fé, segundo a sua própria condição.

Entre os diversos serviços exercidos pelos leigos na edificação da Igreja de Cristo e em obediência ao Espírito, nota-se o Ministério de catequista. Considerando que, ao longo desses dois milênios, este ministério tornou-se insubstituível na transmissão e no aprofundamento da fé, o Papa Francisco quis reconhecê-lo como um carisma oficial da Igreja. Portanto, no dia 10 de maio de 2021, o Pontífice publicou a carta apostólica ANTIQUUM MINISTERIUM – Antigo Ministério – instituindo o Ministério laical de Catequista. Essa iniciativa papal se justifica ao considerar a responsabilidade dos pastores em enriquecer a comunidade cristã com o reconhecimento de ministérios laicais capazes de contribuir na transmissão dos ensinamentos dos Apóstolos. Segundo o Pontífice, devido à cultura globalizada (Fratelli Tutti, 110) e a renovação da consciência da Evangelização, no mundo contemporâneo, a presença dos catequistas é urgente e insubstituível (EV. G, 163-168).

O Papa apresenta as condições para a missão de catequistas, a saber: fidelidade ao passado, responsabilidade pelo presente e escuta à voz do Espírito (Can. 774). O documento enfatiza que a iniciativa do chamado é de Deus. É o Espírito Santo quem convoca para essa missão.

Conforme a carta, o que se espera do catequista? Espera que seja testemunha da fé, mestre e mistagogo, acompanhador e pedagogo que instrui em nome da Igreja. Para que se corresponda a essa expectativa requer-se sempre do catequista três atitudes: A oração, o estudo e a participação direta na vida da comunidade.

Francisco estabelece os critérios para que o fiel seja instituído neste ministério: haja, por parte dos pastores, o discernimento de que a pessoa tenha sido chamada para essa vocação, sejam homens e mulheres de fé profunda e maturidade humana, tenham uma participação ativa na vida da comunidade cristã, sejam capazes de acolhimento, generosidade e vida de comunhão fraterna, recebam a devida formação bíblica, teológica, pastoral, e pedagógica, para serem solícitos comunicadores da verdadeira fé, tenham madura experiencia prévia de catequese (CD, 11; Cân. 231 §1).

O papa exorta para que a Igreja valorize o Ministério de Catequista, mas também que supere qualquer tentativa de clericalizá-lo.

Almeja-se, com essa iniciativa, maior valorização e consciência da identidade e missão dos leigos na Igreja. Apetece-se que aumente o número de leigos com profundo sentido eclesial e fidelidade ao compromisso com a caridade, catequese e celebração da fé (cf. EG, 102), a fim de que se faça ecoar a Palavra de Deus a todos que anseiam ouvi-la.

Padre José Paulino

 

Em poucos dias  comemoraremos a Independência do Brasil. A imagem arquetípica que temos é de heroísmo, de grandiosidade, libertação… Mas lá, como cá, as

Em poucos dias  comemoraremos a Independência do Brasil. A imagem arquetípica que temos é de heroísmo, de grandiosidade, libertação… Mas lá, como cá, as coisas não são bem o que parecem ser. O historiador Marcos Costa, como tantos outros historiadores antes, lembra em entrevista ao UOL que a imagem deste dia que temos no nosso imaginário é, de fato,  fake!

Dom Pedro I, naquele dia, montava uma mula e não um cavalo, deu o grito de Independência  após receber  a carta de seu pai em uma colina perto de um pequeno riacho e não às margens do rio Ipiranga. Eram poucas as pessoas que voltavam com ele de uma viagem e não estavam em trajes de gala. (A Guarda Imperial  só foi criada no Império). Para finalizar e distanciar ainda mais da nossa  imagem mental, ele estava com dor de barriga, diarreia mesmo, pois havia comido algo que lhe teria feito mal.  Nada heroico, mas fato.  Muitos anos depois Dom Pedro I  encomendou ao renomado pintor Pedro Américo o quadro “Independência ou Morte ”, quadro este ajudou a imprimir, no nosso imaginário, o nacionalismo que  hoje vivemos. Dom Pedro I já sabia a importância da imagem  que, lá como cá, tem suplantado os fatos. ( Só para rir um pouco, imagine uma CPI das fake news nesta época! )

Imagino que é uma imagem forte que o Presidente anseia das manifestações do dia 7/9,  assim como a oposição espera para o dia 12 /09.  Hoje vivemos um tempo de imagem e versões, como falamos na semana passada . É importante que esta seja uma imagem fidedigna, assim, não deixem que arruaceiros e “Black blocs” se infiltrarem apenas com intenções anarquistas. Que sejam autênticas e democráticas as reivindicações que acontecerem. Que sejam ouvidas e deem temperança a todos.

