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NOSSA SENHORA DE KIBEHO: uma aparição profética que o mundo não quer lembrar? Como é que é possível que nossa tão querida Mãezinha do

NOSSA SENHORA DE KIBEHO: uma aparição profética que o mundo não quer lembrar?

Como é que é possível que nossa tão querida Mãezinha do Céu, apareça em 1982, com sinais tão fortes quanto as de Fátima, e tantos de nós simplesmente nunca tínhamos ouvido falar!? Como a primeira aparição da Virgem Maria no continente africano, já reconhecida oficialmente pela igreja católica, é tão desconhecida? 

Vamos conhecer essa aparição de Maria, tão simplesmente vestida de branco, com seu manto azul com as mãos em prece e um terço. Maria apareceu em Kibeho, Ruanda, centro da África, primeiro à jovem estudante Afonsina Mumureke, em final de 1981 e depois para Natália Mukamazimpaka e Maria Clara Mukangango, a pedido de Afonsina em 1982, quando então a comunidade passou a levar a sério as aparições. 

A descrição das aparições nos mostra a doçura de Maria: Alfonsina estava servindo suas colegas no refeitório quando ouviu nitidamente uma voz que a chamava: “Minha filha, venha até aqui”. Ela foi até lá e viu, pela primeira vez, a Senhora. Ela ficou assustada e pediu à desconhecida que fosse embora. A Santíssima Virgem então se apresentou falando no dialeto ruandês:  “Eu sou a Mãe do Verbo”. 

A estudante saiu correndo, contando todo o ocorrido às religiosas do seu colégio e às colegas, mas ninguém lhe deu crédito, zombando dela. Ela pediu então à Nossa Senhora que aparecesse para duas amigas, uma das quais muito cética. Maria apareceu para as três e só então as mensagens foram aceitas.  Muitas foram as aparições. Em uma delas, Maria se apresenta chorando por não estar sendo ouvida, pela teimosia do povo em seguir caminhos que distanciavam de Deus. Foi na última aparição coletiva, em 15 de agosto de 1982, que Maria profetizou e possibilitou a verificação da autenticidade das aparições alguns anos depois quando se confirmou a terrível realidade. 

Vejam a descrição desta data: Maria apareceu para às três videntes juntas, diante de vários peregrinos e se identificou como Nossa Senhora das Dores e lhes mostrou cenas impressionantes que enchiam de dor seu imaculado coração. Era um verdadeiro mar de sangue, pessoas que se matavam entre si, cadáveres abandonados sem sepultura, corpos mutilados, deitados ao redor, centenas de cadáveres decapitados e mutilados que flutuavam no rio sangrento”. (https://santinhoz.com.br/nossa-senhorinha-de-kibeho/) 

Maria alertava fortemente ao povo sobre a revolta do mundo contra Deus e pedia muita oração, penitência e jejum para impedir o que estava por vir. Mas poucos levaram a sério as suas mensagens. A notícia da aparição sensibilizou o Papa João Paulo II que em 1990  visitou Ruanda e na ocasião “exortou o povo Ruandês a se recorrer à Virgem Maria como sua protetora e guia; ao mesmo tempo recomendou ao povo o espírito de reconciliação evitando as lutas políticas e étnicas”.

As visões que as três jovens ruandesas tiveram durou oito horas seguidas e foi a antecipação da guerra civil deflagrada entre abril e julho de 1994 por conflitos étnicos ancestrais entre tútsis e hútus, quando Ruanda viveu seu próprio genocídio, profetizado por Maria. Depois do assassinato do presidente hútu de Ruanda, os grupos de hútus radicais acusaram os tútsis do ataque e no dia seguinte, sem qualquer prova ou evidência, deflagraram um massacre frenético aos tútsis (um grupo étnico minoritário no país, considerados elite, muitos dos quais católicos) e até aos hútus moderados. 

É triste saber que o mundo apenas assistiu passivamente ao genocídio por 100 dias e é importante não esquecer a grave omissão da ONU, que reduziu drasticamente suas tropas ao ser informada do provável massacre, indicando ter sido então o massacre algo planejado, e só enviou tropas pacificadoras após o massacre, o que contribuiu muito para o desfecho trágico vivido em Ruanda. A ONU reconheceu publicamente, anos depois, o seu erro. As dores de Maria foram muitas!

Durante os 100 dias de massacre, os tútsis foram praticamente disseminados. No pequeno vilarejo aonde Nossa Senhora fez as profecias sobre o sombrio futuro, morreram 20 mil pessoas. A população do vilarejo caiu de 58 mil para menos de 20 mil. No país morreram 800 mil pessoas.  As videntes Alfonsina e Natália sobreviveram ao massacre, mas Maria Clara e seu marido não.

Com a confirmação das profecias de Nossa Senhora das Dores de Kibeho a veracidade das aparições de Maria ficou irrefutável. Mesmo assim, nossa Mãezinha do Céu quis mostrar mais a força das suas mensagens. No dia 31 de maio de 2003, ano da  consagração do  Santuário à Nossa Senhora das Dores de Kibeho, na presença de vários enviados do Papa João Paulo II e de todos os bispos ruandeses, além de muitos fiéis, se repetiu o fenômeno da “dança do sol”, como em Fátima, no dia 13 de outubro de 1913 e foi filmado e fotografado por repórteres profissionais e amadores. Você ficou sabendo? Eu não! Como o fenômeno da “dança do sol” que sacudiu o mundo em Fátima em 1916, em plena Primeira Guerra Mundial, em Kibeho, em 1982, não foi nem devidamente “registrada” pelos nossos meios de comunicação? Será que não havia interesse em escancarar a omissão de tantos de nós diante das graves consequências anunciadas por Maria, pelos numerosos pecados coletivos que se cometiam em Ruanda? Seria por obra do demônio que provocou confusão, como em outras aparições, criando falsos videntes para desacreditar as verdadeiras manifestações de Deus e assim nos fazer esquecer? 

