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Cresce a cada dia a busca por vitaminas e minerais em farmácias de todo o Brasil e no mundo. O mercado de suplementos foi

Roger Bongestab

Médico Cirurgião Geral e Nutrólogo

(CRM-ES:9827, RQE:7324 / 7889)

 

Cresce a cada dia a busca por vitaminas e minerais em farmácias de todo o Brasil e no mundo. O mercado de suplementos foi um dos que mais cresceram no momento da crise econômica mundial pela qual passa o mundo perante à epidemia do novo coronavírus. Porém, mais de 90% das pessoas que utilizam estas substâncias não necessitam de nenhuma suplementação. Mas por quê esse consumo elevado ocorre?

 

Sabidamente, no dia-a-dia, vê-se campanhas publicitárias que incitam o uso de suplementos, prometendo resolver todas as mazelas advindas do cansaço e exaustão produzidos pelo mundo moderno. Muitos não se permitem sentir-se cansados, sentir-se exauridos pela estafa da rotina e, querendo burlar a fisiologia humana, recorrem à estas substâncias. Poucos sabem, no entanto, que o excesso de algumas vitaminas e minerais destes suplementos podem levar à intoxicação e, até mesmo, ao extremo, à morte.

 

Com o medo de adoecer, vitamina C, vitamina D e zinco ganharam, nos últimos meses, destaque. Todos estes compostos podem ser obtidos pela alimentação saudável, balanceada em frutas, verduras e legumes. O consumo de um limão ao dia já é suficiente para ofertar a vitamina C que precisamos. A vitamina D podemos obter através da exposição à luz solar e do consumo de frutos-do-mar e de gema de ovo. O zinco, encontrado em castanhas e amêndoas. O excesso de vitamina C é eliminado na urina, porém o excesso de vitamina D fica armazenado no corpo, causando uma grande absorção de cálcio e acúmulo deste nos rins, levando até mesmo a parada total da filtração renal, condenando o paciente ao processo de diálise. Já o excesso de zinco, dificulta absorção de ferro e de cobre, gerando deficiência destes e, consequentemente, anemia, cansaço, queda de cabelo e fadiga.

 

Além dos exemplos acima, temos a vitamina A, a qual em excesso pode causar edema cerebral e enfraquecer o funcionamento do coração. Ambas as situações propiciam sequelas irreversíveis e, até mesmo, a morte. Poderia aqui citar tantos outros exemplos sérios como esses.

 

A melhor forma de usar suplementos é baseada na prescrição de um médico, pois este profissional consegue diagnosticar as carências nutricionais e manejar a oferta daqueles minerais e daquelas vitaminas deficientes.

 

Respeite os sinais de seu corpo. Não tente transformar-se em um super-homem ou em uma mulher-maravilha, pois somos humanos. Alimentar-se e hidratar-se bem é o primeiro passo para garantir que não haja deficiências nutricionais. Exponha-se com cuidado ao sol. Faça consulta ao seu médico periodicamente. E, mais importante, não se auto-medique e não caia nas propagandas que garantem milagres com suplementos. Acredite, pois, que estes milagres não existem. Até a próxima semana!

 

O mês de outubro dedicado à ação missionária da Igreja quero trazer um conjunto de lembranças de realidade que vivemos até pouco tempo atrás

Edebrande Cavalieri

Nessa última semana do mês de outubro dedicado à ação missionária da Igreja quero trazer um conjunto de lembranças de realidade que vivemos até pouco tempo atrás pelas terras do interior. Nunca esqueço a frase proferida pelo Bispo de São Mateus, Dom Aldo Gerna, que dizia ao chegar no norte do Espírito Santo: “Aqui se experiência um pedaço da África”. Para ele, missionário comboniano, a África tem um peso extraordinário. Sempre foi motivo de tantas vocações, desde o século XIX. E aqui, nas terras da Diocese de São Mateus, ele, quase sempre montado num cavalo para realizar as visitas pastorais, sentia que naquele momento aquelas capelinhas e paróquias por onde passava representavam um pedacinho do continente africano.