A liberdade de expressão é pedra fundamental da democracia. Manifestar-se  é um dever de todos os cidadãos, mas de  nós, cristãos, um dever de fazê-lo como cristãos: com respeito e com alegria,  pois amar ao próximo não é opção para nós. Posso não amar suas ideias, seus ideais ou objetivos, mas tenho que respeitá-lo e posso mostrar a minha opinião sem agredir ninguém. Se penso que tal ministro não está respeitando a constituição, devo me manifestar democraticamente, sem ofender a pessoa dele ou desrespeitar a constituição de outra forma.

Dia 7 de setembro  vai ser um grande exercício para nossa maturidade espiritual, inclusive. Não podemos permitir violência,  desrespeito  aos  nossos valores. Temos que saber  que somos mais que uma imagem de povo pacífico reivindicando mudanças, somos acima de tudo um povo de Deus que precisa ser coerente com os valores ensinados por Jesus.

Vania Reis

 

Depois de vinte anos de ocupação do Afeganistão, os Estados Unidos foram deixando esse país e imediatamente um movimento fundamentalista extremista em menos de

Depois de vinte anos de ocupação do Afeganistão, os Estados Unidos foram deixando esse país e imediatamente um movimento fundamentalista extremista em menos de um mês retomou o controle político da nação e impôs a lei da Sharia. Que norma é essa que está provocando uma fuga descontrolada de homens, mulheres e crianças que chegam a pular sobre os aviões caçando espaço para fugir do próprio país? Muitos nem voltaram para casa nesse dia. Parece que a lembrança do período entre 1996 e 2001 quando esse grupo governou com punhos de ferro o país não é das melhores.

A Sharia representa o sistema jurídico do Islã, extraído do Alcorão e de palavras de Maomé que viveu no século VII e alguns de seus sucessores. Portanto, essas leis nasceram de um contexto histórico e cultural de mais de mil anos atrás. Trata-se de um sistema ou da forma de sua aplicação concreta, que não acompanhou a evolução da humanidade, mas ficou petrificado no tempo. Não se espera que haja alguma possibilidade de o Talibã flexibilizar esse sistema jurídico adequando-o aos tempos atuais. Outros grupos fundamentalistas seguem esse mesmo caminho nos dias atuais em vários lugares.

Na verdade, existe ao redor do mundo vários países árabes que seguem com maior ou menor rigor a lei da Sharia, e também há diversos grupos na Europa, principalmente, vivendo em comunidades afastadas, que vão criando escolas e formando as novas gerações de acordo com essa lei. Meninos e meninas são educados de maneira separada, e desde novos aprendem a negar os valores da República e da Democracia política.

Os ideais de liberdade e igualdade, de direitos humanos, de convivência democrática numa pluralidade são queimados como verdadeiras heresias e seus defensores são eliminados em praça pública. O problema não é apenas o uso da burca pelas mulheres como se imaginou há tempos na França. Estamos diante de um contexto cultural bem distinto daquele que conhecemos no mundo ocidental herdeiro dos ideais da Revolução Francisca, iluminista e racional.

A educação das mulheres é praticamente nula no contexto do grupo Talibã. Elas são obrigadas a cobrirem todo o corpo com a burca; proibidas de assistir televisão, ir ao cinema e ouvir música. São confinadas em suas casas, pois para saírem precisam ser acompanhadas por um homem ou obter autorização de um ente masculino. As mulheres que desobedecerem poderão ser punidas severamente com apedrejamentos e mortes. São execuções públicas para que todos possam ver o destino de quem não seguir a lei. Serve de exemplo. Daí entende-se o desespero na fuga de afegãos de sua terra natal deixando tudo para trás e tentando sua sorte em países europeus como refugiados.