Não podemos desconhecer Kibeho. Não podemos esquecer Kibeho!

Maria que trouxe Jesus em seu ventre é a Nova Arca da Aliança. Diante dela o sol dançou, tanto em Fátima, quanto em Kibeho.   Ela é a mãe de Deus e como protegeu Jesus, quer nos livrar do mal. Pisar na cabeça da serpente. Não nos quer divididos em tribos rivais, não nos quer longe dos ensinamentos de seu amado filho. Rezem como ela pediu o “Terço das Sete Dores de Maria”! (entre outros links  possíveis acessem: https://www.youtube.com/watch?v=7ns8MUIesq0 ). 

O mundo se distancia de Deus, mas eu não escolho esse caminho. Podemos mudar o mundo se cada um individualmente rezar por isso e fazer a sua parte. Primeiro pelo nosso pequeno mundo, o nosso EU. Depois pelo nosso pequeno círculo externo: família e amigos e, depois, como nos círculos de ondas concêntricas em um lago, podemos, tudo pela fé e graça de Deus, mudar nosso mundo. 

Vania Reis

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Estamos às vésperas da abertura da Campanha da Fraternidade de 2022 que novamente nos traz a questão da educação para reflexão e ação efetiva

Estamos às vésperas da abertura da Campanha da Fraternidade de 2022 que novamente nos traz a questão da educação para reflexão e ação efetiva em nossas comunidades. Especialmente a educação escolar nos convoca para uma grande atenção diante dos novos desafios. A pandemia da Covid-19 no Brasil agravou ainda mais as desigualdades socioeconômicas entre alunos da rede pública e alunos da rede privada, geralmente em melhores condições econômicas.

Em 2018, a metodologia internacional que avalia os sistemas de ensino no mundo todo chamado de Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) apontava o Brasil como uma das cinco economias mais desiguais do mundo em relação à educação. São desigualdades sociais, econômicas, raciais e de gênero. Todas elas agem de maneira integrada e sempre que um setor for afetado, os demais também serão. Assim, uma desigualdade de cunho econômico também espelha uma desigualdade de raça e de gênero. Com a pandemia, essa situação piorou ainda mais.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) do Brasil em 2019 apontava que, com base no Censo Escolar, o Brasil possuía 27% das escolas de Ensino Fundamental e Médio sem nenhum acesso à internet. A pandemia tornou ainda mais caótico esse caminho para acesso ao estudo. Chega-se assim numa constatação triste da precariedade tecnológica das escolas. Se as próprias escolas estão nessa situação, o mesmo estudo apontava que os alunos com menor acesso à internet e a dispositivos de comunicação a distância ou com menor disponibilidade para acompanhar as atividades de ensino remoto são os mais prejudicados.

O retorno às aulas nesse momento não sinaliza para a solução dessas desigualdades. Caberia perguntar como estão voltando os nossos alunos para as salas de aula? Como estão retornando ao ensino presencial os nossos professores? Houve algum planejamento integrado para esse retorno focando determinados objetivos de curto, médio e longo prazo?

Os alunos da rede pública além de terem menos aulas presenciais ou remotas, também tiveram muitas dificuldades com estrutura adequada para a aprendizagem. Geralmente sem cômodo adequado em suas casas, muitas vezes sem internet e quase sempre sem computador, tendo inclusive que dispor de um simples aparelho de celular para toda a família. Configurou-se de maneira clara como vivemos num processo de exclusão digital.

Algumas pesquisas realizadas no Brasil apontam mais de 46 milhões de brasileiros incluídos na exclusão digital. Uma em cada cinco pessoas no Brasil acessa a rede digital emprestando a conexão de um vizinho. A pesquisa que mostra o acesso à internet considera que se uma pessoa acessou a rede nos últimos três meses pelo menos uma vez ela é considerada usuária de internet.

A situação fica ainda mais agravada considerando o que publicou a UNESCO de que o Brasil foi um dos países com maior tempo de suspensão das aulas presenciais. Ao final de 2020, 90% das escolas de educação básica estavam com aulas presenciais suspensas. Calcula-se que o percentual de alunos da rede pública que não teve aulas durante a pandemia seja quatro vezes superior aos alunos da rede privada. A grande preocupação dos pesquisadores e atores que trabalham com a educação é que determinados resultados negativos podem tornar-se duradouros, caso não haja investimentos adequados para a superação das desigualdades.

Essa realidade afeta nossas crianças que começam a dirigir-se à escola. De maneira muito triste percebe-se como estão acontecendo os atrasos nos processos de alfabetização. As iniciativas conduzidas pelas instâncias administrativas em relação a não reprovação dos alunos dissimularam o real problema causado pela grande desigualdade presente nos estudantes brasileiros e agravados com a pandemia. Alguns argumentam que a não reprovação evitaria outro grande mal, a evasão escolar. Tantas vezes temos a impressão de estarmos diante de uma realidade tão complexa que apenas paliativos são tomados como medidas; são medidas para justificar a incompetência de conduzir a educação brasileira. Estamos parecendo cegos em meio a um grande tiroteio, sem saber de onde estão vindo as balas que nos matam.

O cenário não é animador. Que impactos teremos em nossos jovens estudantes em sua vida social, em sua formação profissional, em sua formação de renda, em sua vida? No momento atual do Brasil, o movimento de candidaturas para as próximas eleições parece tomar conta dos noticiários. Até quando nossos governantes e candidatos adotarão modos de fingir diante dessa realidade? A educação compõe a política pública que transcende qualquer plano de governo. Todos os governos deveriam incluir em seus projetos de conduta governamental uma educação que rompa esses estágios degradantes de desigualdade entre nós. Perguntar pelo que esperar da educação nos remete a perguntar a cada candidato o que podemos esperar dele como governador, como senador, como presidente, como deputado em relação à educação.