O pedacinho da África, na verdade, representava praticamente todo o Estado do Espírito Santo. Os imigrantes italianos que aqui chegaram para fazer dessa terra a sua nova pátria tiveram que se embrenhar pela Mata Atlântica. E foram estabelecendo pequenas propriedades para colonização com o plantio de café. Mas eles tinham uma missão mantida como compromisso ao deixarem a pátria italiana: manter aqui nas novas terras a fé cristã católica. E foram logo construindo pequenas capelas nas propriedades, dedicadas quase sempre ao santo de sua devoção familiar. Nas capelas maiores também organizaram o lugar para o cemitério. E se estruturaram com um conjunto de responsabilidades de forma praticamente autônoma, pois o padre responsável pela paróquia somente podia comparecer ali uma vez por ano, quando se realizava a grande festa, o momento das desobrigas pascais assim como era chamado, ou seja, era chegado o tempo da confissão e da celebração da Eucaristia.

O grande evento religioso era realmente a festa. O padre chegava na véspera, quase sempre montado a cavalo, debaixo de chuva ou de sol. A casa canônica servia para alojamento, praticamente apenas um colchão feito de palha ou de paina num cama de fabricação bem caseira. Agua encanada para banheiro nem pensar. Um quartinho ou privada, como era chamado o banheiro, servia para as necessidades fisiológicas. Sem geladeiras e fogão. Água para beber estava disposta numa moringa de barro. E a alimentação sempre era oferecida por algum morador mais aquinhoado do lugar. Cenário de muita precariedade em que o missionário padre tinha que enfrentar em sua vida pastoral.

A véspera era destinada às confissões gerais do povo, e especialmente das crianças para a primeira comunhão. Ainda o padre deveria dispor de tempo para o aconselhamento às pessoas. Parecia que nunca adoecia, pois não me lembro de nenhuma falta. A festa estava garantida desde muito tempo antes no calendário paroquial.

No dia seguinte, o grande momento da celebração da Eucaristia era marcado com três momentos de toque dos sinos. Ao terceiro sinal, todos deveriam se dirigir para o interior da capelinha. Ficava abarrotada de gente. As músicas sempre sem nenhum instrumento, mas muito bem cantadas. Eram hinos que se sabia de cor, pois grande parte da população era de analfabetos. Muitas vezes era o próprio padre que ensaiava as músicas. Os mais antigos devem se lembrar de Dom João Batista que chegava cedo para celebrar, mas antes queria ensaiar os cantos para a missa.

Após a celebração da Eucaristia era o momento das rifas, do leilão, da partilha de comida e bebida. Como não havia energia elétrica, até o guaraná ou fanta laranja eram vendidos e ingeridos bem quentinhos. Como esquecer a velha tradição da bebida feita de gengibre – gengibirra? Tudo era um sucesso, mesmo aquecidas pelo sol de verão. Somente nas festas se tomava refrigerante. Nesse momento de festa, se arrecadava um pouquinho de dinheiro para as despesas da capelinha e seu compromisso com a paróquia. Era na divisão e partilha do que se tinha na pobreza que engrandecia a festa.

Por fim, a grande procissão. Tudo bem ordenado. Crianças na frente. Depois as mulheres, e ao final os homens. Debaixo de um sol escaldante a procissão coroava a celebração com as devoções, especialmente ao padroeiro da capelinha carregado num andor. A bênção final e a certeza de que somente um ano depois seria possível esse encontro festivo da fé cristã. O final da festa continha um misto de alegria e tristeza, pois tudo retornaria à rotina dura de trabalho e luta contra todo tipo de intempérie.

Como continuar a luta diária, entre tantas doenças e dificuldades no resto do ano? Eis a questão tão central para esse povo missionário, para esse pedacinho de África. Que pastor estaria disponível nas capelinhas para conduzir as ovelhas, as pessoas desamparadas em suas doenças, a educação dos filhos, a catequese, a espiritualidade do caminhante? Nenhum contato mais era possível com o padre responsável. Além disso ele tinha uma imensidão de outras capelinhas a serem percorridas a cavalo o resto do ano.

O povo vai vivendo sua fé no dia a dia fazendo os cultos dominicais de maneira bem simples, quase sempre com a reza do terço. Ninguém faltava a esses cultos. Era o momento de usar a roupa mais bonita, única, para rezar. O calçado se levava nas mãos afim de não sujar de lama e não gastar o solado. Pertinho da capela, o riacho servia para lavar os pés e calçar os sapatos. E todos os moradores do lugar se encontravam na capelinha para rezar todos os domingos e dias santos. De maneira bem própria. Sem ritos. A fé guiava as orações e essas fortaleciam a fé.

