Eder Hoffmam I “Quem não é contra nós é a nosso favor” (Mc 9, 40). A Santa Mãe Igreja nos propõe, neste Domingo, mais
Eder Hoffmam I “Quem não é contra nós é a nosso favor” (Mc 9, 40).
A Santa Mãe Igreja nos propõe, neste Domingo, mais uma perícope do Evangelho segundo São Marcos. Junto de seus discípulos, Jesus ensina-lhes o valor da missão do apostolado e, igualmente, as consequências do anúncio e vivência dos valores cristãos.
A profecia – lembra-nos a leitura do Livro de Números 11,25-29– brota do Espírito de Deus. Seus desígnios e desejos são, portanto, irrepreensíveis e impossíveis de serem atalhados pelo homem. Quando informado que um homem desconhecido exorcizava, Jesus viu naquela ação a manifestação da vontade divina de libertar todos os homens. Se alguma ação é boa – assim ensinou-nos o Senhor– não deve ser impedida: “Quem não é contra nós é a nosso favor” (Mc 9,40).
Contudo, se vivemos e praticamos ações que desagradam a Deus, devemos prontamente rejeitá-las, ainda que nos causem grande perda. Os exemplos de Jesus causam-nos certo espanto pela força de suas palavras: o Senhor nos diz que é melhor perder alguns membros (olhos, mãos e pés) e entrar para a Vida do que, tendo todos, sermos lançado no inferno.
Ninguém negará que possuir mãos, pés e olhos sejam coisas boas. Quantas proezas, quantas maravilhas o ser humano já produziu com suas mãos (as artes, as ciências e a literatura, somente por exemplo); quantos lugares foram desbravados com seus pés e quantas maravilhas foram contempladas por seus olhos!
Mas, com pesar, devemos lembrar dos horrores que os nossos olhos já testemunharam com indiferença; das vezes que pisoteamos aqueles que necessitavam de nossa ajuda; dos instrumentos de morte e destruição que nossa mão foi capaz de empunhar.
Assim como nossos membros, nossa existência pode ser sinal de vida e edificação ou manifestação de morte e destruição. Cabe a nós, pela graça de Deus, discernir e manter em nossa vida cotidiana tudo que seja bom, justo e agradável a Deus e nossos irmãos, afastando de nós toda prática nociva e danosa a nossos irmãos.
Usemos com Sabedoria os dons que Ele nos confiou para a edificação de Sua obra. Vivamos nossa vida com nossas mãos, pés e olhares para aquele que é a fonte da Vida (Jo 4,14). Ele nos amará e saberá recompensar o mais simples ato de bondade, ainda que seja dar um copo de água ao que necessita (Mc 9,41).
Eder Hoffmam Daniel
Seminarista do 4º ano de Teologia.
Paróquia de origem: Bom Pastor – Campo Grande – Cariacica.
Paróquia de estágio Pastoral: Ressurreição – Goiabeiras – Vitória.
Dando continuidade às nossas reflexões acerca das dimensões da formação do Seminário, trataremos em seguida da dimensão comunitária. Tal dimensão possui uma influência substancial
Dando continuidade às nossas reflexões acerca das dimensões da formação do Seminário, trataremos em seguida da dimensão comunitária. Tal dimensão possui uma influência substancial em todas as demais, bem como em toda a vida cristã. Afinal, não é possível ser um cristão isolado, de maneira que a vivência da fé se dá, necessariamente, em comunidade.
A princípio, cabe destacar o que diz o decreto Presbyterorum Ordinis, sobre a vida dos presbíteros: “os presbíteros, elevados ao presbiterado pela ordenação, estão unidos entre si numa íntima fraternidade sacramental”. Em outras palavras, quando ordenados, os padres passam a fazer parte de uma família presbiteral, na qual todos os membros cooperam para um eficaz exercício do ministério um do outro, de modo que se forma um único presbitério sob a orientação do Bispo.
Além disso, o exercício do ministério presbiteral acontece, principalmente, nas comunidades paroquiais onde se congregam os fiéis e devotos. Por essa razão, é fundamental que haja uma profunda compreensão do que é, com efeito, a vida comunitária e qual o seu papel no desenvolvimento da fé do povo de Deus. À vista dessas realidades, já é possível imaginar a importância da dimensão comunitária no período de formação dos seminários.