O tempo da quaresma deveria servir para que os católicos e cristãos apresentassem aos diversos setores governamentais propostas para a instituição de políticas públicas que ajudem os brasileiros a superarem os estágios degradantes da desigualdade social. O jejum da quaresma não está dissociado da prática da justiça, da libertação das pessoas de seus níveis de degradação educacional.

O Papa Francisco nos convoca para um Pacto Educativo Global alertando que o coronavírus acentuou a disparidade de oportunidades educacionais e tecnológicas, a ponto de constituir-se uma “catástrofe educativa”. A Campanha da Fraternidade então deve nos permitir olhar em frente com coragem e esperança, pois na educação há uma semente de esperança de paz e justiça, de beleza, de bondade. Uma esperança de harmonia social concreta decorrente da redução drástica das desigualdades educacionais.

Edebrande Cavalieri

Nos dois primeiros artigos desta série analisamos os pontos em comum entre as aparições de Maria reconhecidas pela Igreja Católica. Reunimos inicialmente as aparições

Nos dois primeiros artigos desta série analisamos os pontos em comum entre as aparições de Maria reconhecidas pela Igreja Católica. Reunimos inicialmente as aparições em que Maria que foca sua mensagem no pedido de amor e respeito ao próximo, às diferenças, combatendo o racismo e nos conclamando a entender que todos somos filhos de Deus, nas aparições de Nossa Senhora de Guadalupe, de Sion e de Aparecida. (Artigo: As Aparições de Maria: Senhora por que choras?)

No segundo artigo falamos das aparições em que Maria se apresenta chorando: Nossa Senhora da Siluva, na Lituânia e Nossa Senhora de La Salette, na França demonstrando sua grande tristeza com a ofensa a seu filho com a destruição de sua igreja, da perda da fé e do afastamento de seus filhos dos ensinamentos de Jesus. Nossa Senhora de La Salette, também fez profecias mostrando o futuro sombrio que estava à frente.

Hoje falaremos do último grupo de aparições de Nossa Senhora: as aparições em que Maria nos pede penitência e orações e faz profecias (a maior parte já concretizada) mostrando ao povo o que lhes aconteceria se não mudassem de conduta. As primeiras três aparições já muito conhecidas foram: a de Nossa Senhora das Graças Medalha Milagrosa, na França (1830); a de Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Lourdes, França, (1858) e a da Senhora do Rosário, a Nossa Senhora de Fátima, Portugal (1916).  As profecias e as mensagens serão nosso foco.

Nossa Senhora das Graças (Medalha Milagrosa), França, profetizou os males que em poucos dias explodiriam em Paris com a Revolução de 1830: as “desordens sociais e políticas que derrubaram o rei Carlos X […] e, por toda a parte, manifestações de um anticlericalismo violento e incontrolável: igrejas profanadas, cruzes lançadas por terra, comunidades religiosas invadidas, devastadas e destruídas, sacerdotes perseguidos e maltratados”. A Maria pede orações e que se faça uma medalha, dá todas as características para a fabricação e estampa sua mensagem: Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a Vós” que nos mostra que desde o ventre de SantAna, Maria venceu Satanás e seus demônios. A “Medalha Milagrosa” conhecida pelo tanto que se conseguia por sua intercessão. Suas mensagens mostrava-nos os muitos demônios que estavam por vir e a força das orações para transformar essa realidade.

Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Lourdes apareceu na França pouco tempo depois, em 1858 e a fonte de água que Maria revelou à Bernardette foi e é também fonte de milagres desde o primeiro momento que a água jorrou. Pedia penitência e orações. A França na época vivia um forte movimento anticlerical e a resistência à Igreja Católica vinha principalmente do ideário da Revolução Francesa de 1789. O Papa era o beato Pio IX e três anos antes da aparição havia proclamado os dogmas da Imaculada Conceição e da infalibilidade papal! Ele conduzia uma Igreja internamente desunida e externamente atacada por todos os lados. Nossa Senhora ao aparecer para aquela menina de 13 anos (como Padre Paulo Ricardo descreve) pobre, analfabeta, asmática, baixinha, mirrada e sem catequese, a escolhe para ser sua mensageira e lhe revela seu nome na 16ª aparição: “Eu sou a Imaculada Conceição” confirmando os dogmas e ao mesmo tempo dando a prova da autenticidade da aparição às autoridades religiosas da Igreja.

Em 1917 Nossa Senhora de Fátima aparece para os três pastorezinhos e faz pedidos seguidos de orações e penitência. Depois de muitas aparições, revela os segredos que cada um dos pastores deveria guardar até certa data. A primeira e a segunda parte do “segredo de Fátima”, dizem respeito à pavorosa visão do inferno, à segunda guerra mundial, e depois ao prenúncio dos danos imensos que a Rússia, com a sua deserção da fé cristã e adesão ao totalitarismo comunista, haveria de causar se a humanidade não desse ouvidos aos apelos que ela fazia. Maria pedia a devoção ao seu Imaculado Coração .

Em 1917 o mundo estava em sua Primeira Guerra Mundial, já a três anos e era considerada por muitos como a mais terrível das guerras. “Foi nesse ano que os Estados Unidos (e o Brasil) entraram na guerra junto à França e contra a Alemanha. [..] Milhares de homens morreram instantaneamente em bombardeios ou envoltos em imensas nuvens de gás tóxico. Sim, houve guerra química na Primeira Guerra. O saldo de mortos foi de um total de 8 milhões, dentre estes, 1.800.000 apenas de alemães”. (https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/primeira-guerra-mundial.htm). Para se avaliar melhor esses números: até hoje a Covid 19 matou 5,85 milhões de pessoas no mundo todo. Assim, a morte por Covid em todos os países do mundo equivale a 73% dos mortos na Primeira Guerra mundial.

As profecias da Maria de fato aconteceram: a Segunda Guerra Mundial ocorreu de 1939 a 1945 e a revolução comunista na Rússia eclodiu um mês depois da sexta aparição. Nossa Senhora vinha pedir a conversão do povo pois, do contrário, “duras perseguições se desencadeariam contra a Igreja e a mão de Deus puniria a terra por sua infidelidade”.