Mas a semana parecia muito longa. As dificuldades eram tantas. A falta de chuva punha a colheita a se perder. A quem recorrer? As doenças também não davam trégua? Não havia médico, assim como não havia padre. A quem recorrer?

Com a falta de chuva que secava as plantações a devoção mais presente era fazer procissões, levando água nos baldes para derramar aos pés do cruzeiro fincado no topo de um morro de difícil acesso. Penitência, fé, e esperança em Deus que mandasse chuva.

Assim vai se criando no meio do povo um conjunto muito bonito de devoções populares. São as devoções do povo missionário. Tantas novenas foram se desenvolvendo de acordo com as necessidades. A relação das mais conhecidas é bem grande. Destaque especial para Nossa Senhora da Saúde, São Sebastião, São Geraldo Majella, Santa Rita, Santa Luzia. Enfim, hoje podemos dizer que ao olharmos para esse conjunto de devoções do povo se consegue entender melhor as raízes da fé. Até quando isso há de permanecer?

O êxodo rural para as cidades representou um duro golpe para esse conjunto religioso. Em muitos bairros das grandes cidades ainda se mantém determinadas devoções quase como uma força de manter a memória. Não é saudosismo. A memória da escravidão no Egito dava força para o caminhar no deserto para o povo hebreu. Aqui a memória das lutas pelo interior desse pedacinho de África ajuda e alimenta a fé que se mantém no espaço urbano.

Hoje, percorrendo as terras do interior do Estado, temos a oportunidade de ver muitas capelinhas, já abandonadas, no meio da capoeira. Outro dia nessa pandemia fiz um percurso onde meus pais andaram como meeiros e voltei triste. O abandono de tudo e de todos. Até as estradinhas parece terem ficado mais precárias.

Penso que essa memória não poderia ser perdida. Representa uma história de fé e vida muito grande de nossos antepassados. Como preservar? A perda da memória é uma doença muito triste. Não se pode nunca perder a memória missionária que nos liga à vivência da fé. Nossa terra já foi um pedacinho de África. Ou continua sendo ainda terra de missão? O que nos une em termos de memória missionária com os povos da região amazônica? Como não reconhecer nossa comunhão com a memória nas terras capixabas, com a Igreja irmã de Lábrea aqui na Diocese de Vitória, com as Igrejas da Amazônia? A memória de um povo missionário nos leva para a “Querida Amazônia”.

Encerra-se o mês missionário deste ano, mas a memória missionária deveria nos alimentar e fortalecer em nosso compromisso com outras capelinhas, comunidades e paróquias onde ainda o panorama é semelhante ao que nossos antepassados viveram por aqui. Quem sabe ainda o missionário não tenha que percorrer caminhos a cavalo! Com barco, na região amazônica, é praticamente certo. No ano passado, a Igreja de Vitória enviou seus diáconos para um estágio pastoral em Lábrea, na Amazônia. Foi um fato muito significativo para a Arquidiocese. Os relatos daqueles diáconos, hoje padres, devem servir para outras experiências semelhantes, inclusive com o envio de leigos e leigas missionárias. O mês missionário termina, mas o chamado de Deus se faz a cada batizado. A Igreja conduzida por Francisco se define como “Igreja em saída”, jamais fechada sobre si mesma, autorreferente. Um Igreja franciscana, simples, pobre, acolhedora e missionária.

Os lipídeos são fontes de energia, sendo das macromoléculas o que mais energia carrega. Para se ter idéia, 1grama de carboidratos ou de proteínas

Roger Bongestab

Médico Cirurgião Geral e Nutrólogo

(CRM-ES:9827, RQE:7324 / 7889)

 

Na semana passada, falamos nesta coluna acerca dos carboidratos, explicando como podemos e devemos incluí-los em nossas refeições. Hoje, abordaremos sobre os lipídeos, genericamente chamados de gorduras.

 

O termo correto é lipídeo, uma vez que gorduras se aplica à apenas àqueles de origem animal. Também temos muito tipo de lipídeos vegetais, chamados de óleos.

 

Os lipídeos são fontes de energia, sendo das macromoléculas o que mais energia carrega. Para se ter idéia, 1grama de carboidratos ou de proteínas oferta 4kcal. Já os lipídeos, para cada 1 grama temos a oferta de 9kcal.