Todo o processo formativo possui um caráter eminentemente comunitário. Isso parte do princípio no qual a conversão dos homens não acontece de maneira individualista; ao contrário, a comunidade é uma via para santificar-se a si mesmo, como também para santificar os demais. Isso se manifesta de maneira ainda mais evidente quando recordamos que o próprio Deus enviou profetas e apóstolos para anunciarem sua Palavra, fazendo uso de alguns homens para santificar os demais. Logo, percebe-se que a vida comunitária possui uma relação íntima com a vida espiritual, que é imprescindível no amadurecimento dos seminaristas.
Outro aspecto relevante é a oportunidade da prática das virtudes com ênfase na caridade. A fraternidade só é construída com um empenho constante para superar as formas de individualismo. Tal empenho se torna eficaz quando se busca vencer as formas do pecado com vistas à conquista das virtudes: a paciência, a mansidão, a misericórdia, a magnanimidade, etc. Assente nisso, não se pode esquecer que na caminhada vocacional, não somos competidores disputando o primeiro lugar; entretanto, somos irmãos em busca de uma comunhão sincera. Desse modo, o candidato purifica suas motivações e transforma sua própria conduta a fim de uma progressiva configuração a Cristo.
No intuito de buscar as realidades acima mencionadas, as casas de formação recomendam algumas práticas salutares: 1) Convivência e integração à comunidade; 2) Assumir gradualmente responsabilidades; 3) Trabalhar em equipe, sabendo receber e dar ajuda; 4) Escutar obedientemente o bispo e os formadores.
Tais práticas se desenvolvem no cotidiano da vida no seminário e promoverão um intenso amadurecimento humano e espiritual nos candidatos ao sacerdócio, como também tornará presente neles um crescente desejo pela comunhão.
Pe. Humberto Leopoldo Wuyts (1938-2014), décimo Reitor do Seminário, entre 1992 e 1995 (à esquerda); e Pe. Arlindo Moura de Melo, décimo primeiro Reitor,
Pe. Humberto Leopoldo Wuyts (1938-2014), décimo Reitor do Seminário, entre 1992 e 1995 (à esquerda); e Pe. Arlindo Moura de Melo, décimo primeiro Reitor, de 1995 a 1998 (à direita).
Para suceder ao Pe. Ivo Ferreira de Amorim na reitoria, o Sr. Arcebispo nomeou, em 16 de novembro de 1992, o Pe. Humberto Leopoldo Wuyts, missionário belga que já havia colaborado com o Seminário na qualidade de Diretor Espiritual. Pe. Humberto recebeu a notícia de sua nomeação por telefone, durante uma viagem à sua terra natal, na Europa.
Desde março daquele ano (1992), as duas comunidades (Teologia e Filosofia) estavam novamente reunidas na sede do Seminário, em Santa Helena. Pe. Humberto, para melhor acomodar os vocacionados, empreendeu uma obra de ampliação sobre o antigo salão construído nos anos 1950: onde outrora funcionavam dormitório e sanitários, depois da reforma passaram a funcionar refeitório e cozinha, com a adição de mais dois andares, com quartos para receber os seminaristas da Teologia.
Nesta época, a equipe de formadores contou com a colaboração dos Padres Josemar Stein e Paulo Régis Silvestre, como Vice-reitores; e do Pe. Renzo Florio (Pavoniano) como Diretor Espiritual.
Pe. Humberto permaneceu na reitoria até agosto de 1995, quando foi sucedido por Pe. Arlindo Moura de Melo. Pe. Arlindo, por sua vez, assumiu em 06 de agosto de 1995 e renunciou em 07 de julho de 1998, por razões de saúde.
CRUZ, Arnóbio Passos. Seminário Nossa Senhora da Penha: 50 anos de história (1951-2001). Vitória, 2001.
No último dia 16 de setembro, os reitores dos Seminários do Estado do Espírito Santo se reuniram em nossa Casa de Formação a fim
No último dia 16 de setembro, os reitores dos Seminários do Estado do Espírito Santo se reuniram em nossa Casa de Formação a fim de definirem a nova direção da Organização dos Seminários e Institutos Filosóficos-Teológicos do Brasil (OSIB), no Leste 3 (composto pelas quatro dioceses do Estado e fundado na última Assembleia dos Bispos, de 2021).