A sociedade como um todo também é enquadrada na lei da Sharia que inclui tudo. Não se conhece ou se aceita a separação entre Estado e Religião. Tudo é uma coisa só. Desconhece-se a figura do Estado laico. O fundamentalismo religioso ganha assim um poder extraordinário. As pessoas sob seu domínio devem seguir rigidamente as práticas diárias de orações, de jejum e de doações para os pobres que é uma espécie de dízimo entre os muçulmanos. Em geral, os espaços institucionais da sociedade são separados por gênero. As punições são severas como a amputação de partes do corpo de quem praticar roubos ou apedrejamento e morte no caso de mulheres que forem acusadas de adultério.

A ONU condena todo tipo de punição sob a forma de tortura, tratamento cruel, desumano e degradante. Mas isso parece não ser obedecido por grupos que seguem a Sharia de maneira radical. Há algumas reações no interior do próprio Islamismo para uma nova interpretação das leis oriundas dos tempos de Maomé, mas o movimento fundamentalista islâmico acredita que isso contraria a vontade de Allah (Deus).

Esse grupo tem origem no Egito com Said Qutb, que é o ideólogo da Irmandade Muçulmana. Suas características principais são a intolerância com os outros, com os diferentes de si, avesso ao capitalismo e ao socialismo, oposição radical ao imperialismo especialmente o norte-americano, contra o secularismo como governar o país baseada na Constituição e oposição às ideias progressistas. Esse grupo acredita que seu país será muito melhor se for governado tendo como guia o Livro Sagrado do Alcorão.

Ao mesmo tempo quem controla, o governo atual age combatendo todas as pessoas que não estiverem comprometidas com sua causa e para isso vão de porta em porta procurando cristãos, ou quem trabalhou ao lado dos americanos nesses vinte anos, por exemplo. Querem afastar o mundo islâmico de qualquer influência ocidental, considerando todos os elementos ideológicos e políticos do ocidente como decadentes.

No Afeganistão há menos de oito mil cristãos. Difícil saber, pois nem capelinhas há. Somente no interior da Embaixada Italiana há uma capela cristã. A Caritas, filial italiana, já comunicou que está fechando as portas. Em suma, terra arrasada.

Os relatos do que vem acontecendo no Afeganistão são de horror. Mulheres que trabalhavam em bancos e hospitais foram mandadas para casa com a recomendação de nunca mais retornarem a seus lugares de trabalho. As poucas jornalistas que ainda conseguem trabalhar, fazem tudo às escondidas. Temem não apenas perderem o lugar de trabalho, mas a própria vida.

Nesse ponto toda perspectiva fundamentalista é muito perigosa, pois transpõe de um passado distante e de culturas diferentes algum tipo de norma ou lei alegando ser a vontade de Deus, pois está escrito no Alcorão ou na Bíblia dizem seus adeptos. Os cristãos fundamentalistas também adotam o mesmo procedimento da interpretação literal dos textos bíblicos, fora dos contextos históricos e culturais em que foram escritos ou transmitidos pela tradição oral. É preciso reconhecer que tantas vezes ao longo da história os cristãos também mataram em nome de Deus, escravizaram em nome de Deus alegando que isso seria necessário para apagar as manchas dos pecados cometidos pelas gerações passadas.

Por fim, só me cabe perguntar: Que Deus é esse que impõe a dominação do homem sobre a mulher? Que Deus é esse que renega o mandamento do amor? Que vontade de Deus é essa que não se importa com tantas mortes? Ao mesmo tempo é preciso que cada um de nós não reduza o Islamismo, que compõe um terço da população mundial, a esse tipo fundamentalista. Em outro momento podemos e devemos mostrar a riqueza presente nessa tradição religiosa. Há tempos atrás fizemos uma pesquisa tentando descobrir o sentido que essa tradição conferia à prática do dízimo, conhecido como Zacat. Que riqueza de solidariedade pode-se ver nessa teologia, bem ao estilo do cuidado com a casa comum!

O Papa Francisco, em diversas oportunidades, fez questão de construir pontes abrindo o diálogo com os grandes líderes muçulmanos. Por esse motivo, as primeiras coisas que ele propôs nessa crise é a oração e a solidariedade com os refugiados e sofredores. E nos diz o Pontífice: “O diálogo inclusivo representa o instrumento mais poderoso para alcançar a paz”; e exorta a todos para “reconhecer e defender o respeito à dignidade humana e aos direitos fundamentais de cada pessoa, incluindo o direito à vida, à liberdade de religião, o direito à liberdade de ir e vir e de reunião pacífica”. E faz um apelo à comunidade internacional: “passar das declarações à ação”. Esse é o desejo de Deus para todos, é o desejo de Allah e não a violência e a morte.