 

Eles constituem a base de todas as membranas de nossas células, ou seja, cada célula humana é envolta por uma camada de lipídeos. Além disso, são a base molecular para a produção de hormônios e neurotransmissores, que são substâncias que atuam diretamente no funcionamento harmonioso de nosso organismo.

 

As fontes de lipídeos animais incluem os ovos, laticínios e carnes gordurosas. Muito se discute sobre o uso de gorduras (lipídeos animais), como a banha-de-porco, para o preparo dos alimentos. Certamente, as gorduras podem ser consumidas, porém, como tudo nesta vida, sem excessos. Estes lipídeos são chamados de “gorduras saturadas”:

 

Já as fontes vegetais são representadas por azeite-de-oliva, castanhas, nozes, amêndoas, abacate, côco. Lembramos que quanto menor for a acidez, melhor a qualidade. Eles são os melhores lipídeos para o consumo e também chamados de gorduras insaturadas. Porém, para manterem seus benefícios nutricionais, devem ser consumidos crus, sem aquecimento.

 

Cabe destacar os lipídeos-trans (“gorduras-trans”) que são obtidas no processamento pela indústria para que se tornem mais palatáveis e mais duráveis. Encontradas em produtos ultraprocessados, é literalmente um veneno a quem consumir. São absorvidas e armazenadas, porém dificilmente metabolizadas. Acumulam-se nos vasos sanguíneos, podendo levar a “entupimento” destes, causando infarto cardíaco e cerebral (AVC). Encontramos este veneno alimentar nos congelados de supermercado, naqueles produtos que ficam nos freezeres e são tidos como “pré-preparados”. Muitos países, como os EUA proibiram a comercialização de produtos contendo este tipo de lipídeo-trans. Todavia, no Brasil, é altamente consumida.

 

Agora que você já conhece os lipídeos e suas fontes, fica uma regra simples para o controle de seu consumo: os lipídeos vegetais (óleos) podem ser consumidos moderadamente; os animais (gorduras), baixo consumo; os trans, jamais!

 

Alimente-se bem, hidrate-se bastante, exercite-se regularmente! Cuide do seu corpo, pois ele é o santuário onde habita sua alma.

 

Semana que vem, teremos um novo tema nesta coluna. Dúvidas, escreva para nós. Até breve!

 

Junto ao rio, à sua margem, de um e de outro lado, nascerá toda a sorte de árvore que dá fruto para se comer;

Prof. Dr. Pe. Arthur Francisco Juliatti dos Santos.

No livro do profeta Ezequiel, capítulo 47, versículos de 1 a 12, encontramos uma profecia belíssima: um rio brota do templo de Deus e, serpenteando entre vales, chega até o mar levando vida, curando, trazendo alegria por onde passa e, por fim, afirma o versículo 12: Junto ao rio, à sua margem, de um e de outro lado, nascerá toda a sorte de árvore que dá fruto para se comer; não cairá a sua folha, nem acabará o seu fruto; nos seus meses produzirá novos frutos, porque as suas águas saem do santuário; e o seu fruto servirá de remédio. A metáfora de Deus como fonte de água significa a bênção capaz de tudo curar, facultando, assim, a todos os seres humanos, uma vida destituída de ansiedades e sofrimentos.

No profeta Jeremias encontramos uma metáfora que faz referência a Deus como fonte de água viva, indicando-o como potência vivificante, aquele que torna possível a fertilidade, a salvação e a justiça (cf. Jr 17,13). O abandono de Deus traz a necessidade de escavar cisternas, mas que não conseguem reter a água (cf. Jr 2,13), e que conduzem a morte à humanidade.

Aqui nos deparamos com essas duas realidades, a da Palavra de Deus e aquela que nos traz à memória duas tragédias/crimes, ou seja, o rompimento das barragens em Mariana (2015) e em Brumadinho (2019), que trouxeram uma lama que brota, não do templo do Deus vivo e verdadeiro, mas do templo da ganância humana, cujo Deus é o lucro. Aquela lama não cura, não dá vida e nem frutos que servirão como alimento, e cujas folhas serão como remédio. Aquela lama, mais uma vez, fruto não da criação de Deus, mas da ambição humana, destrói a misteriosa beleza da criação, com aquela mesma despreocupação de Caim: E disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão? (Gn 4,9).