A última aparição deste último grupo foi a aparição bastante desconhecida: a de Nossa Senhora das Dores em Ruanda em 1981. A primeira aparição de Maria, reconhecida pelo Vaticano, no Continente Africano. Uma aparição muito impactante e inacreditável que seja tão desconhecida por nós. Mas esta merece um destaque especial que veremos na semana que vem.

Vania Reis

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Tenho ouvido algumas pessoas dizendo que a questão da sinodalidade se refere a uma vontade do Papa Francisco, demonstrando assim um certo desconhecimento teológico

Tenho ouvido algumas pessoas dizendo que a questão da sinodalidade se refere a uma vontade do Papa Francisco, demonstrando assim um certo desconhecimento teológico e um caminhar eclesial aos moldes do mundo. Essas pessoas demonstram até desconhecer as Sagradas Escrituras especialmente o livro de Atos capítulo 15, conhecido como o texto do Concílio de Jerusalém. Naquele momento, os apóstolos reunidos em torno do problema da prática da circuncisão nos ambientes não judaicos mostraram como a Igreja deveria ser conduzida ao longo da história no discernimento do Espírito.

Apresentaremos aqui algumas ideias que nos parecem centrais e que foram inseridas no documento preparatório ao Sínodo dos Bispos, e que serve para a fase diocesana da escuta sinodal. Em 2015, o Papa Francisco nos disse que “aquilo que o Senhor nos pede, de certo modo está já tudo contido na palavra “Sínodo”. Caminhar juntos – leigos, pastores e Bispo de Roma – é um conceito fácil de exprimir em palavras, mas não é fácil pô-lo em prática”.

A Arquidiocese de Vitória, depois de três anos, concluiu em 2009 seu I Sínodo Arquidiocesano. Portanto, já temos uma experiência bem prática da caminhada sinodal. Naquela Sínodo tínhamos como tema “Caminhar juntos na acolhida fraterna e na esperança”. Lembram? Sentimos concretamente que em alguns grupos havia muita dificuldade no caminhar juntos. O momento da escuta sinodal teve até resposta formal às questões propostas sendo o coordenador da comunidade ou da paróquia o responsável pelas mesmas. Outros grupos nem participaram daquela caminhada. Era desejo da Igreja conduzida por Dom Luiz Mancilha Vilela ouvir todas as forças vivas da Igreja e as pessoas que se afastaram da vida eclesial.

No ano passado fomos convocados pela Igreja latino-americana para caminhar juntos na I Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe ocorrida na cidade do México, sob o olhar de Nossa Senhora de Guadalupe. Como a nossa Igreja particular manifestou sua participação naquele evento? Tivemos muitas dificuldades na escuta do povo de Deus em função da pandemia da Covid. Isso é verdade, mas de alguma forma deveríamos participar, mesmo de maneira virtual, como fizemos com as celebrações e festas. A escuta sinodal é sempre um grande desafio para a Igreja, pois pressupõe sempre o caminhar juntos.

O documento preparatório nos alerta dizendo que o conceito de sinodalidade é até fácil de ser compreendido. O difícil mesmo é realizar uma experiência de sinodalidade de maneira vivencial. É muito mais que organizar grandes celebrações encantadoras, ou encontros de lideranças e retiros, e assembleias de Bispos. A experiência da sinodalidade envolve o tema do Sínodo dos Bispos como comunhão, participação e missão. Trata-se de uma experiência que se apresenta como sinal profético.

Querer reproduzir a sinodalidade com as formas políticas de organização social não nos leva ao cerne do caminho. A sinodalidade é o caminho que Deus espera da Igreja nos tempos atuais. É um dom e uma tarefa, caminhando lado a lado, ouvindo cada um e todos, discernindo o caminho a partir da escuta da Palavra. Somente assim o nosso caminhar juntos será o que mais implementa e manifesta a natureza da Igreja como Povo de Deus.

São João Crisóstomo dizia que “Igreja e Sínodo são sinônimos” e por isso ninguém nela deve ser elevado acima dos outros. O Papa Francisco nos diz que muitas vezes o Bispo deve ir a frente, outras vezes no meio ou atrás. Quem desejar se aprofundar nos estudos da sinodalidade tem a sua disposição publicado em 2018 o documento “A sinodalidade na vida e na missão da Igreja” produzido pela Comissão Teológica Internacional com aprovação do Papa Francisco. Nesse documento há uma grande síntese em forma de 121 parágrafos a respeito da teologia da sinodalidade e pode ser encontrado no Portal vatican.va. Além desse texto, podemos refletir um pouco mais tendo o documento preparatório do sínodo como referência.

O esforço para estudo é importante contudo, o principal é a nossa experiência vivida como sinodalidade na Igreja. Um grupo que se fecha no seu cantinho separado dos demais não leva a vida numa experiência sinodal. Grupos que disputam audiência na mídia, grupos que se isolam numa diocese, mesmo sendo forças vivas, não caminham na perspectiva sinodal. Os apóstolos saíram em missão no mundo inteiro da época, contudo estavam caminhando juntos, enfrentando juntos até mesmo a morte. A história dos mártires nos mostra como caminharam juntos para o suplício testemunhando a fé e por isso mesmo se dizia nos corredores dos palácios romanos que o sangue dos mártires era semente de novos cristãos.

A sinodalidade é a grande semente da Igreja para os tempos atuais, tão desafiadores. Ou caminhamos juntos, ou nos perdemos no meio do mundo e das disputas político-ideológicas. As divisões na Igreja são nossas grandes feridas, nossas fraquezas, nosso falso testemunho. Mas os sinais de esperança aparecem em cada cantinho eclesial presente no mundo.

O Sínodo dos Bispos que terá a assembleia em outubro de 2023 em Roma deverá ser expressão da colegialidade episcopal, e dentro de um Igreja toda sinodal, nos adverte o Papa Francisco. A Igreja de Jesus Cristo tem no vértice o colégio apostólico onde Pedro é a “rocha”, mas numa pirâmide invertida demonstrando assim o sentido da ministerialidade enquanto serviço.