Edebrande Cavalieri

Este ano, toda a Igreja, juntamente com a pastoral familiar e os movimentos de casais, são chamados a testemunhar “A alegria do amor em

Este ano, toda a Igreja, juntamente com a pastoral familiar e os movimentos de casais, são chamados a testemunhar “A alegria do amor em família”, dando e recebendo amor, oferecendo um serviço às famílias que as levem a serem vivificadas pelo sopro do Espírito Santo, que traz vida nova.

Como padre diocesano, da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo, missionário, aqui na Amazônia, sul do Pará, Diocese de Santíssima Conceição do Araguaia, experimentei este sopro do Espírito em uma semana de missão junto à Pastoral Familiar da Paróquia Nossa Senhora das Graças Pároco – padre Helder Salvador, município de Redenção.

Munidos do tema e do lema propostos pelo subsidio da CNBB, saímos ao encontro das comunidades reunidas por setor pastoral. Realidades desafiadoras e diversas: vilas distantes, cujo acesso se dá por estradas de chão. A caravana dos membros da pastoral avançava deixando para trás uma densa nuvem de poeira, característica comum das estradas de chão nesse período, conhecido como verão amazônico; quando a estiagem vai de março a setembro.

Caminhávamos em boa companhia, pois, nos consagramos à Sagrada Família, companheira da missão, na qual contemplamos o esplendor do verdadeiro amor. A cada dia uma surpresa: povo simples, alegre, celebrávamos a eucaristia e, à luz da palavra de Deus, meditávamos os temas. Quanta riqueza naquelas linhas do texto base e na vida do povo, reunidos ao redor do altar para celebrar as dores e as angústias, vitória e fracassos, tristezas e alegrias da vida em família.

Ao longo da semana fomos caminhando e descobrindo as belezas e os desafios da vida em família, sabendo que não existe família perfeita. Existe a minha e a sua: Cada uma com suas belezas e seus dramas. Mas é aí, no seio familiar, que somos chamados a dar e receber afeto, amor. Os olhares foram muitos, cada dia aprofundávamos mais, estávamos ali com uma proposta de serviço e com aqueles que livremente vinham estar conosco, refletíamos sobre a beleza do matrimônio e como este sacramento de amor, se torna um dom de santificação e salvação para os esposos. O amor dos esposos, chamado ao mesmo grau de entrega, de doação, o amor conjugal chamado a imitar na entrega a mesma altura do amor de Cristo pela Igreja, amor que se imola, dom total de si.

Esposos chamados na liberdade por meio do amor matrimonial a darem a vida um pelo outro. Viver o amor no cotidiano na família não é fácil! Não basta dizer que ama, é preciso mostrar com gestos concretos esse amor: Quem ama cuida, diz não a todas as formas de violência. Bastam os sofrimentos enfrentados por nossas famílias em virtude da pandemia da COVID-19, que quebrou com a “normalidade” cotidiana e obrigou a todos a se reorganizarem em novos relacionamentos interpessoais.

A palavra de Deus nos iluminou durante a semana dando-nos clareza de que a família é projeto de Deus.  Se é projeto dEle, precisamos chamá-lo e abrir espaço para que Ele possa executar sua obra. Edificar nossa família sem Deus, é construir a casa fora da rocha, sobre a areia; é não se atentar aos valores que são fundamentais e inegociáveis, principalmente no que diz respeito à formação dos filhos.

Diante de tantos desafios, pedimos luz ao Espírito Santo para encontrarmos palavras e motivações que nos levem a ser um testemunho junto aos jovens, potencializando neles a generosidade o entusiasmo que lhes são próprios, para que o jovem possa assumir o compromisso com a construção do amanhã. O caminho é longo, deve ser feito com renúncia, silencio, humildade, sem competição. É preciso ter equilíbrio, profundidade, humildade e estar disposto a evoluir sempre, partilhando o conhecimento adquirido para o bem e o crescimento familiar.