Será que nossa sociedade perdeu a capacidade de gerir as águas capazes de regenerar o ser humano e a sociedade, servindo-lhe e fecundando sonhos e realidades? A falta de sintonia com Deus criador gera a sociedade do mercado, que contempla o lucro na bolsa de valores, enquanto descarta o ser humano.

Será que não estamos construindo sobre fundamentos errados, contrários à vida e à fecundidade do amor? Será que não estamos nos tornando estéreis e perdendo a força vital para a qual fomos criados? Temos um grande desafio, pois a qualidade da nossa existência será julgada por Deus, mas também pela história, a partir de nossa capacidade para construir, nos dizeres de Puebla, a Civilização do amor.

A lama estéril que escorreu no leito do Rio Doce e do Rio Paraopeba é a expressão de uma sociedade estéril, cujo Deus é o mercado, o lucro, o dinheiro, em detrimento do ser humano, imagem e semelhança do verdadeiro Deus, e da natureza, expressão de equilíbrio e fonte de vida para os seres humanos, expressão central do amor de Deus, na criação (cf. Sl 8).

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Ao lermos a nova encíclica do Papa Francisco, e tomando-a como fonte de motivação e inspiração, um de seus títulos chama-nos muito a atenção

Edebrande Cavalieri

Ao lermos a nova encíclica do Papa Francisco, e tomando-a como fonte de motivação e inspiração, um de seus títulos chama-nos muito a atenção – “agressividade despudorada”. A Encíclica Fratelli Tutti, nos três parágrafos referentes ao fenômeno atual da agressividade e do ódio, nos apresenta um dos problemas mais perigosos para os tempos atuais. Parece que nada escapa à agressividade e ao ódio digital. As redes sociais tornaram-se chão de guerra. 

Fiquei profundamente chocado quando numa postagem refletindo sobre a morte de um cachorro sendo arrastado por um carro, escrevi que era preciso cuidar de nossos irmãos animais, fazendo uma alusão ao pensamento de São Francisco de Assis. Imediatamente chegou uma pessoa para me agredir de maneira despudorada, e me disse que não se sentia irmão de um cachorro porque tinha uma mãe que não era cadela. Nem tive resposta para tamanha agressividade.

Também fico observando como as pessoas agridem lideranças religiosas como o Papa Francisco e os próprios Bispos. Parece que no meio desses agressores ao Papa há alguns católicos. Sempre respondo que essa pessoa não precisa ficar na Igreja Católica desrespeitando o Papa ou os Bispos. Pode ir para outra Igreja ou mesmo pode até fundar uma nova igreja somente para si. Mas, jamais como católica, essa pessoa deveria agredir o sucessor de Pedro. Em uma palestra a Ministros da Eucaristia eu disse que não tinha nenhum sentido eles almejarem esse ministério se não fossem expressão da comunhão com o Papa, com o Bispo e com o Padre de sua comunidade. A Eucaristia é expressão da comunhão. Pessoas que agridem umas às outras, ou agridem seus próprios pastores, não podem e não deveriam ser instituídas. Isso é muito sério.

A vida cristã não é compatível com “formas insólitas de agressividade, com insultos, impropérios, difamação, afrontas verbais que destroçam a figura do outro”, nos diz a Encíclica atual do Papa Francisco. Tem momentos que sentimos que estamos por “nos destruir entre nós”. Os dispositivos móveis e computadores parecem que se tornaram o caminho para os covardes que agridem e destroem com a vida dos outros.

Então, o desrespeito e a grosseria encontram nas redes fechadas a “divulgação de informações e notícias falsas, fomentando ainda mais preconceitos e ódios”. Em um clique alguém ou mesmo um robô pode disparar mensagem falsa e agressiva para milhares de pessoas. 

Esse cenário tem piorado com o crescimento dos diversos tipos de fanatismo que induzem à destruição dos outros. A Encíclica nos diz que nesse meio há “pessoas religiosas, sem excluir os cristãos, que podem fazer parte de redes de violência verbal através da internet e vários fóruns ou espaços de intercâmbio digital”.

Estamos sim diante de uma agressividade despudorada. Parece muitas vezes que duplas personalidades circulam nas casas, nas Igrejas, nas ruas – rezam nas Igrejas e agridem despudoradamente nas redes sociais.