A sinodalidade nos conduz no caminho de uma Igreja servidora que se realiza nas Igrejas particulares, nas Regiões episcopais, nas Conferências Episcopais e no último nível na Igreja universal conduzida pelo Papa. Somente assim de maneira plena podemos falar de uma Igreja Povo de Deus que se realiza concretamente no ser comunhão e na participação ativa de todos os seus membros na sua missão evangelizadora. A sinodalidade então se efetiva numa Igreja em saída de si, não auto-referente, rumos às periferias geográficas e existenciais.

Edebrande Cavalieri

Semana passada falamos das aparições de Nossa Senhora de Guadalupe, de Nossa Senhora de Sion e estendemos as reflexões para Nossa Senhora de Aparecida,

Semana passada falamos das aparições de Nossa Senhora de Guadalupe, de Nossa Senhora de Sion e estendemos as reflexões para Nossa Senhora de Aparecida, que apenas apareceu, mas trouxe simbolicamente a mesma mensagem. Essas aparições de Maria tiveram alguns pontos em comum e divergiram das demais aparições. Em nenhuma delas Nossa Senhora fez profecias ou pediu orações, mas em todas, de uma forma ou de outra, pediu o amor e respeito ao próximo, às diferenças, combatendo o racismo e nos conclamando a entender que todos somos filhos de Deus.

Hoje vamos falar das aparições (reconhecidas pela Igreja Católica) em que Maria se apresenta chorando: Nossa Senhora da Siluva, na Lituânia e Nossa Senhora de La Salette, na França.

A primeira aparição de Nossa Senhora na Europa foi na pequena cidade de Šiluva na Lituânia em 1608. A Lituânia era um país católico, mas atravessava momentos difíceis, principalmente a Igreja Católica com o avanço protestante no país quando muitas pessoas abandonaram a fé.

Maria apareceu chorando no local em que tinha sido construído 150 anos antes a primeira igreja dedicada ao nascimento de Maria. A pequena igreja de Siluva construída em homenagem à Natividade de Maria foi saqueada e queimada como muitas outras construções religiosas no país.

Aqui cabe uma pequena pausa para lembrar que Nossa Mãezinha, que carregaria Deus em seu ventre não poderia ter “a privação da santidade e justiça” que o pecado original carrega.  Assim foi no ventre de Sant’Ana que aconteceu a primeira derrota do demônio, pois todos que nasciam, até então eram “escravos” de Satanás pelo pecado original (Concílio de Trento). Negando essa condição à Maria os protestantes a feriam assim como os católicos omissos ou que a abandonavam também.

Maria apareceu chorando primeiro para jovens pastores que ali cuidavam de seus rebanhos e depois para várias pessoas da cidade.  Depoimentos desta aparição descreveram: “Numa grande pedra que lá havia, uma jovem e linda senhora aparece com um menino no colo. Ela tinha cabelos ao vento, estava toda arrumada, mas, em silêncio, chorava profundamente.”  (https://maejesus.blogspot.com/2016/02/nossa-senhora-de-siluva.html). “Senhora por que choras?” Maria responde que chorava pela profanação que seu filho (e ela) estavam sofrendo naquele local, pois ali era o lugar onde seu Filho fora adorado e que agora era um pasto para animais. Seu choro tocou profundamente aquelas pessoas. Muitos milagres passaram a acontecer por interseção dela, conseguindo o que ela pedia: que o povo se convertesse e se reconciliasse com Deus e que o catolicismo se restabelecesse na Lituânia.

A outra aparição que Maria aparece chorando foi nas montanhas de Salette.
Maria apareceu três vezes na França: em 1830 – Nossa Senhora das Graças Medalha Milagrosa e 16 anos depois; em 1846 – Nossa Senhora de La Salette, quando apareceu chorando novamente e 12 anos depois em 1858 – Nossa Senhora da Imaculada Conceição, de Lourdes. Nenhum outro país foi agraciado com tantas aparições.

Pouco mais de 30 anos depois da Revolução Francesa que historicamente marca o fim da Idade Moderna e o início da Idade Contemporânea, os efeitos nefastos para os valores cristãos já se faziam presentes. O berço das ideias revolucionárias que trouxe muitos aspectos positivos para a humanidade, foram se desdobrando na (muitas vezes triste) realidade que vivemos hoje.

A Senhora alta e toda de luz que se vestia como as mulheres da região (vestido longo, um grande avental, lenço cruzado e amarrado as costas e touca de camponesa) conhecida como Nossa Senhora de La Salette tinha muitos motivos para chorar. Ela apareceu primeiramente sentada, com as mãos cobrindo o rosto e chorando para dois jovens e humildes camponeses, quase analfabetos: Melanie Calvat e Maximim Giraud. A Senhora primeiro falou de sua grande tristeza com a ofensa a seu filho com a destruição de sua igreja (como em Siluva), mas aqui em proporções muitos maiores. A igreja era perseguida sacerdotes e freiras eram mortos, como a aristocracia francesa foi. Ao mirarem na Igreja apontaram os canhões para a religião.

Como depois aconteceu em Lourdes, Maria deixou a cada um dos camponeses segredos que só puderam ser revelados posteriormente: o de Maximin tratava da perda da fé na França, da Igreja se movendo na escuridão e da ascensão do anticristo. O segredo de Mélanie falava da perda da fé em Roma e de uma vindoura perseguição contra o Papa, os sacerdotes e os religiosos. Maria mostrava o sofrimento que haveria se o povo não se voltasse a Deus, avisando da fome e peste que recairiam sobre o continente europeu, caso não se convertessem.