Certa vez, ouvi uma história de alguém que gostava de deitar sobre o lado do companheiro, para lhe ouvir as batidas do coração! O verdadeiro amor mais ama do que é amado, traz o outro para dentro do coração, acolhe como está, do jeito que está, entra em sintonia, oferece o pulsar do seu coração, transformando-se em fonte de perdão, não espera nada em troca, tudo oferece na gratuidade, sua alegria é amar e servir! O Papa Francisco, na exortação Apostólica Amoris Laetitia, nos recorda que os problemas enfrentados pelas famílias se tornam uma oportunidade de crescimento, de amadurecimento, de vivência mais profunda da fé.

Por esta razão a Semana Nacional da Família, resgatou o tema da “Alegria do Amor na Família”. Quanta partilha, quanta beleza que descobrimos com o Papa Francisco: que a vida é uma festa, ou pelo menos deveria ser entendida assim. Dizer que a vida é uma festa, não significa dizer que não temos problemas, mas, que o nosso olhar transcende aos problemas, enxergamos o dom de Deus que somos, e isto nos motiva a ter confiança, a não ter medo e a certeza de que Ele está conosco!

Diante de todo caminho percorrido, a Semana da Família nos convida, por fim, a uma atitude de acompanhamento, discernimento e de integração das famílias. Embora serem comum responsabilidade, a Igreja se coloca à disposição como “mãe” amorosa, um serviço de acompanhamento, atencioso e amoroso aos seus filhos, procurando ajudar a todos a encontrar um caminho de esperança em meio às tempestades da vida.

Na dinâmica do amor, somos chamados a acolher a todos, discernindo quais caminhos seguir, que possam favorecer à evangelização e ao crescimento humano e espiritual, acolher e integrar a todos, ajudar para que cada um possa encontrar seu lugar e participar na e da comunidade eclesial. Esse acompanhamento, discernimento, essa integração pode ser experimentada na e pela pastoral familiar e nos movimentos de casais da Igreja e na própria Igreja. Riquezas, nem sempre conhecidas ou valorizadas pelas nossas comunidades.

É sobre este serviço da pastoral familiar que passo a discorrer um pouco, partilhando dessa experiência missionária. Toda a semana foi planejada para que pudéssemos divulgar e expandir a pastoral familiar na paróquia como um serviço, uma ferramenta de ajuda àquelas pessoas ou famílias que se encontrassem dispostos a serem acompanhados. Para isso, ao final de cada missa partilhávamos um pouco sobre o que é a pastoral familiar e como ser pastoral familiar.

Procuramos tornar do conhecimento de todos que a Pastoral Familiar é um serviço que se realiza na Igreja e com a Igreja, de forma organizada e planejada através de agentes específicos, com metodologia própria, tendo como objetivo apoiar as famílias a partir da realidade em que se encontram, para que possam existir e viver dignamente, estabelecer relacionamentos e formar as novas gerações conforme o plano de Deus; que abrange todas as famílias, independentemente de sua situação familiar, com o propósito de promover a inclusão e resgatar os valores e a dignidade de cada pessoa.

Percebemos, que muitos não tinham o conhecimento desta preocupação da Igreja presente desde o Concílio Vaticano II, quando começou a delinear na Igreja uma proposta inspiradora para os esforços da evangelização da família; que o Papa João Paulo II, desde o início do seu pontificado dedicou atenção especial à família. Não sendo um profundo conhecedor das origens, recorri a algumas leituras para traçar um breve histórico, ajudando a comunidades a se tornarem conhecedoras de que no Brasil, a Pastoral Familiar começou a sistematizar a sua caminhada na década de 80, quando foram realizados vários encontros nacionais com os representantes de alguns movimentos e serviços familiares.

Em 1981, no IV Sínodo dos Bispos, foi promulgada a Exortação Apostólica “Familiaris Consortio”, sobre a missão da família cristã no mundo de hoje. Desde então, foram realizadas muitas ações pela Igreja no Brasil, mas, percebe-se que a missão da Pastoral Familiar é muito mais ampla, urgente e indispensável. A Pastoral Familiar poderá contribuir para que a família seja, de fato, lugar de realização humana, de santificação na experiência de paternidade, maternidade e filiação e de educação continuada e permanente da fé (cf. Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, 2011-2015, n. 108).