A Província Eclesiástica de Vitória do Espírito Santo, nas pessoas de seus pastores Bispos, lançou em 16 de outubro uma Nota sobre as Eleições de 2020, e, o primeiro ponto de reflexão que se propõe refere-se à Verdade e ao Bem Comum. E declaram de maneira bem clara: “Não cabe em uma disputa eleitoral cidadã a mentira, o ódio e a intolerância. Nós, cristãos, temos o compromisso com a verdade e com o cuidado do outro.

Devemos rejeitar as notícias mentirosas, os discursos de ódio e as práticas de racismo, intolerância e criminalização da pobreza. Não é possível que católicos votem em candidatos que alimentam e fortalecem políticas de ódio, difundem notícias falsas e que sobrevivem às custas da violência que os mais pobres enfrentam todos os dias”. Essa nota está em plena sintonia com o Magistério do Papa Francisco e convoca os cristãos para a missão de combate à agressividade despudorada. 

Não há outro caminho senão a “globalização da fraternidade” e para que isso aconteça, quero concluir essa reflexão com o pensamento do Papa Francisco: “Se não há paz no teu coração, o mundo não terá paz”. Cada cristão, especialmente o católico, deveria tomar uma posição radical em prol da paz, desconstruindo a agressividade que tantos endereçam ao Papa, aos irmãos de todas as nações. Não podemos compactuar com pessoas que nos agridem, que agridem o outro, que agridem nossos pastores. O cristão deve ser exemplo concreto de comunhão e paz. Pois Ele veio para trazer a Paz e a Verdade, e cada batizado tem essa missão. Temos que ser intolerantes à difamação e à calúnia onde se destrói qualquer ética de respeito. É preciso construir o caminho da “fraternidade que o Pai comum nos propõe”.

Atualmente, frente à necessidade de promoção da saúde, muito tem sido falado sobre a importância de se manter com alimentação saudável. Dentre as orientações

Roger Bongestab

Médico Cirurgião Geral e Nutrólogo

(CRM-ES:9827, RQE:7324 / 7889)

 

Atualmente, frente à necessidade de promoção da saúde, muito tem sido falado sobre a importância de se manter com alimentação saudável. Dentre as orientações para isso, coloca-se o cuidado com a ingestão de carboidratos. Mas, devemos ter medo de consumi-los?

 

A resposta a esta indagação é NÂO. Não se deve criar a cultura da “carbofobia”, uma vez que os carboidratos são fundamentais para o equilíbrio alimentar. O que fará a diferença é a qualidade e a quantidade a ser ingerida nas refeições.

 

A principal função dos carboidratos, também chamados leigamente de “açúcares”, é de garantir oferta de energia, proporcionando a realização de atividades diárias com mais agilidade e disposição. Sua falta leva, portanto, à queda em rendimento físico e também no rendimento mental, com algumas vezes culminando em quadros de fraqueza intensa e desmaios, caracterizando, assim, a conhecida hipoglicemia.

 

Já o consumo exagerado de carboidratos pode levar ao aumento do peso corporal por meio do aumento da massa de gordura, caracterizada por sobrepeso e obesidade. Essa gordura, por sua vez, leva a alterações metabólicas que geram até diabetes, aumento de colesterol, hipertensão arterial e tantas outras patologias. Na atual condição sanitária do mundo, com a pandemia de COVID-19, sabemos também que o sobrepeso e a obesidade agravam o risco de complicações por esta infecção. Portanto, o cuidado com a composição corporal estende-se muito além da estética.

 

Como explicitado acima, o cuidado com o consumo de açúcares é necessário, pois seu excesso é transformado e armazenado como gordura pelo nosso organismo. Porém, como escolhê-los? Basicamente, respondo que temos que optar por carboidratos complexos e evitar os carboidratos simples. Ficou mais fácil? Pois bem, nas próximas linhas isso será melhor explicado e facilmente compreendido.

 

Os carboidratos simples são representados por aqueles que foram refinados, ou seja, passaram pela manufatura da indústria. Metabolicamente, caracterizam-se por serem rapidamente digeridos e absorvidos, elevando os níveis de glicose no sangue e o estímulo à formação de massa de gordura. Representados por alimentos à base de farinhas (trigo, polvilho, fubá), tais como pães, macarrão, e aqueles adoçados com açúcar-de-cana.