Suas mensagens em sua vestimenta, como as de Guadalupe, também foram não verbais, simbólicas. Do seu pesado colar pendia um crucifixo resplandecente, com um martelo de um lado, e de outro uma torquês (instrumento para tirar pregos grandes ou cravos). O martelo (do seu lado esquerdo) simboliza os pecados da humanidade que pregam cravos em Jesus.  A torquês ou alicate (do seu lado direito) simboliza a oração e a conversão.  Deixando a mensagem de que “Cada vez que um coração se volta para Deus, um cravo é tirado de Jesus crucificado”. Chorando Maria pede que possamos escolher o alicate e aliviarmos o sofrimento de seu filho.

Nas ocasiões em que apareceu em pé seus braços estavam cruzados ela mostrava a sua tristeza por sua impossibilidade de ajudar. Maria não pode nos ajudar se nós não procurarmos abandonar a vida longe dos ensinamentos de Jesus. Em outras palavras, Maria não consegue nos ajudar se não reconhecermos que estamos em pecado por estarmos distantes de Deus. Sua pesada corrente sobre os ombros complementando essa mensagem mostra que Ela está acorrentada por estarmos distantes de Deus.

O primeiro pecado de todos os tempos é o do ser humano preferir a si próprio que a Deus. “Eu dou conta!”, “Eu consegui!” “Eu tive sorte”, “eu realizei” “eu posso”.  São “mantras da pós-modernidade, do individualismo, do egocentrismo! Enquanto eu negar a ação de Deus na minha vida, estarei em pecado: pecado contra a razão, contra a consciência. Maria nos pede conversão e oração. Jesus nos ensina a humildade. Cabe a nós agirmos com Jesus no coração para que Sua mãe não chore mais e para isso pedimos a ajuda de Deus!

Vania Reis

 

O Sínodo dos Bispos que acontecerá em outubro de 2023 em Roma já se iniciou na chamada fase diocesana que vai de outubro do

O Sínodo dos Bispos que acontecerá em outubro de 2023 em Roma já se iniciou na chamada fase diocesana que vai de outubro do ano passado até agosto de 2022. É desejo e decisão do Papa Francisco que esse caminho implique o envolvimento de todo o povo de Deus. Nesse momento é o tempo das Igrejas particulares manifestarem suas percepções a respeito do tema “Comunhão, Participação e Missão” e nesse sentido cada bispo deverá dirigir-se a todos os seus presbíteros, diáconos e fieis leigos, envolvendo todas as forças vivas presentes em cada diocese, para ouvir o que eles têm a dizer sobre esses temas na Igreja particular.

Esse é o momento da escuta sinodal. Como se caracteriza essa escuta?

Tomando como referência o documento preparatório, trata-se da escuta principalmente dos clamores dos pobres e da terra em vista do reconhecimento das sementes de esperança e de futuro para a Igreja. A orientação do Magistério da Igreja é para que os bispos não tenham medo de se colocarem à escuta da Grei que lhes foi confiada. Somente assim a grande assembleia do sínodo em Roma estará enraizada na história de todo o povo de Deus espalhado pelo mundo afora. O Sínodo dos Bispos não é uma assembleia de notáveis, mas reunião dos pastores da Igreja espalhada pelo mundo todo.

Cada Igreja particular está dessa forma no primeiro passo do Sínodo. A escuta requer que a mente e o coração de cada pessoa, de cada presbítero, de cada diácono, estejam abertos, sem preconceitos. Tantas vezes dizemos que estamos escutando, mas na verdade ouvimos apenas a nós mesmos, conforme os nossos interesses e desejos. De imediato o Papa nos alerta que estamos em dívida com alguns segmentos muito importantes na Igreja. Estamos em dívida com as mulheres e com os jovens. Preconceitos e estereótipos impedem a nossa escuta em relação a esses dois segmentos. Muitas vezes o próprio clericalismo acaba se tornando uma barreira para a comunhão sinodal, para a caminhada sinodal.

Colocar-se à escuta requer tempo, capacidade e humildade. Quem se acha dono da Igreja jamais terá capacidade de escutar. Na história da Igreja temos um exemplo muito forte de uma reunião sinodal convocada pelos Apóstolos em Jerusalém sob a direção de Pedro, para ouvir o grupo conduzido por Paulo e o grupo liderado por Tiago. Em questão estava o problema da circuncisão imposta aos não judeus. A postura fundamental de Pedro foi ouvir os dois grupos e depois discernir o caminho a ser tomado. Nasceu assim de maneira concreta o caminho eclesial conhecido como caminho sinodal, ou simplesmente sinodalidade.

Esse modo de proceder não é o mesmo que se desenvolve nas organizações políticas como Congresso Nacional, Assembleias Legislativas, etc. O caminho sinodal tem na escuta da Palavra o ponto de partida. O elemento fundamental é a escuta comunitária da Palavra seguida da Celebração da Eucaristia. Somente assim teremos a possibilidade de uma escuta dos outros e todos à escuta do Espírito Santo. A escuta do outro está implicada na escuta do Espírito.

Então o caminho eclesial se abre a partir da escuta em direção ao diálogo. Não poderá haver diálogo sem antes haver um tempo de escuta do outro e do Espírito. Isso eleva a convivência, a comunhão, para o discernimento comunitário. O governo da Igreja jamais poderá trilhar os mesmos caminhos do governo de uma nação ou Estado. Qualquer decisão eclesial deverá ser tomada no caminho da sinodalidade, do caminhar juntos.

Nesse momento particular da Igreja estamos com um tempo propício para ouvir todo o povo de Deus, os mais afastados, principalmente os pobres. Muitas vezes parece que nos afastamos das periferias geográficas e existenciais como nos alerta o Papa Francisco.

Estamos sendo alertados para algumas armadilhas no processo de escuta. Às vezes, em vez de nos deixarmos guiar pelo Espírito queremos ser os guias de nós mesmos, concentrando nossa atenção em nós mesmos, nossas necessidades, nossos problemas e preocupação. Também pode ocorrer que mostramos apenas os elementos percebidos da estrutura da Igreja, quase sempre nos colocando fora dela. Ou também a armadilha ou tentação de permanecermos em nossas divisões internas, nossos conflitos eclesiológicos, etc.