No encontro, a nova administração fora constituída pelos Padres Edgar Rigoni (da Diocese de Colatina) e Jorge Campos Ramos (da Arquidiocese de Vitória) eleitos presidente e vice-presidente, respectivamente. Ademais, o Pe. Thiago da Silva Vargas (Diocese de Cachoeiro de Itapemirim) foi escolhido como secretário e como tesoureiro, o Pe. André Luciano Masarim, da Diocese de São Mateus.
Sendo inserta nas Dimensões e Organismos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a OSIB tem o objetivo de estimular, orientar e promover o trabalho vocacional das Dioceses do país. Por este trabalho, as iniciativas em prol das vocações são alinhadas à ação evangelizadora e missionaria da Igreja no Brasil e relacionam-se com todas as diretrizes do CELAM e de toda a Igreja no mundo.
Uma nova reunião marcada para 03 de novembro contará com a participação dos reitores, vice-reitores, diretores do Propedêutico, diretores espirituais e com a direção do Instituto Interdiocesano Dom Silvestre Scandian. Nesta ocasião serão discutidas e traçadas novas perspectivas para a formação dos futuros presbíteros do Regional.
Dando prosseguimento às nossas exposições sobre “Como se forma um padre?”, começamos a meditar sobre as dimensões da formação, ou seja, quais são os
Na foto, o recém ordenado Pe. Daniel Calil em sua primeira Missa.
Dando prosseguimento às nossas exposições sobre “Como se forma um padre?”, começamos a meditar sobre as dimensões da formação, ou seja, quais são os critérios trabalhados durante a formação inicial de um presbítero. Neste texto, meditaremos sobre a segunda dimensão da formação, que é aquela que distingue o sacerdote de qualquer outra profissão: a dimensão espiritual.
“O sacerdote é um outro Cristo”, diz um antigo adágio. Ora, antes de ser qualquer outra coisa, o padre é um homem de Deus: sua primeira vocação é unir-se perfeitamente ao seu criador e configurar-se inteiramente a Cristo. Assente nisso, “a formação espiritual é orientada a alimentar e sustentar a comunhão com Deus e com os irmãos, na amizade com Jesus Bom Pastor e numa atitude de docilidade do espírito”[1]. “Esta íntima relação forma o coração do seminarista para aquele amor generoso e de oblação que representa o início da Caridade Pastoral”.[2] Logo, é fácil entender a importância da espiritualidade dentro dos seminários, os quais são, em palavras simples, casas de oração na qual o seminarista trilhará um caminho progressivo de vínculo com o Divino Mestre.
Às vistas desse fim, “a formação espiritual acontece por etapas”[3], de maneira que “o formando não passe à etapa seguinte sem antes ter demonstrado um efetivo crescimento em sua vida espiritual.”[4] Nessa perspectiva, a vida espiritual começa com a “Iniciação cristã”, uma vez que “antes de ser presbítero, é preciso ser discípulo”[5]. Assim sendo, a etapa propedêutica deve oferecer uma verdadeira Iniciação à vida Cristã, progressiva e sistemática, de maneira que complemente uma possível frágil formação religiosa e humana dos candidatos. A partir disso, é possível aprofundar a oração.
“O centro da formação espiritual é a união pessoal com Cristo, que nasce e alimenta-se de modo particular na oração silenciosa e prolongada”[6]. Assente nisso, o seminário dispõe de diversas práticas recomendadas pela Igreja e atestada pela vida dos santos; sendo as principais: 1) Leitura orante da palavra de Deus (Lectio Divina); 2) Recepção assídua dos sacramentos; 3) A Liturgia das horas e 4) os exercícios espirituais anuais.