 

Já os carboidratos complexos demoram mais tempo dentro do nosso trato digestivo para serem digeridos e absorvidos sob a forma de glicose. Essa absorção lenta evita que haja picos de glicose no sangue e, desse modo, a energia destes alimentos é ofertada e consumida gradativamente pelo metabolismo, e não haverá excesso de glicose no sangue, tampouco a transformação da glicose em gordura.

 

Deus nos brinda com uma natureza esplêndida e harmoniosa. Deste modo, os caboidratos são ofertados naturalmente sob sua forma mais complexa, e podemos exemplificar com batata-doce, aipim, inhame, cará, banana-da-terra. Estes são os carboidratos ideais a um plano alimentar saudável e sustentável.

 

Cabe, aqui, uma ressalva para as frutas, as quais, embora também naturais, possuem um tipo de açúcar chamado frutose que eleva rapidamente a glicose, comportando-se as frutas em sua maioria como carboidratos simples. Porém, o recomendado é não exagerar, sendo que 3 (três) porções diárias de frutas são bem toleradas para as pessoas que não possuem nenhuma condição de saúde que impeça o consumo deste tipo de alimento.

 

Podemos concluir que os carboidratos ideais são aqueles que descascamos e não aqueles que desembrulhamos. Ideais são aqueles que não possuem código de barras!

 

Exercite-se. Alimente-se bem. Pratique sua espiritualidade. Seja saudável. Zele pela dádiva da vida. Cuide-se, pois você é a imagem e semelhança de Deus. Continuamos na próxima semana. Até lá!

A moda atual, feminina e até mesmo masculina de nossa cultura coloca em evidência o corpo. Até aí, que mal existe em usar roupas

Pe. Renato Criste Covre

Mestre em Teologia do Matrimônio e Família.

A moda atual, feminina e até mesmo masculina de nossa cultura coloca em evidência o corpo. Até aí, que mal existe em usar roupas da moda, por exemplo, que deixam predominantemente o corpo exposto? O mal está somente porque o ambiente sagrado (a igreja) requer um determinado comportamento? Antes de mais nada, a questão concentra-se na ausência da experiência do pudor, que é um sentimento característico da pessoa. O pudor diz respeito tanto a dimensão instintivo-sexual da sexualidade como a dimensão afetivo-psicológica, isto é, faz com que nos envergonhamos do fato que se colocam à amostra as nossas reações sensuais.

A partir do momento que se trata de uma experiência afetiva, para poder compreender ocorre levar em consideração não simplesmente o vivido pelo sujeito, mas o motivo que o produz. É aí que nos é revelado o seu profundo senso humano e moral.  Isto é, o pudor busca evitar uma reação contrária à dignidade da pessoa. Tende-se a ocultar as qualidades sensuais para si mesmo, para que deste modo a pessoa não seja instrumentalizada. Isto que no pudor é essencial é precisamente a intencionalidade que se busca evitar: a objetivação do corpo. Não se trata de esconder uma coisa em si negativa, mas de não provocar no outro ou dentro de si uma intencionalidade contraria ao valor que cada individuo comporta em si mesmo. Não se refere por isso à nudez parcial ou integral em si mesma, mas ao modo com o qual se olha a nudez, as qualidades da pessoa.

Podemos dizer, então, que o pudor é a custódia da própria subjetividade, do valor que cada um é. O pudor ajuda a compreender a subjetividade da própria pessoa, do momento que, graças a autoconsciência de si e o autodomínio que de si consente, o homem se percebe como um ser distinto do restante da criação, do mundo animal.  

A amostra do corpo, sem pudor, deixa de lado o valor e a beleza do sujeito. Esta passa a ser visto, apenas pelas suas qualidades físicas e avaliado por qualquer preço. Sem esse sentimento de “vergonha”, o corpo e as suas qualidades não guardam o mistério da pessoa. A nobreza da pessoa, esta, portanto, não necessariamente naquilo que ela expõe, mas naquilo que ela oculta e protege, porque descobriu que é detentora de uma beleza singular. Com o pudor o sujeito pode agora ter um critério interno como que para estabelecer uma ordem na própria interioridade.

As eleições estão chegando e a grande maioria nem sabe quem serão os candidatos!

Vânia Reis

Psicóloga e professora

As eleições estão chegando e a grande maioria nem sabe quem serão os candidatos! Com o isolamento social e a grande manipulação das redes sociais, vale a pena uma reflexão dos princípios básicos que devem permear nossa escolha, se desejamos sair desta confusão para melhorar a vida na nossa cidade nos próximos e pouco previsíveis anos!