Por fim, partindo da experiência que tivemos na realização do I Sínodo da Arquidiocese de Vitória, naquela época vimos como muitas comunidades pautaram suas escutas apenas aos membros que estão envolvidos nas atividades da paróquia ou comunidade. Uma escuta que se restringe apenas ao conselho não tem sentido sinodal. Não é para isso que estamos sendo convidados a participar do Sínodo dos Bispos. Também não pode ser um assunto de última hora como desencargo da comunidade para ficar bem na fita junto ao Bispo.

A escuta requer tempo, paciência, organização, disponibilidade e humildade. Seguir as orientações emanadas da Coordenação de Pastoral e de cada Área Pastoral é o melhor caminho. Não é preciso que cada um invente a roda novamente. Todo o material proveniente da escuta deverá ser organizado, sintetizado e enviado para a instância superior. Se cada grupo, se cada pessoa, se cada força viva der a sua colaboração no processo de escuta do Povo de Deus podemos ter a certeza que o Sínodo dos Bispos será um grande evento eclesial, marcando concretamente a presença de Deus na história.

Edebrande Cavalieri

Neste primeiro texto de uma pequena série de artigos sobre as aparições de Nossa Senhora, reconhecidas pela igreja católica, vamos aprofundar sua principal mensagem.

Neste primeiro texto de uma pequena série de artigos sobre as aparições de Nossa Senhora, reconhecidas pela igreja católica, vamos aprofundar sua principal mensagem. Neste artigo necessidade de integração de seus filhos amados, de todas as cores.

A primeira aparição de Maria, reconhecida pelo Vaticano, foi a de Nossa Senhora de Guadalupe em 1531 no México, no “novo mundo”. As incríveis mensagens transmitidas inclusive pela imagem esplendorosa deixada no manto do humilde indígena Juan Diego, deveriam ser conhecidas por todos os cristãos. Maria reproduziu em seu manto (entre outras mensagens) as estrelas que a ciência comprovou, estavam na mesma posição como no firmamento em 12 de dezembro de 1531, dia de sua aparição.  Maria mostrava a mensagem clara:  o homem e o universo se encontravam para começar de novo, assim como mostravam as mensagens no céu. Nesta terra nova, Maria nos chama a nos renovar crenças e atitudes e a seguir o que seu filho nos ensinou: somos todos filhos do Pai. As aparições de Nossa Senhora de Guadalupe aos espanhóis e indígenas no Mexico nos símbolos de seu manto (tepet – símbolo azteca) temos a clareza que aquela era uma mensagem universal para a humanidade: o anseio pela integração respeitosa entre os povos e o igual valor “aos pequenos”. O rosto de Nossa Senhora de Guadalupe não é espanhol nem indígena, mas mestiço. O querubim (anjo da primeira hierarquia) que carrega Maria tem o rosto moreno. Todos somos seus filhos, todos temos valor. Mas, esse respeito não se deu e sabemos o que aconteceu aos indígenas da América colonizados pelos espanhóis e aos negros aqui no Brasil.

Da mesma forma Maria vestindo as indumentárias das mulheres de Israel, na aparição conhecida como a de Nossa Senhora de Sion (1842) em Roma trás o foco para as injustiças e a rejeição sofrida pelos judeus em tantos países. Sua missão de trabalhar pelo respeito e acolhimento do povo de Israel também não foi ouvida e um pouco mais de cem anos depois o preconceito era de tal porte que permitiu acontecer campos de concentração em 17 países, inclusive na Itália. Os de extermínio ficavam na Polonia, Ucrânia, Croácia e Bielorrússia. Desde esse período suas aparições tiveram outro enfoque, que veremos semana que vem. Ainda aqui queremos completar com um outro tipo de aparição que nos acalenta o coração até hoje.

Foi em 1777, que a nossa querida Nossa Senhora da Conceição “apareceu” no Brasil, um pouco gordinha em relação a outras imagens, de cor escura, do barro da nossa terra achada por simples pescadores, sendo que o corpo (Brasil) separado de sua cabeça (Portugal). Uma imagem que trouxe mensagens sutis de uma independência que viria, mas muito mais que isso trouxe milagres imediatos para seu povo sofrido, revelando desde o início que ali não existia apenas uma imagem, mas sim todo poder de intercessão da nossa mãezinha do céu por um povo humilde, cristão e de fé, com muitas esperanças no coração.

Um pouco mais de cem anos depois a Princesa Isabel, como soberana do Brasil, daria reconhecimento externo deste fervor ao assinar a abolição da escravatura e no mesmo dia dar o manto e a coroa à imagem à nossa querida Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Com seu povo livre, integrado, ela reconhecia que está na base desta soberania um povo naturalmente devoto com grande base na população negra e com a força e a persistência de todas as cores do povo trabalhador que formou nossa nação.

O racismo não é da natureza do nosso povo. Não ouça quem lhe diga o contrário! Mesmo que haja muitos brasileiros cristãos ou não que negam os ensinamentos de Jesus. A estes foram ensinados conceitos errôneos que até a ciência já ultrapassou, como a superioridade das raças, ou do homem sobre a mulher! Muito se criou na história para se subjugar o outro. Nossa base não é essa, mesmo que muitos precisem superar suas crenças.

Nosso povo é acolhedor, simples de coração. É inteligente, criativo. É da paz. Somos todos de uma forma ou outra mestiços. Somos povo agregador. Que ama estar em companhia. Somos um povo de Deus, um povo de fé!

Nossa Senhora Aparecida, padroeira nossa, não permita que o mundo (mau, como diria o poeta) nos separe de ti, queremos guardar as suas palavras. Segui-las.

Ajude a quem viveu anos como segregador a entender a insensatez científica de seu conceito que serviu aos gananciosos por poder sobre o outro e a dor que sua atitude causa no coração de Deus.