“Ignorar as escrituras é ignorar Cristo”, exorta-nos São Jerônimo. Ora, antes de ser servidos da Palavra de Deus, será discípulo e ouvinte. “Por isso, com frequência, fará a leitura meditada e orante da Palavra de Deus (Lectio Divina), que é a escuta humilde e cheia de amor daquele que fala. É, de fato, à luz e pela força da palavra de Deus, que pode ser descoberta, compreendida, amada e abraçada a própria vocação. A familiaridade com a Palavra de Deus facilitará o itinerário de conversão não apenas no sentido de separar do mal para aderir ao bem, mas também no sentido de alimentar no coração os pensamentos de Deus”[7]
Além disso, a recepção assídua dos sacramentos guarda uma parte essencial na espiritualidade presbiteral. Com efeito, “o futuro presbítero, que será o principal animador e servidor da celebração litúrgica, tenha uma participação consciente e ativa na liturgia”[8]. Nesse contexto, deve-se ressaltar de forma especial o culto a eucaristia: “os candidatos à ordenação devem, antes de mais, ser formados a uma fé muito viva na Eucaristia”[9]. Ademais, não se deve esquecer que “a celebração frequente do sacramento da penitência, preparado através de um quotidiano exame de consciência, torna-se ocasião para que o seminarista possa reconhecer , com humildade, as próprias fragilidades”[10], como também “experimentar a alegria de ser perdoado pelo Senhor”.[11]
“Na vida de um presbítero não deve faltar a Liturgia das Horas, que representa uma verdadeira e própria “escola de oração” também para os seminaristas, os quais, aproximando-se gradualmente à oração da Igreja, através do ofício divino, aprendem a apreciar a sua riqueza e beleza.”[12]
Por fim, os exercícios espirituais anuais, mais conhecidos como retiro espiritual, configuram um “tempo de profunda revisão no encontro prolongado com o Senhor , vivido num clima de recolhimento e silêncio”[13]. Tais retiros estimulam uma interiorização para ouvir regularmente a voz do Pastor que ressoa nos corações, bem como na consolidação da decisão de consagrar a própria vida a Cristo.
Tudo isso é somente ínfima parte dos métodos que a sabedoria e experiência da Igreja recomenda aos candidatos ao sacerdócio, dos quais não é possível expor aqui a não ser sinteticamente. Não obstante, já é possível delinear como deve ocorrer a vida espiritual no seminário: uma íntima e progressiva união a Cristo, Mestre e Sacerdote do povo de Deus.
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🙋🏾♂️Olá jovem, você já pensou em ser padre?
⛪Nosso Seminário tem um convite muito especial para você! Venha participar do próximo Encontro Vocacional e refletir sobre o chamado de Deus para sua vida.
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Pe. Ivo Ferreira de Amorim: 9º Reitor do Seminário (1988 -1992). O Côn. Rubens Duque permaneceu na reitoria do Seminário de 1983 a 1988,
Pe. Ivo Ferreira de Amorim: 9º Reitor do Seminário (1988 -1992).
O Côn. Rubens Duque permaneceu na reitoria do Seminário de 1983 a 1988, contando com a ajuda dos Padres Antônio Lute, Antônio Rocha de Araújo e Ivo Ferreira de Amorim (vice-reitores); além de Pe. Humberto Wuyts (Diretor Espiritual). Em setembro de 1988, o Sr. Arcebispo nomeou Reitor o Pe. Ivo Ferreira de Amorim, permanecendo o Pe. Antônio Lute como vice-Reitor, e o Côn. Maurício de Mattos Pereira como Diretor Espiritual.
Em outubro do mesmo ano (1988), o Seminário recebeu a visita canônica de Dom Arnaldo Ribeiro (então Bispo Auxiliar de Belo Horizonte), na qualidade de visitador apostólico. Dom Arnaldo foi enviado pela Santa Sé para verificar se a formação estava caminhando conforme as diretrizes do Concílio Vaticano II e as orientações da CNBB. O visitador permaneceu seis dias junto à comunidade, e, ao final, fez algumas observações, mostrando-se em geral satisfeito com o que viu e ouviu.
Após a nomeação como Reitor, a partir de 15 de março de 1989 Pe. Ivo passou a exercer também a função de Diretor do Instituto de Filosofia e Teologia (IFTAV). Nessa época também colaboraram na formação os Padres Dauri Batisti, Josimar Bazoni, José Aledi e Paulo Régis Silvestre.