Por isso, a família deve ser ajudada por uma pastoral familiar intensa e vigorosa (cf. Bento XVI, Discurso Inaugural, Aparecida, 2007, n. 5). A missão evangelizadora da Pastoral Familiar é a defesa e promoção da pessoa em todas as etapas e circunstâncias da vida e a defesa dos valores cristãos para o matrimônio e os relacionamentos pessoais e familiares. Para isso, é imprescindível promover articulações dentro e fora da Igreja, para defender a vida em todas as suas etapas, dinamizar e orientar ações em favor da família.

A Pastoral Familiar possui quatro metas principais: fazer da família uma comunidade cristã; fazer com que a família seja santuário da vida; resgatar para a família seu justo valor de célula primeira e vital da sociedade; tornar a família missionária e Igreja doméstica. E tem por objetivo: formar agentes qualificados; acolher toda família a partir da realidade em que se encontra; santificar os laços familiares; apoiar a família no seu papel educador; promover a missão em família; valorizar os tempos litúrgicos e datas civis; articular o trabalho em conjunto com as outras pastorais e movimentos eclesiais e estabelecer articulações também com forças externas à Igreja. Por fim, encerrando a semana numa grande assembleia, refletimos sobre a organização da Pastoral Familiar nas dioceses e paróquias que se encontra divido em três setores:

Setor Pré-Matrimonial: Preparação Remota. Articulada com: Crisma, juventude, catequese e escola; Preparação Próxima: Evangelizar namorados e noivos; Preparação Imediata: Diálogo com o Padre, Retiro Espiritual, Rito Sacramental e Celebração.

Setor Pós-Matrimonial: Oferece ajuda e formação para recém-casados e grupos familiares; Formação contínua para a vida conjugal, familiar e comunitária, celebrações especiais.

Setor Casos Especiais: Acompanhar os casais em segunda união e seus filhos para que sejam acolhidos, acompanhados e incentivados, conforme sua situação, a participarem da vida da Igreja, segundo as orientações do Magistério. Também, é missão dos setor casos especiais acompanhar as diferentes realidades das famílias de migrantes, mães e pais solteiros, famílias com filhos com deficiência, com vícios, famílias distanciadas da igreja, matrimônios mistos, atenção especial aos idosos, viúvos.

Depois desta formação, celebramos a missa e ofertamos o trabalho da Semana Nacional da Família no altar! Pedimos a Deus a graça do germinar dessa semente, para que nós e toda a paróquia possamos colher muito frutos. Como as medidas de segurança já nos permitiam, tudo terminou numa grande confraternização, música e comida boa, afinal o trabalhador é digno do seu salário. Esta foi a Semana Nacional da Família sob o olhar e a vivência de um padre diocesano, missionário na Amazônia!

 

Paróquia Nossa Senhora das Graças – Redenção – Pará

Pe. João Marcelo dos Santos

 

“Eu vos darei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei

“Eu vos darei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne.” (Ezequiel 36,26)

Clamar por essa promessa de Deus é tudo que desejo a todos nós brasileiros.

Desde o impeachment da Dilma Rousseff  em 2016  nosso país está em guerra de palavras. A busca pelo poder (perdido ou desejado) tem levado nosso país à uma batalha cansativa de palavras vazias, que, na absoluta maioria das vezes,  busca apenas desconstruir o outro lado. Palavras vazias de segundas intenções, maquiavélicas,  na maior parte das vezes ardilosas e venenosas. Castelos de areias, cavalos de Troia  e narrativas que nada mais são que cortinas de fumaça. Máscaras de todo tipo lobos ou cordeiros, que revezam entre si, mas todos abordando apenas a parte da realidade que lhes interessam. Perdemos o espírito da Verdade. Do pensamento sistêmico. As intenções e razões não podem ser faladas então é só a superfície que é apresentada.

Que saudade do meu Brasil! Onde, para viver, não precisávamos fechar os ouvidos. Sim precisamos desligar dos noticiários, para nos preservar. O que ouvimos e vemos não é o real, mas sim o real que cada um quer mostrar. A grande maioria sabe que o que está acontecendo é apenas uma novela “baseada em fatos reais”, só isso! Uma guerra de poder e de versões.

Deus, nos dê um espírito novo! Por favor tira do coração do Brasil esse coração de pedra, que impede um raciocínio claro, que distorce e manipula. Estamos cansados, Senhor! Nos dê um espírito novo!!! Nos dê  um coração novo!! Nos permita a Verdade e a Luz!

Vania Reis

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