Ajude aos que viveram a segregação a perdoar seus opressores e a superar suas dores, seus traumas, sem cair em segregação às avessas.

Somos todos iguais e ponto final.

Vania Reis

 

 

Estamos novamente diante de uma Campanha da Fraternidade que toma o tema da educação como um dos modos de vivermos a espiritualidade quaresmal, conforme

Estamos novamente diante de uma Campanha da Fraternidade que toma o tema da educação como um dos modos de vivermos a espiritualidade quaresmal, conforme nos relatam em diversos lugares as Sagradas Escrituras. Muitas pessoas acham que a espiritualidade do tempo de quaresma deva ser baseada naquele modo penitencialista de um catolicismo tradicional e devocional. Em Isaías 58, Deus nos diz que espécie de jejum Ele quer e elenca uma realidade que deve ser mudada.

Então Deus nos pede que esse jejum esteja em sintonia com a libertação dos prisioneiros, da retirada do jugo que é imposto sobre as pessoas, que se libertem os oprimidos, que se partilhe a comida, que se dê vestimenta aos nus, que se pare de oprimir os fracos, que se abandone a falsidade, que se pare de espalhar mentiras, que se dê comida aos famintos. Tudo isso encontramos em diversos lugares nas pregações de Jesus Cristo conforme nos descreve o Novo Testamento.

Em razão disso, a Campanha da Fraternidade que se inicia ainda nos tempos do Concílio Vaticano II, em 1964, cujo primeiro tema foi “Lembre-se: você é Igreja”, nos convoca para um despertar de solidariedade durante o tempo da quaresma e assim melhor celebrar a Paixão e Morte de Jesus Cristo. A cada ano, a Igreja Católica nos coloca um tema mais específico para a prática concreta dessa espiritualidade. Como temos observado nos últimos anos, o caminho apontado pelos temas está na luta por políticas públicas.

Em sintonia com o Magistério do Papa Francisco que nos convoca para um Pacto Educativo Global e diante dos estragos provocados pela pandemia da Covid no setor da educação, esse tema reaparece focando dimensões mais concretas da vida escolar nos diversos níveis do ensino, e também aprofundando a questão de modo a incluir todas as instâncias envolvidas na educação de uma nova sociedade. Portanto, todos estamos envolvidos e implicados e não apenas a escola, sobre quem recai grande parte de nossas cobranças educacionais.

Aqui gostaríamos de refletir sobre o que constitui o ato de educar, tantas vezes discutido tanto nas escolas como na própria Igreja. E dois modos ficam bem evidentes. Há um modo tradicional que fora adotado pelos escribas e fariseus dos tempos de Jesus que partiam daquilo que estava escrito na Lei. Era a partir da Lei que se impunha um modo de conduta, uma educação para todo o povo. Para essa pedagogia a educação é dada a partir de cima para baixo, da autoridade de quem ensina. Educador e educando estariam em posições distintas. Ao educando caberia apenas submeter-se ao que era ditado pelos professores da Lei.

Contudo Jesus em toda a sua vida pública e especialmente na cena da mulher pega em adultério e levada para que o mestre se pronunciasse sobre o que deveria ser feito a ela nos mostra outro modo de educar. Estamos diante de uma grande cena pedagógica, um grande ambiente educativo. Os acusadores da mulher usavam o recurso da Lei que deveria ser aplicada e, portanto, aquela mulher deveria ser apedrejada. Diríamos que Jesus estava diante de uma “fria”, “se correr o bicho pega, e se ficar o bicho come”.

Quantas vezes pais, professores, e demais agentes da educação ficam diante de situações semelhantes, embaraçosas. Jesus, vendo a arapuca em que estavam querendo colocá-lo, não diz nada e começa a escrever no chão. Levanta os olhos e diz: “Quem não tiver nenhum pecado, atire a primeira pedra”. E volta a escrever no chão em silêncio. Ao levantar novamente os olhos, percebe que apenas ele e a mulher ali permanecem. E dá-lhe a palavra para que fale. Ela não tinha direito a isso, mas Jesus lhe restitui o poder da palavra. E lhe pergunta sobre onde estão os que queriam apedrejá-la. Ela responde que todos se foram. Então Jesus lhe diz que ele também não a condenaria, e que daqui em diante ela deveria ir e não pecar mais.

Esta cena pedagógica reflete o fundamento do ato de educar. Jesus foi ao longo de sua vida o grande mestre, o grande educador de seus discípulos. Alguns elementos desse ato são essenciais. Antes de tudo é preciso haver proximidade entre educador e educando, postos no mesmo plano, em condições de se estabelecer um diálogo entre eles, e entre aqueles que adotam outra postura pedagógica. Nunca haverá diálogo quando impera o domínio de um sobre o outro. Portanto, jamais haveria uma educação transformadora nas condições de dominação. Teríamos apenas uma educação bancária, como nos dizia Paulo Freire.

Outra dimensão fundamental para uma educação transformadora é a restauração do direito à palavra. Jesus faz com que a mulher adúltera seja dona de sua palavra. Uma pessoa silenciada é uma pessoa dominada. Jesus faz com que ela fale. Não haveria educação transformadora no silenciamento das pessoas. Jesus ouve seus acusadores e suas razões, mas não deixa de ouvir a mulher ali prostrada em sua frente. Colocar-se na posição de escuta é elemento chave para que o outro retome sua palavra. Ele precisa ser ouvido.

Dessa forma podemos concluir como a educação cristã irá sempre remeter à superação do pecado, à transformação da realidade, à superação da injustiça. O chão sobre o qual se apoia a pedagogia de Jesus é a misericórdia. Não haverá outro caminho de superação do pecado a não ser por essa via. Então poderemos ter uma pedagogia misericordiosa nas famílias, nas escolas, nas Igrejas, na sociedade em geral. E assim podemos antever uma nova sociedade. Enquanto famílias e escolas forem apenas reprodutoras dos mecanismos de dominação não teremos uma nova sociedade.

Edebrande Cavalieri