A 4 de abril de 1992, o Sr. Arcebispo, por necessidade jurídica e em conformidade com o Código de Direito Canônico (cânones 237 e 238), alterou, por meio de um decreto, o status jurídico do Seminário na Igreja, que passou a denominar-se “Seminário Maior Nossa Senhora da Penha”:
“Diante da necessidade constante que a Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo tem de novos presbíteros para realizar a sua missão, pelo presente DECRETO criamos o Seminário Nossa Senhora da Penha como Seminário Maior (cf. CDC 235 par. 1; Estatuto e Regra de Vida desde 22 de fevereiro de 1985). Trata-se de uma ‘Casa de Formação’, destinada a acolher jovens com maior idade e com o segundo grau completo, para um período de aprofundamento religioso com vista ao Sacerdócio. ‘O Seminário Maior representa o período conclusivo do processo de discernimento vocacional’ (cf. CNBB, doc. 30, nº 59), onde os jovens realizam uma experiência de vida comunitária, desenvolvem sua maturidade humana e espiritual, a exemplo dos discípulos de Jesus Cristo, e realizam trabalhos pastorais. Salientamos ainda que esta Instituição servirá de residência para os jovens durante o período de formação, na companhia de alguns padres formadores. As atividades intelectuais destinadas a alcançar o Ministério Sacerdotal serão realizadas em Centros de Estudos Especiais.
Vitória, 04 de abril de 1992.
Dom Silvestre Luiz Scandian – Arcebispo de Vitória”.
CRUZ, Arnóbio Passos. Seminário Nossa Senhora da Penha: 50 anos de história (1951-2001). Vitória, 2001.
Tal como no último mês falamos das vocações a que Deus chama seus filhos, em setembro temos o convite de meditação e aprofundamento das
Tal como no último mês falamos das vocações a que Deus chama seus filhos, em setembro temos o convite de meditação e aprofundamento das Sagradas Escrituras, pela qual Deus falou e fala ao coração dos homens (cf. CIC 109).
Ao longo de todo o mês, apresentaremos a beleza do chamado de grandes homens e mulheres das Escrituras que foram convidados a uma importante missão em meio ao povo de Deus, ouvindo e correspondendo à voz do Senhor.
Antes dos relatos da vocação de Abraão, Sara, José, Moisés, ou ainda, do convite de Jesus aos discípulos, serem escritos pelos autores inspirados por Deus, outras pessoas tiveram uma profunda experiência de fé, em meio a tantas adversidades e circunstâncias, confiando suas vidas ao amor de Deus (cf. CIC 106-108).
O Concílio Vaticano II ensina que, “todo o homem aparece como o destinatário da Palavra, interpelado e chamado a entrar, por uma resposta livre, em tal diálogo de amor” (Verbum Domini, n. 22). Logo, a leitura da Palavra de Deus deve ser muito mais que algo automático, mas, ao contrário, devemos aproximarmo-nos dela com reverência, como quem escuta a voz de uma pessoa amada que fala ao coração, numa conversa amorosa, que deseja o bem-supremo, a salvação e a felicidade eternas.
Ao ouvirmos, por exemplo, o Senhor que diz a Abrão “…vai para a terra que eu te mostrar” (Gn 12, 1), podemos nos colocar diante de tal solicitação de Deus. A quais lugares o Senhor deseja que nos desloquemos? Quais terras, quais pessoas sou convidado a encontrar? Que apegos devem ser deixados para trás para que possamos abraçar os projetos de Deus?
Ao adentrarmos os textos bíblicos, vemos ali a fragilidade humana, os medos que estão secretamente encerrados dentro de cada um de nós (cf. Verbum Domini, n. 24) e mesmo os grandes homem e mulheres da Bíblia encontraram dentro de si, em maior ou menor intensidade. Isso faz-nos ainda mais próximos daquelas realidades.
O Senhor Deus, portanto, sabe de nossa fragilidade, mas ainda assim, quer contar conosco, sabedor da nossa dificuldade de falar (cf. Ex. 4, 10), do nosso sentimento de indignidade e pequenez diante da grandeza do chamado (cf. Jr 1, 6; Lc 1, 34), ou até mesmo de nossas infidelidades (cf. Jo 21, 17). Assim mesmo Ele nos chama, como muitas vezes em sua Palavra, e espera de nós uma resposta de confiança e liberdade, no amor.