Entender a nossa responsabilidade em votar de forma consciente é um dever imperativo do cidadão, mas acima de tudo um dever do cristão. Se queremos uma sociedade fraterna, ética, preocupada em acolher dignamente a todos, temos que buscar candidatos que tenham possibilidade de tornar essa visão uma realidade. Acredito que algumas práticas eleitorais já são tão condenadas que não precisariam ser citadas, mas…vamos lá.

Trocar voto por vantagem concreta é aceitar a corrupção. Votando assim você votará em quem acredita na corrupção. É isso mesmo que você quer? Se lhe oferecem emprego, dinheiro, ou qualquer outra vantagem, você está se deixando seduzir pela corrupção. Assim, nunca sairemos deste círculo vicioso, em que as coisas não mudam justamente para que o cidadão esteja sempre precisando de ajuda, sem conseguir ele mesmo alcançar seus objetivos, por seus próprios recursos. O cidadão merece respeito e o Estado (assim como a sociedade) precisa cumprir o dever constitucional para que todos tenham vida digna.

 

Votar em branco ou nulo é deixar na mão do outro a direção da sua vida. Omitir-se é permitir que outros o levem para aonde quiserem, e não adianta reclamar porque foi escolha sua se omitir. É isso que você quer? O tempo do “voto de protesto” faz parte da nossa história quando ainda éramos adolescentes de urna. Hoje, em tempo tão crítico, é irresponsabilidade. Sei o que você vai dizer que não acredita mais em políticos e nem na própria política. Dá para entender, mas alguém será eleito para tomar conta da nossa cidade e é melhor que seja bem escolhido. Por suas crenças e não apesar delas.

O que levar em conta para a ajudar na escolha:

  • Primeiro, analisar a índole e o caráter do candidato. Sem isso, tudo mais está comprometido. Como fazer isso? Não é simples, mas a história de vida pessoal e profissional é um bom indicador para a escolha de um candidato. Informe-se. Uma proposta boa, em mãos desvirtuadas, não chega ao seu propósito. Se perde pelo caminho.  

  • Depois veja as propostas do candidato e se elas vão ao encontro de suas crenças pessoais, focam as necessidades reais da população? Ou só um segmento é privilegiado? O candidato mostra que conhece os problemas da cidade?  Suas propostas são “boas”? Ou seja, suas propostas levam em consideração uma visão ampla da cidade? Suas propostas são necessárias, importantes para o povo, “pé no chão”? São realizáveis? Se não, descarta! Chega de discursos mirabolantes e vazios!

  • Analise agora as realizações passadas da pessoa que se candidata. O que, de concreto, ela já fez. Ela mostrou ser capaz de transformar as suas ideias (qualquer uma) em ações concretas e efetivas, que deram bom resultado. Colocou em prática? Não?  Cuidado! Estamos cansados de sonhadores sem consistência!

  • Vai escolher um prefeito? Ele já mostrou ser gestor competente (em qualquer área)? Não? Cuidado! Gestão pública não é simples!  A falta de experiência em gestão prejudica, mas a experiência só é boa quando aliada a boa índole, à competência e principalmente voltada para os ideais cristãos. Por favor “bonzinho, coitado”, não é perfil para colocar sua cidade nos eixos.

  • Procure definir a sua escolha primeiro pelo Prefeito. Além de ser a definição mais importante, a escolha do vereador deve ser a de uma pessoa que escuta a voz do povo, mas igualmente uma ajuda ao prefeito a cumprir o seu mandato. Escolher o prefeito de um partido (ou coligação) e o vereador de outro é arriscado, e pode ser uma outra forma de dificultar a gestão da cidade. Quantas cidades estão reféns de brigas intermináveis entre prefeito e Câmara, onde nada anda?! A cidade fica parada no tempo. Se o prefeito consegue maioria na Câmara seus projetos, “andam” e são implementados, e a cidade se desenvolve.

  • Escolha um vereador que defenda as mesmas ideias do prefeito (que você quer ver eleito) e que assim vai ajudar a gestão da cidade.

E por fim, é preciso lembrar que o orçamento de todas as prefeituras vai estar muito apertado sendo importantíssimo uma pessoa de bom senso para aplicar bem o pouco que se terá.  Esse ano votar bem será essencial!!!